Neste culto, o Pastor Fabricio Corrêa pregou sobre Hebreus 8:6-13, tratando da nova aliança da qual Jesus é mediador. Esse é um tema fundamental e mal compreendido na igreja cristã. Como igreja, somos aliancistas — temos um método interpretativo que olha para as Escrituras como uma progressão da obra da redenção, não como dispensações separadas. A principal diferença entre presbiterianos e batistas reformados está no entendimento da aliança (o batismo é reflexo disso).
O primeiro pacto de Deus com o homem foi no jardim do Éden — o pacto de obras. Deus fez um contrato de suzerania com Adão: se obedecesse, viveria; se não, morreria. Adão era nosso representante legal, a cabeça federal da humanidade. Por isso, fora de Cristo, todos ainda estão sob o pacto das obras. A serpente tentou Adão e Eva dizendo que havia coisas melhores que Deus — mentira na qual caímos até hoje.
O pacto sinaítico com Moisés não trouxe novidade moral. Adorar outros deuses, criar imagens, matar, mentir — tudo já era errado antes. No pacto de obras, Deus havia gravado no coração humano o que era certo e errado. A lei no Sinai trouxe luz sobre o que já deveria ser entendido. A função da lei é revelar o pecado do homem — ela joga luz e mostra que quebramos todos os mandamentos.
Deus foi abrindo janelas ao longo das Escrituras, revelando o pacto da graça. Com Adão (Gn 3: 15), com Noé, com Abraão, com Moisés, com Davi — promessas de um reino futuro e um descendente. O texto de Hebreus 8 cita Jeremias 31: 31-34, profetizado durante o cativeiro — resposta pedagógica de um povo que não cumpriu o pacto de obras. Mesmo no julgamento, Deus lembrava de outra aliança.
Diferenças entre a antiga e a nova aliança: Na antiga, entrada pelo nascimento físico (descendentes de Abraão); na nova, pelo nascimento espiritual. Na antiga, marca física exterior (circuncisão na carne); na nova, circuncisão no coração. Na antiga, lei escrita na pedra; na nova, no coração. Na antiga, adoração visível e exterior; na nova, em espírito e verdade. Na antiga, promessa de um reino físico e herança terrena; na nova, cidade celestial e herança eterna. A antiga estava a ponto de desaparecer — o templo foi destruído em 70 d.C. e nunca mais reconstruído.Jesus cumpriu todas as marcas da promessa com perfeição. Quantos se levantaram dizendo ser o Messias? Ninguém cumpriu todos os passos — nascer da linhagem de Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi. Por isso é loucura não crer em Cristo.
Diferença teológica batista e presbiteriana: Na teologia credobatista, o pacto da graça foi revelado em Gn 3: 15 e concluído na nova aliança. Na teologia pedobatista, foi estabelecido em Gn 3: 15 e administrado nas outras alianças. Por isso batizamos quem manifesta novo nascimento — na nova aliança, entrada é pelo nascimento espiritual.
A promessa superior (v. 11-12): Todos que estão na nova aliança conhecem o Senhor, tiveram pecados totalmente perdoados de uma vez por todas. A antiga aliança era condicional; a nova é incondicional, iniciada antes de Deus fazer pacto conosco — há uma relação eterna pactual entre Pai, Filho e Espírito que realiza a redenção em nosso favor. Cristo se fez maldição em nosso lugar — foi separado de Deus na cruz para que nunca sejamos afastados do Senhor.
Pregador: Pastor Fabricio Corrêa | @fabriciofikLocal: Igreja Batista Reformada em Belo HorizonteTextos base: Hebreus 8: 6-13, Jeremias 31: 31-34