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Renato Rocha Miranda
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  • Gear in Ear

    Enquanto a Adobe Dormia, a Apple Acordou: Creator Studio Chega para Fechar o Cerco

    22/1/2026 | 5min
    Lembra quando falamos que a Adobe ganhou seu pior pesadelo com o Affinity gratuito? Pois é. A situação acabou de ficar exponencialmente pior.
    Na última segunda-feira, 13 de janeiro, a Apple lançou o Creator Studio: um pacote unificado de apps criativos por $12.99/mês que ataca diretamente o modelo de negócio da Adobe Creative Cloud. E não é brincadeira — é Final Cut Pro, Pixelmator Pro, Logic Pro, Motion e Compressor em uma assinatura que custa menos que um combo no McDonald’s.
    Para quem acompanhou meu texto anterior sobre o Affinity virar gratuito, a sensação é de assistir um cerco se fechar. Só que agora não é mais só o Canva mordendo pelas bordas com design simplificado. É a Apple — com seus bilhões de dólares, ecossistema fechado e lealdade fanática — entrando de frente no mercado criativo profissional.
    E a Adobe? Bem, parece que cochilou no ponto
    O Que É o Creator Studio (E Por Que Você Deveria Se Importar)
    O Creator Studio não é só um “pacote de apps” — é a Apple finalmente respondendo ao que criativos vêm pedindo há anos: uma alternativa real, integrada e acessível à Adobe.
    O pacote inclui:
    * Final Cut Pro (vídeo profissional)
    * Pixelmator Pro (edição de imagem — a resposta ao Photoshop)
    * Logic Pro (produção musical)
    * Motion (motion graphics)
    * Compressor (renderização avançada)
    Tudo por R$39,90/mês (ou R$399/ano). Estudantes pagam R$ 14,90/mês ou R$ 149/ano
    Compare com a Adobe Creative Cloud completa: $69.99/mês no plano anual, ou $839.88/ano. Mas a história não é só sobre preço.
    A Genialidade Silenciosa: IA que Resolve Problemas Reais
    Aqui está o ponto crítico que a Adobe não percebeu: ninguém quer IA que gera imagens bonitinhas. Criadores querem IA que acelera workflow.
    Enquanto a Adobe empurrou Firefly goela abaixo — uma ferramenta de IA generativa que, seríamos honestos, é mediana comparada a Midjourney ou DALL-E — a Apple focou em algo muito mais útil: inteligência aplicada a tarefas repetitivas e frustrantes.
    O Que o Creator Studio Traz de Novo:
    1. Transcript Search (Final Cut Pro) Procure palavras-chave em horas de gravação. Encontre aquela frase específica que o entrevistado disse sem precisar assistir tudo de novo. Economize literalmente horas de trabalho.
    2. Visual Search Busca por conteúdo visual dentro dos seus projetos. Quer encontrar todos os takes onde aparece um carro vermelho? Um segundo. Literalmente.
    3. Beat Detection O Final Cut agora usa o motor de IA do Logic Pro para detectar batidas em músicas e criar uma grid visual. Cortar vídeos no ritmo da música virou trivial.
    4. Montage Maker (iPad) Selecione seus clipes, escolha o ritmo, e a IA monta um vídeo dinâmico automaticamente. Perfeito para reels, stories, ou quando você só quer testar ideias rápido.
    5. Magnetic Mask (Motion) Isola e rastreia pessoas e objetos em vídeo automaticamente. O tipo de coisa que economiza dias em produções complexas.
    Percebe a diferença? Adobe vende IA como um “gerador de imagens mágicas”. Apple vende IA como um assistente silencioso que faz o trabalho chato pra você.
    E isso é devastador.
    Pixelmator no iPad: O Ataque Direto ao Photoshop
    Quando a Apple comprou a Pixelmator em novembro de 2024, muitos esperavam que ela trouxesse de volta o Aperture — o lendário concorrente do Lightroom que a Apple matou em 2015. Não foi o que aconteceu.
    Mas o que veio pode ser ainda melhor: o Pixelmator Pro agora funciona plenamente no iPad, com interface otimizada para toque e Apple Pencil. E mantém paridade completa com a versão Mac.
    Isso significa:
    * Sistema completo de camadas
    * Super Resolution por IA
    * Seleções inteligentes (masking automático)
    * Ferramentas profissionais de correção e composição
    Tudo sincronizado entre iPad e Mac. Tudo integrado ao ecossistema Apple.
    A Adobe tem o Photoshop no iPad, sim. Mas é uma versão limitada, frustrante, que sempre parece “quase lá mas não exatamente”. A Apple construiu do zero pensando em iPad — e isso se nota.
    O Modelo Híbrido: Compra Única + Assinatura
    Aqui está uma sacada inteligente que a Adobe deveria prestar atenção:
    Todos os apps do Creator Studio continuam disponíveis para compra única no Mac App Store. Quer só o Final Cut Pro? Compra uma vez, é seu pra sempre.
    Mas alguns recursos avançados de IA ficam exclusivos pra assinantes. É um modelo híbrido que respeita quem odeia assinaturas, mas incentiva quem quer o melhor.
    Compare com a Adobe: assinatura ou nada. Quer usar Photoshop? Pague todo mês ou perca acesso a tudo. Não há meio termo.
    O Cerco Se Fecha: Canva Embaixo, Apple em Cima
    Vamos recapitular a situação da Adobe em janeiro de 2026:
    Por baixo: O Canva adquiriu o Affinity e o tornou completamente gratuito. Designers, ilustradores e diagramadores migrando em massa.
    Pelo meio: A Affinity provou que apps profissionais podem ser vendidos em compra única e ainda lucrar. O DaVinci Resolve fez o mesmo com edição de vídeo.
    Por cima: A Apple entra com força total, preço agressivo, IA funcional, e o ecossistema mais poderoso do mercado criativo.
    E a Adobe? Aumentou preços em 17% em junho de 2025, empurrou IA que ninguém pediu, e continua com o mesmo Creative Cloud engessado de sempre.
    Onde a Adobe Errou (E Pode Não Ter Volta)
    A Adobe cometeu três erros fatais nos últimos anos:
    1. Tratou Clientes Como Reféns
    O modelo de assinatura obrigatória gerou revolta silenciosa. Profissionais pagavam porque “não tinha alternativa”. Agora tem.
    2. Apostou na IA Errada
    Firefly é impressionante tecnicamente, mas não resolve problemas reais. É espetáculo, não ferramenta.
    3. Parou de Inovar Onde Importa
    Quando foi a última atualização significativa do Photoshop que não fosse relacionada a IA generativa? 2020? 2019?
    Enquanto isso, a concorrência focou em velocidade, estabilidade e experiência de usuário. E venceu.
    O Que Isso Significa Para Você
    Se você é criativo — fotógrafo, designer, videomaker — está vivendo o melhor momento da história para escolher suas ferramentas.
    Vale a pena experimentar o Creator Studio? Se você está no ecossistema Apple, absolutamente. O teste grátis de um mês é sem risco.
    Dá para substituir a Adobe completamente? Depende:
    * Videomakers: Final Cut é maduro, rápido e adorado. Sim.
    * Designers/ilustradores: Pixelmator + Affinity resolvem 90% dos casos. Provavelmente sim.
    * Fotógrafos: Ainda há o desafio do suporte a RAW de câmeras novas. Talvez não (ainda).
    A Adobe vai reagir? Terá que reagir. Mas baixar preços quebraria o modelo de negócio. E melhorar produto... bem, eles tiveram anos pra fazer isso.
    O Futuro é de Quem Respeita o Cliente
    No final, essa guerra não é sobre tecnologia. É sobre respeito: o Canva respeitou criativos fazendo o Affinity gratuito. A Apple respeitou criativos cobrando preço justo. O DaVinci Resolve respeitou editores dando versão gratuita profissional.
    A Adobe? Cobrou mais caro, entregou menos, e tratou assinantes como carteira ambulante. E agora está pagando o preço.
    A revolução criativa não será televisionada. Mas será renderizada. Editada. Publicada. E a Adobe pode não estar no elenco. O Creator Studio está disponível desde 28 de janeiro na App Store. Teste grátis por 30 dias.
    VENÇA O ALGORITMO, ASSINE A OBSCURA!



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  • Gear in Ear

    Dois Concursos Internacionais Imperdíveis Estão Com Inscrições Abertas

    09/1/2026 | 3min
    Galera da Obscura, se liga nessas duas oportunidades massa que podem dar aquela projeção internacional pro trabalho de vocês. Os dois concursos já estão com inscrições abertas e têm prazos até o primeiro trimestre de 2026.
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    Hasselblad Masters 2026
    O Hasselblad Masters é um dos concursos de fotografia mais prestigiados do mundo, rolando desde 2001. A edição 2026 tá recebendo inscrições até 28 de fevereiro de 2026.
    Categorias:
    * Landscape
    * Architecture
    * Portrait
    * Street
    * Art
    * Wildlife
    * Project // 21 (exclusiva para fotógrafos até 21 anos)
    Prêmios:
    Cada vencedor de categoria leva:
    * Uma câmera Hasselblad X2D II 100C
    * Duas lentes XCD à escolha
    * €5.000 em dinheiro
    Um fotógrafo ainda será nomeado o Hasselblad Master geral, título super prestigiado no mundo da fotografia.
    Por que vale a pena?
    * Aberto a todos os fotógrafos, profissionais ou não
    * Não precisa usar equipamento Hasselblad - pode participar com qualquer câmera
    * Júri formado por nomes pesados: diretor de fotografia da National Geographic, curador sênior da Foam, editor da Aperture Magazine, entre outros
    * Visibilidade internacional absurda
    Prazo: Até 28/02/2026Link: hasselblad.com/masters/2026

    IPPA Awards 2026 (iPhone Photography Awards)
    O IPPA é o concurso de fotografia mobile mais antigo do mundo, chegando na sua 19ª edição. Pode parecer nicho, mas a galera que ganha esse prêmio ganha reconhecimento mundial - é o concurso de fotografia mobile.
    Categorias:
    Abstract | Animals | Architecture | Children | Citylife/Cityscape | Landscape | Lifestyle | Nature | People | Portrait | Series (3 imagens) | Other
    Prêmios:
    * Photographer of the Year: Produto Apple (geralmente o iPhone/iPad mais recente)
    * Top 3 gerais: Produtos Apple
    * 1º lugar de cada categoria: Barra de ouro de 1g (Pamp Suisse)
    * 2º e 3º de cada categoria: Barra de platina de 1g
    Requisitos:
    * Foto tirada com iPhone ou iPad (qualquer modelo)
    * Pode usar apps iOS e lentes externas para iPhone
    * Não pode editar em programas desktop (tipo Photoshop)
    * Fotos não podem ter sido publicadas profissionalmente (posts em redes sociais pessoais tá valendo)
    Valores:
    A partir de $7.50 por imagem, com pacotes de múltiplas fotos que saem mais em conta.
    Prazo: Até 31/03/2026Link: ippawards.com

    Por que vocês deveriam considerar?
    Esses dois concursos são oportunidades legítimas de:
    * Ganhar reconhecimento internacional - os dois têm peso real no mundo da fotografia
    * Equipamento profissional (Hasselblad) ou prêmios valiosos (IPPA)
    * Networking - aparecer nesses concursos abre portas
    * Portfolio - ter trabalho premiado nesses concursos é diferencial forte
    O bacana é que são propostas diferentes: o Hasselblad é mais tradicional e aceita qualquer equipamento, enquanto o IPPA valoriza a fotografia mobile, que tá cada vez mais forte. Se você trabalha com iPhone/iPad, o IPPA é uma chance de mostrar que fotografia boa não depende só de câmera DSLR.
    Bora mandar ver! Se alguém se inscrever, depois conta aqui pra gente como foi a experiência. 📷✨
    Lembrete: leiam os regulamentos completos nos sites oficiais antes de se inscrever. As informações aqui são um resumo pra ajudar vocês a decidirem se vale a pena.
    * Hasselblad Masters 2026: hasselblad.com/masters/2026
    * IPPA Awards 2026: ippawards.com/2026-entry-form

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  • Gear in Ear

    Se Você Não Enxerga o Óbvio, Como quer Fotografar o Extraordinário?

    07/1/2026 | 1min
    Eu comecei o sábado com uma pergunta intrigante do Diogo, um seguidor do instagram, observe a dúvida dele:
    A resposta simples: não se faz conta alguma!
    Mas também não se fica chutando, ops, “testando”, como os especialistas de iluminação adoram afirmar. São as duas faces do mesmo desconhecimento, porque a resposta é fornecida para todo fotógrafo na primeira aula de qualquer curso de fotografia.
    Só que você é ensinado a não enxergar!

    Repare na imagem abaixo, mostra a relação de cargas de qualquer flash no mercado:
    Seu flash está condenado a disparar apenas variações de dobros e metades de luz, aliás, não só o seu flash, mas qualquer fonte luminosa: LEDs, luzes de cinema/TV, sua lanterna, um fósforo, a tocha de estúdio, todas as luzes precisam ser calibradas quanto à intensidade, porque a fotografia é um sistema rigidamente fechado, regulado por um severo calibrador:
    O diafragma de sua câmera

    Seu flash varia a carga em dobros e metades porque é a única quantidade que o diafragma permite entrar na câmera, essa variação é, na verdade, a linguagem, o código que qualquer fotógrafo usa para se comunicar tecnicamente: “feche um ponto, abra um ponto”, é a forma profissional de se precisar quanto de luz entra na nossa câmera.
    A abertura, a velocidade do diafragma, o ISO, as cargas, os modificadores, seu fotômetro, as distâncias, não podem variar de outra forma se não pela redução ou adição de pontos de luz. Todo o sistema depende disso!
    Por isso afirmo: o uso comum do termo ‘potência’ complica desnecessariamente algo que deveria ser simples, evidencia que toda a lógica simples é brutalmente ignorada.
    Ninguém quer que você faça cálculos
    Agora repare as intensidades de luz que surgem nas explicações complicadas sobre aquela lei que todo mundo teme, a Lei do Inverso do Quadrado:
    Afasta a fonte para 2 metros, a intensidade cai 1/4, vá para 3 metros, a intensidade chega a 1/9, para 4 metros, 1/16….veja na figura (em vermelho):
    As intensidades não coincidem! As distâncias usadas ( 2,3,4,5m…) não são bons exemplos porque geram cargas de luz que não conversam com as do seu flash, olhe novamente a comparação acima:
    * Onde está a 1/2 carga?
    * Como entra 1/9 de carga no diafragma?
    Muitos cursos de iluminação usam matemática complexa para parecer profundo, mas o resultado é o oposto: confusão desnecessária!
    A Matemática não deve ser usada para resolver rapidamente cálculos na sua mente, mas para que você desenvolva a maior habilidade de um fotógrafo:
    Observar o que ninguém vê!

    As distâncias devem ser ajustadas
    Essa é a consequência de uma contemplação minuciosa da Lei, que guarda outra vantagem estratégica: esse ajuste servirá para qualquer fonte luminosa!
    Uma vez que o fotógrafo observador descobre quais posições deve usar, obtêm-se uma informação que naturalmente o destaca dos demais: o domínio completo da movimentação de qualquer luz durante um ensaio.
    Eu tenho certeza de que você está duvidando do que eu escrevi acima, de que não só as posições, mas todas as variações de qualquer luz, já são conhecidas, mas eu posso provar da forma mais tranquila possível
    Escrevi a CODEX LUCIS, um pacote especial de 3 ebooks revelando toda a dinâmica da luz, além de únicos no Brasil, aprimoram os três tipos de fotógrafos que mais me pediram ajuda:
    1-EX TENEBRIS
    Nesse livro eu peço que o fotógrafo esqueça qualquer chute, conta ou tentativa e erro e faça uma simples observação, que apenas repare em um detalhe da Lei do Inverso. As informações oriundas dessa observação revelam todo o comportamento da luz sem qualquer conta ou habilidade matemática, apenas descrevendo o que a Lei nos sugere na Fotografia.
    É o seu ponto de largada para a compreensão luminosa. Chega de decorar fórmulas!
    2-Número Guia: Manual Prático
    Fotógrafos não acreditam quando revelo que é possível compreender a iluminação sem qualquer conta, mas o que ainda não perceberam é que o Número-Guia é um tradutor da Lei para a Fotografia.
    Ele confirma numericamente o que foi observado visualmente e, calma! Por “numericamente” eu me refiro a relações como 2 x 4, 5 x 2, 10 x 4, contas de padaria, se você consegue pensar nos resultados acima, sabe iluminar já!
    É o livro ideal para aqueles que desejam saber o motivo de tudo ser como é, da explicação racional da teoria de iluminação. Domine a luz antes de ligar o flash!
    Como descobrir a Carga do Flash em 3s
    Prepare-se para ficar com raiva do tanto de tempo e dinheiro que você perdeu com explicações alucinadas como “confie no processo”, “chuta 1/32, depois vai para 1/8, até aparecer algo no LCD da câmera', “a potência do flash se conhece testando”….
    São 3 passos que o fotógrafo precisa fazer para conhecer a carga exata para qualquer exposição, 3 passos! Não se faz conta, chute, estimativa e muito menos dependência de fotômetro.
    Esse é o livro ideal para quem “precisa fazer um casamento no sábado e não pode errar o flash”, para quem busca o resultado prático. Segurança total no seu próximo evento!
    Até hoje, você foi vítima de explicações ruins e a culpa não era sua. Mas agora que você viu a lógica, voltar para o escuro é uma escolha.
    Não aceite menos do que o domínio total da sua fotografia. A clareza que separa os amadores dos profissionais está a um clique e por uma oferta especial:
    ⏰ Oferta expira em 9 Janeiro (sexta)✅ Garantia de 7 dias 💳 Parcelamento disponível
    Os três ebooks completos de R$ 99 por R$ 57 !



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  • Gear in Ear

    Por Que Seu Concorrente Vai Te Engolir em 2026 (E Como Você Pode Virar o Jogo Antes)

    29/12/2025 | 15min
    Neste episódio especial da Obscura, colocamos a Inteligência Artificial para debater a "verdade brutal" sobre o mercado de fotografia para 2026. Baseado em dados recentes (incluindo insights de Neil Patel), dissecamos o movimento silencioso que está separando quem prospera de quem está prestes a perder relevância.
    O que você vai ouvir (e ver) neste episódio:
    A Ilusão da IA: Por que conteúdo humano está performando 94% melhor e como usar isso a seu favor.
    O "Erro Fatal" de SEO: Como a busca por voz mudou o jogo e por que seu site pode estar invisível.
    A Matemática do Tráfego: A proporção áurea 40/60 entre tráfego pago e orgânico que enche agendas.
    O Fator WhatsApp: Como recuperar os 30% de receita que você está deixando na mesa por falta de agilidade.
    🎥 Assista ao vídeo incoporado no post para acompanhar os dados na tela enquanto ouve a discussão.
    4. Timestamps Sugeridos (Capítulos)
    (00:00) Intro: O mercado está mudando (e rápido)
    (02:15) A Ironia da IA: Por que o "humano" vale mais
    (04:30) SEO e Busca por Voz: Você pesquisou seu nome hoje?
    (06:45) Vídeos Curtos: A arma secreta dos bastidores
    (09:20) A morte (exagerada) do E-mail Marketing
    (11:40) Estratégia de WhatsApp e Atendimento
    (14:10) Tráfego Pago x Orgânico: A regra 40/60
    (16:30) Conclusão: Onde focar sua energia agora


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  • Gear in Ear

    Quando a Luz Dirige a Cena: O Que Fotógrafos Podem Aprender com Iluminação Cênica

    28/11/2025 | 1h 3min
    Existe um momento na carreira de todo fotógrafo em que a técnica deixa de ser suficiente. Você domina o triângulo de exposição, sabe posicionar flashes, conhece modificadores de luz. Mas algo ainda falta. E esse “algo” pode estar justamente onde você menos espera: no teatro.
    Foi assistindo “A Montanha dos Sete Abutres” (1951), com Kirk Douglas, que eu tive um dos maiores insights da minha vida como fotógrafo. Reparei que os atores mantinham posições artificiais, quase teatrais — cabeças sempre erguidas, corpos em ângulos específicos, mesmo em situações cotidianas como falar ao telefone.
    Por quê? A iluminação mandava.

    Naquela época, com arcos voltaicos gerando luz dura e direcionada, era a luz que ditava onde e como os atores deveriam se posicionar. A iluminação dirigia a cena.
    Iluminar É Dirigir

    E se eu te disser que isso ainda acontece hoje, em todos os espetáculos de dança, teatro e até no cinema moderno? E que entender essa dinâmica pode revolucionar sua fotografia?
    Foi exatamente sobre isso que conversei com Ana Claudia Magagnin, bailarina profissional que atuou no Ballet Nacional de Buenos Aires e hoje assina a iluminação cênica de espetáculos de dança em Piracicaba. Uma transição fascinante que revela camadas invisíveis do trabalho com luz — camadas que todo fotógrafo deveria conhecer.
    A Bailarina Que Enxergava a Luz dos Dois Lados do Palco
    Ana dançou desde os 3 anos. Aos 19, foi contratada por uma companhia na Argentina, onde permaneceu por anos, chegando ao cargo de primeira bailarina. Durante toda sua carreira, ela viveu dentro de teatros — e sempre foi observadora curiosa das “zonas proibidas”, aquelas áreas técnicas dos bastidores onde a mágica acontece.
    “Nem sempre a gente encontra iluminador que sabe iluminar ballet”, ela conta. “Então a gente ensaia muito tempo, e chega na hora o iluminador estoura a luz e você não consegue fazer metade do que já fez no ensaio.”
    Imagine: três meses de preparação, coreografias complexas, giros técnicos como os 32 fouettés (32 giros consecutivos sobre uma perna), e uma luz mal posicionada na sua cara destruindo tudo. A iluminação pode salvar ou arruinar um espetáculo inteiro.
    Quando voltou ao Brasil em 2018, Ana começou a dar aulas e montar coreografias. Foi aí que o iluminador do teatro onde trabalhava lhe deu um livro: “Manual do Iluminador de Artes Cênicas”. E a ficha caiu.

    “Eu comecei pensando: a figurina das minhas alunas é rosa, vou pôr uma luz rosa. Não! Você vai apagar elas. A questão é: elas estão no amanhecer? No anoitecer? Dentro de uma sala? É isso que a gente tem que pensar.”
    A Luz Como Personagem Invisível (Que Manda em Todo Mundo)
    Se tem algo que ficou cristalino na nossa conversa é isto: no teatro, a luz é um personagem invisível que dirige toda a narrativa.
    E aqui está o paradoxo cruel do iluminador cênico — e que fotógrafos precisam entender: quando tudo dá certo, ninguém percebe o trabalho da luz. Se alguém notou algo específico na iluminação, é porque você errou.
    “Se deu tudo certo e ninguém falou nada, é porque está ok”, Ana explica. “Agora, quando a iluminação aparece muito, é porque você tirou o foco do ator.”

    Isso me lembrou dos iluminadores da Globo que trabalhavam comigo. Quando conseguiam o efeito perfeito — aquele momento em que a atriz parecia brilhar naturalmente, onde a emoção da cena se intensificava sem você saber exatamente por quê — ninguém aplaudia a luz. Mas se erravam, todo mundo reclamava.
    No ballet, essa dinâmica é ainda mais crítica. “O menos é mais. O que tem que aparecer é a bailarina. O que tem que ser esplendecente é a coreografia”, diz Ana. “A iluminação tem que contar a história junto com o bailarino, ela não pode aparecer mais.”
    Os Equipamentos: Não É Só Ligar a Luz
    Para quem está acostumado com LEDs, tochas de estúdio e flashes, o arsenal de iluminação cênica é outro universo. Ana trabalha com:
    → Elipsoidais: 30 unidades de luz de frente. São refletores de feixe duro e preciso, perfeitos para destacar áreas específicas sem vazar luz para onde não deve.
    → Par 64 com gelatinas: Nas laterais, usando filtros âmbar, branco e azul. É a luz que dá contorno e volume aos corpos.
    → Fresnel: De cima, gerando uma luz mais difusa e envolvente.
    → PC (Plano-Convexo): Para situações muito específicas, quando é preciso um controle intermediário entre o feixe duro do elipsoidal e a difusão do fresnel.
    → LEDs: Mas com ressalva. “Tudo que a gente usa de LED, por exemplo vermelho, a pessoa fica vermelha. Isso vai pra foto, isso vai pra filmagem. Então eu uso LED no contra, porque a luz de frente e lateral consegue eliminar essa anomalia.”
    Essa sacada é OURO para fotógrafos. Quantas vezes você fotografou eventos com iluminação LED colorida e o tom de pele ficou destruído? Ana resolve isso trabalhando em camadas: LED colorido no contraluz (que cria atmosfera e desenho), mas mantendo fontes quentes na frente e laterais para preservar os tons de pele.
    A Física do Movimento: Iluminar Corpos Que Voam
    Um dos maiores desafios da iluminação de dança é algo que fotógrafos também enfrentam: como iluminar corpos em movimento rápido, mantendo volume, profundidade e continuidade?
    “Não é só a iluminação de frente”, Ana explica. “A gente precisa da iluminação da lateral, que dá o contorno, e da iluminação que vem de trás, que é o contra. Nas diagonais também. Tudo isso é muito sutil.”
    Ela trabalha com o conceito de tridimensionalidade: esculpir o corpo do bailarino no espaço usando múltiplos ângulos de luz. É exatamente o que aprendemos em fotografia de retrato, mas aplicado a alvos que saltam, giram e atravessam o palco em segundos.
    E aqui entra uma lição brutal que aprendi fotografando na TV Globo e que Ana confirmou no teatro: atores e bailarinos experientes sabem encontrar a luz. Os iniciantes, não.
    “Bailarinos cascudos param exatamente onde a luz está. Eles sabem que se saírem dali vão ficar no escuro, e isso tira toda a magia da cena”, diz Ana. “Agora, quem está começando não entende. Tem que sentir o calorzinho no rosto para saber que está bem iluminado.”
    Trabalhei com Tony Ramos, Cássio Gabus Mendes, atores veteranos que reagiam à iluminação instintivamente. Eles chegavam na marca, ajustavam microscopicamente a posição do rosto, e pronto: estavam no sweet spot da luz. Atores novos ficavam completamente fora do feixe, mesmo após ensaios técnicos.
    O Ensaio Técnico: Onde Fotógrafos e Iluminadores Deveriam Conversar (Mas Não Conversam)
    Ana faz questão de assistir ensaios das escolas de dança antes de montar a iluminação no teatro. “Sempre tem contexto: aqui é uma floresta, aqui é o amanhecer, aqui é dentro de uma sala. É isso que a gente tem que pensar.”
    E antes de abrir a plateia, ela faz testes com os fotógrafos e videomakers que vão registrar o espetáculo. “A gente faz teste antes, para configurar a câmera, para também não estragar o trabalho do fotógrafo. Porque depois vão falar que a iluminadora foi péssima, que deixou a luz baixa. Vamos trabalhar em conjunto.”
    Essa é uma mudança de paradigma fundamental: a iluminação cênica não é um obstáculo para o fotógrafo. É uma aliada — desde que você entenda a lógica dela.
    As principais dicas de Ana para fotógrafos:
    1. Troque ideia com o iluminador ANTESPergunte qual vai ser a base da iluminação, que cores serão usadas, se há momentos de blackout ou mudanças drásticas. Isso permite ajustar ISO, abertura e velocidade previamente.
    2. Respeite o eixo da luzAprendi isso da forma mais dura fotografando a minissérie “A Pedra do Reino” com o diretor Luiz Fernando Carvalho. Ele me exigia ficar colado na câmera. Quando eu fugia do eixo para fazer fotos “mais bonitas”, ele recusava tudo. “Eu iluminei para AQUELE eixo. Você não está respeitando a luz.” Parece opressão, mas é técnica. A iluminação foi desenhada para funcionar de um ângulo específico — e isso define a narrativa visual da cena.
    3. Nunca, jamais, em hipótese alguma: use flashAna foi taxativa: “Se você usar flash no teatro, você acabou com a minha iluminação.” Flash frontal destrói toda a modelagem cuidadosa, o contraste dramático, a atmosfera. É inaceitável.
    4. Entenda que você está fotografando LUZ PLANEJADA, não luz disponívelIluminação cênica é fotografia planejada ao extremo. Cada feixe tem função narrativa. Documentar isso exige sensibilidade para LER a luz, não apenas registrá-la.
    Cores, Emoções e a Psicologia da Luz
    “Como você escolhe as cores?”, perguntei.
    “Depende do contexto emocional. Elas estão no amanhecer? No anoitecer? Num momento de tensão? A cor precisa sustentar a narrativa, não apenas ‘ficar bonita’.”
    Ana evita o óbvio. Figurino rosa não significa luz rosa — na verdade, isso apagaria as bailarinas. A escolha da cor vem da intenção dramática, não da estética superficial.
    E aqui está uma lição valiosa para fotógrafos que trabalham com gels e LEDs coloridos: cor tem significado. Azul pode ser frieza, solidão, noite. Vermelho pode ser paixão, perigo, urgência. Âmbar é calor, nostalgia, intimidade. Usar cor sem intenção é poluição visual.
    A Fumaça: Terror dos Fotógrafos, Ferramenta dos Iluminadores
    “Você usa muito fumaça?”, perguntei, sabendo que é o terror de quem fotografa shows e teatro.
    “Uso, mas com máquina de haze, não aquela fumaça pesada que deixa todo mundo sem ver nada. O haze fica como uma neblina sutil. Dá desenho, deixa a luz mais densa, dá clima.”
    O haze (névoa fina) é genial porque torna a luz visível. Aqueles feixes que cortam o palco, que desenham trajetórias no ar — isso só existe com partículas suspensas refletindo a luz. Para iluminadores, é ferramenta essencial. Para fotógrafos, é desafio técnico (mas também oportunidade estética, se você souber usar).
    O Problema da Projeção e dos Painéis de LED
    Um dos maiores desafios que Ana enfrenta: projeções e painéis de LED gigantes no fundo do palco.
    “Quando tem painel de LED enorme atrás, ele é uma luz de contra. Se eu não iluminar o suficiente na frente, dá uma briga. Já aconteceu de um cara pôr o painel a 70% e eu pensei: meu Deus, o que eu faço?”
    Fotógrafos que cobrem eventos corporativos e shows sabem bem: aquele telão gigante no fundo vira uma fonte de luz competindo com a iluminação principal. O resultado? Pessoas subexpostas com fundos estourados, ou vice-versa.
    A solução de Ana: pedir para baixar a intensidade do painel e compensar com mais luz frontal e lateral. É trabalho de equipe.
    Machismo, Persistência e a Disciplina do Ballet
    Ana é a primeira iluminadora concursada da Prefeitura de Piracicaba e do Teatro Municipal da cidade. E sim, enfrentou resistência.
    “Tipo, você não vai conseguir fazer tal coisa. Aí eu vou lá e faço. Porque às vezes são refletores pesados. Ou, você vai conseguir carregar tal coisa? Óbvio que tem coisas que eu não consigo, mas tudo ali, a base do que eu tenho que fazer, eu dou conta.”
    Mas o que mais a ajudou a vencer preconceitos foi justamente a formação no ballet. “O ballet exige disciplina e persistência. Se não deu certo, você vai fazer de novo até dar certo. Isso é o que me ensinou o ballet, e eu uso sempre na iluminação.”
    Conexões elétricas que não funcionam, refletores que precisam ser reposicionados, programações que travam — tudo exige recomeçar até acertar. A mentalidade de bailarina (ensaiar 8 horas por dia durante meses para um espetáculo de 2 horas) é perfeita para a iluminação cênica.
    A Dica de Ouro: Aprenda Com a Natureza
    No final da conversa, pedi uma dica para fotógrafos que querem melhorar sua compreensão de luz. A resposta de Ana foi cirúrgica:
    “Acho que a melhor iluminação é a luz natural. Aprender a fotografar com a luz natural. O equipamento é ótimo, é maravilhoso, mas quando você entende a luz da natureza — do amanhecer, do sol do meio-dia, da sombra — você aprende com a natureza, porque não se compara. Por mais equipamento que a gente coloque no cenário, não se compara o anoitecer da nossa mãe natureza.”
    Isso me lembrou de duas histórias:
    1) Sérgio Zagl, meu amigo e excelente editor de fotografia, sempre me dizia: “Renato, só tem uma luz, o resto é fill light.” Ele me forçava a identificar a fonte principal, a luz-chave, antes de pensar em qualquer preenchimento. Levei anos para internalizar isso.
    2) Afonso Beato, diretor de fotografia lendário, estava conosco em Petra, na Jordânia, gravando uma novela. Eu esperava caminhões de equipamento chegando. Chegamos no deserto e ele tinha apenas difusores e rebatedores. Questionei. Ele respondeu: “Renato, dá uma olhada: eu tenho a iluminação perfeita aqui. Agora é só controlar e entender o que eu quero.”
    O diabo é diabo porque é velho. Mestres de luz chegam num ponto em que trabalham COM a luz disponível, não CONTRA ela.
    O Que Fica Dessa Conversa
    Fotografia e iluminação cênica são irmãs. Ambas esculpem com luz, criam atmosferas, dirigem o olhar, contam histórias sem palavras. A diferença é que no teatro, a luz literalmente dirige a cena — ela determina onde os atores ficam, como se movem, quando aparecem ou desaparecem.
    Entender isso muda completamente a forma como você fotografa eventos, espetáculos, shows, até retratos em estúdio. Você deixa de “iluminar para fazer uma foto bonita” e passa a iluminar para contar uma história, criar emoção, dirigir a atenção.
    Se você é fotógrafo e nunca parou para estudar iluminação teatral, está perdendo uma camada inteira de conhecimento. E se você fotografa espetáculos, dança, teatro ou shows, converse com os iluminadores. Eles não são obstáculos — são aliados que podem elevar seu trabalho a outro nível.
    Porque no final, como Ana disse: “Saber fotografar com luz natural, entender de onde vem a sombra, o eixo da luz. Ver a essência da foto. Essa é a dica mais importante e valiosa.”
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