Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 4:14-5:10, apresentando Jesus como o grande sumo sacerdote. A Bíblia traz três principais ofícios de Cristo: rei, profeta e sacerdote. Os primeiros leitores de Hebreus entendiam o que era um sumo sacerdote — havia um vigente na época, o templo ainda não havia sido destruído. Mas nós vivemos em cultura distante disso e perdemos a beleza e majestade do ministério de Cristo quando não compreendemos seus ofícios. O sumo sacerdote era escolhido entre os homens para representar o povo diante de Deus, oferecendo sacrifícios pelos pecados. Uma vez ao ano, no dia da expiação, ele entrava no Santo dos Santos com oferta por todo Israel e por ele mesmo.
Após a morte e ressurreição de Cristo, esses elementos desaparecem da vida do povo. O que fazer agora com o pecado? Quem procurar? Onde encontrar alguém que se compadeça? O autor de Hebreus está enxergando isso — na medida que seguiam a Cristo, ficavam sem saber o que fazer e voltavam ao judaísmo. Mas o autor diz com amor que aquele sumo sacerdote do templo não era como Jesus, não era perfeito como Jesus. Ano após ano tinha que fazer sacrifício por ele mesmo. "Temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus" — a palavra grande é "mega" no grego. Ele não adentrou no templo físico terreno, mas no verdadeiro tabernáculo de Deus nos céus. O tabernáculo e templo eram sombras de um lugar superior. O véu tinha 9m de altura, 18m de comprimento, 10cm de espessura, bordado com querubins — simbolizava ambiente celestial.
"Não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém sem pecado". Jesus viveu como nós — sentiu emoções, dor, fome, tristeza, angústia. Chorou diante da morte de Lázaro. Ele não é passivo diante da sua dor, se compadece nas suas entranhas. Mas Jesus não conheceu o pecado na sua natureza humana. A tentação não alterou sua santidade. Por isso ele pode suplicar e clamar a Deus por mérito dele mesmo — nenhum sumo sacerdote humano podia fazer isso. "Sendo ouvido por causa da sua reverente submissão" — foi recebido com prazer pelo Pai, está sentado à direita do Senhor e pode interceder por nós. Ele tem mérito para isso, ele é capaz.
"Embora sendo filho, aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu. E uma vez aperfeiçoado, tornou-se fonte da salvação eterna." Jesus foi aperfeiçoado pela sua obediência humana. Ele não precisou oferecer sacrifício por si mesmo porque era perfeito. O sumo sacerdote se preparava dias antes do dia da expiação — nosso sumo sacerdote foi preparado em toda a sua vida. Milhares de cordeiros eram mortos, apontando para o dia que veio o verdadeiro cordeiro, sem mácula, perfeito. Jesus sofreu no nosso lugar a morte. O castigo que nos era proposto estava sobre ele. Por isso ele se torna fonte de salvação — não mais um sacrifício que precisava ser refeito todo ano, mas um sacrifício perfeito, de uma vez por todas.
Por que precisamos de um sacerdote? Porque diante da nossa consciência culpada, percebemos que temos problema com Deus. Deus resolve isso enviando alguém semelhante a ele. Agora temos um sacerdote que não é apenas escolhido pelos homens, mas é Deus. Ele pode suportar a ira divina e se colocar entre nós e Deus. "Aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça." Se abandonarem isso e voltarem aos elementos ritualísticos, a fé não vale mais nada. Mas nós que temos um grande sumo sacerdote podemos nos aproximar confiadamente. Por meio do sangue de Cristo somos lavados e cobertos com vestes sacerdotais. Somos geração eleita, sacerdócio real, povo exclusivo de Deus que pode chegar até ele com toda confiança — por causa dos méritos do nosso grande sumo sacerdote.
Pastor: Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTextos base: Hebreus 4:14-16, Hebreus 5:1-10