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Coluna Atílio Bari

Atilio Bari
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  • Coluna Atílio Bari

    Mahagonny e o retrato de um país em desordem

    03/06/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta-feira (03), Atílio Bari compartilha sua perplexidade diante dos acontecimentos que marcam a vida pública brasileira. Entre crises na política, na economia, na segurança, na saúde e na educação, prevalece a sensação de que “tudo que deveria ser sólido vai se desmanchando no ar”. O resultado seria uma espécie de anestesia coletiva diante de escândalos, injustiças e desvios, enquanto a maior parte da população segue tentando sobreviver entre dívidas, promessas de renda fácil e expectativas cada vez mais modestas.
    A reflexão conduz à obra “Ascensão e queda da cidade de Mahagonny”, escrita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht em 1930. Na peça, um grupo funda uma cidade onde praticamente tudo é permitido, exceto uma coisa: não ter dinheiro. “Lá não existe a justiça, não existe a solidariedade, não existe o bem comum.” Ao longo da trama, são revelados crimes graves cometidos por pessoas que possuem recursos financeiros, enquanto a pobreza se transforma no único delito imperdoável. A indiferença coletiva diante dessas distorções é um dos elementos centrais da crítica social.
    Ao relacionar a ficção de Brecht com a realidade brasileira, o autor afirma ter a impressão de que “os condutores dessa carruagem chamada Terra Brasilis viram uma placa indicando o rumo para Mahagonny, e apontaram os cavalos nessa direção”. Ao final, ele recomenda a leitura da obra, lembrando que a história não trata apenas da ascensão de uma cidade, mas também de sua queda.
  • Coluna Atílio Bari

    Fagundes discute a relação entre palco e plateia em “Sete minutos”

    27/05/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira (27), Atílio Bari comenta o espetáculo “Sete minutos”, estrelado por Antonio Fagundes, em cartaz até agosto no Teatro Cultura Artística. A peça parte de uma provocação curiosa: a ideia de que as pessoas conseguem manter a atenção por apenas sete minutos. A partir dessa premissa, o ator e dramaturgo constrói uma comédia sobre os desafios contemporâneos da relação entre artistas e público, tema que dialoga diretamente com os tempos de redes sociais, excesso de estímulos e consumo rápido de conteúdo.
    No palco, Fagundes vive um ator que interrompe uma apresentação de “Macbeth”, de Shakespeare, após se irritar com tosses, conversas, celulares e até um espectador da primeira fila que coloca os pés no palco. “Diante do que considerou um ultraje, o ator, extremamente irritado, interrompe a encenação e manda o público se retirar, o que causa um tumulto na frente do teatro”. A partir desse incidente, a montagem passa a discutir os limites da convivência dentro das salas de espetáculo e o impacto da dispersão do público sobre o trabalho dos artistas.
    Ao mesmo tempo, Fagundes também lança um olhar para o outro lado dessa relação: o das pessoas que enfrentam trânsito, chuva, distância e o preço dos ingressos para viver a experiência teatral. Para o colunista, “o artista é o grande anfitrião desse encontro”, ressaltando que a plateia também ocupa um papel central nesse ritual coletivo. Entre humor e reflexão, “Sete minutos” transforma situações corriqueiras do teatro em um debate atual sobre atenção, respeito e presença.
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    Musical recria principais momentos da Princesa Diana

    20/05/2026 | 6min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari reflete sobre o fascínio persistente da monarquia britânica, uma instituição que atravessa os séculos sustentada por rituais, símbolos e personagens que alimentam o imaginário popular. Em meio a coroações, casamentos reais, carruagens douradas e palácios suntuosos, a realeza inglesa preserva tradições que parecem imunes ao tempo e às transformações do mundo contemporâneo.
    Entre todas as personalidades da realeza, nenhuma despertou tanta identificação popular quanto Diana Spencer. Conhecida como “A Princesa do Povo”, Diana rompeu a imagem distante da aristocracia ao se mostrar acessível, espontânea e profundamente envolvida em causas humanitárias. Sua trajetória, marcada pela exposição midiática, pelas tensões com a família real e pelo casamento conturbado com o então príncipe Charles, transformou-a em um ícone mundial. Atílio Bari aproxima sua figura da imperatriz Sissi, da Áustria, outra mulher que desafiou as convenções rígidas da corte e cuja vida também atravessou gerações entre romantização, tragédia e fascínio popular.
    Esse legado agora ganha nova leitura nos palcos brasileiros com o musical “Diana – A Princesa do Povo”, em cartaz no Teatro Liberdade, em São Paulo, até 5 de julho. A montagem, dirigida por Tadeu Aguiar e produzida por Eduardo Bakr, recria os principais momentos da trajetória da princesa, incluindo os embates com a rainha Elizabeth II e as traições de Charles. Com Sara Sarres no papel principal, Claudio Lins como Charles e orquestra ao vivo sob direção de Thalyson Rodrigues, o espetáculo aposta em cenários grandiosos, figurinos luxuosos e forte carga emocional para revisitar uma personagem que segue mobilizando o imaginário coletivo décadas após sua morte.
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    Beth Goulart revive Clarice Lispector em monólogo autoral

    13/05/2026 | 4min
    Na coluna desta quarta, Atílio Bari comenta a nova temporada de “Simplesmente eu – Clarice Lispector”, espetáculo criado em 2009 e retomado em um momento em que as reflexões da escritora parecem ainda mais atuais. A peça marca o retorno da atriz Beth Goulart aos palcos da capital paulista depois de 16 anos.
    Entre guerras, polarizações políticas, pandemia e o avanço das redes sociais, o texto ressalta como a sensação de solidão e incomunicabilidade permanece presente na sociedade contemporânea. Nesse contexto, as palavras de Clarice seguem ecoando com força. “A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever”, diz um dos trechos destacados da autora, cuja obra aborda identidade, desamparo e existência com profundidade e poesia.
    No palco quase vazio, Beth Goulart se transforma em Clarice Lispector em um projeto totalmente autoral, concebido, adaptado e dirigido pela própria atriz, com supervisão de Amir Haddad. “Beth Clarice”, como define o texto, mistura as duas personalidades em cena, preenchendo o espaço com lirismo, intensidade e reflexão. “Simplesmente eu – Clarice Lispector” fica em cartaz de sexta a domingo, até 19 de junho, no Teatro Moise Safra, na Barra Funda.
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    O riso crítico de Juca de Oliveira em “Caixa 2” retorna

    06/05/2026 | 5min
    Na coluna desta quarta-feira, Atílio Bari relembra a trajetória do ator e dramaturgo Juca de Oliveira, falecido há pouco mais de um mês, e sua formação no histórico Teatro de Arena, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Milton Gonçalves e tantos outros. Surgido no início dos anos 1960, o grupo desenvolveu uma dramaturgia voltada às questões sociais e políticas do Brasil, em contraste com o repertório clássico do Teatro Brasileiro de Comédia e a estética mais acadêmica ligada à Escola de Arte Dramática. Foi nesse ambiente de intensa efervescência política que Juca consolidou uma carreira marcada pelo engajamento crítico.
    Ele nunca abandonou o olhar atento às contradições do país. Essa postura se reflete em “Caixa 2”, comédia de sua autoria que expõe, com humor ácido, as relações obscuras entre o sistema financeiro e figuras de poder. Na trama, uma quantia milionária vai parar em uma conta errada, desencadeando um conflito que revela suspeitas de corrupção, propinas e crimes diversos.
    Montada originalmente em 1997, a peça foi um grande sucesso. Agora, retornou aos palcos no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, sob direção de Alexandre Reinecke, com Paulo Gorgulho no papel do banqueiro, ao lado de Cássio Scapin, Taumaturgo Ferreira e Flávia Garrafa. O espetáculo, em cartaz até 31 de maio, constrói um retrato irônico e perturbador das engrenagens da corrupção, convidando o público a rir — e se indignar — diante de escândalos que já não surpreendem, mas seguem profundamente presentes.
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