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Na Terra dos Cacos

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Na Terra dos Cacos
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  • Na Terra dos Cacos

    “O racismo em Portugal está a evoluir ao contrário”

    04/2/2026 | 48min
    O nosso entrevistado deste episódio é o escritor Ângelo Delgado, um português filho de pais cabo-verdianos que acaba de publicar o seu segundo livro. Chama-se Foi o Preto e é um regresso ao Portugal dos anos 1990, ao racismo, à culpabilização fácil do outro só por causa da cor da pele: a história de um homem injustamente acusado de um crime que não cometeu. Uma sociedade hostil que parecia ter-se apaziguado, mas que afinal continua igual no Portugal de agora, como o grande apoio ao partido Chega o demonstra.
    Para autor, nascido em 1981, jornalista de formação e actualmente copywriter de publicidade, aquilo que parecia ser uma situação da sociedade portuguesa dos anos 1990 volta agora, um racismo que agora se direcciona mais para pessoas do Hindustão. “O racismo em Portugal está a evoluir ao contrário”, lamenta.
    Antes da entrevista, falamos sobre a dívida angolana, os seus encargos e o círculo vicioso do endividamento que vai estrangulando as possibilidades de desenvolvimento do país. As contas de Angola do primeiro trimestre mostram que mais de metade do dinheiro dos cofres públicos angolanos será destinado a encargos financeiros com os seus empréstimos. Se a isto somarmos que do bolo total disponível, 24% servirão para pagar o ordenado aos funcionários públicos, percebemos que para o resto, para educação, saúde, saneamento básico, etc., etc. sobram 22%.
    Também conversamos sobre as etapas mais recentes da crise democrática na Guiné-Bissau, numa altura em que o líder da oposição, do PAIGC e do Parlamento destituído, Domingos Simões Pereira, foi libertado ao fim de 66 dias na prisão sem culpa formada, embora tenha sido enviado para casa sem possibilidade de comunicar com o exterior e guardado por homens fortemente armados.
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  • Na Terra dos Cacos

    Não há democracias em África?

    21/1/2026 | 45min
    Neste episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast sobre temas africanos do PÚBLICO, António Rodrigues e Elísio Macamo vão falar do primeiro ano de mandato de Daniel Chapo como Presidente da República de Moçambique, completado no passado dia 15 de Janeiro, e conversar sobre o artigo que o historiador e politólogo camaronês Achille Mbembe escreveu na Jeune Afrique, defendendo que a democracia não está em crise em África, pura e simplesmente porque nunca existiu realmente democracia em África.
    Para Mbembe explicar as dinâmicas em curso no continente africano como sendo resultado da crise das democracias “é um contra-senso”. Diz ele que, “à excepção da África do Sul, do Botswana, das Seycheles, de Cabo Verde e, em menor medida, da ilha Maurícia, do Senegal, do Gana e da Nigéria, muito poucos regimes políticos do continente apresentam sequer os traços mínimos de um Estado de direito propriamente dito”. Para Mbembe, muitos países adoptaram a economia de mercado e o multipartidarismo, mas mantiveram os mesmos traços do partido-Estado de antes.
    Na segunda parte, teremos como convidado o investigador luso-angolano Eugénio da Costa Almeida, coordenador com Rui Verde do livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos Pelos Seus Cidadãos, uma edição conjunta da editora portuguesa Perfil Criativo e da angolana Elivulu. Um livro que se pretendia ser uma reflexão mais abrangente sobre a evolução e o estado das independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, mas que acaba por nos demonstrar, mais uma vez, que, como dizem os seus coordenadores no prefácio, os membros do poder (com excepção de Cabo Verde), continuam a ter muita dificuldade em comunicar com a sociedade, “não descem do seu pedestal litúrgico, isolam-se num autoconvencimento que interroga o percurso pós-independência de muitos dos seus países”.
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  • Na Terra dos Cacos

    É difícil ser optimista em África em 2026

    07/1/2026 | 49min
    O espírito do tempo e as sombras que pairam sobre um mundo em mudança geopolítica para uma ordem mais autoritária e soberanista podem afectar grandemente o continente africano e não se augura nada de bom para o ano que agora se inicia. Nem o professor Elísio Macamo, optimista por natureza, consegue antever algo positivo para 2026.
    O que já se antevê ou, pelo menos, que já antevê o Governo sul-africano, é que em Dezembro o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não irá convidar a África do Sul para a cimeira do G20, neste ano em que caberá aos norte-americanos assumir a presidência rotativa. Será a vingança do chefe de Estado norte-americano às alegadas perseguições a brancos na África do Sul, mas, sobretudo, ao facto de o seu homólogo, Cyril Ramaphosa, ter apresentado queixa contra Israel no Tribunal penal Internacional.
    Será um ano também para decidir o futuro de Angola face às eleições de 2027. Adalberto Costa Júnior o recém-reeleito líder da UNITA afirmou, numa entrevista aqui neste podcast, que João Lourenço ainda não desistiu de convencer o MPLA a rever a Constituição para levantar o limite de dois mandatos consecutivos.
    Quanto à Guiné-Bissau, os militares golpistas continuam como se nada fosse, não cumprindo as exigências da CEDEAO, nem libertando os presos políticos do golpe de 26 de Novembro nem criando um governo de unidade nacional. E lá vão tranquilamente enquanto a organização regional se remete ao silêncio. Será que não haveremos de ver novamente Umaro Sissoco Embaló, o Presidente deposto, na chefia do Estado?
    Na segunda parte, conversamos com Ana Paula Tavares, a vencedora do prémio Camões, o mais importante galardão das letras em língua portuguesa: a nona mulher premiada, sétima entre os africanos e terceira entre os angolanos, depois de Pepetela e Luandino Vieira (que, curiosamente, lhe publicou o primeiro livro na editora da União dos Escritores Angolanos em 1985).
    O escritor brasileiro Marco Lucchesi, membro da Academia Brasileira de Letras, ao comentar o prémio, disse dela que “reúne todas as virtudes que desaguam num compromisso ético”, com uma dicção lírica sem “concessões evasivas” e com “um sentimento profundo do século XXI: o passado e o futuro, em múltiplos géneros, a partir de uma chave humana e humanitária, poética e civil”.
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  • Na Terra dos Cacos

    Líder da UNITA alerta: João Lourenço não desistiu de um terceiro mandato

    10/12/2025 | 59min
    Dias depois de ser reeleito presidente da UNITA com 91% dos votos, Adalberto Costa Júnior vem ao podcast Na Terra dos Cacos falar sobre os desafios políticos que se avizinham para construir uma alternativa ganhadora que possa vencer o MPLA nas eleições de 2027. Sendo que a criação de uma nova Frente Patriótica Unida ainda é possível, mesmo que não seja nos mesmos moldes que em 2022, porque Abel Chivukuvuku já tem o seu partido (PRA-JA Servir Angola) e porque o Bloco Democrático precisa de concorrer em nome próprio nestas eleições ou será extinto por não concorrer a dois pleitos consecutivos. Adalberto está optimista de que a coligação para 2027 é possível, incluindo activistas políticos.
    O presidente reeleito do partido do Galo Negro não está é convencido que terá como principal adversário um candidato novo do MPLA porque acredita que João Lourenço tem vontade de a candidatar-se a um terceiro mandato. Como isso é impossível, de acordo com a actual Constituição, Adalberto não põe de parte a possibilidade de que o actual Presidente angolano esteja a mexer os cordelinhos para que o MPLA reveja a Constituição e mude essa cláusula.
    Adalberto Costa Júnior foi eleito pela primeira vez para o cargo em 2019, num congresso da UNITA que o Tribunal Constitucional haveria de anular dois anos depois por alegadamente ter dupla nacionalidade (angolana e portuguesa) na altura da apresentação da sua candidatura – em 2021, voltou a ganhar na repetição do congresso.
    A norma de impedimento da dupla nacionalidade para o chefe de Estado foi feita à medida por causa de Adalberto Costa Júnior. Seis anos depois, o tema voltou outra vez à discussão em Angola, numa estranha coincidência temporal com as eleições internas da UNITA. O político angolano também se pronuncia sobre o assunto na entrevista, depois de o tema ser um dos assuntos em cima da mesa na conversa entre António Rodrigues e Elísio Macamo na primeira parte do podcast.
    O outro tema em discussão é o golpe de Estado na Guiné-Bissau e a resposta suave da organização regional da África Ocidental, a CEDEAO, à alteração da ordem pública guineense, num claro contraste com a defesa musculada do Presidente do Benim, Patrice Tallon, alvo de uma tentativa de golpe militar esta semana. O que se esconde por trás destes dois pesos e duas medidas?
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  • Na Terra dos Cacos

    Uma proposta para mudar o futuro de Angola

    26/11/2025 | 53min
    Depois de uma carreira de sucesso no sector petrolífero que começou na Sonangol em 1980, passou por França e pela Partex, empresa petrolífera detida pela Fundação Calouste Gulbenkian até 2019 e incluiu uma passagem como ministro da Economia e do Mar no Governo português entre 2022 e 2024, António Costa Silva resolveu escrever um livro sobre Angola.
    Não é um livro de memórias, nem um acertar de contas com o seu passado de lutador anticolonial em Angola, onde nasceu, na localidade de Catombola, província do Moxico, em 1952. Antes é o livro de um homem que, aos 73 anos, não que perder tempo com ressentimentos, mesmo depois de ter passado, devido à repressão que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, quase três anos na prisão, onde sofreu torturas, onde foi alvo de um fuzilamento simulado e de onde saiu apenas depois de duas greves de fome.
    O que oferece ao seu país, em Angola aos Despedaços – 50 anos depois, que futuro?, editado pela Guerra & Paz, é ao mesmo tempo um diagnóstico dos acertos e fracassos de 50 anos de independência e um road map para o futuro. A partir de toda a sua experiência como engenheiro, professor, gestor, ministro e idealizador de um plano de recuperação de Portugal para o pós-troika, António Costa Silva propõe uma Estratégia para o Desenvolvimento que permita corrigir muitos dos erros cometidos e aproveitar todo o potencial que Angola tem.
    António Costa Silva será o nosso entrevistado, depois de na primeira parte falarmos sobre o levantamento pela TotalEneergies da força maior no seu projecto de exploração gás natural na província moçambicana de Cabo Delgado. E das eleições e da crise democrática na Guiné-Bissau – como o programa foi gravado na terça-feira, a conversa não inclui o alegado golpe de Estado que esta quarta-feira suspendeu o processo eleitoral e as instituições democráticas no país.
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Sobre Na Terra dos Cacos

Como dizia Eduardo White, os países africanos são hoje cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas semanas, como colá-los.
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