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Na Terra dos Cacos

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Na Terra dos Cacos
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  • Na Terra dos Cacos

    Faz todo o sentido que a Argélia queira que a França pague pelos ensaios nucleares

    18/03/2026 | 42min
    Num documento publicado na semana passada, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês) analisa as implicações do fecho do estreito de Ormuz para a economia mundial. Nomeadamente para África e para países cuja agricultura depende extremamente dos fertilizantes importados dos países do Golfo, como Moçambique, que está entre os dez mais dependentes, com 22% do fertilizante que consome a sua agricultura a passar precisamente por essa importante via marítima, afectada pela retaliação do Irão aos ataques de Estados Unidos e Israel.
    A Argélia aprovou uma nova lei sobre o colonialismo, que suavizou 13 artigos que poderiam levar a problemas diplomáticos com a antiga potência colonial, a França. Manteve, no entanto, a mão dura na criminalização da apologia do colonialismo, para preservação da memória daqueles que lutaram pela independência do país.
    A partir de agora, quem glorificar o período colonial, em texto, imagem ou audiovisual, incorre numa pena de prisão de três a cinco anos e uma multa entre 100 mil e 500 mil dinares (de 650 a 3250 euros). A pena duplica em relação aos reincidentes, até dez anos de prisão efectiva.
    Na segunda parte, temos como nossa convidada a presidente do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Matilde Santos, que nos fala dos desafios e problemas com que se debate uma biblioteca nacional recente como a cabo-verdiana, que tem apenas 25 anos. Falamos sobre digitalização, literacia, fomento da leitura, falta de meios e de técnicos com formação.
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  • Na Terra dos Cacos

    A filosofia do absurdo e os sonhos da independência

    04/03/2026 | 42min
    Na próxima semana, estreia nos cinemas portugueses a adaptação feita pelo cineasta francês François Ozon do livro de Albert Camus, O Estrangeiro, com Benjamin Voisin no papel de Mersault. O primeiro romance publicado pelo escritor francês nascido na Argélia, em 1942, é a primeira parte de uma tetralogia que Camus definiu como o “ciclo do absurdo”.
    O livro que começa assim “Hoje, a mãe morreu. Ou, se calhar, ontem, não sei”, tem como protagonista Mersault, modesto empregado de escritório em Argel, capital da Argélia, então colónia francesa. Um homem sem ambições que se cala porque não tem nada para dizer, como afirma, e que, um dia, “mata um árabe” a tiro na praia, “por tédio” ou, se calhar, “por causa do sol”.
    Ozon adaptou agora o livro que Luchino Visconti havia adaptado em 1967, com Marcelo Mastroianni interpretando Mersault. Desta vez, o principal papel foi entregue a Benjamin Voisin, que, no preto e branco da fotografia a que lhe falta alguma profundidade nas sombras, consegue ser convincente na sua profunda banalidade.
    Falamos também de Moçambique e do Fundo Monetário Internacional que considera que o país está exposto a vulnerabilidades significativas associadas a desequilíbrios internos e externos, a um crescimento modesto, a uma dívida pública elevada, a problemas de segurança, a fragilidades institucionais e a choques climáticos, por isso recomenda ao Governo levar a cabo reformas orçamentais e estruturais. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial anunciou há dias que vai disponibilizar 6000 milhões de dólares nos próximos cinco anos com o objectivo principal de criar emprego.
    Na segunda parte, a nossa convidada será a escritora angolana Branca Clara das Neves, pseudónimo literário de Ana Luísa Teixeira, nascida no Luena, no Leste de Angola em 1956. Uma conversa a propósito do seu mais recente livro Casa 75, publicado recentemente pela editora angolana Elivulu.
    “Casa 75” é um romance de amadurecimento que evoca o espírito Casa dos Estudantes do Império e a sua influência na difusão do pensamento nacionalista e na aproximação de intelectuais das antigas colónias e na partilha de experiência das suas lutas pela independência.
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  • Na Terra dos Cacos

    Guiné-Bissau: “Sissoco Embaló abriu as portas ao tráfico de droga”

    18/02/2026 | 48min
    A última grande apreensão de droga na Guiné-Bissau aconteceu quando Ruth Monteiro era ministra da Justiça, por isso, sabe do que está a falar quando diz, neste episódio do podcast Na Terra dos Cacos, que o Presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro “Sissoco Embaló, abriu a porta ao tráfico de droga” no seu país.
    Para Ruth Monteiro, a Guiné-Bissau “já não é um Estado falhado nem um narcoestado, mas um grupo de pessoas abandonado”, entregue ao controlo das armas e sem que a comunidade internacional se preocupe com o destino desses dois milhões de almas de um pequeno país da costa ocidental africana.
    Por isso, pede a Portugal que faça mais, que pressione mais, que não se esqueça da história que os dois países têm em comum: “Não nos deixem sozinhos.”
    Na primeira parte do episódio, António Rodrigues e Elísio Macamo conversam sobre aquilo a que o jurista Rui Verde chama de instrumentos do neo-autoritarismo angolano num artigo publicado recentemente no site Maka Angola, isto é, da criação de novas leis e entidades para controlar e reprimir a dissidência e a crítica.
    Também falaremos das negociações em Madrid de um acordo patrocinado pelos Estados Unidos sobre o futuro do Sara Ocidental, esse país eternamente adiado que muito provavelmente nunca se tornará real. Meio século depois de Espanha ter abandonado a sua colónia, entregue aos marroquinos e aos mauritanos, e com a causa sarauí desaparecida com o tempo das lutas africanas, será que um governo autónomo para os sarauís dentro do reino de Marrocos é o mal menor que pode aspirar esse povo?
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  • Na Terra dos Cacos

    “O racismo em Portugal está a evoluir ao contrário”

    04/02/2026 | 48min
    O nosso entrevistado deste episódio é o escritor Ângelo Delgado, um português filho de pais cabo-verdianos que acaba de publicar o seu segundo livro. Chama-se Foi o Preto e é um regresso ao Portugal dos anos 1990, ao racismo, à culpabilização fácil do outro só por causa da cor da pele: a história de um homem injustamente acusado de um crime que não cometeu. Uma sociedade hostil que parecia ter-se apaziguado, mas que afinal continua igual no Portugal de agora, como o grande apoio ao partido Chega o demonstra.
    Para autor, nascido em 1981, jornalista de formação e actualmente copywriter de publicidade, aquilo que parecia ser uma situação da sociedade portuguesa dos anos 1990 volta agora, um racismo que agora se direcciona mais para pessoas do Hindustão. “O racismo em Portugal está a evoluir ao contrário”, lamenta.
    Antes da entrevista, falamos sobre a dívida angolana, os seus encargos e o círculo vicioso do endividamento que vai estrangulando as possibilidades de desenvolvimento do país. As contas de Angola do primeiro trimestre mostram que mais de metade do dinheiro dos cofres públicos angolanos será destinado a encargos financeiros com os seus empréstimos. Se a isto somarmos que do bolo total disponível, 24% servirão para pagar o ordenado aos funcionários públicos, percebemos que para o resto, para educação, saúde, saneamento básico, etc., etc. sobram 22%.
    Também conversamos sobre as etapas mais recentes da crise democrática na Guiné-Bissau, numa altura em que o líder da oposição, do PAIGC e do Parlamento destituído, Domingos Simões Pereira, foi libertado ao fim de 66 dias na prisão sem culpa formada, embora tenha sido enviado para casa sem possibilidade de comunicar com o exterior e guardado por homens fortemente armados.
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    Não há democracias em África?

    21/01/2026 | 45min
    Neste episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast sobre temas africanos do PÚBLICO, António Rodrigues e Elísio Macamo vão falar do primeiro ano de mandato de Daniel Chapo como Presidente da República de Moçambique, completado no passado dia 15 de Janeiro, e conversar sobre o artigo que o historiador e politólogo camaronês Achille Mbembe escreveu na Jeune Afrique, defendendo que a democracia não está em crise em África, pura e simplesmente porque nunca existiu realmente democracia em África.
    Para Mbembe explicar as dinâmicas em curso no continente africano como sendo resultado da crise das democracias “é um contra-senso”. Diz ele que, “à excepção da África do Sul, do Botswana, das Seycheles, de Cabo Verde e, em menor medida, da ilha Maurícia, do Senegal, do Gana e da Nigéria, muito poucos regimes políticos do continente apresentam sequer os traços mínimos de um Estado de direito propriamente dito”. Para Mbembe, muitos países adoptaram a economia de mercado e o multipartidarismo, mas mantiveram os mesmos traços do partido-Estado de antes.
    Na segunda parte, teremos como convidado o investigador luso-angolano Eugénio da Costa Almeida, coordenador com Rui Verde do livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos Pelos Seus Cidadãos, uma edição conjunta da editora portuguesa Perfil Criativo e da angolana Elivulu. Um livro que se pretendia ser uma reflexão mais abrangente sobre a evolução e o estado das independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, mas que acaba por nos demonstrar, mais uma vez, que, como dizem os seus coordenadores no prefácio, os membros do poder (com excepção de Cabo Verde), continuam a ter muita dificuldade em comunicar com a sociedade, “não descem do seu pedestal litúrgico, isolam-se num autoconvencimento que interroga o percurso pós-independência de muitos dos seus países”.
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Sobre Na Terra dos Cacos

Como dizia Eduardo White, os países africanos são hoje cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas semanas, como colá-los.
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