A meditação desta semana foi sobre “Quando as coisas dão errado”. E adivinha o que aconteceu com a gravação... Sim, deu errado! Acabou a memória da câmera no meio, depois fui regravar e ficou fora de foco. No fim, peguei da gravação de hoje o pedaço que faltava e colei na de ontem. Ficou meio pastiche, mas paciência. Às vezes as coisas dão errado... e esta meditação, pelo visto, quis dar exemplo prático do próprio tema.
Quando a vida sai do roteiro, talvez o grande segredo para vencer seja aprender a perder com beleza. Como Mad Jack Churchill, o soldado inglês da Segunda Guerra que ia para a batalha com gaita de foles, arco, flechas e espada, até a derrota pode ser atravessada com alma grande. Capturado, ferido pelas circunstâncias e sem saída aparente, ele ainda encontra espaço para tocar uma música triste antes de cair nas mãos do inimigo. Há algo profundamente cristão nisso: não anestesiar a dor, não fugir dos limites, mas integrá-los, deixando que as cicatrizes se tornem ensinamentos gravados na alma.
Diante dos fracassos, o caminho começa por parar e refletir. Como o homem perdido no mar que só descobriu a direção certa quando deixou de nadar desesperadamente e observou a correnteza, também nós precisamos frear o trem antes de gastar nossas forças na direção errada. Foi assim com o Filho Pródigo, que só começou a voltar para casa quando “entrou em si”. Depois vem a aceitação humilde: reconhecer a verdade sem se esconder como Adão, sem empurrar a culpa para os outros, mas fazendo um ato de contrição diante de Deus, que é Pai misericordioso e sempre abre uma porta de perdão, graça e recomeço.
A partir daí nasce o propósito: pequeno, concreto, inteligente e possível. Não adianta transformar cada queda numa sentença de condenação, como se não houvesse mais jeito. É melhor olhar com serenidade para os recursos reais que temos e perguntar: o que dá para mudar agora? Talvez rezar em outro horário, estudar quando há mais energia, afastar a tentação da torta na geladeira, começar feio, mas começar. Star Wars nasceu depois de um primeiro roteiro confuso; Winston Churchill venceu o medo da tela em branco atacando-a com tinta; Rafael Nadal cresceu justamente porque encontrou cedo as derrotas que o ensinaram a lutar melhor. Para um algoritmo, o erro é algo a corrigir; para uma pessoa, pode ser o início de uma mudança profunda.
No fim, a vida cristã é uma escola de esperança. “Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus”, inclusive os tropeços, as gravações que dão errado, as perdas no balanço, as quedas, os recomeços e as telas em branco. Em Caná, quando o vinho acabou e tudo parecia caminhar para o vexame, Nossa Senhora estava presente e levou aquela falta até Jesus, que transformou a vergonha em alegria abundante. Que ela também esteja ao nosso lado quando as coisas derem errado, ajudando-nos a parar, aceitar, propor a mudança e lançar-nos de novo, com a confiança de quem sabe que a última palavra de Deus nunca é fracasso, mas redenção.
___________________________
Referências:
"Mad" Jack Churchill, soldado britânico da Segunda Guerra Mundial
Magnifica Humanitas, n. 120 e n. 128
Sobre: Richard Gasquet e Rafael Nadal: As virtudes do Fracasso, Charles Pépin.
Sobre os 4 passos a tomar: https://www.artofmanliness.com/character/self-improvement/podcast-1120-how-to-try-again/
Outra entrevista com uma especialista sobre o assunto: https://www.artofmanliness.com/character/self-improvement/podcast-940-the-3-types-of-failure-and-how-to-learn-from-each/
Brené Brown, reflexão sobre não anestesiar seletivamente as emoções: • The Power of Vulnerability | Brené Brown |...