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Na Terra dos Cacos

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Na Terra dos Cacos
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  • Na Terra dos Cacos

    Como a literatura colonial acabou a ajudar a construir um país

    13/05/2026 | 39min
    Em 2002, o livro foi recebido “entre a indiferença e frieza”. Um trabalho que talvez tenha surgido adiantado para o seu tempo: nem ao Portugal que entrava no novo milénio lhe interessava a literatura colonial portuguesa, nem o Moçambique que se reconstruía depois da guerra civil se sentia com vontade de assumir como seu o passado do país durante a ocupação colonial. A reedição agora pela Caminho dá-lhe oportunidade para um segundo fôlego.
    As investigações e a reflexão sobre o colonialismo português, quer no espaço público quer no espaço académico, generalizaram-se a ponto de diminuir a carga de susceptibilidade que o seu tema envolve. E o distanciamento temporal poderá assegurar que Império, Mito e Utopia: Moçambique como Invenção Literária, a tese de doutoramento em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa do investigador moçambicano Francisco Noa, seja vista por aquilo que é: uma investigação sólida, assente em bases teóricas extensas e muito bem escrita.
    Francisco Noa é o nosso entrevistado, na segunda parte neste novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do PÚBLICO sobre temas africanos. Na primeira parte, António Rodrigues e Elísio Macamo conversam sobre a situação no Mali e o professor da Universidade de Basileia até se permite um exercício de schadenfreude, pois os ataques em larga escala dos rebeldes tuaregues e dos jihadistas ligados à Al-Qaeda vieram demonstrar a incapacidade dos militares golpistas para resolver os problemas do Sahel e a fatuidade da ajuda militar russa.
    Também há espaço para conversar sobre as eleições legislativas em Cabo Verde que se disputam no domingo, 17 de Maio, tendo mais uma vez o MpD, no poder desde 2016, e o PAICV, o antigo partido único, como os principais actores de uma eleição com cinco partidos a disputar os 72 lugares no Parlamento.
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  • Na Terra dos Cacos

    A mancha que ficou entre as palavras do Papa em África

    29/04/2026 | 46min
    Um Papa em África, um líder político injustamente preso e um romance que ganha nova vida 28 anos depois, assim se faz este novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do jornal PÚBLICO dedicado a temas africanos.
    O longo périplo de Leão XIV em África, a sua primeira grande viagem papal ainda dentro do seu primeiro ano de pontificado, mostra a importância que o sucessor de Francisco dá ao continente. A jornada começou no dia 13 na Argélia e terminou na Guiné Equatorial no dia 23, passando por Camarões e Angola, ficou marcada por mensagens importantes contra a exploração económica e os interesses instalados.
    Reconciliação, paz, luta contra a exploração, o Papa falou de injustiça, falou de exploração, dessa lógica extractivista que leva os recursos sem deixar riqueza para os que ficam. Todo um guião adequado para um sucessor de Francisco: apesar de estilos diferentes, o primeiro Papa franciscano e o primeiro Papa agostiniano parecem ter muitas coisas em comum.
    No único em que destoou, naquilo em que foi mais Bento XVI, foi na referência que fez na missa campal nos arredores de Luanda, a 19 de Abril, às religiões tradicionais: “É necessário estar sempre atento às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual.”
    A semana passada, o primeiro-ministro Ilídio Vieira Té, escolhido pelos militares golpistas da Guiné-Bissau, deu uma conferência de imprensa para dizer que Domingos Simões Pereira (DSP), presidente do Parlamento guineense, se encontra sob custódia militar e agora só esperava “uma justiça parcial e objectiva” do tribunal que “é um órgão independente”.
    Tanto os advogados como a família de DSP dizem que não há nenhum processo contra o líder do PAIGC e que tudo não passa de um estratagema político para o manter detido. “Fracassada a intenção de incriminar o nosso cliente, sobretudo pela posição clara e inequívoca dos promotores que foram ameaçados e afastados do processo”, acabaram a criar “um tribunal ad hoc, com magistrados requisitados”.
    No nosso espaço habitual de entrevista, temos como convidada a escritora cabo-verdiana Dina Salústio, cujo primeiro romance, A Louca de Serrano, publicado pela primeira vez em 1998 em Cabo Verde, teve agora a sua primeira edição em Portugal pela editora Rosa de Porcelana.
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  • Na Terra dos Cacos

    África precisa de homens fortes no poder?

    15/04/2026 | 48min
    Esta quinta-feira, 16 de Abril, a Liga Africana vai deixar de vez o edifício que foi construído para a sua sede em 1953 e que desde 2017 é Património Histórico-Cultural de Angola. A organização, considerada de utilidade pública desde 1996, e os membros da sua direcção foram agraciados, em Setembro, pelo Presidente João Lourenço com as medalhas criadas para comemorar os 50 anos da independência de Angola pelos serviços prestados à nação. O mesmo João Lourenço assinou agora o ofício a ordenar o despejo da Liga Africana, numa decisão que apanhou de surpresa os seus órgãos directivos, que não foram tidos nem achados na decisão.
    Será que estamos perante mais um exemplo de como o Governo de Angola lida mal com a preservação da memória histórica?
    E já que estamos com perguntas: É verdade que os africanos precisam de homens fortes a governá-los? A julgar pelo editorial de 8 de Abril do director da revista Jeune Afrique, um homem branco de 73 anos nascido em França, sim, os africanos querem homens fortes a governá-los.
    Escreve François Soudan: “A maioria dos africanos não é diferente da maioria dos outros povos. Não rejeitam os homens fortes; pelo contrário, procuram-nos. Porque a força seduz, porque é a sintaxe e a gramática da linguagem do poder, porque não há instituições fortes sem homens fortes para as pôr em prática. E porque nada há de pior, aos olhos dos administrados, do que um presidente desgastado, que não corta nem cabeças nem problemas.”
    Na segunda parte, no nosso espaço de entrevista, vamos conversar com o artista plástico português de ascendência angolana e cabo-verdiana Francisco Vidal, a propósito da sua participação numa exposição colectiva na Haus der Kulturen der Welt, a Casa das Culturas do Mundo, em Berlim.
    Tirailleurs. De “carne para canhão” a vanguarda – os soldados esquecidos que libertaram a Europa, inaugurada a 21 de Março e que se prolonga até 14 de Junho, é uma exposição que tenta resgatar do esquecimento os soldados das colónias francesas que lutaram pela libertação da Europa na II Guerra Mundial.
    O programa diversificado da exposição alarga-se a histórias semelhantes de outras regiões e períodos, de forma a evidenciar a continuidade da exploração de pessoas como “recursos humanos” em diferentes regimes.
    E é aí nesse espaço colectivo de reconhecimento e memória, com obras de mais de 30 artistas, que Vidal expõe o seu mural, encomendado pela Casa das Culturas, composto por 48 cartazes de 62,5 cm por meio metro em papel de parede a que deu o nome de Didactic drawings for a future reading, thoughts about slavery and freedom, ou seja, desenhos didácticos para uma leitura futura, pensamentos sobre escravatura e liberdade.
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  • Na Terra dos Cacos

    “A oposição em Angola é propriedade do próprio regime”

    01/04/2026 | 43min
    As eleições em Angola são uma ilusão de que a oposição é cúmplice, chegou, pois, a hora de tentar mudar a situação política por outras formas que não a dos partidos políticos. Esse é o resumo do manifesto político que elementos da sociedade civil angolana, nomeadamente Luzia Moniz e Domingos da Cruz, pretendem divulgar como forma de incentivar a população a levar a cabo “uma nova luta de libertação nacional em Angola”.
    Disso nos vem falar Domingos da Cruz, o entrevistado deste episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do PÚBLICO sobre temas africanos. O investigador, um dos presos políticos do processo dos 15+2 em Angola, actualmente a residir no Canadá, considera que MPLA e UNITA se equivalem nessa manutenção de um sistema que só os beneficia a eles e em que o povo é o capim que sofre.
    Se “a oposição em Angola é propriedade do próprio regime”, então a alternância política através de eleições é uma falácia repetida apenas para manter tudo como está. O manifesto propõe “a autolibertação do povo da manipulação dos partidos sem bússola moral, para que a soberania popular se mobilize fora das instituições para erradicar a opressão”.
    Na primeira parte, falamos da Rússia que vai começar a explorar urânio na Namíbia, um dos países com maiores reservas deste minério no mundo e partilhar o seu know how em matéria de energia nuclear com o país da África Austral que tem uma extensa fronteira com Angola.
    E também conversaremos sobre a decisão da justiça moçambicana de levar a julgamento o candidato presidencial Venâncio Mondlane, principal rosto da oposição em Moçambique, no âmbito de cinco processos-crimes por causa das manifestações contra a alegada fraude depois das eleições gerais de 9 de Outubro de 2024.
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  • Na Terra dos Cacos

    Faz todo o sentido que a Argélia queira que a França pague pelos ensaios nucleares

    18/03/2026 | 42min
    Num documento publicado na semana passada, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês) analisa as implicações do fecho do estreito de Ormuz para a economia mundial. Nomeadamente para África e para países cuja agricultura depende extremamente dos fertilizantes importados dos países do Golfo, como Moçambique, que está entre os dez mais dependentes, com 22% do fertilizante que consome a sua agricultura a passar precisamente por essa importante via marítima, afectada pela retaliação do Irão aos ataques de Estados Unidos e Israel.
    A Argélia aprovou uma nova lei sobre o colonialismo, que suavizou 13 artigos que poderiam levar a problemas diplomáticos com a antiga potência colonial, a França. Manteve, no entanto, a mão dura na criminalização da apologia do colonialismo, para preservação da memória daqueles que lutaram pela independência do país.
    A partir de agora, quem glorificar o período colonial, em texto, imagem ou audiovisual, incorre numa pena de prisão de três a cinco anos e uma multa entre 100 mil e 500 mil dinares (de 650 a 3250 euros). A pena duplica em relação aos reincidentes, até dez anos de prisão efectiva.
    Na segunda parte, temos como nossa convidada a presidente do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Matilde Santos, que nos fala dos desafios e problemas com que se debate uma biblioteca nacional recente como a cabo-verdiana, que tem apenas 25 anos. Falamos sobre digitalização, literacia, fomento da leitura, falta de meios e de técnicos com formação.
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Sobre Na Terra dos Cacos
Como dizia Eduardo White, os países africanos são hoje cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas semanas, como colá-los.
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