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- É difícil ver a traição como algo que não seja ruim ou imoral. Mas e se a traição for algo inescapável ou até mesmo positiva para a saúde de um relacionamento? É sobre isso que gira o episódio desta semana do Podcast da Semana, que recebe o psicanalista Lucas Bulamah para conversar sobre sexo.
“O sexual, por excelência, não pode caber numa relação amorosa, monogâmica. Ele não faz parte da relação. O sexual é, por excelência, traição, ele necessariamente tem que estar fora da relação. E a relação é protegida por essa busca, esse deslocamento do sujeito para um outro lugar, um outro analista, um amante, que visa proteger esse espaço de harmonia, esse espaço de familiaridade que é a relação principal, monogâmica, o casamento, o namoro”, afirma a Gama.
Doutor em psicologia clínica pela USP, o psicólogo e psicanalista está lançando “Do Amor e seu Avesso: Uma apologia da traição” (Paidós), em que as razões da traição, algo que pode ser menos complicado que os acordos da não monogamia. Neste livro de ensaios, ele mescla conceitos da psicanálise, com filmes, letras e música e a própria experiência clínica.
Na conversa que você ouve nas plataformas de áudio, Lucas fala sobre os acordos de um casamento, sobre caos e prazer e diz que para trair, muitas vezes, não é preciso nem fazer sexo. “A traição prescinde do ato, do corpo de delito. É o que resgata no sujeito algum tipo de circulação erótica”, diz na entrevista.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima - Até que ponto é possível construir a maneira como queremos envelhecer? Para a neurocientista e psicóloga Sharon Sanz Simon, entrevistada deste episódio, o importante é pensar que o envelhecimento é algo que começa hoje, nas nossas escolhas relacionadas à saúde e bem-estar que fazemos a cada dia.
Sharon Sanz Simon é professora e pesquisadora do Krieger Klein Alzheimer’s Research Center, da Universidade Rutgers (EUA), onde dirige o EngAGING Lab. Doutora pela Faculdade de Medicina da USP, foi fellow em Harvard e fez pós-doutorado na Universidade Columbia.
Em seu livro "Longevidade Hoje: o que a neurociência e a psicologia falam sobre envelhecer bem em qualquer idade" (Fósforo, 2026), escrito em parceria com Ilana Pinsky, ela parte de dados científicos para apresentar o envelhecimento como um processo que se constrói ao longo de toda a vida.
Na conversa com Gama, ela trata da relação entre demência, Alzheimer e a passagem dos anos, sobre os caminhos possíveis que a ciência indica para uma manutenção da nossa memória, da importância de se manter uma comunidade e como lidar com o envelhecimento daqueles que amamos – e de nós mesmos. - Foram cinco anos de trabalho para que a escritora e jornalista Paulliny Tort concluísse “Os Imortais”, romance que narra o encontro de um clã de neandertais com um grupo de homo sapiens. O livro, lançado no começo deste ano, já é a maior febre literária do ano e Tort é uma das presenças mais esperadas na edição de 24ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.
Na entrevista ao Podcast da Semana, a escritora conta como chegou à linguagem crua e precisa do livro. “Limpei o texto de todos os anacronismos. Por exemplo, não tem o verbo sapatear porque, embora eles usem calçados, não são sapatos. Fiz uma pesquisa etimológica e limpei as figuras de linguagem. Foi um processo bem interessante e foi importante ele ter passado por esse estado de crueza. Mas depois eu fui voltando com as figuras de linguagem e com o que era mais sonoro e mais fluído para mim.”
Mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB, Tort é também autora de “Erva Brava” (Fósforo, 2024), seu primeiro livro de contos, que foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do prêmio Jabuti 2022; e de “Allegro ma non troppo” (Oito e Meio, 2016), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura.
Ainda recente, “Os Imortais” já pode ser descrito como uma febre. Original e surpreendente, virou tema frequente nas redes sociais e fora delas. “A literatura toca no outro pela sensibilidade. Você pode se emocionar com um personagem que talvez você não concordasse com a forma como ele vive. Esse lugar da imaginação e do sentir que a literatura oferece é o que mais me interessa”, diz.
Estudiosa da biologia (Tort fez cursos na área e um estágio em primatologia), conta que não pesquisou exatamente para escrever o livro, mas chegou a passar dias caminhando e fazendo jejum para reproduzir o que vivem seus personagens. “O jejum é um processo fisiológico e psíquico muito interessante, que não acontece só no corpo, mas na mente também, e muda a nossa percepção e a nossa relação com o tempo”, afirma.
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima - Emicida acaba de lançar "Mesmas Cores & Mesmos Valores", como uma homenagem ao álbum "Cores & Valores", dos Racionais MCs, lançado em 2014. Mas o disco é também uma ode ao rap, esse gênero e movimento que tem a incrível capacidade de retratar e transformar realidades. Convidado do novo episódio do Podcast da Semana, da Gama, Emicida trata das inspirações para esse disco, e do show que segue em turnê.
Aos 40 anos, o rapper lota shows que conectam públicos de diferentes gerações. Grande leitor e pesquisador, ele coleciona referências de todo tipo, e também sobre o Brasil e seus dilemas sociais — tanto que em 2025 chegou a ser citado pela ministra Cármen Lúcia em um julgamento no STF, que utilizou o trecho da música "Ismália" para tratar de racismo estrutural.
Na conversa com Gama, Emicida reflete sobre a importância de Mano Brown e dos Racionais MCs em sua formação artística e pessoal. Detalha sua relação com a imagem e fala da escolha pelo fotógrafo Walter Firmo, de 89 anos, para assinar algumas imagens do álbum. E explica ainda como o novo disco deve ser "assistido com os ouvidos", como ele diz.
Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic - Além da catástrofe financeira, você já parou para pensar que as bets estão mudando o jeito de muita gente olhar para a vida e as suas paixões? No caso do futebol, agora na Copa do Mundo, ficou bem óbvio.
"O futebol sempre foi o nosso ritual mais coletivo, aquele momento raro em que a favela, o asfalto e o condomínio fechado torcem ao mesmo tempo para a seleção. E as bets quebraram esse desejo único em centenas de pequenos mercados, de pequenas transações. Hoje, a pessoa não vai torcer só para um gol, vai torcer para um escanteio, um cartão amarelo, os minutos de acréscimo. As bets sequestraram essa paixão brasileira", diz o antropólogo David Nemer, o convidado do Podcast da Semana da edição sobre bets.
Nemer é professor nos departamentos de Estudos de Mídia, de Antropologia e do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Virgínia. Ele pesquisa tecnologia nas favelas e, nos últimos anos, se dedica a entender os efeitos das bets no Brasil.
Na entrevista que você ouve abaixo, ele fala sobre como as bets têm um modelo de negócios que tira proveito da vulnerabilidade e defende que é errado pensarmos em vício, pois assim "individualizamos" o problema e culpabilizamos o usuário.
"A questão, tanto do iludido quanto do viciado, não dá conta do que realmente acontece. Ela individualiza uma coisa que é estrutural, que é um produto desenhado para extrair, inclusive de quem é informado", afirma o pesquisador.
Segundo Nemer, a Copa funciona como uma grande campanha de recrutamento, trazendo gente nova para as plataformas. "Depois dessa festa, vem a conta, que vai ser o endividamento, o empréstimo com o amigo que não vai conseguir pagar, com agiota. Em lares precarizados, há um abandono familiar. O homem na favela se apropria do dinheiro da mulher, sendo que sete em cada dez lares são mantidos por mulheres. E as mulheres, claro, ao lutar pelo seu dinheiro para sustentar a casa, acabam em confronto e são agredidas."
Ele defende o banimento total e diz que, ainda assim, as bets deixarão um triste legado. "Uma dependência social foi criada e as pessoas buscarão outras formas de aposta."
Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
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