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Na Terra dos Cacos

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  • Na Terra dos Cacos

    Cabo Verde pode ganhar o Mundial de Futebol?

    10/06/2026 | 52min
    Optimista como sempre, o professor Elísio Macamo está convencido que a selecção de Cabo Verde pode ir longe neste 23.º Campeonato do Mundo de Futebol que se disputa em três países, Canadá, Estados Unidos e México, e começa esta quinta-feira com o encontro entre o México e a África do Sul. Apesar do grupo complicado dos “tubarões”, com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, Cabo Verde pode ir muito longe e se depois de Marrocos ter chegado às meias-finais no Qatar, em 2022, coubesse aos estreantes “Tubarões” ser a primeira selecção africana a chegar a uma final do Mundial?
    Na primeira parte, também conversaremos sobre a nova plataforma de reflexão estratégica sobre África e o mundo, denominada “Pensar Global”, uma iniciativa da Edicenter-Publicações, do Grupo Executive, angolano, em parceria com o CEJES, o Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e Sociais da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, e com AIPEX-Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola.
    O orador da primeira edição já passou por este podcast, trata-se do guineense Carlos Lopes, professor na Mandela School of Public Governance, da Universidade da Cidade do Cabo, antigo secretário-geral adjunto das Nações Unidas, antigo conselheiro de Kofi Annan quando o ganês era secretário-geral da ONU e alto representante da União Africana para as relações com a União Europeia.
    Carlos Lopes vai falar de “África e o Mundo – Repensar o Presente e Redefinir o Futuro”, uma reflexão “profunda, estratégica e provocadora” sobre soberania económica, relações internacionais e oportunidades de transformação do continente, escreve o jornal económico angolano Mercado.
    Na segunda parte, o nosso entrevistado é o investigador Ruy Blanes que vem ao podcast falar sobre o 27 de Maio em Angola, do trabalho da CIVICOP, Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, sobre a nova alegada descoberta de uma vala comum num cemitério de Luanda com 600 restos mortais de vítimas da purga que se seguiu à dita tentativa de golpe de Nito Alves a 27 de Maio de 1977.
    Blanes, antropólogo, principal investigador do Centro em Rede de Investigação em Antropologia ligado a quatro instituições de ensino superior portuguesas (Iscte, Universidade Nova, Universidade de Coimbra e Universidade do Minho) está a escrever um livro sobre o 27 de Maio para publicar no próximo ano, quando se assinalam 50 anos do alegado golpe.
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  • Na Terra dos Cacos

    Quem disse que João Lourenço não continuará a ser Presidente?

    27/05/2026 | 50min
    O nosso convidado é o sociólogo David Boio, cuja empresa Ovilongwa é a responsável pela recolha de informação para o território angolano dos inquéritos do Afrobarómetro, esse retrato estatístico de África, e que nos vem falar de eleições, estado da democracia, desinteresse e de João Lourenço e ela que faz a pergunta: será mesmo que o Presidente angolano vai deixar a presidência e o poder?
    O actual chefe de Estado anunciou a sua recandidatura à liderança do partido, cuja eleição decorrerá no congresso do MPLA de 9 e 10 de Dezembro. Lourenço quer ter tudo a dizer na escolha do seu sucessor como candidato à presidência e pretende manter-se como figura tutelar do executivo no caso de o MPLA voltar a ganhar as eleições e a probabilidade de isso acontecer é muito alta.
    Antes, na primeira parte, a conversa andará à volta das eleições em Cabo Verde, a derrota do MpD ao fim de dez anos de poder, a demissão e o fim da carreira política do primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva.
    Também falaremos da livre circulação de africanos em África, havendo já alguns países que deixaram de exigir vistos de entrada nas suas fronteiras a cidadãos de países africanos: Angola, Benim, Ruanda, Gana, Seychelles, Gâmbia. O mais recente foi o Togo, na semana passada. Mas não deixa de ser uma gota de água num mar imenso de obstáculos à integração africana que está muito longe de acontecer.
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  • Na Terra dos Cacos

    Como a literatura colonial acabou a ajudar a construir um país

    13/05/2026 | 39min
    Em 2002, o livro foi recebido “entre a indiferença e frieza”. Um trabalho que talvez tenha surgido adiantado para o seu tempo: nem ao Portugal que entrava no novo milénio lhe interessava a literatura colonial portuguesa, nem o Moçambique que se reconstruía depois da guerra civil se sentia com vontade de assumir como seu o passado do país durante a ocupação colonial. A reedição agora pela Caminho dá-lhe oportunidade para um segundo fôlego.
    As investigações e a reflexão sobre o colonialismo português, quer no espaço público quer no espaço académico, generalizaram-se a ponto de diminuir a carga de susceptibilidade que o seu tema envolve. E o distanciamento temporal poderá assegurar que Império, Mito e Utopia: Moçambique como Invenção Literária, a tese de doutoramento em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa do investigador moçambicano Francisco Noa, seja vista por aquilo que é: uma investigação sólida, assente em bases teóricas extensas e muito bem escrita.
    Francisco Noa é o nosso entrevistado, na segunda parte neste novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do PÚBLICO sobre temas africanos. Na primeira parte, António Rodrigues e Elísio Macamo conversam sobre a situação no Mali e o professor da Universidade de Basileia até se permite um exercício de schadenfreude, pois os ataques em larga escala dos rebeldes tuaregues e dos jihadistas ligados à Al-Qaeda vieram demonstrar a incapacidade dos militares golpistas para resolver os problemas do Sahel e a fatuidade da ajuda militar russa.
    Também há espaço para conversar sobre as eleições legislativas em Cabo Verde que se disputam no domingo, 17 de Maio, tendo mais uma vez o MpD, no poder desde 2016, e o PAICV, o antigo partido único, como os principais actores de uma eleição com cinco partidos a disputar os 72 lugares no Parlamento.
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  • Na Terra dos Cacos

    A mancha que ficou entre as palavras do Papa em África

    29/04/2026 | 46min
    Um Papa em África, um líder político injustamente preso e um romance que ganha nova vida 28 anos depois, assim se faz este novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do jornal PÚBLICO dedicado a temas africanos.
    O longo périplo de Leão XIV em África, a sua primeira grande viagem papal ainda dentro do seu primeiro ano de pontificado, mostra a importância que o sucessor de Francisco dá ao continente. A jornada começou no dia 13 na Argélia e terminou na Guiné Equatorial no dia 23, passando por Camarões e Angola, ficou marcada por mensagens importantes contra a exploração económica e os interesses instalados.
    Reconciliação, paz, luta contra a exploração, o Papa falou de injustiça, falou de exploração, dessa lógica extractivista que leva os recursos sem deixar riqueza para os que ficam. Todo um guião adequado para um sucessor de Francisco: apesar de estilos diferentes, o primeiro Papa franciscano e o primeiro Papa agostiniano parecem ter muitas coisas em comum.
    No único em que destoou, naquilo em que foi mais Bento XVI, foi na referência que fez na missa campal nos arredores de Luanda, a 19 de Abril, às religiões tradicionais: “É necessário estar sempre atento às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual.”
    A semana passada, o primeiro-ministro Ilídio Vieira Té, escolhido pelos militares golpistas da Guiné-Bissau, deu uma conferência de imprensa para dizer que Domingos Simões Pereira (DSP), presidente do Parlamento guineense, se encontra sob custódia militar e agora só esperava “uma justiça parcial e objectiva” do tribunal que “é um órgão independente”.
    Tanto os advogados como a família de DSP dizem que não há nenhum processo contra o líder do PAIGC e que tudo não passa de um estratagema político para o manter detido. “Fracassada a intenção de incriminar o nosso cliente, sobretudo pela posição clara e inequívoca dos promotores que foram ameaçados e afastados do processo”, acabaram a criar “um tribunal ad hoc, com magistrados requisitados”.
    No nosso espaço habitual de entrevista, temos como convidada a escritora cabo-verdiana Dina Salústio, cujo primeiro romance, A Louca de Serrano, publicado pela primeira vez em 1998 em Cabo Verde, teve agora a sua primeira edição em Portugal pela editora Rosa de Porcelana.
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  • Na Terra dos Cacos

    África precisa de homens fortes no poder?

    15/04/2026 | 48min
    Esta quinta-feira, 16 de Abril, a Liga Africana vai deixar de vez o edifício que foi construído para a sua sede em 1953 e que desde 2017 é Património Histórico-Cultural de Angola. A organização, considerada de utilidade pública desde 1996, e os membros da sua direcção foram agraciados, em Setembro, pelo Presidente João Lourenço com as medalhas criadas para comemorar os 50 anos da independência de Angola pelos serviços prestados à nação. O mesmo João Lourenço assinou agora o ofício a ordenar o despejo da Liga Africana, numa decisão que apanhou de surpresa os seus órgãos directivos, que não foram tidos nem achados na decisão.
    Será que estamos perante mais um exemplo de como o Governo de Angola lida mal com a preservação da memória histórica?
    E já que estamos com perguntas: É verdade que os africanos precisam de homens fortes a governá-los? A julgar pelo editorial de 8 de Abril do director da revista Jeune Afrique, um homem branco de 73 anos nascido em França, sim, os africanos querem homens fortes a governá-los.
    Escreve François Soudan: “A maioria dos africanos não é diferente da maioria dos outros povos. Não rejeitam os homens fortes; pelo contrário, procuram-nos. Porque a força seduz, porque é a sintaxe e a gramática da linguagem do poder, porque não há instituições fortes sem homens fortes para as pôr em prática. E porque nada há de pior, aos olhos dos administrados, do que um presidente desgastado, que não corta nem cabeças nem problemas.”
    Na segunda parte, no nosso espaço de entrevista, vamos conversar com o artista plástico português de ascendência angolana e cabo-verdiana Francisco Vidal, a propósito da sua participação numa exposição colectiva na Haus der Kulturen der Welt, a Casa das Culturas do Mundo, em Berlim.
    Tirailleurs. De “carne para canhão” a vanguarda – os soldados esquecidos que libertaram a Europa, inaugurada a 21 de Março e que se prolonga até 14 de Junho, é uma exposição que tenta resgatar do esquecimento os soldados das colónias francesas que lutaram pela libertação da Europa na II Guerra Mundial.
    O programa diversificado da exposição alarga-se a histórias semelhantes de outras regiões e períodos, de forma a evidenciar a continuidade da exploração de pessoas como “recursos humanos” em diferentes regimes.
    E é aí nesse espaço colectivo de reconhecimento e memória, com obras de mais de 30 artistas, que Vidal expõe o seu mural, encomendado pela Casa das Culturas, composto por 48 cartazes de 62,5 cm por meio metro em papel de parede a que deu o nome de Didactic drawings for a future reading, thoughts about slavery and freedom, ou seja, desenhos didácticos para uma leitura futura, pensamentos sobre escravatura e liberdade.
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Sobre Na Terra dos Cacos
Como dizia Eduardo White, os países africanos são hoje cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas semanas, como colá-los.
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