Pular para o conteúdo
PodcastsDesportoCosme Rímoli

Cosme Rímoli

Cosme Rímoli
Cosme Rímoli
Último episódio

160 episódios

  • Cosme Rímoli

    GENINHO: 'ANCELOTTI PERDEU A COPA. POR NÃO CONHECER A ESSÊNCIA DO BRASILEIRO'

    11/08/2026 | 2h 8min
    Os segredos de Geninho vão muito além do incrível, e único, título brasileiro do Athletico Paranaense. Sua participação silenciosa, discreta, na conquista do pentacampeonato mundial foi decisiva. 'Eu não iria torná-la pública. Mas foi o Felipão que resolveu revelar. Vou te dizer, com mais detalhes, Cosme. Ele levou a Seleção para treinar no CT do Caju, do Athletico. Conversamos muito sobre conceitos de futebol. "Ele nunca havia jogado no 3-5-2, que foi como eu ganhei o Brasileiro. E queria detalhes. Expliquei. E ainda recomendei que colocasse o Edmilson como terceiro zagueiro. Aproveitei e recomendei o Kléberson. Deu tudo certo, como eu imaginava. O Brasil foi pentacampeão. E ele me agradeceu muito."Geninho sempre foi estudioso e técnico vencedor. Acumula títulos com o Corinthians, Atlhetico, Atlético Mineiro, Goiás, Al-Shabab, Vitória Guimarães. 48 anos como treinador. E tinha uma missão importantíssima neste ano. Fazer a CBF pressionar a Conmebol para que os treinadores brasileiros tivessem suas licenças equiparadas aos dos europeus. E pudessem trabalhar, sem problema, na Europa."Amarrei tudo com o coordenador de Seleções, Gustavo Caetano, que foi meu jogador. Convidamos o Ancelotti para nos apoiar. Mas o Leão e o Osvaldinho estragaram tudo. Atacaram o Ancelotti. O auditório da CBF estava lotado. Havia órgãos de comunicação. Ele ficou acuado. Todo o plano foi sabotado. Sabe quando a CBF vai brigar pela equiparação dos diplomas dos técnicos brasileiros? Nunca!""Se eu fui cobrar o Leão, que é meu amigo há mais de 50 anos? Fui. E ele disse que falou o que pensa: que Seleção Brasileira não é lugar para técnico estrangeiro. Respondi que ele falou no lugar errado, na hora errada. E que o assunto era importantíssimo para a nova geração dos treinadores. E ele estragou."Quanto a Ancelotti, Geninho foi direto. 'Ele perdeu a Copa do Mundo por um motivo simples. Por não conhecer a essência do brasileiro. Do futebol brasileiro. O italiano pensa primeiro na defesa e depois no ataque. Nós somos o contrário. E um ano, poucos jogos pelas Eliminatórias e amistosos, não foram o suficiente. "Na Copa ele não conhecia a fundo os jogadores para tirar o melhor deles. Com quatro anos de preparação será diferente. Por tudo que ele fez no futebol, merece esse ciclo.'Sobre sua carreira, Geninho tem inúmeras histórias importantes. Como a do título brasileiro do Athletico. 'Cheguei e havia uma manchete no jornal. Ou o time do Athletico acaba com a noite. Ou a noite acaba com o Athletico. Oito jogadores iam ser dispensados. Chamei a todos, mostrei a manchete. Disse que não mandaria ninguém embora. E fizemos um pacto. Montei um esquema, 3-5-2, há 25 anos. E fomos ganhando na tática, na força física, na técnica. Tudo nasceu daquela manchete de jornal."Ganhou o Paulista com o Corinthians. E viveu sua experiência mais surreal com o lateral Roger, marcando D'Alessandro, que jogava no River Plate. O famoso 'pega, pega'. "Eu mandei pegar, mesmo. Mas era cercar, fechar o espaço. O Roger entendeu errado. Entrou duro no D'Alessandro. A pancada nem pegou. Mas D'Alessandro fez um teatro. E o Roger foi expulso. Acabou a carreira dele no Brasil. Se não acontece esse lance, o Corinthians iria ganhar a Libertadores da América, em 2003.Geninho, aos 78 anos, se aposentou como técnico. Mas mostra vigor para trabalhar no futebol. "Posso contribuir como coordenador, como o Felipão faz no Grêmio. Tenho muita saudade do futebol..."
  • Cosme Rímoli

    ÁLVARO JOSÉ: 'NARREI DUAS LUTAS DE JUDÔ NA OLIMPÍADA DE 82, COM OS OLHOS FECHADOS. SÓ IMAGINANDO. FUI APLAUDIDO'.

    04/08/2026 | 2h 18min
    "Seja de direita, seja de esquerda, o governo do Brasil não investe no esporte olímpico. Não tem plano algum. Há enorme dificuldade em entender que o esporte serve como base da educação. "Não a meta não é conseguir medalhas de quatro em quatro anos. Mas desenvolver a educação, a disciplina, a saúde de milhões de crianças nas escolas. Muitas delas sequer têm quadras. "Como fazem as grandes potências olímpicas. Os medalhistas servem como motivação. O plano é desenvolver o esporte como educação. E a educação é a base de um povo."Álvaro José é sinônimo de credibilidade. Por trás do apelido 'A Voz da Olimpíada', há algo muito mais profundo, do que sua espetacular mistura de emoção, carisma e informação ao narrar qualquer esporte.Formado em história, ele faz questão de educar, explicar cada nuance do esporte que transmite. Emociona e educa.'Vejo como minha obrigação, passar todo o meu entusiasmo no que transmito. Mas sei que o Brasil, de forma geral, só é especialista em futebol, faço questão de detalhar, explicar, contextualizar os outros esportes. Seja ginástica olímpica, judô, hipismo, corrida, salto em distância, vôlei, NBA."Somos mais de 200 milhões de pessoas. A maioria sem acesso a outros esportes que não seja o futebol. A tevê serve também para difundir, mostrar, educar, atrair crianças para novos esportes. Insisto que esporte é educação."Álvaro José é filho do histórico jornalista Álvaro Paes Leme. Extremamente comunicativo, culto e talentoso, passou pelos maiores veículos do país. Band, Globo, Record.Suas paixão são as Olimpíadas. Narrou in loco 12 delas. Ninguém transmitiu mais medalhas brasileiras nestas competições: 47.Acompanhou a Guerra Fria, os boicotes de Estados Unidos e Rússia. Foi a voz das mais marcantes conquistas brasileiras. Em Barcelona, uma façanha incrível. 'Eu estava no estádio Olímpico de Montjuic. A primeira luta de judô, de Rogério Sampaio, foi contra o português Augusto Almeida era no tatame B. E eu só tinha o tatame A."Aí fechei os olhos. Colocaram no meu ouvido o retorno do nosso editor Rogério Carneiro, que foi árbitro de judô. "Ele falava. 'Eles estão em pé. Agora, no solo.' Imaginei a luta com a ajuda dele. Fui narrando. Quando a luta acabou, o pessoal da Band duvidou que eu não tinha sinal. Quando tiveram a certeza, todas as pessoas me aplaudiram. Narrei sem enxergar, com o mesmo entusiasmo é a minha marca."Entre as milhares de narração, a medalha de ouro, de Cesar Cielo, em Pequim, na Olimpíada de 2008, é inesquecível. Para ele e para quem teve a sorte de acompanhar a prova. Sorte que está nas redes sociais do narrador, apresentador, historiador, jornalista. Imperdível.É inacreditável acreditar, mas Álvaro José tem 70 anos. E segue entusiasmado, narrando, mostrando caminhos para o esporte deste país.Espera ansioso a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. "Pode ser que seja a minha última...", diz, emocionado.Mas quem o conhece já antevê planejando a Olimpíada de Brisbane, na Austrália. Em 2032".Que ninguém duvide de Álvaro José...
  • Cosme Rímoli

    TONINHO: 'FOI ASSUSTADOR QUANDO A TORCIDA PALMEIRENSE DESTRUIU A SALA DE TROFÉUS.'

    28/07/2026 | 2h 1min
    Toninho Cecílio era o grande líder na pior fase do Palmeiras.
    A dos 16 anos de jejum.
    Foi xingado, ameaçado, vivia escondido, chorava em casa, vendo o sofrimento da família. 'Agia como se fosse um criminoso.'
    Zagueiro forte, vigoroso, de excelente formação intelectual, 'nascido nas categorias de base do Palmeiras, comandava o grupo de jogadores que passou pelas maiores provações com a camisa verde.
    "Eu sempre amei o Palmeiras, dava o sangue dentro do campo. Chorava de raiva nas derrotas, Cobrava os jogadores, os técnicos, os dirigentes, ajudava como podia. Mas a pressão era gigantesca. Os anos de jejum se acumulavam. A torcida palmeirense se não conformava. Tinha vivido a felicidade de duas gerações excepcionais de atletas: as duas Academias, que acumularam títulos. E depois encara 16 anos sem títulos. Eu era capitão. Tinha um misto de tristeza, vergonha, raiva. Foi muito sofrido", relembra Toninho.
    O ex-capitão viveu as entranhas dessa fase. 'O dinheiro era pouco e os dirigentes pressionados, formavam e desmanchavam equipes durante a mesma temporada. A imprensa era duríssima e a torcida também. Assim que virei profissional, em 1983, nasceu a Mancha Verde. E aí as cobranças passaram a ser muito mais pesadas. Com gente passando totalmente dos limites. Quando em 1990, depois que empatamos em 0 a 0 com a Ferroviária, no Pacaembu. E não fomos decidir o Paulista, alguns torcedores arrebentaram a sala dos troféus. Quebraram, destruíram taças que fizeram a glória do Palmeiras."
    Toninho revela que os familiares ficavam muito preocupados, com as ameaças que os jogadores sofriam. Eles eram perseguidos nas ruas, supermercados, restaurantes. "A gente pagava pela falta de filosofia de trabalho dos dirigentes, que trocavam de técnicos, de jogadores. Contratavam qualquer promessa que surgia para que fosse nosso salvador da Pátria. Mas atletas passaram a ficar com medo de aceitar jogar no Palmeiras."
    Tudo mudou em 1992, quando a multinacional Parmalat quis o domínio de um clube no Brasil. E se aproveitou do desespero administrativo do Palmeiras. Pessoas que trataram dessa parceria, que durou oito anos, acabaram na cadeia, na Itália. Por lavagem de dinheiro. Toninho era tão influente que o então presidente Facchina perguntou a ele se os atletas aceitariam esse modo que o futebol seria gerido. "Ele me consultou. Mas eu não tive poder de veto algum. Só fui avisado. Sabia que tudo mudaria.'
    E a multinacional italiana usou o Palmeiras como trampolim. Contratou jogadores importantes, talentosos, formou verdadeiras seleções. Só com o intuito de valorizá-los e vendê-los. Foi quando chegou Antônio Carlos. Toninho percebeu que, de capitão, viraria reserva. Justo quando estava tendo chances na Seleção Brasileira. E resolveu sair do Palmeiras. Jogar emprestado no Botafogo. 'Saí quando o dinheiro chegou. E o Palmeiras voltou a ser uma grande potência. O Vanderlei Luxemburgo chegou a pedir para eu não ir. Mas já estava decidido.'
    Toninho ganharia títulos no Japão. Voltou ao Palmeiras como dirigente e foi, finalmente campeão, paulista, em 2008. Saiu com a desilusão que foi a passagem de Muricy Ramalho como treinador. Depois se tornou técnico, trabalhou em várias equipes. E voltou a ser gerente de futebol.
    Aos 59 anos, faz um balanço de sua carreira. E sempre sábio, resume. 'Sem o dinheiro da Parmalat, da Crefisa, o Palmeiras era outro. Era um clube sem organização, planejamento, amador. De uma pressão quase insuportável por ter sido vencedor no passado. O jejum foi de muito sofrimento. Quem comemora hoje, nem imagina o que foi o Palmeiras no fim da década de 70 e toda a década de 80.'

    REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
  • Cosme Rímoli

    MÁRCIO: 'COM O PÊNALTI PARA FORA, O ROGER FLORES DERRUBOU O PASSARELA DO CORINTHIANS.'

    21/07/2026 | 1h 56min
    Final do Campeonato Brasileiro de 1990, Morumbi.
    Escanteio para o São Paulo. A bola sobe, Márcio olha para cima, tentando dar a cabeçada e jogá-la longe da área corintiana.
    Mas, de repente, recebe a pancada e cai.
    "Tomei um soco do Bernardo. Era só sangue descendo do meu nariz. A camisa ficou toda ensanguentada. Corri para o banco, enxuguei a minha cara. E voltei para o jogo. Soube naquela hora, que seríamos campeões brasileiros", relembra, sorridente, Henrimárcio Bittencourt.
    Márcio foi uma das principais peças que fizeram o Corinthians começar a colecionar títulos nacionais. Antes, havia vencido o Paulista de 1988, fez a final contra o Guarani.
    'Tenho muito orgulho da minha trajetória. Me dei de corpo e alma pelo Corinthians. Ninguém acreditava naquele time que o (presidente Vicente) Matheus montou. Nem ele. Mas o Nelsinho encaixou as peças. Fomos ganhando, ganhando, derrubando os favoritos. E o Neto foi sensacional."
    Aliás, a amizade entre eles, que hoje virou fraternidade, os dois se tratam por irmãos, começou de maneira inusitada.
    "Ele era um talento, lá no Guarani. Eu sempre fui volante marcador e ficava em cima do principal meia adversário. O Neto tinha uma mania. Ele me dava cusparada na cara. E eu devolvia com soco na cara dele. Era sempre a mesma coisa. Fomos expulsos juntos umas três vezes. Era cusparada e soco."
    Mas o Corinthians contratou Neto. E quando os dois se viram no mesmo time, a rivalidade se transformou em parceria. 'Num clássico contra o São Paulo, eu estava irritado porque ele não estava correndo. Saímos perdendo, ele fez os dois gols. No segundo, correu para me abraçar. Aí, ele me ganhou. Viramos irmãos.'
    Márcio tinha muito mais qualidades do que só marcar. "Ele tem ótimo toque de bola, visão de jogo. Os técnicos limitam o Márcio", me disse Falcão, no Chile, quando comandou a Seleção, na Copa América de 1991 e fez questão de levar o volante corintiano. 'O Falcão era um excelente técnico. Mas o ambiente da Seleção era péssimo. Os cariocas mandavam e queriam queimá-lo. Até os jornalistas. Os dirigentes o abandonaram. Se eu soubesse que era tão ruim, eu não teria nem aceito a convocação. Justo eu, que sempre sonhei com a Seleção."
    Márcio saiu do Corinthians para ser campeão da Copa do Brasil, no Internacional.
    Voltou como auxiliar técnico. Ficou três anos, até que a MSI assumiu o controle do futebol do Corinthians. "Foi uma loucura. Chegaram Tevez, Mascherano, Roger, Carlos Alberto, Nilmar, Sebá. E contrataram o Daniel Passarella como técnico. Ele decidiu colocar o Roger Flores como reserva. As coisas não estavam bem. Chegou o jogo decisivo da Copa do Brasil contra o Figueirense. O Roger na reserva. Eu falei para não levar. Mas o Daniel quis mostrar que era ele quem mandava. Levou. E na decisão por pênaltis, o Roger bateu o dele por cima do gol. Se foi por querer? Não sei. Mas aquele pênalti derrubou o Passarella. O Roger derrubou o Daniel."
    Márcio assumiu, os jogadores o adoravam. Tevez pediu aos dirigentes que ele seguisse como técnico. Mas a MSI contratou Antônio Lopes. "Me pediram para eu ficar, me dava bem com o Lopes, que foi meu técnico, no Inter. Mas fui embora, para que ele trabalhasse à vontade.' Márcio ficou 16 anos como treinador de equipes médias e pequenas do futebol brasileiro. Assumiu a coordenação da base do Corinthians. Mas deixou o cargo por perceber a influência dos dirigentes nas contratações dos jogadores.
    Muito sincero, tem uma mágoa. Ele doou sua camisa ensanguentada, que resume sua gana, sua vibração fora do comum, como jogador, ao Memorial do Corinthians. "Me pediram e eu decidi dar. Ficaria para sempre no Memorial. Mas logo me ligaram. E disseram que ela havia sido roubada. Isso me dói. Mas não tem problema. O Corinthians ficará para sempre no meu coração."
  • Cosme Rímoli

    BERNARDO: 'FALTA PERSONALIDADE NOS JOGADORES DE HOJE EM DIA. ME IMPUS POR ONDE PASSEI'

    14/07/2026 | 1h 50min
    'Um dos melhores volantes que treinei. Vigoroso, técnico, inteligente. Tanto que foi para o Bayern, da Alemanha.'
    Telê Santana
    'Ele era fo... Anulava o melhor adversário. Na bola e no peito. Não tinha conversa. Na final da Copa do Brasil, o Felipão não deixava os adversários aquecerem no gramado. Trancava a porta que dava acesso ao campo. E colocava dois seguranças. O Bernardo não quis nem saber. Quebrou a porta. Foi para cima dos seguranças, que fugiram. Aquecemos no gramado e fomos campeões contra o Grêmio no Olímpico. Bernardo jogava para ca... E ninguém botava banca com ele."
    Marcelinho Carioca
    Bernardo Fernandes da Silva exala carisma, liderança e personalidade forte, aos 61 anos, como mostrou durante toda a sua carreira. Segue o mesmo com a imprensa. Sério, sabe que teve uma carreira não só vitoriosa, como pioneira. Enfrentou com firmeza todo o racismo da Alemanha reunificada. Mesmo tendo sido comprado pelo clube mais rico, mais poderoso, o Bayern.
    "Sou negro, com orgulho. Nunca admiti que racista nenhum me humilhasse. Na Alemanha, na Holanda. Por onde eu passei. Assim como no Brasil. Que ninguém se engane. O país segue sendo muito racista."
    Dentro do campo, Bernardo teve uma carreira invejável. "O futebol mudou minha vida. Me fez crescer financeiramente e como pessoa. Eu era 'almoceiro', entregava almoços, de cavalo, para as pessoas que trabalhavam na roça, na fazenda, no Interior de São Paulo. Conheci o mundo graças ao futebol. E pude ter acesso à cultura, entender como o mundo funciona. Principalmente para os negros."
    Bernardo era um volante que tinha excelente visão de jogo, técnico, ótimo no cabeceio. Mas ganhou fama como marcador. 'Não dava espaço mesmo. O futebol permitia, nas décadas de 80 e 90, maior contato físico. E eu chegava mesmo. Protegia a zaga. Não dava brecha.' Se destacou na Francana. De lá, surgiu o Marília. E o São Paulo ganhou a concorrência do Corinthians. 'Meu pai, que tinha uma personalidade mais forte que a minha, tinha fechado com o Corinthians. Mas o Vicente Matheus deu um 'chá de cadeira' de horas para atendê-lo. Ele esperou e fez questão de dizer ao presidente que eu não ficaria no Parque São Jorge. Por falta de respeito com ele, pelo Matheus não ter nos recebido no horário. Fui muito feliz no São Paulo, com o Cilinho. Montamos um time fantástico. Depois com o Telê Santana. Não fiquei para as Libertadores e para os Mundiais porque o Bayern me comprou."
    Na Seleção Brasileira, teve uma passagem marcante. "Era o melhor volante do Brasil. O Carlos Alberto Silva me chamou para o Pré-Olímpico. Mas ele preferia um outro, o Douglas. O que era uma injustiça. Douglas acabou expulso. E o Carlos Alberto me falou que eu iria jogar. Veio me abraçar. Não aguento falsidade. E o empurrei. Joguei. E muito bem, um dos melhores da Seleção. Conseguimos a vaga. Mas nunca mais fui convocado."
    Marcante também foi seu retorno ao futebol paulista, depois do Bayern, América do México, Vasco. "Estava com 30 anos e cheguei desacreditado. Falaram que eu estava acabado, pela idade. O que me deu mais vontade ainda de vencer. Fui titular e peça importante para a Copa do Brasil, o Paulista e o Ramón de Carranza."
    Depois do final de carreira, Douglas se tornou um empresário importante. E agora trabalha com atletas do exterior, preferencialmente negros. "Eu sei as dificuldades que vivi e procuro orientar os jovens jogadores para se fortalecerem e enfrentar esse mundo do futebol que é muito cruel."
Mais podcasts de Desporto
Sobre Cosme Rímoli
Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
Site de podcast

Ouça Cosme Rímoli, Fronteiras Invisíveis do Futebol e muitos outros podcasts de todo o mundo com o aplicativo o radio.net

Obtenha o aplicativo gratuito radio.net

  • Guardar rádios e podcasts favoritos
  • Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
  • Carplay & Android Audo compatìvel
  • E ainda mais funções
Aplicações
Social
v8.13.0 | © 2007-2026 radio.de GmbH
Generated: 8/12/2026 - 11:36:18 PM