167 episódios
MAURO CEZAR: 'ASSUMO, SEM MEDO, O QUE PENSO. É O QUE AS PESSOAS PROCURAM EM MIM. OPINIÃO...'
06/10/2026 | 2h 7minTodo dia 8 de cada mês, desde fevereiro de 2019, a dura cobrança é feita.À justiça brasileira, exigindo que os culpados pelo terrível incêndio no Ninho do Urubu, que ceifou a vida de dez meninos, da categoria de base do Flamengo, sejam punidos.'Sou o único jornalista que faz isso. Sou criticado pela própria torcida do Flamengo. Se eu me deixasse influenciar pelo time que torço, eu faria essa cobrança? Eu sou jornalista, antes de qualquer torcida.'Ter opinião firme, embasada, convicta, virou marca registrada de Mauro Cezar Pereira.Comentarista carioca premiado, que se fez respeitar não só em São Paulo, como no Brasil.Virou referência de independência, jornalismo de qualidade, com direito a informações exclusivas.Suas opiniões e notícias reverberam em todo país.Iniciou sua carreira jornalística escrevendo. Entre várias funções, foi editor do Jornal dos Sports, repórter no Globo, Jornal do Brasil, de O Dia. Mas foi na rádio Tupi e na CBN que foi desenvolvendo seu estilo duro, crítica, sem medo.'Jornalista tem de ter opinião. Eu tenho. E as pessoas querem ouvi-la. Ter trabalhado como repórter me trouxe essa qualidade de apurar, buscar notícias. Minhas opiniões e informações que levo ao ar têm base. Não falo por falar. E quem me acompanha, sabe disso.'Mauro veio para São Paulo em 1993. 'Eu iria para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994. Mas abri mão. Deixei o Rio de Janeiro, que é o meu estado e vim para a capital paulista. Sou pragmático. Os maiores veículos de comunicação estavam em São Paulo. O tempo mostrou que minha decisão foi acertada.'Ele se tornou conhecido nacionalmente na ESPN/Brasil. Ele trabalhou de 2004 até 2021. Foi indicado por Paulo César Vasconcelos e por PVC. "Eu trabalhei, e com muito prazer, na ESPN do (José) Trajano. Era o chefe e dava liberdade total para opinar sobre tudo. Foi um momento especial."Com a saída de Trajano, logo Mauro Cézar também deixou a emissora. Ele não queria ser exclusivo e também porque 'muita coisa mudou sem o Trajano'.Mauro Cezar não tem do que reclamar. Muito pelo contrário. Se tornou voz obrigatória na rádio Jovem Pan, tradicionalíssima emissora paulistana. Criou um canal na Internet, com 865 mil inscritos, onde o assunto principal é o Flamengo.'Sim, assumo que é o meu time. E afirmar isso não tira a minha credibilidade, pelo contrário. Como falava o João Saldanha, eu não nasci de chocadeira. Na Pan e no UOL, onde tenho uma coluna, falo sobre todos os times. Mas no meu canal, as pessoas esperam que eu fale sobre o Flamengo. Os canais de jornalistas na Internet costumam falar para alguma torcida. E se é o Flamengo, clube mais popular do Brasil, que as pessoas querem ouvir, vou falar sobre o clube. É uma situação natural para mim. Se tiver de elogiar, elogio. Se tiver de criticar, critico. O canal é de um jornalista, não de um torcedor."Mauro gosta de brincar. Diz que é o 'rei do block'. "Eu acho muito interessante essa história de trocar ideias com o leitor, com o internauta. Mas não sou obrigado a aceitar ser ofendido. Bloqueio mesmo! Meu trabalho é sério. A pessoa pode concordar ou não. Mas nunca ofender."Apaixonado pelo futebol internacional, costuma ir para as finais da Champions League. E além do Flamengo, assume ser fascinado pelo Racing, da Argentina. 'Não sigo essa babaquice que os argentinos são nossos inimigos. Eu vi a ligação profunda que os torcedores têm com o time. Não importa a fase. Gosto do Racing e ponto final.'Ele é certeiro ao falar sobre a Seleção Brasileira. "Lógico que eu estou decepcionado há muito tempo. Tanto tempo, que nem ligo mais. "Ancelotti? O trabalho dele é muito fraco, decepcionante. Ele não é o melhor técnico do mundo. Ele é o mais laureado, o mais premiado. Essa é uma grande diferença..."REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoliJUNINHO FONSECA: 'ENFRENTAMOS O SISTEMA. O SONHO TEVE FIM QUANDO VENDERAM SÓCRATES. NÓS FOMOS BANIDOS'
29/09/2026 | 2h"Eu nem acreditava quando nos via na Praça da Sé, lutando pela volta da democracia no Brasil. Nós jogadores de futebol ao lado dos políticos mais importantes do país, enfrentando a Ditadura Militar. Foi um ato inesquecível. Expusemos nossas vidas em uma luta pelo país. A Democracia Corinthiana não pode ser esquecida jamais. Mas não sou ingênuo. Fomos ouvidos porque ganhamos. Formamos um timaço que conquistou títulos. Ou seja: os troféus nos deram espaço obrigatório na mídia.'Juninho Fonseca fala com todo o orgulho, e inteligência, do que viveu no Corinthians. Ele foi um dos principais articuladores do movimento que enfrentou não só a Ditadura Militar, mas o coronelismo que dominava o futebol brasileiro. Conseguiram impor direitos fundamentais aos atletas. Como definir o que seria melhor para o time. Como a escolha de jogadores, horário de concentração, rotina de treinamento e até o melhor esquema tático. Tudo era aberto, discutido. "Nós tivemos atletas inteligentíssimos que se juntaram: Sócrates, o maior deles, Casagrande, Vladimir, Paulinho, Zenon. Eu já tinha experiência nesse assunto. Porque, de forma muito mais silenciosa, fizemos algo parecido na Ponte Preta. O que aconteceu no Corinthians teve repercussão nacional. Conseguimos colocar a força popular do futebol a favor da vida democrática.'Zagueiro talentoso, que misturava técnica e força física, surgiu em Campinas como substituto de Oscar. O Palmeiras sonhava em contratá-lo, negociou até. 'Mas o Sócrates já havia me convencido a ir para o Corinthians. O convencimento aconteceu durante a Copa de 1982', que disputamos juntos.'Juninho relembra com tristeza a queda daquela Seleção inesquecível. 'Caímos diante da Itália, que era um grande time. Só que não me conformo até hoje. Tínhamos uma equipe melhor, mas que foi montada apenas para atacar. Tivemos três vezes o resultado que nos levaria à semifinal. 0 a 0, 1 a 1, 2 a 2. Mas o Telê não montou nem banco para a Seleção se defender. O Batista não estava entre os reservas. Ele era o melhor marcador da Seleção. Fez muita falta. E perdemos, querendo atacar, quando o empate servia."Juninho ficou com uma recordação marcante daquele jogo. 'Não entrei em campo, mas queria uma camisa da Itália como recordação. Acabei ficando com a do Paolo Rossi, que marcou os três gols contra nós. Ele acabou valendo muito dinheiro. Vendi a um colecionador."Muito sincero, Juninho relembra o ódio com que a Democracia Corinthiana terminou. 'Os dirigentes que a bancaram perderam a eleição. Sócrates foi vendido. O Casagrande também. Eles decidiram se livrar de todos que participaram do movimento. Eu fui proibido de entrar no Corinthians para pegar as minhas coisas. Foi muito triste. Os dirigentes recém eleitos representavam o atraso, a maneira ditatorial que o futebol era tratado. Onde o jogador não tinha direito de opinar para nada. Era tratado como mão de obra e só."Juninho Fonseca foi vendido para o Juventus. Depois, Cruzeiro, Vasco. Foi para o Yomiuri no Japão. Trabalhou como técnico. Como coordenador técnico. Aos 68 anos, inteligente, comunicativo, trabalha como comentarista esportivo.'Tenho muito orgulho da minha trajetória no futebol. Principalmente pelo que fizemos no Corinthians, pela Democracia Corinthiana, que inspirou clubes do mundo todo. E que o ódio do sistema, que acabou com ela, não conseguiu que ela fosse esquecida. Pelo contrário. Nunca será. Qualquer sistema opressivo em qualquer lugar, principalmente no Brasil, vai saber que atletas não são massa de manobra. 'A Democracia Corinthiana despertou a relevância da importância das opiniões dos jogadores. Somos seres humanos com direito de nos posicionar em qualquer situação. Inclusive politicamente. Jogador de futebol deixou de ser alienado, como o sistema estava acostumado. Fizemos história no Corinthians. No mundo do futebol.'- "Passei por situações surreais na minha carreira. Derrubar os gigantes brasileiros e ser campeão da Copa do Brasil com o Paulista, de Jundiaí é histórico. "Ter sido treinado pelo Lothar Matthaus, ver o Souza me proteger para não apanhar de torcedores do Flamengo, jogar ao lado do Ronaldo Fenômeno e ser campeão com ele, pelo Corinthians. Escapar de ser preso por mostrar os dedos médios para os são paulinos, no Pacaembu. Me tornar ídolo na Turquia. Tudo muito intenso para um garoto que saiu da periferia de Belo Horizonte."'Quando era adolescente fui recusado pelo Cruzeiro, pelo América. Sabia que tinha condições, mas os testes muitas vezes nos clubes são inexplicáveis. Fui para a Coréia do Sul tentar jogar. Acabei tendo de limpar as ruas. E passei fome. No Paulista, em Jundiaí, morava debaixo das arquibancadas. Com ajuda de custo de R$ 300,00.O grande salto foi a conquista inesperada da Copa do Brasil pelo Paulista de Jundiaí. 'O Mancini começou seu trabalho como treinador. Montou uma equipe que misturava os veteranos e nós, garotos. Nem a gente acreditava que iria longe no torneio. Eliminamos o Juventude, depois veio a zebra, tiramos o Botafogo. A zebra galopou, quando foi a fez de o Internacional cair. Aí, passamos a acreditar na gente. Chegamos com personalidade e ganhamos do Figueirense. 'Aí chegou o Cruzeiro, clube que havia me dispensado, na semifinal da Copa do Brasil. Nós ganhamos por 3 a 1 em Jundiaí. E eles se preparam para nos golear, em Belo Horizonte. Abriram 3 a 0 no primeiro tempo e eu pensei: isso não pode acontecer. No segundo tempo, falta para nós. Cobro e faço 3 a 1. Depois, o segundo gol. 3 a 2. Estamos na final. Contra o Fluminense. Estávamos encantados. Vencemos por 2 a 0, em Jundiaí. E empatamos em 0 a 0, no Rio. Campeões. Nunca mais o Paulista vai conseguir essa façanha.'Cristian foi para o Athletico Paranaense. 'Não rendi. Muito frio, sei lá. Não me adaptei.' Nei Franco, técnico que o havia dispensado do Cruzeiro, pediu sua contratação para o rubro-negro do Rio. 'O Flamengo vivia em crise. Desorganizado. Foi um período bem caótico.' Aí chega o convite de Mano Menezes para jogar no Corinthians. "Cheguei na minha casa. Foi incrível a identificação. Eu sempre fui corintiano de arquibancada. Sou maloqueiro, sofredor, graças a Deus. Dei a raça de um torcedor apaixonado em campo. E para culminar, chega o Fenômeno. Jogar com Ronaldo foi o maior prazer como jogador. Ele era meu ídolo. Pedi para ele assinar as minhas chuteiras, guardo até hoje."Ele chega no Corinthians desacreditado, com aquela história de 'gordo'. Mas ele era fo... Ninguém o pegava nos piques curtos. Era um gênio com a bola nos pés. Um dos melhores de todos os tempos. Os dribles curtos, as arrancadas, o raciocínio à frente de todos. E muito companheiro, amigo de todos."Lógico que corremos com gosto por ele, para fazer dele campeão de novo. Foi incrível vencer o São Paulo na semifinal do Paulista, tricampeão brasileiro. E nós, o Corinthians da Segunda Divisão. Calamos a boca de todo mundo. E na final, Ronaldo foi espetacular contra o Santos."Cristian formou uma dupla perfeita com Elias. Ganharam também a Copa do Brasil, em 2009. "Aí fui vendido, sem saber, para a Turquia. Queria ter ficado mais. Para ganhar títulos e brigar por um lugar na Seleção. Mas tive de ir. Só que acabei sendo muito feliz no Fenerbhaçe. 'Joguei com Alex, que é outro gênio. Foi maravilhoso. Ganhamos cinco títulos.Foi campeão brasileiro em 2015. Só que entrou em conflito com o ex-jogador Alessandro, que era o executivo de futebol. 'Fiquei muito chateado. E acabei saindo do clube que amava.' Cristian foi para o Grêmio. E lá descobriu vários problemas em relação a como seu dinheiro estava sendo tratado, ao longo dos anos. E tratou de lutar pelo que perdeu. A partir daí, sua carreira caminhou para o final.@cosmerimoli
JOANA DE ASSIS: 'GANHEI PRÊMIOS ENFRENTANDO TABUS: MACHISMO, ABUSOS, HOMOFOBIA. É MINHA MISSÃO.'
15/09/2026 | 2hA feição fica séria, pesada. Desaparece a figura da apresentadora carismática. E se deixa tomar pela alma de corajosa repórter, quando é perguntada sobre que tabus enfrentou. "Há várias portas trancadas no esporte. Aquelas que ninguém quer mexer. Mas a sociedade não avança se não enfrenta os tabus. É difícil, sofrido, cobra um preço alto. Mas é essa a minha missão como jornalista. Enxergar e ter força para enfrentar as várias barreiras. E elas existem. Mas neste momento é que surge o jornalismo puro, sem medo. Posso levar meses,anos, como já levei com algumas matérias investigativas que fiz. É isso que me move." Ganhou o prêmio Latino Americano de Jornalismo Investigativo, na Colômbia. Depois de meses juntando provas, convencendo atletas a vencer a vergonha, Joanna conseguiu demonstrar que, um dos mais importantes técnicos de ginástica olímpica da história deste país, abusou sexualmente de, pelo menos, 42 ginastas. Meninos entre sete e 12 anos. Fernando de Carvalho Lopes foi banido do esporte. E também julgado e condenado a 109 anos de prisão. 'Mas ele recorre há anos. A justiça no Brasil é assim. Ele não está preso. Pelo contrário. Foi para Portugal e vive uma vida normal, como se nada tivesse acontecido", lastima Joanna. 'Mas toda semana, eu me atualizo sobre sua situação. Um dia será feita a justiça. Imagine o trauma destas crianças, destes pais que confiaram nele. É revoltante. Esse abusador é um monstro!'Criou o podcast 'Nos Armários dos Vestiários', que trata da sexualidade, dos jogadores, técnicos. "É algo que todos sabem que existe, mas ninguém quer falar abertamente. Por conta da homofobia. Tanto que fiz apenas áudio, sem câmeras, sem filmagem." O ex-jogador e comentarista Richarlison, o ex-goleiro, e hoje presidente do Bahia, Emerson Ferretti e o árbitro Igor Benevenuto assumiram suas preferências.Como se não bastasse, escreveu o livro Para-heróis. Ela conta a história de vida de dez campeões paraolímpicos brasileiros. Além de 'Verônica, a Magrela que Era Forte', onde conta a história de Verônica Hipólito, campeã paraolímpica, que enfrentou AVCs e tumores, para crianças.Joanna tem uma carreira muito sólida. Fez jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, passou pelo jornal, sim, jornal, Gazeta Esportiva. Pelo portal Terra. Pela revista Placar. Até chegar à TV Globo.'Comecei em 2006. Me identifiquei com a reportagem. Enfrentei o machismo. Criei fontes e acumulei vários furos, notícias em primeira mão. Fui correspondente nos Estados Unidos. Voltei e me tornei apresentadora do Sportv. Mas não parei de apurar, de conseguir entrevistas exclusivas. Me sentia em casa. Criei raízes. Mas tudo acabou no dia 12 de agosto. 'Fui normalmente trabalhar, nem imaginava o que iria acontecer. Foi quando a minha chefia me chamou e me demitiu. Fiquei em choque, não tinha problema algum. Pelo contrário. Além de apresentar, dava informações em primeira mão, que eu apurava."Joanna foi forte com seus chefes. Mas chegou em casa e desabou com sua filha Agata. 'Chorei. Ela chorou também, me vendo chorar. E perguntou se não me veria mais na televisão. Respondi para ela: 'vou continuar, sim. Só saí de um trabalho e vou para outro'. E não vou fazer mais a minha filha chorar."E foi além do baque pela demissão. "Lógico que estava triste. Mas não iria seguir o caminho normal de uma mulher que perde o emprego e se lamenta. Sou muito mais do que isso. Me encaixo onde quiser. Procurei uma marca de carnes, a Swift, e falei que iria fazer um post nas minhas redes sociais, anunciando a minha saída da Globo, depois de 20 anos. E que iria fazer um churrasco. Toparam a ideia. Ganhei cachê e muita carne com a demissão. Sou assim, enfrento as situações. E ninguém me define. Me coloca em uma caixinha, me rotula. Eu defino onde e como quero estar.' E nestes 34 dias, que a entrevista irá ao ar, dia 15 de setembro de 2026, Joanna já recebeu quatro propostas. Estuda o que fazer. 'Fiz da Globo a minha casa. Mas vou fazer de outras casas as minhas."LUISÃO:'FUI HOMEM. PEDI PARA O MANO NÃO ME CONVOCAR MAIS PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA.'
01/09/2026 | 2h 18min"É a maior honra que um jogador brasileiro tem, vestir a camisa da Seleção. Mas sabia que o Benfica precisava de mim. E sempre negavam uma chance de verdade para mim. Fui para duas Copas do Mundo. E foi sempre a mesma coisa. Fui homem. Tive a dignidade de pedir para o Mano não me convocar mais."Luisão sempre foi um homem de atitude. Forjado nas dificuldades. Com a família lutando para sobreviver na pobreza, em Amparo. Com o espaço cedido para viver, 'de favor', dividido por lençóis pendurados. Separavam os 'quartos' da 'sala'. Ajudava o pai que trabalhava em um sanatório. "Jogava futebol com os loucos. Eles jogavam segurando cobertores. Quando eram driblados, jogavam os cobertores na gente. Eu sabia que tinha de dar certo, fizesse o que fizesse, para tirar a minha família desta pobreza. Foi a missão que dei para mim. E cumpri."Muito alto e com personalidade fortíssima, mostrava talento desde cedo para atuar como zagueiro. E nasceu para ser capitão dos times que jogava. Levado pelo empresário Giuliano Bertolucci ao Corinthians, não ficou por conta da chegada da MSI. Bertolucci era dono do futebol do Juventus, da capital paulista, e a Mooca virou o destino do garoto. Com a camisa grená, Luisão foi capitão e vice campeão da taça São Paulo, perdendo a final para o São Paulo, por 2 a 1, em 2000. O talentoso beque de 1m94 despertou a atenção do Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Só que já estava negociado com o Cruzeiro."No começo, o clube passava por uma grande reformulação. Mas em 2003, o Vanderlei Luxemburgo formou um time fabuloso. Ganhamos o Mineiro, a Copa do Brasil. Eu joguei metade do Brasileiro, quando ganhamos a Tríplice Coroa. Não fui até o fim porque o Cruzeiro me vendeu para o Benfica. Aliás, o presidente Zezé Perrella havia me prometido me dar um apartamento por eu aceitar ir para Portugal. Era um direito meu. Fui cobrar e ele me disse que não se lembrava de ter prometido nada. Não coloquei no papel. Tem gente que só a palavra não basta. Tenho pena de pessoas assim."Depois de um curto, e sofrido, período de adaptação, Benfica e Luisão perceberam que nasceram um para o outro. Sua personalidade forte, mas ao mesmo tempo agregadora, vibrante, exigente fez com que se transformasse no capitão dos capitães no Benfica. Ninguém na história do clube exibiu a tarja de capitão por tantos jogos."Um brasileiro chegar a 414 partidas como capitão do português Benfica, um dos gigantes do mundo, é uma honra enorme. O meu amor, a minha dedicação pelo Benfica foram totais. Assim também como o clube, a torcida me amam até hoje. Foram 15 temporadas em Lisboa. 538 partidas. Tenho muita saudade da nossa relação", admite.A carreira é extremamente vitoriosa. São 31 títulos. 20 com a camisa do Benfica. Heptacampeão português. Dois vices da Liga Europa. O Brasil não tem ideia da idolatria de Luisão em Portugal. Não tem paz para andar na rua, de tão amado.A Seleção o subestimou. Ele nunca teve chance real, continuidade. "Respeito demais Lúcio e Juan. E Thiago Silva e David Luiz. Eles foram os titulares em 2006 e 2010. Mas eu vivia uma fase maravilhosa. Só que nunca me deram chance. Fiquei na reserva das duas Copas. Na terceira, avisei ao Mano que não queria mais. A grande alegria da Seleção na vida de Luisão foi o jogo das Eliminatórias, contra a Bolívia, que ele e seu irmão, Alex Silva, zagueiro do São Paulo, foram convocados. "Foi uma festa inesquecível para a família. No Brasil acho que nunca houve algo assim. Dois irmãos convocados."Luisão foi diretor e coordenador de futebol por mais seis anos no Benfica. Jorge Jesus exigiu que estivesse com ele comandando o futebol.No Brasil, para ficar, Luisão se apaixonou pelo jornalismo esportivo. Comentou a Copa dos Estados Unidos, com muita visão e sinceridade, na ESPN. "Quero seguir comentando. Me sinto muito bem. Com a experiência de quem viveu como jogador e dirigente. Sem medo de dizer a verdade."Anderson Luís da Silva nasceu para ser capitão nesta vida...
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Sobre Cosme Rímoli
Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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Cosme Rímoli
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