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Histórias de ter.a.pia

ter.a.pia
Histórias de ter.a.pia
Último episódio

257 episódios

  • Histórias de ter.a.pia

    Passei a cuidar do meu marido após um AVC aos 32 anos

    18/06/2026 | 11min
    Aos 32 anos, Evandro viu sua vida mudar de forma repentina: o cabeleireiro que sonhava em ter o próprio salão passou a depender de cuidados diários após um AVC grave. Mas, para Anderson, o amor que construíram juntos nunca coube dentro de um diagnóstico.
    Anderson e Evandro se conheceram pela internet. Em poucos meses já dividiam a mesma casa, os mesmos planos e o sonho de empreender juntos.
    Com o passar dos anos, tornaram-se família um para o outro. No segundo semestre de 2023, começaram as dores de cabeça de Evandro.
    Eles não sabiam, mas eram sinais de que algo estava errado.
    Na segunda-feira de Carnaval de 2024, Anderson foi visitar a família em outra cidade e quando voltou, encontrou Evandro apoiado na pia do banheiro, pedindo ajuda porque já não sentia as pernas. Horas depois, ele estava inconsciente no hospital.
    Foram dias de incerteza, até que em um breve momento de esperança, Evandro voltou a falar. E, logo depois, a notícia que mudaria tudo: ele havia sofrido um AVC.
    Foram quase cinquenta dias de UTI até que os médicos falaram em cuidados paliativos. Anderson imaginou que estava se despedindo.
    Em vez disso, precisou aprender a cuidar. Aprendeu a aspirar a traqueostomia, adaptar a casa e reorganizar toda a vida.
    Em meio à rotina do hospital, uma pergunta mal feita atravessou Anderson. Um médico quis saber onde estava a família de Evandro. Por um instante, ele percebeu tudo o que haviam construído juntos, e respondeu que a família estava ali.
    Nos seus irmãos, nas cunhadas, na sua mãe que não saía do seu lado, sobretudo na sua presença também. Porque, depois de tantos anos compartilhando a vida, Anderson não era, nem nunca foi um simples companheiro. Ele é a família do Evandro.
    Atualmente, o quadro do Evandro é bastante complexo. Ele se comunica por olhares, expressões e pequenos sinais que só quem ama aprende a traduzir. E Anderson aprendeu que cuidar não é abandonar a própria vida, mas encontrar novas formas de compartilhá-la.
    Porque o caminho não ficou mais fácil, só ficou mais leve. E, às vezes, o amor não cura, no sentido que a gente acredita que seja a cura, mas permanece. E permanecer, em certos momentos, é o gesto mais bonito que existe.
  • Histórias de ter.a.pia

    A morte do meu pai mudou a forma que subo no palco para cantar

    11/06/2026 | 3min
    Quando perdeu o pai de forma repentina, a Bruna entendeu que o amor deixa marcas que permanecem vivas, mesmo quando a voz de quem amamos já não pode mais ser ouvida.
    Pouco tempo antes da perda, Bruna havia passado um feriado ao lado do pai. Voltaram para casa no sábado. No domingo de manhã, ele saiu de moto e não voltou mais. Um acidente interrompeu uma história que ela imaginava ter muito mais capítulos pela frente.
    15 depois, ainda mergulhada no luto, ela tinha um show marcado. Subir naquele palco parecia impossível, mas foi justamente ali, tão perto da despedida, que encontrou forças para seguir.
    Cantar a fez lembrar por que havia escolhido a música. Desde o início, cada nota carregava um desejo silencioso: orgulhar o pai.
    A música sempre foi uma herança de família e seu avô era um de seus maiores mestres. Já muito doente, ele passava os dias entre a cama e as lembranças. Foi durante uma visita despretensiosa que Bruna comentou ter experimentado uma sanfona na casa de um amigo, e seu avô respondeu apontando para um instrumento esquecido na sala.
    A partir daquele dia, ela começou a aprender sozinha. Assistia a vídeos, ensaiava algumas notas e levava a novidade para compartilhar com ele. A sanfona virou uma desculpa bonita para estar presente com ele.
    Foi então que o pai percebeu algo especial naquele encontro entre neta e avô. Incentivou Bruna a pedir o instrumento para ela. Antes mesmo que ela terminasse a frase, o avô já havia dado sua resposta: para ele, aquela sanfona pertencia a quem a tocava.
    Um mês depois, ele partiu.
    Hoje, o pai já não está aqui. O avô também não. Outros amigos se foram pelo caminho, alguns de forma tão inesperada quanto o pai. Mas, quando Bruna canta, nenhuma dessas presenças parece distante.
    Porque a música se tornou o lugar onde as memórias permanecem vivas, o espaço onde o amor continua encontrando voz e onde ela pode reverenciar aqueles que ajudaram a construir quem ela é.
    Bruna acaba de lançar a música “Quase de Dançar”. O clipe reúne relatos de pessoas que já passaram pelo @historiasdeterapia e que ajudam a comprovar o poder transformador da música. Como diz a própria letra: toda canção nasce do que é bom de ouvir por dentro.
  • Histórias de ter.a.pia

    Antes de ser finalista do The Voice Brasil, ela ouviu que deveria lavar banheiro

    04/06/2026 | 10min
    A pandemia quase levou a vida de Amanda. Ela sobreviveu, mas quase perdeu aquilo que mais amava: a sua voz. Para uma cantora, ouvir que nunca mais voltaria a cantar era como perder parte da própria identidade.
    Amanda cantava profissionalmente desde os 17 anos quando, em 2020, contraiu Covid-19. As complicações vieram rápido. Asmática, chegou ao hospital com apenas 40% de saturação e já apresentava sinais de confusão mental.
    Em pouco tempo, precisou ser entubada. O procedimento deixou uma cicatriz em suas pregas vocais.
    A recuperação foi lenta e dolorosa. Ela perdeu peso, precisou usar cadeira de rodas e dependia de ajuda até para tomar banho.
    A voz, antes firme, agora saía trêmula, insegura. Como se não bastasse, Amanda perdeu 37% da audição do ouvido esquerdo e passou a enfrentar dificuldades motoras que faziam seu próprio corpo parecer estranho.
    Quando decidiu buscar tratamento para voltar a cantar, encontrou alguns profissionais que diziam não saber como ajudá-la. Outros foram além: afirmavam que sua voz jamais voltaria.
    Um deles chegou a sugerir que abandonasse a música e procurasse um trabalho como faxineira, num óbvio comentário racista.
    Mas ela não deixou barato! Amparada pela fé, pela família e pela fonoaudióloga que acreditou nela, iniciou uma longa reabilitação que devolveram, pouco a pouco, aquilo que parecia perdido.
    Primeiro vieram os movimentos. Depois, algumas notas musicais e, finalmente, a voz.
    Em 2023, Amanda subiu ao palco do The Voice Brasil. Se inscreveu no programa para celebrar a vida, como alguém que voltou a ficar de pé. Amanda virou as quatro cadeiras e terminou a competição em segundo lugar!
    Desde então, cantou dentro e fora do Brasil, integrou projetos ao lado de grandes artistas, como Seu Jorge, e viu seu nome aparecer em lugares que jamais imaginou alcançar durante os dias em que sequer conseguia tomar banho sozinha.
    Ela aprendeu que recomeçar nem sempre significa voltar ao que era antes. Às vezes, significa voltar mais forte. Algumas pessoas recebem uma segunda chance, e a Amanda transformou a dela em música.
  • Histórias de ter.a.pia

    Humilhada por uma professora por ser faxineira, ela deu a volta por cima através da escrita

    28/05/2026 | 10min
    A Aline cresceu no morro vendo a mãe se dividir em dois empregos para sustentar três filhos sozinha. Desde muito cedo ela aprendeu que sobreviver vinha antes dos sonhos.
    Ela parou de estudar aos 13 anos para trabalhar no farol. Enquanto vendia coisas nos semáforos, aprendia também a se proteger dos perigos que cercavam meninas pobres e negras desde cedo demais.
    Mais tarde, já com seu primeiro filho, ela consegue o primeiro emprego como faxineira depois de voltar a estudar pelo EJA, equilibrando os R$410 do salário entre aluguel, fraldas, leite e a vizinha que cuidava do filho pequeno.
    Mesmo enfrentando preconceito e assédio, ela seguia trabalhando com dignidade nas faxinas. Fazia questão de sorrir enquanto limpava banheiros, como quem tentava provar para si mesma que nenhum trabalho deveria diminuir alguém.
    Quando começou a trabalhar em uma creche, como auxiliar de limpeza, os traumas da infância voltaram. Via crianças negras e atípicas sendo excluídas das rodas, ignoradas pelas professoras, tratadas como invisíveis. Ela não conseguia fingir que não via.
    Até que, durante uma reunião de professores, ela sugeriu uma brincadeira para as crianças. A resposta de uma das professoras veio em forma de humilhação: “Cala a boca! Você não tem pedagogia”.
    Aquilo doeu fundo na Aline, mas foi também o dia em que ela decidiu que voltaria para aquela escola como professora.
    Sem dinheiro para faculdade, virou passista da Vai-Vai para pagar os estudos. Trabalhava como faxineira durante a semana, fazia shows à noite e vendia produtos em feiras nos finais de semana.
    Tudo isso enquanto criava o filho sozinha e tentava sobreviver a um relacionamento que repetia diariamente que ela era burra demais para conseguir se formar.
    Até que ela conseguiu. Entrou na Universidade Zumbi dos Palmares, se formou em pedagogia e voltou para a mesma creche que foi humilhada. Dessa vez, como professora.
    Ali, a Aline entendeu que podia transformar dor em acolhimento, e foi isso que fez dentro das salas de aula.
    Mais tarde, após o nascimento do filho com síndrome de Down, precisou deixar a escola novamente, mas não largou a pedagogia e transformou essa nova dor em literatura.
    Escreveu livros infantis com protagonismo negro e viu suas obras viajarem o mundo, serem reconhecidas em universidade fora do Brasil.
    A faxineira silenciada dentro de uma escola hoje ensina justamente aquilo que mais faltou para ela durante a vida toda: afeto e pertencimento.
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    Meus amigos decidiram que iam doar um rim para salvar minha vida

    21/05/2026 | 11min
    Aos 33 anos, o Vinícius tomou um susto quando o que parecia ser apenas uma crise de gota revelou algo muito maior. Seus rins já não funcionavam como deveriam, e metade da função estava perdida.
    Junto com o diagnóstico, veio um medo que ele nunca tinha sentido antes, que era a sensação constante de que podia morrer, já que em determinado momento ele passou a precisar de um transplante de rim.
    Por sorte, Vinicius sempre teve muito acolhimento da família e também dos amigos, como o Thiago e a Xaxá.
    Foi numa ligação despretensiosa com a Xaxá, que ele ouviu que se fosse preciso, o amigo doaria um rim. Mas isso soou apenas como um apoio moral, até porque até ali ninguém sabia da seriedade da sua doença.
    O tempo passou, a doença do Vinicius avançou e ele seguiu em silêncio, carregando a certeza de que não podia pedir um rim pra ninguém.
    Até que, numa conversa com os amigos, ele mencionou que precisaria do transplante. E, como se fosse a coisa mais natural do mundo, Thiago e Xaxa compartilharam seus tipos sanguíneos. Como quem diz: “Sou um possível doador”.
    Foi nesse momento que tudo mudou.
    O que antes era impensável se tornou real, mas aceitar que alguém fizesse isso também doía porque receber um gesto desses carrega uma enorme responsabilidade
    Mas os amigos estavam junto com o Vinicius, e não voltariam atrás. Foram fazer os exames para saber qual dos dois era o doador perfeito, e o escolhido foi o Thiago.
    Xaxa, apesar de não se tornar doadora, não ficou de fora. Criaram um grupo dos três e ela era a mãezona que sustentava, cuidava e permanecia ali para não deixar as ansiedades consumirem os dois.
    Antes da cirurgia, Vinícius, que é ator e músico, sentia como se estivesse prestes a entrar em cena. Ansioso, mas pronto. Sabia que precisava daquilo para continuar.
    E deu certo!
    E, no fim, não era só um transplante, mas um chamado para o SIM.
    O gesto dos amigos, a responsabilidade de Vinicius, tudo isso revela muito sobre amizade, mas também sobre algo muito simples e raro: um ser humano disposto a dar vida a outro.
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