60 episódios
- "Gosto não se discute" é um dos jargões mais repetidos e mais equivocados da cultura popular. A filosofia discute gosto há dois mil anos. E o Cinematografia + resolveu entrar nessa.
O debate parte de uma pergunta aparentemente simples: o que te faz gostar de um filme? Mas a resposta escorrega rápido para um território mais incômodo. Kant propõe um senso comum do belo, algo que seria universalmente reconhecível. Bourdieu discorda: o gosto é uma construção social, e "classifica as coisas, mas também classifica as pessoas." Entre os dois, o trio do Cinematografia + tenta entender o próprio gosto e descobre que boa parte do que chamamos de preferência pode ser, na verdade, doutrina, ou apenas hábito.
No Cinematografia +, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni debatem o que separa "eu gostei" de "é um bom filme", por que confundimos atração por um ator com apreciação de uma narrativa, e o que cada um, ao final, considera a sua definição pessoal de cinema que funciona.
🎥 Neste episódio, a conversa passa por:
Autoconsciência do gosto: você sabe por que gosta do que gosta ou só sabe que gosta?
Kant e o senso comum do belo: existe algo universalmente reconhecível como beleza?
Bourdieu e o gosto como construção social: o gosto classifica as coisas e também classifica as pessoas.
Emília Pérez como caso-limite: quando o consenso negativo também pode ser doutrina.
Marvel, Tom Holland e o erro de confundir presença de ator com qualidade de narrativa.
TikTok, atenção fragmentada e o que a indústria cultural faz com a nossa percepção de cinema.
As definições pessoais do trio: o que, para cada um, faz um filme ser bom.
💬 E para você: o que te faz gostar de um filme: emoção, narrativa, surpresa, ou algo que você ainda não consegue nomear? Conta nos comentários. - Às vezes a música chega antes do luto, e fica depois que tudo passa. Once é assim. Com a morte de Glenn Hansard, o filme ganhou mais uma camada de significado.
John Carney filmou em 17 dias uma história de amor que se recusa a ser uma história de amor. Dois músicos sem nome, em Dublin, que se encontram num momento errado — e fazem disso a coisa mais certa que cada um já viveu. A trilha sonora se transforma no filme em si. Os diálogos são quase ausentes porque as músicas dizem o que os personagens não conseguem verbalizar. E o final entrega algo mais honesto e mais difícil do que qualquer filme de Hollywood poderia prometer.
No episódio 47 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni revisitam Once como homenagem a Glenn Hansard (morto em um acidente de moto nesta última semana), passando pela delicadeza da direção de John Carney, pela potência da trilha e pelo o que o filme revela sobre amor, destino e despedida.
🎥 Neste episódio, a conversa passa por:
Personagens sem nome: o que muda quando a ficção recusa a identidade para aproximar o universal.
A música como narrativa, e não como trilha: como Falling Slowly e as demais composições substituem o diálogo e constroem o arco emocional do filme.
O destino como personagem: o aspirador de pó, a rua, o momento errado que se torna o momento certo.
O Oscar de Melhor Canção e o momento histórico em que Markéta Irglová voltou ao palco para fazer o agradecimento que foi cortado.
Glenn Hansard além de Once: o músico, o compositor folk e o que a arte perdeu.
💬 E para você: Once é um filme de amor, um filme sobre música ou um filme sobre o que a gente deixa ir? Conta nos comentários. - O Cinematografia + estreia com uma provocação contemporânea: IMAX é revolução da linguagem cinematográfica ou puro marketing de luxo?
Nossos hosts investigam o IMAX para além do hype: do tamanho da película ao design acústico das salas, dos ingressos de 70mm vendidos a $1.000 por cambistas em Nova York à ausência total de projetores desse tipo de película no Brasil.
Fernando propõe o debate e apresenta o histórico de criação da tecnologia. Jason defende que a palavra experiência, tão desgastada pelo marketing, aqui é de fato precisa. Flávia questiona até onde o formato define a obra e lembra que nem a Odisseia foi lida como Homero imaginava.
💬 E para você: IMAX é revolução de linguagem, artigo de luxo ou geração de desejo bem executada? Conta nos comentários.
#CinematografiaPodcast #CinematografiaMais #IMAX #Nolan #ExperienciaCinematografica #Cinema #TecnologiaNoCinema #Cinefilo #HistoriaDoCinema #AnaliseDeCinema - Você não vai ao cinema. Você volta. Sempre. E Cinema Paradiso é o único filme que sabe exatamente por quê.
No episódio 45 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni se encontram diante de um dos filmes mais amados da história do cinema: Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore. Um filme sobre um menino obcecado por uma tela, um projecionista que guarda todos os beijos cortados pela censura, e uma cidadezinha siciliana onde o cinema era a janela para o mundo. Jason viu pela primeira vez numa sessão com quarenta cinéfilos veteranos e chorou. Fernando sentou no chão do Cine Bauru quando criança porque não tinha mais cadeira. Flávia explica por que isso tudo não é somente nostalgia, mas sim ânima, a alma do cinema.
🎥 Neste episódio, falamos sobre:
O cinema de bairro como a base da comunidade.
A metalinguagem de Cinema Paradiso.
O neorrealismo italiano como base: por que os personagens são tão relacionáveis que parecem ser da sua cidade, não da Sicília.
A relação humana com a imagem e por que a plateia enlouquecida do Paradiso não é tão diferente das pessoas que gritam nos filmes da Marvel hoje.
Os beijos cortados pela censura e o que o Alfredo guardou para o Totó: a cena final mais perfeita da história do cinema.
Tornatore, Morricone e a construção de uma obra-prima que ninguém nega.
Está para nascer a pessoa que assistiu Cinema Paradiso e não gostou. Se você ainda não viu, pare tudo, e veja agora. - O episódio 46 do Cinematografia chega anunciando uma novidade: estamos com um novo formato, mais curto e direto. E para estrear, o assunto foi A Odisseia (2026) de Christopher Nolan. Jason detestou a narrativa, Flávia defendeu com ressalvas e Fernando curtiu demais.
Nolan pensou nesse filme por 20 anos. Pegou o poema mais importante da cultura ocidental, tirou todos os deuses e colocou Matt Damon no lugar de um herói. Nolan sendo Nolan.
A adaptação do poema homérico dividiu público, crítica e os três apresentadores do podcast. Jason não conhecia o poema e achou a experiência narrativa horrível. Flávia defendeu a reinterpretação como legítima dentro de uma tradição de 2.700 anos de versões. Fernando ficou entre os dois — e o debate ficou ótimo.
🎥 Neste episódio, falamos sobre:
Por que Nolan fez esse filme e o que significa um diretor megalômano escolher o maior épico da cultura ocidental como próximo projeto.
O problema dos deuses ausentes: a cabeça decapitada de Atena como metáfora do filme inteiro e o que se perde quando você retira o sobrenatural de uma história que depende dele.
Tom Holland como Telêmaco, Anne Hathaway como Penélope e Matt Damon como Odisseu e por que quase nenhuma atuação convence (segundo Flávia e Jason).
Nolan versus Nolan: por que o estilo seco e realista que funcionou em Oppenheimer é um problema estrutural numa história de monstros, feiticeiras e deuses.
A Odisseia como poema vivo — cantado, reinterpretado e acrescido por séculos — e Nolan como mais um a cantar, em 2026, à sua maneira.
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Sobre Cinematografia Podcast
Reflexões sobre a escrita do cinema. Com Flavia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni.
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