524 episódios
- Quase quatro décadas depois da queda do Muro de Berlim, o que explica a força desproporcional da Alternative für Deutschland (AfD) no leste do país? Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem dois convidados: Vinícius Bivar (UnB/OED), historiador que estuda a radicalização do partido desde 2013, e Andrea Dip (OED), jornalista investigativa radicada em Berlim e pesquisadora do Research Against Global Authoritarianism, cruzam suas leituras histórica e etnográfica sobre a legenda que hoje lidera as pesquisas eleitorais na Saxônia-Anhalt, com quase o dobro das intenções de voto da CDU.
Ao longo da conversa, os convidados discutem se a AfD ainda cabe no rótulo de direita radical populista ou se já opera como extrema-direita propriamente dita, reconstroem os expurgos internos que empurraram o partido mais à direita depois de 2015 e testam a tese do “muro na cabeça”, a persistência de uma divisão simbólica entre Alemanha Oriental e Ocidental que ajuda a explicar o avanço eleitoral do partido. No final, David Magalhães comenta A rebeldia tornou-se de direita?, do argentino Pablo Stefanoni (Editora da Unicamp), ensaio que serve de contraponto teórico direto ao debate sobre a cooptação da rebeldia pela ultradireita. Aperte o play!
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Participaram deste episódio: David Magalhães, Guilherme Casarões, Vinícius Bivar (UnB/OED) e Andrea Dip (OED)
Inserção musical no final: “The Day the Nazi Died”, Chumbawamba (1993)
Capa do episódio: The Guardian
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Citados no episódio
STEFANONI, Pablo. A rebeldia tornou-se de direita? Como o antiprogressismo e a anticorreção política estão construindo um novo sentido comum (e por que a esquerda deveria levá-los a sério). Campinas: Editora da Unicamp, 2022. Disponível aqui.
DIP, Andrea. Em nome de quem?: a bancada evangélica e seu projeto de poder. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
Capítulos:
00:00 — Introdução e apresentação dos convidados
07:00 — Direita radical ou extrema-direita? O enquadramento da AfD
14:00 — De partido ordoliberal a força antiimigração: a radicalização da AfD
26:00 — O “muro na cabeça”: por que a AfD é mais forte no Leste
38:00 — Da imigração ao custo de vida: a mudança no eleitorado da AfD
51:00 — O cordão sanitário contra a AfD ainda resiste?
01:00:00 — AfD, Trump e Rússia: a geopolítica ambígua da ultradireita alemã
01:11:00 — Dica cultural: “A rebeldia tornou-se de direita?”
The post Alternativa para quem? A ascensão da AfD na Alemanha appeared first on Chutando a Escada. - Há algumas semanas, dezenas de milhares de pessoas cruzaram de forma repentina a fronteira de Ceuta, o pequeno enclave espanhol cravado no norte da África, e as imagens tomaram as manchetes internacionais em meio a discursos de invasão e um verdadeiro pânico moral. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Nathaly Xavier Schutz (UNIPAMPA/UFSM), doutora em Ciência Política pela UFRGS, para ir além do sensacionalismo e entender as raízes históricas da presença espanhola em Ceuta e Melilla, a doutrina do Grande Marrocos e o modo como o controle fronteiriço se tornou moeda de barganha geopolítica entre Rabat, Madri e Bruxelas.
A conversa percorre a diferença entre jovens marroquinos, migrantes subsaarianos e refugiados que usam o Marrocos como rota para a Europa, a desinformação que motivou a travessia em massa e o modo como a extrema direita europeia, de Vox a Giorgia Meloni, instrumentalizou a crise para reforçar o discurso antiimigração. Nathaly também analisa a política da Fortaleza Europa, que terceiriza o controle migratório para países do norte da África, e defende que a própria Europa não teria como se sustentar sem a mão de obra imigrante que tanto teme. Aperte o play.
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Participaram deste episódio: Filipe Mendonça, Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) e Nathaly Xavier Schutz (UNIPAMPA/UFSM).
Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts.
Capítulos:
00:00:00 — Abertura e pedido de apoio
00:06:00 — Ceuta e Melilla: dois enclaves espanhóis na África
00:16:00 — Saara Ocidental e a doutrina do Grande Marrocos
00:20:00 — Colapso de segurança ou vista grossa marroquina?
00:27:00 — A fronteira como arma de barganha geopolítica
00:41:00 — Como a extrema direita instrumentalizou a crise
00:54:00 — Fortaleza Europa: terceirizar o controle migratório
01:09:00 — O futuro de Ceuta e o que a União Europeia precisa mudar
The post Muito além do pânico: a verdade sobre a crise de Ceuta appeared first on Chutando a Escada. - Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Rússia e América Latina (Ruslat), Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Victoria Echeverría de Carvalho (CNI/CICRAL) e Raquel Abuin Siphone (CICRAL) para apresentar os principais achados do Cuaderno Latinoamericano de Cooperación Estratégica con Rusia, lançado em julho pelo Centro de Integração e Cooperação Rússia-América Latina. A conversa mostra como o Brasil trata a relação com Moscou como política de Estado, enquanto a Argentina oscila a cada mudança de governo, e revela uma dependência estrutural de fertilizantes russos que atravessa quase toda a região latino-americana, ao lado de uma dimensão sociohumana marcada pela heterogeneidade entre cultura, educação e esporte.
No segundo bloco, Giovana Dias Branco (Ruslat) e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat) trazem o boletim de julho e agosto, da visita de Nikolai Patrushev ao Brasil e das propostas de cooperação naval e nuclear até a crise política na Ucrânia após a saída do ministro Mykhailo Fedorov. Para fechar, no quadro Outros Olhares, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Vera Gers Dimitrov (Grupo Volga de Folclore Russo) sobre a alma russa e sua presença na diáspora russa no Brasil.
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Participaram deste episódio: Filipe Mendonça, Daniela Vieira Secches, Victoria Echeverría de Carvalho, Raquel Abuin Siphone, Giovana Dias Branco, Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, Laura Schneider de Lima e Vera Gers Dimitrov.
Inserção musical no final: interpretação de Sarah Hester Ross.
Capa do episódio: Foto: Divulgação/Palácio do Planalto
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Citados no episódio
CICRAL – Centro de Integração e Cooperação Rússia-América Latina. Cuaderno Latinoamericano de Cooperación Estratégica con Rusia. 2026. Disponível em: https://cicral.com/cuaderno-latinoamericano/.
GOMIDE, Bruno Barretto (org.). Antologia do Pensamento Crítico Russo (1802-1901). São Paulo: Editora 34, 2013. Mencionado em entrevista.
GOGOL, Nikolai. Almas Mortas. Mencionado em entrevista.
LYSENKO, Valentina. Alma Russa, Terra Brasileira. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/alma-russa-terra-brasileira-1AH-5920-000. Mencionado em entrevista.
Capítulos:
00:00 — Abertura: boas-vindas, chamada de apoio e panorama do episódio
06:00 — Boletim Ruslat: o lançamento do Caderno Latino-Americano de Cooperação Estratégica com a Rússia
09:00 — Dimensão econômica: fertilizantes, BRICS e a diferença Brasil-Argentina
16:00 — Dimensão sociohumana: cultura, educação e esporte nas relações Rússia-América Latina
27:00 — Desafios e caminhos para aprofundar a cooperação
37:00 — Conexão Rússia-América Latina: a visita de Patrushev ao Brasil e a cooperação naval e nuclear
42:00 — Conexão Rússia-América Latina: a crise política na Ucrânia e o atentado em Moscou
49:00 — Outros Olhares: a alma russa com Vera Gers Dimitrov
The post Rússia e América Latina: Fertilizantes, Diplomacia e a Alma Russa appeared first on Chutando a Escada. - Keiko Fujimori em comício de campanha, Peru, 2026. Foto: Renato Pajuelo/EFE.
O que a vitória de Keiko Fujimori no Peru e a de Abelardo de la Espriella na Colômbia têm em comum com mais de duzentos anos de política externa americana para a região? Para Carolina Silva Pedroso, professora adjunta na Unifesp e pesquisadora vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), a resposta está na ideia da América Latina como “quintal dos Estados Unidos”. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Carolina para discutir a nova onda da direita radical na região, os mitos que cercam a Venezuela chavista, entre eles a suposta fraude sistemática nas urnas eletrônicas, e a forma como o apoio explícito de Washington tem funcionado como variável interveniente no fortalecimento dessas lideranças.
No bloco de notícias, David percorre seis frentes do avanço da ultradireita global, da disputa entre Jordan Bardella e Marine Le Pen pela candidatura do Rassemblement National na França à defesa do gás russo feita por Alice Weidel, da AfD alemã, passando pela viagem transnacional da senadora australiana Pauline Hanson ao Reino Unido, pelo mainstreaming dos Democratas Suecos, pelo fracasso de um projeto de perda de nacionalidade em Portugal e pela relação entre futebol e o passado ustacha na Croácia. E ainda tem, no último bloco, dica cultural com a minissérie O Complô Contra a América, de David Simon. Aperte o play!
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Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU/OED), Guilherme Casarões (FIU/OED) e Carolina Silva Pedroso (Unifesp/INCT-INEU).
Inserção musical no final: “The Day They Died”, de Sarah Hester Ross.
Capa do episódio: Keiko Fujimori em comício de campanha, Peru, 2026. Foto: Renato Pajuelo/EFE.
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Citados no episódio
ROTH, Philip. The Plot Against America. Boston: Houghton Mifflin, 2004.
SIMON, David (criador). The Plot Against America [O Complô Contra a América]. HBO, 2020. Minissérie.
LEWIS, Sinclair. It Can’t Happen Here [Isso Não Pode Acontecer Aqui]. Nova York: Doubleday, Doran & Company, 1935.
Capítulos:
00:00 — Introdução
04:00 — A direita radical na Venezuela e a diáspora de Miami
14:00 — O “espantalho perfeito”: mitos, narcoestado e urnas eletrônicas
26:00 — O quintal dos Estados Unidos e a política de Trump para a América Latina
36:00 — Peru: a quarta tentativa de Keiko Fujimori
45:00 — Colômbia: o Uribismo 2.0 de Abelardo de la Espriella
54:00 — Boletim OED: França, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Portugal e Croácia
1:11:00 — Dica cultural: O Complot Contra a América
The post A nova onda da direita radical na América Latina appeared first on Chutando a Escada. - Em 2025, o Uzbequistão conquistou a primeira vaga da história de um país da Ásia Central em uma Copa do Mundo, um feito que o governo de Shavkat Mirziyoyev rapidamente incorporou à narrativa do “novo Uzbequistão”. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Guilherme Geremias da Conceição (UNESP/CIRE), um dos maiores especialistas brasileiros no país, para usar essa classificação como ponto de partida de uma leitura de longo prazo sobre o Uzbequistão contemporâneo.
Guilherme percorre dois mil anos de história da região, da Rota da Seda ao império de Tamerlão, até a delimitação nacional soviética de 1924, que deu origem ao Uzbequistão como Estado. A conversa revisita a política externa de Islam Karimov, guiada por um único princípio, a defesa da soberania recém-conquistada, mesmo ao custo de aproximações e afastamentos sucessivos entre Moscou, Washington e Pequim. Já sob Mirziyoyev, o país transformou sua condição de duplamente sem litoral, característica que divide apenas com o Liechtenstein, em estratégia diplomática deliberada, equilibrando simultaneamente Rússia, China, Estados Unidos, Turquia, União Europeia e os países do Golfo. Aperte o play.
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Participaram deste episódio: Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) e Guilherme Geremias da Conceição (UNESP/CIRE).
Capa do episódio: Reuters
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Capítulos:
00:00 Abertura e a vaga inédita do Uzbequistão na Copa do Mundo
04:00 Apresentação do convidado e o significado da classificação
11:00 Onde fica o Uzbequistão e por que a região foi sempre disputada
18:00 Da Rota da Seda a Tamerlão, dois mil anos antes da URSS
24:00 A criação soviética do Estado uzbeque em 1924
36:00 Independência e o pragmatismo de Islam Karimov
47:00 Andijan e os limites da política externa isolacionista
58:00 Mirziyoyev e a diplomacia multivetorial entre grandes potências
The post Uzbequistão entra em campo appeared first on Chutando a Escada.
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