73 episódios
- Um piloto kamikaze que não quis morrer. Uma cidade reduzida a cinzas. E, quando parecia não haver mais nada a perder, um monstro que surge do mar.
Em Godzilla Minus One (2023), Takashi Yamazaki usa o kaiju para além do espetáculo de destruição, elaborando um drama sobre culpa, honra e reconstrução. É o retrato de um país que, ao fim da guerra, não recomeçou do zero: ficou abaixo dele.
Neste episódio do Cinematografia Podcast, partimos das tardes de tokusatsu na TV Manchete para descobrir o que torna este filme singular. Falamos de personagens que funcionam como arquétipos de um Japão em pedaços e da crítica aberta a um Estado que tratou vidas como descartáveis.
Falamos também da chuva negra símbolo da imagem histórica de Hiroshima e Nagasaki e de uma câmera que insiste na altura do olhar humano. E discutimos a pergunta que conduz a conversa: o Godzilla é uma ameaça que vem de fora ou os fantasmas que o próprio Japão carrega?
E, não menos importante, conversamos sobre o Oscar de Efeitos Visuais, a trilha de Naoki Satō e o sentido do título.
Esse episódio é um aquecimento para Godzilla Minus Zero, que chega aos cinemas agora em novembro.
Se você torce o nariz para filme de monstro, este episódio é para você. Como dissemos no final: é um filme para quem gosta de gente.
🎬 Indicações
Flávia: Túmulo dos Vagalumes (Isao Takahata, 1988) e O Hospedeiro (Bong Joon-ho, 2006)
Fernando: A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima (Clint Eastwood, 2006)
Jason: Até o Último Homem (Mel Gibson, 2016)
💬 Participe nos comentários:
Qual é o seu filme de monstro ou desastre favorito? Você conseguiu assistir ao impacto sonoro de Godzilla Minus One nos cinemas ou viu no streaming?
Deixe seu like, inscreva-se no canal do Cinematografia Podcast e corra do Spotify para o YouTube para ver o embate épico de bonecos entre Neo e Godzilla na abertura do vídeo! - Para fechar o mês de terror do Cinematografia, no dia 31 de outubro, o filme que leva o nome da data: Halloween (1978), de John Carpenter. Neste episódio, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni dissecam como uma produção independente de apenas US$ 300 mil transformou a pacata cidade fictícia de Haddonfield no epicentro do medo moderno, arrecadou centenas de milhões de dólares e estabeleceu as regras de ouro do subgênero slasher que moldaram o cinema pelas décadas seguintes.Na conversa, três relações bem diferentes com o mesmo filme. Uma de nós ainda se assusta na segunda vez. Outro gosta da trilha a ponto de esperar cada retorno dela. E um terceiro vê um bom filme que não o atinge mais, e se pergunta se é possível assistir a uma obra de quase 50 anos sem o peso de tudo o que veio depois dela.🎃 Neste episódio, a bancada debate:* O nascimento de uma lenda independente: Como um orçamento de US$ 325 mil, locações emprestadas na Califórnia e uma equipe enxuta criaram um dos maiores fenômenos de bilheteria da história do cinema.* A anatomia do monstro: Da máscara improvisada do Capitão Kirk (Star Trek) pintada de branco à influência direta de Tubarão (Spielberg) para esconder o monstro e evitar uma história de origem desnecessária.* A tensão sem sangue: A escolha deliberada dos produtores executivos e de Carpenter pelo suspense psicológico e pela sugestão em vez do choque gráfico do gore.* A contribuição fundamental de Debra Hill: A importância da produtora e coroteirista para a construção da rotina autêntica das babás e a consolidação de Jamie Lee Curtis como a grande Final Girl do cinema.* A trilha hipnótica de Carpenter: O tema em compasso 5/4 composto no sintetizador pelo próprio diretor, sua conexão e inspiração na banda italiana Goblin (Profondo Rosso) e a manipulação do suspense.* A câmera voyeurística: A histórica abertura em plano-sequência pelo ponto de vista (POV) de uma criança de 6 anos, as lentes Panaglide e os enquadramentos sujos por trás de janelas, cercas e persianas.* Pânico satânico: A quebra da segurança da classe média americana, o fim da contracultura dos anos 70 e a paranoia de que o assassino em série pode ser o seu vizinho.📚 Dicas Culturais da Bancada para o Halloween:* Flávia: Christine - O Carro Assassino (Christine, 1983), a espirituosa e surpreendente adaptação de Stephen King dirigida por John Carpenter.* Fernando: Fuga de Nova York (Escape from New York, 1981), o clássico cult de ação distópica estrelado por Kurt Russell sob o comando de Carpenter.* Jason: A trilogia de slasher autoral de Ti West com Mia Goth: X - A Marca da Morte (2022), o prelúdio Pearl (2022) e o encerramento com MaXXXine (2024).💬 Participe nos comentários:Assistindo hoje, Halloween (1978) ainda consegue te assustar ou a repetição do gênero tirou o impacto para você? Qual é a cena mais tensa do filme na sua opinião?Deixe seu like, inscreva-se no canal do Cinematografia Podcast e avalie nosso programa com 5 estrelas no Spotify! Feliz Halloween! 🎃🔪
- Um sonâmbulo abre os olhos como quem desperta de décadas de sono, num mundo de paredes tortas, sombras pintadas e ruas que não levam a lugar nenhum.
Na Sessão Extra de Halloween do Cinematografia Podcast, voltamos a 1920 para ver O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene. Ele não inventou o terror, mas deu ao gênero uma linguagem visual que o cinema repete até hoje.
Caligari chega a uma cidadezinha alemã como atração de feira, trazendo Cesare, um sonâmbulo que ele diz controlar. Com eles chegam os crimes. Quem conta essa história é Francis, e o filme demora a nos dizer o quanto podemos confiar nele.
Lido logo depois da Primeira Guerra, o filme fala de autoridade. Lido hoje, depois da luta antimanicomial, fala também de quem decide quem é louco e quem merece ser trancado. Conversamos sobre as duas leituras e sobre a pergunta que o filme deixa sem resposta: quem é, afinal, o louco da história?
Neste episódio:
* O expressionismo alemão: cenários pintados, luz e sombra, maquiagem e corpo
* Carl Mayer, Hans Janowitz e as mudanças que Wiene fez no roteiro
* Siegfried Kracauer e De Caligari a Hitler: o filme como sintoma de uma Alemanha a caminho do autoritarismo
* A história dentro da história e o narrador em que não se pode confiar
* Os herdeiros de Cesare, de Frankenstein a Edward Mãos de Tesoura
* O que um filme de cem anos revela sobre o modo como vemos filmes hoje
⚠️ Contém spoilers, inclusive do final (de um filme de 1920, mas ainda assim).
Indicações:
📖 De Caligari a Hitler: uma história psicológica do cinema alemão, de Siegfried Kracauer
🎬 Nostalgia (1983), de Andrei Tarkovsky
🎬 Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bodanzky
🎬 Em Nome da Razão (1979), de Helvécio Ratton
🎬 Holocausto Brasileiro, livro de Daniela Arbex e documentário homônimo
🎬 Um Estranho no Ninho (1975), Garota, Interrompida (1999) e Coringa (2019)
Quais filmes dos anos 1920 e 1930 vocês querem ver na Sessão Extra? Deixem nos comentários.
#OGabineteDoDrCaligari #ExpressionismoAlemão #CinemaMudo #CinematografiaPodcast #SessãoExtra #Halloween - Bem-vindos ao nosso Especial de Halloween no episódio 52 do Cinematografia Podcast!
Hoje, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni trazem uma lista inusitada de recomendações para a sua maratona de terror.
Passando por quase 100 anos de história do cinema — de 1926 a 2018 —, nossa bancada prova que o terror vai muito além dos sustos fáceis e do gore gratuito.
O trio parte de relações bem diferentes com o gênero: a de quem espera outubro o ano inteiro, a de quem chegou ao terror pelo suspense e a de quem desconfia do rótulo mas não abre mão de um bom filme.
Daí vem a pergunta que acompanha a conversa toda: até que ponto a noção de gênero ajuda a ler um filme? Quanto ela só serve para encaixá-lo numa categoria? E o que o terror que escolhemos diz sobre nós?
A lista conta com terrores sobrenaturais, horrores psicológicos, thrillers clássicos e expressionismo.
Confira o que cada um separou para a data
📚 Para ir além
* Dança Macabra, de Stephen King: um ensaio sobre o horror no cinema e na literatura
* Noël Carroll, A Filosofia do Horror ou Paradoxos do Coração
* À Meia-Noite Levarei Sua Alma (José Mojica Marins, 1964)
* X-slasher: curta produzido em Bauru e dirigido por Letícia Bonelli, disponível no YouTube: https://youtu.be/d-BTy3DSnr0?si=Z_RfXEzAqmC9fwkE
* A não-recomendação do Jason: Bacurau (Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, 2019), e por que ele recusa a leitura do filme como terror
🎧 O Iluminado ganhou um episódio inteiro no Cinematografia: https://www.youtube.com/watch?v=smTOTBm4BBI&t=55s
E pra você, qual filme não pode faltar no seu Halloween?
#CinematografiaPodcast #Halloween #FilmesDeTerror #Cinema #Horror #Podcast #Listadefilmes - Um entregador de material médico aceita uma última corrida da noite, com pagamento em dobro. O destino é Raccoon City. Quem conhece os jogos sabe o que o espera. Ele, não.
Neste Cinematografia +, Flávia e Fernando analisam o novo Resident Evil, de Zach Cregger (Noites Brutais, A Hora do Mal), para pensar a relação entre cinema e games: duas indústrias que hoje pertencem aos mesmos conglomerados, bebem uma na fonte da outra e, ainda assim, funcionam de formas distintas. O que acontece quando uma mídia feita de repetição, tentativa e erro precisa caber em 90 minutos?
A aposta do filme é trocar a heroína invencível por um sujeito comum. Bryan (Austin Abrams) não sabe atirar, não entende o que está acontecendo e só quer terminar o expediente. A câmera não o abandona, o roteiro funciona como um tutorial que vai ganhando dificuldade, e o riso não entra como alívio: faz parte da própria narrativa de horror. É o "terrir" que Cregger já praticava em A Hora do Mal.
Também conversamos sobre:
- convergência midiática e o tamanho da indústria de games diante do cinema
- o jogo como forma cultural, com Homo Ludens, de Johan Huizinga
- por que parte dos fãs dos jogos rejeitou o filme, e por que isso agradou quem nunca jogou
- luz diegética: o celular como lanterna e a neve como cenário
- som, silêncio e a herança de John Carpenter (O Enigma de Outro Mundo)
- paternidade como subtexto: o horror como espelho de crises, na trilha de Noël Carroll e Stephen King
- criaturas, gore e o predomínio de efeitos práticos Análise com spoilers moderados: comentamos cenas e criaturas, mas não revelamos o final.
OBRAS CITADAS
Filmes e séries
- Noites Brutais (Barbarian, 2022), de Zach Cregger
- A Hora do Mal (Weapons, 2025), de Zach Cregger
- O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), de John Carpenter
- A Mosca (The Fly, 1986), de David Cronenberg
- Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000), de Keenen Ivory Wayans
- Max Payne (2008), de John Moore
- The Walking Dead (série, 2010–2022)
Livros e autores
- Homo Ludens (1938), de Johan Huizinga
- A Filosofia do Horror (1999), de Noël Carroll
- Dança Macabra (2021), de Stephen King
Jogos
- Resident Evil (1996)
- Tekken (1994)
- Max Payne (2001)
- Just Dance (2009)
INDICAÇÕES PARA QUEM GOSTOU DO FILME
- Little Nightmares (2017)
- Silent Hill (1999)
Gostou da análise? Curta, compartilhe e conte nos comentários que filme você quer ver no próximo Cinematografia +
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Sobre Cinematografia Podcast
Reflexões sobre a escrita do cinema. Com Flavia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni.
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