“Porque não se matava” (1923[1918]) é conto de Lima Barreto (1881-1922) que escancara os vícios sociais. Ambientado na degradação da República Velha, no Bar Adolfo na rua da Assembleia, dois amigos que se conhecem desde a infância, que compartilharam as lições da escola, o crescimento e a formação, se encontram no ambiente propício da boemia, onde estão escritores, pintores, jornalistas, poetas, literatos, médicos e advogados, conversando e bebendo sempre. Temos de um lado, um homem que não tem mais motivos para viver; do outro, um bom ouvido e é também o nosso narrador. O fato é que o bar é bem descrito, detalhadamente, e comparado ao Silogeu. À época, o Prédio do Silogeu era ocupado pela Academia Brasileira de Letras como sede. Ali também funcionavam a Academia de Medicina, o Instituto dos Advogados do Brasil e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. “É um ninho e também, uma academia”. O fato é que o amigo confabulava sobre se matar, sim ou não, e não gostava de trabalhar: “Afastava-se da caça ao emprego”; e também “nunca conheceu o amor”. Era um homem sem paixões nem desejos, “já descri de tudo, da arte, da religião e das ciências”. E o boêmio marcava com solenidade o número de copos bebidos. Só não se matava por falta de dinheiro, posto que não quer ficar falado depois que deixar o augusto mistério do mundo. O conto "Por que não se matava" de Lima Barreto é sagaz e vai trabalhar a ironia da situação, com argumentos que dão muita vontade de viver. Escute para conhecer! A história saiu apenas postumamente, em 1923, integrando a coletânea Bagatelas. Boa leitura!
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