103 episódios
- Na parte final de “Fogo Fato”, Gilmar da Silva volta a tomar os remédios e consegue controlar as visões que o atormentavam. As semanas passam em aparente tranquilidade: a família volta à rotina, o silêncio substitui as discussões e a sensação de normalidade parece finalmente retornar à casa.
Mas a estabilidade é frágil. Convencido de que está melhor, Gilmar decide interromper a medicação por conta própria. Embora nada pareça alterar sua percepção da realidade, pequenos sinais começam a sugerir que o horror nunca desapareceu de fato — apenas permaneceu adormecido.
Em meio ao som da chuva, relâmpagos sobre a floresta e sonhos inquietantes, uma intensa luminosidade rompe a escuridão da noite. Quando Gilmar desperta e encara a mata, vê novamente o “fogo fato”, agora muito próximo de sua casa. E então compreende: era hora de tomar o remédio novamente.
Voz e edição pela atriz: Júlia Pascali
Trilha: “The Order’s Theme”, de Myuu (Creative Commons Attribution 4.0) - “Fogo Fato” é um conto de Maurício Coelho que mistura horror psicológico, memória fragmentada e tensão familiar em uma noite de tempestade. Nesta parte da narrativa, Kelly e Jéquison aguardam o retorno do avô, Gilmar, que chega em casa completamente abalado após afirmar ter visto uma misteriosa “bola de fogo” ao lado de um homem chamado Ramiro — alguém que, segundo Tainara, simplesmente não existe.
Enquanto a família tenta distinguir delírio, doença e realidade, pequenos detalhes começam a reforçar a dúvida: objetos parecem diferentes para Gilmar, memórias entram em conflito e marcas roxas em suas mãos o fazem recordar a dor constante provocada pela cromomicose. Entre relâmpagos, silêncio e descrença, o conto constrói uma atmosfera de paranoia e estranhamento típica da ficção fantástica amazônica.
Voz e edição pela atriz: Julia Pascali
Trilha: “The House of Leaves”, de Kevin MacLeod (Creative Commons Attribution 4.0) - No coração da mata, sob uma chuva que já não apaga o calor da noite, dois homens encaram o inexplicável.
Gilmar e Ramiro testemunham uma esfera de fogo pulsante à beira do rio — uma presença que muda de cor, emite sons inquietantes e parece… viva. À medida que a luz se intensifica e assume formas quase humanas, o que antes era curiosidade se transforma em medo puro.
Sem compreender sua origem — natural, sobrenatural ou algo além de qualquer categoria conhecida — resta apenas fugir. Mas mesmo à distância, o calor e a imagem daquele encontro continuam marcados na pele e na memória.
"Fogo Fato — Parte 6" aprofunda o mistério e conduz o ouvinte a um limite incômodo entre o fenômeno físico e o desconhecido.
Voz e edição pela atriz Júlia Pascali
Trilha sonora: "Cylinder 7", por Chris Zabriskie (Creative Commons Attribution 4.0) - Uma tempestade rasga a madrugada — e algo além da chuva parece se mover no escuro.
Jéquison acorda sob o som de trovões e relâmpagos, tentando retomar o controle de uma noite inquieta. Um pequeno acidente no banheiro quebra a normalidade, mas é ao encontrar sua prima Kelly, desperta e em silêncio diante da janela, que o desconforto ganha forma: luzes estranhas e possíveis vozes vindas do mato, próximo ao rio.
Entre o medo e a dúvida, os dois decidem procurar os avós. Mas a sensação de que há algo errado já se instalou — sutil, persistente, impossível de ignorar.
"Fogo Fato — Parte 5" mergulha em uma atmosfera tensa e imersiva, onde o cotidiano se desfaz aos poucos diante do inexplicável.
Voz e edição pela atriz Julia Pascali
Trilha sonora: "Floating Cities", por Kevin MacLeod (Creative Commons Attribution 4.0) - 🎧 Fogo Fátuo — Parte 4 já disponível
Gilmar e Ramiro voltam ao rio durante a noite para testar a história. O ambiente muda: escuridão total, chuva intensa, sons da mata amplificados. O que antes era só relato agora vira observação direta.
Gilmar tenta manter o ceticismo, buscando explicações plausíveis para tudo — ausência de luz, erro de percepção, coincidências. Ramiro, por outro lado, se apoia na repetição da experiência e até em memórias de infância, onde lendas como a Matinta Pereira funcionavam como formas de interpretar o desconhecido.
Durante a espera, pequenos eventos aumentam a tensão: a perda momentânea da lanterna, a sensação de estar sozinho, a chuva que, em condições normais, tenderia a extinguir qualquer combustão visível.
Mas ocorre uma inconsistência crítica.
A luminosidade aparece.
Inicialmente, poderia ser atribuída a descargas elétricas atmosféricas. No entanto, a fonte da luz não está no céu.
Está no rio.
O fenômeno descrito por Ramiro se manifesta novamente, agora diante de ambos.
A partir desse ponto, o conflito deixa de ser apenas entre crença e ceticismo.
Passa a ser entre explicações possíveis e um evento que, até então, não se encaixa nelas.
🎧 Voz e edição pela atriz: Júlia Pascalin
🎼 Trilha: Echos of Time (Volume 2) — Kevin MacLeod (Creative Commons Attribution 4.0)
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