PodcastsSociedade e culturaHistórias de ter.a.pia

Histórias de ter.a.pia

ter.a.pia
Histórias de ter.a.pia
Último episódio

237 episódios

  • Histórias de ter.a.pia

    Perdi meu marido logo após adotar 5 crianças

    15/1/2026 | 9min

    Foi no meio da madrugada que Daniel entendeu que a vida pode mudar para sempre em poucos minutos. Ao sacudir o corpo do marido, tentando acordá-lo, ouviu um pedido que ainda ressoa dentro dele: que não abandonasse as crianças. Ali, sem saber, ele se despedia do amor da sua vida e assumia, sozinho, o cuidado dos 5 irmãos que o casal havia acabado de adotar.Daniel nasceu em Canindé, no Ceará, e saiu de casa ainda jovem para tentar sobreviver em São Paulo. Encontrou preconceito dentro da própria família, foi expulso de casa no meio da noite e dormiu sob um viaduto sem conhecer ninguém. Conseguiu o primeiro trabalho numa pizzaria e, junto com ele, um quarto improvisado. Depois, encontrou abrigo na casa de uma senhora que nunca tinha visto antes, que se tornou sua rede de apoio.Foi nesse tempo que Daniel conheceu Jhonatan. Um encontro quase por acaso, uma conversa simples, o início de uma relação que cresceu bem rápido. Eles juntaram as poucas coisas que tinham e passaram a dividir a vida. Jhonatan sempre quis ser pai e ficou apreensivo quando descobriu que quatro sobrinhos viviam em uma situação grave de vulnerabilidade. Quando decidiu lutar pela guarda das crianças, Daniel não se sentia pronto para ser pai, mas escolheu entrar nessa com o marido.As crianças chegaram. Depois, os dois descobriram que viria mais uma. Ao todo, eram cinco irmãos, uma casa pequena, noites sem dormir, medo, aprendizado e amor construído no improviso. Tudo estava no nome de Jhonatan. Daniel ajudava, apoiava, amava, mas não imaginava que precisaria assumir tudo sozinho tão cedo.Tudo aconteceu muito rápido, quando Jhonatan morreu de dengue hemorrágica e o Daniel precisou engolir o próprio luto para contar às crianças que o pai não voltaria mais. Ouviu do mais velho a pergunta que mais doeu: se ele também iria embora.Mas Daniel jamais abandonaria aquelas crianças porque eram seus filhos também.Ele enfrentou depressão, ansiedade e uma batalha judicial difícil, até conseguir a guarda definitiva. Em 2024, as crianças passaram a carregar oficialmente o sobrenome de Jhonatan. Hoje, Daniel olha para trás e entende que nada foi por acaso, depois de tanto cuidado que ele recebeu, é a hora dele cuidar também.

  • Histórias de ter.a.pia

    Fiquei preso injustamente por 3 anos e perdi o nascimento da minha filha

    08/1/2026 | 4min

    Quando o Rafael foi preso, ele tinha acabado de descobrir que ia ser pai. A notícia, que deveria inaugurar um novo começo, chegou no mesmo instante em que sua vida desabou. Em poucos minutos, tudo o que ele acreditava estar construindo foi interrompido por uma acusação que nunca foi ouvida de verdade.Rafael cresceu em Sobral, um bairro periférico de Rio Branco, no Acre, marcado pelo estigma da violência, mas que para quem vive ali sempre foi, antes de tudo, um lugar de gente simples tentando sobreviver. Em fevereiro de 2018, uma troca de tiros tomou a rua onde ele morava. Na fuga, dois homens invadiram casas da região, e um deles entrou na casa do Rafael, sem que ele visse. A polícia entrou na casa de Rafael, que comentou não ter mais ninguém além dele ali. Ainda assim, os policiais entraram.Um dos homens foi encontrado dentro da casa do Rafael e, naquele instante, a voz de Rafael deixou de existir. Jovem, negro, morador da periferia, sozinho. Para os policiais, não havia dúvidas. Mesmo repetindo que não tinha envolvimento algum, a suspeita se impôs e o Rafael foi levado preso.Foram três anos encarcerado. Três anos em que ele tentou entender como aquilo podia estar acontecendo com alguém que trabalhava. Mas também foram três anos longe da gestação da filha, do nascimento, do colo, dos primeiros dias de vida. Uma ausência que não se explica, ele simplesmente carrega consigo.Durante o julgamento do caso, tudo mudou rápido demais. O próprio criminoso encontrado, que havia se escondido na casa, confirmou que Rafael era inocente. Os promotores não viram motivo para acusação e o juiz pediu perdão, absolvendo Rafael.Do lado de fora, veio a descoberta mais dura: o tempo não se recupera. Não existem horas extras para os primeiros passos, a primeira palavra, o primeiro olhar de referência. Hoje, Rafael não tenta mais compensar o tempo perdido com a filha. Ele tenta estar presente, inteiro. Porque algumas ausências não se apagam, mas podem ser cuidadas com amor, todos os dias.

  • Histórias de ter.a.pia

    Eu precisei reencontrar jesus para continuar na igreja

    18/12/2025 | 11min

    Antes de virar criador do perfil @afrocrente, Jackson Augusto já sabia que fé não era sinônimo de poder, mas cuidado e comunidade. E essa foi a pergunta que atravessou toda a sua vida: o que, afinal, significa ser evangélico no Brasil?Jackson nasceu na favela dos Coelhos, uma comunidade ribeirinha do Recife. Filho de uma mulher profundamente religiosa, encontrou na igreja um dos poucos espaços possíveis de socialização. Não havia dinheiro, nem conforto, mas a igreja foi abrigo e o lugar de infância possível.O pai de Jackson morreu quando ele tinha apenas 7 meses, e a dor transformou a vida da mãe, que precisou criar um filho negro, sozinha, dentro da favela. Enquanto ela trabalhava, eram as mulheres da igreja, do círculo de oração, que cuidavam dele. A igreja foi proteção num país que expõe corpos como o dele à violência desde cedo.Foi ali que Jackson se formou enquanto pessoa, mas também foi ali que começou o conflito. Quando entrou em contato com o movimento negro evangélico, passou a questionar a fé que havia aprendido. Um pastor tentou confrontá-lo usando a Bíblia para justificar a escravidão, mas Jackson saiu dali com a certeza de que aquele não era o Jesus que o havia formado.Ao pesquisar a história da igreja batista no Brasil, encontrou raízes escravocratas, racistas, excludentes. Missionários que proibiam casamentos inter-raciais, que associavam a pele negra ao pecado. Percebeu que a imagem de um Jesus branco não era só estética, mas mais profunda. Um Jesus moldado para servir às elites, não à libertação.Hoje, Jackson defende que ser evangélico não pode ser reduzido a figuras de poder. Ser evangélico também é ser a mãe de João Pedro, adolescente assassinado dentro de uma comunidade. É ser mulher solo, empregada doméstica, estudante, gente comum tentando sobreviver.No fim, a pergunta segue aberta: ser evangélico é sustentar um projeto de poder ou lutar pela vida?

  • Histórias de ter.a.pia

    O vício quase me matou, mas encontrei um novo caminho para felicidade

    12/12/2025 | 10min

    Desde muito cedo, o Mateo viveu como se o próprio corpo anunciasse que algo estava errado. Ataques de pânico aos cinco anos, dores que ninguém explicava, uma inquietação que cresceu junto com ele. Tentou sobreviver do jeito que conseguia: bebendo, fumando, usando para anestesiar o que não sabia nomear. Anos depois, entenderia que não era falta de força. Era doença. E precisava de cuidado.Na pré-adolescência, escondia garrafas e a tristeza. Aos 17, mergulhou em outras drogas. Quase sempre sozinho. Quase sempre querendo se ferir. A música foi o fio que o manteve aqui. Para que ele desejasse viver o amanhã, o irmão passou a chamá-lo todos os dias para tocar. Dessa rotina nasceu a banda Francisco, el Hombre, que se tornou abrigo, propósito e respiro no meio do caos. Mas mesmo ali, entre palcos e trabalho intenso, o vício seguia ocupando todos os espaços.Durante a pandemia, o álcool tomou um tamanho impossível de esconder. Mateo trabalhava, sorria e funcionava para o mundo, mas bebia todos os dias. Até perceber que não conseguia mais socializar sem entrar em pânico. A psiquiatra foi seu primeiro porto seguro. A banda, a família e a companheira, os braços que seguraram sua queda. Vieram duas internações. Uma recaída grave. E, pela primeira vez, um diagnóstico que fez sentido: transtorno bipolar tipo 1, ansiedade, fibromialgia e traços borderline. Nomear a dor abriu caminho para tratá-la.Entre as internações, Mateo transformou sofrimento em criação. No estúdio de casa, produziu músicas que registravam seu processo de cura. Dali nasceu o disco “Neurodivergente”, um retrato honesto das batalhas que carregava por dentro e da esperança que começava a renascer. Publicar essas canções foi também um gesto de abertura: dividir vulnerabilidades para que outros não se sentissem tão sozinhos.O dia em que acordou feliz sem ter bebido, sem ter usado, foi como renascer. A alegria vinha dele. Sem atalhos. A música voltou como cura, não como fuga. E ele entendeu que vulnerabilidade não quebra. Sustenta.Hoje ele sabe que recaídas não apagam o que já foi construído. São parte do caminho. O que importa é o passo seguinte. Um dia de cada vez. Uma decisão de cada vez. E a certeza de que, mesmo depois de ter desistido, a felicidade ainda podia existir. E existiu. Porque ele buscou ajuda. Porque ele não caminhou sozinho.

  • Histórias de ter.a.pia

    Ele sobreviveu à meningite e reaprendeu a viver sem os membros

    05/12/2025 | 7min

    A história do Pedro foi contada em uma parceria do Histórias de Ter.a.pia com a GSK, para conscientizar sobre a importância da vacinação contra a meningite meningocócica. Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico. *publiNP-BR-MNU-BRF-250018 - Outubro/2025 

Mais podcasts de Sociedade e cultura

Sobre Histórias de ter.a.pia

Histórias reais, de gente como a gente, para você ouvir e se inspirar.
Site de podcast

Ouça Histórias de ter.a.pia, Rádio Novelo Apresenta e muitos outros podcasts de todo o mundo com o aplicativo o radio.net

Obtenha o aplicativo gratuito radio.net

  • Guardar rádios e podcasts favoritos
  • Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
  • Carplay & Android Audo compatìvel
  • E ainda mais funções

Histórias de ter.a.pia: Podcast do grupo

Informação legal
Aplicações
Social
v8.2.2 | © 2007-2026 radio.de GmbH
Generated: 1/18/2026 - 6:58:30 AM