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Chutando a Escada

Filipe Mendonça e Geraldo Zahran
Chutando a Escada
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    81 anos depois: Rússia, Brasil e a memória da Segunda Guerra

    14/05/2026
    O que sobrou, 81 anos depois, da Grande Guerra Patriótica para a Rússia, do desembarque da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo para o Brasil e do legado de Yalta para a ordem internacional contemporânea? Neste episódio em parceria com o Observatório Rússia e América Latina, Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Mariana da Gama Janot (INCT-Ineu) e Valdir da Silva Bezerra (@o_russianista), mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo e organizador, com Boris Zabolotsky, do livro 80 Anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica (Blucher, 2025). A conversa atravessa a contribuição massiva (e hoje contestada) da União Soviética para a derrota do nazifascismo, a entrada do Brasil no conflito a partir das contradições do Estado Novo e o modo como a memória da guerra foi mobilizada, na era Putin, para preencher o vácuo de identidade aberto pelo colapso soviético.

    No bloco de notícias, Giovana Dias Branco e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, pesquisadores do Ruslat, repercutem o mês de abril: a reaproximação Rússia-Cuba em meio à crise energética da ilha, a suspensão temporária das exportações de fertilizantes russos e seu impacto sobre o agronegócio brasileiro, o relatório sobre o treinamento de mais de mil criadores de conteúdo latino-americanos com participação da RT em espanhol, e a Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0), projeto bipartidário que tenta requalificar o Grupo Wagner e seus sucessores como organizações terroristas no contexto da intervenção dos EUA na Venezuela. No último bloco, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Boris Zabolotsky (Unifacs) sobre a insegurança ontológica da Rússia no pós-Guerra Fria e indica três filmes incontornáveis para pensar a guerra sem glorificá-la. Aperte o play.

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    Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC Minas / Ruslat), Valdir da Silva Bezerra (Ruslat), Mariana da Gama Janot (Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas), Giovana Dias Branco (Ruslat), Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (Ruslat), Laura Schneider de Lima (Ruslat) e Boris Zabolotsky (Universidade Salvador – Unifacs / Ruslat).

    Capa do episódio: “Raising a flag over the Reichstag”, Yevgeny Khaldei, 2 de maio de 1945.

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    Citados no episódio

    BEZERRA, Valdir da Silva; ZABOLOTSKY, Boris (orgs.). 80 anos da vitória na Grande Guerra Patriótica: memória, reconstrução e perspectivas. São Paulo: Blucher, 2025. Disponível em: https://www.blucher.com.br/bezerra-zabolotsky-os-80-anos-da-vitoria-na-grande-guerra-patriotica-memoria-reconstrucao-e-perspectivas.

    FERRAZ, Francisco César Alves. A guerra que não acabou: a reintegração social dos veteranos da Força Expedicionária Brasileira (1945-2000). 2003. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001295507.

    VAÏSSE, Maurice. As relações internacionais desde 1945. Lisboa: Edições 70. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/as-relacoes-internacionais-desde-1945-HLQ-9833-000-BK.

    ESTADOS UNIDOS. Congresso. Câmara dos Representantes. Holding Accountable Russian Mercenaries Act 2.0 (HARM Act 2.0). Projeto de lei bipartidário, 2026. Disponível em: https://joewilson.house.gov/sites/evo-subsites/joewilson.house.gov/files/evo-media-document/wilssc_082_xml-20.pdf.

    KLIMOV, Elem (dir.). Vá e veja [Idi i smotri]. URSS: Mosfilm; Belarusfilm, 1985. 142 min.

    ROMM, Mikhail (dir.). O fascismo cotidiano [Obyknovennyy fashizm]. URSS: Mosfilm, 1965. 130 min. Documentário.

    BALAGOV, Kantemir (dir.). Uma mulher alta [Dylda]. Rússia: Non-Stop Production, 2019. 137 min.

    ASSAYAS, Olivier (dir.). O mago do Kremlin [The Wizard of the Kremlin]. França/Reino Unido, 2025. Mencionado em entrevista.

    Capítulos

    00:00 — Abertura: 81 anos do fim da Segunda Guerra Mundial

    00:04 — Valdir Bezerra: a Grande Guerra Patriótica e o legado soviético contestado

    00:10 — Mariana Janot: Estado Novo, FEB e a memória disputada da participação brasileira

    00:18 — Era Putin: memória, identidade nacional e renascimento militar

    00:24 — O Brasil hoje: defesa, paz e o legado contra o fascismo 00:31 — Boletim Ruslat: Cuba, fertilizantes e a guerra informacional

    00:37 — Leonardo Nascimento: Grupo Wagner, Venezuela e a geoeconomia do petróleo

    00:44 — Boris Zabolotsky: insegurança ontológica, América Latina e três filmes contra a glorificação

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    EUA x China: A luta pelo poder global

    08/05/2026 | 33min
    Para entender a disputa entre Estados Unidos e China é preciso recuar até 1776. Essa é a tese de Pedro Costa Jr., editor de Geopolítica e Relações Internacionais do jornal GGN, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e autor do recém-lançado Estados Unidos versus China, a luta pelo poder global, publicado pela Editora Escuta. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos, Tatiana Teixeira, editora-chefe do OPEU, e Yasmin Reis, pesquisadora do OPEU e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa Interinstitucional Santiago Dantas, recebem Pedro para uma conversa que articula teoria do poder global, história de longa duração e conjuntura contemporânea.

    A entrevista atravessa o encontro secreto entre Henry Kissinger e Zhou Enlai em 1971, a histórica visita de Nixon a Mao Tse Tung em 1972, o trauma do Vietnã, a reforma e abertura conduzida por Deng Xiaoping, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio em 2001, o pivô fracassado de Barack Obama para a Ásia e o consenso bipartidário em Washington em torno da contenção global da China. Pedro discute por que Washington despertou tarde demais para o que Giovanni Arrighi chamou de transferência da fábrica e do cofre do mundo do Atlântico para o Pacífico e o que a aliança sem limites entre China e Rússia, firmada vinte dias antes da invasão da Ucrânia, sinaliza sobre o fim da velha ordem mundial liberal. Aperte o play.

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    Participaram deste episódio: Tatiana Teixeira (OPEU), Yasmin Reis (OPEU; PPGRI Santiago Dantas), Pedro Costa Jr. (GGN; USP).

    Capa do episódio: FT

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    Citados no episódio

    ANDERSON, Perry. “Balanço do neoliberalismo”. In: SADER, Emir; GENTILI, Pablo (orgs.). Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

    ARRIGHI, Giovanni. O longo século XX: dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

    ARRIGHI, Giovanni. Adam Smith em Pequim: origens e fundamentos do século XXI. São Paulo: Boitempo, 2008.

    ARRIGHI, Giovanni; SILVER, Beverly J. Caos e governabilidade no moderno sistema mundial. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.

    COSTA JR., Pedro. Estados Unidos versus China: a luta pelo poder global. São Paulo: Editora Escuta, 2025.

    FUKUYAMA, Francis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

    HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

    KAGAN, Robert. The World America Made. New York: Knopf, 2012.

    KISSINGER, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

    VELASCO E CRUZ, Sebastião C. Os Estados Unidos no desconcerto do mundo. São Paulo: Editora Unesp, 2010.

    WALLERSTEIN, Immanuel. O declínio do poder americano. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.

    Capítulos:

    00:00 Introdução e apresentação do convidado

    02:30 Por que os anos 1970 são o ponto nevrálgico da relação sino-americana

    09:00 De fábrica a cérebro do mundo, a transferência geoeconômica para o Pacífico

    17:00 A viagem secreta de Kissinger e o jantar com Mao Tse Tung

    27:00 O atropelo diplomático, o tempo milenar do império do meio

    40:00 A janela perdida, por que os Estados Unidos não pararam a China em 1989

    55:00 O consenso bipartidário em Washington pela contenção da China

    1:01:00 A aliança sem limites entre Pequim e Moscou e o fim da velha ordem liberal

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  • Chutando a Escada

    A vitória de Péter Magyar na Hungria

    30/04/2026 | 1h
    Em abril de 2026, depois de 16 anos no poder, Viktor Orbán foi derrotado nas urnas húngaras pelo deputado Péter Magyar e seu partido Tisza. Para Aline Burni, Research Fellow no ODI Global (Bruxelas) e pesquisadora do Observatório da Extrema Direita, o resultado é histórico. Mas o desafio de desmontar a “democracia iliberal” construída ao longo de quatro mandatos consecutivos é incomparavelmente mais complexo do que vencer uma eleição. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema Direita, David Magalhães (UFU; OED) e Guilherme Casarões (FIU) recebem Aline para discutir o legado de Orbán como “vitrine” e laboratório da direita radical, a coalizão negativa que viabilizou a vitória de Magyar e os impactos da queda do principal aliado de Moscou na União Europeia sobre a guerra na Ucrânia, as redes transnacionais reacionárias e a articulação geopolítica entre Trump, Bruxelas e Pequim.

    No segundo bloco, em substituição ao tradicional boletim de notícias, David traça um perfil de Peter Thiel após sua visita a Javier Milei na Casa Rosada, recorrendo a Quinn Slobodian (Crack-Up Capitalism) para situar o cofundador da Palantir na constelação de figuras (Patri Friedman, Curtis Yarvin, Hans-Hermann Hoppe) que pavimentam um projeto de “fuga da democracia” pela via da fragmentação jurisdicional. O episódio fecha com uma dica cultural crítica sobre Por Dentro da Machosfera, documentário recém-lançado na Netflix por Louis Theroux. Aperte o play!

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    Participaram deste episódio: Aline Burni (ODI Global; OED), David Magalhães (UFU; OED), Guilherme Casarões (FIU).

    Inserção musical no final: “The Day the Nazis Died”, interpretação de Sarah Hester Ross.

    Capa do episódio: Cepa.org

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    Citados no episódio:

    HOPPE, Hans-Hermann. Democracia: O Deus que Falhou — A economia e a política da monarquia, da democracia e da ordem natural. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2014.

    POR DENTRO da Machosfera. Direção: Louis Theroux. Estados Unidos/Reino Unido: Netflix, 2026. Documentário (streaming).

    SLOBODIAN, Quinn. Crack-Up Capitalism: market radicals and the dream of a world without democracy. New York: Metropolitan Books, 2023.

    THIEL, Peter. The Education of a Libertarian. Cato Unbound, 13 abr. 2009. Disponível em: https://www.cato-unbound.org/2009/04/13/peter-thiel/education-libertarian/

    Capítulos:

    00:00 Introdução

    03:00 Aline Burni: o legado de 16 anos de Viktor Orbán

    09:00 Por que o modelo iliberal ruiu nas urnas

    14:00 A coalizão negativa por trás de Péter Magyar

    21:00 Reconstruir a democracia: os obstáculos institucionais

    26:00 A internacional reacionária sem o Orbán

    37:00 Quem é Peter Thiel? Perfil de um arquiteto antidemocrático

    55:00 Dica cultural: Por Dentro da Machosfera

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  • Chutando a Escada

    O Japão que não pode dizer não

    16/04/2026 | 1h 20min
    Em 2026, Donald Trump acusou o Japão de não ter participado da guerra contra o Irã — e na mesma cúpula bilateral evocou Pearl Harbor para responder a uma pergunta da primeira-ministra Sanae Takaichi. O Japão, que havia concordado em investir 550 bilhões de dólares nos Estados Unidos para evitar tarifas ainda mais severas, ouvia em silêncio. A quarta maior economia do mundo, cercada pela China, pela Rússia e pela Coreia do Norte, encontra-se estruturalmente incapaz de contrariar Washington. A pergunta que este episódio tenta responder é: como um país chega a esse ponto?

    Para entender o Japão de hoje, é preciso recuar até 1945. Com Jojô Neto (PUC-MG), percorremos o arco que vai da ocupação americana e da constituição pacifista redigida pelas forças de MacArthur, passando pela ascensão econômica japonesa e o pânico que ela gerou em Washington nos anos 1980 e 1990, até a guinada nacionalista deflagrada pelas declarações Kono e Murayama sobre as chamadas “mulheres de conforto”, o surgimento de grupos como o Nippon Kaigi, e a consolidação do revisionismo histórico como ferramenta política sob Shinzo Abe, cujo legado ambíguo ainda define os termos do debate político japonês.

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    Participaram deste episódio: Filipe Mendonça (UFU/AIA-NRW) e Jojô Neto (PUC Minas)

    Inserções de áudio: Guardian Australia  | Bloomberg

    Capa do episódio: Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), outubro de 2025

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    Capítulos:

    00:00 — O Japão que não pode dizer não: conjuntura e abertura

    00:07 — O Japão do pós-guerra: ocupação americana e nova constituição

    00:17 — O pacifismo como projeto de poder

    00:24 — O Japão Imperial: anticolonial mas não decolonial

    00:30 — Ascensão econômica e o “perigo amarelo”

    00:42 — Os anos 1990: fim da Guerra Fria e guinada nacionalista

    00:45 — As declarações Kono e Murayama e as “mulheres de conforto”

    00:53 — Koizumi, Yasukuni e a extrema direita japonesa

    00:57 — Shinzo Abe: dos dois mandatos ao legado ambíguo

    01:15 — Abenomics, Cool Japan e o fim do governo Abe

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  • Chutando a Escada

    Tempo de Cavalos Bêbados (e Petróleo): o Irã, a Rússia e a América Latina

    09/04/2026 | 1h 6min
    Em seu segundo encontro com o Chutando a Escada em 2026, o Observatório Rússia e América Latina (Ruslat) se debruça sobre as conexões entre a política externa russa, o continente latino-americano e o acirramento das tensões no Oriente Médio, com foco particular na guerra no Irã. Conduzido por Daniela Secches, o episódio reúne sete pesquisadores em três blocos, traçando um panorama que vai da intervenção russa na Síria em 2015 ao reposicionamento de Moscou via Cuba em 2026.

    O episódio debate o papel das comunidades da diáspora médio-oriental na América Latina, a polarização política em torno do conflito israelo-palestino, a diplomacia nuclear da Rosatom e, para encerrar, a civilização iraniana em perspectiva histórica e cultural, com sugestões de leituras e filmes para quem quer compreender o Irã para além da conjuntura imediata.

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    Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC-MG), Guilherme Casarões (FIU), Danielle Makio (UNESP/UNICAMP/PUC-SP); Leonardo Nascimento (PUC-MG); Giovana Branco (USP); Laura Schneider (PUC-MG); Danny Zahreddine (PUC-MG; GEOMM).

    Inserção musical no final: Tempo de Cavalos Bêbados

    Capa do episódio: Plano crítico

    Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts.

    Citados no episódio:

    GHOBADI, Bahman (dir.). Tempo de Cavalos Bêbados. Irã: Bahman Ghobadi Productions, 2000. 80 min.

    KHAYYAM, Omar. Rubaiyát. [Séc. XI]. Tradução disponível em diversas edições.

    Capítulos:

    00:00 — Abertura

    02:00 — Introdução ao episódio

    05:00 — Rússia e Oriente Médio: da Síria ao Irã

    13:00 — América Latina e Oriente Médio: história e contexto

    30:00 — América Latina diante do conflito israelo-palestino e da questão iraniana

    40:00 — Diplomacia nuclear russa e a América Latin

    46:00 — Rússia e Cuba: petróleo e reposicionamento estratégico

    50:00 — Civilização iraniana: história, cultura e sugestões

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