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Coluna Atílio Bari

Atilio Bari
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  • Coluna Atílio Bari

    Medea de Sêneca: paixão, ódio e a ambiguidade humana

    04/03/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari destaca “Medea”, de Sêneca, em cartaz no Sesc Consolação até 15 de março, com direção de Gabriel Villela. A montagem parte da versão escrita nos primeiros anos do cristianismo e mergulha na face mais cruel do mito eternizado por Eurípides. Aqui, a história da mulher que trai a própria família por amor a Jasão e, depois, tomada pelo ódio, executa uma vingança devastadora, ganha contornos ainda mais duros.
    O espetáculo apresenta uma Medéia fragmentada em três vozes: Rosana Stavis surge como a narradora que antecipa a explosão final; Mariana Muniz encarna a face mística da personagem; e Walderez de Barros relata friamente os atos sangrentos que culminam na morte de Creusa, do rei Creonte e dos próprios filhos.
    Concebida por Villela, a encenação está centrada na palavra, “mastigada e pronunciada pelo elenco impecável em tons trágicos”, em contraste com os diálogos coloquiais. A cenografia de J. C. Serroni cria um ambiente de ruínas gregas envelhecidas e grandes cortinas que envolvem o espaço cênico, enquanto figurinos e máscaras suntuosos, com toques de dourado, reforçam o peso dramático da tragédia. “Cruel, como cruéis são os dias que vivemos, de falsidades, vinganças, loucuras e ódios. Mas acima de tudo, um espetáculo fascinante”, conclui o colunista.
  • Coluna Atílio Bari

    Alô, alô marciano, procuro sinais de vida inteligente

    25/02/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta-feira (25), Atílio Bari comenta a peça “CHOQUE! Procurando sinais de vida inteligente”, em cartaz até 29 de março no Teatro FAAP. Com direção de Gerald Thomas, que interveio no texto original escrito por Jane Wagner, a obra se estabelece como uma reflexão sobre as contradições humanas, o papel da mulher na sociedade e os dilemas da vida contemporânea. Todos os personagens da encenação, estruturada como um monólogo múltiplo, são interpretados pela atriz Danielle Winits.
    O colunista se pergunta o que a personagem principal, cercada de sacos de lixo e restos de embalagens de sopa, está buscando. “O que busca o ser humano nesse mundo conturbado em que vivemos, recheado de TikToks que nos enganam, de Instagrams que nos confundem, de burnouts e desesperanças?”. A resposta pode vir do próprio diretor da montagem: Gerald Thomas reflete que os mundos criados por Aldous Huxley e George Orwell eram temidos, mas agora, talvez, por causa dessa epidemia de “influencers”, os jovens estarão, de fato, condenados a desaprender tudo aquilo que a história ensinou. O questionamento deixa de ser sobre a existência de vida inteligente lá fora e passa a ser se há aqui dentro. 
    Na trama, a catadora, Trudy, apresenta diferentes pontos de vista sobre temas como a lógica capitalista e as relações humanas. Para Atílio, Danielle se prova uma atriz “madura, forte, vigorosa, dona absoluta da cena, com sua voz potente e suas expressões e gestuais desconcertantes”.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
    _________
    Estação Cultura
    De segunda a sexta, das 10h às 12h, na Cultura FM
    Produção e reportagem: Cirley Ribeiro
    Apresentação: Teca Lima

    Rádio Cultura FM
    103,3 MHz
    https://cultura.uol.com.br/radio/
    APP – CULTURA PLAY
  • Coluna Atílio Bari

    Justiça, violência e o motociclista no globo da morte

    11/02/2026 | 5min
    Até que ponto uma violência descabida pode nos levar a cometer atitudes impensadas?
    É a pergunta que Atílio Bari lança aos ouvintes na coluna desta quarta-feira (11). No episódio, o colunista fala sobre o espetáculo “O motociclista no globo da morte”, em cartaz no Teatro Vivo até 29 de março. A história de Antônio, vivido por Eduardo Moscovis, coloca um homem tranquilo, pacato e sensato diante de uma situação de injustiça e violência.
    A trama apresenta uma situação semelhante a um caso de brutalidade que comoveu o país: o caso do cão Orelha. No espetáculo, um homem agressivo, ressentido pela rejeição de uma garçonete, decide descontar a fúria em um cachorro de rua que costuma andar pela região. O que ele faz com o animal causa uma revolta no protagonista que, até então, era apenas espectador da barbárie, armado de um princípio que o isenta de responsabilidade, definido pelo colunista como: “não é comigo, não tenho nada com isso”.
    Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, a obra não utiliza artifícios cênicos para contar a história, narrada cruamente por Moscovis, aumentando a perplexidade do espectador. Por fim, Atílio levanta outro questionamento: “aonde pode nos levar essa normalização da agressividade que está afetando os nossos sentimentos e os nossos julgamentos? A violência gera violência? Como diz a peça, somos todos motociclistas num imenso globo da morte, se esquivando dos semelhantes para evitar um desastre”.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do Estação Cultura, todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
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    Estação Cultura
    De segunda a sexta, das 10h às 12h, na Cultura FM
    Produção e reportagem: Cirley Ribeiro
    Apresentação: Teca Lima
    Rádio Cultura FM
    103,3 MHz
    https://cultura.uol.com.br/radio/
    APP – CULTURA PLAY
  • Coluna Atílio Bari

    A crítica atemporal presente na “Ópera do malandro”

    04/02/2026 | 4min
    Em 1978, tempos de ditadura militar no Brasil, a “Ópera do malandro” chegou ao palco do Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro. Uma criação de Chico Buarque, com direção de Luís Antônio Martinez Corrêa, irmão de Zé Celso. Na versão brasileira da “Ópera dos três vinténs”, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht — que, por sua vez, foi inspirada na “Ópera dos mendigos”, de John Gay —, a história se passa na Lapa, famoso bairro boêmio do Rio que, nos anos 1940, entra em processo de decadência. A trama acompanha malandros, prostitutas, contrabandistas, policiais desonestos e empresários inescrupulosos, propondo-se a retratar a sociedade brasileira e denunciar costumes enraizados desde a política até a classe mais baixa.
    Na coluna desta quarta-feira (04), Atílio Bari comenta uma nova versão do espetáculo, cuja crítica que carrega se prova atemporal. A montagem, em cartaz até março no Teatro Renault, apresenta, segundo o diretor Jorge Farjalla, uma nova visão do clássico. “Ressaltou as personagens femininas, ampliou o papel de algumas delas, trouxe a travesti Geni para o centro da trama, trouxe a umbanda, misturou tudo com melodrama, tiroteios, e incorporou canções que não faziam parte da montagem original”.
    Para o colunista, Farjalla “criou um espetáculo grandioso, em que ressalta, mais do que em algumas das montagens anteriores, a face mais hipócrita dos valores da família brasileira. E dos nossos políticos. E das nossas policias. Enfim, do nosso país, corrupto, venal, injusto e violento”. No elenco, Ernani Moraes, Totia Meireles e José Loreto dão vida aos personagens centrais do enredo concebido por Buarque que, claro, está presente na trilha sonora com clássicos como “Geni e o zepelim”, “Folhetim” e “Homenagem ao malandro.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do Estação Cultura, todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
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    Os perigos do habitat nosso de cada dia

    28/01/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari fala sobre o espetáculo “Habitat”, em cartaz no Teatro Estúdio. Escrito e estrelado por Rafael Primot, com direção de Lavinia Pannunzio e Eric Lenate, o texto acompanha o drama de Adailton, segurança de um supermercado a quem o patrão dá a ordem de resolver o problema de um cão vira-lata que vai todos os dias ao estabelecimento, causando reclamações por parte da clientela.
    Com medo de perder o emprego, sua única fonte de sustento, Adailton recorre à violência depois de tentar afugentar o cachorro de outras maneiras. Assim como na história real na qual a obra foi inspirada, a cena foi gravada e chegou a uma jornalista que mantém uma ONG de proteção a animais, interpretada por Fernanda de Freitas. O vídeo viraliza e, “a partir daí, desenrola-se um jogo de interesses, hipocrisias e estratégias maquiavélicas. O habitual julgamento das redes sociais é, como quase sempre acontece, implacável, e Adailton passa a ser o monstro do momento”.
    “Habitat” é um retrato doimediatismo com o qual as opiniões são formadas, impulsionado pelas redes sociais. Nas palavras de Atílio: “A violência é o pano de fundo da peça. Não só a violência física praticada pelo segurança em um momento de desespero, mas também a violência de quem detém poderes contra aqueles que são desprovidos de qualquer tipo de defesa”.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
    O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e pelo aplicativo Cultura Play, de segunda a sexta-feira, às 10h.

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