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    O magnetismo de Ana Vilaça, "Entroncamento": de onde vem a força de uma actriz?

    27/03/2026 | 47min
    Em By Flávio, curta-metragem de 2022 dirigida por Pedro Cabeleira, espampanante de recorte e de imponência hiper-realistas, na pretendente a influencer interpretada por Ana Vilaça a actriz ameaçava-nos já com o seu talento: afrontosamente brilhante, não necessariamente narcisista, ao serviço de uma desesperada.
    Em Entroncamento, a segunda longa do realizador, desde esta quinta-feira em 28 salas do país, acontece algo do domínio da superação. Nela e no filme. Sobre Ana: é poderosa e esfuziante.
    A actriz tem 34 anos. Diz-se detentora de um sentimento de não pertença, a lugar nenhum, e verteu isso para a personagem de Laura. Que é um dos statements políticos femininos mais vibrantes do recente cinema português, como Cleo Diára em O Riso e a Faca (Pedro Pinho, 2005).
    Por causa disto: Laura — a única personagem do filme que é totalmente de ficção, sem correspondência na realidade que Pedro Cabeleira conheceu na cidade da sua infância — passa por Entroncamento e leva com ela debaixo do braço um pedaço grande do filme; isto porque Ana entrou na dinâmica e na mente dos argumentistas e do seu fascínio, masculino, pela mitologia dos fora-da-lei, dos pequenos gangsters.
    Laura vem de fora e subverte um mundo de construções misóginas e racistas. Pertencer-lhe-á o último golpe. Neste episódio de No Escuro sabemos algo mais de Ana. Falamos sobre o que é isso do magnetismo; sobre a raiva e sobre o talento.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Leni Riefenstahl e a estética nazi: estes filmes ainda são perigosos?

    20/03/2026 | 40min
    No ano, 1993, em que chegou ao mercado literário americano e ao seu top de vendas Leni Riefenstahl: A Memoir, uma autobiografia daquela que fora a cineasta do III Reich, o realizador alemão Ray Müller fazia sair The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl.
    Confrontava, e era mesmo um corpo a corpo entre Ray e Leni, aquela que, desnazificada em 1949 pelos tribunais do pós-guerra que não deram como provada a ligação entre os seus filmes de propaganda — Triunfo da Vontade (1935), sobre o congresso do Partido Nazi em Nuremberga, um ano antes, e Olympia (1938), sobre os Jogos Olímpicos de Verão, em Berlim 1936, estreado no dia do aniversário do Führer —, mantinha que fora apenas uma simpatizante, fascinada pela aura “electrizante” de Hitler, mas nada mais; tudo o resto ela dizia desconhecer, dos “campos de concentração” nem ouvira falar.
    Em suma, era uma “artista” das formas, e da “política” era uma naïve.
    Riefenstahl fez a travessia dos talk shows televisivos alemães e norte-americanos ao longo dos anos 70 e 80, onde era promovida a celebridade, e continuou a tentar reescrever a sua história. Não filmou mais, fotografou os Nuba do Sudão, e aos 101 anos, quando morreu, em 2003, fora admirada por gente como Pauline Kael, Richard Corliss, críticos, Andy Warhol ou Quentin Tarantino.
    O documentário que chega esta semana às salas portuguesas, Riefenstahl, de Andres Veiel, aparece 30 anos depois de The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl mas cita-o e faz-se memória do gesto delineado antes dele pelo filme de Ray Müller e que tem de ser renovado. Combate não para acabar com os combates anteriores, mas, meticuloso, para se colocar na mesma linha e para permitir que se continue a combater.
    Veiel questionou o arquivo de imagens e de sons de Leni a que teve acesso e que lhe pareceu organizado como se houvesse coisas que deviam ser lembradas e coisas que deviam ser esquecidas.
    É com essa urgência também das coisas que hoje não podem ser esquecidas que se encara a exibição, em contexto à estreia de Riefenstahl, e em sessões especiais a realizar no cinema Ideal, em Lisboa, de Olympia, sábado às 11h e às 14h, primeira e segunda partes, respectivamente, e de Triunfo da Vontade, 11h de domingo. A seguir à sessão das 16h do documentário de Veiel, o podcast No Escuro estará no Ideal para um debate.
    Começamo-lo já aqui. Neste episódio. Falando com Pedro Borges, da Midas Filmes, que lança o filme e o programa.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    Os nossos Óscares; e "O Estrangeiro" de Camus que chega às salas: como olhá-lo?

    13/03/2026 | 46min
    Batalha atrás de Batalha ou Pecadores? Paul Thomas Anderson ou Ryan Coogler? E o que fazer a Marty Supreme? Cedo ainda demais para Josh Safdie?
    E será Timothée Chalamet o seu pior inimigo nesta competição?
    Dizer mal dos Óscares mas não parar de falar deles... é o ritual. Quanto a nós, No Escuro, achamos que os prémios americanos são uma interessante maneira de falarmos de nós, espectadores. Devidamente contextualizados, são bem reveladores do nosso tempo. Dizem mais sobre quem os dá do que sobre quem os recebe.
    É por isso, também, que nos interessa a forma como François Ozon olhou para o romance que Albert Camus publicou em 1942, O Estrangeiro, e que desde então permanece opaco, misterioso, ambivalente. Uma emanação da França colonial — o livro passa-se na Argélia colonizada — ou um exercício sobre o absurdo, sobre um alienado, Meursault, condenado à morte porque não chorou no funeral da mãe, não porque matou "um árabe".
    Ozon lê o livro a partir de 2025, usando a história do cinema francês, a literatura e até a música — The Cure estrearam-se no pós-punk com Killing an Arab, resultado das leituras de Robert Smith — como instrumentos para chegar mais perto de Meursault; para perceber o que nos diz o seu reflexo no espelho.
    Vamos libertar o cinema. Vamos tentar entender o mundo através dos filmes.
    Vamos falar de cinema?
    Sim, e vamos falar de outras coisas também.
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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    "Mr. Nobody contra Putin", "A Noiva", e "Blue Moon": retratos de dissidentes

    06/03/2026 | 35min
    Pavel "Pasha" Talankin é um herói solitário no documentário que está na corrida aos Óscares Mr. Nobody contra Putin. Não é uma personagem de ficção, é um professor de uma escola em Karabach, Rússia, que tem nas mãos uma arma poderosa: uma câmara de vídeo.
    De observador passa a realizador e a denunciante. O que as suas imagens mostram é como a máquina de propaganda criada pelo Governo está a fazer o seu caminho nas escolas, entre as crianças. Há mercenários do Grupo Wagner a fazerem uma sessão sobre armas; há concursos de lançamento de granadas, jovens chamados para a guerra. Uma sociedade vai mergulhando no medo e no silêncio.
    O norte-americano David Borenstein, noutra parte do mundo, que vai tendo acesso ao material, encaminha o olhar do russo e dos dois tornam-se co-realizadores. Mas é o olhar de Pasha, complexo, entre aquilo que ama profundamente e aquilo que rejeita ainda mais visceralmente, que faz a força deste filme.
    Fala-se da Rússia, também no cinema: O Mago do Kremlin, de Olivier Assayas, a estrear na próxima semana, é um retrato do país desde os anos loucos de Ieltsin até ao reinado de Putin, adaptando o livro do italiano Giuliano da Empoli. Com Jude Law a encarnar o Presidente russo, é um filme mais didáctico e cerebral - e, por isso, menos interessante que Mr. Nobody, que valeu a Pavel Talankin o exílio.
    São também dissidentes, construtores dos seus mundos à parte, as personagens de A Noiva, segunda longa-metragem de Maggie Gyllenhall, e de Blue Moon, de Richard Linklater.
    Também acha que Joker: Loucura a Dois, na sua aliança entre o insano e o radioso, é um filme que ficou por cumprir? A Noiva é mais bem sucedido como objecto malsão. E confirma Gyllenhall, depois de A Filha Perdida, como cineasta a seguir.
    Já Blue Moon transporta-nos para um dia difícil na vida de Lorenz Hart, autor, em dupla com Richard Rodgers, de canções como Blue Moon, My Funny Valentine e The Lady is a Tramp. É um filme de teatro e de palavras, que mostra como é doloroso um artista desencontrar-se do tempo em que vive. Ethan Hawke é um extraordinário Lorenz Hart, devastado na noite de estreia do espectáculo Oklahoma!, um enorme sucesso assinado por Rodgers e o seu novo autor, Oscar Hammerstein.
    Vamos libertar o cinema. Vamos tentar entender o mundo através dos filmes.
    Vamos falar de cinema?
    Sim, e vamos falar de outras coisas também.
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    Balane 3 e Ico Costa: falamos sobre sexo em Moçambique (e tiramos o elefante da sala)

    27/02/2026 | 34min
    Tem sido pouco mais do que confidencial o impacto causado pelas curtas e longas-metragens do cineasta português Ico Costa. Injusto porque todas elas amorosamente levitam no contacto com um espaço eleito e com as pessoas que nele habitam: a península que coloca a cidade de Inhambane a acenar para a cidade que está em frente, Maxixe; como Lisboa faz a Almada.
    É a costa ocidental de África, é o sul de Moçambique. Com um lirismo contido, com empatia para com personagens que se expõem com uma frontalidade tal que o resultado, a intimidade, qualquer cineasta invejará. Passando constantemente do documental para a ficção, eis conversas sobre a vida sexual dos moçambicanos.
    Pedimos contexto — e damos algum, neste podcast. Queremos programação na Cinemateca; até nos atrevemos a desejar por uma caixa de DVD. Tudo para colocar no mapa as curtas deste realizador e as longas O Ouro e o Mundo (2024), Balane 3 (2025), que esta semana chega às salas, e a primeira longa, Alva, (2020), a única filmada em Portugal.
    Há, neste percurso, flutuações entre zonas de luz e zonas de sombra e mesmo de escuridão. Alguns filmes são sobre aquilo que Ico Costa sente sobre Moçambique: a alegria, a necessidade de futuro, a dança e o sexo, a juventude. Outros são sobre aquilo que o cineasta sabe: a ditadura do partido único, a corrupção, o horizonte interceptado. Mas vence em todos a ideia de que se as imagens sobre o país, quando as há, falam sempre da miséria e da pobreza, Moçambique é muito para além disso.
    Balane 3 só chega agora às salas portuguesas, de forma discreta, como que a pedir que não se repare nele, porque em Abril do ano passado foi cancelado, juntamente com o seu realizador. A direcção do festival IndieLisboa, em vésperas do início da sua 22.ª edição, que aconteceria em Maio, retirava o filme da programação após uma denúncia de alegada violência cometida por Ico Costa sobre uma suposta denunciante que num email enviado à imprensa assinava como “Joana Sousa Silva”.
    Esse gesto teve o efeito de uma condenação — fora do sistema judicial. Quase um ano depois, nem a dúvida se sanou nem a vítima, "Joana Sousa Silva", foi identificada. Ico Costa, que negou as acusações, apresentou uma queixa-crime para que o Ministério Público investigue e responsabilize a verdadeira pessoa por trás do mail “anónimo” e de “identidade falsa”. O PÚBLICO sabe que uma pessoa do sexo masculino está sob investigação.
    Temos agora um filme. O que fazemos com ele?
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