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Histórias de ter.a.pia

ter.a.pia
Histórias de ter.a.pia
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  • Histórias de ter.a.pia

    Meu filho pode usar vestido e brincar de boneca

    19/2/2026 | 9min
    Quando o Sebá demonstrou que gostava, também, de “coisas de menina”, a Mari fez um acordo com ela mesma: não iria criar “um menino” ou “uma menina”, ela queria criar crianças. Crianças de verdade, com direito a brincar, testar, mudar de ideia, se encantar e se expressar.
    Foi assim que Sebastião fez a Mari enxergar uma infância sem rótulos. Um menino que gostava do que o irmão mais velho não gostava, que quis brincar com uma Barbie, que se apaixonou pela ‘Frozen’. E, aos poucos, Mari percebeu que o desafio não era entender o filho, mas enfrentar o mundo tentando reduzir uma criança a uma regra de gênero.
    Em casa, ela ouviu frases que parecem “preocupação”, mas vêm carregadas de controle e, por um tempo, ela cedeu aqui e ali, porque estava na casa dos pais. Tirava a boneca, fazia com que ele agisse “como um menino”.
    Até que um dia o próprio Sebastião mostrou o tamanho do estrago: ele disse que queria ser uma menina, só para poder usar a fantasia sem ser julgado. Ali, Mari entendeu que não não era uma questão de gênero, mas de diversão e, por isso, não dava mais para negociar a alegria do filho.
    Ela decidiu que, dali para frente, brinquedo e roupa seriam apenas isso: brinquedo e roupa. Sem rótulos. E fez o que muita gente tenta evitar: bancou a escolha em voz alta para a família, para a escola e para a internet.
    Com o tempo, Sebastião ganhou uma coisa que não tem preço: segurança para se nomear. “Eu sou um menino que gosta disso.”
    E com a felicidade do filho, a Mari entendeu que quando uma criança é acolhida, ela não precisa se esconder. Ela só precisa ser criança.
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    Minha mãe sumiu numa excursão para Aparecida e foi encontrada atropelada

    05/2/2026 | 12min
    Essa é uma história que a gente não gostaria de ter quer contar. A mãe da Ale nasceu na roça, primeira filha de dois avós negros presos a um trabalho sem salário, apenas pela promessa de um teto sem conforto.
    Ela viu o pai sair para trabalhar e não voltar. Depois viu a mãe sair para tentar um recomeço e achou que também nunca mais a veria.
    Quando engravidou, foi expulsa sem nem poder pegar as próprias roupas e partiu para São Paulo com o namorado, levando uma mala só e um enxoval pequeno. Ele saiu dizendo que buscaria um lugar melhor e nunca mais voltou também.
    Ela sobreviveu ajudando feirantes em troca de comida, conheceu o pai de Ale, teve filhos, viveu perdas cedo demais e, mesmo sem ter aprendido a ler, amava livros.
    A Mãe da Ale costurava enquanto a filha lia em voz alta. Nos fins de semana chuvosos, a casa virava abrigo: o som da máquina, a voz da filha, e uma risada que parecia desafiar a vida.
    Aos 75 anos, ela já se confundia às vezes, mas seguia fazendo tudo. Até o dia em que foi para uma excursão com seus amigos de anos da igreja e não voltou para casa.
    As pessoas da excursão disseram que na parada, quando todos retornaram para o ônibus, ela não estava mais lá. E essas pessoas deixaram para a família o impossível: saber por onde começar. Não houve ajuda.
    As câmeras da parada mostraram a mãe de Ale descendo junto com as outras pessoas, depois se afastando devagar, sendo engolida pela multidão… Depois, nada.
    Ale transformou a revolta em busca, principalmente quando encontrou a mãe, que havia sido encontrada 7km de distância o local, atropelada.
    A situação foi tão grave que ela não pôde sequer reconhecer o corpo, que havia sido reconhecido pelos peritos pelas digitais.
    Para a Ale, a dor maior não foi só a perda, mas a indiferença nessa situação. As pessoas da excursão, amigos de anos da família, sequer foram no enterro. Não rezaram uma Ave Maria.
    Hoje, a Ale carrega a mãe nas lembranças, na coragem e na decisão de contar essa história atrás de respostas.
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    A médica me mandou pra casa esperar meu bebê nascer morto

    29/1/2026 | 7min
    Com três meses de gestação, Marcely entrou no hospital acreditando que sairia dali com uma notícia leve, o sexo do bebê, um detalhe feliz para guardar. Em vez disso, sentiu o chão sumir quando a médica avisou que ela estava dilatando cedo demais, e iria perder o bebê.
    O choque foi tão grande que ela mal conseguiu reagir, só chorou. E, no meio do banheiro do hospital, uma desconhecida, sem saber de nada, ofereceu uma frase atravessada de fé que a fez buscar outra opinião médica.
    No segundo hospital, veio a confirmação e uma aposta diária: internação e repouso absoluto para manter a gestação o máximo possível.
    Era pandemia, e a Marcely passou dias deitada, olhando para o teto, vivendo de pequenos marcos, celebrando a cada 24 horas por mais um dia conquistado.
    Quando soube que o bebê que ela gerava era menina, também soube que ela ainda era pequena demais para o mundo. Mesmo assim, Laura ganhava peso e ia crescendo dentro da mãe, e isso dava esperança para Marcely.
    Duas semanas depois, uma nova infecção mudou tudo. Para proteger mãe e a bebê, os médicos optaram por uma cesárea. Laura nasceu com 1,05 kg e, ficou na UTI neonatal. Por muito tempo, foi mais fios e eletrodos do que pele aos olhos de Marcely.
    O colo da mãe veio só três meses depois e, justamente ali, no primeiro contato pele a pele, Laura teve uma parada e foi tirada às pressas de seus braços.
    Marcely saiu daquele momento achando que não era um colo seguro.
    Os dias seguiram. Intubação, sonda, cada avanço era uma luz acesa na vida da Marcely e da Laura.
    A bebê nasceu em 15 de março e recebeu alta por volta de 16 de junho. Marcely acreditou que, em casa, a vida finalmente ficaria bem. Mas foi ali que tudo desabou.
    A força que ela sustentou por meses virou silêncio, e uma depressão pós-parto tomou espaço. Só quando Marcely conheceu outras mães de prematuros, entendeu que sua dor poderia ser compartilhada.
    Hoje, Laura tem quatro anos. Saudável, brincalhona, sem sequelas. E Marcely aprendeu que cuidar da filha também passa por se cuidar de si, para que a segurança que ela oferece não seja apenas uma máscara, mas um chão firme.
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    Meu pai não aceitava minha família, até meus filhos chegarem

    22/1/2026 | 10min
    A Acácia sempre acreditou que algumas verdades não precisavam ser ditas em voz alta. Ela amava uma mulher, dividia a vida com ela, e achava que os pais sabiam, mas nunca houve um anúncio formal, nem pedido de permissão.
    Até que o desejo de ser mãe, um sonho antigo da Acácia, exigiu coragem. Depois de entrar na fila da adoção e, no mesmo dia, iniciou o processo de fertilização in vitro.
    Quando o teste deu positivo logo na primeira tentativa, a primeira pessoa para quem ela ligou foi o pai, a notícia foi bem recebida, sem perguntas, sem detalhes. Acácia acreditou que ele já entendia tudo.
    Mas quando ela explicou que aquele bebê teria duas mães e que ele seria a principal referência masculina da criança, algo mudou. A ficha caiu e o pai se fechou.
    A alegria deu lugar ao silêncio e a uma culpa que Acácia nunca soube como carregar. Parentes começaram a dizer que ela estava machucando o próprio pai.
    Pouco tempo depois, num ultrassom de rotina, ela descobre que coração do bebê havia parado. Ela até tentou a inseminação novamente, mas perdeu de novo.
    Nesse mesmo período, sua irmã engravidou e foi acolhida com amor. Acácia ficou feliz por ela, mas sentiu, pela primeira vez, o peso de não ter recebido o mesmo afeto.
    Quando já estava emocionalmente exausta, a vara da infância ligou. Um casal de bebês precisava de uma família.
    O menino tinha paralisia cerebral e hidrocefalia, mas para Acácia, os dois já eram seus filhos.
    Antes de seguir, ela tomou uma decisão, precisava contar ao pai. Não por ela, mas pelos filhos. Se eles não fossem aceitos, ela seguiria sem a família.
    Sentada com o pai à beira do rio, Acácia disse que iria adotar duas crianças com uma história difícil, e que ele não era obrigado a aceitar.
    Foi quando ele disse que aqueles já eram seus netos, e que os amava. Ele queria ser o primeiro a conhecê-los. E ali, sem discurso nem explicação, algo foi curado.
    Hoje, Helô e Caetano têm os melhores avós que poderiam ter. Acácia entendeu que nem todo tempo é o tempo certo, e seus filhos estavam sendo gerados de outro jeito. E não poderiam ser outros. Precisavam ser exatamente eles.
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    Perdi meu marido logo após adotar 5 crianças

    15/1/2026 | 9min
    Foi no meio da madrugada que Daniel entendeu que a vida pode mudar para sempre em poucos minutos. Ao sacudir o corpo do marido, tentando acordá-lo, ouviu um pedido que ainda ressoa dentro dele: que não abandonasse as crianças. Ali, sem saber, ele se despedia do amor da sua vida e assumia, sozinho, o cuidado dos 5 irmãos que o casal havia acabado de adotar.
    Daniel nasceu em Canindé, no Ceará, e saiu de casa ainda jovem para tentar sobreviver em São Paulo. Encontrou preconceito dentro da própria família, foi expulso de casa no meio da noite e dormiu sob um viaduto sem conhecer ninguém.
    Conseguiu o primeiro trabalho numa pizzaria e, junto com ele, um quarto improvisado. Depois, encontrou abrigo na casa de uma senhora que nunca tinha visto antes, que se tornou sua rede de apoio.
    Foi nesse tempo que Daniel conheceu Jhonatan. Um encontro quase por acaso, uma conversa simples, o início de uma relação que cresceu bem rápido. Eles juntaram as poucas coisas que tinham e passaram a dividir a vida.
    Jhonatan sempre quis ser pai e ficou apreensivo quando descobriu que quatro sobrinhos viviam em uma situação grave de vulnerabilidade. Quando decidiu lutar pela guarda das crianças, Daniel não se sentia pronto para ser pai, mas escolheu entrar nessa com o marido.
    As crianças chegaram. Depois, os dois descobriram que viria mais uma. Ao todo, eram cinco irmãos, uma casa pequena, noites sem dormir, medo, aprendizado e amor construído no improviso.
    Tudo estava no nome de Jhonatan. Daniel ajudava, apoiava, amava, mas não imaginava que precisaria assumir tudo sozinho tão cedo.
    Tudo aconteceu muito rápido, quando Jhonatan morreu de dengue hemorrágica e o Daniel precisou engolir o próprio luto para contar às crianças que o pai não voltaria mais. Ouviu do mais velho a pergunta que mais doeu: se ele também iria embora.
    Mas Daniel jamais abandonaria aquelas crianças porque eram seus filhos também.
    Ele enfrentou depressão, ansiedade e uma batalha judicial difícil, até conseguir a guarda definitiva. Em 2024, as crianças passaram a carregar oficialmente o sobrenome de Jhonatan.
    Hoje, Daniel olha para trás e entende que nada foi por acaso, depois de tanto cuidado que ele recebeu, é a hora dele cuidar também.

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