Ela queria ser profeta aos dez anos, mas a revolução a transformou em exilada. E o que sobrou foi uma das obras mais pessoais da animação contemporânea.
No episódio 43 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni homenageiam Marjane Satrapi, falecida poucas semanas antes desta gravação, analisando Persépolis (2007), a adaptação animada de sua graphic novel semi-autobiográfica sobre crescer no Irã durante a Revolução Islâmica de 1979 e buscar a liberdade no exílio.
🎥 Neste episódio, falamos sobre:
- A técnica como narrativa: o traço preto e branco, simples e quase infantil, como a única estética possível para essa história.
- A trajetória real de Satrapi: Irã, Áustria, o retorno, a guerra Irã-Iraque, e finalmente a França, onde se naturalizou.
- A relação da protagonista com Deus, da profecia infantil ao afastamento, até uma reconciliação ambígua no fim.
- Quadrinho versus filme: por que a graphic novel ficou mais marcada na cultura do que a animação, mesmo com Persépolis sendo tecnicamente impecável.
- Uma animação para adultos que aborda o significado do que é ser, ao mesmo tempo, mulher, artista e exilada.
📌 Dicas dos apresentadores:
- Skhizein (2008), de Jérémy Clapin — curta-metragem de animação francês sobre dissociação e identidade: https://youtu.be/qY9EvZaRsto?si=meiEGyJsz8RL8wg-
- Canal de Oliver Stuenkel, para quem quer entender melhor os contextos políticos que atravessam filmes como este: https://www.youtube.com/@OliverStuenkel1