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    FRANCISCO LEAL: 'LUCIANO DO VALLE E EU ENFRENTAMOS ATÉ DON KING E A MÁFIA DO BOXE , PELO MAGUILA'

    20/1/2026 | 1h 39min
    Maguila, Hortência, Paula, Montanaro, Ruy Chapéu, Emerson Fittipaldi, Bernard...
    Ídolos que, se houvesse o mínimo de lógica, não se encontrariam em um mesmo dia na televisão deste país.
    Não até o início da década de 80.
    Em 1983, houve uma revolução.
    "O Johnny Saad, presidente da Band, nos chamou. O Luciano do Valle e a mim. Fizemos uma reunião e ele nos ofereceu dez horas de programação nos domingos. A Band precisava de audiência e verba comercial.
    "Ele nos liberou para escolher os esportes que quiséssemos. Era um desafio enorme. Nós aceitamos e fomos para a batalha. Fizemos algo inédito e conseguimos revolucionar o esporte na tevê deste país. Foi uma grande batalha, que nos deu muito orgulho. O resultado foi inesquecível."
    Quem relembra é Francisco Leal, o Quico. Ele e Luciano do Valle criaram uma empresa de marketing esportivo, que fez história, a Luqui, iniciais do nome do narrador e do apelido do empresários.
    'O Luciano era o melhor narrador de televisão deste país, de todos os tempos. E tinha uma visão mercadológica incrível. Ele tinha as ideias e eu as colocava em prática. Tudo nasceu quando ele decidiu deixar a TV Globo. Nós já éramos parceiros desde sempre. E partimos para criar eventos esportivos."
    Quico é filho do grande apresentador Blota Júnior. Portanto tinha proximidade umbilical com a tevê.
    'O primeiro grande evento foi uma ideia incrível que ele teve. A Seleção Brasileira de Vôlei enfrentar a campeã olímpica, a União Soviética, em pleno gramado do Maracanã. Os dirigentes do futebol não queriam o jogo lá. Uma gráfica instalada dentro do Maracanã falsificou ingressos, nos roubou. Caiu uma chuva terrível. Mas houve o jogo, histórico. Em cima de um carpete colocado em cima da quadra. A TV Record transmitiu. Mais de 95 mil torcedores foram ao Maracanã. Foi maravilhoso', relembra Quico.
    O Brasil venceu, com o inesquecível saque 'Jornada nas Estrelas' de Bernard. Mas os vitoriosos foram Luciano e Quico. Foi o sucesso da transmissão que os levou a criar o Show do Esporte. 'O esporte era desprezado pelas tevês. A nossa grande visão foi fazer acordos com as federações de vôlei, basquete, boxe. Nós também enfrentamos preconceitos.
    "Mostramos que a sinuca não era coisa de malandro. Colocamos um smoking no Rui Chapéu e ele ganhou um desafio do campeão mundial. Mostramos o talento de Paula e Hortência, em duelos incríveis por seus times. O Luciano criou a Copa Pelé, com as estrelas veteranas do futebol do planeta. Beckenbauer, Paulo Rossi e tantos outros vieram jogar. Decidimos apostar na Fórmula Indy e o Emerson Fittipaldi disparou a ganhar. Compramos o futebol italiano, com sucesso fabuloso. Foi uma época incrível.'
    Ele lembra também do Brasileiro de 1990. 'O pessoal da Globo estava desencantado com o futebol depois da Copa. E largaram o Brasileiro. Compramos e foi um estrondoso sucesso, com o Corinthians ganhando o seu primeiro título."
    Quico se transformou até no empresário do maior peso pesado brasileiro de todos os tempos: Maguila. 'Foi uma loucura. Eu e o Luciano enfrentamos a Máfia do Boxe. O ambiente é terrível. O Maguila tinha muito talento, era um grande lutador. Por contrato, a pedido dele, que queria, e ganhou, muito dinheiro, lutava a cada 60 dias. A audiência era excelente, ele subiu no ranking e ele sonhava em enfrentar o Mike Tyson. Fui negociar a luta com o Don King. Ele sabia que os empresários do Evander Holyfield queriam também o Maguila. Don King me trancou no seu escritório para forçar a minha assinatura, para que ele lutasse nas preliminares do Tyson. Isso nós não aceitávamos. Tive de assinar qualquer coisa e escrevi embaixo, em português: 'essa assinatura não vale nada'."
  • Cosme Rímoli

    FLÁVIO RICCO: 'GALVÃO BUENO SAIU POR ETARISMO, POR SUA IDADE. FOI UM GRANDE ERRO DA GLOBO'

    13/1/2026 | 1h 39min
    Seu nome já inspira credibilidade, análises profundas, notícias em primeira mão.
    O ex-aspirante a volante da Linense, engenheiro por formação, escolheu a análise do aparelho hipnotizador que a população deste país cultua: a televisão.
    Nascido em dez de abril de 1947, ele viveu toda a trajetória de como o Brasil lidou e vem lidando com a tevê, que 'nasceu' aqui no dia 18 de setembro de 1950, com a inauguração da TV Tupi. É o melhor crítico e colecionador de notícias exclusivas de tevê do Brasil.
    Inteligentíssimo, estudioso, com uma rede de fontes, a quem trata, de verdade, como 'amigos', Flávio é capacitado para dar aula sobre qualquer ângulo, revelar bastidores inacreditáveis do assunto que for. Mas no caso, neste canal, ele falou, explicou, detalhou, os caminhos do jornalismo esportivo na televisão.
    "O futebol na vida do brasileiro sempre ocupou um grande espaço. Daí a tevê não poderia ficar de fora. E foi uma adaptação mais do que interessante. Nós fizemos uma transposição do rádio para a tela. O nosso jeito de narrar futebol é muito nosso. O longo grito de gol, a vibração, tudo vem do rádio. E ficou. Virou nossa marca registrada", ensina.
    Com firmeza de quem acompanhou cada período do esporte, Ricco consegue expor um panorama incrível. 'Em 1966 víamos os teipes da Copa. Em 1970, a transmissão ao vivo. Em 1974, as cores. Para o regime militar que vivíamos era progresso. Lógico que o futebol foi usado e muito pelos militares.'
    Flávio Ricco lembra que, quando a Federação Paulista de Futebol, na década de 60 começou a cobrar as tevês pelas transmissões dos jogos, que eram precárias, mas gratuitas, vários canais desistiram.
    'E foi aí, para preencher as tardes dos domingos, que surgiram programas como a Jovem Guarda, Silvio Santos.'
    Record, Globo e Band lutavam pela audiência esportiva. Com o apoio dos governantes a Globo foi conseguindo o monopólio do futebol. Formou narradores históricos, com essa enorme visibilidade. Luciano do Valle e Galvão Bueno foram os maiores deles. "O Luciano foi visionário. Saiu da Globo e, inspirado nos canais só de esportes nos Estados Unidos, criou o Show do Esporte na Band. Um domingo repleto de automobilismo, boxe, sinuca, basquete, vôlei, futebol de Masters. Foi sensacional. Revolucionou a televisão esportiva no país. Ele e o Quico, (Francisco Leal) formaram a Luqui, que administrava essas transmissões."
    Com a saída de Luciano do Valle, Galvão Bueno, que era o segundo narrador da Globo, se impôs. Por décadas. Virou uma estrela no país. "E eu vou falar aqui, o que aconteceu. Galvão Bueno saiu, por etarismo, por sua idade, da Globo. Foi um grande erro. Ele seria um excelente comentarista. Era personagem importantíssimo que a Globo desperdiçou."
    Ricco vê em Thiago Leifert outro grande responsável pela transformação de a tevê mostrar o esporte. 'Ele entendeu que o jovem não queria mais a formalidade com que o esporte era mostrado. Ele tem grande mérito nesta história.' Ricco resume como muito saudável o fim do monopólio da Globo no futebol. Mas lembra outro motivo. 'A Globo não suportou mais sozinha os custos. Os direitos de transmissões ficaram cada vez mais caros. Aliás, caríssimos. O que foi ótimo para as outras emissoras.'
    Ele é um grande defensor das narradoras de futebol. "Elas enfrentaram enorme rejeição. Foram guerreiras. O futebol é um meio machista. Mas elas têm todo o direito de fazer o que querem. As tevês perceberam a ligação das mulheres com o futebol. E acredito que seja justo, que elas tenham espaço. O que não pode acontecer, e acontece, é muitas vezes elas se posicionarem como intocáveis. Se homens são criticados, elas também podem sofrer críticas."
    Sobre o futuro do esporte na tevê, Ricco aposta que a pressão do streaming, dos canais pagos, está fazendo com que a tevê aberta mude, evolua, a sua maneira de mostrar, principalmente o futebol.
    Bem-vindo à privilegiada aula ministrada por Flávio Ricco...
  • Cosme Rímoli

    GUINEI: 'NINGUÉM NO CORINTHIAS SABIA COMO O BOCA JOGAVA. A CULPA DAS DERROTAS CAIU TODA EM MIM!'

    06/1/2026 | 1h 18min
    'No Brasil não existe prisão perpétua. Mas no futebol existe. E eu fui condenado. A mina pena é perpétua.'
    O desabafo foi feito a este canal por Denis, ex-lateral do Palmeiras, que falhou na final do Campeonato Paulista, de 1996.
    Ele tinha 20 anos na partida decisiva contra a Internacional de Limeira.
    Mas existe outro atleta de enorme potencial, que era comparado a Amaral, zagueiro que disputou a Copa de 1978, que paga até hoje, por duas partidas, em 1991.
    Ele jogou bem demais na conquista do primeiro Campeonato Brasileiro, conquistado pelo Corinthians. Formou excelente dupla de zaga com Marcelo Djian.
    O time desbancou o São Paulo de Telê Santana, em 1990, com a estrutura tática e jogadores que seriam bicampeões mundiais.
    Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Tupãzinho e Neto; Fabinho e Mauro.
    'Ninguém esperava que iríamos ganhar o Brasileiro. Fomos subindo na fase decisiva. O título era decidido no mata-mata. Ficamos em sétimo na geral. E pegamos o segundo colocado. Eliminamos o Atlético Mineiro, depois, veio o Bahia, os dois eram favoritos. Caíram. E aí veio o São Paulo. E também nos impomos. Nosso time estava muito bem. O Neto foi o nosso principal jogador. Ganhamos de forma merecida. Nossa arrancada foi inesquecível", relembra Guinei.
    Mas essa empolgação pelo título brasileiro contaminou imprensa, torcida e a própria direção corintiana, que vendeu a ilusão da conquista da Libertadores.
    O Corinthians havia disputado o torneio em 1977, caindo na fase de grupos. A esperança em 1991 era imensa.
    A direção repetia o 'projeto Tóquio'. Ou seja, ganhar a Libertadores e decidir o Mundial no Japão. Mas deu tudo errado.
    O time não foi bem na primeira fase. 'Suou sangue' para se classificar em terceiro, no grupo que tinha Flamengo, Nacional e Bella Vista. Veio o tradicional Boca Juniors nas oitavas.
    "Não sabíamos nada do Boca. Não vimos vídeo. Não tínhamos ideia quais eram os principais jogadores. Nem a condição do gramado da Bombonera", revela Guinei. E as duas partidas foram fatais para o quarto zagueiro.
    "Eu falhei nas duas partidas. Na primeira, jogamos em um lamaçal e eu falhei, meu deu branco. Na segunda partida, errei também no Morumbi." No jogo em Buenos Aires, ele escorregou no primeiro gol do Boca. E no terceiro, estava com a bola dominada, mas a perdeu, justo quando o Corinthians pressionava para empatar. Em São Paulo, Guinei outra vez titubeou, Graziani roubou a bola e encobriu Ronaldo. O Corinthians, que precisava vencer por três gols de diferença, para descontar o 3 a 1 do primeiro jogo, precisava de quatro. Revoltados, os torcedores passaram a xingar Guinei. O time empatou. E Nelsinho Baptista tirou o zagueiro aos 41 minutos do segundo tempo.
    Ele foi 'massacrado' pelos corintianos e pela imprensa. Foi exposto. Não teve uma defesa efetiva da direção, do treinador, dos jogadores. Só Neto tentou protegê-lo. Mas acabou sendo em vão.
    "Não posso culpar ninguém. Errei mesmo. Cheguei a me desculpar. Mas duas partidas ruins não deveriam marcar a minha carreira. Fiz 129 jogos pelo Corinthians. Joguei 129 partidas pelo Corinthians. Chega de me desculpar! Sou campeão brasileiro!", desabafa.
    Tímido, admite que deveria ter falado, enfrentado a imprensa. Se explicado à torcida. Mas preferiu se calar. Acabou, com a atitude, assumindo o fracasso do clube na Libertadores. Houve muitos outros culpados. Principalmente quem fez o planejamento para o 'projeto Tóquio', tão aclamado, em 1991.
    Guinei ficou sem ambiente no clube. Acabou pedindo para sair. Foi para o União São João de Araras. Depois, teve carreira de nômade. Náutico, Fortaleza, Marcílio Dias, Nacional, São Bento, URT, Corinthians, do Rio Grande do Norte, Jaboticabal, Francisco Beltrão.
  • Cosme Rímoli

    ADÃOZINHO: 'O NETO ME CUSPIU. EU DEI NA CARA DELE. NINGUÉM ME DESRESPEITAVA.'

    23/12/2025 | 2h 20min
    "Levamos o São Caetano para a final da Libertadores e do Brasileiro. Perdemos para nós mesmos.'
    "Eu ensinei o Zinho e o Pedrinho a jogarem a Segunda Divisão. Se continuassem com toquinho de bola, o Palmeiras estava na Segunda Divisão até hoje."
    As declarações são de um personagem muito importante na vida do São Caetano e do Palmeiras.
    Adãozinho. Meio-campista inesquecível, versátil, vibrante, de futebol objetivo, duro, ríspido até. Mas de enorme eficiência.
    "E ele foi um grande líder. Ele nos cobrava e não nos deixava perder a concentração, a luta. Além disso, era o motorzinho do São Caetano. Ele anulava os principais jogadores do adversário. Nos liderava. Tinha uma grande visão do jogo. O Adãozinho foi fundamental para o nosso sucesso", relembra Adhemar, estrela do histórico time do ABC.
    Foi Adhemar quem insistiu. "Cosme, você quer entender o São Caetano? Tem de entrevistar o Adãozinho."
    Ele tinha razão. Adãozinho deu uma entrevista sincera, reveladora, sem meias palavras.
    "Eu sou de origem simples. Trabalhava na roça com a minha família. Plantava feijão e milho. Comia marmita, bóia-fria mesmo. Jogava futebol. Mas preferia montar em cavalo, em boi. Mas um teste no Bragantino mudou minha vida. Quando vi que iria ganhar três vezes mais e ter comida boa, e quente, estrutura, não tive dúvidas. Fui ser jogador. Tinha 18 anos. Sem fundamento algum. Aprendi tudo no profissional."
    Adãozinho não foi aproveitado por Vanderlei Luxemburgo, no Bragantino campeão paulista de 1990, por um motivo singular. "Ele descobriu que eu fui para um circo e montei em um boi. Ficou louco da vida e disse que precisava de jogador e não de peão de rodeio." Adãozinho foi emprestado. Fez sucesso no Alfenense. Atlético Mineiro e Cruzeiro tentaram comprá-lo. O Bragantino não liberou.
    Ele acabou no São Caetano. "Foi um casamento perfeito. Eram vários jogadores querendo subir na vida. Com um treinador muito inteligente, tático, esperto. O Jair Picerni, que é subestimado. Não chegamos à final da Copa do Brasil e da Libertadores à toa."
    Adãozinho lembra de como conseguiu cumprir sua missão. Anulou, em sequência, Ronaldinho Gaúcho, Roger Flores, Taddei. Na final contra o Vasco, tomou conta de Juninho Paulista. "No primeiro e no segundo jogo, na final de 2000, em São Januário, ele estava dominado. Mas depois da queda do alambrado, a direção do São Caetano falou que já éramos campeões e não deveríamos nem treinar. O Eurico Miranda conseguiu reverter. Teve novo jogo e nós, que estávamos de férias, perdemos. Foi absurdo."
    Em 2002, o São Caetano chegou à final da Libertadores, contra o Olimpia, do Paraguai. "Nosso time era fortíssimo. E perdemos a final nos pênaltis. Tivemos o domínio da decisão. Não soubemos matar os jogos."
    No ano seguinte, o sonho de sua vida foi realizado. "Eu ia em uma kombi abarrotada ver o Palmeiras jogar em Bragança. Não tinha dinheiro para comer naqueles dias. Ficava com fome mas assistia o time do meu coração. Quando o Palmeiras me contratou, me deu a camisa verde com o meu nome, me ajoelhei, chorei e agradeci a Deus. Virou missão da minha vida tirar o meu Palmeiras da Segunda Divisão."
    Adãozinho lembra das duras que deu em Zinho e Pedrinho, os jogadores mais técnicos. "Eu falei que aquela coisa de toquinho para o lado não iria resolver. Segundona é luta, combate, velocidade, garra. A pressão foi enorme. Mas conseguimos. A festa foi inesquecível."
    Ele lembra, rindo, do 7 a 2 que o Palmeiras tomou do Vitória. "O Marcos ficou louco da vida, chamando a nossa defesa de 'desgraça'. No vestiário chutou caixa de energético. Eu falei para ele: 'por que você não faz o seu? Ou então vai chutar o centroavante deles. O Marcão olhou para mim. Riu. A raiva passou. Ele foi muito homem. Venceu a Copa do Mundo poderia ter ido para qualquer time, mas ficou para disputar a Segundona com o Palmeiras."
  • Cosme Rímoli

    .'ME DÓI VER O QUE FIZERAM DO SÃO CAETANO. JOGARAM O CLUBE NA QUARTA DIVISÃO'

    16/12/2025 | 1h 52min
    "Engolimos o Fluminense, no Maracanã. Derrubamos o Palmeiras, no Parque Antártica. Eliminamos, tranquilos, o Grêmio, com Ronaldinho Gaúcho e tudo, no Olímpico. Mas aí veio o Eurico Miranda e nos tirou o título brasileiro. Ele e o Caixa D'Água, (Eduardo Viana, então presidente da Federação Carioca). A direção do São Caetano foi ingênua. Perdemos um campeonato que era nosso, por direito. Me revolta até hoje..."Adhemar é o tipo de jogador que faz falta no atual futebol deste país.Espontâneo, sem medo de dizer o que realmente pensa, e não o que seu assessor de imprensa quer."A geração atual não opina de verdade sobre nada. Não participa da vida do clube, da Seleção. Não se envolve. Quer saber de ganhar muito bem, cuidar de sua imagem nas redes sociais e pronto. Futebol para mim sempre foi mergulhar de cabeça."E ele foi um dos principais personagens no time que parou o Brasil entre 2000 e 2004. Com direito à conquista de um Paulista, com Muricy como treinador, vice-campeonato da Libertadores, e dois vices Brasileiros. Com a morte do prefeito de São Caetano, Luiz Olinto Tortorello, no dia 17 de dezembro de 2004, o projeto sofreu um golpe irrecuperável. E logo as Casas Bahia, grande patrocinador, deixou o clube. Estava decretada a morte precoce de um grande clube. Infelizmente, o São Caetano se apequenou, de novo, e atualmente está na Quarta Divisão de São Paulo.'Me dói muito ver o que fizeram com o São Caetano. Não restou nada do que lutamos tanto para conseguir", desabafa Ademar.Dono de um chute fortíssimo, moldado em uma medicine ball (bola de peso) de cinco quilos, que chutava quando era adolescente, de muita velocidade e raça, ele se tornou o jogador inesquecível do São Caetano, vice-campeão do Brasileiro 2000, que tinha o nome de João Havelange."Formamos um time de atletas com fome de vitórias, que queria vencer no futebol. O Jair Picerni soube como tirar o máximo de cada um. E jogávamos de uma forma adiantada no tempo. Com preenchimento de espaço, ataques em blocos, triangulações pelas laterais, marcação alta. Era o 4-3-3 com movimentação que só se veria 20 anos mais tarde. A estratégia estava por trás de um time muito vibrante e talentoso", revela.Foi assim que o time assustou o Brasil, saindo da Segunda Divisão naquele Brasileiro, que permitia o cruzamento de Divisões. E foi derrubando grandes pelo caminho. Fluminense, Palmeiras, Grêmio. E chegou à final contra o Vasco, em São Januário."O Eurico estava contra a Globo, que transmitia o jogo. E colocou o logotipo SBT nas costas dos jogadores. Mais do que isso, superlotou São Januário na final. E o alambrado não suportou tanta gente. E arrebentou. Quase foi uma tragédia, com pessoas caindo umas sobre as outras. Vi um pai carregando uma filha com sangue jorrando pelas costas, uma lança dos alambrados entrou na criança. Muitos torcedores se machucaram. E ele queria seguir com o jogo porque sabia que o São Caetano seria declarado campeão."O jogo não seguiu. "Eurico e o Caixa D'Água conseguiram convencer a CBF que deveria acontecer nova partida. A direção do São Caetano foi ingênua. Desmobilizou o time. Eu já estava vendido para o Stuttgart, da Alemanha. Nós aproveitamos o Natal, comendo, bebendo, nos divertindo com nossas famílias. Estávamos de férias, esperando a CBF nos confirmar campeões do Brasil. O Vasco não ofereceu segurança para a final. O título era nosso. Mas Eurico sabia que iria conseguir nova partida e os jogadores do Vasco seguiram treinando. E foi marcada nova partida, no Maracanã, começando do zero. O Romário já havia sido substituído em São Januário. Só que ele pôde jogar. Foi um absurdo. E perdemos o título.

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Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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