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[SommCast] Matthieu Péluchon - de Bordeaux ao Brasil, os bastidores de uma vida no mercado do vinho #EP180
14/09/2026 | 1h 51minNascer em Bordeaux muda a forma de enxergar o vinho? Para Matthieu Péluchon, fundador e curador da Rouge Brasil, o vinho nunca foi exatamente um objeto de estudo: era parte da vida. Das colheitas em família às garrafas sem rótulo na casa dos avós, ele cresceu em uma região onde praticamente todo mundo tem alguma ligação com a bebida. Mas foi do outro lado do Atlântico, ao chegar ao Brasil aos 23 anos, que começou a enxergar Bordeaux, o mercado e o próprio vinho por uma perspectiva completamente diferente.
No episódio, Matthieu atravessa quase três décadas de transformação do vinho no Brasil. Relembra os tempos da Expand, que ajudou a formar profissionais e consumidores, a experiência na Terroir e a missão de desenvolver a World Wine dentro da La Pastina, além dos encontros e histórias que marcaram essa trajetória. A conversa ainda mergulha em Bordeaux: a crise dos anos 1970, o impacto de Robert Parker e da histórica safra de 1982, a explosão dos preços e a mudança no estilo dos vinhos. E chega ao presente, em que ele vê oportunidades justamente na busca por vinhos mais elegantes, prontos para beber e com boa relação entre qualidade e preço.
Depois de sair da World Wine, Matthieu decidiu transformar experiência, relacionamento e conhecimento de mercado em um negócio próprio: nasceu a Rouge Brasil, com foco na venda ao consumidor, seleção de vinhos e liberdade para encontrar oportunidades fora do óbvio. É daí que vem uma das grandes provocações do papo: vender vinho caro pode ser fácil; difícil é garimpar algo realmente bom pelo preço certo. Entre curadoria, importação, empreendedorismo e as novas formas de levar o vinho diretamente ao consumidor, este episódio é também uma aula sobre como o mercado brasileiro amadureceu — e sobre para onde ele pode caminhar.
Destaques
🍷 Bordeaux antes do luxo
Matthieu relembra uma Bordeaux muito diferente da imagem atual: vinhos hoje praticamente inacessíveis já fizeram parte de encontros familiares sem o status e os preços que carregam atualmente. O episódio mostra como reputação, crítica e mercado podem transformar completamente o valor de uma região.
🌎 O Brasil visto por um francês
Ao chegar em 1998, Matthieu encontrou um mercado ainda em formação, mas também consumidores curiosos e uma preocupação com serviço, taças e temperatura que o surpreendeu. A Expand se tornou sua porta de entrada para entender o país e participar da formação de profissionais do setor.
🚀 A construção do mercado brasileiro
Expand, Terroir, World Wine e La Pastina aparecem não apenas como empresas, mas como capítulos de uma transformação. Matthieu acompanhou de perto a profissionalização do setor, a chegada de grandes marcas e a formação de uma nova geração de vendedores, sommeliers e consumidores.
🔎 Curadoria é saber garimpar
Na Rouge Brasil, a lógica não é simplesmente colocar mais rótulos no mercado. Matthieu defende seleção, procedência, safra, preço competitivo e relacionamento. Para ele, encontrar um grande vinho acessível pode exigir muito mais trabalho do que vender uma garrafa famosa e cara.
🔄 O futuro pode ter menos intermediários
Uma das mudanças apontadas no episódio é a aproximação entre produtores e consumidores. Em um setor historicamente carregado de intermediários, Matthieu acredita que grandes vinhos podem chegar ao público por caminhos mais curtos, reduzindo custos e mudando o papel tradicional das importadoras.
🤝 No fim, vinho é sobre pessoas
Produtores, vendedores, clientes, amigos e encontros inesperados atravessam toda a história de Matthieu. Mais do que garrafas ou pontuações, sua trajetória reforça uma ideia que aparece várias vezes na conversa: o vinho cria conexões e abre portas para pessoas que talvez nunca se encontrassem de outra forma.[Na Estrada] Sartori di Verona: 128 anos de história, Amarone e tradição no coração do Vêneto #EP02
13/09/2026 | 12minVerona é conhecida por Romeu e Julieta, pela Arena romana e por uma história que atravessa mais de dois mil anos. Mas existe outra forma de entender a cidade: pelo vinho. No segundo episódio do SommCast na Estrada pela Itália, visitamos a Sartori di Verona, casa fundada em 1898 e hoje comandada pela quinta geração de uma família que viu uma pequena decisão de um dono de osteria se transformar em uma operação presente em mais de 50 países. Uma viagem realizada a convite da Agência ICE / Italian Trade Agency para descobrir como território, tradição e capacidade de adaptação continuam moldando o vinho italiano.A visita passa pela histórica Villa Maria, pelo vinhedo Corte Brà e por um verdadeiro laboratório a céu aberto onde diferentes formas de condução das videiras ajudam a entender os desafios do futuro. A tradicional pergola veronese, durante anos considerada ultrapassada, volta a ganhar importância porque protege as uvas do calor extremo. Corvina e Corvinone também mostram que preservar variedades locais pode ser muito mais do que uma escolha de identidade: diante das mudanças climáticas, pode ser uma estratégia de sobrevivência. Na cave, ânforas, cimento, madeira e tempo mostram outra característica da Sartori: tradição não significa ficar parado.E tudo isso chega à taça com três interpretações da Valpolicella: o Regolo Ripasso, gastronômico e versátil; o Reius Amarone, mostrando uma nova geração de Amarones que procura intensidade sem abrir mão do frescor; e o Corte Brà Riserva, produzido apenas em grandes safras e pensado para atravessar décadas. Um episódio para entender por que vinho não é apenas aquilo que está dentro da garrafa. É família, paisagem, agricultura, gastronomia, memória e uma capacidade permanente de evoluir sem perder suas raízes. Você abriria o Ripasso agora, escolheria o Amarone ou teria paciência para guardar uma Riserva por dez anos?Destaques🏛️ Verona muito além de Romeu e Julieta — A posição estratégica entre o norte da Europa e o Mediterrâneo, somada aos séculos de ligação com a República de Veneza, ajudou a transformar a região em uma importante rota comercial do vinho muito antes das atuais denominações de origem.🍷 De uma osteria para o mundo — Em 1898, Pietro Sartori comprou um vinhedo porque queria servir um vinho melhor em seu próprio estabelecimento. A decisão deu origem a uma história familiar que já atravessa cinco gerações.🌿 A tradição que voltou a ser moderna — A pergola veronese protege os cachos do sol e voltou ao centro das discussões em uma região que enfrenta verões cada vez mais quentes. O que parecia antigo pode ser justamente uma resposta para o futuro.🤝 Escala sem apagar o território — Com produção de aproximadamente 18,5 milhões de garrafas e mais de 80% destinadas à exportação, a Sartori mostra como o cooperativismo pode unir milhares de produtores, manter famílias no campo e permitir escala internacional sem abandonar a identidade regional.🍇 Três vinhos, três leituras da Valpolicella — Ripasso, Amarone e Riserva não aparecem como uma simples escada de preço ou qualidade. São propostas diferentes para mostrar gastronomia, concentração, elegância e, principalmente, a capacidade que um grande vinho tem de evoluir com o tempo.[A Origem do Sabor] Pierre Schrager - do Haiti ao Nudo, uma cozinha onde origem, memória e produto falam mais alto #EP19
11/09/2026 | 53minAntes da gastronomia virar profissão, ela já fazia parte da vida de Pierre Schrager. Haitiano, criado entre as panelas, temperos e feiras ao lado da mãe, ele passou pela Guiana Francesa antes de chegar ao Brasil e descobrir que aquilo que sempre fez em casa poderia se transformar em propósito. Estudou gastronomia, passou por cozinhas como a do Tuju e construiu uma trajetória marcada por técnica, pesquisa e, principalmente, memória. Hoje, leva toda essa bagagem para o Nudo, em Pinheiros, projeto no qual começa a mostrar uma cozinha cada vez mais autoral.
O papo vai muito além da trajetória de um chef. Pierre fala sobre o epis, mistura de ervas, pimentas, cebola e alho que funciona como uma das bases da cozinha haitiana; sobre a importância de conhecer quem produz os ingredientes; e sobre sua busca por ostras, vegetais e outros produtos diretamente na origem. No Nudo, a proposta é justamente interferir menos: crudos, baixas temperaturas, molhos delicados e ingredientes que tenham espaço para falar. Uma mudança que também representa maturidade. Depois de criar menus excessivamente técnicos, Pierre percebeu que cozinhar melhor muitas vezes significa saber a hora de parar.
É também uma conversa sobre identidade, imigração e futuro. Pierre conta os desafios de chegar a um novo país sem dominar a língua, relembra as pessoas que abriram caminhos para ele e fala do desejo de fazer o mesmo por outros haitianos. Seu grande sonho é, um dia, abrir um restaurante dedicado à cozinha do Haiti. Até lá, sua história já aparece nos pratos, misturada ao Brasil, ao Japão e a tudo o que encontrou pelo caminho. Um episódio sobre comida, claro, mas principalmente sobre pertencimento, simplicidade e como nossas origens continuam cozinhando com a gente.
Destaques
🇭🇹 Cozinha como herança
Pierre cresceu ajudando a mãe em seu restaurante no Haiti, preparando temperos, comprando ingredientes na feira e convivendo com uma família de mulheres cozinheiras. Muito antes da formação profissional, sua primeira escola já estava dentro de casa.
🌿 O epis e o sabor do Haiti
Ervas, pimentas, cebola e alho pilados formam uma pasta que atravessa diferentes preparos da cozinha haitiana. Para Pierre, esse sabor funciona quase como um caminho de volta à infância.
🦪 O produto antes da técnica
Ao visitar produtores e acompanhar de perto ingredientes como ostras em diferentes fases de crescimento, Pierre reforçou uma convicção: para criar uma cozinha de baixa intervenção, é preciso conhecer profundamente o que chega ao prato.
👨🍳 Saber a hora de parar
Um dos pontos mais fortes da conversa é a reflexão sobre técnica. Pierre admite que já tentou colocar conhecimento demais no mesmo prato. Com o tempo, aprendeu que um grande cozinheiro também precisa reconhecer quando o ingrediente não pede mais nada.
🌎 Brasil, Japão e Haiti no mesmo prato
No Nudo, Pierre combina referências sem transformar sua cozinha em algo exclusivamente haitiano. Um dos exemplos é um crudo que une tucupi, castanha-do-Pará, alga kombu e temperos ligados à sua cultura, conectando diferentes origens com equilíbrio.
🤝 Cozinhar para abrir caminhos
Depois de enfrentar as dificuldades de começar a vida em outro país, Pierre quer usar sua trajetória para apoiar outros haitianos. Seu sonho futuro é criar um restaurante haitiano que dê visibilidade à cultura, à comida e também gere oportunidades para sua comunidade.[Boletim Tanin] Quem Manda no Vinho Brasileiro, Cocielo Vira Garoto-Propaganda e a Revanche Gamay #EP25
11/09/2026 | 14minVocê sabe quem realmente manda no mercado de vinho brasileiro? De mais de mil vinícolas espalhadas pelo país, apenas dez empresas concentram 64% de tudo o que as vinícolas nacionais faturam. A Campestre, dona do Pérgola, lidera com 21%, seguida por nomes como Aurora, Fante, Zanlorenzi, Salton, CRS Brands e Miolo Wine Group.
No Boletim Tanin #25, Ana Leal mergulha nos novos números do mercado brasileiro e mostra um paradoxo importante: seis em cada dez garrafas consumidas no país são nacionais, mas 63% do dinheiro gasto com vinho vai para os importados. E ainda tem influenciador entrando no vinho popular, 270 anos do Douro, novos terroirs brasileiros ganhando medalhas e a surpreendente revanche de uma uva que foi proibida na Borgonha há mais de 600 anos.
Neste episódio:
🍷 Quem manda no vinho brasileiro? As dez empresas que concentram quase dois terços do faturamento das vinícolas nacionais.
💰 Bebemos brasileiro, mas pagamos pelo importado: por que o volume está com o vinho nacional enquanto a maior parte do dinheiro fica com os rótulos estrangeiros.
📱 Julio Cocielo vira garoto-propaganda do Sangue de Boi. Com dezenas de milhões de seguidores nas redes, o youtuber entra em uma estratégia da Aurora para conversar com o consumidor da porta de entrada do vinho.
🇵🇹 O Douro completa 270 anos e sua história ajuda a explicar como fraude, falsificação e controle de origem contribuíram para o nascimento do conceito moderno de denominação de origem.
🏅 O Brasil conquista 88 medalhas no Vinus 2026, com destaques vindos de lugares que há poucos anos quase não apareciam no mapa do vinho: Goiás, interior de São Paulo e Campos de Cima da Serra.
🍇 A revanche da Gamay: proibida na Borgonha em 1395, a uva acaba de colocar um Juliénas entre os 50 melhores vinhos do mundo no Decanter.
🏃♂️ E existe uma corrida em que o ponto de hidratação serve espumante. No sertão de Pernambuco, a Corrida do Vinho reúne 1.500 participantes entre os vinhedos do Vale do São Francisco.
Mais do que notícias, o Boletim Tanin é leitura de mercado — para quem quer entender o vinho além da taça.[SommCast] Carlos Henrique - Criador da comunidade e do canal Mapa do Whisky #EP179
07/09/2026 | 1h 52minO whisky precisa ser difícil para ser levado a sério? Para Carlos Henrique, criador do Mapa do Whisky, a resposta é justamente o contrário. Neste episódio do SommCast, ele mostra como uma bebida cercada de regras, status e termos técnicos pode voltar ao que realmente importa: prazer, memória e conexão. Arquiteto de formação, Carlos transformou um interesse pessoal em conteúdo, comunidade e negócio, construindo uma referência para quem quer entender mais sobre whisky sem entrar em um universo de arrogância ou elitismo.
A conversa passa pela criação do Mapa do Whisky, pela rotina intensa de estudo e produção de conteúdo e pela construção de uma plataforma pensada para levar o público do básico ao avançado. No caminho, falamos sobre blends, single malts, turfa, maturação, influência dos barris, finalizações em vinho do Porto e Jerez, desenvolvimento de paladar e até sobre como escolher melhor uma garrafa. Mas a provocação central vai além da técnica: não existe uma única forma certa de beber. Com gelo, puro, em taça ou copo simples, o melhor whisky é aquele que faz sentido para o seu paladar e para o momento.
É um episódio para quem já gosta de whisky, para quem quer começar e também para quem acredita que conhecimento não precisa virar barreira. Carlos defende menos ego, mais curiosidade e uma relação mais humana com a bebida — porque, no fim, talvez você esqueça o rótulo, mas dificilmente esqueça a história que aconteceu ao redor da mesa.
Destaques
🥃 Whisky sem elitismo
Carlos explica por que conhecimento deve aproximar, não afastar. A técnica importa, mas não pode ser usada para transformar a bebida em um clube exclusivo.
🗺️ De hobby a referência
O Mapa do Whisky nasceu da vontade de falar sobre a bebida de forma acessível e evoluiu para conteúdo, comunidade, cursos e uma estrutura de aprendizado para diferentes níveis.
🧠 Como desenvolver o paladar
Em vez de começar pelos rótulos mais intensos ou caros, a ideia é avançar aos poucos, comparar estilos, reconhecer preferências e criar repertório sensorial.
🪵 Barril importa — e muito
Mais do que olhar apenas para idade, Carlos chama atenção para a qualidade e o histórico dos barris, que ajudam a definir aromas, sabores e personalidade do whisky.
🔥 Turfa, blends e single malts
O papo mostra como estilos diferentes entregam experiências completamente distintas — e por que não gostar de um whisky turfado, por exemplo, não significa “não entender” de whisky.
🍷 Quando vinho e whisky se encontram
Finalizações em barris de Porto, Jerez e outros vinhos mostram como os dois universos dialogam e criam novas camadas de aroma, sabor e textura.
🤝 A bebida como ponto de encontro
Mais importante que decorar termos é entender o papel social da bebida. Para Carlos, whisky é ferramenta para conversa, amizade, celebração e memória.
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Sobre SommCast TV
O SommCast TV é um espaço para quem gosta de sentar à mesa, servir uma taça, puxar uma boa conversa e deixar a história acontecer.
Aqui, bebidas, gastronomia, viagens, cultura e experiências se encontram de forma leve, curiosa e humana. Cada episódio nasce do prazer de descobrir, provar, ouvir e compartilhar — sem pressa, sem regras rígidas, sem fórmulas prontas.
O SommCast TV transforma encontros em histórias e histórias em experiências. É sobre o ritual do copo, o sabor da comida, o caminho da viagem, o contexto por trás de cada escolha e as pessoas que dão sentido a tudo isso.
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