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Coluna Atílio Bari

Atilio Bari
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  • Coluna Atílio Bari

    O riso crítico de Juca de Oliveira em “Caixa 2” retorna

    06/05/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari relembra a trajetória do ator e dramaturgo Juca de Oliveira, falecido há pouco mais de um mês, e sua formação no histórico Teatro de Arena, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Milton Gonçalves e tantos outros. Surgido no início dos anos 1960, o grupo desenvolveu uma dramaturgia voltada às questões sociais e políticas do Brasil, em contraste com o repertório clássico do Teatro Brasileiro de Comédia e a estética mais acadêmica ligada à Escola de Arte Dramática. Foi nesse ambiente de intensa efervescência política que Juca consolidou uma carreira marcada pelo engajamento crítico.
    Ele nunca abandonou o olhar atento às contradições do país. Essa postura se reflete em “Caixa 2”, comédia de sua autoria que expõe, com humor ácido, as relações obscuras entre o sistema financeiro e figuras de poder. Na trama, uma quantia milionária vai parar em uma conta errada, desencadeando um conflito que revela suspeitas de corrupção, propinas e crimes diversos.
    Montada originalmente em 1997, a peça foi um grande sucesso. Agora, retornou aos palcos no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, sob direção de Alexandre Reinecke, com Paulo Gorgulho no papel do banqueiro, ao lado de Cássio Scapin, Taumaturgo Ferreira e Flávia Garrafa. O espetáculo, em cartaz até 31 de maio, constrói um retrato irônico e perturbador das engrenagens da corrupção, convidando o público a rir — e se indignar — diante de escândalos que já não surpreendem, mas seguem profundamente presentes.
  • Coluna Atílio Bari

    Livros no lixo e o peso simbólico do descaso cultural

    29/04/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta um caso de descarte de livros em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, onde funcionários da Prefeitura foram flagrados jogando centenas de exemplares da Biblioteca Pública Monteiro Lobato em caçambas. As imagens mostram livros sendo transportados em carrinhos de mão e arremessados sem qualquer cuidado. Diante da repercussão, a Prefeitura apresentou explicações que, na avaliação do colunista, não se sustentam diante do que foi registrado.
    Ele chama atenção para o contexto mais amplo do problema. A biblioteca está fechada desde 2020 para uma reforma que nunca começou, o que pode ter contribuído para a deterioração do acervo. Ainda assim, Atílio argumenta, existem técnicas capazes de recuperar livros afetados por fungos, o que torna o descarte ainda mais questionável. Além disso, havia entre os títulos descartados, possivelmente obras raras, títulos fora de catálogo e produções de autores locais — materiais que não podem simplesmente ser substituídos. Para o colunista, o episódio escancara o descaso recorrente com espaços culturais como bibliotecas, museus e teatros.
    Ao refletir sobre o caso, ele amplia a discussão ao lembrar que a eliminação de livros carrega um peso simbólico histórico, presente em episódios como a “Queima de livros” na Alemanha Nazista. O colunista também cita o filme Fahrenheit 451, de François Truffaut, que retrata uma sociedade onde a palavra escrita é proibida e livros são sistematicamente destruídos. Embora reconheça diferenças entre ficção, história e o caso de Osasco, ele destaca que a reação popular é essencial para conter o descaso e preservar o valor da cultura.
  • Coluna Atílio Bari

    Tiradentes: da execução ao mito nacional brasileiro

    22/04/2026 | 6min
    Na coluna desta semana, escrita no feriado de 21 de abril, Atílio Bari retoma a história de Tiradentes para refletir sobre sua trajetória e construção como símbolo nacional. Joaquim José da Silva Xavier foi executado em 1792, acusado de liderar a Inconfidência Mineira, movimento contra os impostos da Coroa Portuguesa. Ao longo do tempo, sua figura inspirou obras importantes, como peças teatrais e o “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, consolidando sua presença no imaginário histórico e cultural brasileiro.
    Diferentemente de outros inconfidentes, Tiradentes não fazia parte da elite influente da época. Embora tivesse posses e atuasse como alferes, não contava com proteção política, militar ou religiosa durante o longo processo judicial. Enquanto outros envolvidos conseguiram preservar bens e reduzir punições por meio de manobras e relações de poder, ele acabou isolado, sendo o mais penalizado — perdeu tudo e foi executado, tornando-se o principal bode expiatório do movimento.
    Após a morte, sua imagem caiu no esquecimento por décadas, sendo resgatada apenas com a Proclamação da República, quando passou a ser construído como herói nacional. Essa reconstrução atendeu a interesses políticos e simbólicos, aproximando-o tanto do povo quanto de instituições como o Exército e a Igreja. A partir disso, Tiradentes tornou-se figura central na memória nacional — mas sua história também levanta questionamentos atuais sobre poder, injustiça e os riscos enfrentados por quem desafia estruturas dominantes.
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    O lado oculto da Lua e as sombras persistentes do Brasil

    15/04/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari explora o lado oculto da Lua, que sempre despertou a curiosidade humana, inspirando cientistas, escritores e até correntes esotéricas ao longo do tempo. Em 1973, a banda Pink Floyd transformou esse fascínio em música ao lançar “The dark side of the moon”, um dos álbuns mais icônicos da história. Com a famosa capa do prisma que decompõe a luz em cores, o disco aborda temas universais como tempo, morte, loucura e dinheiro.
    O colunista também menciona missões espaciais recentes que voltaram a explorar o satélite natural da Terra, como a Artemis II, reunindo cientistas de diversos países para observar justamente esse “lado de lá”. Lamentando a ausência do Brasil na iniciativa, Atílio faz um paralelo com os “lados ocultos” nacionais, afirmando que, por aqui, o conhecimento parece maior quando o assunto reflete as sombras da política e das instituições. Em sua análise, práticas como ocultação de recursos e irregularidades administrativas continuam sendo recorrentes.
    Para ele, exemplos recentes reforçam essa percepção: figuras políticas envolvidas em escândalos passados retornam a cargos de destaque após processos prescritos, enquanto denúncias de favorecimento e irregularidades continuam surgindo em diferentes esferas do poder. Ao mesmo tempo, cidadãos comuns, como aposentados, enfrentam prejuízos causados por fraudes e descontos indevidos, muitas vezes sem resposta. Entre metáforas e realidade, o “lado escuro” brasileiro expõe desigualdades e problemas estruturais, já retratados há décadas em obras artísticas como a peça Caixa 2 — em nova temporada no Teatro das Artes, em São Paulo, a partir de 17 de abril — que denuncia justamente os bastidores ocultos das finanças e da política no país.
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    Sylvia Thereza interpreta Beethoven no Theatro Municipal

    13/04/2026 | 22min
    “Beethoven é quase que sacerdotal para a música. Ele me traz sanidade emocional e espiritual, e me reconecta com aquele amor primário que eu senti pela música na infância, sem qualquer ilusão externa”. A declaração é de Sylvia Thereza, solista no concerto da Orquestra Municipal de São Paulo nesta sexta (10) e sábado (11), com regência de Roberto Minczuk. Ela interpreta o Concerto para piano n.º 4, Op. 58, obra central do repertório pianístico e que muito define a relação da pianista com a música de Beethoven.
    Radicada na Bélgica há 14 anos, a carioca Sylvia Thereza é uma das mais destacadas musicistas de sua geração, e vem construindo uma sólida carreira internacional. Atua como professora na Universidade Luca School of Arts, na Bélgica, e tem formação ligada diretamente a dois dos maiores nomes do piano contemporâneo: Maria João Pires e Nelson Freire. Também é fundadora da Uaná – Associação para as Artes da Bélgica, voltada a projetos sociais por meio da música.
    O concerto da Orquestra Sinfônica Municipal com Sylvia Thereza começa às 20h no dia 10 e às 17h no dia 11 de abril, no Teatro Municipal de São Paulo.

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