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    Como com Lennon e McCartney, entre Truffaut e Godard é preciso escolher?

    19/06/2026 | 46min
    Em 2005, a Cinemateca Portuguesa dedicou uma retrospectiva integral à obra de François Truffaut (1932-1984). Vinte anos depois, irradiando a partir do Cinema Trindade no Porto para o Nimas em Lisboa, uma “quase integral” – faltam dois filmes - volta a trazer às salas portuguesas um nome que fazia os espectadores deslocarem-se (a um já desaparecido cinema Londres, em Lisboa, por exemplo) para verem o “novo filme de…”
    Seria O Último Metro ou A Mulher do Lado, ou Finalmente Domingo! (e Truffaut morreu a um domingo…). Foram os títulos finais da sua obra, ele que cedo demais foi levado por um tumor no cérebro. Quando morreu, tinha contribuído para a indústria cinematográfica francesa com a “invenção” do filme de autor popular.
    É (também) por isso que François Truffaut é hoje um nome razoavelmente esquecido pela cinefilia, que entretanto santificou o seu compagnon de route tornado irmão desavindo chamado Jean-Luc Godard? Um é o conservador, o outro o radical?
    Numa primeira abordagem a – assim se chama o ciclo - Ao Sol da Nouvelle Vague (é todo o Truffaut, excepto A Noite Americana e Fahrenheit 451- Grau de Destruição, cujos direitos neste momento estão em transição), convidamos dois programadores: o “nosso” Luís Miguel Oliveira, da Cinemateca Portuguesa, e Francisco Valente, que também já foi nosso colaborador e colaborador da Cinemateca e que agora, em Nova Iorque, faz a curadoria da programação de cinema do Museum of Modern Art (MoMA).
    O Luís Miguel trabalha com vista para o cartaz de O Acossado (Godard). Francisco Valente tem na parede o poster do ciclo de Truffaut de 2005 na Cinemateca. Com eles debatemos o significado de Truffaut hoje e inevitavelmente a oposição – que sempre mostra o rosto – entre duas figuras tornadas ideias opostas de cinema, François e Jean-Luc. Começamos por aqui e vamos por aí…
    No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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  • No escuro

    Spielberg diz que não estamos sozinhos. Sabíamos desde 1977. Para quê voltar a isso?

    12/06/2026 | 29min
    Há meio século que Steven Spielberg já nos tinha avisado: eles estão entre nós. Eles são os extraterrestres, que chegaram ao cinema pelas mãos do realizador norte-americano em 1977, o ano de Encontros Imediatos de Terceiro Grau, um dos grandes momentos da arte cinematográfica do século XX.
    E se agora Spielberg vem dizer que eles existem mesmo, que as Administrações norte-americanas nos têm escondido a verdade ao longo de décadas e que é chegado o momento da revelação — e se até Barack Obama disse recentemente acreditar que há vida noutros planetas (embora garanta que não há segredos escondidos) — a verdade é que nós já acreditávamos neles desde esse grande encontro de 77.
    Acreditávamos mais do que acreditamos hoje neste regresso ao passado que é O Dia da Revelação (Disclosure Day), o novo Spielberg que acaba de chegar às salas. É disso que falamos neste episódio, da magia desses não humanos que há 50 anos se faziam anunciar (entre outras coisas) através de uma montanha de puré de batata, e que se repetiu mais tarde, em 1982, com ET, mas que não volta agora. Spielberg parece ter-se adaptado rapidamente à nova forma (e velocidade) de contar histórias — a história é a mesma mas a fantasia já não nos toca como antes.
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    Jean Moulin, Thomas Mann, Estaline: viagem pelo mundo de ontem que pode ser o de hoje

    05/06/2026 | 27min
    Dois procuradores, do bielorusso Sergei Loznitsa: a partir de agora não vai ser possível continuar a sustentar que a obra de ficção do realizador é menos interessante ou grandiosa do que a obra documental.
    Sim, já havia My Joy, com que Loznitsa se estreou na longa de ficção. Era um filme de tonalidade lynchiana. Mas o barroquismo de exercícios seguintes, a cotejar com o excesso felliniano, começou a fazer pender o centro de gravidade do cinema de Loznitsa para os grandes trabalhos com as imagens de arquivo da História soviética, sobretudo da era de Estaline, a que Loznitsa dava nova vida com o som. Como o majestoso Funeral de Estado (2019) sobre as exéquias do ditador.
    Donbass, há oito anos, trabalhava a ficção absurdista. Era uma obra estranha, esquiva.
    Dois Procuradores, então, regresso à ficção, traz um rigor empedernido e é mesmo um dos grandes títulos do ano. Na aparência de "pequeno filme", natureza miniatural, Loznitsa faz nele cinema de época, os anos 30 de Estaline, desde logo através do "clássico" formato quadrado, da escala e arquitectura dos planos. Adapta uma novela de Georgy Demidov, homem da Ciência que passou 14 anos no gulag estalinista e que dessa experiência se serviu para uma ficção escrita em 1969 que só seria publicada em 2009. Conta a aventura kafkiana de um zeloso procurador ao serviço da verdade bolchevique que se dá conta tarde demais que a verdade é uma viagem, como aquela de My Joy, sem regresso.
    Estaline é a presença no cinema de Loznitsa. O seu rosto, de forma explícita e implícita. O "filme de época" é uma forma de iluminar o presente. O cinema tem estado aí, inquieto com o mundo à volta. É um dos balanços a fazer do Festival de Cannes, ou até mesmo do seu palmarés, e é essa viagem, europeia, assinale-se, que fazemos neste episódio: com o escritor Thomas Mann, num filme, Fatherland, de Pawel Pawlikowski, que reconstitui o regresso do escritor à sua Alemanha no pós-guerra, ou com o herói da resistência francesa Jean Moulin.
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    Já temos dois Salazares. Só falta mais um...

    29/05/2026 | 41min
    José Filipe Costa psicanalisa o pai nosso. Isto é: psicanalisa-nos. Pai Nosso, Os Últimos Dias de Salazar não é um filme sobre o passado. Como aliás está a acontecer hoje com muitos "filmes de época": são mensagens para o presente. Mostrar o tempo que passou, o que já esquecemos e o que permanece latente.
    Isto acontece nas salas esta semana.
    Em Setembro, João Botelho estreará O Velho Salazar.
    Tudo diferente e tudo igual. Aliás, um completa o outro.
    O primeiro é onírico, fantasmagórico. Disse-nos um dia José Filipe Costa: "O passado não é uma coisa fixa, o passado é memória. E o cinema efabula. Deve muito à História, mas ao mesmo tempo não lhe deve. As narrativas cinematográficas vão a lugares onde a História não chega".
    Tudo se passa em São Bento, huis clos e ambiente de folie, quando Salazar (Jorge Mota), depois do AVC, continua a pensar que é ele que ainda lidera o governo, e Maria de Jesus (Catarina Avelar) garante esse teatrinho do poder.
    O segundo é mais farsante mas a partir de dados e factos cronológicos. Como um falso documentário.
    Não há dois sem três? Diria o outro que sim...
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    Cannes: nos bastidores de um dos maiores festivais de cinema do mundo

    22/05/2026 | 39min
    O que é que importa realmente num festival de cinema? Os filmes? A passadeira vermelha? A avaliar pelas fotografias que as agências enviam diariamente sobre a 79.ª edição do Festival de Cannes, é a segunda, onde desfilam os "talentos" vestidos por costureiros e disputando a atenção de um público que não perde este desfile de estrelas — mesmo que perca os filmes. Entretanto, nas salas de cinema, os críticos (os que ainda existem) vêm os filmes e tentam produzir discurso sobre eles.
    Vasco Câmara é o enviado do PÚBLICO a Cannes e conta-nos o que é esta vida dupla que a pequena cidade da Riviera francesa vive por estes dias, compara o ambiente de hoje com o do passado, explica como actores, realizadores, jornalistas e um número crescente de influencers se movem no universo do cinema, gerindo interesses e necessidades distintos para responder a públicos distintos.
    Neste episódio do No Escuro vamos, portanto, espreitar os bastidores de Cannes, mas vamos também falar de Não Desviar o Olhar, filme de Júlio Alves que passou recentemente no IndieLisboa e que nos traz o olhar de quatro críticos de cinema — Vasco Câmara, Luís Miguel Oliveira (também do PÚBLICO), Inês Lourenço e Ricardo Vieira Lisboa — sobre os filmes que os marcaram. É uma viagem pelas imagens que (lhes) povoam a vida e uma reflexão sobre o que é isso de ser crítico de cinema.
    Vamos andar, por isso, sempre No Escuro — mas sem esquecer a passadeira vermelha.
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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.
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