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    Já temos dois Salazares. Só falta mais um...

    29/05/2026 | 41min
    José Filipe Costa psicanalisa o pai nosso. Isto é: psicanalisa-nos. Pai Nosso, Os Últimos Dias de Salazar não é um filme sobre o passado. Como aliás está a acontecer hoje com muitos "filmes de época": são mensagens para o presente. Mostrar o tempo que passou, o que já esquecemos e o que permanece latente.
    Isto acontece nas salas esta semana.
    Em Setembro, João Botelho estreará O Velho Salazar.
    Tudo diferente e tudo igual. Aliás, um completa o outro.
    O primeiro é onírico, fantasmagórico. Disse-nos um dia José Filipe Costa: "O passado não é uma coisa fixa, o passado é memória. E o cinema efabula. Deve muito à História, mas ao mesmo tempo não lhe deve. As narrativas cinematográficas vão a lugares onde a História não chega".
    Tudo se passa em São Bento, huis clos e ambiente de folie, quando Salazar (Jorge Mota), depois do AVC, continua a pensar que é ele que ainda lidera o governo, e Maria de Jesus (Catarina Avelar) garante esse teatrinho do poder.
    O segundo é mais farsante mas a partir de dados e factos cronológicos. Como um falso documentário.
    Não há dois sem três? Diria o outro que sim...
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Cannes: nos bastidores de um dos maiores festivais de cinema do mundo

    22/05/2026 | 39min
    O que é que importa realmente num festival de cinema? Os filmes? A passadeira vermelha? A avaliar pelas fotografias que as agências enviam diariamente sobre a 79.ª edição do Festival de Cannes, é a segunda, onde desfilam os "talentos" vestidos por costureiros e disputando a atenção de um público que não perde este desfile de estrelas — mesmo que perca os filmes. Entretanto, nas salas de cinema, os críticos (os que ainda existem) vêm os filmes e tentam produzir discurso sobre eles.
    Vasco Câmara é o enviado do PÚBLICO a Cannes e conta-nos o que é esta vida dupla que a pequena cidade da Riviera francesa vive por estes dias, compara o ambiente de hoje com o do passado, explica como actores, realizadores, jornalistas e um número crescente de influencers se movem no universo do cinema, gerindo interesses e necessidades distintos para responder a públicos distintos.
    Neste episódio do No Escuro vamos, portanto, espreitar os bastidores de Cannes, mas vamos também falar de Não Desviar o Olhar, filme de Júlio Alves que passou recentemente no IndieLisboa e que nos traz o olhar de quatro críticos de cinema — Vasco Câmara, Luís Miguel Oliveira (também do PÚBLICO), Inês Lourenço e Ricardo Vieira Lisboa — sobre os filmes que os marcaram. É uma viagem pelas imagens que (lhes) povoam a vida e uma reflexão sobre o que é isso de ser crítico de cinema.
    Vamos andar, por isso, sempre No Escuro — mas sem esquecer a passadeira vermelha.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Da curta feita na escola de cinema à adaptação de Coetzee, estes são portugueses em Cannes

    15/05/2026 | 49min
    São duas curtas e uma longa, três filmes, três realizadores portugueses que vão estar no festival de cinema de Cannes (de 13 a 24 de Maio). Tiago Guedes, realizador da longa, Aquí, adaptação da Triologia de Jesus de J.M. Coetzee, Daniel Soares, realizador de Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio, e Clara Vieira, estudante de cinema, que viu com surpresa a sua primeira obra, um trabalho para a escola intitulado Onde Nascem os Pirilampos, seleccionada para o festival francês. É com eles que conversamos neste episódio do No Escuro.
    Quisemos saber o que esperam de Cannes, o que significa para um realizador a presença neste festival (mesmo quando, como acontece com Aquí, não seja a concurso), mas sobretudo quisemos ouvi-los falar dos seus filmes. Aquí passa-se num não-lugar, numa língua que, por vontade do escritor, se quis outra e portanto é o espanhol, traz um pai e um filho sem passado, uma família que se tenta construir enquanto tal, a dança como forma de entender o mundo e um universo que se abala e recompõe através de uma criança que esconde mistérios que é melhor não tentarmos compreender nem explicar.
    No filme de Daniel Soares, o título é literal e a narrativa fragmentária leva-nos ao longo das margens de um rio revelando o absurdo que existe nos insignificantes momentos do quotidiano, enquanto a obra de Clara Vieira é um trabalho pensado de forma colectiva, em torno de um grupo de amigos, um bosque, os seus mistérios e as suas descobertas, um espaço com algo de fantástico que traz ecos do realizador tailandês Apichatpong Weerasethakul.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    A Inteligência Artificial vai exterminar-nos? Primeiro No Escuro ao vivo

    08/05/2026 | 45min
    Ghost in the Machine, de Valerie Veatch, foi um dos títulos em destaque no último Sundance Film Festival e foi um dos filmes programados no Indielisboa, festival que ainda decorre. Por causa desse documentário, No Escuro saiu pela primeira vez do estúdio de gravação e participou num debate — aconteceu no último fim-de-semana, na Culturgest, em Lisboa — que tentava enquadrar a torrencial muralha de informação, dúvidas e angústia que do filme se liberta.
    O que é a Inteligência Artificial e que forças, ideológicas, políticas, a dominam? Onde já vai a idade dourada, salvífica, da relação do homem com a tecnologia? É o tempo, hoje, do "tecno-fascismo"?
    Em suma, é desta que vamos ser exterminados? Ou esta angústia é apenas a enésima variação de um medo ancestral do homem perante a máquina?
    Participaram neste debate dois cépticos e um optimista. É o que podemos chamar, optimista, a José Bragança de Miranda, professor da Lusófona, especialista em Teoria da Cultura e dos Media, Cibercultura e Artes Contemporâneas. Talvez seja, no caso dele, a sedução do caos.
    Já Bruno Abib, que estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e desde 2017 trabalha como montador em curtas e longas-metragens de ficção e documentário, e Catarina Rao, designer gráfica que tem desenvolvido o seu trabalho numa vertente mais pessoal e também para marcas comerciais, têm metido as mãos na massa, como se costuma dizer. Utilizam ferramentas da IA. E estão num momento de dúvida e de questionamento pessoal.
    Oiçam-nos.
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    Entre "O Diabo Veste Prada 2" e "Divina Comédia" fazemos a nossa escolha

    01/05/2026 | 33min
    No Escuro, connosco, é às claras: encorajamos vivamente Divina Comédia, de Ali Asgari, resistimos ao condicionamento que é a operação chamada O Diabo Veste Prada 2.
    Chamem-lhe resistência, chamem-lhe o que quiserem: para quê precipitarem-se por estes dias em direcção ao novo duelo entre Miranda Priestly e Andrea Sachs, já que as vossas expectativas serão derrotadas — repararão que todas as personagens estão agora à procura da sua humanidade perdida e que a boa e velha maldade foi apagada —, quando têm a possibilidade de se divertirem de forma inteligente com o absurdo do mundo?
    O primeiro filme já todos sabem o que é. O segundo, não: é uma comédia negra, passada em Teerão, em que um realizador, de motoreta como Nanni Moretti em Querido Diário, anda pelos círculos do Inferno a tentar que as autoridades iranianas autorizem a exibição do seu filme. Nanni é um fã, exibiu o filme na sua sala de cinema em Roma.
    Quem avisa, amigo é: Divina Comédia!
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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.
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