A experiência da gravidez é imediatamente corporal: a barriga cresce, os seios se enchem, os quilos se acumulam e o corpo passa a ocupar mais espaço.
Mas como viver a gestação quando se é uma mulher que passou a vida tentando emagrecer?
Sussuca sempre teve uma relação difícil com o próprio corpo. Na gravidez, não gostava do que via no espelho, evitava fotografias e acompanhava cada transformação com desconforto. Ela conta aqui a cesárea do seu primeiro filho, que a deixou sozinha diante da dor e de uma pergunta insistente: o que vai sobrar do meu corpo?
Sussuca relata esse corpo dolorido, que dificultava o contato com o filho; os seios, que já não lhe pertenciam mais; e, mais de uma década depois, um segundo parto, no qual conseguiu segurar e acolher o seu bebê. Dessa vez, o corpo fragmentado, reduzido às suas funções, pôde se unificar. Como se algo tivesse se deslocado e permitido habitar o corpo de outra maneira. Como compreender isso? Talvez porque, para algumas mulheres, o contato inicial com o bebê seja uma etapa iniciática: um corpo a corpo inaugural, um encontro físico e psíquico a partir do qual mãe e bebê vão, pouco a pouco, se reconhecer como seres separados.
Com Sussuca, falamos da maternidade solo, da carreira que construiu e do casamento com o pai do seu segundo filho, um homem doze anos mais jovem.
Obrigada, Sussuca, por compartilhar conosco o seu caminho de unificação.