147 episódios
- #147 – Você sabe: o vício da nossa era são as telas. Eu, como a maioria, passo mais tempo diante de um celular do que seria razoável.
Fui verificar: 4 horas e 10 minutos por dia. São quase 30 horas semanais. É uma jornada de trabalho dedicada às Big Techs, que investiram volumes vultuosos (retirados de nós, é claro) para tornar a “experiência mais imersiva”. Trinta horas semanais que poderiam ser dedicadas ao convívio, à contemplação, ao descanso dos olhos e do pensamento, ao devaneio puro e simples. Ou à escrita e à leitura.
Fui fazer essa conta. Se eu dedicasse metade desse tempo aos livros – que é o que eu fazia quando era mais jovem – 15 horas vezes 25 páginas por hora – isso renderia a leitura de mais de 70 livros por ano.
Eu, que já leio por volta de quarenta livros por ano, fico imaginando: imagine o efeito que isso teria sobre a nossa criatividade, o nosso repertório, nossa familiaridade com a língua. É o que temos sacrificado – é uma capacidade cognitiva, afetiva, social que está fazendo falta diante dos desafios de um tempo como um nosso.
Será que a melancolia, a lentidão de pensamento, uma certa confusão mental, uma dificuldade em tomar decisões, em ser assertivo, não estaria ligado ao excesso de tela? Não seria esse O remédio para muitos dos nossos males?
Fiz um experimento. Resolvi bancar o desafio. Durante dez dias, procurei trocar o tempo de tela por mais tempo de página. Mais especificamente, de duas a três horas por dia.
Confira como foi ouvindo o novo episódio do Prelo!
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Na verdade, ele nunca foi embora de todo. Na pandemia, enquanto alguns assistiam a lives de banquinho & violão, outros se distraíam com transmissões ao vivo de longas campanhas fantásticas, onde elfos, druidas, anões e paladinos partiam em missões super arriscadas, masmorras adentro.
É um universo imenso, que envolve cartões, tabelas e tabuleiros, um álbum de lembranças nostálgicas dos anos oitenta e noventa cheias de anglicismos – The Legend of Zelda, Final Fantasy, Ravenloft, DarkSun, Dragonlance –, e inclui dados de vinte lados, miniaturas que foram de chumbo e hoje são impressos em resina. Os livros que se desdobram desses universos são verdadeiros catataus e costumam andar em série. Quem curte fantasia lê, e lê muito.
Para muitos de nós, antes da grande literatura havia um outro mundo que nascia da infância e se expandia em universos fantásticos, míticos e utópicos. Mais real que a realidade, ele carregava as contradições desta. Mas não ligávamos para isso. Ela bebeu do faz-de-conta, da inocência, mas também do teatro, do desenho, da História e das mitologias. E hoje ele é uma diversão não apenas para meninos adolescentes, mas para gente de todo gênero e idade.
No papo dessa semana, conto um pouco como o RPG – mais especificamente, exercer o papel de DM (Dungeon Master) me ajudou a começar a escrever, e em que medida o retorno da fantasia pode te ajudar a escrever os seus livros.
Na segunda parte do episódio, a gente vai falar sobre um traço dos personagens e que é, ao mesmo tempo, um traço humano: a agressividade em sua relação com o conflito na trama. E vamos, para isso, fazer uma análise da trama de "O senhor das moscas", clássico de William Golding. Sem dar nenhum spoiler, prometo.
Faça parte da comunidade: https://escritacriativa.net.br/comunidade - #145 – Há poucos dias, voltei de uma viagem a Dublin, na Irlanda, onde fui convidado para falar sobre o meu livro novo, ainda inédito. O International Dublin Writers Festival durou um fim de semana, e foi realizado na Trinity College, uma universidade fundada em 1592, por onde passaram autores como Bram Stoker, Sally Rooney, Samuel Beckett e James Joyce.
Foi muito bacana falar em voz alta sobre o tema de um projeto que tem me ocupado há anos, e ainda por cima numa língua estrangeira. E foi igualmente interessante uma certa impressão de como os europeus e norte-americanos falam da literatura, discutem a publicação e perceber as diferenças e semelhanças conosco. Pensei em contar um pouco dessas diferenças para você.
O tema do ciclo foi “O futuro das histórias”, e discutiu-se amplamente alguns dos meios alternativos de narrativa. Na cidade que celebra os livros clássicos em pubs, parques, museus e murais – participei de conversas sobre narrativas em video-games, audiotours ficcionais, podcasting e, claro, da infiltração da famigerada inteligência artificial no meio literário. Pude falar com alguns dos maiores agentes literários do Reino Unido e dos Estados Unidos, e sendo o único autor latino-americano do evento, dei uma de agente infiltrado, e quero contar para você o que ouvi. - Hoje eu quero conversar com você sobre o jogo infinito da literatura. Como a gente pensar grande na hora de escrever? E, inversamente, como podemos pensar pequeno no processo de escrita?
Na segunda parte do episódio, falo sobre o que fazer quando terminamos de escrever um livro:
✅ Vamos conversar sobre a ansiedade da conclusão, e de como manejá-la.
✅ Das diferenças entre a primeira versão e a última do seu livro.
✅ De um recurso bastante simples para, uma vez concluído, voltar a enxergar o seu livro e lapidar-lhe sua forma final.
✅ Do movimento contínuo que relativiza princípios e fins. - Você conhece a abertura do romance de Tolstói, Anna Kariênina? É um clássico:
"Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira."
Acho que com os romances é o contrário: romances ruins se parecem. Cada bom romance é bom à sua maneira.
Existem, no entanto, quatro atributos que identifiquei ao longo de mais de quinze anos de leitura de originais, e que estão presentes em quase todos os bons livros.
São os seguintes:
Surpresa
Beleza
Falta/Fome
Singularidade
Se você quer saber no que consistem, e como aplicá-los a sua obra, você não pode perder esse episódio de Prelo.
Por último, mas não menos importante, fica um convite especial: entre os dias 27 de julho e 2 de agosto, vamos promover a Semana do Romance – O Primeiro Capítulo, uma semana de encontros ao vivo comigo, onde vou te ensinar os pormenores da escrita do romance, para que consiga entender os fundamentos da vida autoral, da estruturação da obra e do trabalho de estilo e linguagem. Você irá encontrar disciplina para escrever e contornar facilmente qualquer tipo de bloqueio criativo que advenha no caminho.
Clique agora no link para se inscrever: https://escritacriativa.net.br/lp/o-primeiro-capitulo-1/
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Sobre Prelo
Prelo apresenta os recursos e reflexões para que escritores possam construir uma disciplina autoral, escrever o seu livro e publicar da melhor maneira possível. Se você nutre o desejo de escrever uma obra de ficção ou não-ficção: um romance, um livro de contos, uma peça de jornalismo literário, um ensaio, uma saga distópica, a narrativa de uma viagem, uma obra infantojuvenil ou um projeto autoficcional – ou se já publicou uma obra e gostaria de sanar as lacunas de sua formação –, você está no lugar certo. Prelo é um podcast quinzenal com o escritor e professor de criação literária Tiago Novaes, autor de uma variedade de livros, finalista dos maiores prêmios literários e vencedor de uma série de bolsas de criação. Combinando entrevistas com grandes escritores, editores e críticos, reflexões pessoais, leituras e experiências concretas na literatura, Prelo oferece os caminhos para que você possa vencer as bolhas do mercado editorial, compreender os segredos da Escrita Criativa e construir o seu projeto ficcional – da ideia original à publicação, da inspiração ao cotidiano de um escritor em tempo integral. Clique agora no botão de inscrição e assuma o seu desejo de tornar-se uma escritora ou escritor.
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