Foi a mais comovente. E sincera entrevista do canal.
Dinei, campeão mundial, tricampeão brasileiro pelo Corinthians, mostrou sua alma.
Teve coragem de expor tudo o que viveu quando se deixou levar pela tentação do sucesso rápido.
"Era jovem. Vinha de uma vida difícil, com o meu pai abandonando a minha mãe quando eu era criança. De repente me vi jogador de futebol, com dinheiro, fama. Vieram as tentações. Noitadas, mulheres bebidas e drogas. Não resisti. Aceitei tudo."
"Eu usava cocaína desde 1992, nas férias. Dava tempo de desaparecer até eu voltar a jogar. Mas em 1996, fui contratado pelo Coritiba. E fui jogar, confiando que não seria sorteado para o exame antidoping. Fui. E acabei sendo pego. Acabou sendo um presente de Deus!", revela, em entrevista exclusiva, Dinei.
O jogador que surgiu como grande revelação do Corinthians, que tem com orgulho a carteira da Gaviões da Fiel, provando ser da torcida organizada antes de ser profissional, teve uma vida de muita luta.
Seu pai, Nei, jogador importante da década de 60, apontado pela direção corintiana como 'mil vezes melhor que Pelé', abandonou sua mãe com dois filhos. "Ela teve de lutar muito para nos criar. Foi uma vida muito dura. Minha mãe lutou, foi guerreira. E morreu nos meus braços, quando eu estava começando a recompensá-la com o dinheiro que ganhava no futebol. Do meu pai? Desculpe, mas não quero falar nada sobre ele, não", diz, demonstrando que a mágoa jamais vai passar.
Dinei tem 55 anos, já é avô.
E revive com coragem tudo o que viveu. "Mostrando o que sofri por causa das drogas possa ser exemplo para muita gente. De como pode acabar com a vida de qualquer pessoa. E, se alguém já está mergulhado nas drogas, saiba que há esperança. Há saída."
A vida de atleta de Dinei daria um filme. Ele escondia ser filho de Nei nas peneiras que fez para jogar futebol. Revelação no Corinthians, o 'amor de sua vida' foi vendido para o Guarani, para o clube, endividado, fazer dinheiro. Depois foi para a Suíça, para o Grasshoppers. "Fui com a minha vó. Fiz de tudo para voltar ao Brasil, não me adaptei ao frio. Na verdade, eu errei. O clube disputava a Champions League. Poderia ir para um clube muito maior."
No seu retorno ao Brasil, passou por Portuguesa, Internacional, Cruzeiro, Guarani e... Coritiba.
"Foi lá que fui pego no doping. Dirigentes falaram para eu desmentir. E iriam culpar o massagista. Não deixei. Assumi que eu me dopei. Usei mesmo. O Marco Aurélio Cunha, que estava trabalhando no Coritiba, me propôs. "Por que você não assume publicamente que errou e pede desculpas? Ninguém teve coragem de fazer nada parecido. Eu decidi assumir. Foi difícil. Peguei oito meses de suspensão. Foi quando surgiu o coronel Edson Ferrarini. Ele me salvou. Não sei o que faria da minha vida. Ele disse que me ajudaria. Me colocou em uma clínica de reabilitação.
"A chave foi a pergunta que ele me fez. Qual seria o meu objetivo de vida? Nem pisquei: 'voltar ao Corinthians.' Essa esperança mexeu com meu coração, com a minha alma.'
Dinei conseguiu se tratar e parou com as drogas. E veio a recompensa. Jogando muito bem no Guarani, a cúpula da Gaviões da Fiel foi avisada pelo então presidente Alberto Dualib. O clube precisava de um centroavante. Os torcedores foram firmes. Queriam Dinei. Vanderlei Luxemburgo tentou travar a contratação. Mas os membros da organizada se impuseram. E Dinei foi contratado. "O Luxemburgo teve de me aceitar. Eu chorava agradecendo a Deus pela reviravolta na minha vida. Treinei de mais e consegui mostrar meu valor."
Atuando como reserva imediato do ataque, Dinei foi fundamental na conquista do título brasileiro de 1998, em cima do Cruzeiro. "O presidente Zezé Perrella me desprezou. Disse que estava se livrando de mim, quando saí do clube. Pagou caro com os gols que marquei na final contra o seu time."
Dinei foi campeão mundial de 2000, com o elenco fantástico do Corinthians.