Em um episódio especial que mistura crônica, análise política e desabafo pessoal, este roteiro do podcast A La Cubana nasce do choque e da angústia diante das notícias de 3 de janeiro de 2026: o sequestro de Nicolás Maduro, os bombardeios na Venezuela e a escalada de ameaças dos Estados Unidos. A partir de conversas com amigos venezuelanos e cubanos, o episódio reflete sobre algo que rapidamente se impôs como uma certeza: o ataque à Venezuela atinge Cuba de forma direta e imediata.
O episódio se encerra com a voz de Hugo Chávez, em sua primeira visita a Cuba, como eco histórico e político para tentar digerir o nó na garganta deixado por um dia que pode marcar profundamente o destino da região.
Ficha técnica do podcast
A concepção, gravação, roteiro e sonorização são da jornalista Bia Pasqualino. E a apresentação também ;)
*TRANSCRIÇÃO DO DISCURSO DE HUGO CHÁVEZ (1994)*
"Eu me perguntava no avião se era a primeira vez que eu vinha a Cuba. Disse que sim, mas ao mesmo tempo disse algo que quero repetir neste momento tão emotivo, tão emocionante: é a primeira vez que venho fisicamente, porque em sonhos viemos a Cuba muitas vezes, os jovens latino-americanos. Em sonhos, viemos a Cuba.
Em sonhos, viemos a Cuba inúmeras vezes, os soldados bolivarianos do Exército Venezuelano que, há anos, decidimos entregar a vida a um projeto revolucionário, a um projeto transformador. Por isso, agradeço de verdade esta nova honra que me faz o presidente Fidel Castro, que me fazem todos vocês. E, como eu dizia:
Ontem à noite, quando recebi a imensa e agradável surpresa de ser esperado no Aeroporto Internacional José Martí por ele mesmo, em pessoa, eu lhe disse: eu não mereço isso, mas aspiro merecer algum dia, nos meses e nos anos que virão. O mesmo, queridos compatriotas cubanos e latino-americanos.
Algum dia esperamos vir a Cuba em condições de estender os braços e em condições de nos alimentarmos mutuamente, segundo um projeto revolucionário latino-americano. Imbuídos, como estamos há séculos, da ideia de um continente hispano-americano, latino-americano e caribenho integrado como uma nação — uma só nação que somos. Nesse caminho andamos e, como Aquiles Nazoa disse sobre José Martí, nos sentimos de todos os tempos e de todos os lugares.
E andamos como o vento atrás dessa semente que aqui caiu um dia, que aqui, em terreno fértil, brotou e se levanta como aquilo que sempre dissemos. E não digo isso agora aqui em Cuba porque estou em Cuba, ou porque, como dizem na minha terra, no llano venezuelano, eu me sinta valente e apoiado. Nós dizíamos isso no próprio Exército Venezuelano antes de sermos soldados insurgentes.
Dizíamos isso nos salões, nas escolas militares da Venezuela: Cuba é um bastião da dignidade latino-americana. E como tal, deve ser vista. E como tal, deve ser seguida. E como tal, deve ser alimentada.
Sem dúvida, aquele insigne poeta e escritor nosso desta América, o nosso Pablo Neruda, tinha profunda razão quando escreveu que Bolívar desperta a cada cem anos, quando o povo desperta. Sem dúvida, estamos em uma era de despertares, de ressurreições de povos, de forças e de esperanças.
Sem dúvida, presidente, essa onda que o senhor anuncia — ou que anunciou e continua anunciando naquela entrevista à qual me referi —, esse grão de milho se sente e se percebe por toda a América Latina. Sem dúvida, estamos em uma era bicentenária. Vejamos então como o tempo nos chama e nos impulsiona. É, sem dúvida, tempo de percorrer novamente caminhos de esperança e de luta.
É nisso que estamos nós, depois de dez anos de trabalho intenso no seio do Exército Venezuelano, depois de uma rebelião e outra rebelião, agora dedicados ao trabalho revolucionário, empenhados em resistir àquela tese que vem do norte. Alguém me dizia há pouco que tudo de ruim vem do norte.
Essa tese do fim da história, do último homem da era tecnocrática, de que as ideologias já não servem, de que estão fora de moda. Nós resistimos a isso, não aceitamos[...]"(LEIA A ÍNTEGRA AQUI)