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Cosme Rímoli

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  • Cosme Rímoli

    TONINHO: 'FOI ASSUSTADOR QUANDO A TORCIDA PALMEIRENSE DESTRUIU A SALA DE TROFÉUS.'

    28/07/2026 | 2h 1min
    Toninho Cecílio era o grande líder na pior fase do Palmeiras.
    A dos 16 anos de jejum.
    Foi xingado, ameaçado, vivia escondido, chorava em casa, vendo o sofrimento da família. 'Agia como se fosse um criminoso.'
    Zagueiro forte, vigoroso, de excelente formação intelectual, 'nascido nas categorias de base do Palmeiras, comandava o grupo de jogadores que passou pelas maiores provações com a camisa verde.
    "Eu sempre amei o Palmeiras, dava o sangue dentro do campo. Chorava de raiva nas derrotas, Cobrava os jogadores, os técnicos, os dirigentes, ajudava como podia. Mas a pressão era gigantesca. Os anos de jejum se acumulavam. A torcida palmeirense se não conformava. Tinha vivido a felicidade de duas gerações excepcionais de atletas: as duas Academias, que acumularam títulos. E depois encara 16 anos sem títulos. Eu era capitão. Tinha um misto de tristeza, vergonha, raiva. Foi muito sofrido", relembra Toninho.
    O ex-capitão viveu as entranhas dessa fase. 'O dinheiro era pouco e os dirigentes pressionados, formavam e desmanchavam equipes durante a mesma temporada. A imprensa era duríssima e a torcida também. Assim que virei profissional, em 1983, nasceu a Mancha Verde. E aí as cobranças passaram a ser muito mais pesadas. Com gente passando totalmente dos limites. Quando em 1990, depois que empatamos em 0 a 0 com a Ferroviária, no Pacaembu. E não fomos decidir o Paulista, alguns torcedores arrebentaram a sala dos troféus. Quebraram, destruíram taças que fizeram a glória do Palmeiras."
    Toninho revela que os familiares ficavam muito preocupados, com as ameaças que os jogadores sofriam. Eles eram perseguidos nas ruas, supermercados, restaurantes. "A gente pagava pela falta de filosofia de trabalho dos dirigentes, que trocavam de técnicos, de jogadores. Contratavam qualquer promessa que surgia para que fosse nosso salvador da Pátria. Mas atletas passaram a ficar com medo de aceitar jogar no Palmeiras."
    Tudo mudou em 1992, quando a multinacional Parmalat quis o domínio de um clube no Brasil. E se aproveitou do desespero administrativo do Palmeiras. Pessoas que trataram dessa parceria, que durou oito anos, acabaram na cadeia, na Itália. Por lavagem de dinheiro. Toninho era tão influente que o então presidente Facchina perguntou a ele se os atletas aceitariam esse modo que o futebol seria gerido. "Ele me consultou. Mas eu não tive poder de veto algum. Só fui avisado. Sabia que tudo mudaria.'
    E a multinacional italiana usou o Palmeiras como trampolim. Contratou jogadores importantes, talentosos, formou verdadeiras seleções. Só com o intuito de valorizá-los e vendê-los. Foi quando chegou Antônio Carlos. Toninho percebeu que, de capitão, viraria reserva. Justo quando estava tendo chances na Seleção Brasileira. E resolveu sair do Palmeiras. Jogar emprestado no Botafogo. 'Saí quando o dinheiro chegou. E o Palmeiras voltou a ser uma grande potência. O Vanderlei Luxemburgo chegou a pedir para eu não ir. Mas já estava decidido.'
    Toninho ganharia títulos no Japão. Voltou ao Palmeiras como dirigente e foi, finalmente campeão, paulista, em 2008. Saiu com a desilusão que foi a passagem de Muricy Ramalho como treinador. Depois se tornou técnico, trabalhou em várias equipes. E voltou a ser gerente de futebol.
    Aos 59 anos, faz um balanço de sua carreira. E sempre sábio, resume. 'Sem o dinheiro da Parmalat, da Crefisa, o Palmeiras era outro. Era um clube sem organização, planejamento, amador. De uma pressão quase insuportável por ter sido vencedor no passado. O jejum foi de muito sofrimento. Quem comemora hoje, nem imagina o que foi o Palmeiras no fim da década de 70 e toda a década de 80.'

    REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
  • Cosme Rímoli

    MÁRCIO: 'COM O PÊNALTI PARA FORA, O ROGER FLORES DERRUBOU O PASSARELA DO CORINTHIANS.'

    21/07/2026 | 1h 56min
    Final do Campeonato Brasileiro de 1990, Morumbi.
    Escanteio para o São Paulo. A bola sobe, Márcio olha para cima, tentando dar a cabeçada e jogá-la longe da área corintiana.
    Mas, de repente, recebe a pancada e cai.
    "Tomei um soco do Bernardo. Era só sangue descendo do meu nariz. A camisa ficou toda ensanguentada. Corri para o banco, enxuguei a minha cara. E voltei para o jogo. Soube naquela hora, que seríamos campeões brasileiros", relembra, sorridente, Henrimárcio Bittencourt.
    Márcio foi uma das principais peças que fizeram o Corinthians começar a colecionar títulos nacionais. Antes, havia vencido o Paulista de 1988, fez a final contra o Guarani.
    'Tenho muito orgulho da minha trajetória. Me dei de corpo e alma pelo Corinthians. Ninguém acreditava naquele time que o (presidente Vicente) Matheus montou. Nem ele. Mas o Nelsinho encaixou as peças. Fomos ganhando, ganhando, derrubando os favoritos. E o Neto foi sensacional."
    Aliás, a amizade entre eles, que hoje virou fraternidade, os dois se tratam por irmãos, começou de maneira inusitada.
    "Ele era um talento, lá no Guarani. Eu sempre fui volante marcador e ficava em cima do principal meia adversário. O Neto tinha uma mania. Ele me dava cusparada na cara. E eu devolvia com soco na cara dele. Era sempre a mesma coisa. Fomos expulsos juntos umas três vezes. Era cusparada e soco."
    Mas o Corinthians contratou Neto. E quando os dois se viram no mesmo time, a rivalidade se transformou em parceria. 'Num clássico contra o São Paulo, eu estava irritado porque ele não estava correndo. Saímos perdendo, ele fez os dois gols. No segundo, correu para me abraçar. Aí, ele me ganhou. Viramos irmãos.'
    Márcio tinha muito mais qualidades do que só marcar. "Ele tem ótimo toque de bola, visão de jogo. Os técnicos limitam o Márcio", me disse Falcão, no Chile, quando comandou a Seleção, na Copa América de 1991 e fez questão de levar o volante corintiano. 'O Falcão era um excelente técnico. Mas o ambiente da Seleção era péssimo. Os cariocas mandavam e queriam queimá-lo. Até os jornalistas. Os dirigentes o abandonaram. Se eu soubesse que era tão ruim, eu não teria nem aceito a convocação. Justo eu, que sempre sonhei com a Seleção."
    Márcio saiu do Corinthians para ser campeão da Copa do Brasil, no Internacional.
    Voltou como auxiliar técnico. Ficou três anos, até que a MSI assumiu o controle do futebol do Corinthians. "Foi uma loucura. Chegaram Tevez, Mascherano, Roger, Carlos Alberto, Nilmar, Sebá. E contrataram o Daniel Passarella como técnico. Ele decidiu colocar o Roger Flores como reserva. As coisas não estavam bem. Chegou o jogo decisivo da Copa do Brasil contra o Figueirense. O Roger na reserva. Eu falei para não levar. Mas o Daniel quis mostrar que era ele quem mandava. Levou. E na decisão por pênaltis, o Roger bateu o dele por cima do gol. Se foi por querer? Não sei. Mas aquele pênalti derrubou o Passarella. O Roger derrubou o Daniel."
    Márcio assumiu, os jogadores o adoravam. Tevez pediu aos dirigentes que ele seguisse como técnico. Mas a MSI contratou Antônio Lopes. "Me pediram para eu ficar, me dava bem com o Lopes, que foi meu técnico, no Inter. Mas fui embora, para que ele trabalhasse à vontade.' Márcio ficou 16 anos como treinador de equipes médias e pequenas do futebol brasileiro. Assumiu a coordenação da base do Corinthians. Mas deixou o cargo por perceber a influência dos dirigentes nas contratações dos jogadores.
    Muito sincero, tem uma mágoa. Ele doou sua camisa ensanguentada, que resume sua gana, sua vibração fora do comum, como jogador, ao Memorial do Corinthians. "Me pediram e eu decidi dar. Ficaria para sempre no Memorial. Mas logo me ligaram. E disseram que ela havia sido roubada. Isso me dói. Mas não tem problema. O Corinthians ficará para sempre no meu coração."
  • Cosme Rímoli

    BERNARDO: 'FALTA PERSONALIDADE NOS JOGADORES DE HOJE EM DIA. ME IMPUS POR ONDE PASSEI'

    14/07/2026 | 1h 50min
    'Um dos melhores volantes que treinei. Vigoroso, técnico, inteligente. Tanto que foi para o Bayern, da Alemanha.'
    Telê Santana
    'Ele era fo... Anulava o melhor adversário. Na bola e no peito. Não tinha conversa. Na final da Copa do Brasil, o Felipão não deixava os adversários aquecerem no gramado. Trancava a porta que dava acesso ao campo. E colocava dois seguranças. O Bernardo não quis nem saber. Quebrou a porta. Foi para cima dos seguranças, que fugiram. Aquecemos no gramado e fomos campeões contra o Grêmio no Olímpico. Bernardo jogava para ca... E ninguém botava banca com ele."
    Marcelinho Carioca
    Bernardo Fernandes da Silva exala carisma, liderança e personalidade forte, aos 61 anos, como mostrou durante toda a sua carreira. Segue o mesmo com a imprensa. Sério, sabe que teve uma carreira não só vitoriosa, como pioneira. Enfrentou com firmeza todo o racismo da Alemanha reunificada. Mesmo tendo sido comprado pelo clube mais rico, mais poderoso, o Bayern.
    "Sou negro, com orgulho. Nunca admiti que racista nenhum me humilhasse. Na Alemanha, na Holanda. Por onde eu passei. Assim como no Brasil. Que ninguém se engane. O país segue sendo muito racista."
    Dentro do campo, Bernardo teve uma carreira invejável. "O futebol mudou minha vida. Me fez crescer financeiramente e como pessoa. Eu era 'almoceiro', entregava almoços, de cavalo, para as pessoas que trabalhavam na roça, na fazenda, no Interior de São Paulo. Conheci o mundo graças ao futebol. E pude ter acesso à cultura, entender como o mundo funciona. Principalmente para os negros."
    Bernardo era um volante que tinha excelente visão de jogo, técnico, ótimo no cabeceio. Mas ganhou fama como marcador. 'Não dava espaço mesmo. O futebol permitia, nas décadas de 80 e 90, maior contato físico. E eu chegava mesmo. Protegia a zaga. Não dava brecha.' Se destacou na Francana. De lá, surgiu o Marília. E o São Paulo ganhou a concorrência do Corinthians. 'Meu pai, que tinha uma personalidade mais forte que a minha, tinha fechado com o Corinthians. Mas o Vicente Matheus deu um 'chá de cadeira' de horas para atendê-lo. Ele esperou e fez questão de dizer ao presidente que eu não ficaria no Parque São Jorge. Por falta de respeito com ele, pelo Matheus não ter nos recebido no horário. Fui muito feliz no São Paulo, com o Cilinho. Montamos um time fantástico. Depois com o Telê Santana. Não fiquei para as Libertadores e para os Mundiais porque o Bayern me comprou."
    Na Seleção Brasileira, teve uma passagem marcante. "Era o melhor volante do Brasil. O Carlos Alberto Silva me chamou para o Pré-Olímpico. Mas ele preferia um outro, o Douglas. O que era uma injustiça. Douglas acabou expulso. E o Carlos Alberto me falou que eu iria jogar. Veio me abraçar. Não aguento falsidade. E o empurrei. Joguei. E muito bem, um dos melhores da Seleção. Conseguimos a vaga. Mas nunca mais fui convocado."
    Marcante também foi seu retorno ao futebol paulista, depois do Bayern, América do México, Vasco. "Estava com 30 anos e cheguei desacreditado. Falaram que eu estava acabado, pela idade. O que me deu mais vontade ainda de vencer. Fui titular e peça importante para a Copa do Brasil, o Paulista e o Ramón de Carranza."
    Depois do final de carreira, Douglas se tornou um empresário importante. E agora trabalha com atletas do exterior, preferencialmente negros. "Eu sei as dificuldades que vivi e procuro orientar os jovens jogadores para se fortalecerem e enfrentar esse mundo do futebol que é muito cruel."
  • Cosme Rímoli

    MACEDO: 'MUDEI A HISTÓRIA. ABRI O CAMINHO PARA O SÃO PAULO GANHAR AS LIBERTADORES E OS MUNDIAIS.'

    04/07/2026 | 1h 55min
    Ele reinventou a própria vida.
    "Não aceitei ser cortador de cana e seguir comendo banana verde com farofa. Muito menos ter uma geladeira amarrada com arame. O futebol era a minha única salvação. Dei minha vida em campo e consegui uma carreira vencedora. Mais do que isso, tirar a minha família da pobreza. Meus pais eram analfabetos. Sofreram muito", resume, emocionado, Macedo.
    Seu talento não passou despercebido pelo São Paulo. Telê Santana pediu a sua contratação junto ao Rio Branco, de Americana.
    "Cheguei com 20 anos e me deslumbrei. De repente eu era conhecido, as tevês e os jornais imploravam por entrevistas. Não havia como não se deixar contaminar. Pirei."
    E Macedo pirou mesmo. "Comprei um carro novo, vi a foto gigante de uma cantora americana. Pediu para a loja seis pôsteres e colei nas portas, no capô, no teto do carro. E fui para a concentração. O Telê ficou tão louco, que me mandou tirar as fotos e devolver o carro. Exigiu que eu comprasse uma casa para os meus pais", diz, rindo.
    A mais conhecida situação é a o do seu cabelo dreadlock. Levei dez horas para mandar fazer o penteado. Dez horas. Foi o ex-lateral Vitor quem me levou para o salão. Paguei caro. Quando o Telê viu ficou histérico. 'Tire essa trança já. Ou não vai jogar mais no São Paulo." Levei mais três horas tirando.
    Macedo agradecer muito o quanto Telê Santana desenvolveu seu futebol. E relembra duas situações limites.
    A primeira foi na Libertadores. O São Paulo havia perdido o primeiro jogo contra o Newell's Old Boys. E precisava vencer no Morumbi. "O jogo estava 0 a 0 e íamos perdendo o título. O Telê me pôs em campo, de tanto que a torcida pediu. O jogo estava dificílimo. Até que entrei na área, com personalidade, decidido a fazer o gol. Se toco a bola, como o Telê queria, não teria sido derrubado. Pênalti.O Rai bateu e marcou. Fomos para a decisão por pênaltis e ganhamos a primeira Libertadores. Eu sou muito responsável pelo São Paulo valorizar e engatar as conquistas da Libertadores e dos Mundiais."
    A outra passagem fundamental foi quando Telê o indicou para a Seleção Brasileira pré-Olímpica. "Cheguei lá e era uma bagunça só. O Ernesto Paulo era o técnico e só defendia os cariocas. Não tive dúvida. Abandonei a Seleção e voltei para o São Paulo. O Telê ficou tão revoltado que decidiu me deixar no banco de reservas. Aí chegou o Palhinha, o time encaixou. E me dei mal. Errei feio."
    Macedo ainda cometeria outro erro dolorido. "Fui emprestado para o Cadiz, da Espanha. Me sentia muito sozinho. Havia outros clubes na Espanha que me queriam, mas forcei a barra e voltei ao Brasil. Minha vida financeiramente seria outra, se eu tivesse ficado."
    Ele jogou pelo Cruzeiro. Fez sucesso no Santos. Quase vai parar na Seleção Brasileira. Grêmio.
    "Eu tive dois encontros fantásticos. O primeiro foi com Ronaldo Fenômeno começando no Cruzeiro. Viramos amigos, parceiros. Vi um gênio nascer para o futebol. Fizemos várias farras. Depois, vi outro. Ronaldinho Gaúcho. A mesma coisa. Parceria, amizade e farras. Minha carreira daria um livro espetacular."
    Livro, por enquanto, não.
    Mas a entrevista exclusiva com Macedo,
    Há espaço para risadas, surpresas...
    E algumas lágrimas...
  • Cosme Rímoli

    ROGÉRIO: 'VENCI A LIBERTADORES COM O PALMEIRAS. E HOJE NÃO POSSO ENTRAR NO CLUBE E NEM NO ESTÁDIO'.

    30/06/2026 | 2h 4min
    Eram 36 minutos do primeiro tempo.
    Morumbi lotado.
    Final do Brasileiro de 2002.
    36 minutos do primeiro tempo.
    A partida entre Corinthians e Santos estava 0 a 0.
    Robinho pega a bola e parte, pela ponta esquerda, para cima, com a bola dominada.
    Era um contragolpe em velocidade.
    Gingando ele dá oito pedaladas até ser derrubado, pênalti indiscutível.
    A partir desse lance, Rogério ficou marcado.
    "As pedaladas do Robinho não me definem. Nem a minha carreira. Sou um vencedor. Ganhei a Libertadores com o Palmeiras, Duas Copas do Brasil. Mercosul. Fui convocado para a Seleção Brasileira. Uma parte da imprensa foi muito maldosa comigo. Tentaram até me chamar de Rogério Pedalada. Enorme injustiça por tudo que fiz no futebol", desabafa Rogério. "Poderia ter dado um pontapé nele no início da jogada, mas nunca fui violento. O erro foi não perceber que ele já havia chegado na área. Demorei para dar o bote porque ninguém me avisou onde estávamos.Mas a jogada dele foi maravilhosa. Minha carreira seguiu e até melhor depois daquele lance."
    E ele tem razão. Foi um excelente jogador. Tanto como lateral, como volante. Na goleada por 5 a 0 contra o União São João de Araras, Vanderlei Luxemburgo seu talento diferenciado. E mandou contratá-lo. "Foi uma grande felicidade. Cheguei no Palmeiras e me adaptei muito bem. Fui muito feliz com ele e também com o Felipão. O auge foi a Libertadores que ganhamos nos impondo diante dos adversários. Foi incrível."
    Rogério, no entanto, não estava feliz. Ganhava muito pouco. Havia enorme diferenciação entre jogadores da Parmalat e do Palmeiras. ' Foram anos ganhando menos.Tive propostas de outros clubes, principalmente do Grêmio, para me pagar bem mais. Fui pedir um reajuste ao então presidente Mustafá Contursi. Ele me ofereceu pouquíssimo a mais. E falou que se não aceitasse, não iria jogar no Palmeiras e nem em lugar nenhum."
    Rogério ficou muito magoado com a falta de reconhecimento. De consideração. Com a ameaça. Decidiu entrar na Justiça e conseguiu a liberdade.
    E seu empresário o levou para onde? Para o Corinthians. "Eu estava sem ganhar nada há meses. Aceitei. Depois, quando cheguei e me vi no rival do Palmeiras pensei: o que estou fazendo aqui? Mas fui para lá, que também foi enorme honra jogar pelo Corinthians, empurrado pelo Palmeiras. Dei o meu máximo. Fizemos excelentes campanhas. Ganhamos uma Copa do Brasil, dois Paulistas e um Rio-São Paulo."
    Rogério foi tão bem que acabou comprado pelo Sporting, de Portugal.
    Lá viveu um drama enorme. 'Minha mãe foi sequestrada. Foi desesperador. Não sabia o que fazer. Foram momentos terríveis. Até que a Polícia conseguiu descobrir o cativeiro e prendeu os bandidos. A trouxe para Portugal. O nosso reencontro foi inesquecível. Abraçá-la de novo foi algo marcante. Inexplicável a minha felicidade."
    Rogério acredita que o grande erro na carreira foi ter voltado para o Brasil. A direção do Sporting queria que eu ficasse. Mas fui convencido a jogar no Fluminense. Não cumpriram nada do que me prometeram. Perdi dinheiro. E ainda tive uma séria lesão. Foi o começo do final da carreira.
    Rogério começou a carreira de treinador, não gostou da enorme pressão psicológica, cobranças. Desistiu.
    Faz partidas exibições pelo Brasil.
    Só tem uma mágoa no futebol. E não é com Robinho. 'Ser persona non grata no Palmeiras. Não posso pisar lá porque joguei no Corinthians. Houve a despedida do Marcos e a festa de 20 anos da conquista da Libertadores. Era titular e não fui convidado. Aliás fui avisado para não ir. Fico triste porque dei o meu melhor para o Palmeiras, como fiz pelo Corinthians. Se eu saí é porque não tiveram consideração comigo. Mas a vida segue. E eu estou muito feliz e orgulhoso pelo que consegui no futebol."
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Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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