342 episódios
- Em ‘Na arca” (1878) Machado de Assis (1839-1908) cria uma paródia em formato bíblico, com versículos que foram lidos em todo o episódio, para retratar uma discussão entre os filhos de Noé sobre a posse das terras após o dilúvio. Machado nos prova que a nova criação prometida em Gênesis ia se corromper igualmente, com violência e brigas, como antes da chegada do caos. O conto "Na arca", de Machado de Assis, foi publicado originalmente em 1878 (no jornal O Cruzeiro, em 14 de maio), sob o pseudônimo Eleazar. E republicado posteriormente no livro de contos Papéis Avulsos em 1882.
A Bíblia apresenta que Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos e andava com Deus. “Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra se corrompera diante de Deus e estava cheia de violência”. (…) “Eu vou mandar o dilúvio sobre a terra, para exterminar todo ser vivo que respira debaixo do céu: tudo o que há na terra vai perecer. ‘Mas com você eu vou estabelecer a minha aliança, e você entrará na arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos’”.(Gênesis, 6.9-18) Na versão machadiana, a arca está sempre à beira do abismo, o que demonstra uma visão cética sobre o comportamento do ser humano do século XIX. Noé de Machado também é justo e apazigua os filhos, o que confirma, por outro lado, que dentro de todo ser humano há o bem e o mal. A dualidade faz parte de todos e é preciso discernimento para equilibrá-la. Boa leitura!
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Padrinho:@miltonhatoum_oficial - “O destino decide pelos tímidos” é de O.Henry (1862-1910), o famoso contista americano nascido sob o nome de William Sydney Porter. Esta história começa despretensiosamente, com uma conversa em banco de praça, quando Phil, que é jornalista, dando a desculpa de que queria assunto para escrever uma crônica, puxa conversa com um morador de rua. O que acontece é que acaba revelando sua paixão platônica pela jovem Mildred Telfair, mas admite que a sua timidez não permite se declarar a ela. O morador de rua, diante da falta de coragem dele de revelar seu amor para a moça, vira a mesa e narra fatos de seu passado. Exemplificando com suas experiências de vida como ex-boxeador, o homem conclui que ambos, ele e o jornalista, não sabem lidar com profissionais. O vagabundo filósofo conclui que a moça era uma “beldade profissional”, pois preocupa-se excessivamente com a sua aparência e intimida a aproximação. Diante do aprendizado, o homem apaixonado volta para casa decidido a tomar uma atitude. Percebe que não se declarava com medo de ficar desenganado. E assim telefona para a casa de Mildred Telfair. Quando é correspondido no telefona vai ouvir da voz angelical afirmações que são bálsamos divinos. Boa leitura!
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Padrinho:@miltonhatoum_oficial - “O modelo de Pickman”(1927) é conto de H.P. Lovecraft (1890-1937) muito pedido no Leitura de Ouvido. Na história, Lovecraft explora o hábito de os artistas buscarem referências para ter suas inspirações. Em Boston, o pintor Richard Upton Pickman saia à noite, a túneis inóspitos, cemitérios e mansões antigas do século XVII com porões assustadores, poços, metrôs, etc com uma máquina fotográfica em mãos, para obter “modelos “, inclusive inumanos, para criar suas telas. Suas pinceladas captam almas de espíritos noturnos de horrores ancestrais que impressionam Thurber, o narrador destas excentricidades. Boa leitura!
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Conheça o #Desenrole seu Storytelling, - Esphinges (1903), de Francisca Julia, "Números do Intermezzo, de Heinrich Heine", é a segunda e última parte do livro desta poeta parnasianista e simbolista brasileira. Nas duas produções que fizemos deste livro, no Leitura de Ouvido, trabalhamos com a edição original, disponível na Biblioteca Brasiliana Mindlin, da USP, lendo em português arcaico. Hoje, estão interpretados os poemas: I, II, III e IV de Heinrich Heine (1797-1856), que ela traduziu do alemão; seguido de “O mergulhador”, “Aguarella”, “Mãe”, “De Chrysostomo Medjd (poeta turco contemporâneo), “Amor descoberto” (do Conde de Marcellus, poeta grego), “A florista”, “Inconsoláveis”, “Pérfida”, “De joelhos”, “De volta da guerra”, “D. Alda (Lied moderno”, “A primavera”, “A uma criança (imitação de Hugo)’, “Mudez”, “Pranto de luar”, “Noite de inverno”, “Ballada”, “Vida”, “Inverno”, “As duas irmãs”, “Calme de la Mer (Lied de Goethe)”, “Lied Cicilien (de Goethe)”, “Alma e Destino” e “O ribeirinho”, que ela dedica a Olavo Bilac.
Nesta segunda parte do livro, Francisca Julia também fez traduções de Goethe, bem como para o francês Victor Hugo. Já sobre o poeta turco contemporâneo, pesquisadores apontam que não existem registros concretos ou fontes na literatura da Turquia sobre um poeta real com o nome de Chrysostomo Medjid, o que sugere que pode ter sido um pseudônimo, uma atribuição romântica da época ou uma recriação literária da própria tradutora. O mesmo possivelmente deva ocorrer com o Conde de Marcellus, poeta grego. Há ainda diversos poemas da própria autora, que deslumbram nossos sentidos. Boa leitura!
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Conheça o #Desenrole seu Storytelling, curso de Daiana Pasquim: https://bit.ly/desenrolecomleitura - “Sonetos Portugueses” da poetisa inglesa Elizabeth Barrett Browning (1806-1861) saíram em 1850 na Itália, como Sonnets from the Portuguese. Estes sonetos foram escritos por ela para o poeta e dramaturgo Robert Browning durante o namoro, e ele a encorajou a também publicá-los, após o casamento e mudança para a Itália. A história de amor entre eles desvelou-se em linhas, sensações e composições poéticas. E culminou em profunda conexão entre dois titãs da literatura vitoriana. São ao todo, magníficos 44 sonetos de amor, os quais trazemos 12 neste episódio, dois deles na tradução do poeta e crítico brasileiro Manuel Bandeira (1886-1968).
Neste momento, a composição de sonetos estava no auge da moda. “Os Sonetos Portugueses” são a mais notável sequência produzida por ela e se tornaram seus mais conhecidos, por isso, é assim que Elizabeth estreia no Leitura de Ouvido. A escolha do nome da obra é um disfarce do namoro. Para esconder o caráter extremamente íntimo e pessoal dos sonetos, ela fingiu que os versos eram uma tradução de poesia portuguesa, inspirando-se no apelido carinhoso que seu marido (Robert Browning) lhe dava — "Meu pequeno português" — e na admiração dela por Luís de Camões. Boa leitura!
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Sobre Leitura de Ouvido
Leitura de Ouvido vai além do audiolivro, é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio público. Gravação do texto interpretado em áudio drama e com sonorização cinematográfica. Crítica literária descontraída sobre o texto, escola literária e autor, ao final do episódio. Todas as sextas-feiras, um novo episódio. Boa leitura! Apoie pela chave PIX: leituradeouvido@gmail.com ou pelo financiamento coletivo: https://apoia.se/leituradeouvido
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