Chicão.
Um dos jogadores com maior personalidade a vestir a camisa do Corinthians.
Sério, determinado, obcecado por vitórias.
Líder respeitado por onde passou.
Capaz de encarar e intimidar Neymar, Valdivia, Hazard. Sem ser violento, apenas guerreiro.
Dono de oito títulos pelo Corinthians, como titular absoluto.
Os principais, que o incensaram para o Olimpo branco e preto: a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012.
"Havia aquela pressão enorme que o Corinthians nunca venceria a Libertadores. A história que o Corinthians era um time que só ganharia títulos em São Paulo, provinciano.
"Mostramos a nossa força. Formamos um time que não se dobrava para ninguém. O foco era ganhar a Libertadores, sem medo. Fomos derrubando equipes fortíssimas. Vasco, Santos até chegar o Boca Juniors. Ninguém iria tirar o nosso título. Ninguém!", afirma Chicão, em entrevista exclusiva.
O segredo para o zagueiro estava no sofrimento.
'Foram dois episódios. Eu cheguei com o Corinthians na Segunda Divisão. Foi difícil ter de jogar a Série B. Com cobrança de todos os lados. Nós respondemos pelos jogadores que rebaixaram o clube. Mas nos unimos e atropelamos, fazendo excelente campanha.
'Depois, veio a eliminação na Pré-Libertadores para o Tolima. Os torcedores, revoltados, destruíram os carros de vários jogadores nossos. Queriam nos agredir, ameaçaram. Foi um terror. O Ronaldo e o Roberto Carlos foram embora do Corinthians. Lembramos do que sofremos para ganhar a Libertadores e o Mundial. Não sofremos à toa.'
Lógico que Chicão lembra do lance que decidiu a sorte do Corinthians. 'Foi quando Diego Souza cortou o passe de Alessandro, no Pacaembu, contra o Vasco. E desceu livre, cara a cara com o Cássio. Se ele fizesse o gol, seríamos eliminados. A sorte é que o Diego era um jogador técnico e não velocista. Deu um toque do lado, com talento, mas o Cássio foi sensacional e defendeu. Se o Diego tivesse velocidade teria driblado o Cássio. Era o destino nos mostrando que a Libertadores era nossa.'
Chicão recorda da força psicológica que o Corinthians enfrentou o Boca, na final. 'Entramos na Bombonera sem medo. Quanto mais ofensas, mais moral nos davam. O Romarinho fez o gol do empate e até hoje não tem a noção do tamanho daquele gol. E depois, no Pacaembu, com a nossa torcida, com o Sheik voando, ganhamos, finalmente, a Libertadores. Foi uma libertação.'
Ele relembra que o time estava muito mais confiante no Mundial. 'Sentíamos que venceríamos o Chelsea. Os estrangeiros da equipe inglesa nos desprezaram. O que só nos deu mais força. Dei uma chegada no início do jogo no Hazard, o joguei fora do campo. Mostrei a ele o que estávamos fazendo no Japão. Fomos para ser campeões. Junto com a torcida corintiana que foi do outro lado do mundo. E saímos com o Mundial. Formamos um time histórico.'
Aos 44 anos, Chicão tem muito nítidas as lembranças do Corinthians. E também quando foi para o Flamengo, negociado, sem consideração, pela direção. 'Duro foi quando fui jogar no Pacaembu pelo Flamengo contra o Corinthians e a torcida começa a gritar o meu nome. Meu pai, na torcida do Flamengo, chorou, pelo reconhecimento. E mexeu demais comigo também. Fui campeão da Copa do Brasil pelo Flamengo, o que foi sensacional.
"Mas o meu amor pelo Corinthians nunca vai sair de mim..."