Enquanto no debate político se fazem as tradicionais operações de passa-culpas, os jornalistas empenharam-se em ir ao terreno para ver uma região a recuperar dos estragos da catástrofe Kristin. As imagens, os textos, os sons que nos fizeram chegar são arrepiantes. Um país destruído onde vivem pessoas aflitas e preocupadas com o presente e os custos dos estragos no futuro. Um país onde, uma vez mais, foi o poder político de proximidade, as autarquias, ou as instituições de proximidade, os bombeiros, a GNR ou a polícia, que deram as respostas mais eficazes. Um país que, tivemos uma vez mais a certeza, fez pouco para se preparar para a devastação dos fenómenos climáticos extremos.
Com a ferida ainda aberta, importa saber o que aconteceu às pessoas e que custos os estragos ou a ausência do poder podem ter causado nas comunidades afectadas. A jornalista do PÚBLICO Paula Sofia Luz vive em Pombal e acompanhou a catástrofe desde o princípio. No primeiro dia, recordava a sua experiência assim: “Às 3 horas da manhã a chuva em Pombal era tão intensa que me trouxe à memória a enxurrada de 2006, quando aqui percebemos que, afinal, o nosso maior medo só era o fogo até percebermos o quanto pode a água. Sabemos agora que é o vento, afinal, o mais perigoso”.
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