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Cosme Rímoli

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  • Cosme Rímoli

    MARCELINHO CARIOCA: 'PENSEI QUE FOSSE MORRER, QUANDO ESTAVA NO CATIVEIRO, SEQUESTRADO.'

    24/02/2026 | 1h 22min
    A segunda parte da entrevista histórica com Marcelinho Carioca mergulha no Corinthians.Em tudo o que ele viveu de bom e ruim. 'Formamos mesmo uma equipe espetacular, que foi campeã do mundo. Mas eu, o Edilson, o Vampeta, o Freddy (Rincón)... Éramos um time de bandidos", diz e cai na risada.Marcelinho estava disposto a falar. Mostrar o trauma que tinha contra o Palmeiras, o 'grande rival'. Até que começou a marcar. E ganhar títulos contra o rival. Até que chegou a fatídica decisão por pênaltis da semifinal da Libertadores de 2000. 'Caí no truque do Marcos. O Pracidelli (preparador de goleiros) ficou atrás do gol gritando que eu iria rolar a bola no meio do gol. E eu ia fazer isso mesmo. Quando ouvi, quis mudar e o Marcos acertou o canto. A estratégia foi fantástica. Foi uma das piores noites da minha vida. Saí do Morumbi às três da manhã. Os torcedores tentaram virar o meu carro."Ele assume que o Corinthians virou o amor de sua vida. Acumulou títulos. Mas a saída foi lastimável. Uma armação da MSI, de Kia Joorabchian. "Eu tinha voltado por pressão da torcida. O time precisava de mim, eu estava pronto. Só que eu não era escalado. Veio a eliminação da Libertadores de 2005. A imprensa e os torcedores pedindo por mim. Mas a MSI tinha outros planos." Kia queria a saída de Marcelinho, para não ofuscar os jogadores caríssimos que contratou. Como Tevez. 'Chega em um treino, o Mascherano, do nada, me dá três pontapés violentos. Eu reajo. Sou expulso do treino. O Mascherano me chama e me diz, desculpe Marcelo. Um dia você vai entender o que aconteceu hoje. E mandam o roupeiro avisar que eu estava fora do Corinthians. O Mascherano me provocou para que eu reagisse e fosse mandado embora. Foi um descaso, uma tristeza imensa. Mas meu amor pelo Corinthians não mudou."Sobre Luxemburgo, Marcelinho detalha a guerra pública na Band. 'Foi armado. Eu estava ganhando muito espaço na tevê. Incomodando pessoas importantes. Fui de coração aberto. E o Luxa me atacou por conta de vaidade. Uma mulher que não quis ficar com ele na Bahia. Preferiu ficar comigo. Eu nunca levei mulheres para a concentração antes do jogo. Depois, muita gente leva. Antes, não. Não sou louco. E o Luxa sabe disso."Pouca gente sabe que houve a reaproximação, depois de anos. 'O encontrei em um bar. As pessoas pegaram os celulares imaginando que iríamos brigar. Mas nos abraçamos e nos perdoamos. Eu o desafiei muito como técnico. Mas ele foi o melhor que eu tive.'Quanto ao sequestro, ele foi sincero. Contou em detalhes. Chorou ao lembrar do desespero. E do medo que teve de morrer. "Foi Deus quem evitou o pior. Tomei coronhada. Fui para o cativeiro. Acreditei que minha vida iria acabar. Mas Deus surgiu na hora certa. Foi desesperador."Aos 54 anos, Marcelinho saiu com os olhos marejados da entrevista.Se expôs como nunca.Foi um privilégio para o canal.O maior ídolo da história do Corinthians mostrando seu lado humano. O que fica longe dos holofotes...
  • Cosme Rímoli

    MARCELINHO CARIOCA: 'CHOREI PELO FLAMENGO. AMO O CORINTHIANS. E FUI INJUSTIÇADO PELA SELEÇÃO'

    17/02/2026 | 1h 32min
    As lágrimas de Marcelinho Carioca rolaram pela sua face, várias vezes, nesta entrevista.
    'Nunca me abri tanto', disse, após três horas de conversa.
    Para orgulho deste jornalista, que completa 40 anos de profissão.
    A entrevista teve de ser dividida em duas partes, para quem acompanhar possa entender melhor esse ídolo complexo.
    Vencedor, polêmico, rebelde,
    Genial em campo. Desafiador de qualquer regra assim que as partidas acabavam.
    Enfrentou jogador, treinador, dirigente, jornalista até sequestradores.
    Como compreender que o menino mirrado, subnutrido, que saiu da favela da Sulacap, perto do Morro do Pica-Pau, no Rio de Janeiro, vendia salgados nas praias cariocas, buscava garrafas vazias para vender, almoçava cuscuz com leite condensado virou milionário, que dirige sua Mercedes pelas ruas paulistanas?
    A explicação está na sua relação com uma esfera leve, hoje de material sintético, chamada bola.
    Marcelinho detalha, em lágrimas, trechos de sua existência que pouquíssimas pessoas sabem. 'Meu pai queria ser jogador e o meu avô, que era marinheiro, proibiu. Ele iria assinar com o Fluminense. Meu avô impediu. A mágoa, a frustração do meu pai foi tanta, e para sempre, que ele não quis nem no enterro do seu próprio pai. Ele sofreu muito. Eu pude dar a alegria de ser jogador para ele. Meu pai se realizou em mim."
    O filho de um gari se transformou no maior ídolo da história do gigante Sport Clube Corinthians Paulista. Sim, justo os paulistas, que mantêm rivalidade histórica e feérica com os privilegiados moradores do Rio de Janeiro, transformaram um adjetivo pátrio em seu sobrenome. Marcelinho Carioca.
    "Eu sempre amei o Rio de Janeiro. E muito mais o Flamengo. Meu sonho de infância era jogar no Maracanã. Quando treinei com o Zico, meu ídolo maior, chorei, mostrei o meu talento para bater falta para ele, chorei, o abracei.
    "Meu pai varria o Maracanã quando estreei pelo Flamengo. Foi um sonho. Ganhei títulos pelo clube que amava. Mas, de repente, fui vendido, de surpresa para o Corinthians. Fui vendido para o Flamengo pagar os salários do Renato Gaúcho e do saudoso Gaúcho. O clube jogou fora uma geração que seria campeã do mundo. Eu, o Djalminha, Júnior Baiano, Marquinhos, Paulo Nunes. Todos vendidos à força.

    'Fiquei revoltado. Não queria vir, de jeito nenhum para o Corinthians. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha história.
    'Estava chegando ao clube que virou meu amor. Tanto que tatuei as iniciais Corinthians Paulista na minha pulso. A camisa branca e preta foi mesmo a minha segunda pele.
    'Corinthians é a minha vida!'
    "Não joguei uma Copa do Mundo pela Seleção por pura injustiça dos treinadores. Principalmente na de 1998 e de 2002. O Felipão se vingou de mim por não ter ido jogar no Cruzeiro."
    Quem quiser descobrir quem é, de verdade, Marcelinho Carioca, esta é uma grande oportunidade.
    Como esse homem de 1m65, que calça 35, explosivo, talentoso, desrespeitoso, colecionador de títulos, melhor cobrador de faltas da história do futebol, que pagou caro por desafiar o sistema, virou o maior dos ídolos do Parque São Jorge?
    Três horas com ele já é o início deste caminho.
    Agora, uma hora e meia.
    A segunda parte, na semana que vem...
  • Cosme Rímoli

    BETISE ASSUMPÇÃO: 'NÃO DEIXEI O PROST ESTAR NA FRENTE CARREGANDO O CAIXÃO DO SENNA'

    10/02/2026 | 2h 5min
    Xuxa? Viviane? Adriane Galisteu?
    Não. A mulher mais importante da vida do piloto Ayrton Senna é Betise Assumpção.
    Ela foi quem acompanhou de muito perto os últimos anos de vida de um dos ícones do esporte brasileiro, mundial.
    Depois de uma insistência de anos, finalmente cedeu e aceitou dar entrevista ao canal.
    Betise vive há anos Inglaterra e recebe inúmeros pedidos de entrevista de inúmeros veículos de comunicação do planeta. Cineastas imploram por depoimentos em documentários sobre Senna ou a Fórmula 1.
    Ela foi assessora de imprensa de Senna. Estava ao seu lado em todos os Grandes Prêmios na Europa. De personalidade fortíssima, forjada talvez no machismo que enfrentou quando era repórter do Estado, da Folha e da revista Placar, no início da década de 90, ele enfrentou os afoitos jornalistas que cobriam Fórmula 1, em relação ao Senna. "Era uma bagunça. Um caos. Repórteres do mundo todos o metralhavam de perguntas, não o deixavam andar. Eu dividi todos em três grupos. Por idiomas, os que falavam inglês, italiano e português.
    De personalidade fortíssima. Sempre foi muito competente. Além de organizar as entrevistas, combinava com Senna o que deveria e o que não deveria ser dito, até onde ele poderia e deveria se expor. Ele era um piloto extraordinário nas pistas.
    Tricampeão do mundo, bonito, filho de família rica, de ótima formação educacional, mas a sua imagem de homem determinado, corajoso, competitivo, a ponto de enfrentar o sistema que privilegiava os europeus, principalmente quando o francês Jean-Marie Balestre comandava a Fisa, a Federação Internacional de Automobilismo, protegia Alain Prost. E se irritava com um sul-americano 'roubando' o protagonismo dos europeus. Balestre chegou a ser preso ao fim da Segunda Guerra, por seu envolvimento com o nazismo. A rejeição ao brasileiro Senna, representante do Terceiro Mundo, era escancarada.
    Era Betise quem colocava os limites nas declarações de Ayrton. Moldava a imagem do brasileiro, escrevia textos diários, com palavras do piloto, que chegavam a mais de 300 veículos no mundo todo. E eram publicados. Lembrando que o período era antes da Internet.
    Sobre a relação íntima com a Globo e com Galvão Bueno, era é prática. "A Globo tinha na Fórmula 1 um produto que era seu. O Senna era tricampeão do mundo. Explorava ao máximo. E o Galvão se tornou amigo íntimo dele. Era uma decisão do Ayrton ter essa proximidade. Foi bom para os dois lado. O que facilitou também foi o fato de o Brasil ser carente de ídolos. Como é até hoje."
    Ela foi a primeira assessora pessoal de um piloto na F1. Senna a conhecia do Brasil. E sabia que Betise seria a assessora, o escudo que precisava para domar a imprensa. A família de Senna, muito presente, também a aprovava. "O Senna foi a pessoa mais focada, mais intensa que eu conheci. Extremamente competitivo." Na vida pessoal, ela revela que Adriane Galisteu o deixou mais humano. "Ela era uma menina, quebrava a rigidez com que ele levava a vida. Estava ficando mais alegre, mais solto. Fez muito bem para ele."
    Mesmo há 32 anos, Betise lembra como se fosse hoje, o fim de semana trágico em Ímola, que Senna morreu. 'A pista era muito perigosa. Tinha várias falhas. Na sexta, o carro do Rubinho Barrichelo voou e só foi parar no ground rail. Saiu vivo por pura sorte. No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger morreu. O Ayrton ficou abalado, como todos os pilotos. E revoltado. Criticou a falta de segurança em Ímola.'
    Valeram os anos de espera. A entrevista de Betise foi muito reveladora. E um mergulho profundo nos últimos anos de Ayrton Senna. Revelado por quem esteve ao seu lado. Mais do que Xuxa, Galisteu ou Viviane...
  • Cosme Rímoli

    EDILSON PEREIRA DE CARVALHO: 'UM ÁRBITRO MANIPULA O JOGO QUE ELE QUISER. ACABEI COM A CREDIBILIDADE DO FUTEBOL NO BRASIL'

    03/02/2026 | 2h 19min
    “Aceitei dinheiro, sim.
    “Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira.
    “Com a minha vida!
    “Com a minha família.
    “Com meu casamento.
    “Minha filha não fala comigo.
    “Ninguém me dá emprego.
    “Virei sinônimo de juiz ladrão
    “Passo vergonha onde eu vou.
    “Fiquei preso ao lado da cela do Paulo Maluf, na Polícia Federal. Quando ele me viu, bateu palmas. Sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.
    "Tentei me matar três vezes."
    Edilson Pereira de Carvalho quase foi o representante da arbitragem do país na Copa de 2002. Merecia a indicação. Era um excelente juiz.
    Mas tudo veio abaixo em 2005, quando foi revelado que Edilson recebia dinheiro para manipular jogos. No Campeonato Paulista, na Libertadores e no Brasileiro de 2005.
    Foi comprovado por gravações incontestáveis.
    “Acabei tirando a credibilidade do futebol brasileiro. Jamais pensei que iria fazer isso. Cedi à tentação do dinheiro fácil.”
    “Eu recebia em dinheiro vivo. Já peguei um pacote em pleno aeroporto de São Paulo. Ninguém desconfiava de mim. Eu era um ótimo árbitro.”
    Justo na semana que a CBF anuncia a profissionalização de juízes no país, a história de Edilson deixa explícito: os árbitros são o elo mais fraco, mais suscetível, mais amador no futebol pentacampeão do mundo.
    Na assustadora entrevista, Edilson revela o esquema simplório até que abalou o esporte mais amado deste país.
    Ele recebia dinheiro de Nagib Fayad, um apostador milionário. A Polícia Federal descobriu: ele ganhava cerca de R$ 400 mil por jogo que Edilson manipulava.
    Nagib e Edilson eram absolutamente amadores. Ficavam combinando os jogos que o árbitro iria garantir o resultado por telefone.
    “Eu até comprei um celular de São Paulo. Mas não adiantou nada, a Polícia Federal grampeou e pegou nossas conversas.”
    Além de Edílson, o árbitro Paulo José Danelon também aceitou dinheiro para manipular jogos, pago por Fayad.
    O esquema foi desarticulado pela Polícia Federal. A notícia passada para a revista Veja. E o escândalo veio à tona.
    Edilson foi preso.
    “Fiquei na cela ao lado da do ex-governador Paulo Maluf. Ele me viu e bateu palmas. Falou: ‘obrigado, Edilson’. O Maluf sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.”
    Ele e Fayad ficaram presos apenas cinco dias. Por um motivo muito simples.
    “Árbitro aceitar corrupção não era crime. A partir de 2023, um juiz que aceitar dinheiro de apostador poderá ficar até seis anos na cadeia.
    A legislação mudou por causa de Edilson.
    E também o Campeonato Brasileiro de 2005.
    Todos os jogos que ele apitou tiveram de ser refeitos. O Corinthians acabou beneficiado, ultrapassando o Internacional em pontos.
    “Eu apitei também Libertadores e Paulista de 2005. Por que essas partidas não foram disputadas de novo?”, pergunta irônico.
    Edilson foi banido do futebol. Perdeu o seu escudo Fifa. Nunca mais pôde apitar.
    Desde então sua vida virou um tormento.
    Seu nome passou a ser sinônimo de ‘juiz ladrão’ nos estádios do país.
    Nunca mais se firmou em emprego algum. Quando descobria quem era, acabava despedido.
    “Perdi o respeito, o orgulho que minha família tinha de mim. Passei a beber ‘bebida forte’, como gim, uísque. E só chorava em casa.
    “Peguei cerca de 100 fitas dos meus jogos, enrolei e um lençol e coloquei fogo.
    “Tentei tirar a minha vida três vezes com o revólver que eu tinha. Uma vez, a bala passou e furou o telhado.
    “Minha mulher acabou se separando de mim. Minha filha não fala mais comigo.
    “Acabei com a minha vida!
    "Minha punição é perpétua..."
  • Cosme Rímoli

    TUPÃZINHO: 'MEU GOL DEU O PRIMEIRO CAMPEONATO NACIONAL. MUDOU A HISTÓRIA DO CLUBE QUE AMO.'

    27/01/2026 | 1h 58min
    Tupãzinho.
    Apelido dado a Pedro Francisco Garcia. Não por lembrar o artilheiro, habilidoso, letal que vestiu a camisa do Palmeiras, na década de 60, que tinha o apelido de Tupãzinho, por conta de seu pai, que se chamava Tupã e fez história no Internacional.
    "Meu nome no início da carreira era o meu mesmo, Pedro Garcia. Mas os dirigentes do São Bento disseram que não iria chamar a atenção de ninguém. E decidiram que iria mudar para Tupãzinho, em homenagem à cidade que nasci", revela.
    Tudo em Tupãzinho é simples, direto, sem complicações. "Eu sou uma pessoa que cresceu na zona rural. E que sempre entendeu a vida de maneira direta. É preciso ter sonho. E trabalhar muito forte para realizar. Eu sempre amei futebol, o Corinthians. E trabalhei muito para chegar aonde eu desejava. Vestir a camisa do time do meu coração, em pleno Pacaembu lotado. Ajudar o meu clube. Fazer história. E me desdobrei em campo para conseguir o que queria", relembra, orgulhoso.
    De físico franzino, Tupãzinho jogava futebol, quando era garoto, no Tupã Futebol Clube. Se destacou e foi jogar no São Bento, de Sorocaba. No Paulista de 1989, foi o melhor em campo em um confronto contra o seu time do coração. O Corinthians venceu por 3 a 0, mas ele foi o melhor em campo.
    Tanto que, quando Guinei foi contratado para a zaga do time da capital, ele foi como contrapeso. "Fomos como experiência, por três meses. E logo de cara fomos bem. Disputamos um ótimo Paulista. E veio o Brasileiro de 1990."
    O histórico presidente Vicente Matheus havia montado a equipe com jogadores medianos. 'Não vou mentir. Foi uma equipe para não ser rebaixada. Só que deu liga. O técnico Nelsinho chegou e crescemos de forma inesperada na fase decisiva. Ninguém acreditava na gente. O Corinthians não priorizava o Brasileiro. Mas fomos ganhando. Derrubamos favorito atrás de favorito. Ficou no caminho o Atlético Mineiro, o Bahia. Para vencer o Bahia tivemos de enfrentar até bonecos de vodu, que colocaram no vestiário. O meu tinha agulhas nos joelhos, no ombro, na cabeça, lá em Salvador. Ninguém ligou, porque sabíamos que fariam isso para nos abalar. Ganhamos e chegamos na final contra o São Paulo do Telê Santana, que tinha uma seleção", relembra.
    Tupãzinho admite que o histórico time jogava para o Neto. Quase como a Argentina faria em 2022, no Catar, com Messi. 'Ele tinha um poder de decidir os jogos. E jogava mais à frente para definir os lances. A bola parada dele era mortal. Assim como seus lançamentos. Além disso, o Neto era um dos líderes do time.'
    Mas, por melhor que tenha sido o Brasileiro de Neto, a história reservava a Tupãzinho o privilégio de fazer o gol decisivo que mudou a história do Corinthians. 'Antes, o clube só pensava em ser campeão paulista. Quando eu peguei o rebote do chute do Fabinho, que bateu no Cafu, deu o carrinho. E quando a bola passou pelo Zetti e, foi para as redes, vi meu mundo mudar.'
    E do Corinthians. O clube passou a ter objetivos muito maiores do que o provinciano prazer de lutar para se impor 'no quintal', em São Paulo.
    A conquista do Brasileiro fez tudo mudar de ponta-cabeça. E logo, em 1991, veio o precipitado e fracasso plano 'Rumo a Tóquio'. E na Libertadores de 1991, o time entrou como se fosse a competição mais fácil. E acabou passando vexame, eliminado nos primeiros jogos eliminatórios, para o Boca Júniors.
    Muitas emoções estavam reservadas a Tupãzinho. A pior delas. 'Perder a final do Paulista de 1993, quando vencemos o primeiro jogo contra o Palmeiras. E o Viola imitou um porco. No jogo decisivo, eles ganharam por 4 a 0. E acabaram o jejum de títulos (16 anos) bem em cima de nós. A torcida do Corinthians queria invadir o ônibus, o hotel onde estávamos. Queriam bater na gente. Foi o pior momento da minha carreira."

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Sobre Cosme Rímoli

Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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