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    No cinema americano quanto mais quente melhor

    10/07/2026 | 39min
    Quais são os filmes mais quentes do cinema norte-americano? Há ondas de calor na tela pelo menos desde os anos 50 do século passado. Mas se nesse tempo de alguma inocência, elas libertam — as pernas de Marilyn quando o seu vestido branco é levantado pelo ar do respiradouro do metro em O Pecado Mora ao Lado —, em tempos de maior tensão, elas oprimem: veja-se, já nos anos 90, a fúria de um homem vulgar numa cidade que lhe é hostil, o Michael Douglas de Um Dia de Raiva.
    Há calor que traz os segredos para onde podem ser vistos por todos, como em Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, e calor que faz os ódios acumulados explodirem nas ruas, como o de Não Dês Bronca, de Spike Lee ou o de Um Dia de Cão, de Sidney Lumet, com Al Pacino num falhado assalto a um banco num dia de calor excepcional.
    Nos filmes adaptados de peças de Tennessee Williams, é o calor sufocante do Sul dos Estados Unidos que molda os conflitos. O corpo suado de Marlon Brando em Um Eléctrico Chamado Desejo é a imposição de um lado selvagem contra o frágil verniz social da cunhada, a Blanche Dubois de Vivien Leigh. Em Gata em Telhado de Zinco Quente, os conflitos familiares explodem mas o cinema, esse meio de massas, não pode ir tão longe quanto a escrita de Tennessee Williams e, por isso, a homossexualidade de Brick, a personagem de Paul Newman, é apenas sugerida — tal como a possibilidade de infidelidade de Richard Sherman (Tom Ewell) de O Pecado Mora ao Lado não passará de uma fantasia nunca concretizada.
    O calor opressivo — de diversas formas — do Sul é diferente das temperaturas escaldantes de cidades como Los Angeles ou Nova Iorque. Mas ambos marcam no nosso imaginário essa América criada pelo cinema. Neste episódio do No Escuro, a partir de um Portugal que enfrenta uma onda de calor, perguntamos o que nos querem dizer os filmes em que os termómetros não param de subir.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo: #levantemoraboevaoaocinema
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  • No escuro

    Muitos dos melhores filmes do ano são feitos por mulheres. "L’ Aventura" confirma-o

    03/07/2026 | 37min
    Para Vasco Câmara, este filme - L'Aventura, da realizadora francesa Sophie Letourneur - é "um dos acontecimentos cinematográficos do ano em Portugal". Foi, por isso, para nós o ponto de partida para uma conversa sobre o cinema realizado por mulheres e a forma como, não só este ano mas este ano de uma maneira muito evidente, nos tem trazido algumas das melhores surpresas.
    No caso deste filme, o Verão, mas um Verão, em viagem por Itália, colado à pele das pequenas coisas que são as férias: crianças que fazem birras, quartos alugados que não são o que se esperava, uma filha mais velha que exige atenção, a decisão de onde se vai comer, o que se vai comer, a que praia se vai, tudo o que corre mal, e também o que corre bem, os momentos de tédio e, de repente, algo que os faz rir todos juntos. E, no meio disto, um casal (ela é a própria Sophie Letourneur, ele é o actor e músico Philippe Katherine) que se vai afastando. Nada de dramático. A vida, afinal. Mas não é fácil filmá-la assim, tão perto do que é a banalidade do quotidiano, e é isso que torna o trabalho de Sophie Letourneur tão extraordinário - antes deste filme houve outro, Voyages en Italie (2023) também as férias, também Itália, o mesmo casal, outro momento.
    Little Trouble Girls também está nas salas e também foi realizado por uma mulher, a eslovena Urska Djukic, sobre mulheres, neste caso sobre raparigas, meninas de coro (literalmente) às voltas com o corpo e o desejo. Aqui, temos a música como manifestação de um corpo (individual e, depois, colectivo), as perguntas, a fé (das outras), as traições, a culpa, o aprender a crescer, a descoberta de que se é uma pessoa de corpo inteiro. Mais um pretexto, a juntar ao filme de Sophie Letourneur, para nos interrogarmos sobre o que é isso de um cinema de mulheres, feminino - se é que faz sentido a pergunta. Não fugimos dela neste episódio 24 do No Escuro.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Terror No Escuro: porque é que gostámos de "Obsessão" e não gostámos de "Backrooms"?

    26/06/2026 | 34min
    Quarenta anos depois, Terror na Auto-Estrada, de Robert Harron, em nova cópia 4 K regressa às salas. E o muito ambíguo encontro entre um virginal C. Thomas Howell e um apolíneo Rutger Hauer, na paisagem americana, que foi um êxito-surpresa no ano de 1986.
    Como quem não quer a coisa... custou alguns tostões, fez milhões. E fez medo. Tornou-se um filme de culto. Está imaculado, asseguramos. Vale a pena experimentar a solidão na auto-estrada, o céu ilimitado e a chuva em ecrã grande. E depois regressar a casa ao som de Riders on the Storm, dos Doors, e a pensar: que bem ainda se filmava nos anos 80!
    Um antepassado, mutatis mutandis, de Backrooms - O Labirinto, de Kane Parsons, e de Obsessão - A felicidade é relativa, de Curry Barker, que foram realizados por dois muito jovens cineastas que saltaram do Youtube para o ecrã de cinema, e que estão a constituir um êxito em todo o mundo, Portugal incluído, ultrapassando nas bilheteiras franchises como o último Star Wars.
    Pelos dados da proposta, facilmente se conclui que o mundo não é de facto o mesmo, o cinema muito menos, e que hoje se sobrepõe a tudo as leituras do "fenómeno". É um círculo com algo infernal em que a atenção cria a atenção, e o jornalismo e a crítica se transformam em câmara de eco.
    Há anos que se diz que o cinema de terror é o género que sobrevive ao abandono das salas pelos espectadores, os mais jovens sobretudo, e estes estão de facto a acorrer a Backrooms e a Obsessão. Assim sendo, o que interessa se os filmes são interessantes ou não? Ainda há espaço para falar disso?
    Interessa. A nós interessa.
    Propomos, então, neste episódios de No Escuro não ignorar o fenómeno sociológico mas tratar da coisa cinematográfica. Ligar, por exemplo, Terror na Auto-Estrada a Obsessão, que constituiu de facto uma surpresa pelo cinema de outros tempos que tem dentro.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden DesertThe Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Como com Lennon e McCartney, entre Truffaut e Godard é preciso escolher?

    19/06/2026 | 46min
    Em 2005, a Cinemateca Portuguesa dedicou uma retrospectiva integral à obra de François Truffaut (1932-1984). Vinte anos depois, irradiando a partir do Cinema Trindade no Porto para o Nimas em Lisboa, uma “quase integral” – faltam dois filmes - volta a trazer às salas portuguesas um nome que fazia os espectadores deslocarem-se (a um já desaparecido cinema Londres, em Lisboa, por exemplo) para verem o “novo filme de…”
    Seria O Último Metro ou A Mulher do Lado, ou Finalmente Domingo! (e Truffaut morreu a um domingo…). Foram os títulos finais da sua obra, ele que cedo demais foi levado por um tumor no cérebro. Quando morreu, tinha contribuído para a indústria cinematográfica francesa com a “invenção” do filme de autor popular.
    É (também) por isso que François Truffaut é hoje um nome razoavelmente esquecido pela cinefilia, que entretanto santificou o seu compagnon de route tornado irmão desavindo chamado Jean-Luc Godard? Um é o conservador, o outro o radical?
    Numa primeira abordagem a – assim se chama o ciclo - Ao Sol da Nouvelle Vague (é todo o Truffaut, excepto A Noite Americana e Fahrenheit 451- Grau de Destruição, cujos direitos neste momento estão em transição), convidamos dois programadores: o “nosso” Luís Miguel Oliveira, da Cinemateca Portuguesa, e Francisco Valente, que também já foi nosso colaborador e colaborador da Cinemateca e que agora, em Nova Iorque, faz a curadoria da programação de cinema do Museum of Modern Art (MoMA).
    O Luís Miguel trabalha com vista para o cartaz de O Acossado (Godard). Francisco Valente tem na parede o poster do ciclo de Truffaut de 2005 na Cinemateca. Com eles debatemos o significado de Truffaut hoje e inevitavelmente a oposição – que sempre mostra o rosto – entre duas figuras tornadas ideias opostas de cinema, François e Jean-Luc. Começamos por aqui e vamos por aí…
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Spielberg diz que não estamos sozinhos. Sabíamos desde 1977. Para quê voltar a isso?

    12/06/2026 | 29min
    Há meio século que Steven Spielberg já nos tinha avisado: eles estão entre nós. Eles são os extraterrestres, que chegaram ao cinema pelas mãos do realizador norte-americano em 1977, o ano de Encontros Imediatos de Terceiro Grau, um dos grandes momentos da arte cinematográfica do século XX.
    E se agora Spielberg vem dizer que eles existem mesmo, que as Administrações norte-americanas nos têm escondido a verdade ao longo de décadas e que é chegado o momento da revelação — e se até Barack Obama disse recentemente acreditar que há vida noutros planetas (embora garanta que não há segredos escondidos) — a verdade é que nós já acreditávamos neles desde esse grande encontro de 77.
    Acreditávamos mais do que acreditamos hoje neste regresso ao passado que é O Dia da Revelação (Disclosure Day), o novo Spielberg que acaba de chegar às salas. É disso que falamos neste episódio, da magia desses não humanos que há 50 anos se faziam anunciar (entre outras coisas) através de uma montanha de puré de batata, e que se repetiu mais tarde, em 1982, com ET, mas que não volta agora. Spielberg parece ter-se adaptado rapidamente à nova forma (e velocidade) de contar histórias — a história é a mesma mas a fantasia já não nos toca como antes.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.
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