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Mirante

Observatório Psicanalítico
Mirante
Último episódio

52 episódios

  • Mirante

    Emergência Climática: um Planeta Febril

    27/09/2026 | 1h 12min
    Há algum tempo, falar em mudanças climáticas parecia falar de um futuro que ainda estava por vir. Hoje, esse futuro chegou. Ele chega nas enchentes, nas secas prolongadas, nas ondas decalor, nos incêndios, na perda da biodiversidade e no deslocamento de populações inteiras.
    Não estamos diante de uma ameaça distante: estamos diante de uma transformação das próprias condições de vida no planeta.
    Mas há algo que nos intriga particularmente: se sabemos que estamos diante de uma emergência, por que continuamos vivendo como se não estivéssemos?
    Nós sabemos. As informações estão disponíveis, os cientistas alertam há décadas, os acontecimentos se repetem diante dos nossos olhos — e, ainda assim, muitas vezes continuamos vivendo como se nada estivesse acontecendo.
    É a partir dessas questões que queremos conversar hoje no Mirante. O que precisamos transformar em nossos modos de viver, desejar, consumir, produzir e imaginar o presente e o futuro?
    Para essa conversa, recebemos Fernanda Facchini, executiva da Natura, que trabalha diretamente com as questões climáticas, e Carlos Pires Leal, psicanalista da SBPRJ e um dos coordenadores da Comissão Psicanálise, Clima e Vida da FEBRAPSI.
  • Mirante

    A machosfera e a negação do feminino

    27/06/2026 | 1h 13min
    Nos últimos dias, a palavra machosfera voltou a circular com força, impulsionada pelo documentário de Louis Theroux naNetflix e também pelos debates sobre sua versão brasileira.
    Talvez não estejamos falando de um submundo marginal, nem apenas de uma curiosidade das redes. A machosfera parece ter se tornado uma pedagogia afetiva e política: ela ensina homens e meninos a interpretar o próprio sofrimento, oferece identidade, organiza o ressentimento e transforma o feminino em inimigo, ameaça ou objeto.
    Nessa direção, talvez seja interessante lembrar a reflexão da escritora estadunidense Ursula K. Le Guin, no ensaio Aficção como cesta: uma teoria. Em vez de organizar a experiência humana em torno do herói, da conquista e da arma, Le Guin chama atenção para aquilo que recolhe, contém e sustenta a vida: a cesta, o recipiente, o gesto de guardar,carregar, alimentar, cuidar. Sua leitura nos ajuda a perceber o quanto nossa cultura segue valorizando o que aparece, se impõe e conquista, em detrimento daquilo que sustenta silenciosamente a existência.
    Também hoje, a vida pública, a visibilidade e o reconhecimento tendem a valer mais do que o trabalho doméstico, o cuidado etudo aquilo que permanece nos bastidores da vida social. Andy Warhol previu os “quinze minutos de fama”; as redes sociais transformaram essa profecia em mandamento cotidiano. Multiplicam-se as publicações, a busca por curtidas, aaspiração a tornar-se conhecido, influente, monetizável. Nesse cenário, o espaço doméstico, o trabalho invisível e a dependência mútua aparecem cada vez mais como rebaixamento.
    Seria a machosfera uma resposta regressiva a esse mundo? O que ela promete restituir aos homens? Que sofrimento ela captura, e de que maneira o transforma em ressentimento, misoginia e fantasia de poder? E o que essa recusa do feminino revela sobre a nossa cultura hoje?
    Para pensar essas questões, convidamos a filósofa YaraFrateschi e o psicanalista Ignácio Paim.
  • Mirante

    Apagamentos e feminicídios: O sexual na polis

    17/04/2026 | 1h 34min
    No episódio anterior do Mirante, discutimos as relações de poder na psicanálise. Hoje, damos um passo adiante. Porque, quando o poder social se exerce sob a forma de misoginia, feminicídio, transfobia e ódio às diferenças, a pergunta que se impõe já não é apenas o que a psicanálise pensa sobre isso, mas o que ela faz com isso.
    Queremos interrogar justamente esse ponto em que sexualidade, cultura, violência e política se enodam. Vivemos um tempo em que o corpo das mulheres volta a ser capturado por discursos políticos que o reduzem à reprodução, em que a violência contra as mulheres se intensifica e em que a diferença sexual e de gênero se torna alvo de perseguição, medo e extermínio.
    A conversa de hoje parte também da leitura pública recente de um Manifesto de psicanalistas contra o feminicídio e da mobilização em torno de uma petição que convoca colegas a se posicionarem publicamente diante dessa violência.
    Esse gesto recoloca uma questão decisiva: haveria ainda lugar para uma psicanálise que se pretenda alheia à devastação do laço social? Ou seria justamente nesse ponto que sua responsabilidade ética mais se acentua?
    Para pensar essas questões, convidamos aspsicanalistas Rosane Pereira e Gizela Turkiewicz.
  • Mirante

    Relações de poder na Psicanálise

    27/03/2026 | 1h 25min
    A reflexão de Georges Bataille sobre o erotismo nos ajuda a pensar que a sexualidade toca sempre zonas de limite, interdição, transgressão e excesso. Talvez por isso mesmo,quando a sexualidade não é atravessada por uma elaboração ética, ela possa deslizar para formas de domínio, captura e objetificação do outro. Casos que nos chocam por seu caráter extraordinário também revelam algo de ordinário:cenas que se repetem em muitos espaços da vida social. E a psicanálise, como instituição, não está fora disso.
    Hoje, quando falamos em sexualidade, os temas do abuso, do assédio e da violência se impõem com força. Ao pensar, por exemplo, em casos como o de Epstein, falamos de umaarticulação estrutural entre sexualidade e poder.
    Neste episódio, queremos abrir um espaço de conversa sobre aquilo que o campo analítico muitas vezes hesita em nomear: abuso de poder, hierarquias de gênero, autoridade institucional, silêncio e responsabilidade.
    Para esta conversa, recebemos a filósofa e psicanalista Natália Leon e a psicanalista Juliana Lang.
  • Mirante

    Porque sou eu, porque é ele: histórias de paixão, amor e amizade

    20/02/2026 | 1h 13min
    O que é uma amizade?
     
    Essa pergunta persiste há algum tempo no Mirante. Emepisódios anteriores — como aqueles em que conversamos sobre “Casais, felizes para sempre?” — a amizade apareceu com força como condição para que um casal possa se constituir e, talvez, se sustentar no tempo.
     
    A célebre frase de Michel de Montaigne, "porque eraele, porque era eu" resume sua visão da amizade verdadeira com Étienne de La Boétie como um vínculo inexplicável, único e superior a relações familiares ou amorosas. No ensaio "Da Amizade", Montaigne a descreve como uma fusão de almas, desinteressada e baseada na afinidade eletiva, tornando arelação a "mais pura e singular de todas"
      
    A psicanálise, no entanto, nem sempre soube responderfacilmente a essa pergunta. Em alguns momentos, a amizade apareceu como um amor inibido, um afeto secundário, quase um resto. Em outros, ela foi pensada como uma experiência fundamental: aquela que sustenta a presença do outro semcaptura, sem fusão e sem utilidade imediata.
      
    Para essa conversa, convidamos os amigos Alex Cerveny,artista plástico, e Oswaldo Ferreira Leite Neto, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
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Sobre Mirante
Este é o MIRANTE, um podcast para ouvir psicanalistas e pensadores de outros campos debatendo temas relevantes no nosso cotidiano contemporâneo. O MIRANTE é do Observatório Psicanalítico e pertence à Federação Brasileira de Psicanálise (Febrapsi). Venha conosco nessa viagem de olhar o mundo a partir do mirante da psicanálise!
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