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[SommCast] Ronaldo Padovani - Coordenador do Setor Agroalimentar no ITA - Italian Trade Agency #EP166
20/07/2026 | 1h 46minO vinho italiano carrega séculos de história, mas tradição, sozinha, não coloca uma garrafa na mesa do consumidor brasileiro. Neste episódio do SommCast, Ronaldo Padovani, estrategista de comércio exterior e coordenador do setor agroalimentar da Italian Trade Agency, mostra o trabalho necessário para transformar identidade, território e cultura em oportunidades de mercado. Com mais de três décadas aproximando Brasil e Itália, ele revela os bastidores de uma relação que vai muito além da importação.A conversa percorre sua trajetória, da formação em engenharia à atuação no ITA, e explica como a agência promove empresas, tecnologias, alimentos e bebidas italianas no exterior. O papo passa pela força do Made in Italy, pelas feiras e missões comerciais, pela busca por importadores e pelo crescimento dos vinhos italianos no Brasil. Também aborda tributação, logística, o acordo entre Mercosul e União Europeia e o desafio de comunicar um país que produz vinho em suas 20 regiões e reúne centenas de variedades de uvas.Ronaldo ainda provoca uma reflexão importante: a diversidade italiana é uma vantagem, mas pode confundir quem está começando. Por isso, vender vinho também exige traduzir histórias, simplificar escolhas e derrubar a ideia de que a bebida pertence a uma elite. Um episódio para entender o mercado, descobrir a Itália além dos rótulos conhecidos e perceber que ampliar o consumo passa menos por impor regras e mais por criar acesso, curiosidade e prazer.Destaques🇮🇹 Mais de três décadas entre Brasil e ItáliaUma experiência acadêmica na Itália abriu caminho para uma carreira dedicada a aproximar empresas, mercados e culturas.🏛️ O papel da Italian Trade AgencyO ITA apoia empresas com informações de mercado, contatos comerciais, feiras, missões empresariais, campanhas e ações de formação.⚙️ Da engenharia ao vinhoRonaldo mostra que, apesar das diferenças entre vender máquinas e vinhos, os desafios continuam envolvendo produto, preço, comunicação e distribuição.📈 O crescimento do vinho italianoO Brasil passou a receber mais atenção estratégica. A aproximação com compradores, jornalistas e importadores movimentou uma engrenagem que exige constância e visão de longo prazo.🍇 Um país com centenas de uvasA Itália produz vinho em todas as suas 20 regiões e preserva centenas de variedades autóctones. Essa riqueza amplia as possibilidades, mas exige uma comunicação capaz de orientar o consumidor.🌋 Terroir não pode ser copiadoSolo, clima, altitude, tradição e técnicas locais interferem diretamente no resultado. É possível transportar sementes e equipamentos, mas não reproduzir integralmente um território.🤝 Feiras que geram negóciosEventos, degustações e missões aproximam produtores, importadores, restaurantes, supermercados e compradores em busca de novidades.🌍 Mercosul e União EuropeiaO acordo pode ampliar a circulação de produtos e a diversidade disponível, mas ainda envolve desafios de tributação, previsibilidade e adaptação das empresas.🧭 Diversidade também confundeCentenas de uvas e denominações podem afastar quem não sabe por onde começar. O setor precisa transformar complexidade em descoberta.🍷 Vinho não precisa ser complicadoTaças, vocabulário técnico e análises profundas podem enriquecer a experiência, mas não devem criar barreiras. Antes de tudo, vinho é convivência, comida, história e prazer.- Existem produtores que fazem bons alimentos — e existem aqueles que transformam a maneira como enxergamos tudo o que chega à mesa. Ricardo Rettmann, proprietário da Queijaria Rima, pertence ao segundo grupo. Formado em Gestão Ambiental e ligado à criação de ovelhas desde a infância, ele trocou a carreira corporativa por um projeto que une campo, ciência, cultura, bem-estar animal e muito sabor.
Na conversa, Ricardo conta como a criação familiar de ovelhas se transformou em uma referência na produção de queijos e iogurtes de leite de ovelha. O episódio passa pela qualidade da matéria-prima, pelo manejo do rebanho, pela genética, pela maturação e pelo desafio de crescer sem perder identidade. Também mostra que viver do campo está longe da imagem bucólica: exige gestão, investimento, logística, profissionalismo e capacidade para resolver problemas diariamente.
Mais do que apresentar os produtos da Rima, o episódio provoca uma reflexão sobre o que chamamos de alimentação saudável. Enquanto as prateleiras se enchem de pós, cápsulas e nutrientes adicionados, Ricardo defende alimentos naturais, feitos com poucos ingredientes, história e verdade. Uma conversa para conhecer a riqueza do leite de ovelha, compreender o valor do queijo artesanal e repensar a nossa relação com a comida.
Destaques
🐑 Das ovelhas ao queijo
A Rima nasceu de uma relação familiar de quase 30 anos com as ovelhas. Ao decidir viver integralmente do sítio, Ricardo percebeu que transformar o leite em queijos e iogurtes poderia gerar mais valor e viabilizar economicamente uma pequena propriedade.
🧀 Artesanal não é improvisado
Ricardo combate a ideia de que produção artesanal significa fundo de quintal. Uma queijaria profissional exige controle sanitário, gestão, estrutura, conhecimento técnico, logística e domínio de cada etapa da produção.
🥛 O leite de ovelha além dos mitos
Diferentemente do leite de cabra, o leite de ovelha possui sabor suave e naturalmente adocicado. Concentrado em gordura, proteína e cálcio, ele proporciona queijos intensos, iogurtes muito cremosos e uma grande riqueza aromática.
🌱 Sustentabilidade sem romantização
Bem-estar animal e respeito ao meio ambiente precisam caminhar ao lado da sustentabilidade financeira. Para continuar existindo, o produtor precisa gerar receita, controlar custos e alcançar uma escala que preserve a qualidade.
📈 Crescer sem perder a essência
A Rima já recebeu propostas para acelerar sua expansão, mas escolheu crescer com cuidado. O objetivo não é ocupar todas as prateleiras, e sim manter o controle sobre o leite, os processos e a identidade de cada produto.
🐏 Bem-estar animal também é qualidade
Animais menos estressados produzem leite melhor. Alimentação, rotina, conforto e manejo responsável influenciam diretamente a produtividade e o resultado sensorial dos queijos.
🇧🇷 Queijos com identidade brasileira
Nomes como Ararita, Orobó, Guyaná e Maratimba homenageiam os povos originários e a história do território. Em vez de apenas copiar receitas europeias, a Rima busca desenvolver produtos autorais conectados ao Brasil.
🚜 A realidade da vida no campo
Equipamentos quebrados, custos elevados, falta de assistência especializada e imprevistos simultâneos fazem parte da rotina. Viver no campo pode ser bonito, mas exige preparo, resiliência e muita capacidade de gestão.
🥣 O desafio de popularizar o iogurte
Produzido apenas com leite e fermento, o iogurte da Rima passa por uma longa fermentação e apresenta cremosidade natural. O próximo desafio é torná-lo mais acessível e apresentá-lo a um público maior.
🍽️ Comida de verdade
Um queijo maturado pode oferecer naturalmente proteína, gordura e minerais sem ingredientes adicionados. O episódio questiona por que buscamos saúde em produtos de laboratório quando ela também pode estar em alimentos simples e pouco processados. - Durante décadas, o espumante brasileiro foi visto apenas como uma bebida de celebração, escolhida mais pelo estouro da rolha do que pela qualidade. Foi contra essa lógica que Mario Geisse começou a trabalhar nos anos 1970. Neste episódio do SommCast, gravado durante a Wine South America, Daniel Geisse, diretor executivo da Vinícola Família Geisse, conta como o estudo do território e a busca obsessiva pela excelência ajudaram a transformar Pinto Bandeira em referência mundial na produção de espumantes.
A conversa passa pela chegada de Mario ao Brasil para participar da implantação da Chandon, pela descoberta dos solos antigos de Pinto Bandeira e pela criação de uma vinícola que nasceu como um projeto de pesquisa. Daniel explica por que a maturação completa das uvas, combinada à preservação natural da acidez, permite produzir espumantes frescos, estruturados e longevos. O papo também aborda a Denominação de Origem Altos de Pinto Bandeira, o método tradicional, a atuação dos sommeliers, o enoturismo e os projetos da família no Chile.
Mais do que a trajetória de uma vinícola, o episódio mostra que reputação se constrói com tempo, coerência e coragem para defender uma ideia antes que o mercado esteja preparado para compreendê-la. Uma conversa para descobrir por que o espumante brasileiro conquistou críticos, restaurantes e consumidores exigentes pela qualidade que entrega.
Destaques
🥂 Quando o espumante era apenas celebração
Em uma época dominada pelo volume e pelo barulho da rolha, Mario Geisse decidiu apostar em espumantes brasileiros de alta qualidade.
🇨🇱 Do Chile à descoberta de Pinto Bandeira
Ao participar da implantação da Chandon, Mario encontrou na Serra Gaúcha uvas maduras, com acidez preservada, e iniciou uma busca pelo terroir ideal.
⛏️ O terreno negociado com dois caminhões
Mario financiou dois caminhões para convencer uma família a vender a área onde nasceu o vinhedo que inspirou o nome Cava Amadeu.
🌱 Uma vinícola construída pela qualidade
Enquanto o mercado valorizava produtividade, a Família Geisse reduziu rendimentos e produziu pequenos lotes pelo método tradicional.
🌎 Do experimento ao reconhecimento internacional
Degustações às cegas e avaliações de críticos colocaram os espumantes da vinícola no radar mundial e confirmaram o potencial de Pinto Bandeira.
📍 A força da Denominação de Origem
A DO Altos de Pinto Bandeira estabelece regras rígidas, une os produtores e direciona o crescimento da região pela especialização e pelo valor.
🍇 Acidez, maturação e longevidade
As uvas amadurecem completamente sem perder frescor, criando espumantes equilibrados e capazes de evoluir por mais de 20 anos.
🍾 Qualidade em diferentes níveis de complexidade
Do Cava Amadeu às Magnums de longa guarda, todas as linhas partem de um padrão elevado. O que muda é a estrutura e o tempo de amadurecimento.
👨🍳 Gastronomia, sommeliers e novos consumidores
A versatilidade dos espumantes ampliou sua presença nos restaurantes, enquanto os sommeliers ajudaram a comunicar sua origem e seu valor.
🚙 Enoturismo que transforma visitantes
Passeios pelos vinhedos, degustações e experiências gastronômicas aproximam o público do território e criam novos embaixadores do vinho brasileiro. [Boletim Tanin] Michelin Entra no Vinho, Brasil Ganha Dia do Vinho e Uvas Vão ao Espaço #EP17
15/07/2026 | 15minA Michelin entrou oficialmente no mundo do vinho. O Brasil finalmente ganhou um Dia Nacional do Vinho. E, enquanto o consumo cresce por aqui, pesquisadores já planejam produzir vinhos a partir de sementes que viajarão ao espaço.
Neste episódio:
🍇 A estreia da Michelin no mundo do vinho com a primeira seleção oficial da Borgonha e o incêndio que atingiu a Côte de Nuits logo após o lançamento.
🇵🇹 O primeiro relatório de Tim Atkin dedicado a Portugal e o domínio de António Maçanita nas principais premiações.
🇧🇷 O Brasil ganha oficialmente o Dia Nacional do Vinho após mais de duas décadas de tramitação.
🥂 O Tuju se torna a segunda Embaixada Krug do Brasil, reforçando o avanço da alta gastronomia e da premiumização do mercado.
🍽️ O restaurante Arenito, da UVVA, entra para a primeira lista global de restaurantes de vinícolas da Wine Enthusiast.
📊 O mundo acumula vinho suficiente para cerca de três anos de consumo, enquanto o mercado brasileiro segue crescendo na contramão da tendência global.
🚀 A universidade Texas A&M University enviará sementes de uva ao espaço para desenvolver videiras mais resistentes às mudanças climáticas.- Antes de o vinho ganhar espaço nos restaurantes, nas redes sociais e na vida de um público cada vez maior, algumas pessoas precisaram abrir caminho. Mário Telles Jr. é uma delas. Médico pediatra, professor, fundador e atual presidente da ABS-SP, ele acompanhou quase cinco décadas de transformação no mercado brasileiro e ajudou a construir uma das instituições mais importantes para a formação de sommeliers no país.
No episódio, Mário relembra as primeiras degustações entre amigos, quando havia pouca literatura disponível, quase nenhum acesso a rótulos importados e aprender sobre vinho exigia pesquisa, curiosidade e muita prática. Foi desse grupo que nasceu a ABS-SP, em 1989. A conversa passa pelos desafios para manter a associação, criar cursos, formar professores e desenvolver uma metodologia que não depende apenas de slides, mas do contato direto com o vinho na taça. Para ele, aprender é comparar, questionar e construir repertório próprio.
O papo também aborda a evolução do serviço nos restaurantes, a presença crescente das mulheres no mercado, a crise da profissão de sommelier e a falta de investimento na formação das equipes. Mais do que uma viagem pela história da ABS-SP, o episódio mostra que nenhuma transformação acontece por acaso. É preciso estudo, serviço, resiliência e propósito.
Destaques
🍷 Quando tudo ainda era mato
Mário relembra como era estudar vinho nas décadas de 1970 e 1980, com poucos livros disponíveis, pouca oferta de rótulos e muito aprendizado construído em degustações entre amigos.
🏛️ A criação da ABS-SP
Fundada em 1989, a associação nasceu do esforço coletivo de pessoas que chegaram a tirar dinheiro do próprio bolso para pagar aluguel, organizar cursos e manter o projeto vivo.
🥂 Vinho não se aprende apenas em slides
A teoria é importante, mas é o vinho dentro da taça que desenvolve a percepção. Comparar estilos, regiões e interpretações permite que o aluno crie opinião própria.
🎓 Formação para pensar
A missão da ABS-SP não é ensinar alguém a repetir o professor, mas oferecer ferramentas para que cada pessoa desenvolva senso crítico e consiga sustentar suas escolhas.
🌍 A ABS-SP no cenário internacional
Com sede própria, salas de degustação e participação na Association de la Sommellerie Internationale, a instituição possui uma estrutura rara até mesmo entre associações europeias.
🍽️ Serviço é atenção e criatividade
Bom serviço não depende apenas de luxo. Ele envolve temperatura correta, taça adequada, carta bem organizada e cuidado com cada detalhe da experiência do cliente.
👩 Mulheres transformando o vinho
Nos primeiros cursos, quase todos os alunos eram homens. Hoje, as turmas estão próximas do equilíbrio, com mulheres mais jovens, executivas e cada vez mais preparadas.
👨🍳 A crise da profissão de sommelier
Cerca de 95% dos alunos da ABS-SP estudam por interesse pessoal, enquanto apenas 5% atuam profissionalmente. Para Mário, falta apoio dos restaurantes à formação das equipes.
💰 Formação não é custo
Profissionais preparados ajudam a vender mais, melhoram o atendimento e fidelizam clientes. Mesmo assim, muitos empresários ainda tratam capacitação como despesa.
🧠 Degustar amplia a sensibilidade
Vinho, água, queijo, azeite, cerveja e café podem desenvolver a percepção de textura, acidez, equilíbrio e intensidade, criando um repertório que vai além da bebida.
⚖️ Menos preconceito, mais repertório
Rejeitar uma uva ou região depois de poucas experiências revela falta de conhecimento. Bons e maus vinhos podem existir em qualquer lugar do mundo.
✨ Resiliência com propósito
A história da ABS-SP mostra que não existe construção de longo prazo sem ideal. Foram décadas de estudo, trabalho e persistência para transformar a cultura do vinho no Brasil.
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Sobre SommCast TV
O SommCast TV é um espaço para quem gosta de sentar à mesa, servir uma taça, puxar uma boa conversa e deixar a história acontecer.
Aqui, bebidas, gastronomia, viagens, cultura e experiências se encontram de forma leve, curiosa e humana. Cada episódio nasce do prazer de descobrir, provar, ouvir e compartilhar — sem pressa, sem regras rígidas, sem fórmulas prontas.
O SommCast TV transforma encontros em histórias e histórias em experiências. É sobre o ritual do copo, o sabor da comida, o caminho da viagem, o contexto por trás de cada escolha e as pessoas que dão sentido a tudo isso.
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