
#965 - Minha História Com o Abandono e o Que Ele Me Causou
15/1/2026 | 7min
LINK DO POST CLIQUE AQUIEu aprendi cedo uma verdade dura: abandono não faz barulho, faz eco. Eu nasci adotado e, antes mesmo de ter memória, meu corpo já conhecia ausência. Aos três anos, meu pai foi para o Japão e só voltou quando eu tinha dezoito. Minha mãe me amou do jeito que conseguia, mas a história dela era cheia de turbulência, e eu cresci muitas vezes largado. Eu era filho único, e ainda assim passei por longos períodos sozinho em casa. Às vezes eu apanhava. Às vezes eu só me sentia invisível.A vida foi virando um ciclo repetido. Minha mãe saía, se envolvia com alguém, e nós nos mudávamos para a casa dessa pessoa. Com a mudança, vinha um bairro diferente, uma escola diferente, uma rotina diferente. Depois aconteciam brigas, a relação acabava, e nós voltávamos para a casa da minha avó. Passava um tempo, e tudo recomeçava. Eu cresci entre idas e voltas, entre recomeços que eu não escolhia, tentando me adaptar rápido para não ser mais um problema. Teve um Natal, quando eu era adolescente, em que eu passei sozinho em casa. A mesa vazia e o silêncio daquele dia ficaram marcados em mim de um jeito que eu só entendi muito tempo depois.Naquela época, eu não chamava isso de trauma. Eu chamava de normal. Só que o abandono cresce com a gente. Ele muda de roupa, mas continua morando por dentro. Na vida adulta, ele apareceu como ciúme, apego, necessidade de controle e uma vontade constante de agradar para me encaixar. Eu queria ser aceito como quem procura um chão firme, e eu nem sabia por quê. Eu só reagia. Eu confundia medo com amor. Confundia carência com cuidado. Confundia controle com proteção.Foi a prática que me deu um espelho. A meditação, a respiração e a atenção ao que acontece dentro foram me ensinando a ver pensamentos como pensamentos e emoções como ondas. Aos poucos, eu comecei a perceber os padrões: antes de sentir, eu já estava tentando garantir. Antes de confiar, eu já estava cobrando. Antes de me respeitar, eu já estava me moldando. E então a raiz apareceu com clareza: não era amor demais. Era abandono antigo pedindo certeza, pedindo prova, pedindo que alguém ficasse.Quando eu vi isso, eu pude começar a fazer diferente. Eu parei de tratar meus impulsos como verdade e comecei a tratá-los como sinais. Eu passei a respirar antes de reagir, a escutar o corpo quando ele queria controlar, a reconhecer o medo sem obedecer a ele. Eu fui aprendendo a ficar comigo mesmo sem mendigar presença e sem negociar minha dignidade. O abandono ainda existe na memória, mas hoje ele não dirige minha vida. Eu conduzo com lucidez.

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