Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 7:1-10, tratando do sacerdócio de Jesus segundo a ordem de Melquisedeque. O capítulo 7 é o âmago e o centro da carta aos Hebreus. O autor escreve como um advogado argumentando quem Jesus é. O dilema: Jesus era da linhagem de Davi, poderia ser rei, mas não era da tribo de Levi — como poderia ser sacerdote e mediador?
O ser humano clama por mediação. Em todas as religiões, o homem busca paz através de anjos, espíritos, ofertas. O homem natural é abalado pela consciência do seu pecado — há algo de errado conosco. Os levitas mediavam a relação entre o povo e Deus, mas era sombra, passageiro, imperfeito — tinham que fazer sacrifício por eles mesmos, ano após ano.
O autor retorna a Gênesis 14 para mostrar que já existia sacerdote antes de Levi. Abraão, voltando da batalha para resgatar Ló, encontra Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Abraão lhe dá o dízimo de tudo. O autor interpreta: Melquisedeque significa "rei de justiça" (melec = rei); Salém vem de shalom, "paz" — é a cidade que depois seria Jerusalém.
Abraão, ao entregar o dízimo, reconhece em Melquisedeque alguém superior. O maior abençoa o menor. Quando Abraão dá o dízimo, Levi que ainda nem havia nascido (Abraão gera Isaque, Isaque gera Jacó, Jacó gera Levi) estava junto com Abraão entregando dízimo a Melquisedeque — mostrando que alguém era superior ao sacerdócio levítico.
Hebreus 7:3 diz que Melquisedeque era "sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao filho de Deus". A Bíblia não narra ele como anjo ou cristofania — quando quer falar de aparições espirituais, é clara. O que demonstra é que há um ofício de sacerdote que é eterno, e esse homem é feito semelhante a Jesus, nosso sacerdote eterno.
A criação mostra isso desde o início. Em Gênesis, céus e terra não eram divididos — o homem via o Senhor na viração do dia. A queda fez o homem perder a relação com Deus. Em Apocalipse, novos céus e nova terra não têm mais divisão. Adão era sacerdote e rei — deveria guardar e cultivar o lugar da presença de Deus. 1 Pedro 2:9: "Vocês são sacerdócio real, nação santa."
O que isso tem a ver conosco? Ainda buscamos mediação por meios humanos — achando que a oração do pastor dá acesso diferente, usando amuletos, terceirizando a fé por genealogia, criando coisas supostamente espirituais (chofar, quipá). Isso é paganismo. Deus não requer mais essas práticas cerimoniais. Temos um sacerdote eterno, inabalável, à destra de Deus. Jesus nos constitui sacerdócio real para que através de nós todas as famílias da terra sejam abençoadas — não porque somos mediadores, mas porque conhecemos aquele que é e anunciamos às outras pessoas.
Pregador: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTexto base: Hebreus 7:1-10