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Histórias de ter.a.pia

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Histórias de ter.a.pia
Último episódio

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  • Histórias de ter.a.pia

    Reencontrei minha mãe biológica 34 anos depois de ter sido deixada num prédio

    19/03/2026 | 11min
    Carol tinha apenas 3 dias de vida quando foi deixada no portão de um prédio. O porteiro ouviu o choro, avisou a família que mais gostava no condomínio e, em poucos minutos, aquele bebê já estava nos braços de quem escolheria amá-la para sempre.
    Enquanto o processo de adoção seguia por anos, Carol crescia cercada de amor, mas ainda assim, havia uma ausência que ela não sabia explicar: sua origem, o motivo de ter sido deixada.
    Na escola, em casa, no espelho, ela também cresceu tentando entender quem era. Era a única menina negra numa família branca, carregando inseguranças, medo de rejeição e a sensação de não se encaixar por completo.
    Mesmo sem saber quase nada sobre a mãe biológica, Carol nunca alimentou raiva. Rezava por ela e pedia que estivesse viva, bem, em paz. Como se, em algum lugar, uma parte sua ainda estivesse com aquela mulher.
    Já grande, Carol começou a buscar quem era sua mãe biológica, pois ela tinha um nome, um sobrenome registrados no hospital onde ela nasceu.
    Até que, em 2019, ao escrever esse nome de um jeito diferente numa rede social, Carol encontrou um rosto. E, ao olhar aquela foto, sentiu o mundo parar. Era como olhar para si mesma.
    Carol encontrou uma amiga em comum com a mulher no Facebook e enviou uma carta contando a história. Do outro lado, veio um áudio e uma verdade guardada por 34 anos. A mulher que a deixou nunca a esqueceu, também sonhava com esse reencontro, também carregava culpa, dor e saudade.
    Quando finalmente se abraçaram, no meio de um shopping, foi um abraço sem cobrança, sem mágoa. E, a partir dali a vida, enfim, costurou o que parecia impossível: a filha deixada, a mãe que sofreu, a mãe que criou.
    Hoje, as duas mães são amigas, se gostam e fazem parte da mesma história. Porque às vezes o amor não apaga a dor do começo, mas transforma o fim em cura.
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    Perdi o movimento dos braços e descobri a esclerose lateral amiotrófica

    12/03/2026 | 5min
    Edison sempre trabalhou com serviço braçal na empresa: cavava buraco, instalava postes nas ruas…Trabalhar com material pesado sempre foi algo normal até o dia em que tentou erguer um vergalhão de ferro para jogar no caminhão e simplesmente não conseguiu.
    Um colega menor e mais franzino que ele levantou o material. Edison ficou parado, com a sensação clara de que havia algo errado com o seu corpo.
    Num primeiro momento, a desconfiança era de uma fraqueza qualquer, mas ele foi investigar.
    Vieram consultas, exames, ele começou a passar de um médico para o outro, e ninguém conseguia dizer o que ele tinha.
    A fraqueza, que começou no início de 2025, foi avançando, chegando aos dedos, até que ele perdeu totalmente o movimento dos dois braços.
    Sem diagnóstico, o dia a dia dele começou a ficar difícil. Coisas banais como coçar o nariz, segurar o celular, comer, tomar banho se tornaram tarefas que ele precisava de ajuda.
    Até que uma médica, com certa suspeita do que o Edison teria, decide buscar uma resposta para ele e sua família e fecha o diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
    O diagnóstico chegou quase um ano depois, em dezembro de 2025, com um misto de medo e alívio. Medo porque o prognóstico é difícil, mas o alívio de nomear aquela fraqueza e iniciar o tratamento correto ajuda Edison e a família a encarar o futuro.
    Hoje, Edison segue firme no tratamento, com muita fé e apoio da família e amigos. Às vezes o choro vem por ver todos se esforçarem para auxiliá-lo, mas a felicidade de tê-los em sua vida é insuperável.
    Mesmo com o diagnóstico, Edison escolheu o agora. Quando a cabeça corre para o futuro, ele puxa de volta: vive hoje. Um dia de cada vez.
    A ELA é uma doença rara que leva à paralisia de forma irreversível devido à degeneração e morte dos neurônios que controlam os músculos responsáveis por atividades diárias1,2.
    Se perceber sintomas persistentes, procure orientação médica, nem que seja para tirar dúvidas.
    A história do Edison foi contada em parceria com a @daiichisankyobrasil para a campanha @falesobreela. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e institucional, sem finalidade promocional ou comercial. Material destinado ao público geral.
    #FaleSobreELA #EscleroseLateralAmiotrófica #ELA
    Ao clicar no link, você será direcionado para um site de terceiros, fora da gestão da Daiichi Sankyo Brasil.
    1. R. H. Brown e A. Al-Chalabi, “Amyotrophic Lateral  Sclerosis,” N Engl J Med, 2017 
    2. Ministério da Saúde. Esclerose Lateral Amiotrófica.  Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-  br/assuntos/saude-de-a-a- z/e/ela. Acesso em: Fevereiro/2026
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    Eu não tenho vergonha de ser PUTA

    05/03/2026 | 6min
    “Eu sou puta!” É assim que Lourdes se apresenta, sem rodeios. Mas sua história não começa num lugar específico, começa quando o mundo decide que a culpa, quase sempre, cai no colo de uma mulher.
    Aos 14 anos, Lourdes sofreu abuso sexual de um tio, e o jeito que a família encontrou de lidar com a situação foi expulsando ela de casa, como se ela tivesse culpa.
    Foi numa praça que Lourdes foi encontrada por uma pessoa que percebeu que ela estava assustada, sem força para explicar o que tinha acontecido, e a levou até um bordel.
    O que surpreende é que Lourdes se sentia mais segura na casa de prostituição do que em casa, dentro da própria família, afinal, ali estava num ambiente em que outras mulheres estavam juntas, todas se ajudando.
    No bordel existia união, rotina e uma rede de apoio muito forte. Quando a exploração apertava, elas se organizavam, faziam greve por comida, descanso e dignidade.
    Lourdes rodou todo o nordeste brasileiro e passou por várias casas até chegar a Belém, cidade em que ela construiu família, criou 4 filhos e virou avó de 10 netos.
    Em nenhum momento ela romantizou nada. Ela foi empurrada para sobreviver do jeito que dava, e hoje é contra que alguém tão jovem precise passar por isso.
    Mas Lourdes nunca teve vergonha do que fazia também. Sua profissão sempre alimentou sua família, por isso, ela não mentiu para os filhos sobre de onde vinha o dinheiro, porque para ela a mentira também é uma forma de abandono.
    Lourdes sempre lutou pelos direitos das prostitutas, dentro dos bordeis e na política também.
    Na primeira reunião do Conselho dos Direitos da Mulher, em Belém, aconselharam que não dissesse que era puta. Lourdes disse mesmo assim e, ao dizer, conseguiu mobilizar o poder público para existirem direitos para quem vive essa realidade: educação, saúde, moradia, creche para os filhos e, acima de tudo, respeito.
    No fim, Lourdes mostra que coragem, às vezes, é simplesmente não se esconder, sendo puta ou não.
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    Eu aceitei a CURA GAY por não aceitar gostar de mulheres

    26/02/2026 | 6min
    Thais Araujo aprendeu cedo a desconfiar de si. Dentro da igreja, tudo que ela sentia parecia ter nome de pecado, e o amor, quando apontava para outra mulher, virava motivo de medo.
    Ela tentou por anos caber no que esperavam dela, seguia padrões, orava mais e jejuava.
    Foi nessa mesma época que Mayara entrou na vida da Thais. As duas se conheceram na igreja, no grupo musical. Thais com o trombone, Mayara com o violino. Um olhar bastou para nascer aquela vontade de conversar todo dia, como se o mundo ficasse mais leve na presença da outra.
    Por anos, elas juraram que seriam só amigas. Até o beijo acontecer. E, com o beijo, veio a culpa, a sensação de erro, o impulso de se esconder.
    Elas ficavam em segredo, até Thais não aguentar mais. Na cabeça dela, Mayara virou um “bloqueio” espiritual, algo a ser cortado para que a vida voltasse ao rumo que lhe prometeram. Thais mudou de igreja tentando fugir da própria verdade. Mas o problema não era Mayara.
    Quando ofereceram a ela a ideia da “cura gay”, Thais embarcou na falácia. Aos poucos, ela foi perdendo o gosto pelas coisas, a vontade de existir. O gatilho era o fato dela não poder ser quem era.
    Após algumas crises seríssimas, Thais conseguiu ajuda psicológica e começou a se escolher. Acabou saindo da igreja porque não se sentia acolhida quando mais precisou.
    Ela melhorou aos poucos, aprendeu que podia viver sem se esconder e amar quem quer que fosse.
    Com o tempo, até dentro de casa as coisas mudaram. Um dia, a mãe mandou uma mensagem convidando-a para um churrasco e pedindo que levasse a pessoa que amava.
    Thais quase não acreditou, a mãe era muito religiosa e tinha o mesmo pensamento das pessoas da igreja. Com essa atitude da mãe, ela guardou essa atitude como quem guarda um milagre concreto: pessoas podem mudar.
    10 anos depois do rompimento com Mayara, Thais, que nunca a esqueceu, decidiu entrar em contato com aquele amor do passado. As duas se reencontraram mais maduras, prontas para um amor inteiro.
    Thais não quis deixar a vida passar de novo e perguntou se podiam namorar. Mayara disse sim e, dessa vez, ninguém precisou se esconder.
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    Meu filho pode usar vestido e brincar de boneca

    19/02/2026 | 9min
    Quando o Sebá demonstrou que gostava, também, de “coisas de menina”, a Mari fez um acordo com ela mesma: não iria criar “um menino” ou “uma menina”, ela queria criar crianças. Crianças de verdade, com direito a brincar, testar, mudar de ideia, se encantar e se expressar.
    Foi assim que Sebastião fez a Mari enxergar uma infância sem rótulos. Um menino que gostava do que o irmão mais velho não gostava, que quis brincar com uma Barbie, que se apaixonou pela ‘Frozen’. E, aos poucos, Mari percebeu que o desafio não era entender o filho, mas enfrentar o mundo tentando reduzir uma criança a uma regra de gênero.
    Em casa, ela ouviu frases que parecem “preocupação”, mas vêm carregadas de controle e, por um tempo, ela cedeu aqui e ali, porque estava na casa dos pais. Tirava a boneca, fazia com que ele agisse “como um menino”.
    Até que um dia o próprio Sebastião mostrou o tamanho do estrago: ele disse que queria ser uma menina, só para poder usar a fantasia sem ser julgado. Ali, Mari entendeu que não não era uma questão de gênero, mas de diversão e, por isso, não dava mais para negociar a alegria do filho.
    Ela decidiu que, dali para frente, brinquedo e roupa seriam apenas isso: brinquedo e roupa. Sem rótulos. E fez o que muita gente tenta evitar: bancou a escolha em voz alta para a família, para a escola e para a internet.
    Com o tempo, Sebastião ganhou uma coisa que não tem preço: segurança para se nomear. “Eu sou um menino que gosta disso.”
    E com a felicidade do filho, a Mari entendeu que quando uma criança é acolhida, ela não precisa se esconder. Ela só precisa ser criança.

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