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Histórias de ter.a.pia

ter.a.pia
Histórias de ter.a.pia
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  • Histórias de ter.a.pia

    Ela levou dois meninos de rua para sua casa e os adotou

    02/04/2026 | 10min
    Maria não imaginava que se tornaria mãe de dois meninos que viviam nas ruas de Campinas.
    Na região central de Campinas, meninos em situação de rua eram vistos como problema. Eles viviam largados, corriam, roubavam, assustavam quem andava por ali e, por isso, eram expulsos da igreja, das lojas e de qualquer lugar que estivessem perto.
    Ninguém queria por perto aquelas crianças, até que o Padre da catedral pediu para um grupo de moças, que iam lá rezar, fazer alguma coisa. Maria começou a se mexer. Ela corria atrás daqueles meninos, oferecia lanche, conversava, criava jogos e desafios.
    Num primeiro momento, eles iam desconfiados, mas pelo lanche se aproximavam, e depois voltavam para a rua. Vinham sujos, com fome, com medo de Maria ser do juizado de menores.
    Quando ela ganhou a confiança deles, se via cercada por dezenas de crianças na escadaria da catedral, e ali percebeu que não dava mais para voltar atrás. Era preciso dar um jeito para que eles não seguissem num caminho sem acolhimento.
    Mas quem acolhe os indesejados vira motivo de julgamentos. Diziam para ela que aqueles moleques que não tinham solução, não tinham conserto. Maria ouvia tudo, mas seguiu o seu coração. Ela sabia que eles não viviam naquelas condições porque queriam, eram apenas crianças.
    Junto com seu grupo da igreja, conseguiram dinheiro e alugaram um espaço que, num primeiro momento, oferecia café da manhã e oficinas de trabalho manual. Ela que era costureira da alta sociedade campinense, começou a mexer de artesanato com palha até marcenaria.
    A casa se tornou a instituição Casa Maria do Nazaré, que há anos muda a vida de crianças em situação de vulnerabilidade. Mas foi a história de Maria que a instituição mudou pra sempre.
    O maior ponto de virada veio quando dois meninos, dos mais atentados, iam até a casa de Maria e assoviavam na janela. Ela pedia para o porteiro liberar a entrada, e eles iam tomar café com ela. Até que um dia ela perguntou se eles gostariam de morar ali com ela, e eles responderam sim, sem nem questionar.
    Mais julgamentos vieram, principalmente de um rapaz com quem Maria se relacionava. Ele dizia que ela iria ser roubada, que aqueles moleques iriam levar drogas para a casa dela, e deu um ultimato: ou ele ou os meninos.
    Maria escolheu os meninos, entrou na justiça pela guarda dos dois. Ela, que não teve filhos biológicos, se tornou mãe daquelas crianças que todo mundo tinha medo. Ela mostrou para eles o que era o amor de verdade.
    Quase 40 anos depois, os dois meninos cresceram. Têm casa, trabalho, família e seguem o legado da mãe ajudando pessoas em vulnerabilidade.
    Cresceram sabendo, na pele, que nenhuma criança nasce sem conserto. O que falta, quase sempre, é alguém que não desista no meio do caminho.
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    Vi meu filho entrar em coma com apenas 28 dias de vida

    26/03/2026 | 11min
    A Camila quase morreu na sua primeira gravidez e pensou que não teria mais filhos, até que engravidou de gêmeos. Quando pensou que o pior já tinha passado, ela encontrou com a morte quando um dos gêmeos foi para a UTI.
    Ainda no começo da primeira gravidez, veio a pressão alta, a internação e uma pericardite que a colocou entre a vida e a morte. Os médicos queriam interromper a gestação para salvá-la, mas a Camila não aceitou.
    Fez uma promessa e seguiu segurando aquela filha como quem segura o próprio futuro. A bebê nasceu prematura, mas bem.
    2 anos depois, mesmo sabendo que uma nova gravidez poderia colocá-la em risco, Camila descobriu que estava esperando gêmeos e que um deles tinha uma questão cardíaca. Com a notícia, o medo seguiu com ela durante a gestação.
    Quando os bebês nasceram, parecia que tudo ficaria bem, mas poucas horas depois, o Davi ficou roxo e foi levado para a UTI.
    O bebê recebeu alta, até que um dia, a Camila notou o filho sem reação, ele tava tendo uma parada cardíaca. Davi tinha apenas 28 dias. Foram minutos intermináveis até a chegada do socorro.
    No hospital, ele teve novas paradas, entrou em coma e depois sofreu um AVC. Mais tarde, os médicos entenderam que o problema no coração explicava tudo.
    Por ser algo grave, chamaram a família para se despedir e disseram que, se o bebê sobrevivesse, ele talvez não andasse, não falasse, dependeria de cuidados por toda a vida.
    Camila fez então sua segunda promessa, só que ela não pediu que o filho ficasse, pediu apenas que ele não sofresse.
    A melhora veio devagar. Primeiro, a atividade cerebral normal. Depois, cada pequeno avanço. Mamar. Respirar. Voltar para casa. A infância de Davi ainda foi cercada de medos e internações, mas não tirou dele aquilo que mais impressiona a mãe: a vontade de viver.
    Hoje, Davi com 15 anos, sonha em ser astrônomo. E Camila olha para os três filhos como quem olha para o impossível depois que ele aconteceu.
    Ninguém a ensinou ser forte para enfrentar tudo aquilo, mas entre dor, fé, amor e rede de apoio, ela seguiu firme. Porque às vezes a força de uma mãe não nasce da certeza, mas do amor que decide continuar, mesmo tremendo.
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    Reencontrei minha mãe biológica 34 anos depois de ter sido deixada num prédio

    19/03/2026 | 11min
    Carol tinha apenas 3 dias de vida quando foi deixada no portão de um prédio. O porteiro ouviu o choro, avisou a família que mais gostava no condomínio e, em poucos minutos, aquele bebê já estava nos braços de quem escolheria amá-la para sempre.
    Enquanto o processo de adoção seguia por anos, Carol crescia cercada de amor, mas ainda assim, havia uma ausência que ela não sabia explicar: sua origem, o motivo de ter sido deixada.
    Na escola, em casa, no espelho, ela também cresceu tentando entender quem era. Era a única menina negra numa família branca, carregando inseguranças, medo de rejeição e a sensação de não se encaixar por completo.
    Mesmo sem saber quase nada sobre a mãe biológica, Carol nunca alimentou raiva. Rezava por ela e pedia que estivesse viva, bem, em paz. Como se, em algum lugar, uma parte sua ainda estivesse com aquela mulher.
    Já grande, Carol começou a buscar quem era sua mãe biológica, pois ela tinha um nome, um sobrenome registrados no hospital onde ela nasceu.
    Até que, em 2019, ao escrever esse nome de um jeito diferente numa rede social, Carol encontrou um rosto. E, ao olhar aquela foto, sentiu o mundo parar. Era como olhar para si mesma.
    Carol encontrou uma amiga em comum com a mulher no Facebook e enviou uma carta contando a história. Do outro lado, veio um áudio e uma verdade guardada por 34 anos. A mulher que a deixou nunca a esqueceu, também sonhava com esse reencontro, também carregava culpa, dor e saudade.
    Quando finalmente se abraçaram, no meio de um shopping, foi um abraço sem cobrança, sem mágoa. E, a partir dali a vida, enfim, costurou o que parecia impossível: a filha deixada, a mãe que sofreu, a mãe que criou.
    Hoje, as duas mães são amigas, se gostam e fazem parte da mesma história. Porque às vezes o amor não apaga a dor do começo, mas transforma o fim em cura.
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    Perdi o movimento dos braços e descobri a esclerose lateral amiotrófica

    12/03/2026 | 5min
    Edison sempre trabalhou com serviço braçal na empresa: cavava buraco, instalava postes nas ruas…Trabalhar com material pesado sempre foi algo normal até o dia em que tentou erguer um vergalhão de ferro para jogar no caminhão e simplesmente não conseguiu.
    Um colega menor e mais franzino que ele levantou o material. Edison ficou parado, com a sensação clara de que havia algo errado com o seu corpo.
    Num primeiro momento, a desconfiança era de uma fraqueza qualquer, mas ele foi investigar.
    Vieram consultas, exames, ele começou a passar de um médico para o outro, e ninguém conseguia dizer o que ele tinha.
    A fraqueza, que começou no início de 2025, foi avançando, chegando aos dedos, até que ele perdeu totalmente o movimento dos dois braços.
    Sem diagnóstico, o dia a dia dele começou a ficar difícil. Coisas banais como coçar o nariz, segurar o celular, comer, tomar banho se tornaram tarefas que ele precisava de ajuda.
    Até que uma médica, com certa suspeita do que o Edison teria, decide buscar uma resposta para ele e sua família e fecha o diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
    O diagnóstico chegou quase um ano depois, em dezembro de 2025, com um misto de medo e alívio. Medo porque o prognóstico é difícil, mas o alívio de nomear aquela fraqueza e iniciar o tratamento correto ajuda Edison e a família a encarar o futuro.
    Hoje, Edison segue firme no tratamento, com muita fé e apoio da família e amigos. Às vezes o choro vem por ver todos se esforçarem para auxiliá-lo, mas a felicidade de tê-los em sua vida é insuperável.
    Mesmo com o diagnóstico, Edison escolheu o agora. Quando a cabeça corre para o futuro, ele puxa de volta: vive hoje. Um dia de cada vez.
    A ELA é uma doença rara que leva à paralisia de forma irreversível devido à degeneração e morte dos neurônios que controlam os músculos responsáveis por atividades diárias1,2.
    Se perceber sintomas persistentes, procure orientação médica, nem que seja para tirar dúvidas.
    A história do Edison foi contada em parceria com a @daiichisankyobrasil para a campanha @falesobreela. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e institucional, sem finalidade promocional ou comercial. Material destinado ao público geral.
    #FaleSobreELA #EscleroseLateralAmiotrófica #ELA
    Ao clicar no link, você será direcionado para um site de terceiros, fora da gestão da Daiichi Sankyo Brasil.
    1. R. H. Brown e A. Al-Chalabi, “Amyotrophic Lateral  Sclerosis,” N Engl J Med, 2017 
    2. Ministério da Saúde. Esclerose Lateral Amiotrófica.  Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-  br/assuntos/saude-de-a-a- z/e/ela. Acesso em: Fevereiro/2026
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    Eu não tenho vergonha de ser PUTA

    05/03/2026 | 6min
    “Eu sou puta!” É assim que Lourdes se apresenta, sem rodeios. Mas sua história não começa num lugar específico, começa quando o mundo decide que a culpa, quase sempre, cai no colo de uma mulher.
    Aos 14 anos, Lourdes sofreu abuso sexual de um tio, e o jeito que a família encontrou de lidar com a situação foi expulsando ela de casa, como se ela tivesse culpa.
    Foi numa praça que Lourdes foi encontrada por uma pessoa que percebeu que ela estava assustada, sem força para explicar o que tinha acontecido, e a levou até um bordel.
    O que surpreende é que Lourdes se sentia mais segura na casa de prostituição do que em casa, dentro da própria família, afinal, ali estava num ambiente em que outras mulheres estavam juntas, todas se ajudando.
    No bordel existia união, rotina e uma rede de apoio muito forte. Quando a exploração apertava, elas se organizavam, faziam greve por comida, descanso e dignidade.
    Lourdes rodou todo o nordeste brasileiro e passou por várias casas até chegar a Belém, cidade em que ela construiu família, criou 4 filhos e virou avó de 10 netos.
    Em nenhum momento ela romantizou nada. Ela foi empurrada para sobreviver do jeito que dava, e hoje é contra que alguém tão jovem precise passar por isso.
    Mas Lourdes nunca teve vergonha do que fazia também. Sua profissão sempre alimentou sua família, por isso, ela não mentiu para os filhos sobre de onde vinha o dinheiro, porque para ela a mentira também é uma forma de abandono.
    Lourdes sempre lutou pelos direitos das prostitutas, dentro dos bordeis e na política também.
    Na primeira reunião do Conselho dos Direitos da Mulher, em Belém, aconselharam que não dissesse que era puta. Lourdes disse mesmo assim e, ao dizer, conseguiu mobilizar o poder público para existirem direitos para quem vive essa realidade: educação, saúde, moradia, creche para os filhos e, acima de tudo, respeito.
    No fim, Lourdes mostra que coragem, às vezes, é simplesmente não se esconder, sendo puta ou não.

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