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Renato Rocha Miranda
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    A Nikon Declarou Guerra às Lentes Genéricas — E Pode Ter Atirado no Próprio Pé

    09/03/2026 | 3min
    Em janeiro de 2026, a Nikon moveu uma ação judicial contra a Viltrox na China, alegando violação de patentes relacionadas ao protocolo de comunicação do sistema Z-Mount. A notícia correu rápido nos fóruns e grupos de fotografia. Mas o que parecia ser apenas mais uma disputa corporativa entre empresas de equipamentos fotográficos revelou um efeito colateral que poucos esperavam — e que afeta diretamente quem fotografa no Brasil.
    Semanas depois da ação da Nikon, duas outras marcas de lentes chinesas compatíveis com o sistema Nikon Z simplesmente sumiram das prateleiras digitais: a Sirui e a Meike retiraram silenciosamente seus produtos AF para Nikon Z do mercado. Sem comunicado oficial. Sem explicação detalhada. Apenas ausência.
    O que a Nikon realmente processou?
    O coração da disputa está no protocolo de comunicação entre a câmera e a lente — os dados que permitem o autofoco, a estabilização e a troca de informações em tempo real. A Nikon alega que a Viltrox copiou elementos proprietários desse protocolo para fabricar lentes compatíveis com o mount Z sem pagar royalties ou obter licenciamento.
    A Viltrox, por sua vez, declarou publicamente que não vai alterar seu roadmap de produtos. Em outras palavras: a briga está longe de terminar. Mas enquanto ela se desenrola nos tribunais, a mensagem chegou às outras marcas chinesas do setor de forma cristalina — brincar no jardim da Nikon agora tem risco jurídico.
    E aí a Sirui saiu. E a Meike foi atrás.
    O Brasil no meio dessa guerra
    Se você mora nos Estados Unidos ou na Europa, talvez a saída da Sirui e da Meike do mercado Nikon Z seja um inconveniente. Aqui no Brasil, é um problema de outra dimensão.
    O fotógrafo brasileiro que escolhe o sistema Nikon Z enfrenta uma equação brutal: o câmbio do dólar, os impostos de importação, o custo do frete e a margem dos distribuidores transformam qualquer lente “acessível” em algo que exige planejamento financeiro sério. Uma lente Nikon S-Line de entrada, como a Z 50mm f/1.8 S, pode custar entre R$ 4.500 e R$ 5.500. A versão Viltrox equivalente — a 56mm f/1.4 AF — chegava ao mercado por menos da metade disso.
    Para quem está começando, para quem trabalha com fotografia de eventos mas não vive exclusivamente disso, para quem quer experimentar uma focal diferente antes de investir no produto de marca, as lentes de terceiros não eram luxo — eram a porta de entrada.
    Lentes Sirui AF para Z-Mount, como a 75mm f/1.8, tinham uma proposta de valor única. A Meike, conhecida por opções mais básicas mas funcionais, completava o ecossistema de escolhas acessíveis. Com as duas fora, o fotógrafo brasileiro que usa sistema Z fica ainda mais dependente das lentes Nikon — que, diga-se de passagem, não ficaram mais baratas.
    O paradoxo da Nikon: afastando quem poderia salvá-la
    Aqui está o argumento que a Nikon parece não querer enxergar — ou que enxerga, mas prefere ignorar por razões de curto prazo.
    A Nikon perdeu participação de mercado de forma consistente ao longo da última década. A ascensão da Sony no segmento mirrorless, seguida pelo investimento agressivo da Canon no sistema RF, deixou a empresa japonesa em uma posição cada vez mais delicada. O sistema Z, lançado em 2018, chegou tarde e com um catálogo de lentes nativas caro e inicialmente limitado.
    O que manteve muitos fotógrafos dentro do ecossistema Z foi exatamente a expansão promovida pelas marcas de terceiros. A Viltrox, a Sirui e a Meike fizeram pelo sistema Z o que a Nikon demorou anos para fazer por conta própria: populá-lo com opções em diferentes focais, diferentes faixas de preço e diferentes públicos.
    Existe um fenômeno bem documentado no universo dos sistemas de câmera: o fotógrafo que começa com uma lente genérica, aprende a usar aquela focal, desenvolve afinidade com aquele ângulo de visão — e eventualmente quer a versão “de verdade”. A lente de terceiros funciona como um funil de desejo. Quem compra a Viltrox 85mm f/1.8 AF para Z muitas vezes sonha com a Nikon Z 85mm f/1.2 S. Quem começou com a Meike ganhou confiança no sistema e continuou investindo nele.
    Ao processar a Viltrox e assustar a Sirui e a Meike para fora do mercado, a Nikon não está protegendo seu ecossistema — está encolhendo ele.
    O que esperar agora?
    O cenário mais imediato é de escassez. Quem usa sistema Nikon Z e precisava de opções acessíveis em focais intermediárias (50mm, 56mm, 75mm, 85mm) vai encontrar um mercado mais restrito. Lentes de segunda mão vão valorizar. As Viltrox disponíveis em estoque ainda circulam, mas a reposição está em compasso de espera.
    A médio prazo, tudo depende do desfecho do processo judicial. Se a Nikon vencer, abre precedente para exigir licenciamento de todas as marcas que queiram fabricar lentes para Z-Mount — o que pode inviabilizar economicamente a maior parte dessas empresas ou encarecer seus produtos. Se a Viltrox resistir ou conseguir um acordo, o mercado se normaliza.
    Mas há um terceiro caminho que raramente é discutido: fotógrafos migrando de sistema. A Sony E-Mount é aberta e tem um ecossistema de terceiros robusto e estável. A Sigma, a Tamron, a Viltrox e dezenas de outras marcas fabricam lentes Sony sem ameaça judicial. A Canon RF, apesar de mais fechada do que a Sony, ainda tem opções de terceiros disponíveis. Para o fotógrafo brasileiro que está escolhendo seu primeiro sistema mirrorless agora, ou considerando migrar, a insegurança jurídica do Z-Mount virou um fator de decisão.
    O que fazer se você usa sistema Nikon Z?
    Se você já tem lentes de terceiros compatíveis, elas continuam funcionando normalmente. A ação judicial não afeta produtos já vendidos.
    Se você estava planejando comprar uma Sirui ou Meike para Z, vai precisar garimpar os estoques restantes com distribuidores nacionais ou importadoras — ainda há unidades disponíveis, mas a reposição está incerta.
    Se você está pensando em entrar no sistema Z agora, avalie com atenção o custo total do ecossistema. As lentes nativas Nikon são excelentes — mas são caras. O sistema ficou menos atraente para quem tem orçamento limitado.
    Se você já considerou Sony ou Canon, talvez seja hora de pesquisar com mais seriedade. O E-Mount, em particular, tem hoje um dos ecossistemas de terceiros mais ricos e estáveis do mercado.
    Conclusão: uma guerra de que ninguém precisava
    A Nikon tem o direito de proteger suas propriedades intelectuais. Isso é legítimo e previsto em lei. Mas direito legal e estratégia inteligente de negócios são coisas distintas.
    Em um momento em que a marca precisa desesperadamente crescer sua base de usuários, especialmente em mercados emergentes como o Brasil, escolher brigar com as marcas que popularizavam seu sistema parece — no mínimo — uma decisão equivocada.
    O fotógrafo brasileiro não tem R$ 5.000 sobrando para testar uma focal nova. Ele tem um orçamento apertado, uma câmera que comprou com sacrifício e um sonho de fazer boas imagens. As lentes genéricas eram aliadas desse sonho — e também, indiretamente, aliadas da Nikon.
    Tirar essas lentes do tabuleiro pode ter parecido uma vitória nos corredores jurídicos da empresa. Nos corredores das lojas e nos grupos de fotografia do Brasil, parece outra coisa.
    Parece despedida.
    Fontes: PetaPixel, NikonRumors, Asobinet
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  • Gear in Ear

    Ela Inventou Robert Capa. A História Nunca Contou.

    08/03/2026 | 2min
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    Você já ouviu falar de Robert Capa. Provavelmente conhece O Soldado Caído — aquela imagem de um miliciano espanhol no exato momento em que é atingido, a foto mais famosa da Guerra Civil Espanhola e uma das mais icônicas de toda a história do fotojornalismo. Você sabe o nome do fotógrafo.
    Mas existe uma boa chance de que você nunca tenha ouvido falar de Gerda Taro.
    E esse esquecimento não é acidente. É o resultado de décadas de uma história contada pela metade.
    Escrevi sobre Capa recentemente, incluí um livro sensacional que narra a história dos dois na Guerra Civil Espanhola, vale a leitura, clique abaixo:
    Paris, 1934. O começo de tudo.
    Gerta Pohorylle havia chegado a Paris como refugiada. Filha de judeus de classe média, cresceu em Stuttgart, na Alemanha, e foi presa em 1933 por distribuir propaganda antinazista nas ruas. Com a ascensão de Hitler ao poder, a família se dispersou. Ela foi para Paris com quase nada.
    Na Cidade Luz, conheceu dois jovens fotógrafos igualmente deslocados: David Seymour e André Ernö Friedmann, um húngaro sem dinheiro, com francês péssimo e uma câmera. Os dois se apaixonaram. E juntos, arquitetaram um plano.
    No começo, “Robert Capa” era o nome sob o qual Friedmann, Gerda e Seymour assinavam suas fotos. Normalmente, Friedmann tirava as fotos, Gerda as vendia e quem recebia o crédito era o imaginário Capa.
    A lógica era simples e brutal: nomes judeus e estrangeiros não vendiam. Nomes americanos, sim. Ao adotarem as novas identidades, Capa conseguiu vender suas fotos por até três vezes mais do que recebia antes, iniciando sua fama como o maior fotógrafo de guerra do século XX.
    Capa fotografava, Gerda, com seu ar desenvolto e um francês sem sotaque, vendia as fotos nas agências. André Friedmann havia desaparecido.
    Ela não era a assistente. Ela era a arquiteta do mito.
    A fotógrafa que ninguém via
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    Com o tempo, Gerda começou a fotografar também. E fotografava bem — com um estilo próprio, enquadramentos distintos, uma câmera Rollei que produzia imagens quadradas enquanto Capa usava sua Leica retangular. Ela começou a comercializar suas fotos sob o nome de Photo Taro para várias revistas de peso, como a Life e a Volks-Illustrierte.
    Em 1936, com o início da Guerra Civil Espanhola, os dois foram enviados para Barcelona. Gerda era a única mulher fotojornalista a cobrir o conflito. Fotografava soldados, civis, trincheiras, o cotidiano da guerra — de perto, sem distância segura. Os três procuravam sempre estar perto da ação, munidos com câmeras de 35mm de fácil transporte. Tomaram posições políticas que reverberaram em seus trabalhos, reconhecendo-se na condição de imigrantes judeus contra o ditador espanhol Francisco Franco.
    E aqui está o detalhe que a história oficial preferiu ignorar durante décadas: há suspeitas até hoje de que muitas das fotos da Guerra Civil Espanhola creditadas a “Robert Capa” tenham sido tiradas por Gerda Taro. Até 1937, quase todas as fotografias de Gerda eram publicadas sem crédito — ou creditadas ao nome fictício que ela própria havia ajudado a criar.
    Brunete. 26 de julho de 1937.
    Em julho de 1937, Gerda Taro e o jornalista Ted Allan estavam juntos na cobertura da Batalha de Brunete. A fotógrafa trabalhava registrando o Segundo Congresso Internacional de Escritores para Defesa da Cultura, na cidade de Madrid, quando se deslocou para a frente de batalha, contrariando a proibição do jornal, que alegava grande perigo.
    Um general polonês que combatia ao lado dos republicanos, ao vê-la, ordenou que abandonasse o local imediatamente. Ela desobedeceu.
    Um tanque desgovernado do exército republicano colidiu com o carro em que ela estava sendo transportada. Gerda foi mortalmente ferida no estômago.
    Ela morreu no dia seguinte. Tinha 26 anos. Era a primeira fotojornalista mulher a morrer em combate. Capa soube da notícia lendo o jornal no dentista e nunca se recuperou do trauma.
    Seu corpo foi levado para Paris. O funeral atraiu milhares de pessoas. Ela se tornou mártir da causa antifascista, símbolo do fotojornalismo revolucionário — e, gradualmente, foi sendo reduzida a uma nota de rodapé na biografia de Robert Capa.
    A Maleta Mexicana
    Por décadas, grande parte do trabalho fotográfico da Guerra Civil Espanhola ficou perdida. Antes de partir de Paris, com medo de ser enviado a um campo de concentração por sua origem judaica, André Friedmann — o homem que o mundo passou a conhecer como Robert Capa — entregou cerca de 4.500 negativos para um conhecido, pedindo que os enviasse para os Estados Unidos.
    Os negativos desapareceram. Viraram lenda.
    Em 2007, a “Maleta Mexicana” foi reapresentada pelo International Center of Photography, em Nova York. Entre os episódios revelados, descobriu-se que muitas das imagens atribuídas a Robert Capa durante a Guerra da Espanha eram, na verdade, de Gerda Taro.
    Setenta anos depois da morte dela. Setenta anos para que o crédito começasse, finalmente, a ser acertado.
    O que a fotografia não contou
    A história do fotojornalismo de guerra é contada, em grande parte, através de um nome: Robert Capa. O húngaro corajoso, o romântico irredutível, o homem que disse que “se suas fotos não são boas o suficiente, você não estava perto o suficiente.”
    Mas essa frase, esse mito, essa identidade — tudo isso foi construído em parceria. Gerda Taro não era a acompanhante de Robert Capa. Era a metade de Robert Capa.
    Ela criou o personagem. Ela vendeu as fotos. Ela foi para a frente de batalha quando a maioria recuava. E ela morreu fazendo o trabalho que amava — enquanto o nome que ela ajudou a inventar continuava crescendo sem ela.
    Existe um paradoxo cruel na história de Gerda Taro: ao criar Robert Capa, ela garantiu que o trabalho chegaria ao mundo — mas também garantiu que seu próprio nome ficaria invisível por décadas.
    Hoje, oitenta e oito anos depois, a fotografia começa a acertar essa conta.
    Se você chegou até aqui pelo carrossel — esse é só o começo. A história da fotografia está cheia de nomes que merecem ser lembrados. A Obscura está aqui para isso.
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  • Gear in Ear

    O celular que quer ser sua câmera, seu editor e seu assistente. Ao mesmo tempo.

    26/02/2026 | 4min
    Existe um ritual bem conhecido entre fotógrafos que usam celular profissionalmente. Você tira a foto, abre o Lightroom Mobile, passa uns bons minutos ajustando exposição, temperatura e clareza, exporta, abre outro app pra remover aquele elemento incômodo do fundo, exporta de novo, e só então posta. É um fluxo funcional. É chato. E a Samsung acredita que acabou.
    O Galaxy S26 Ultra foi apresentado ontem em São Francisco com uma proposta que vai além de especificação: ele quer ser o fim desse fluxo de três apps. E, olhando com cuidado para o que foi mostrado, há razões reais para levar isso a sério — e razões igualmente reais para não se deixar levar pelo hype de evento.
    f/1.4. O que isso significa de verdade?
    Vamos começar pelo hardware, porque é onde a conversa fica honesta.
    A câmera principal do S26 Ultra abre agora em F1.4. Era F1.7 no S25 Ultra. Parece pouco no papel — uma diferença de 0.3 — mas em termos de captação de luz, estamos falando de 47% mais entrada de luz. É a diferença entre uma foto noturna que funciona e uma que você vai descartar.
    Para colocar em perspectiva: F1.4 é a abertura de uma lente prime decente. Uma 50mm F1.4 para mirrorless custa entre R$ 1.500 e R$ 4.000 dependendo da marca. Obviamente o sensor do celular é incomparavelmente menor, e física é física — mas a Samsung está jogando com essa comparação intencionalmente, e não está completamente errada em fazê-lo, mas prepare-se: a paranóia fotográfica das câmeras maiores está chegando aos celulares.
    A teleobjetiva de 50 MP também melhorou, chegando a F2.9 com 37% mais brilho no zoom óptico de 5x. Para quem fotografa eventos, palcos ou qualquer coisa com distância e pouca luz — shows, casamentos em espaços grandes, esportes noturnos — essa combinação é genuinamente nova.
    O que ainda me faz pausar: a câmera Ultra Wide ficou igual. 50 MP, F1.9, sem grandes novidades. Para paisagistas e arquitetos que dependem do ângulo aberto, o salto é menor do que os headlines sugerem, para ser sincero: não há salto.
    A IA que lê sua tela antes de você pedir
    Aqui é onde fica interessante — e um pouco inquietante, dependendo do seu temperamento.
    O recurso mais importante do S26 não é a câmera. É o Now Nudge. Ele é um agente de IA que monitora o que está acontecendo na sua tela em tempo real e oferece sugestões contextuais sem você precisar pedir nada. Alguém te manda mensagem pedindo fotos da última viagem? O Now Nudge já identificou isso, já selecionou as imagens do período correto na Galeria e te apresenta um atalho para compartilhar com dois toques.
    A Samsung chama isso de “proativo”. Outros poderiam chamar de “vigilante”. A empresa foi cuidadosa em deixar claro que tudo isso é processado localmente no dispositivo, com o que chamam de Personal Data Engine — seus dados ficam criptografados no aparelho, não vão para a nuvem a menos que você autorize. É o tipo de coisa que precisa ser verificado na prática ao longo do tempo, não apenas acreditado numa apresentação de produto.
    O que é inegável: o fluxo de edição ficou muito mais fluido. O Foto Inteligente agora aceita comandos em linguagem natural. Você digita “tira a pessoa do fundo” ou “deixa o céu mais dramático” e a IA executa. Não é Photoshop. Não vai substituir um retoque técnico sério. Mas para 90% das fotos que você posta no dia a dia, é rápido e funciona.
    O Estúdio Criativo vai na mesma direção: você descreve ou rabisca e a IA gera um pacote de stickers para o seu teclado. Parece fútil até você perceber que criadores de conteúdo passam horas por semana fazendo exatamente isso em ferramentas separadas.
    Leia o que o Videofotista, nosso parceiro, escreveu sobre esse lançamento:
    A Apple chegou atrasada — e no Brasil isso dói mais
    Não dá para falar do S26 sem falar do iPhone. Não porque a Samsung necessite dessa comparação para se justificar, mas porque a maioria das pessoas que vai considerar comprar um S26 Ultra está saindo de um iPhone ou pensando em trocar.
    O elefante na sala é este: a Apple Intelligence, o sistema de IA da Apple, ainda não funciona em português do Brasil. Não é uma questão de recursos limitados — é uma questão de ausência. Quem comprou um iPhone 16 Pro esperando usar IA no dia a dia em PT-BR ainda está esperando.
    A Samsung entrega Galaxy AI completo em português desde agora. Now Nudge, Foto Inteligente, Bixby com linguagem natural, Search with Finder — tudo em português, tudo funcional na largada. Para o mercado brasileiro, onde somos historicamente os últimos a receber features de software, isso é uma inversão notável.
    Em câmera, a comparação também favorece a Samsung nos números: 200 MP contra 48 MP na principal, zoom digital de 100x contra 25x, F1.4 contra F1.78. A Apple compensa com consistência de cores e processamento de imagem que muitos fotógrafos preferem pelo resultado final mais “cinematográfico”. É uma questão de gosto tanto quanto de especificação — mas em termos de versatilidade técnica, o S26 Ultra leva.
    A única vantagem objetiva que o iPhone mantém, e não é pequena: longevidade de suporte de software. A Apple garante 7 anos de atualizações. A Samsung promete 7 também agora, mas tem histórico mais curto para provar.
    R$ 15 mil. Vale a pena? Depende de onde você vem.
    Essa é a pergunta que todo mundo vai fazer e que poucos sites respondem com honestidade. Então vamos direto.
    Se você tem S22 Ultra ou anterior: sim. O salto é grande o suficiente para justificar — câmera, IA, design mais fino, bateria que carrega 75% em 30 minutos. Com o programa de Troca Smart da Samsung, que aceita qualquer aparelho em qualquer condição, o preço real cai consideravelmente.
    Se você tem S23 Ultra: sim, especialmente se câmera é central no seu trabalho. A abertura F1.4 e o pacote Galaxy AI completo que o S23 não recebe mais são argumento suficiente para criadores.
    Se você tem S24 Ultra: talvez. O único recurso genuinamente exclusivo do S26 Ultra — aquele que o S24 nunca vai ter — é a Tela de Privacidade. É uma tela que usa tecnologia de ângulo de visão para escurecer o display para quem olha de lado. Inédita em qualquer smartphone. Se você trabalha em espaços públicos, avião, coworking, ou simplesmente não quer que o vizinho leia sua tela no metrô, é um diferencial real. Para todos os outros: espera mais um ciclo.
    Se você tem S25 Ultra: não. Um ano não é tempo suficiente para sentir esse salto no bolso.
    O veredicto da Obscura
    O S26 Ultra é o melhor smartphone para fotografia e vídeo disponível agora. Dito isso, “melhor” nunca foi sinônimo de “necessário”.
    O que a Samsung fez de mais inteligente aqui não foi o F1.4. Foi integrar a IA de uma forma que resolve problemas reais do fluxo de trabalho de quem cria imagens — sem exigir que você aprenda novos apps ou mude seus hábitos. O Now Nudge, o Foto Inteligente por texto e o processamento local de dados são a camada que transforma especificação em uso cotidiano.
    Para fotógrafos profissionais que usam celular como câmera secundária ou de bastidores: o S26 Ultra merece atenção séria. A câmera F1.4 em condições de baixa luz abre possibilidades que câmeras de celular simplesmente não tinham até agora.
    Para criadores de conteúdo que vivem no fluxo foto-edita-posta: é o upgrade mais relevante dos últimos três anos, aqui o Samsung engole a Apple, que produz o telefone mais irritante da Terra ( e olha que eu uso um Iphone 16 Pro Max)
    Para quem tem iPhone e está curioso: o argumento mais forte não é a câmera. É que a IA da Samsung já fala português — e a da Apple ainda não.
    O preço começa em R$ 7.499 no S26 base e chega a R$ 15.499 na versão Ultra com 1TB. É caro. O Brasil sempre paga mais. Mas pela primeira vez em um bom tempo, a Samsung lançou algo que justifica a conversa.
    Quer o briefing completo?
    Preparei um documento exclusivo com fichas técnicas detalhadas de todos os modelos, tabela comparativa Galaxy S26 Ultra vs. iPhone linha a linha, guia de upgrade por geração e todos os preços no Brasil.
    É o material que eu uso antes de escrever — organizado, consultável, direto.
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  • Gear in Ear

    O Lobo de 3.200 Dólares: A Nikon 70-200mm f/2.8 VR S II e a Inflação da Nitidez.

    24/02/2026 | 3min
    A Nikon não está brincando. A nova 70-200mm f/2.8 VR S II chegou para provar que a montagem Z ainda tem lenha para queimar, mas o preço de U$ 3.196,95 é um choque de realidade.
    A Engenharia do “Lobo”
    O que justifica o título de “Lobo em pele de cordeiro”? A Nikon conseguiu reduzir o peso para apenas 998 g (sem o pé de tripé). Para comparação, a versão anterior pesava cerca de 1.360g. São 360 g a menos pendurados no seu pescoço durante um casamento de 8 horas ou uma final de campeonato.
    Os destaques técnicos que fazem a diferença na “pancadaria” do dia a dia:
    * design ótico atualizado de 18 elementos e 16 grupo, beneficiando a qualidade da imagem. Um diafragma arredondado de 11 lâminas confere ao bokeh da lente uma aparência mais arredondada, e o design ótico também proporciona reduções significativas em fantasmas e reflexos.
    * sistema "Silky Swift Voice Coil Motor” da Nikon utiliza ímãs em vez de engrenagens para obter melhorias em velocidade, precisão e controle de ruído. Como o próprio nome sugere, o sistema de autofoco também beneficia a produção de vídeo, reduzindo a oscilação da imagem durante o foco seletivo.
    * O “Fator Nitidez”: As curvas MTF mostram algo assustador. Em f/2.8, ela entrega mais contraste e resolução nas bordas do que a versão anterior entregava no centro. É a “nitidez cirúrgica” que o fotógrafo de elite exige.
    “Com uma abertura constante rápida de f/2.8 e uma faixa focal versátil, a 70-200mm f/2.8 está bem estabelecida como a lente essencial para fotografar esportes, retratos, casamentos e muito mais, com excelente desempenho em baixa luminosidade e um bokeh naturalmente belo"

    O Realidade Check: 3.200 dólares no Brasil

    Aqui na Obscura, a gente faz a conta que o marketing não faz. Com o dólar atual e a cascata de impostos, essa lente chega para o profissional brasileiro beirando os R$ 30.000 a R$ 40.000 (dependendo de como você a traz).
    Característica da sua classe, a 70-200mm f/2.8 VR S II também apresenta uma Redução de Vibração aprimorada, compensando seis pontos de trepidação da câmera e beneficiando a fotografia em condições de pouca luz na extremidade teleobjetiva da faixa de zoom.
    A nova lente é composta por 18 elementos dispostos em 16 grupos e inclui elementos super ED, ED asférico, ED, asférico, fluorita e refrativo de comprimento de onda curto (SR) para, como descreve a Nikon, corrigir eficazmente as aberrações da lente, proporcionando uma renderização mais nítida e natural.
    Ela também utiliza o revestimento Meso Amorphous Coat da Nikon — que a empresa afirma ser o melhor revestimento antirreflexo já produzido — bem como o revestimento ARNEO, projetado para suprimir fantasmas e reflexos. Além disso, é resistente à poeira e às intempéries.
    A qualidade de construção da lente faz jus à reputação da sua designação “S-line”, oferecendo vedação avançada contra intempéries, diversos botões e anéis personalizáveis, um para-sol redesenhado com janela de ajuste de filtro e um encaixe para tripé tipo Arca com capa protetora.
    O autofoco é impulsionado por um motor VCM "Silky Swift" aprimorado, que é o sistema de foco linear da Nikon, e a empresa afirma que ele pode focar 3,5 vezes mais rápido durante o zoom e é cerca de 40% mais rápido no geral do que seu antecessor.
    Vale o upgrade?
    Se você vive de esporte, vida selvagem ou eventos de altíssimo padrão onde a fadiga física é seu maior inimigo, a redução de peso e o foco instantâneo são investimentos em saúde e entrega.
    Mas, para a maioria dos mortais, a Versão I (S-Line) continua sendo um “monstro” que agora vai inundar o mercado de usados com preços muito mais atraentes.
    Comento sobre isso aqui:

    A Nikon criou a lente perfeita. O problema é que ela parece ter esquecido que o resto do mundo não ganha em dólar. A nova lente zoom teleobjetiva junta-se à lente zoom padrão NIKKOR Z 24-70mm f/2.8 S II como a mais recente integrante da "trindade" de lentes da Nikon.
    O termo refere-se ao conjunto de lentes zoom de nível profissional — grande angular, padrão e teleobjetiva — que oferece cobertura de distância focal quase completa com uma abertura máxima fixa e ampla em toda a faixa.
    Um belo aviso a quem ainda tem as versões DSLR para pensarem melhor a insistência em permanecer em um sistema que não receberá novidades tão cedo e já enfrenta dois modelos absurdos de bons nas mirrorless.
    E aí? Investiria 30 mil nessa lente? Comente aqui embaixo!
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    A Queda da Nikon e a Ascensão da Fujifilm: Mesmas Desculpas, Destinos Opostos

    09/02/2026 | 3min
    Existe um momento revelador quando duas empresas concorrentes, do mesmo país, do mesmo setor, enfrentando exatamente as mesmas condições macroeconômicas, apresentam resultados financeiros diametralmente opostos. É nesse contraste que a verdade aparece nua e crua: não é o mercado que define o sucesso. É a estratégia.
    A Nikon e a Fujifilm acabaram de publicar seus resultados financeiros do terceiro trimestre do ano fiscal de 2025. Ambas citam tarifas americanas, taxas de câmbio desfavoráveis e um mercado competitivo como desafios. Mas enquanto uma sangra milhões em prejuízo, a outra bate recordes históricos de receita e lucro.
    Vamos aos números:
    A Nikon em Queda Livre
    A Nikon reportou um prejuízo operacional de 103,6 bilhões de ienes — quase US$ 660 milhões — nos primeiros três trimestres do ano fiscal. Só no terceiro trimestre, o prejuízo operacional foi de 98,8 bilhões de ienes (US$ 629 milhões).
    Sim, parte desse rombo vem de perdas cambiais e baixas contábeis de ativos. Mas o problema vai além: a divisão de produtos de imagem, que representa quase 50% da receita total da empresa, também está em apuros. A receita caiu, o lucro operacional ficou 11 bilhões de ienes (US$ 70 milhões) abaixo das expectativas — uma queda de quase 35% em relação às projeções do ano passado.
    Mas aqui está o mais chocante: em novembro de 2024, apenas três meses atrás, a Nikon reportou crescimento saudável de 14,1% em receita e 3,6% em lucro operacional na divisão de imagem. A empresa havia vendido 410 mil câmeras no semestre e estava otimista. Fast forward para fevereiro de 2026: prejuízo de $660 milhões, projeções cortadas, executivos sem bônus. Não foi uma agonia lenta.
    Foi uma queda livre.
    E isso é ainda mais assustador do que uma crise prolongada — mostra o quão vulnerável a estratégia da Nikon se tornou quando o vento virou.
    E o mais assustador? Desde 2022, as vendas de câmeras da Nikon estão completamente estagnadas. A empresa reduziu suas projeções de 950 mil para 900 mil câmeras vendidas este ano, e de 1,4 milhão para 1,3 milhão de lentes.
    A Nikon lançou produtos excelentes recentemente: a Z5 II, a Z50 II, a câmera de cinema ZR. Mas não cresceu. E quando você não cresce num mercado onde outras empresas estão explodindo, o problema não é externo.
    A cereja do bolo? O CEO e o presidente da empresa abriram mão dos bônus e compensações em ações. Quando a alta liderança renuncia à própria remuneração, você sabe que o buraco é fundo.
    A Fujifilm em Festa

    Do outro lado da rua, a Fujifilm está comemorando.
    Receita recorde. Lucro recorde. Crescimento de 4,4% na receita geral e 14,6% na divisão de imagem em relação ao ano anterior. O lucro operacional da divisão de imagem subiu 12,9%, alcançando 55,1 bilhões de ienes (US$ 351 milhões).
    E tem mais: a empresa projeta que o quarto trimestre continuará essa trajetória ascendente, marcando o 16º ano consecutivo de aumento de dividendos.
    O que a Fujifilm fez de diferente?
    Primeiro: diversificação inteligente. Enquanto a Nikon deposita metade de suas fichas em câmeras mirrorless de alta performance para entusiastas e profissionais — um mercado que, embora estável, é limitado —, a Fujifilm investiu pesado na Instax.
    Sim, aquelas câmeras instantâneas que você vê nas mãos de adolescentes no TikTok e em festas. A linha Instax acaba de ultrapassar 100 milhões de unidades vendidas cumulativamente. E a empresa está tão confiante no produto que vai investir US$ 32 milhões para aumentar a produção em 10%.
    A Instax mini 12, mini Evo, Wide 400 e a recém-lançada mini Evo Cinema (que agora grava vídeo) estão vendendo como água. É um produto acessível, divertido, nostálgico e perfeitamente alinhado com o comportamento de uma geração que valoriza experiências tangíveis num mundo digital.
    Segundo: não abandonou o profissional. A Fujifilm continua lançando câmeras e lentes de alta performance que vendem bem. A GFX100 RF, X-M5, X-E5 e X-T30 III foram citadas como produtos de “vendas fortes”. Ou seja: a empresa consegue surfar em dois mercados simultaneamente — o de massa e o premium.
    Mesmas Desculpas, Estratégias Diferentes
    Ambas as empresas citam as mesmas dificuldades externas: tarifas americanas, câmbio desfavorável, competição acirrada. Mas uma está crescendo e a outra está afundando.
    A Nikon culpa “declínio no preço médio de venda devido a mudanças no mix de produtos” e “maiores despesas de promoção em meio ao ambiente competitivo intensificado”. Traduzindo: estamos tendo que baixar preços e gastar mais em marketing para tentar competir — e ainda assim não estamos crescendo.
    A Fujifilm, enfrentando o mesmo ambiente competitivo, está crescendo. Por quê? Porque encontrou mercados onde pode dominar (Instax), manteve relevância no segmento profissional (X e GFX) e diversificou o risco.
    A Nikon, por outro lado, continua dependente demais de um único segmento que está estagnado. E quando você coloca 50% da sua receita num mercado que não cresce, você não tem margem de erro.
    O Que Isso Significa para Você
    Se você é fotógrafo ou videomaker que usa Nikon, não precisa entrar em pânico. A empresa não vai desaparecer amanhã. Mas esses números são um sinal amarelo piscando.
    Empresas em crise financeira tendem a cortar investimento em P&D, atrasar lançamentos, reduzir suporte ao cliente e, eventualmente, aumentar preços para tentar recuperar margens. Já vimos esse filme antes com outras marcas.
    Se você está pensando em investir num sistema de câmeras novo, esses dados importam. Ecossistema de lentes, atualizações de firmware, longevidade do suporte — tudo isso depende da saúde financeira da empresa.
    E se você é da Fujifilm? Bem, aproveite. Você está num barco que não só está flutuando, como está acelerando enquanto outros afundam.
    Conclusão: Estratégia Vence Desculpas
    O mercado de câmeras está difícil? Sim. Tarifas estão pesando? Sim. Câmbio está desfavorável? Sim. Mas a Fujifilm está crescendo apesar disso tudo. E a Nikon está afundando por causa disso tudo.
    A diferença não está nas condições externas. Está nas escolhas estratégicas internas.
    E essa é a lição que vale para qualquer negócio, qualquer mercado, qualquer momento: quando todo mundo enfrenta o mesmo vento contrário, quem navega melhor é quem tem a vela ajustada corretamente.
    A Nikon precisa urgentemente ajustar a vela. Porque o vento não vai mudar tão cedo.
    E você, usa Nikon ou Fujifilm? Comenta aqui embaixo e me conta o que achou dessa análise.
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