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Coluna Atílio Bari

Atilio Bari
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  • Coluna Atílio Bari

    “Édipo”: tragédia clássica em contornos contemporâneos

    15/07/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira (15), Atílio Bari comenta o espetáculo “Édipo”, do grupo Círculo de Atores, em cartaz no Auditório do Masp. A montagem é uma revisita do dramaturgo inglês Robert Icke a “Édipo Rei”, peça de mais de 2.400 anos escrita pelo grego Sófocles. Na trama, o protagonista Édipo, Rei de Tebas, perfura os próprios olhos ao se deparar com a previsão de que mataria seu pai e se casaria com a própria mãe.
    
    Já Robert Icke buscou reimaginar o trabalho de Sófocles, trazendo o protagonista para os dias atuais. Édipo é apresentado como um político popular que aguarda sua eleição por grande margem de votos. No foco da obra está a noite de espera pelo resultado das urnas e a relação com sua esposa, Jocasta, com quem mantém forte vínculo.

    “Édipo” traz à modernidade os conflitos e dramas humanos que, mesmo produzidos dois milênios atrás, apresentam a capacidade de serem transportados para dilemas contemporâneos. O espetáculo está em cartaz de sexta a domingo, até 6 de setembro.
  • Coluna Atílio Bari

    Espetáculo em cartaz no Sesc Pompeia evidencia a dramaturgia minimalista de Samuel Beckett

    01/07/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta-feira (01), Atílio Bari comenta o espetáculo “Dias felizes”, montagem da Armazém Companhia de Teatro com direção de Paulo de Moraes. A peça é um dos textos mais emblemáticos de Samuel Beckett, dramaturgo irlandês que viveu em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, onde colaborou com a resistência francesa. A experiência marcou profundamente sua obra, que passou a explorar o absurdo da existência por meio de situações repetitivas e aparentemente sem sentido.
    Em “Dias felizes”, Patricia Selonk interpreta Winnie, uma mulher enterrada até a cintura. Ela passa os dias presa ao mesmo espaço, se apoiando apenas em pequenos objetos guardados na bolsa e na rotina entre o despertar e o anoitecer. Ao seu lado está Willie, personagem lacônico que pouco responde às longas falas da protagonista. Na segunda parte, ela surge ainda mais soterrada, com apenas a cabeça para fora da terra, mas continua aguardando, sem questionar sua situação, que um dia consiga se libertar.
    A peça sintetiza características presentes em toda a dramaturgia de Beckett: personagens presos à espera, à repetição e à incomunicabilidade, em cenários minimalistas que revelam, de forma poética, os medos, as esperanças e as contradições da condição humana. Como observa Atílio Bari, "Beckett nos traz inquietações, nos desestabiliza, nos mexe por dentro". Em cartaz no Sesc Pompeia até 19 de julho, “Dias felizes” reafirma a atualidade de um autor que transformou o absurdo em reflexão.
  • Coluna Atílio Bari

    Juízes, poder e privilégios em clássico de Martins Pena

    24/06/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta as transformações na imagem pública dos magistrados brasileiros. Ele recorda uma época em que juízes, especialmente os ministros do Supremo Tribunal Federal, mantinham-se distantes dos holofotes e eram conhecidos apenas por suas decisões judiciais. Segundo ele, esse cenário mudou radicalmente: “Hoje os juízes do Supremo tornaram se presença constante nas mídias, estão a toda hora concedendo entrevistas, aparecendo na TV”.
    A reflexão conduz o leitor ao universo do teatro, onde a figura do juiz há séculos é retratada de forma satírica. Bari destaca que magistrados vaidosos, corruptos ou excessivamente poderosos aparecem com frequência na dramaturgia popular e cita como exemplo a comédia “O Juiz de paz na roça”, escrita por Martins Pena (1815-1848) quando tinha apenas 18 anos. Considerada uma das obras fundadoras do teatro brasileiro, a peça acompanha um juiz do interior encarregado de resolver disputas triviais, mas que frequentemente age em benefício próprio, chegando a ficar com um leitão disputado por moradores da cidade.
    Para o colunista, a obra permanece atual ao expor privilégios, favorecimentos e distorções no exercício do poder. Ele observa que o personagem principal “não hesita em aceitar presentes” e utiliza interpretações convenientes da lei para atender a interesses particulares. Ao relacionar a sátira do século XIX ao Brasil contemporâneo, Bari argumenta que a obra oferece um retrato ainda reconhecível da realidade nacional e conclui que o texto permanece relevante por mostrar “o teatro falando de coisas sérias, mesmo quando nos faz rir”.
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    “Os gigantes da montanha” e a força da imaginação

    17/06/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira (17), Atílio Bari comenta o espetáculo “Os gigantes da montanha”, última obra de Luigi Pirandello, em cartaz no Teatro Zona Franca, em São Paulo. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1934, o dramaturgo italiano deixou a peça inacabada ao morrer, em 1936, mas revelou seu desfecho ao filho Stefano na noite anterior à morte. Considerada seu testamento poético, a obra acompanha uma trupe teatral liderada pela Condessa Ilse, determinada a encenar “A fábula do filho trocado”, texto escrito especialmente para ela por um poeta suicida e rejeitado pelos teatros.
    A história se desenvolve quando os artistas chegam a uma vila mágica governada pelo Mago Cotrone, cujos habitantes vivem entre o sonho e a fantasia. O mago tenta convencer a Condessa e seus atores a abandonar o mundo real e permanecer naquele universo de imaginação, mas ela insiste em levar sua peça ao público. Como alternativa, Cotrone sugere que o grupo se apresente aos gigantes da montanha, descritos como um povo rico, poderoso e indiferente à arte. “Os chamados gigantes não o são pela estatura, mas pelo poder que exercem e pela riqueza que possuem”, representando uma sociedade voltada para a produção, o consumo e os valores materiais.
    Ao discutir o papel da arte em uma sociedade cada vez mais pragmática, Pirandello questiona a sobrevivência da poesia, da imaginação e do teatro diante da indiferença cultural. “Não sabem os gigantes da montanha que ela sobreviverá a tudo isso, porque o sonho e a imaginação são necessidades intrínsecas do ser humano.” Sob a direção de Kiko Marques e com um elenco de 13 atores, a montagem reforça a atualidade da reflexão proposta pelo autor, lembrando a importância de produzir, difundir e defender a cultura em tempos de estímulos rápidos e consumo imediato.
    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
  • Coluna Atílio Bari

    Espetáculos em São Paulo celebram o legado de Rita Lee

    10/06/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta-feira (10), Atílio Bari comenta dois espetáculos em cartaz na capital paulista que celebram a trajetória de Rita Lee (1947-2023), uma das artistas mais influentes da música brasileira. Autora de canções que atravessaram gerações, como “Ovelha negra”, a cantora rompeu padrões de comportamento, moda e música, tornando-se símbolo de irreverência e liberdade. “Sempre autêntica, sempre sendo a personagem dela mesma: Rita Lee”.
    O colunista relembra momentos marcantes de sua carreira, desde os tempos em que foi subestimada pelos colegas dos Mutantes até o sucesso estrondoso de sua trajetória solo. Nem mesmo a repressão da ditadura militar conseguiu conter sua personalidade irreverente. Nos últimos anos de vida, “mesmo abalada e isolada do mundo, Rita continuava a ser uma provocadora indomável”, característica que a acompanhou ao longo de toda a vida.
    Em “Rita Lee: balada da louca”, em cartaz no Teatro Faap, Lilia Cabral interpreta a cantora na fase final da vida. O monólogo baseado no livro “Rita Lee – outra autobiografia” aborda temas como amor, doença e finitude, sempre sob a perspectiva corajosa e bem-humorada que marcou a vida da Rainha do Rock.
    Já “Rita Lee – uma autobiografia musical” está em cartaz no Teatro Porto, com Mel Lisboa no papel principal. A montagem em cartaz há mais de um ano percorre a trajetória da cantora e seus maiores sucessos, permanecendo em temporada até agosto no Teatro Porto.

    Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
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