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Cosme Rímoli

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  • Cosme Rímoli

    JANAINA XAVIER: 'ENFRENTEI MACHISMO, PRECONCEITO. CRISE DE ANSIEDADE. E FUI INJUSTIÇADA.'

    02/06/2026 | 2h 5min
    A maior injustiça da história da tevê paga.
    Não é a entrevistada quem fala.
    Mas jornalistas que trabalharam com ela.
    Foram 23 anos no grupo Globo.
    "Nunca imaginei que a minha saída fosse acontecer da maneira que foi. Lógico que foi injusta. Se as mulheres de agora se sentem desbravadoras, não sabem como era trabalhar no futebol há 25 anos. Enfrentei machismo, preconceito. A mulher não era aceita no mundo do futebol. Pelos próprios jornalistas, quanto mais os jogadores, treinadores. Só eu sei o que passei para ter uma carreira consolidada", desabafa, Janaina.
    Decidiu trabalhar com futebol incentivada por seu pai, Raul, ex-jogador do Athletico e que, quando estava negociando para jogar no Fluminense, decidiu investir na carreira de médico. Extrovertida, dona de personalidade forte, culta e muito bonita, ela conseguiu espaço na tevê em Curitiba, na RPC, afiliada da TV Globo, no Paraná.
    Se destacou e logo passou a fazer matérias importantes em São Paulo e Rio de Janeiro.
    "Peguei uma época de treinadores que davam medo, como Felipão e Leão. Eles eram ríspidos demais. Mas os enfrentava e fazia as matérias que me propunha a fazer. Cantadas? Jogadores me davam seus telefones por meio de assessores de imprensa. Amassava e jogava fora. Eles acabaram entendendo e me respeitando. Eu estava trabalhando. Acabei me impondo como repórter. Mas foi muito sofrido. Eu sempre tive de provar meu talento, por ser mulher. O desgaste era imenso. Xingada nos estádios, era pressão por todo lado."
    Em 2008 foi contratada pelo Sportv. Se tornou um dos principais nomes da emissora. Fez Olimpíadas, Copas do Mundo. 'O meu auge foi a Copa da Rússia, apresentar o meu programa da Praça Vermelha, em Moscou. Estava muito feliz. O trabalho deu tudo certo. Tinha conquistado o meu espaço."
    A dedicação total ao emprego custou uma crise de ansiedade. Teve de sair de ambulância da TV Globo. Dias depois, estava trabalhando, como se nada tivesse acontecido.
    Janaina foi casada com o narrador Luiz Carlos Júnior, entre 2007 e 2019. Trabalharam em inúmeras transmissões. Eles tiveram a filha Maria Eduarda. O casamento acabou. A vida seguiu, ela casou com o advogado Gustavo Guedes. E engravidou da filha Maria Vitória.
    'Era pandemia, fui para Curitiba para ter uma gravidez segura, ao lado da minha família. Me falaram que estava tudo certo. Tive a Mavi. E fui para o Rio, pensando em voltar a trabalhar. 
    "Mas o meu novo chefe me falou que tinha contratado uma outra pessoa para a apresentação. Não tinha mais o meu emprego. Ele disse que pensou que eu não 'voltaria mais a trabalhar'. Jogaria no lixo 23 anos de carreira. Simples assim. Acabei injustiçada por uma pessoa. Não pela emissora, pelo grupo Globo, onde sempre fui tratada com o maior cuidado."
    Em maio de 2022 chegava ao fim a trajetória da repórter muito competente e excelente apresentadora dos programas Tá na Área, Planeta SporTV e SporTV News. "Foi um choque enorme. Não vou negar."
    Janaína resume de maneira irônica o atual momento das apresentadoras de esporte no Brasil.
    "Eu dei uma entrevista e fui mal interpretada. O que acontece é que há uma diversidade, que acho justa. Acabou a era das 'Barbies', que eu acho que fiz parte. Ou seja, as mulheres bonitas, magras, que se encaixavam em um estereótipo. Há lugar para todas as pessoas, magras, bonitas, feias, negras. O que é muito democrático. Só acredito que o critério precisa ser meritocracia. Quem for melhor fique com a vaga. Não por ter certo aspecto físico."
  • Cosme Rímoli

    CHICÃO: 'PEGUEI O NEYMAR PELO PESCOÇO. DEI UM TAPA NA CARA DO VALDIVIA. EXIJO RESPEITO'

    26/05/2026 | 1h 55min
    Chicão.
    Um dos jogadores com maior personalidade a vestir a camisa do Corinthians.
    Sério, determinado, obcecado por vitórias.
    Líder respeitado por onde passou.
    Capaz de encarar e intimidar Neymar, Valdivia, Hazard. Sem ser violento, apenas guerreiro.
    Dono de oito títulos pelo Corinthians, como titular absoluto.
    Os principais, que o incensaram para o Olimpo branco e preto: a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012.
    "Havia aquela pressão enorme que o Corinthians nunca venceria a Libertadores. A história que o Corinthians era um time que só ganharia títulos em São Paulo, provinciano.
    "Mostramos a nossa força. Formamos um time que não se dobrava para ninguém. O foco era ganhar a Libertadores, sem medo. Fomos derrubando equipes fortíssimas. Vasco, Santos até chegar o Boca Juniors. Ninguém iria tirar o nosso título. Ninguém!", afirma Chicão, em entrevista exclusiva.
    O segredo para o zagueiro estava no sofrimento.
    'Foram dois episódios. Eu cheguei com o Corinthians na Segunda Divisão. Foi difícil ter de jogar a Série B. Com cobrança de todos os lados. Nós respondemos pelos jogadores que rebaixaram o clube. Mas nos unimos e atropelamos, fazendo excelente campanha.
    'Depois, veio a eliminação na Pré-Libertadores para o Tolima. Os torcedores, revoltados, destruíram os carros de vários jogadores nossos. Queriam nos agredir, ameaçaram. Foi um terror. O Ronaldo e o Roberto Carlos foram embora do Corinthians. Lembramos do que sofremos para ganhar a Libertadores e o Mundial. Não sofremos à toa.'
    Lógico que Chicão lembra do lance que decidiu a sorte do Corinthians. 'Foi quando Diego Souza cortou o passe de Alessandro, no Pacaembu, contra o Vasco. E desceu livre, cara a cara com o Cássio. Se ele fizesse o gol, seríamos eliminados. A sorte é que o Diego era um jogador técnico e não velocista. Deu um toque do lado, com talento, mas o Cássio foi sensacional e defendeu. Se o Diego tivesse velocidade teria driblado o Cássio. Era o destino nos mostrando que a Libertadores era nossa.'
    Chicão recorda da força psicológica que o Corinthians enfrentou o Boca, na final. 'Entramos na Bombonera sem medo. Quanto mais ofensas, mais moral nos davam. O Romarinho fez o gol do empate e até hoje não tem a noção do tamanho daquele gol. E depois, no Pacaembu, com a nossa torcida, com o Sheik voando, ganhamos, finalmente, a Libertadores. Foi uma libertação.'
    Ele relembra que o time estava muito mais confiante no Mundial. 'Sentíamos que venceríamos o Chelsea. Os estrangeiros da equipe inglesa nos desprezaram. O que só nos deu mais força. Dei uma chegada no início do jogo no Hazard, o joguei fora do campo. Mostrei a ele o que estávamos fazendo no Japão. Fomos para ser campeões. Junto com a torcida corintiana que foi do outro lado do mundo. E saímos com o Mundial. Formamos um time histórico.'
    Aos 44 anos, Chicão tem muito nítidas as lembranças do Corinthians. E também quando foi para o Flamengo, negociado, sem consideração, pela direção. 'Duro foi quando fui jogar no Pacaembu pelo Flamengo contra o Corinthians e a torcida começa a gritar o meu nome. Meu pai, na torcida do Flamengo, chorou, pelo reconhecimento. E mexeu demais comigo também. Fui campeão da Copa do Brasil pelo Flamengo, o que foi sensacional.
    "Mas o meu amor pelo Corinthians nunca vai sair de mim..."
  • Cosme Rímoli

    GODOI: 'JÁ TEVE JOGO QUE AVISEI: PODE BATER NESSE AÍ. NELE NÃO MARCO FALTA'

    19/05/2026 | 1h 59min
    "Fui o melhor árbitro do Brasil por três anos. Paguei por não ser político."
    Oscar Roberto Godoi tem razão.
    Em 1998, 1999 e 2000 ele se impôs.
    Foi o melhor juiz deste país.
    A mistura que ele encontrou para ter o enorme destaque que mereceu.
    A firmeza bruta de Dulcídio Wanderlei Boschilia e a precisão de Armando Marques.
    Tinha o apelido de 'Unha de Cavalo' ou seja, que não se dobrava. Não aceitava corrupção. Chegou a bater em um empresário, que Godoi acreditou que iria fazer oferta para se vender.
    "Hoje eu não poderia apitar de jeito nenhum. Por quê? Porque eu xingava, jogador queria me sacanear, fingindo contusão, me atirando contra a torcida, eu sacaneava também. Falava palavrão como desabafo. E ouvia também, quando era desabafo. Agora, ofensa, não. Era rua!"
    Godoi nasceu e começou a carreira em São José do Rio Preto. Se formou árbitro em 1977. 'Mas senti que havia muita sujeira na Federação Paulista de Futebol. Resolvi me afastar. E só voltei em 1987. Foram dez anos desperdiçados na minha carreira para não trabalhar no ambiente que encontrei."
    Sua postura firme logo fez sucesso não só na FPF, mas na CBF. Se tornou árbitro FIFA.
    "Para mim, quando ia apitar, eu pensava. Era para matar ou morrer. Eu nunca tive medo de pressão, de nada. Por isso, os times que jogavam fora de casa me pediam. E os que mandavam os jogos me viam com medo. Nunca foi caseiro. Ou seja, nunca tremi. Para mim, que se danasse se o time tal jogava diante de sua torcida. Apitava com o meu conhecimento, com a minha consciência, com o meu estudo."
    Colecionou polêmicas. Sim, a mais famosa é com Júnior Baiano. Era 1995, em um clássico entre São Paulo e Corinthians, Godoi expulsou o zagueiro Rogério Pinheiro. Júnior saiu abraçado com seu parceiro de time. E disse para as câmeras de tevê. "É só chegar perto que se percebe. Está cheirando a cachaça." Godoi ficou transtornado quando soube no vestiário. "Mandei chamá-lo para ele se desculpar. Se ele viesse, iria se arrepender feio. Eu sempre andei armado. Eu não podia beber estava tomando corticoide." O clima entre os dois jamais voltou a ser pacífico. "Quem perdoa é Jesus Cristo. Eu, não",resume Godoi, que não suporta ouvir o nome do zagueiro.
    Foi ele o árbitro de Vasco e São Caetano, na final do Brasileiro de 2000, quando caíram os alambrados de São Januário. "Por mim, teria o jogo. Com alambrado caído mesmo."
    Godoi não cresceu na carreira internacional por não ser político. "Média eu nunca fiz mesmo. E também por não aceitar bandeirar. Eu detestava. Fui árbitro central. A decisão tinha de ser minha."
    Sobre a nova fase da arbitragem, com o VAR, ele é direto. "Dá para fazer amor e apitar. Qualquer dúvida, o VAR salva."
    Sua personalidade fortíssima logo foi notada pela tevê. Virou comentarista de arbitragem. Seu poder de comunicação o fez ser apresentador de programas policiais. "Não suportei a energia pesada dos crimes. Foi muito duro para mim." Ele se formou jornalista ao parar de apitar.
    Aos inacreditáveis 70 anos, Godoi trabalha em uma distribuidora de chope em São José do Rio Preto. E segue comentando arbitragem e futebol na tevê. E muito procurado para apitar eventos. A explicação é simples.
    "Sou Oscar Roberto Godoi, Cosme, não há ninguém como eu..."
  • Cosme Rímoli

    AMOROSO: 'UM CORINTIANO AJUDOU O SÃO PAULO A GANHAR O MUNDIAL. INVADIU O CAMPO. NO PIOR MOMENTO CONTRA O LIVERPOOL.'

    12/05/2026 | 2h 1min
    Seu talento incrível transformou um adjetivo em nome próprio.
    Amoroso.
    Dono de uma carreira assustadoramente vitoriosa, Márcio Amoroso do Santos não poderia passar pelo futebol sem ser campeão mundial.
    "Foi muito injusto para mim não estar entre os convocados para a Copa de 2002. Só ficava atrás de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Estava no meu auge, artilheiro e campeão no futebol alemão. Não merecia ficar de fora. Não tenho a menor ideia porque o Felipão fez isso.
    "Mas o futebol me reservou a volta por cima. Fui para o Japão e acabei tricampeão do mundo com o São Paulo. E é muito mais difícil com um time do que com uma seleção. Minha carreira e o São Paulo merecíamos ter o título que nenhum outro clube brasileiro tem", celebra Amoroso, em entrevista exclusiva.
    Ele sabe o motivo pelo qual não houve pressão da mídia brasileira por sua convocação. Ignorância. "O Campeonato Alemão não era acompanhado pela população como um todo. Só a ESPN transmitia, era um canal fechado e com muito menos acesso do que é hoje. Ganhei com o Borussia a Bundesliga 2001/2002. Terminei na artilharia e jogando bem demais", relembra, ainda deixando escapar uma ponta de mágoa.
    Amoroso foi prejudicado pela troca de Vanderlei Luxemburgo por Felipão. O técnico gaúcho preferiu apostar no futebol prático, funcional, de Kleberson. "Seria muito talento junto. Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e eu. Como também teria lugar para o Alex e para o Djalminha. Só que o Felipão não quis."
    Nascido em Brasília, tio de Amoroso, centroavante histórico do Fluminense e Botafogo, Márcio nasceu para ser jogador. Tinha tanto talento como garoto que, aos dez anos treinava autógrafos que daria quando 'estrela'. E ele brilhou.
    Depois de passar em testes no Vasco e Fluminense, apostou seu início no Guarani. De lá deslanchou. Japão, Flamengo, Parma, Borussia, Málaga até chegar no Morumbi.
    "Não queria voltar para o Brasil. Mas o Grafite se machucou e veio o convite inesperado para jogar no São Paulo. O time estava na semifinal da Libertadores. Pensei logo de cara. Time espetacular. Clube espetacular. E chance de ganhar o título que deveria ter ganhado no Japão com a Seleção: ser campeão do mundo. Aceitei e sabia que iríamos fazer história."
    Amoroso revela parte importante do sucesso. 'Paulo Autuori. Ele é um treinador excelente. E ser humano fantástico. Soube entender o potencial de cada jogador e do time em conjunto. Nós tínhamos talento, força física, vibração, união e personalidade. Mostramos isso logo de cara, eliminando o River Plate dentro da Argentina, na semifinal. Contra o Athletico sabíamos que a Libertadores era nossa."
    Ele revela um detalhe importantíssimo da final contra o Liverpool. "Um corintiano nos salvou. Estávamos tomando um sufoco enorme. O Liverpool iria fazer um gol. Quando este torcedor invadiu o gramado, foi fazer graça, e jogou um bicho de pelúcia na direção do Rogério Ceni. A polícia prendeu o invasor. Mas ganhamos uns cinco minutos para conversar e encaixar o time, acertar a marcação. Por isso tenho de agradecer a este corintiano pelo nosso título mundial", ironiza.
    O torcedor corintiano ficou nove dias preso pela invasão.
    Amoroso teve enorme desilusão depois do título mundial pelo São Paulo. 'Queria ficar e encerrar a minha carreira no Morumbi, tão feliz que eu estava. Propus contrato de três anos. Não me fizeram oferta alguma. Soube que o Milton Cruz, auxiliar, falou que eu já tinha 'dado o que tinha de dar'. Fui para o Milan."
    O meia/atacante voltou para o Brasil com uma missão muito difícil. "Salvar o Corinthians do rebaixamento. O time estava mal. Pude ajudar e conseguimos evitar o pior. Foi marcante para mim." Depois ganhou título gaúcho no Grêmio, passou pelo Aris, da Grécia, Guarani, Bota Raton, nos Estados Unidos.
    Mas assustadora foi jogar no Delhi, time treinado pelo ex-lateral Roberto Carlos. "Enfrentei um terremoto assustador. Jurei para mim que nunca mais voltaria para a Índia. E não voltei."
  • Cosme Rímoli

    GUILHERME: 'TOMEI PANCADA DEMAIS AO VESTIR A CAMISA DO CRUZEIRO.'

    05/05/2026 | 3h 4min
    Guilherme.
    Um dos maiores ídolos e artilheiro da história do Clube Atlético Mineiro.
    Atacante letal. Inteligente, corajoso, decisivo. Jogador que crescia nas decisões de título.
    Fez Felipão balançar e quase levá-lo para a Copa de 2002, no lugar do seu amigo Luizão.
    Merecia, foi injustiçado. A fama de bad boy o atrapalhou.
    Mas foi nome obrigatório na inauguração da arena MRV.
    "A torcida atleticana o ama, seu auge absoluto foi no Galo. Mas aquela magoazinha ficou. Sabe quando a esposa aceita o marido de volta, depois que ele sumiu uma noite? Mas o perdão veio e o tempo amenizou. Só que ela não esquece", resume um dos principais jornalistas esportivos de Belo Horizonte, que também se sentiu 'traído' por Guilherme, quando o viu com a camisa azul, do rival.
    "Eu sou transparente, sincero, honesto. E era profissional. Estava sem clube, o Atlético não me procurou. O Cruzeiro, sim. Pensei muito, mas precisava trabalhar e aceitei. Nunca tive medo do caos. O único erro foi comemorar os gols que fiz pelo Cruzeiro contra o Atlético, com a torcida organizada cruzeirense. Fui babaca!"
    A carreira de Guilherme vai muito além da histórica rivalidade mineira. A vida dele é cinematográfica. Era filho de feirante. Muitas vezes dormia embaixo da barraca do pai.
    Surgiu como grande revelação no Marília. Contratado pelo São Paulo teve pela frente um mestre e um mentor. Telê Santana. "Ele me desenvolveu como jogador. Foi fundamental para a minha carreira. Mas me pegou no pé. Morava no CT. E era jovem, queria aproveitar a vida, festejar. Com ele foi duro. Tomei bronca dele até na frente do meu pai."
    Telê o estava moldando para se tornar um grande artilheiro do São Paulo, da Seleção Brasileira. Mas o presidente Pimenta não resistiu a uma proposta do Rayo Vallecano. E Guilherme aceitou ganhar em dólar.
    "Era a chance de jogar na Europa. Fui por empréstimo. Sofri. Tinha uma panela de jogadores que não me queria lá. Deixava minhas coisas em uma cadeira. Marquei meus gols e fui comprado. Aí exigi o salário que eu quis. Armário especial. A camisa nove. Me fiz respeitar."
    Guilherme morava sozinho na Espanha. Jogou muito bem. Mas viveu. "Ia para Ibiza nas folgas. Danceteria. Enfim, aproveitei. Mas sempre treinei forte e ninguém pode reclamar da falta de empenho."
    A empresa norte-americana ISL assumiu o futebol do Grêmio e comprou Guilherme a peso de ouro. "Foi maravilhosa a transação para mim. Só que me deixei levar pelas noitadas de Porto Alegre. Era festa e mais festa na minha casa de três andares."
    Mesmo assim, Guilherme foi muito bem. A ponto de o Vasco, grande rival e time que eliminou os gremistas da Libertadores, o contratar para a disputa do Mundial. "Outra proposta financeira irrecusável. E uma grande frustração. Eu estava bem demais e entrei apenas no final da decisão, contra o Real Madrid. Eu conhecia todo o time espanhol porque joguei no Rayo Vallecano. Fui o autor de dois gols na histórica e única vitória do Rayo contra o Real, no Bernabéu. Mas o Antônio Lopes quis prestigiar os titulares campeões da Libertadores. Foi um desperdício."
    Chegou o casamento: Atlético Mineiro. "O clube estava comprando o Velloso. Falei para o meu empresário, o Gilmar Veloz, que queria sair do Vasco. Não estava mais dando liga. Vim para o Atlético mesmo sabendo que o time estava sendo montado. E que o clube vivia grande dificuldade financeira. Mas fui feliz demais. A torcida era fantástica. Os jogadores comprometidos. E formei a minha grande dupla na carreira, com o 'Calanguinho', o Marques. Levamos o time até a improvável decisão do Brasileiro de 1999. Eliminamos o poderoso Cruzeiro. Mas enfrentamos o Corinthians, que era uma Seleção. Mas se o Marques não se machuca na primeira partida, poderíamos ter sido campeões."
    Guilherme foi o artilheiro do Brasil.
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Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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