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Coluna Atílio Bari

Atilio Bari
Coluna Atílio Bari
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  • Coluna Atílio Bari

    Juízes, poder e privilégios em clássico de Martins Pena

    24/06/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta as transformações na imagem pública dos magistrados brasileiros. Ele recorda uma época em que juízes, especialmente os ministros do Supremo Tribunal Federal, mantinham-se distantes dos holofotes e eram conhecidos apenas por suas decisões judiciais. Segundo ele, esse cenário mudou radicalmente: “Hoje os juízes do Supremo tornaram se presença constante nas mídias, estão a toda hora concedendo entrevistas, aparecendo na TV”.
    A reflexão conduz o leitor ao universo do teatro, onde a figura do juiz há séculos é retratada de forma satírica. Bari destaca que magistrados vaidosos, corruptos ou excessivamente poderosos aparecem com frequência na dramaturgia popular e cita como exemplo a comédia “O Juiz de paz na roça”, escrita por Martins Pena (1815-1848) quando tinha apenas 18 anos. Considerada uma das obras fundadoras do teatro brasileiro, a peça acompanha um juiz do interior encarregado de resolver disputas triviais, mas que frequentemente age em benefício próprio, chegando a ficar com um leitão disputado por moradores da cidade.
    Para o colunista, a obra permanece atual ao expor privilégios, favorecimentos e distorções no exercício do poder. Ele observa que o personagem principal “não hesita em aceitar presentes” e utiliza interpretações convenientes da lei para atender a interesses particulares. Ao relacionar a sátira do século XIX ao Brasil contemporâneo, Bari argumenta que a obra oferece um retrato ainda reconhecível da realidade nacional e conclui que o texto permanece relevante por mostrar “o teatro falando de coisas sérias, mesmo quando nos faz rir”.
  • Coluna Atílio Bari

    “Os gigantes da montanha” e a força da imaginação

    17/06/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira (17), Atílio Bari comenta o espetáculo “Os gigantes da montanha”, última obra de Luigi Pirandello, em cartaz no Teatro Zona Franca, em São Paulo. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1934, o dramaturgo italiano deixou a peça inacabada ao morrer, em 1936, mas revelou seu desfecho ao filho Stefano na noite anterior à morte. Considerada seu testamento poético, a obra acompanha uma trupe teatral liderada pela Condessa Ilse, determinada a encenar “A fábula do filho trocado”, texto escrito especialmente para ela por um poeta suicida e rejeitado pelos teatros.
    A história se desenvolve quando os artistas chegam a uma vila mágica governada pelo Mago Cotrone, cujos habitantes vivem entre o sonho e a fantasia. O mago tenta convencer a Condessa e seus atores a abandonar o mundo real e permanecer naquele universo de imaginação, mas ela insiste em levar sua peça ao público. Como alternativa, Cotrone sugere que o grupo se apresente aos gigantes da montanha, descritos como um povo rico, poderoso e indiferente à arte. “Os chamados gigantes não o são pela estatura, mas pelo poder que exercem e pela riqueza que possuem”, representando uma sociedade voltada para a produção, o consumo e os valores materiais.
    Ao discutir o papel da arte em uma sociedade cada vez mais pragmática, Pirandello questiona a sobrevivência da poesia, da imaginação e do teatro diante da indiferença cultural. “Não sabem os gigantes da montanha que ela sobreviverá a tudo isso, porque o sonho e a imaginação são necessidades intrínsecas do ser humano.” Sob a direção de Kiko Marques e com um elenco de 13 atores, a montagem reforça a atualidade da reflexão proposta pelo autor, lembrando a importância de produzir, difundir e defender a cultura em tempos de estímulos rápidos e consumo imediato.
    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
  • Coluna Atílio Bari

    Espetáculos em São Paulo celebram o legado de Rita Lee

    10/06/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta-feira (10), Atílio Bari comenta dois espetáculos em cartaz na capital paulista que celebram a trajetória de Rita Lee (1947-2023), uma das artistas mais influentes da música brasileira. Autora de canções que atravessaram gerações, como “Ovelha negra”, a cantora rompeu padrões de comportamento, moda e música, tornando-se símbolo de irreverência e liberdade. “Sempre autêntica, sempre sendo a personagem dela mesma: Rita Lee”.
    O colunista relembra momentos marcantes de sua carreira, desde os tempos em que foi subestimada pelos colegas dos Mutantes até o sucesso estrondoso de sua trajetória solo. Nem mesmo a repressão da ditadura militar conseguiu conter sua personalidade irreverente. Nos últimos anos de vida, “mesmo abalada e isolada do mundo, Rita continuava a ser uma provocadora indomável”, característica que a acompanhou ao longo de toda a vida.
    Em “Rita Lee: balada da louca”, em cartaz no Teatro Faap, Lilia Cabral interpreta a cantora na fase final da vida. O monólogo baseado no livro “Rita Lee – outra autobiografia” aborda temas como amor, doença e finitude, sempre sob a perspectiva corajosa e bem-humorada que marcou a vida da Rainha do Rock.
    Já “Rita Lee – uma autobiografia musical” está em cartaz no Teatro Porto, com Mel Lisboa no papel principal. A montagem em cartaz há mais de um ano percorre a trajetória da cantora e seus maiores sucessos, permanecendo em temporada até agosto no Teatro Porto.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
  • Coluna Atílio Bari

    Mahagonny e o retrato de um país em desordem

    03/06/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta-feira (03), Atílio Bari compartilha sua perplexidade diante dos acontecimentos que marcam a vida pública brasileira. Entre crises na política, na economia, na segurança, na saúde e na educação, prevalece a sensação de que “tudo que deveria ser sólido vai se desmanchando no ar”. O resultado seria uma espécie de anestesia coletiva diante de escândalos, injustiças e desvios, enquanto a maior parte da população segue tentando sobreviver entre dívidas, promessas de renda fácil e expectativas cada vez mais modestas.
    A reflexão conduz à obra “Ascensão e queda da cidade de Mahagonny”, escrita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht em 1930. Na peça, um grupo funda uma cidade onde praticamente tudo é permitido, exceto uma coisa: não ter dinheiro. “Lá não existe a justiça, não existe a solidariedade, não existe o bem comum.” Ao longo da trama, são revelados crimes graves cometidos por pessoas que possuem recursos financeiros, enquanto a pobreza se transforma no único delito imperdoável. A indiferença coletiva diante dessas distorções é um dos elementos centrais da crítica social.
    Ao relacionar a ficção de Brecht com a realidade brasileira, o autor afirma ter a impressão de que “os condutores dessa carruagem chamada Terra Brasilis viram uma placa indicando o rumo para Mahagonny, e apontaram os cavalos nessa direção”. Ao final, ele recomenda a leitura da obra, lembrando que a história não trata apenas da ascensão de uma cidade, mas também de sua queda.
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    Fagundes discute a relação entre palco e plateia em “Sete minutos”

    27/05/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira (27), Atílio Bari comenta o espetáculo “Sete minutos”, estrelado por Antonio Fagundes, em cartaz até agosto no Teatro Cultura Artística. A peça parte de uma provocação curiosa: a ideia de que as pessoas conseguem manter a atenção por apenas sete minutos. A partir dessa premissa, o ator e dramaturgo constrói uma comédia sobre os desafios contemporâneos da relação entre artistas e público, tema que dialoga diretamente com os tempos de redes sociais, excesso de estímulos e consumo rápido de conteúdo.
    No palco, Fagundes vive um ator que interrompe uma apresentação de “Macbeth”, de Shakespeare, após se irritar com tosses, conversas, celulares e até um espectador da primeira fila que coloca os pés no palco. “Diante do que considerou um ultraje, o ator, extremamente irritado, interrompe a encenação e manda o público se retirar, o que causa um tumulto na frente do teatro”. A partir desse incidente, a montagem passa a discutir os limites da convivência dentro das salas de espetáculo e o impacto da dispersão do público sobre o trabalho dos artistas.
    Ao mesmo tempo, Fagundes também lança um olhar para o outro lado dessa relação: o das pessoas que enfrentam trânsito, chuva, distância e o preço dos ingressos para viver a experiência teatral. Para o colunista, “o artista é o grande anfitrião desse encontro”, ressaltando que a plateia também ocupa um papel central nesse ritual coletivo. Entre humor e reflexão, “Sete minutos” transforma situações corriqueiras do teatro em um debate atual sobre atenção, respeito e presença.
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