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Cosme Rímoli

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  • Cosme Rímoli

    AMOROSO: 'UM CORINTIANO AJUDOU O SÃO PAULO A GANHAR O MUNDIAL. INVADIU O CAMPO. NO PIOR MOMENTO CONTRA O LIVERPOOL.'

    12/05/2026 | 2h 1min
    Seu talento incrível transformou um adjetivo em nome próprio.
    Amoroso.
    Dono de uma carreira assustadoramente vitoriosa, Márcio Amoroso do Santos não poderia passar pelo futebol sem ser campeão mundial.
    "Foi muito injusto para mim não estar entre os convocados para a Copa de 2002. Só ficava atrás de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Estava no meu auge, artilheiro e campeão no futebol alemão. Não merecia ficar de fora. Não tenho a menor ideia porque o Felipão fez isso.
    "Mas o futebol me reservou a volta por cima. Fui para o Japão e acabei tricampeão do mundo com o São Paulo. E é muito mais difícil com um time do que com uma seleção. Minha carreira e o São Paulo merecíamos ter o título que nenhum outro clube brasileiro tem", celebra Amoroso, em entrevista exclusiva.
    Ele sabe o motivo pelo qual não houve pressão da mídia brasileira por sua convocação. Ignorância. "O Campeonato Alemão não era acompanhado pela população como um todo. Só a ESPN transmitia, era um canal fechado e com muito menos acesso do que é hoje. Ganhei com o Borussia a Bundesliga 2001/2002. Terminei na artilharia e jogando bem demais", relembra, ainda deixando escapar uma ponta de mágoa.
    Amoroso foi prejudicado pela troca de Vanderlei Luxemburgo por Felipão. O técnico gaúcho preferiu apostar no futebol prático, funcional, de Kleberson. "Seria muito talento junto. Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e eu. Como também teria lugar para o Alex e para o Djalminha. Só que o Felipão não quis."
    Nascido em Brasília, tio de Amoroso, centroavante histórico do Fluminense e Botafogo, Márcio nasceu para ser jogador. Tinha tanto talento como garoto que, aos dez anos treinava autógrafos que daria quando 'estrela'. E ele brilhou.
    Depois de passar em testes no Vasco e Fluminense, apostou seu início no Guarani. De lá deslanchou. Japão, Flamengo, Parma, Borussia, Málaga até chegar no Morumbi.
    "Não queria voltar para o Brasil. Mas o Grafite se machucou e veio o convite inesperado para jogar no São Paulo. O time estava na semifinal da Libertadores. Pensei logo de cara. Time espetacular. Clube espetacular. E chance de ganhar o título que deveria ter ganhado no Japão com a Seleção: ser campeão do mundo. Aceitei e sabia que iríamos fazer história."
    Amoroso revela parte importante do sucesso. 'Paulo Autuori. Ele é um treinador excelente. E ser humano fantástico. Soube entender o potencial de cada jogador e do time em conjunto. Nós tínhamos talento, força física, vibração, união e personalidade. Mostramos isso logo de cara, eliminando o River Plate dentro da Argentina, na semifinal. Contra o Athletico sabíamos que a Libertadores era nossa."
    Ele revela um detalhe importantíssimo da final contra o Liverpool. "Um corintiano nos salvou. Estávamos tomando um sufoco enorme. O Liverpool iria fazer um gol. Quando este torcedor invadiu o gramado, foi fazer graça, e jogou um bicho de pelúcia na direção do Rogério Ceni. A polícia prendeu o invasor. Mas ganhamos uns cinco minutos para conversar e encaixar o time, acertar a marcação. Por isso tenho de agradecer a este corintiano pelo nosso título mundial", ironiza.
    O torcedor corintiano ficou nove dias preso pela invasão.
    Amoroso teve enorme desilusão depois do título mundial pelo São Paulo. 'Queria ficar e encerrar a minha carreira no Morumbi, tão feliz que eu estava. Propus contrato de três anos. Não me fizeram oferta alguma. Soube que o Milton Cruz, auxiliar, falou que eu já tinha 'dado o que tinha de dar'. Fui para o Milan."
    O meia/atacante voltou para o Brasil com uma missão muito difícil. "Salvar o Corinthians do rebaixamento. O time estava mal. Pude ajudar e conseguimos evitar o pior. Foi marcante para mim." Depois ganhou título gaúcho no Grêmio, passou pelo Aris, da Grécia, Guarani, Bota Raton, nos Estados Unidos.
    Mas assustadora foi jogar no Delhi, time treinado pelo ex-lateral Roberto Carlos. "Enfrentei um terremoto assustador. Jurei para mim que nunca mais voltaria para a Índia. E não voltei."
  • Cosme Rímoli

    GUILHERME: 'TOMEI PANCADA DEMAIS AO VESTIR A CAMISA DO CRUZEIRO.'

    05/05/2026 | 3h 4min
    Guilherme.
    Um dos maiores ídolos e artilheiro da história do Clube Atlético Mineiro.
    Atacante letal. Inteligente, corajoso, decisivo. Jogador que crescia nas decisões de título.
    Fez Felipão balançar e quase levá-lo para a Copa de 2002, no lugar do seu amigo Luizão.
    Merecia, foi injustiçado. A fama de bad boy o atrapalhou.
    Mas foi nome obrigatório na inauguração da arena MRV.
    "A torcida atleticana o ama, seu auge absoluto foi no Galo. Mas aquela magoazinha ficou. Sabe quando a esposa aceita o marido de volta, depois que ele sumiu uma noite? Mas o perdão veio e o tempo amenizou. Só que ela não esquece", resume um dos principais jornalistas esportivos de Belo Horizonte, que também se sentiu 'traído' por Guilherme, quando o viu com a camisa azul, do rival.
    "Eu sou transparente, sincero, honesto. E era profissional. Estava sem clube, o Atlético não me procurou. O Cruzeiro, sim. Pensei muito, mas precisava trabalhar e aceitei. Nunca tive medo do caos. O único erro foi comemorar os gols que fiz pelo Cruzeiro contra o Atlético, com a torcida organizada cruzeirense. Fui babaca!"
    A carreira de Guilherme vai muito além da histórica rivalidade mineira. A vida dele é cinematográfica. Era filho de feirante. Muitas vezes dormia embaixo da barraca do pai.
    Surgiu como grande revelação no Marília. Contratado pelo São Paulo teve pela frente um mestre e um mentor. Telê Santana. "Ele me desenvolveu como jogador. Foi fundamental para a minha carreira. Mas me pegou no pé. Morava no CT. E era jovem, queria aproveitar a vida, festejar. Com ele foi duro. Tomei bronca dele até na frente do meu pai."
    Telê o estava moldando para se tornar um grande artilheiro do São Paulo, da Seleção Brasileira. Mas o presidente Pimenta não resistiu a uma proposta do Rayo Vallecano. E Guilherme aceitou ganhar em dólar.
    "Era a chance de jogar na Europa. Fui por empréstimo. Sofri. Tinha uma panela de jogadores que não me queria lá. Deixava minhas coisas em uma cadeira. Marquei meus gols e fui comprado. Aí exigi o salário que eu quis. Armário especial. A camisa nove. Me fiz respeitar."
    Guilherme morava sozinho na Espanha. Jogou muito bem. Mas viveu. "Ia para Ibiza nas folgas. Danceteria. Enfim, aproveitei. Mas sempre treinei forte e ninguém pode reclamar da falta de empenho."
    A empresa norte-americana ISL assumiu o futebol do Grêmio e comprou Guilherme a peso de ouro. "Foi maravilhosa a transação para mim. Só que me deixei levar pelas noitadas de Porto Alegre. Era festa e mais festa na minha casa de três andares."
    Mesmo assim, Guilherme foi muito bem. A ponto de o Vasco, grande rival e time que eliminou os gremistas da Libertadores, o contratar para a disputa do Mundial. "Outra proposta financeira irrecusável. E uma grande frustração. Eu estava bem demais e entrei apenas no final da decisão, contra o Real Madrid. Eu conhecia todo o time espanhol porque joguei no Rayo Vallecano. Fui o autor de dois gols na histórica e única vitória do Rayo contra o Real, no Bernabéu. Mas o Antônio Lopes quis prestigiar os titulares campeões da Libertadores. Foi um desperdício."
    Chegou o casamento: Atlético Mineiro. "O clube estava comprando o Velloso. Falei para o meu empresário, o Gilmar Veloz, que queria sair do Vasco. Não estava mais dando liga. Vim para o Atlético mesmo sabendo que o time estava sendo montado. E que o clube vivia grande dificuldade financeira. Mas fui feliz demais. A torcida era fantástica. Os jogadores comprometidos. E formei a minha grande dupla na carreira, com o 'Calanguinho', o Marques. Levamos o time até a improvável decisão do Brasileiro de 1999. Eliminamos o poderoso Cruzeiro. Mas enfrentamos o Corinthians, que era uma Seleção. Mas se o Marques não se machuca na primeira partida, poderíamos ter sido campeões."
    Guilherme foi o artilheiro do Brasil.
  • Cosme Rímoli

    SOUZA: 'PASSEI FOME. NÃO TINHA BANHEIRO. FAZIA AS NECESSIDADES EM UMA SACOLA PLÁSTICA'

    28/04/2026 | 1h 10min
    Superação é uma palavra fraca demais para explicar a vida de Souza.
    Quem o vê na tevê sorrindo, ao lado de Velloso e Neto, não sabe o este alagoano, campeão do mundo, viveu.
    Willamis de Souza Silva nasceu em Maceió. Sua mãe sumiu quando era menino.
    Cresceu na favela Sururu de Capote, extrema periferia, com enormes dificuldades. Seus avós que o criaram eram rígidos. "Tive de dormir na rua várias vezes. Não podia atrasar um minuto do horário para voltar. E eu perdia a hora jogando futebol. Não tinha perdão. Dormia sem jantar. E na rua."
    Tudo ficou pior, quando sua mãe reapareceu.
    "Ela disse que tinha ido trabalhar em São Paulo. E voltou. Eu saí da casa dos meus avós, com meu irmão. Pensei que tudo fosse melhorar. Mas ficou terrível. E fomos morar em um cômodo. Não tínhamos banheiro. Fazíamos as necessidades em uma sacola plástica durante a noite. E de manhã jogávamos fora. Usava uma geladeira, que achamos, que não funcionava como armário.
    "Passei muita fome. Lembro a sensação. Era desesperador.
    "Eu era muito, mas muito magrinho. E a sensação de fome fica para sempre. Quem passou fome como eu, morre de medo de passar de novo. Pode ser até que esteja milionário. A sensação, o medo, o acompanham eternamente."
    Foi o futebol que acabou com essa penúria.
    "Comecei a mostrar um talento que desconhecia. Jogava na várzea por dinheiro. Até que fui fazer teste no CSA. E passei. Não ganhava nada. Até que me descobriram. Terminei campeão alagoano de 1999. E fizemos uma campanha incrível na Copa Mercosul. Terminamos vice-campeões. É a grande façanha internacional do CSA, até hoje", relembra.
    O título ficou com o Talleres, mas a vitória foi de Souza.
    Seu talento o levou ao Botafogo. "Achei que ia ficar rico. Mas o dinheiro foi muito pequeno. E ficaram meses sem me pagar. Fui emprestado para o Libertad, do Paraguai. Fui muito bem. O Guarani me levou por empréstimo. Voltei para o CSA." Como o clube alagoano também não pagava o jogador, ele conseguiu seu passe. E foi para a Portuguesa Santista.
    Lá foi um dos protagonistas da melhor campanha da história do clube.
    "O Rogério Ceni me indicou para o São Paulo. Minha vida mudou radicalmente. Estava voando. Ganhamos a Libertadores. Fui campeão mundial. Deveria ter jogado a final com o Liverpool, Paulo Autuori não foi justo comigo. Fui bicampeão brasileiro." O PSG comprou o onipresente Souza. De lá, o Grêmio decidiu investir no alagoano. E acabou vice brasileiro, perdendo o título justo para o São Paulo.
    Vieram o Fluminense, Portuguesa e Ceará. O rendimento não era mais o mesmo. Souza dependia muito do físico. E havia envelhecido. O pior foi a separação. "Meus bens ficaram travados na justiça pela minha ex-mulher. Eu fiquei sem dinheiro algum. Passando necessidade. O medo era passar fome de novo. E eu tinha de cuidar dos meus filhos."
    No pior momento, veio a virada na vida de Souza.
    "Do nada, recebi a ligação para trabalhar no programa do Neto. Havia milhões de pessoas para ele chamar. Eu estava no Nordeste, pensando como levantar dinheiro, quando veio esta oportunidade. Minha vida mudou, de novo. O Neto tem um coração enorme. É muito amigo. Ele me ajudou muito. Só pode ser um milagre de Deus. Vivo uma vida que jamais imaginaria quando menino.
    "Sou o improvável que virou provável"...
  • Cosme Rímoli

    ZECA: 'É HUMILHANTE. EU E O ADEMIR DA GUIA IMPLORAMOS INGRESSOS PARA ENTRAR NO PARQUE'

    22/04/2026 | 1h 39min
    "Eu me sinto como se fosse uma peça de museu."E o que importa hoje é a modernidade, né?"Misturando amargura, revolta e conformismo, José Luiz Ferreira Rodrigues, assume que foi esquecido. Aos 79 anos, andando com dificuldade por conta de uma cruel fascite, e da perna direita um centímetro e meio mais, curta por conta de uma fracassada operação no joelho, depende da boa vontade de um torcedor para ver jogos, no Allianz Parque, que ainda chama de Parque Antártica. Não há lugar reservado para ele. Nem para outros companheiros que foram fundamentais na imagem vencedora do Palmeiras.Talvez você não saiba quem é José Luiz Ferreira Rodrigues.O apelido Zeca talvez refresque sua memória.Última chance. Quem sabe com ele e seus parceiros todos juntos?Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca, Dudu e Ademir da Guia, Edu, Leivinha, Cesar e Nei.Sim, a segunda e maravilhosa Academia do Palmeiras.Só Zeca ganhou dez títulos com a imponente camisa verde. Os principais? Três Brasileiros, dois Paulistas. Três Ramon de Carranza, os mais importantes.Ele foi o lateral que mais jogou pelo Palmeiras, 395 partidas.Titular nove anos."Vou falar uma coisa que as pessoas nunca pararam para pensar. Ou nem quiseram saber. Nenhum jogador daquele time teve uma partida de despedida. Nenhum. Nem o Ademir da Guia, o maior ídolo da história do Palmeiras. Em outros lugares do mundo, os atletas têm reconhecimento. Infelizmente, no Brasil, e no meu clube de coração, não."Zeca fez história. Foi fundamental no time de Oswaldo Brandão. Era a segurança pelo lado esquerdo do excepcional Palmeiras do final dos anos 60 e início dos 70. 'Fizemos história. Éramos o grande time do país. Parávamos o Santos de Pelé. O São Paulo. O Corinthians não era páreo. O adversário mais complicado era o Botafogo. Só não ganhamos Libertadores porque a direção priorizava o Paulista. Os Brasileiros ganhávamos pela força da equipe. Mas o foco era o Paulista, o mais disputado torneio de todos."Ele relembra sua partida mais especial. "A que evitamos que o Corinthians quebrasse o jejum de 20 anos. Nós demos de tudo. Havia enorme pressão de todo lado para que eles ganhassem. Nós nos impomos. O Morumbi tinha uns 100 mil corintianos. E dez mil palmeirenses. Deu até pena da tristeza deles. Mas fomos campeões, em 1974. Em cima do Palmeiras, não."Zeca enfrentou não só ponteiros do nível de Jairzinho, Terto, Vaguinho, Edu (do Santos), Rogério (Botafogo). Em 1975, já tendo acumulado títulos, ele teve um problema simples no menisco do joelho direito. Por indicação do Palmeiras operou com um médico particular. "Deu tudo errado. Eu fiquei com a perna encurtada um centímetro e meio. Não conseguia dobrar a perna. Tive de operar de novo. Mas nunca mais foi a mesma coisa." Ele caiu em uma profunda depressão. Só chorava e não sabia o que fazer da vida. "Não tive o acolhimento do Palmeiras. Se não fosse o Dudu, não sei o que seria de mim. Ele me amparou. Me levou até Deus. Me reergueu. É muito triste ver que, para o clube, os jogadores não têm importância como pessoas."Relembra que, como completaria dez anos de Palmeiras, na década de 70 iria criar vínculo empregatício com o clube. "Para evitar isso, me mandaram para o Marília. Me senti muito mal. Não quero atacar o clube, que vou amar pelo resto da vida. Mas os dirigentes que o Palmeiras teve não tiveram o mínimo de consideração, de reconhecimento. Não queria favor, sim consideração. Futebol não é um simples emprego. Demos o melhor da nossa vida pelo clube."Zeca, que surgiu no Grêmio, foi parar no Palmeiras quase que por acaso. "Os dirigentes ofereceram o Tupãzinho em troca do Everaldo, lateral esquerdo da Seleção. O Grêmio não quis e me ofereceu. Eu tinha potencial. Aceitaram e fui titular nove anos. Joguei inúmeras vezes contundido. Tomei várias infiltrações para não deixar o time."Zeca foi auxiliar técnico de Felipão por quatro anos no Grêmio.
  • Cosme Rímoli

    PEPITO: 'POR QUE PELÉ NÃO RECONHECEU A SANDRA? ELA NÃO O PROCUROU. FOI DIRETO NA JUSTIÇA, NA IMPRENSA.'

    14/04/2026 | 2h 17min
    Nenhuma esposa, nenhum filho, nenhum parente.
    Ninguém foi conviveu tanto, foi tão próximo, do melhor jogador de futebol de todos os tempos do que José Fornos Rodrigues, o Pepito.
    Nem o defendeu tanto.
    Ele se tornou uma figura lendária, com 49 anos de convivência profissional, e 51 anos de profunda amizade com Pelé.
    Viveu todas as fases importantes da vida de Edison Arantes do Nascimento. Sim, Edison, com i, é assim que foi registrado na cidade mineira onde nasceu, Três Corações.
    "Pouquíssimas pessoas conheceram Pelé e o Edison de verdade. O Edison era um ator, que usava Pelé como personagem. Por isso falava como se ele fosse uma outra pessoa. E, na verdade, era."
    Pepito surgiu na vida de Pelé, em 1971, para organizar o caos deixado pelo primeiro empresário de Pelé, Pepe Gordo, e que fez o jogador perder muito dinheiro. Por falta de visão, incompetência.
    'Montei uma estrutura para ele. Mas fiz um acordo sério. Não queria saber do dinheiro de seus contratos. Ele tomava todas as decisões. Escolhia seus sócios para as transações. Onde investir.
    "E eu posso dizer: o Pelé foi muito roubado. Pessoas se aproveitaram de todas as maneiras dele. Eu avisava, mas o Pelé sempre foi muito teimoso. E quando tinha a certeza que foi enganado, se afastava da pessoa e deixava para lá. Não queria escândalo."
    Pepito acompanhou o final de carreira de Pelé. O 'convite' do governo militar, do general Geisel, para que ele disputasse a Copa de 1974. 'Fomos para Brasília. O ministro Jarbas Passarinho foi claro. Queria que ele jogasse o Mundial da Alemanha. Pelé foi claro, firme. 'Não volto atrás. Já me despedi da Seleção.'
    Pepito também é responsável por salvar Pelé de um atentado. "Estávamos na Iugoslávia, quando chegou uma moça e pediu para sentar na nossa mesa. Deixamos. E reparei que ela mexia embaixo da perna seguidamente. O Pelé tinha ido ao banheiro. Ela me disse..."Quero ficar famosa. Vou dar uma facada no Pelé."
    "Ela tinha uma faca embaixo da perna. Avisei o Julio Mazzei, que era preparador físico do Santos, para levar o Pelé para longe. A mulher desistiu, foi embora. Pelé nunca teve segurança. Falava que Jesus estava na frente. E Deus atrás, o protegendo."
    Pepito acompanhou dois dramas significativos da vida de Pelé. O primeiro, o envolvimento de Edinho, seu filho, com as drogas. Chegou a ser preso como traficante. 'Foi terrível para um pai. O Pelé sofreu muito. Não entendia o porquê daquela situação.' Pepito conseguiu, de forma discreta, que Pelé visitasse várias vezes Edinho, sem a imprensa ficar sabendo.
    E também houve a situação do não reconhecimento de Sandra. 'O Pelé teve duas filhas fora do casamento. A Flávia o procurou diretamente. E ele a aceitou sem o menor problema. Sandra procurou a justiça, a imprensa. Ela foi candidata à política. Tudo muito diferente. Pelé não foi no enterro dela porque tinha trauma. Não foi em enterro de ninguém. Nem do pai dele, do irmão. Mas com a Sandra foi um enorme desgaste. Desnecessário. Os filhos dela são herdeiros do Pelé. Ela causou a situação."
    Pepito viu com muita mágoa a falta de reconhecimento dos jogadores, quando Pelé morreu. 'Ele os libertou, lutando pela Lei Pelé, para acabar com a escravidão com os clubes. E pouquíssimos foram no seu velório. O Pelé tem muito mais reconhecimento fora do que no Brasil. Para mim é uma enorme tristeza.'
    Pepito sempre esteve nos bastidores. Não queria dar entrevistas. Mas decidiu que histórias verdadeiras de Pelé mereciam ser públicas, como um último afago ao parceiro de vida.
    E escreveu 'Pelé, o Legado Desconhecido.' Livro mais do que revelador. Lançado com muito sucesso.
    Mas na entrevista, Pepito foi além.
    Mostrou o quanto viveu e o quanto Pelé teve sorte em escolhê-lo como braço direito.
    "Sinto muita falta dele. E vou dizer, que ele era corintiano, ah, isso ele era..."
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Sobre Cosme Rímoli
Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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