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Cosme Rímoli

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  • Cosme Rímoli

    JOÃO PAULO: 'SOFRI O PÊNALTI MAIS CLARO DA HISTÓRIA DESTE PAÍS. FICO REVOLTADO TODA VEZ QUE REVEJO.'

    18/08/2026 | 1h 36min
    21 de fevereiro de 1987.Final do Campeonato Brasileiro de 1986.Pela primeira vez um clube seria bicampeão deste país.Guarani e São Paulo fariam o jogo derradeiro. No Morumbi, haviam empatado em 1 a 1. O estádio Brinco de Ouro da Princesa teria o privilégio da decisão.41 minutos do segundo tempo, a partida estava empatada em 1 a 1.
    João Paulo invade a área do São Paulo, Wagner Basílio dá um carrinho absurdo, violento. E que acerta as duas pernas do atacante. Pênalti claríssimo. O Guarani tinha nada menos do que Evair, um dos maiores cobradores de pênaltis da história deste país. O árbitro José Roberto Aragão de maneira inacreditável não marcou.Ele tinha visão clara do lance.É com certeza o maior erro das decisões de Campeonatos Brasileiros da história deste país."Mesmo depois de 40 anos, quem acompanha futebol de verdade já viu este lance. Eu fico revoltado. Não há como não ver o pênalti. O carrinho do Wagner Basílio atingiu só as minhas duas pernas. Foi um escândalo. Não sei como o Aragão teve coragem de não marcar. Foi o maior erro da história do Guarani. Nós tínhamos o Evair para bater o pênalti. Uma vergonha", lastima, de forma exclusiva, o personagem principal deste inesquecível lance: João Paulo.Ele marcou história como um dos pontas mais habilidosos e velozes da história deste país. João Paulo não ficaria marcado só por esse vice brasileiro. E por essa polêmica com a arbitragem. 'Nós decidimos o Módulo Amarelo com o Sport. A decisão foi em Recife, com um juiz (Josenil dos Santos Souza, da Federação Maranhense) que nos prejudicou o jogo todo. Fomos para os pênaltis. Ele seguiu ajudando o Sport, quando eles erravam, cobravam de novo. Foi absurdo. Quando ficou empatado em 11 a 11, nós vimos que não poderíamos vencer.A direção do Guarani mandou que abandonássemos o campo. E o título ficou para eles."João Paulo também perderia a final do Paulista de 1988, para o Corinthians. Com o gol decisivo de Viola, em Campinas. 'Fomos muito melhores do que eles. Mas deram sorte", lastima. João Paulo teve propostas de clubes europeus importantes. Mas a direção do Guarani escondeu. Quando ele descobriu que o Bari, o queria, enfrentou os dirigentes e foi para a Itália. 'O time era pequeno, lutava para não cair. Mas consegui virar ídolo por lá. Conseguimos vitórias históricas como contra o Milan. Vivi uma fase espetacular.'Foi injustiçado. Sabe que deveria ter ido à Copa de 1990. Em 1993, veio o segundo baque. "O Parreira ligou e disse que iria me convocar para a Copa dos Estados Unidos. Eu seria o primeiro jogador da Segunda Divisão a ir a um Mundial. Mas tive uma contusão séria e perdi a chance." Sua passagem marcante com a camisa da Seleção foi a medalha de prata, na Olimpíada de 1988, na Coreia do Sul.No Bari veio uma lesão muito séria. Fratura na perna direita, por conta de uma entrada maldosa do italiano Marco Lana, em setembro de 1991, contra a Sampdoria.' Perdeu um ano e meio de sua carreira. Por falta de sorte, houve erro médico na sua cirurgia.Ficou cinco anos em Bari. Fez 24 anos. Voltou para o Brasil, acreditando que o Vasco formaria uma grande equipe em 1994. Foi seu erro. Decepcionado com a promessa falsa, com a falta de pagamentos, teve rápida passagem pela Ponte. Foi muito bem no Goiás. Cometeu outro erro. Aceitou a proposta do Corinthians, em 1996."O clube é um gigante. Acontece que não encontrei um bom ambiente." João Paulo foi boicotado no Parque São Jorge. Encontrou um elenco rachado e ele não foi aceito.Jogou até os 40 anos. Encerrou sua carreira na Inter de Limeira. Hoje trabalha na base do Guarani, buscando jovens talentos para o clube, que está na Terceira Divisão do Brasil. "Tenho muito orgulho da minha carreira. Só não vou me conformar nunca em não ter conquistado o Brasileiro de 1986. Nunca vi um juiz tirar o título de um clube como o Aragão fez com o Guarani. Ele fez o São Paulo bicampeão do Brasil."REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
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    GENINHO: 'ANCELOTTI PERDEU A COPA. POR NÃO CONHECER A ESSÊNCIA DO BRASILEIRO'

    11/08/2026 | 2h 8min
    Os segredos de Geninho vão muito além do incrível, e único, título brasileiro do Athletico Paranaense. Sua participação silenciosa, discreta, na conquista do pentacampeonato mundial foi decisiva. 'Eu não iria torná-la pública. Mas foi o Felipão que resolveu revelar. Vou te dizer, com mais detalhes, Cosme. Ele levou a Seleção para treinar no CT do Caju, do Athletico. Conversamos muito sobre conceitos de futebol. "Ele nunca havia jogado no 3-5-2, que foi como eu ganhei o Brasileiro. E queria detalhes. Expliquei. E ainda recomendei que colocasse o Edmilson como terceiro zagueiro. Aproveitei e recomendei o Kléberson. Deu tudo certo, como eu imaginava. O Brasil foi pentacampeão. E ele me agradeceu muito."Geninho sempre foi estudioso e técnico vencedor. Acumula títulos com o Corinthians, Atlhetico, Atlético Mineiro, Goiás, Al-Shabab, Vitória Guimarães. 48 anos como treinador. E tinha uma missão importantíssima neste ano. Fazer a CBF pressionar a Conmebol para que os treinadores brasileiros tivessem suas licenças equiparadas aos dos europeus. E pudessem trabalhar, sem problema, na Europa."Amarrei tudo com o coordenador de Seleções, Gustavo Caetano, que foi meu jogador. Convidamos o Ancelotti para nos apoiar. Mas o Leão e o Osvaldinho estragaram tudo. Atacaram o Ancelotti. O auditório da CBF estava lotado. Havia órgãos de comunicação. Ele ficou acuado. Todo o plano foi sabotado. Sabe quando a CBF vai brigar pela equiparação dos diplomas dos técnicos brasileiros? Nunca!""Se eu fui cobrar o Leão, que é meu amigo há mais de 50 anos? Fui. E ele disse que falou o que pensa: que Seleção Brasileira não é lugar para técnico estrangeiro. Respondi que ele falou no lugar errado, na hora errada. E que o assunto era importantíssimo para a nova geração dos treinadores. E ele estragou."Quanto a Ancelotti, Geninho foi direto. 'Ele perdeu a Copa do Mundo por um motivo simples. Por não conhecer a essência do brasileiro. Do futebol brasileiro. O italiano pensa primeiro na defesa e depois no ataque. Nós somos o contrário. E um ano, poucos jogos pelas Eliminatórias e amistosos, não foram o suficiente. "Na Copa ele não conhecia a fundo os jogadores para tirar o melhor deles. Com quatro anos de preparação será diferente. Por tudo que ele fez no futebol, merece esse ciclo.'Sobre sua carreira, Geninho tem inúmeras histórias importantes. Como a do título brasileiro do Athletico. 'Cheguei e havia uma manchete no jornal. Ou o time do Athletico acaba com a noite. Ou a noite acaba com o Athletico. Oito jogadores iam ser dispensados. Chamei a todos, mostrei a manchete. Disse que não mandaria ninguém embora. E fizemos um pacto. Montei um esquema, 3-5-2, há 25 anos. E fomos ganhando na tática, na força física, na técnica. Tudo nasceu daquela manchete de jornal."Ganhou o Paulista com o Corinthians. E viveu sua experiência mais surreal com o lateral Roger, marcando D'Alessandro, que jogava no River Plate. O famoso 'pega, pega'. "Eu mandei pegar, mesmo. Mas era cercar, fechar o espaço. O Roger entendeu errado. Entrou duro no D'Alessandro. A pancada nem pegou. Mas D'Alessandro fez um teatro. E o Roger foi expulso. Acabou a carreira dele no Brasil. Se não acontece esse lance, o Corinthians iria ganhar a Libertadores da América, em 2003.Geninho, aos 78 anos, se aposentou como técnico. Mas mostra vigor para trabalhar no futebol. "Posso contribuir como coordenador, como o Felipão faz no Grêmio. Tenho muita saudade do futebol..."
  • Cosme Rímoli

    ÁLVARO JOSÉ: 'NARREI DUAS LUTAS DE JUDÔ NA OLIMPÍADA DE 82, COM OS OLHOS FECHADOS. SÓ IMAGINANDO. FUI APLAUDIDO'.

    04/08/2026 | 2h 18min
    "Seja de direita, seja de esquerda, o governo do Brasil não investe no esporte olímpico. Não tem plano algum. Há enorme dificuldade em entender que o esporte serve como base da educação. "Não a meta não é conseguir medalhas de quatro em quatro anos. Mas desenvolver a educação, a disciplina, a saúde de milhões de crianças nas escolas. Muitas delas sequer têm quadras. "Como fazem as grandes potências olímpicas. Os medalhistas servem como motivação. O plano é desenvolver o esporte como educação. E a educação é a base de um povo."Álvaro José é sinônimo de credibilidade. Por trás do apelido 'A Voz da Olimpíada', há algo muito mais profundo, do que sua espetacular mistura de emoção, carisma e informação ao narrar qualquer esporte.Formado em história, ele faz questão de educar, explicar cada nuance do esporte que transmite. Emociona e educa.'Vejo como minha obrigação, passar todo o meu entusiasmo no que transmito. Mas sei que o Brasil, de forma geral, só é especialista em futebol, faço questão de detalhar, explicar, contextualizar os outros esportes. Seja ginástica olímpica, judô, hipismo, corrida, salto em distância, vôlei, NBA."Somos mais de 200 milhões de pessoas. A maioria sem acesso a outros esportes que não seja o futebol. A tevê serve também para difundir, mostrar, educar, atrair crianças para novos esportes. Insisto que esporte é educação."Álvaro José é filho do histórico jornalista Álvaro Paes Leme. Extremamente comunicativo, culto e talentoso, passou pelos maiores veículos do país. Band, Globo, Record.Suas paixão são as Olimpíadas. Narrou in loco 12 delas. Ninguém transmitiu mais medalhas brasileiras nestas competições: 47.Acompanhou a Guerra Fria, os boicotes de Estados Unidos e Rússia. Foi a voz das mais marcantes conquistas brasileiras. Em Barcelona, uma façanha incrível. 'Eu estava no estádio Olímpico de Montjuic. A primeira luta de judô, de Rogério Sampaio, foi contra o português Augusto Almeida era no tatame B. E eu só tinha o tatame A."Aí fechei os olhos. Colocaram no meu ouvido o retorno do nosso editor Rogério Carneiro, que foi árbitro de judô. "Ele falava. 'Eles estão em pé. Agora, no solo.' Imaginei a luta com a ajuda dele. Fui narrando. Quando a luta acabou, o pessoal da Band duvidou que eu não tinha sinal. Quando tiveram a certeza, todas as pessoas me aplaudiram. Narrei sem enxergar, com o mesmo entusiasmo é a minha marca."Entre as milhares de narração, a medalha de ouro, de Cesar Cielo, em Pequim, na Olimpíada de 2008, é inesquecível. Para ele e para quem teve a sorte de acompanhar a prova. Sorte que está nas redes sociais do narrador, apresentador, historiador, jornalista. Imperdível.É inacreditável acreditar, mas Álvaro José tem 70 anos. E segue entusiasmado, narrando, mostrando caminhos para o esporte deste país.Espera ansioso a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. "Pode ser que seja a minha última...", diz, emocionado.Mas quem o conhece já antevê planejando a Olimpíada de Brisbane, na Austrália. Em 2032".Que ninguém duvide de Álvaro José...
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    TONINHO: 'FOI ASSUSTADOR QUANDO A TORCIDA PALMEIRENSE DESTRUIU A SALA DE TROFÉUS.'

    28/07/2026 | 2h 1min
    Toninho Cecílio era o grande líder na pior fase do Palmeiras.
    A dos 16 anos de jejum.
    Foi xingado, ameaçado, vivia escondido, chorava em casa, vendo o sofrimento da família. 'Agia como se fosse um criminoso.'
    Zagueiro forte, vigoroso, de excelente formação intelectual, 'nascido nas categorias de base do Palmeiras, comandava o grupo de jogadores que passou pelas maiores provações com a camisa verde.
    "Eu sempre amei o Palmeiras, dava o sangue dentro do campo. Chorava de raiva nas derrotas, Cobrava os jogadores, os técnicos, os dirigentes, ajudava como podia. Mas a pressão era gigantesca. Os anos de jejum se acumulavam. A torcida palmeirense se não conformava. Tinha vivido a felicidade de duas gerações excepcionais de atletas: as duas Academias, que acumularam títulos. E depois encara 16 anos sem títulos. Eu era capitão. Tinha um misto de tristeza, vergonha, raiva. Foi muito sofrido", relembra Toninho.
    O ex-capitão viveu as entranhas dessa fase. 'O dinheiro era pouco e os dirigentes pressionados, formavam e desmanchavam equipes durante a mesma temporada. A imprensa era duríssima e a torcida também. Assim que virei profissional, em 1983, nasceu a Mancha Verde. E aí as cobranças passaram a ser muito mais pesadas. Com gente passando totalmente dos limites. Quando em 1990, depois que empatamos em 0 a 0 com a Ferroviária, no Pacaembu. E não fomos decidir o Paulista, alguns torcedores arrebentaram a sala dos troféus. Quebraram, destruíram taças que fizeram a glória do Palmeiras."
    Toninho revela que os familiares ficavam muito preocupados, com as ameaças que os jogadores sofriam. Eles eram perseguidos nas ruas, supermercados, restaurantes. "A gente pagava pela falta de filosofia de trabalho dos dirigentes, que trocavam de técnicos, de jogadores. Contratavam qualquer promessa que surgia para que fosse nosso salvador da Pátria. Mas atletas passaram a ficar com medo de aceitar jogar no Palmeiras."
    Tudo mudou em 1992, quando a multinacional Parmalat quis o domínio de um clube no Brasil. E se aproveitou do desespero administrativo do Palmeiras. Pessoas que trataram dessa parceria, que durou oito anos, acabaram na cadeia, na Itália. Por lavagem de dinheiro. Toninho era tão influente que o então presidente Facchina perguntou a ele se os atletas aceitariam esse modo que o futebol seria gerido. "Ele me consultou. Mas eu não tive poder de veto algum. Só fui avisado. Sabia que tudo mudaria.'
    E a multinacional italiana usou o Palmeiras como trampolim. Contratou jogadores importantes, talentosos, formou verdadeiras seleções. Só com o intuito de valorizá-los e vendê-los. Foi quando chegou Antônio Carlos. Toninho percebeu que, de capitão, viraria reserva. Justo quando estava tendo chances na Seleção Brasileira. E resolveu sair do Palmeiras. Jogar emprestado no Botafogo. 'Saí quando o dinheiro chegou. E o Palmeiras voltou a ser uma grande potência. O Vanderlei Luxemburgo chegou a pedir para eu não ir. Mas já estava decidido.'
    Toninho ganharia títulos no Japão. Voltou ao Palmeiras como dirigente e foi, finalmente campeão, paulista, em 2008. Saiu com a desilusão que foi a passagem de Muricy Ramalho como treinador. Depois se tornou técnico, trabalhou em várias equipes. E voltou a ser gerente de futebol.
    Aos 59 anos, faz um balanço de sua carreira. E sempre sábio, resume. 'Sem o dinheiro da Parmalat, da Crefisa, o Palmeiras era outro. Era um clube sem organização, planejamento, amador. De uma pressão quase insuportável por ter sido vencedor no passado. O jejum foi de muito sofrimento. Quem comemora hoje, nem imagina o que foi o Palmeiras no fim da década de 70 e toda a década de 80.'

    REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
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    MÁRCIO: 'COM O PÊNALTI PARA FORA, O ROGER FLORES DERRUBOU O PASSARELA DO CORINTHIANS.'

    21/07/2026 | 1h 56min
    Final do Campeonato Brasileiro de 1990, Morumbi.
    Escanteio para o São Paulo. A bola sobe, Márcio olha para cima, tentando dar a cabeçada e jogá-la longe da área corintiana.
    Mas, de repente, recebe a pancada e cai.
    "Tomei um soco do Bernardo. Era só sangue descendo do meu nariz. A camisa ficou toda ensanguentada. Corri para o banco, enxuguei a minha cara. E voltei para o jogo. Soube naquela hora, que seríamos campeões brasileiros", relembra, sorridente, Henrimárcio Bittencourt.
    Márcio foi uma das principais peças que fizeram o Corinthians começar a colecionar títulos nacionais. Antes, havia vencido o Paulista de 1988, fez a final contra o Guarani.
    'Tenho muito orgulho da minha trajetória. Me dei de corpo e alma pelo Corinthians. Ninguém acreditava naquele time que o (presidente Vicente) Matheus montou. Nem ele. Mas o Nelsinho encaixou as peças. Fomos ganhando, ganhando, derrubando os favoritos. E o Neto foi sensacional."
    Aliás, a amizade entre eles, que hoje virou fraternidade, os dois se tratam por irmãos, começou de maneira inusitada.
    "Ele era um talento, lá no Guarani. Eu sempre fui volante marcador e ficava em cima do principal meia adversário. O Neto tinha uma mania. Ele me dava cusparada na cara. E eu devolvia com soco na cara dele. Era sempre a mesma coisa. Fomos expulsos juntos umas três vezes. Era cusparada e soco."
    Mas o Corinthians contratou Neto. E quando os dois se viram no mesmo time, a rivalidade se transformou em parceria. 'Num clássico contra o São Paulo, eu estava irritado porque ele não estava correndo. Saímos perdendo, ele fez os dois gols. No segundo, correu para me abraçar. Aí, ele me ganhou. Viramos irmãos.'
    Márcio tinha muito mais qualidades do que só marcar. "Ele tem ótimo toque de bola, visão de jogo. Os técnicos limitam o Márcio", me disse Falcão, no Chile, quando comandou a Seleção, na Copa América de 1991 e fez questão de levar o volante corintiano. 'O Falcão era um excelente técnico. Mas o ambiente da Seleção era péssimo. Os cariocas mandavam e queriam queimá-lo. Até os jornalistas. Os dirigentes o abandonaram. Se eu soubesse que era tão ruim, eu não teria nem aceito a convocação. Justo eu, que sempre sonhei com a Seleção."
    Márcio saiu do Corinthians para ser campeão da Copa do Brasil, no Internacional.
    Voltou como auxiliar técnico. Ficou três anos, até que a MSI assumiu o controle do futebol do Corinthians. "Foi uma loucura. Chegaram Tevez, Mascherano, Roger, Carlos Alberto, Nilmar, Sebá. E contrataram o Daniel Passarella como técnico. Ele decidiu colocar o Roger Flores como reserva. As coisas não estavam bem. Chegou o jogo decisivo da Copa do Brasil contra o Figueirense. O Roger na reserva. Eu falei para não levar. Mas o Daniel quis mostrar que era ele quem mandava. Levou. E na decisão por pênaltis, o Roger bateu o dele por cima do gol. Se foi por querer? Não sei. Mas aquele pênalti derrubou o Passarella. O Roger derrubou o Daniel."
    Márcio assumiu, os jogadores o adoravam. Tevez pediu aos dirigentes que ele seguisse como técnico. Mas a MSI contratou Antônio Lopes. "Me pediram para eu ficar, me dava bem com o Lopes, que foi meu técnico, no Inter. Mas fui embora, para que ele trabalhasse à vontade.' Márcio ficou 16 anos como treinador de equipes médias e pequenas do futebol brasileiro. Assumiu a coordenação da base do Corinthians. Mas deixou o cargo por perceber a influência dos dirigentes nas contratações dos jogadores.
    Muito sincero, tem uma mágoa. Ele doou sua camisa ensanguentada, que resume sua gana, sua vibração fora do comum, como jogador, ao Memorial do Corinthians. "Me pediram e eu decidi dar. Ficaria para sempre no Memorial. Mas logo me ligaram. E disseram que ela havia sido roubada. Isso me dói. Mas não tem problema. O Corinthians ficará para sempre no meu coração."
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Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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