130 episódios
- Na coluna desta quarta-feira (07), Atílio Bari comenta opapel do teatro na democracia, em sequência ao primeiro turno das eleições no último domingo (04).
A conexão analisada remonta ao período da Grécia Antiga,local onde a arena teatral refletia a vida da pólis e incitava o debate ao colocar o público diante dos conflitos sociais, morais, éticos e políticos que regiam sua convivência como povo. - Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta “Feliz ano velho – O musical”, em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca até 22 de novembro. A montagem, dirigida por Gustavo Barchilon e adaptada por Marilia Toledo, parte do livro lançado por Marcelo Rubens Paiva em 1982 para revisitar a trajetória do autor após o acidente que o deixou tetraplégico, em 1979.
A obra também recupera lembranças dos amores, da participação política e de outros momentos da juventude do filho do deputado Rubens Paiva, sendo um deles quando o pai foi assassinado durante a ditadura militar em 1971 e dado como desaparecido até 1996, quando a mãe de Marcelo, Eunice Paiva, recebeu a certidão de óbito de seu marido.
No palco, a história coloca frente a frente o Marcelo jovem (Hugo Bonémer) e o Marcelo adulto (Bruno Garcia), mais de 45 anos após o acidente, para abordar as transformações que permitiram ao escritor se reinventar.
O musical “Feliz ano velho” incorpora recursos audiovisuais e é sonorizado ao vivo, por uma banda que executa sucessos do rock brasileiro dos anos 1980, incluindo músicas de Cazuza, Legião Urbana, Rita Lee e Barão Vermelho.
Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção. - Na coluna desta quarta-feira (23), Atilio Bari comenta o musical “Piaf – Eu não me arrependo”, no Teatro Bradesco, que retrata a trajetória pessoal e artística da cantora francesa Édith Piaf, abordando suas tragédias e glórias até sua morte em 1963, aos 47 anos. Com direção de Sérgio Módena e dramaturgia de Newton Moreno e Alessandro Toller, o espetáculo tem o título inspirado na canção “Non, je ne regrette rien”, uma das últimas gravadas pela artista, e passa por momentos de abandono, pobreza, alcoolismo, amor, perda e reinvenção na história de Édith.
A voz de Piaf marcou o século XX e, nesta realização da Aventura Produções, é reproduzida pela atriz Laila Garin, escolhida para retratar a musicista e seu universo melodramático, que se conectou à obra da cantora de maneira indissociável. A artista francesa, segundo o colunista, representa a “alma da França”. - Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari comenta o espetáculo “Boca a boca – um solo para Gregório”, que apresenta a obra de Gregório de Matos, poeta barroco baiano conhecido como “Boca do Inferno”. Advogado de formação e considerado o primeiro grande poeta do Brasil colonial, Gregório ficou marcado por seus versos satíricos contra autoridades, religiosos, ricos e os costumes da sociedade de seu tempo.
A crítica de Gregório de Matos não poupava sequer a população diante da exploração e dos maus-tratos que marcavam a Bahia colonial. Em um de seus poemas, questionava: “De que pode servir o calar de quem cala, / Nunca se há de falar, o que se sente?”. A postura combativa lhe rendeu perseguições, prisões e, posteriormente, o exílio em Angola. Expulso da Bahia, ele retornou ao Brasil sob a condição de não voltar a Salvador e morreu em Recife. Seus poemas só seriam publicados cerca de um século depois de sua morte, preservados principalmente por meio de cópias feitas por admiradores.
No espetáculo, o ator baiano Ricardo Bittencourt leva ao palco a fúria, o sarcasmo, o lirismo, a religiosidade e o erotismo do poeta. Segundo Bari, Bittencourt “explode em cena os poemas do Boca do Inferno”, explorando a sonoridade dos versos e transitando entre as sátiras, os textos religiosos e os poemas eróticos. Com direção de Bittencourt e João Sanches e trilha sonora ao vivo de Adriano Salhab, que reúne nomes como Ramones, Nirvana, Gilberto Gil e Caetano Veloso, “Boca a boca” encerra sua curta temporada neste domingo, no Sesc Belenzinho. - Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta o livro “Teatro aberto: escritos de um diretor”, publicado em abril pela Editora Cobogó. O título foi organizado por Patrick Pessoa, encarregado de ordenar o material deixado por Aderbal Freire-Filho (1941-2023), um dos grandes diretores teatrais do Brasil e pensador das artes. O livro é uma coletânea de reflexões e textos que ele produziu para os programas das suas peças, tais como “Apareceu a Margarida”, “O tiro que mudou a história”, “As centenárias” e “O carteiro e o poeta”.
A mente do autor desses escritos se torna o objeto central da publicação e, de maneira descontínua, mergulha num amante da arte que criou companhias teatrais, dirigiu espetáculos em diversos locais do mundo e fez parte do reerguimento da SBAT, a centenária Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
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