Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 3:1-6, comparando Jesus e Moisés. O autor de Hebreus lida com um povo que estava flertando com abandonar Jesus e voltar ao judaísmo. Havia uma luta entre dois mundos — um povo que vive nessa terra, mas tem um chamado celestial. Muitos estavam iludidos com coisas terrenas, visíveis, achando que eram a finalidade de tudo, sem se dar conta da morada celestial, do reino celestial, da esperança da qual nos gloriamos. O autor chama os leitores de "santos irmãos" — não porque são perfeitos, mas porque Deus os santificou, separou das trevas para sua maravilhosa luz. Sermos santos prediz que fomos separados para outra vida, outro mundo, outra família, outra realidade.
O chamado celestial é realizado por Jesus. Hebreus o apresenta como apóstolo e sumo sacerdote — a única vez no NT que Jesus é chamado de apóstolo. Apóstolo significa enviado. Nós não poderíamos acessar o chamado celestial por nós mesmos. Alguém de fora da nossa realidade veio nos chamar. Jesus é o enviado de Deus para nos comunicar as coisas do reino futuro. Sem ele, estaríamos presos, cegos, surdos. Jesus é nosso sumo sacerdote — construtor de pontes entre um povo com os pés no barro dessa terra e a Jerusalém celestial. Ele vem da parte de Deus, fala conosco, intercede e nos leva até Deus.
Moisés era a maior referência para os judeus. Ele estabeleceu o fundamento e a prática de fé do judaísmo. Foi profeta, mediador, legislador, líder que conduziu o povo para libertação. Moisés foi fiel em toda a casa de Deus. Isso ensina um princípio importante: o âmago de ser fiel nas Escrituras é completar a carreira, chegar até o fim fiel. Moisés errou — casou com mulher que não deveria, bateu na pedra quando não deveria — mas não perdeu de vista o chamado. Nossos erros não podem ser desânimo da caminhada. Precisamos levantar, pedir perdão, confiar na aliança e marchar com pouca murmuração.
O dilema dos hebreus: Moisés libertou o povo, tirou da opressão, levou à terra prometida. Mas Jesus morreu, foi assunto aos céus — e cadê Jesus? Eles continuavam escravos de Roma, sujeitos a impostos, perseguidos. Esperávamos um Messias que matasse Roma. Jesus não fez isso. Moisés fez. Esse era o debate. Mas Jesus foi considerado digno de maior glória porque Moisés foi um elemento usado por Deus por período passageiro. Moisés era um tipo de Cristo imperfeito — não levou o povo ao verdadeiro descanso celestial. Todos os tipos do AT são sombras, imperfeitos, passageiros. Moisés foi servo sobre a casa; Jesus é o dono da casa, o Senhor da glória. Moisés foi alguém temporal. Jesus é o dono eterno.
Aplicação: Muitas vezes tiramos os pensamentos de Jesus. Achamos que a casa é nossa, que somos donos de tudo. Achamos que porque trabalhamos, temos recursos, boa índole, vamos sustentar essa casa. Se Moisés era grande servo mas não foi contado como construtor, quem dirá nós? Substituímos Jesus por nossos desejos, apetites, vontades. Por isso: fixem os seus pensamentos em Jesus. Não no pastor, na denominação, na cura, no milagre. Quando colocamos pensamentos em coisas passageiras, a confiança escorre dos nossos dedos. A Bíblia chama a lembrar que o filho governa sobre toda a casa e é fiel para completar. Nós estamos a caminho. A fé cristã não pode ser individualista — é um povo, são santos irmãos, uma casa que somos nós. Precisamos uns dos outros a caminho. Quando você para pelo caminho, influencia pessoas ao seu lado. Quando pai abandona fé, desemboca nos filhos. Precisamos nos apegar firmemente à confiança e esperança, viver na convicção de que estamos a caminho da Formosa Jerusalém.
Pastor: Fabricio Corrêa | @fabriciofik
Local: Igreja Batista Reformada em Belo Horizonte
Texto-base: Hebreus 3:1-6