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- “Poesias Phóstumas do Dr. Aureliano Lessa” é o livro editado por seu irmão Francisco José Pedro Lessa, em 1873. O autor havia morrido há uma dúzia de anos, em 1861. Para estrear Aureliano Lessa (1828-1861) no Leitura de Ouvido, fomos em busca da edição original do século XIX, publicada pela Tyopgraphia da Luz, no Rio de Janeiro, disponível hoje na sessão de Literatura Brasileira da UFSC. Selecionamos cinco poesias deste livro: “O poeta”, “Eu”, “À Diamantina”, "Saudade” e “Consolação da morte”. O irmão Lessa convidou para criar o prólogo Bernardo Guimarães, o grande amigo, na ocasião único ainda vivo, do trio de escritores epicuristas brasileiros - junto com Álvarez de Azevedo, que criou, entre outros, o também póstumo e clássico brasileiro, Noite na Taverna (1855). Bernardo Guimarães diz que "havia nele um desapegar da existência, uma tão completa indiferença pelo seu destino presente e futuro, que é difícil de explicar" (1873, p.12)
Aureliano enaltece nos versos a perda das pessoas que amou, nas várias faces da saudade, bem como espera o próprio fim “sinto-me que vão quebrando em meu peito as molas da existência". Canta o amor à sua terra natal mineira, Diamantina e cria uma espécie de profissão de fé, em “O poeta”. Nestes versos ele dedilha a natureza bonita da escrita, que em tantas ocasiões, inclusive, buscava contrapor para melodias, com um violão à tiracolo, fazendo música. Boa leitura!
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Padrinho:@miltonhatoum_oficial - "Sinfonia de uma noite inquieta"_In Livro do Desassossego: Autobiografia sem factos, atribuída ao heterônimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa (1888-1935) é uma prosa poética que traz uma atmosfera noir, mas sem crime direto, embora com muitos “assassinos" do bem-estar. Tantos, que evoca a ideia de “sinfonia" para a reflexão. Sinfonia é uma composição musical para ser tocada por uma orquestra inteira. A origem da palavra remete a “todos os sons juntos”. É vaporosa a atmosfera das palavras escolhidas para as impressões urbanas e a crise existencial na cidade de Lisboa, onde “A noite era o túmulo de Deus”. Ou seja, de tudo, do mundo.
O eu-lírico questiona: “Como é que me sobrevivo?" E faz afirmações categóricas: “Somos todos escravos de circunstâncias externas”, “[as almas] que me põem na garganta do espírito o nó salivar do desgosto físico”.
Sabe-se, pelo suporte, que este trecho data da última fase do Livro do Desassossego. Há, em os Grandes Trechos, uma "Sinfonia da noite inquieta”, da primeira fase, na página 436 de nossa edição, que trazemos nas Notas de Rodapé, para compararmos as manifestações. Boa leitura!
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Padrinho:@miltonhatoum_oficial - Em ‘Na arca” (1878) Machado de Assis (1839-1908) cria uma paródia em formato bíblico, com versículos que foram lidos em todo o episódio, para retratar uma discussão entre os filhos de Noé sobre a posse das terras após o dilúvio. Machado nos prova que a nova criação prometida em Gênesis ia se corromper igualmente, com violência e brigas, como antes da chegada do caos. O conto "Na arca", de Machado de Assis, foi publicado originalmente em 1878 (no jornal O Cruzeiro, em 14 de maio), sob o pseudônimo Eleazar. E republicado posteriormente no livro de contos Papéis Avulsos em 1882.
A Bíblia apresenta que Noé era um homem justo, íntegro entre seus contemporâneos e andava com Deus. “Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra se corrompera diante de Deus e estava cheia de violência”. (…) “Eu vou mandar o dilúvio sobre a terra, para exterminar todo ser vivo que respira debaixo do céu: tudo o que há na terra vai perecer. ‘Mas com você eu vou estabelecer a minha aliança, e você entrará na arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos’”.(Gênesis, 6.9-18) Na versão machadiana, a arca está sempre à beira do abismo, o que demonstra uma visão cética sobre o comportamento do ser humano do século XIX. Noé de Machado também é justo e apazigua os filhos, o que confirma, por outro lado, que dentro de todo ser humano há o bem e o mal. A dualidade faz parte de todos e é preciso discernimento para equilibrá-la. Boa leitura!
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Padrinho:@miltonhatoum_oficial - “O destino decide pelos tímidos” é de O.Henry (1862-1910), o famoso contista americano nascido sob o nome de William Sydney Porter. Esta história começa despretensiosamente, com uma conversa em banco de praça, quando Phil, que é jornalista, dando a desculpa de que queria assunto para escrever uma crônica, puxa conversa com um morador de rua. O que acontece é que acaba revelando sua paixão platônica pela jovem Mildred Telfair, mas admite que a sua timidez não permite se declarar a ela. O morador de rua, diante da falta de coragem dele de revelar seu amor para a moça, vira a mesa e narra fatos de seu passado. Exemplificando com suas experiências de vida como ex-boxeador, o homem conclui que ambos, ele e o jornalista, não sabem lidar com profissionais. O vagabundo filósofo conclui que a moça era uma “beldade profissional”, pois preocupa-se excessivamente com a sua aparência e intimida a aproximação. Diante do aprendizado, o homem apaixonado volta para casa decidido a tomar uma atitude. Percebe que não se declarava com medo de ficar desenganado. E assim telefona para a casa de Mildred Telfair. Quando é correspondido no telefona vai ouvir da voz angelical afirmações que são bálsamos divinos. Boa leitura!
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Padrinho:@miltonhatoum_oficial - “O modelo de Pickman”(1927) é conto de H.P. Lovecraft (1890-1937) muito pedido no Leitura de Ouvido. Na história, Lovecraft explora o hábito de os artistas buscarem referências para ter suas inspirações. Em Boston, o pintor Richard Upton Pickman saia à noite, a túneis inóspitos, cemitérios e mansões antigas do século XVII com porões assustadores, poços, metrôs, etc com uma máquina fotográfica em mãos, para obter “modelos “, inclusive inumanos, para criar suas telas. Suas pinceladas captam almas de espíritos noturnos de horrores ancestrais que impressionam Thurber, o narrador destas excentricidades. Boa leitura!
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Sobre Leitura de Ouvido
Leitura de Ouvido vai além do audiolivro, é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio público. Gravação do texto interpretado em áudio drama e com sonorização cinematográfica. Crítica literária descontraída sobre o texto, escola literária e autor, ao final do episódio. Todas as sextas-feiras, um novo episódio. Boa leitura! Apoie pela chave PIX: leituradeouvido@gmail.com ou pelo financiamento coletivo: https://apoia.se/leituradeouvido
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