143 episódios
# 135 LETÍCIA BASSIT - QUEM TEM MEDO DA MÃE DESEJANTE? : SEXUALIDADE, ABANDONO E ARTE
28/07/2026 | 55minPor que maternidade e sexualidade ainda parecem incompatíveis?
Como se o nascimento de um filho marcasse o fim do desejo. Como se uma mãe precisasse escolher entre o corpo materno e o corpo erótico.
Ao engravidar em meio à dúvida sobre a paternidade do primeiro filho, Letícia se sentia "entre a santa e a puta".
Mãe de Pedro e Luna, ela não imaginava que teria filhos. A primeira gravidez chegou de surpresa e, enquanto enfrentava o julgamento alheio, Letícia descobriu uma inesperada sensação de vitalidade. Mas tornar-se mãe sozinha e viver um puerpério marcado pelo abandono também lhe revelou que a maternidade é uma função social: um papel cercado de expectativas sobre como uma mãe deve amar, cuidar, trabalhar, parir e, sobretudo, desejar.
Foi nesse contexto que nasceu a revolta. E, da revolta, um grito. Um grito dirigido à família, aos amigos e à sociedade: como é possível abandonar uma mulher que acaba de dar à luz? Esse grito tornou-se escrita, teatro, filme, estudos.
Neste novo episódio de Maternidade e Separação, falamos sobre patriarcado, sexualidade, violência obstétrica e doméstica e sobre a possibilidade de transformar a experiência vivida em criação artística.
Obrigada, Letícia, por mostrar que sustentar o desejo é uma forma de resistência às expectativas sociais.# 133 HELEN RAMOS - O DESEJO DA MÃE E OS ESTEREÓTIPOS : QUAIS TABUS CERCAM A MATERNIDADE?
21/07/2026 | 47minO que significa dizer: "engravidei sem querer"?
Repetimos essa expressão como se ela fosse evidente, mas será que ela dá conta da complexidade do desejo?
Mãe do Caetano, Helen engravidou sem planejamento e sem saber se o pai assumiria a paternidade do filho. Voltou para Brasília, sua cidade natal, para dar à luz cercada por família e amigos e, apesar do próprio desconforto, incentivou a construção da relação entre pai e filho.
Desde o início da sua maternidade, Helen desafia ideias que costumamos tomar como naturais. Ela nos convida a perguntar: como a sociedade olha para a vida amorosa e a sexualidade de uma mulher que cria um filho sozinha?
Neste novo episódio de Maternidade e Separação, falamos sobre os preconceitos que cercam as mães solo, sobre namorar durante a gravidez, sobre o trabalho psíquico de tornar-se mãe e sobre como as relações também podem se transformar com o tempo, a ponto de, hoje, Helen viver uma guarda quase compartilhada do filho.
Obrigada, Helen, por denunciar os estereótipos e as expectativas que ainda recaem sobre as mães solo.- Há poucos dados específicos sobre separação no primeiro ano de vida de uma criança, apenas um estudo britânico indicando que um quinto dos casais se separariam durante essa fase.
Quando Antônio tinha oito meses, Tarsila ouviu do marido que estava infeliz e queria encerrar o casamento. Um choque para ela, que carregava uma certa ideia de casamento marcada pela tradição e pela idealização. Tarsila viveu o luto de uma relação de nove anos ao mesmo tempo em que atravessava o puerpério e enfrentava o preconceito e os julgamentos que recaem sobre mulheres divorciadas.
Neste episódio do quadro Maternidade e Separação, Tarsila conta sobre o parto prematuro de Antônio, o impacto da separação, o papel dos amigos nesse período e o processo de tomada de consciência que se abriu quando o casamento se desfez. Hoje, ela fala nas redes sociais sobre o machismo e incentiva as mulheres a poderem desejar mais e melhor para si mesmas.
Obrigada, Tarsila, por falar sem tabu do divórcio e compartilhar conosco a sua transformação. #132 SUSSUCA ALENCAR CAPISTRANO - O CORPO DA MÃE: GESTAÇÃO, MATERNIDADE SOLO E CARREIRA
23/06/2026 | 53minA experiência da gravidez é imediatamente corporal: a barriga cresce, os seios se enchem, os quilos se acumulam e o corpo passa a ocupar mais espaço.
Mas como viver a gestação quando se é uma mulher que passou a vida tentando emagrecer?
Sussuca sempre teve uma relação difícil com o próprio corpo. Na gravidez, não gostava do que via no espelho, evitava fotografias e acompanhava cada transformação com desconforto. Ela conta aqui a cesárea do seu primeiro filho, que a deixou sozinha diante da dor e de uma pergunta insistente: o que vai sobrar do meu corpo?
Sussuca relata esse corpo dolorido, que dificultava o contato com o filho; os seios, que já não lhe pertenciam mais; e, mais de uma década depois, um segundo parto, no qual conseguiu segurar e acolher o seu bebê. Dessa vez, o corpo fragmentado, reduzido às suas funções, pôde se unificar. Como se algo tivesse se deslocado e permitido habitar o corpo de outra maneira. Como compreender isso? Talvez porque, para algumas mulheres, o contato inicial com o bebê seja uma etapa iniciática: um corpo a corpo inaugural, um encontro físico e psíquico a partir do qual mãe e bebê vão, pouco a pouco, se reconhecer como seres separados.
Com Sussuca, falamos da maternidade solo, da carreira que construiu e do casamento com o pai do seu segundo filho, um homem doze anos mais jovem.
Obrigada, Sussuca, por compartilhar conosco o seu caminho de unificação.#131 MARILIA SANTOS - SER MÃE E SER MULHER: A DIPLOMACIA, OS RECOMEÇOS E A LIVRARIA
16/06/2026 | 53minMuitas mulheres temem que a maternidade lhes tire a liberdade e dificulte a construção de uma carreira. Mas e se, para algumas, ela fosse justamente o impulso que faltava?
Marília é casada com um diplomata e mãe da Pina, que nasceu em Tel Aviv há seis anos. Desde então, a família já passou por São Paulo, Brasília, Orlando e agora, Londres. Foram seis escolas para Pina e quase seis vidas para Marília.
Marília fala aqui da gestação em Jerusalém, das mudanças e conta como nunca deixou de perseguir o seu desejo mais íntimo.
Movida pelo modelo de mãe que queria ser, Marília voltou a atuar e abriu a livraria Plato, em Brasília — uma cidade que não era dela nem do marido, mas que viria a se tornar o ponto de retorno da família.
Com muita honestidade sobre suas escolhas, ela fala da vida dividida entre Brasília e Londres, onde hoje vivem o marido e a filha.
Assim, longe de afastá-la da realização pessoal, a maternidade lhe deu chão e abriu caminhos. Como entender isso?
Talvez porque para se tornar quem se é, é preciso antes se autorizar. E, para algumas mulheres, a maternidade pode ser justamente essa autorização fundamental: aquela a partir da qual todo o resto começa a fluir.
Obrigada, Marília, por nos lembrar que não existe uma única forma de ser mãe e que cada mulher inventa o seu próprio caminho.
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Uma mãe francesa conversa sobre a maternidade com mulheres brasileiras.
O que é ser mãe no Brasil?
Aqui você vai ouvir os relatos mais íntimos e sinceros.
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