PodcastsDesportoCosme Rímoli

Cosme Rímoli

Cosme Rímoli
Cosme Rímoli
Último episódio

133 episódios

  • Cosme Rímoli

    EDILSON PEREIRA DE CARVALHO: 'UM ÁRBITRO MANIPULA O JOGO QUE ELE QUISER. ACABEI COM A CREDIBILIDADE DO FUTEBOL NO BRASIL'

    03/2/2026 | 2h 19min
    “Aceitei dinheiro, sim.
    “Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira.
    “Com a minha vida!
    “Com a minha família.
    “Com meu casamento.
    “Minha filha não fala comigo.
    “Ninguém me dá emprego.
    “Virei sinônimo de juiz ladrão
    “Passo vergonha onde eu vou.
    “Fiquei preso ao lado da cela do Paulo Maluf, na Polícia Federal. Quando ele me viu, bateu palmas. Sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.
    "Tentei me matar três vezes."
    Edilson Pereira de Carvalho quase foi o representante da arbitragem do país na Copa de 2002. Merecia a indicação. Era um excelente juiz.
    Mas tudo veio abaixo em 2005, quando foi revelado que Edilson recebia dinheiro para manipular jogos. No Campeonato Paulista, na Libertadores e no Brasileiro de 2005.
    Foi comprovado por gravações incontestáveis.
    “Acabei tirando a credibilidade do futebol brasileiro. Jamais pensei que iria fazer isso. Cedi à tentação do dinheiro fácil.”
    “Eu recebia em dinheiro vivo. Já peguei um pacote em pleno aeroporto de São Paulo. Ninguém desconfiava de mim. Eu era um ótimo árbitro.”
    Justo na semana que a CBF anuncia a profissionalização de juízes no país, a história de Edilson deixa explícito: os árbitros são o elo mais fraco, mais suscetível, mais amador no futebol pentacampeão do mundo.
    Na assustadora entrevista, Edilson revela o esquema simplório até que abalou o esporte mais amado deste país.
    Ele recebia dinheiro de Nagib Fayad, um apostador milionário. A Polícia Federal descobriu: ele ganhava cerca de R$ 400 mil por jogo que Edilson manipulava.
    Nagib e Edilson eram absolutamente amadores. Ficavam combinando os jogos que o árbitro iria garantir o resultado por telefone.
    “Eu até comprei um celular de São Paulo. Mas não adiantou nada, a Polícia Federal grampeou e pegou nossas conversas.”
    Além de Edílson, o árbitro Paulo José Danelon também aceitou dinheiro para manipular jogos, pago por Fayad.
    O esquema foi desarticulado pela Polícia Federal. A notícia passada para a revista Veja. E o escândalo veio à tona.
    Edilson foi preso.
    “Fiquei na cela ao lado da do ex-governador Paulo Maluf. Ele me viu e bateu palmas. Falou: ‘obrigado, Edilson’. O Maluf sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.”
    Ele e Fayad ficaram presos apenas cinco dias. Por um motivo muito simples.
    “Árbitro aceitar corrupção não era crime. A partir de 2023, um juiz que aceitar dinheiro de apostador poderá ficar até seis anos na cadeia.
    A legislação mudou por causa de Edilson.
    E também o Campeonato Brasileiro de 2005.
    Todos os jogos que ele apitou tiveram de ser refeitos. O Corinthians acabou beneficiado, ultrapassando o Internacional em pontos.
    “Eu apitei também Libertadores e Paulista de 2005. Por que essas partidas não foram disputadas de novo?”, pergunta irônico.
    Edilson foi banido do futebol. Perdeu o seu escudo Fifa. Nunca mais pôde apitar.
    Desde então sua vida virou um tormento.
    Seu nome passou a ser sinônimo de ‘juiz ladrão’ nos estádios do país.
    Nunca mais se firmou em emprego algum. Quando descobria quem era, acabava despedido.
    “Perdi o respeito, o orgulho que minha família tinha de mim. Passei a beber ‘bebida forte’, como gim, uísque. E só chorava em casa.
    “Peguei cerca de 100 fitas dos meus jogos, enrolei e um lençol e coloquei fogo.
    “Tentei tirar a minha vida três vezes com o revólver que eu tinha. Uma vez, a bala passou e furou o telhado.
    “Minha mulher acabou se separando de mim. Minha filha não fala mais comigo.
    “Acabei com a minha vida!
    "Minha punição é perpétua..."
  • Cosme Rímoli

    TUPÃZINHO: 'MEU GOL DEU O PRIMEIRO CAMPEONATO NACIONAL. MUDOU A HISTÓRIA DO CLUBE QUE AMO.'

    27/1/2026 | 1h 58min
    Tupãzinho.
    Apelido dado a Pedro Francisco Garcia. Não por lembrar o artilheiro, habilidoso, letal que vestiu a camisa do Palmeiras, na década de 60, que tinha o apelido de Tupãzinho, por conta de seu pai, que se chamava Tupã e fez história no Internacional.
    "Meu nome no início da carreira era o meu mesmo, Pedro Garcia. Mas os dirigentes do São Bento disseram que não iria chamar a atenção de ninguém. E decidiram que iria mudar para Tupãzinho, em homenagem à cidade que nasci", revela.
    Tudo em Tupãzinho é simples, direto, sem complicações. "Eu sou uma pessoa que cresceu na zona rural. E que sempre entendeu a vida de maneira direta. É preciso ter sonho. E trabalhar muito forte para realizar. Eu sempre amei futebol, o Corinthians. E trabalhei muito para chegar aonde eu desejava. Vestir a camisa do time do meu coração, em pleno Pacaembu lotado. Ajudar o meu clube. Fazer história. E me desdobrei em campo para conseguir o que queria", relembra, orgulhoso.
    De físico franzino, Tupãzinho jogava futebol, quando era garoto, no Tupã Futebol Clube. Se destacou e foi jogar no São Bento, de Sorocaba. No Paulista de 1989, foi o melhor em campo em um confronto contra o seu time do coração. O Corinthians venceu por 3 a 0, mas ele foi o melhor em campo.
    Tanto que, quando Guinei foi contratado para a zaga do time da capital, ele foi como contrapeso. "Fomos como experiência, por três meses. E logo de cara fomos bem. Disputamos um ótimo Paulista. E veio o Brasileiro de 1990."
    O histórico presidente Vicente Matheus havia montado a equipe com jogadores medianos. 'Não vou mentir. Foi uma equipe para não ser rebaixada. Só que deu liga. O técnico Nelsinho chegou e crescemos de forma inesperada na fase decisiva. Ninguém acreditava na gente. O Corinthians não priorizava o Brasileiro. Mas fomos ganhando. Derrubamos favorito atrás de favorito. Ficou no caminho o Atlético Mineiro, o Bahia. Para vencer o Bahia tivemos de enfrentar até bonecos de vodu, que colocaram no vestiário. O meu tinha agulhas nos joelhos, no ombro, na cabeça, lá em Salvador. Ninguém ligou, porque sabíamos que fariam isso para nos abalar. Ganhamos e chegamos na final contra o São Paulo do Telê Santana, que tinha uma seleção", relembra.
    Tupãzinho admite que o histórico time jogava para o Neto. Quase como a Argentina faria em 2022, no Catar, com Messi. 'Ele tinha um poder de decidir os jogos. E jogava mais à frente para definir os lances. A bola parada dele era mortal. Assim como seus lançamentos. Além disso, o Neto era um dos líderes do time.'
    Mas, por melhor que tenha sido o Brasileiro de Neto, a história reservava a Tupãzinho o privilégio de fazer o gol decisivo que mudou a história do Corinthians. 'Antes, o clube só pensava em ser campeão paulista. Quando eu peguei o rebote do chute do Fabinho, que bateu no Cafu, deu o carrinho. E quando a bola passou pelo Zetti e, foi para as redes, vi meu mundo mudar.'
    E do Corinthians. O clube passou a ter objetivos muito maiores do que o provinciano prazer de lutar para se impor 'no quintal', em São Paulo.
    A conquista do Brasileiro fez tudo mudar de ponta-cabeça. E logo, em 1991, veio o precipitado e fracasso plano 'Rumo a Tóquio'. E na Libertadores de 1991, o time entrou como se fosse a competição mais fácil. E acabou passando vexame, eliminado nos primeiros jogos eliminatórios, para o Boca Júniors.
    Muitas emoções estavam reservadas a Tupãzinho. A pior delas. 'Perder a final do Paulista de 1993, quando vencemos o primeiro jogo contra o Palmeiras. E o Viola imitou um porco. No jogo decisivo, eles ganharam por 4 a 0. E acabaram o jejum de títulos (16 anos) bem em cima de nós. A torcida do Corinthians queria invadir o ônibus, o hotel onde estávamos. Queriam bater na gente. Foi o pior momento da minha carreira."
  • Cosme Rímoli

    FRANCISCO LEAL: 'LUCIANO DO VALLE E EU ENFRENTAMOS ATÉ DON KING E A MÁFIA DO BOXE , PELO MAGUILA'

    20/1/2026 | 1h 39min
    Maguila, Hortência, Paula, Montanaro, Ruy Chapéu, Emerson Fittipaldi, Bernard...
    Ídolos que, se houvesse o mínimo de lógica, não se encontrariam em um mesmo dia na televisão deste país.
    Não até o início da década de 80.
    Em 1983, houve uma revolução.
    "O Johnny Saad, presidente da Band, nos chamou. O Luciano do Valle e a mim. Fizemos uma reunião e ele nos ofereceu dez horas de programação nos domingos. A Band precisava de audiência e verba comercial.
    "Ele nos liberou para escolher os esportes que quiséssemos. Era um desafio enorme. Nós aceitamos e fomos para a batalha. Fizemos algo inédito e conseguimos revolucionar o esporte na tevê deste país. Foi uma grande batalha, que nos deu muito orgulho. O resultado foi inesquecível."
    Quem relembra é Francisco Leal, o Quico. Ele e Luciano do Valle criaram uma empresa de marketing esportivo, que fez história, a Luqui, iniciais do nome do narrador e do apelido do empresários.
    'O Luciano era o melhor narrador de televisão deste país, de todos os tempos. E tinha uma visão mercadológica incrível. Ele tinha as ideias e eu as colocava em prática. Tudo nasceu quando ele decidiu deixar a TV Globo. Nós já éramos parceiros desde sempre. E partimos para criar eventos esportivos."
    Quico é filho do grande apresentador Blota Júnior. Portanto tinha proximidade umbilical com a tevê.
    'O primeiro grande evento foi uma ideia incrível que ele teve. A Seleção Brasileira de Vôlei enfrentar a campeã olímpica, a União Soviética, em pleno gramado do Maracanã. Os dirigentes do futebol não queriam o jogo lá. Uma gráfica instalada dentro do Maracanã falsificou ingressos, nos roubou. Caiu uma chuva terrível. Mas houve o jogo, histórico. Em cima de um carpete colocado em cima da quadra. A TV Record transmitiu. Mais de 95 mil torcedores foram ao Maracanã. Foi maravilhoso', relembra Quico.
    O Brasil venceu, com o inesquecível saque 'Jornada nas Estrelas' de Bernard. Mas os vitoriosos foram Luciano e Quico. Foi o sucesso da transmissão que os levou a criar o Show do Esporte. 'O esporte era desprezado pelas tevês. A nossa grande visão foi fazer acordos com as federações de vôlei, basquete, boxe. Nós também enfrentamos preconceitos.
    "Mostramos que a sinuca não era coisa de malandro. Colocamos um smoking no Rui Chapéu e ele ganhou um desafio do campeão mundial. Mostramos o talento de Paula e Hortência, em duelos incríveis por seus times. O Luciano criou a Copa Pelé, com as estrelas veteranas do futebol do planeta. Beckenbauer, Paulo Rossi e tantos outros vieram jogar. Decidimos apostar na Fórmula Indy e o Emerson Fittipaldi disparou a ganhar. Compramos o futebol italiano, com sucesso fabuloso. Foi uma época incrível.'
    Ele lembra também do Brasileiro de 1990. 'O pessoal da Globo estava desencantado com o futebol depois da Copa. E largaram o Brasileiro. Compramos e foi um estrondoso sucesso, com o Corinthians ganhando o seu primeiro título."
    Quico se transformou até no empresário do maior peso pesado brasileiro de todos os tempos: Maguila. 'Foi uma loucura. Eu e o Luciano enfrentamos a Máfia do Boxe. O ambiente é terrível. O Maguila tinha muito talento, era um grande lutador. Por contrato, a pedido dele, que queria, e ganhou, muito dinheiro, lutava a cada 60 dias. A audiência era excelente, ele subiu no ranking e ele sonhava em enfrentar o Mike Tyson. Fui negociar a luta com o Don King. Ele sabia que os empresários do Evander Holyfield queriam também o Maguila. Don King me trancou no seu escritório para forçar a minha assinatura, para que ele lutasse nas preliminares do Tyson. Isso nós não aceitávamos. Tive de assinar qualquer coisa e escrevi embaixo, em português: 'essa assinatura não vale nada'."
  • Cosme Rímoli

    FLÁVIO RICCO: 'GALVÃO BUENO SAIU POR ETARISMO, POR SUA IDADE. FOI UM GRANDE ERRO DA GLOBO'

    13/1/2026 | 1h 39min
    Seu nome já inspira credibilidade, análises profundas, notícias em primeira mão.
    O ex-aspirante a volante da Linense, engenheiro por formação, escolheu a análise do aparelho hipnotizador que a população deste país cultua: a televisão.
    Nascido em dez de abril de 1947, ele viveu toda a trajetória de como o Brasil lidou e vem lidando com a tevê, que 'nasceu' aqui no dia 18 de setembro de 1950, com a inauguração da TV Tupi. É o melhor crítico e colecionador de notícias exclusivas de tevê do Brasil.
    Inteligentíssimo, estudioso, com uma rede de fontes, a quem trata, de verdade, como 'amigos', Flávio é capacitado para dar aula sobre qualquer ângulo, revelar bastidores inacreditáveis do assunto que for. Mas no caso, neste canal, ele falou, explicou, detalhou, os caminhos do jornalismo esportivo na televisão.
    "O futebol na vida do brasileiro sempre ocupou um grande espaço. Daí a tevê não poderia ficar de fora. E foi uma adaptação mais do que interessante. Nós fizemos uma transposição do rádio para a tela. O nosso jeito de narrar futebol é muito nosso. O longo grito de gol, a vibração, tudo vem do rádio. E ficou. Virou nossa marca registrada", ensina.
    Com firmeza de quem acompanhou cada período do esporte, Ricco consegue expor um panorama incrível. 'Em 1966 víamos os teipes da Copa. Em 1970, a transmissão ao vivo. Em 1974, as cores. Para o regime militar que vivíamos era progresso. Lógico que o futebol foi usado e muito pelos militares.'
    Flávio Ricco lembra que, quando a Federação Paulista de Futebol, na década de 60 começou a cobrar as tevês pelas transmissões dos jogos, que eram precárias, mas gratuitas, vários canais desistiram.
    'E foi aí, para preencher as tardes dos domingos, que surgiram programas como a Jovem Guarda, Silvio Santos.'
    Record, Globo e Band lutavam pela audiência esportiva. Com o apoio dos governantes a Globo foi conseguindo o monopólio do futebol. Formou narradores históricos, com essa enorme visibilidade. Luciano do Valle e Galvão Bueno foram os maiores deles. "O Luciano foi visionário. Saiu da Globo e, inspirado nos canais só de esportes nos Estados Unidos, criou o Show do Esporte na Band. Um domingo repleto de automobilismo, boxe, sinuca, basquete, vôlei, futebol de Masters. Foi sensacional. Revolucionou a televisão esportiva no país. Ele e o Quico, (Francisco Leal) formaram a Luqui, que administrava essas transmissões."
    Com a saída de Luciano do Valle, Galvão Bueno, que era o segundo narrador da Globo, se impôs. Por décadas. Virou uma estrela no país. "E eu vou falar aqui, o que aconteceu. Galvão Bueno saiu, por etarismo, por sua idade, da Globo. Foi um grande erro. Ele seria um excelente comentarista. Era personagem importantíssimo que a Globo desperdiçou."
    Ricco vê em Thiago Leifert outro grande responsável pela transformação de a tevê mostrar o esporte. 'Ele entendeu que o jovem não queria mais a formalidade com que o esporte era mostrado. Ele tem grande mérito nesta história.' Ricco resume como muito saudável o fim do monopólio da Globo no futebol. Mas lembra outro motivo. 'A Globo não suportou mais sozinha os custos. Os direitos de transmissões ficaram cada vez mais caros. Aliás, caríssimos. O que foi ótimo para as outras emissoras.'
    Ele é um grande defensor das narradoras de futebol. "Elas enfrentaram enorme rejeição. Foram guerreiras. O futebol é um meio machista. Mas elas têm todo o direito de fazer o que querem. As tevês perceberam a ligação das mulheres com o futebol. E acredito que seja justo, que elas tenham espaço. O que não pode acontecer, e acontece, é muitas vezes elas se posicionarem como intocáveis. Se homens são criticados, elas também podem sofrer críticas."
    Sobre o futuro do esporte na tevê, Ricco aposta que a pressão do streaming, dos canais pagos, está fazendo com que a tevê aberta mude, evolua, a sua maneira de mostrar, principalmente o futebol.
    Bem-vindo à privilegiada aula ministrada por Flávio Ricco...
  • Cosme Rímoli

    GUINEI: 'NINGUÉM NO CORINTHIAS SABIA COMO O BOCA JOGAVA. A CULPA DAS DERROTAS CAIU TODA EM MIM!'

    06/1/2026 | 1h 18min
    'No Brasil não existe prisão perpétua. Mas no futebol existe. E eu fui condenado. A mina pena é perpétua.'
    O desabafo foi feito a este canal por Denis, ex-lateral do Palmeiras, que falhou na final do Campeonato Paulista, de 1996.
    Ele tinha 20 anos na partida decisiva contra a Internacional de Limeira.
    Mas existe outro atleta de enorme potencial, que era comparado a Amaral, zagueiro que disputou a Copa de 1978, que paga até hoje, por duas partidas, em 1991.
    Ele jogou bem demais na conquista do primeiro Campeonato Brasileiro, conquistado pelo Corinthians. Formou excelente dupla de zaga com Marcelo Djian.
    O time desbancou o São Paulo de Telê Santana, em 1990, com a estrutura tática e jogadores que seriam bicampeões mundiais.
    Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Tupãzinho e Neto; Fabinho e Mauro.
    'Ninguém esperava que iríamos ganhar o Brasileiro. Fomos subindo na fase decisiva. O título era decidido no mata-mata. Ficamos em sétimo na geral. E pegamos o segundo colocado. Eliminamos o Atlético Mineiro, depois, veio o Bahia, os dois eram favoritos. Caíram. E aí veio o São Paulo. E também nos impomos. Nosso time estava muito bem. O Neto foi o nosso principal jogador. Ganhamos de forma merecida. Nossa arrancada foi inesquecível", relembra Guinei.
    Mas essa empolgação pelo título brasileiro contaminou imprensa, torcida e a própria direção corintiana, que vendeu a ilusão da conquista da Libertadores.
    O Corinthians havia disputado o torneio em 1977, caindo na fase de grupos. A esperança em 1991 era imensa.
    A direção repetia o 'projeto Tóquio'. Ou seja, ganhar a Libertadores e decidir o Mundial no Japão. Mas deu tudo errado.
    O time não foi bem na primeira fase. 'Suou sangue' para se classificar em terceiro, no grupo que tinha Flamengo, Nacional e Bella Vista. Veio o tradicional Boca Juniors nas oitavas.
    "Não sabíamos nada do Boca. Não vimos vídeo. Não tínhamos ideia quais eram os principais jogadores. Nem a condição do gramado da Bombonera", revela Guinei. E as duas partidas foram fatais para o quarto zagueiro.
    "Eu falhei nas duas partidas. Na primeira, jogamos em um lamaçal e eu falhei, meu deu branco. Na segunda partida, errei também no Morumbi." No jogo em Buenos Aires, ele escorregou no primeiro gol do Boca. E no terceiro, estava com a bola dominada, mas a perdeu, justo quando o Corinthians pressionava para empatar. Em São Paulo, Guinei outra vez titubeou, Graziani roubou a bola e encobriu Ronaldo. O Corinthians, que precisava vencer por três gols de diferença, para descontar o 3 a 1 do primeiro jogo, precisava de quatro. Revoltados, os torcedores passaram a xingar Guinei. O time empatou. E Nelsinho Baptista tirou o zagueiro aos 41 minutos do segundo tempo.
    Ele foi 'massacrado' pelos corintianos e pela imprensa. Foi exposto. Não teve uma defesa efetiva da direção, do treinador, dos jogadores. Só Neto tentou protegê-lo. Mas acabou sendo em vão.
    "Não posso culpar ninguém. Errei mesmo. Cheguei a me desculpar. Mas duas partidas ruins não deveriam marcar a minha carreira. Fiz 129 jogos pelo Corinthians. Joguei 129 partidas pelo Corinthians. Chega de me desculpar! Sou campeão brasileiro!", desabafa.
    Tímido, admite que deveria ter falado, enfrentado a imprensa. Se explicado à torcida. Mas preferiu se calar. Acabou, com a atitude, assumindo o fracasso do clube na Libertadores. Houve muitos outros culpados. Principalmente quem fez o planejamento para o 'projeto Tóquio', tão aclamado, em 1991.
    Guinei ficou sem ambiente no clube. Acabou pedindo para sair. Foi para o União São João de Araras. Depois, teve carreira de nômade. Náutico, Fortaleza, Marcílio Dias, Nacional, São Bento, URT, Corinthians, do Rio Grande do Norte, Jaboticabal, Francisco Beltrão.

Mais podcasts de Desporto

Sobre Cosme Rímoli

Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
Site de podcast

Ouça Cosme Rímoli, Correspondentes Premier e muitos outros podcasts de todo o mundo com o aplicativo o radio.net

Obtenha o aplicativo gratuito radio.net

  • Guardar rádios e podcasts favoritos
  • Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
  • Carplay & Android Audo compatìvel
  • E ainda mais funções
Informação legal
Aplicações
Social
v8.4.0 | © 2007-2026 radio.de GmbH
Generated: 2/4/2026 - 4:13:06 AM