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    Marilyn Monroe, 100 anos: o que procuramos nela, hoje?

    17/04/2026 | 43min
    Quando morreu, na madrugada de 4 para 5 de Agosto de 1962, na sua vivenda de estilo mexicano de 5th Helena Drive, em Brentwood, Los Angeles, dificilmente se apostaria que a vida de Marilyn Monroe (nascida a 1 de Junho de 1926, faria cem anos daqui a dois meses) estava para durar.
    Reparem: o MoMA de Nova Iorque realizou uma retrospectiva em Março, abrindo o programa, Marilyn Monroe: Celluloid Dreams, com O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder, realizado em 1955, ano que foi, entre todos, o mais decisivo para a imposição de Marilyn como estrela planetária. O programa contemplava na placidez do seu roteiro comemorativo de centenário, um ciclone: Mulholland Drive, de David Lynch, ou o diálogo de Marilyn com um dos grandes títulos do século XXI.
    É isso: ela não parou de nos falar. O que nos terá para dizer? O que continuamos hoje a procurar nela? Porquê o impulso de a resgatar, de a salvar, de provar que estava ali um dos mais luminosos, intuitivos talentos que a luz do cinema iluminou?
    Junho será o mês Monroe no Batalha Centro de Cinema, no Porto, no ciclo O Verão de Marilyn, com os seus clássicos.
    Mais do que os clássicos, a retrospectiva que decorre até 14 de Maio na Cinemateca Francesa em Paris propõe títulos mais desconhecidos, como We're Not Married, de Edmund Golding (1952), Clash by Night/Desengano, de Fritz Lang, Love Nest, de Joseph Newman (1951), ou o encontro de Monroe com os irmãos Marx, Love Happy (David Miller, 1949), ou uma interpretação de baby-sitter desequilibrada, ao lado de Richard Widmark, no huis clos Don't Bother to Knock/Os Meus Lábios Queimam (1952), de Roy Ward Baker.
    É este título pouco conhecido, um dos raros papéis dramáticos de uma carreira que em 1952 ainda só tacteava, que abrirá a 5 de Maio o ciclo Quem és tu Norma Jean? 100 anos de Marilyn Monroe, na Casa Comum da Universidade do Porto.
    While the City Sleeps, Quando a Cidade Dorme, um noir de John Huston, inaugurou, por sua vez, esta quinta-feira o ciclo da Leopardo que se desenrolará no Cinema Nimas até 13 de Maio.
    O mundo viu-se a (re)descobrir Marilyn Monroe. É das figuras mais perenes, duradouras, da fábrica americana chamada Hollywood. É mais respeitada, mais consensual hoje do que quando morreu no início da década de 60 — a década, repare-se, que apagou o brilho das estrelas que havia no firmamento. Foi adoptada por diferentes vagas de feminismo. Tem direito a extensa bibliografia, biográfica, ensaística, ficcional (Joyce Carol Oates fantasiou-a em Blonde) e fotográfica. Foi revisitada por grandes fotógrafos em várias "fases", tal como as de um pintor: George Barris, que a fotografou pela última vez na praia de Malibu, Richard Avedon, Bert Stern, com a esplêndida série The Last Sitting, ou, a que mais tentou resgatar a sua humanidade, o conjunto melancólico de fotos de Milton Greene.
    Uma das maiores fãs de Marilyn é a actriz Catherine Deneuve. Que em Maio juntar-se-á à edição francesa de um livro, Marilyn chérie (Flammarion). Texto de Deneuve, fotografias pouco conhecidas de Marilyn da autoria de um produtor e fotógrafo seu amigo, Sam Shaw, cenas de rodagem e de testes de guarda-roupa. Um excerto escrito por Deneuve, que a imprensa francesa tem reproduzido: "Perante os fotógrafos, ela era tão generosa com o seu corpo, o rosto inclinado para trás, algo de infantil também, que nada nela era indecente".
    É sobre a festa dos seus 100 anos este episódio de No Escuro.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    "Caso 137" e "Nino": regressemos ao "french touch"

    10/04/2026 | 31min
    Depois do cinema espanhol, na semana passada, o cinema francês, esta semana. É mais um episódio de No Escuro.
    Portugal não tem tido razão de queixa dos distribuidores/exibidores independentes, que têm actualizado o mercado e os espectadores — por exemplo, nos últimos anos, as transgressões dos cineastas iranianos chegaram-nos a tempo e horas.
    Podemos é perguntar se os espectadores estão à altura deste esforço...
    Não é uma questão lateral, essa. É mesmo decisiva. Se bem que centramos a conversa, agora, na presença em sala de dois recém-premiados com os Césares da indústria francesa: Caso 137, de Dominik Moll, Nino, de Pauline Loquès.
    Dois retratos: de senhora, uma investigadora da polícia, interpretada por Léa Drucker, numa espécie de thriller processual, seco, despojado; de rapaz, um jovem (Théodore Pellerin) diagnosticado com um cancro, cujo comportamento a câmara observa durante um fim-de-semana antes do início do protocolo da quimioterapia: o corpo é aqui o plot.
    Haverá ainda memória de um tempo em que a cinematografia francesa disputava as bilheteiras, nas salas portuguesas, com o cinema americano? Que cineastas como Alain Resnais, por exemplo, eram programados em salas vocacionadas para a maioria do público burguês adulto que ia ao cinema? Lembramos isso aqui...
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    O cinema espanhol filma a intimidade e a família. O cinema português não?

    03/04/2026 | 43min
    Três títulos espanhóis que estão nas salas portuguesas —​ Histórias do Vale Bom, de José Luis Guerin, Os Domingos, de Alauda Ruiz de Azúa e Romaria, de Carla Simón —​ levam-nos a reflectir sobre os caminhos diferentes percorridos pelo cinema em Espanha e em Portugal.
    Se os realizadores espanhóis desde sempre estiveram nas casas e filmaram os dramas familiares, fazendo a partir deles também leituras políticas, mesmo durante o período do franquismo, os portugueses, no geral, evitaram os territórios de intimidade. Porquê?
    E até que ponto a ausência de uma classe média e dos seus pequenos problemas pode ajudar a explicar o tão discutido afastamento dos portugueses em relação ao cinema feito no país?
    A força do cinema português no período revolucionário, o fenómeno Manoel de Oliveira e a forma como ele marcou (e marca ainda) uma série de preconceitos sobre a cinematografia nacional, fazem desta um caso muito particular. De tal forma que se hoje uma nova geração faz filmes muito diferentes (do passado e entre eles), os preconceitos perduram. Espectadores novos precisam-se?
    Os espanhóis têm também o seu mito, Pedro Almodóvar (acaba de estrear em Espanha Amarga Navidade). É a locomotiva que puxa pelas carruagens. Mas as três obras que podem ser vistas agora em Portugal nada devem ao universo almodovariano.
    Histórias do Vale Bom mergulha na complexa realidade de um bairro na periferia de Barcelona, entre o mundo urbano e o rural, com os seus habitantes antigos e os que chegaram mais recentemente, com línguas e culturas diferentes; Os Domingos apresenta-nos Ainara, uma jovem que quer ser freira e enfrenta a oposição da família; e em Romaria seguimos outra jovem que viaja até Vigo em busca das histórias dos seus pais, toxicodependentes e vítimas de sida, e confronta-se com uma família a lidar com os seus próprios fantasmas.
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    O magnetismo de Ana Vilaça, "Entroncamento": de onde vem a força de uma actriz?

    27/03/2026 | 47min
    Em By Flávio, curta-metragem de 2022 dirigida por Pedro Cabeleira, espampanante de recorte e de imponência hiper-realistas, na pretendente a influencer interpretada por Ana Vilaça a actriz ameaçava-nos já com o seu talento: afrontosamente brilhante, não necessariamente narcisista, ao serviço de uma desesperada.
    Em Entroncamento, a segunda longa do realizador, desde esta quinta-feira em 28 salas do país, acontece algo do domínio da superação. Nela e no filme. Sobre Ana: é poderosa e esfuziante.
    A actriz tem 34 anos. Diz-se detentora de um sentimento de não pertença, a lugar nenhum, e verteu isso para a personagem de Laura. Que é um dos statements políticos femininos mais vibrantes do recente cinema português, como Cleo Diára em O Riso e a Faca (Pedro Pinho, 2005).
    Por causa disto: Laura — a única personagem do filme que é totalmente de ficção, sem correspondência na realidade que Pedro Cabeleira conheceu na cidade da sua infância — passa por Entroncamento e leva com ela debaixo do braço um pedaço grande do filme; isto porque Ana entrou na dinâmica e na mente dos argumentistas e do seu fascínio, masculino, pela mitologia dos fora-da-lei, dos pequenos gangsters.
    Laura vem de fora e subverte um mundo de construções misóginas e racistas. Pertencer-lhe-á o último golpe. Neste episódio de No Escuro sabemos algo mais de Ana. Falamos sobre o que é isso do magnetismo; sobre a raiva e sobre o talento.
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    Leni Riefenstahl e a estética nazi: estes filmes ainda são perigosos?

    20/03/2026 | 40min
    No ano, 1993, em que chegou ao mercado literário americano e ao seu top de vendas Leni Riefenstahl: A Memoir, uma autobiografia daquela que fora a cineasta do III Reich, o realizador alemão Ray Müller fazia sair The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl.
    Confrontava, e era mesmo um corpo a corpo entre Ray e Leni, aquela que, desnazificada em 1949 pelos tribunais do pós-guerra que não deram como provada a ligação entre os seus filmes de propaganda — Triunfo da Vontade (1935), sobre o congresso do Partido Nazi em Nuremberga, um ano antes, e Olympia (1938), sobre os Jogos Olímpicos de Verão, em Berlim 1936, estreado no dia do aniversário do Führer —, mantinha que fora apenas uma simpatizante, fascinada pela aura “electrizante” de Hitler, mas nada mais; tudo o resto ela dizia desconhecer, dos “campos de concentração” nem ouvira falar.
    Em suma, era uma “artista” das formas, e da “política” era uma naïve.
    Riefenstahl fez a travessia dos talk shows televisivos alemães e norte-americanos ao longo dos anos 70 e 80, onde era promovida a celebridade, e continuou a tentar reescrever a sua história. Não filmou mais, fotografou os Nuba do Sudão, e aos 101 anos, quando morreu, em 2003, fora admirada por gente como Pauline Kael, Richard Corliss, críticos, Andy Warhol ou Quentin Tarantino.
    O documentário que chega esta semana às salas portuguesas, Riefenstahl, de Andres Veiel, aparece 30 anos depois de The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl mas cita-o e faz-se memória do gesto delineado antes dele pelo filme de Ray Müller e que tem de ser renovado. Combate não para acabar com os combates anteriores, mas, meticuloso, para se colocar na mesma linha e para permitir que se continue a combater.
    Veiel questionou o arquivo de imagens e de sons de Leni a que teve acesso e que lhe pareceu organizado como se houvesse coisas que deviam ser lembradas e coisas que deviam ser esquecidas.
    É com essa urgência também das coisas que hoje não podem ser esquecidas que se encara a exibição, em contexto à estreia de Riefenstahl, e em sessões especiais a realizar no cinema Ideal, em Lisboa, de Olympia, sábado às 11h e às 14h, primeira e segunda partes, respectivamente, e de Triunfo da Vontade, 11h de domingo. A seguir à sessão das 16h do documentário de Veiel, o podcast No Escuro estará no Ideal para um debate.
    Começamo-lo já aqui. Neste episódio. Falando com Pedro Borges, da Midas Filmes, que lança o filme e o programa.
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