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Momento Odontologia # 135: No consultório odontológico o descarte de materiais também deve priorizar o meio ambiente
05/12/2022 | 9minCada vez mais se fala em preservação dos recursos naturais, desenvolvimento econômico e valorização humana, o tripé de uma palavra em moda atualmente, a sustentabilidade. No Momento Odontologia desta semana a professora Cássia Maria Fischer Rubira, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, fala sobre a sustentabilidade na formação e na vida profissional do cirurgião-dentista.
Cássia explica que a odontologia mais sustentável incluí aspectos da preservação dos recursos naturais, desenvolvimento econômico e a valorização do ser humano evitando os desperdícios sem que a saúde do paciente seja comprometida. “A grande produção e o mal gerenciamento de resíduos têm agredido a natureza e provocado modificações no meio ambiente. Um dos grandes desafios atualmente a criar ferramentas que possibilitem a redução drástica da dispersão de resíduos diretamente ao meio ambiente.”
Para a professora, os resíduos dos consultórios odontológicos têm várias problemáticas, como o descarte de materiais poluentes ao ambiente e que demoram muito tempo para se degradar, mas o uso desses materiais não pode ser totalmente eliminado da prática odontológica, portanto, recomenda-se que os dentistas adotem medidas de descarte conscientes, seguindo as resoluções atualizadas da legislação brasileira. “Alcançar a sustentabilidade no consultório odontológico é um desafio para os dentistas.” A professora dá dicas de como os profissionais da odontologia podem fazer isso:
Faça o correto descarte dos resíduos, separe os materiais ao fazer o descarte;
Evite o uso de impressos e dê preferência ao digital;
Se for utilizar papel, escola o reciclado e o reutilize como rascunho e, quando não houver mais uso, destine tudo para reciclagem;
Evite desperdício de energia, desligando a TV da sala de espera e o ar condicionado quando não tiver paciente no ambiente;
As práticas sustentáveis da clínica também envolvem a cadeira odontológica, que deve voltar sempre ao ponto zero;
Desligar o refletor quando estiver realizando os procedimentos extra bucais;
Invista em radiologia digital radiologia digital;
Dê preferência para aparelhos mais econômicos, como computadores, autoclaves, geladeira e ar condicionado;
Reduza o consumo de água dentro do consultório.
Sobre os resíduos sólidos, a professora diz que a RDC 222, de 2018, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta as boas práticas de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde, para minimizar os riscos inerentes a esse procedimento no País, no que diz respeito à saúde humana e animal, bem como na proteção do meio ambiente aos recursos naturais renováveis. Esta RDC prevê que em todo o serviço gerador, seja ele privado ou público, deve dispor de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos de saúde, fazendo uma estimativa dessa geração por grupos, conhecidos como A, B, C, D.
Como exemplo, a professora cita o grupo A, dos chamados infectantes, aqueles contaminados por agentes biológicos, que devem ser embalados em sacos brancos identificados como infectantes e a capacidade de armazenamento é sempre o limite de dois terços da capacidade e devem ser substituído ao atingir esse limite ou a cada 24 horas ou 48 horas independentemente do seu volume e encaminhado para a disposição final ambientalmente adequada. No podcast a professora ainda fala sobre os resíduos do grupo B e aqueles provenientes de materiais radiológicos.
No curso de odontologia da USP em Bauru, segundo Cássia, esse assunto é abordado em atividades contínuas, através de informes nas mídias sociais, palestras, treinamentos e eventos culturais onde a comunidade é convidada à participar, além de ações junto à comunidade como a Semana do Meio Ambiente do município. “O assunto também é abordado na disciplina de biossegurança que ocorre no terceiro semestre do curso de odontologia.”
Momento Odontologia
Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS
.Momento Odontologia #134: Restauração dental precisa de higiene e cuidados específicos
21/11/2022 | 8minPesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE em setembro de 2020, constatou que dos 162 milhões de brasileiros, acima de 18 anos, 34 milhões perderam 13 dentes ou mais. A melhor solução para essa realidade ainda é a prevenção, ou seja, higiene bucal eficiente desde a infância e consultas regulares ao dentista. Mas, mesmo assim, muitos precisam restaurar os dentes e as causas podem ser várias, ou por cárie, por lascados entre outros. As restaurações são procedimentos que reconstroem a forma, função e estética do dente e precisam de cuidados, tanto do profissional que a faz, como do paciente. Elas também têm tempo de duração, como conta o professor Carlos Eduardo Francci, do Departamento de Biomateriais e Biologia Oral da Faculdade de Odontologia (FO) da USP.
O professor explica que, além do restauro para eliminar a cárie ou corrigir rachaduras e pedaços quebrados, o restauro também é utilizado em situações mais específicas, como, por exemplo, quando há espaços entre os dentes e eles são pequenos para a arcada dentária. “Esses espaços, chamados diastemas, podem ser preenchidos com um aumento do contorno dos dentes, isso também pode ser chamado de restauração, então restaurar é também para dar a forma mais adequada para a estrutura dental.”
Sobre os materiais utilizados para as restaurações, o professor diz que, após limpeza é aplicado um ácido no esmalte, seguida de uma colinha na estrutura dental e de uma luz para polimerizar (processo químico) e aquele espaço é preenchido com resina composta em camadas, fazendo nuances estéticas com cores diferentes para ficar o mais natural possível ou colado ali a uma restauração de cerâmica. “Essas são as formas mais comuns, mas também pode ser feita a restauração com cerâmica, em laboratório e fora da boca, com a resina composta também, mas, no geral, são utilizados basicamente esses dois materiais.”
O tempo de duração de uma restauração com resina composta, diz o professor, é em média de oito anos ou mais. “Com o passar dos anos ela tende a absorver um pouco mais de fluidos e isso vai gerando uma degradação nas suas cadeias poliméricas, ou seja, na estrutura da resina composta, ela pode começar a se pigmentar e deixar marcas.” Já as cerâmicas, segundo Francci, a vida útil estimada é de 15 anos ou mais. “Nem todas as restaurações vão ter essa vida útil. Por questões estéticas, geralmente após um clareamento, o paciente sente necessidade de trocar as restaurações.”
O professor lembra que é consenso entre os profissionais da odontologia que deve existir um total controle da umidade no ato da restauração, especialmente no momento de aplicar o sistema adesivo, ou seja, a colinha na estrutura dental, pois qualquer contaminação, seja por saliva com sangue ou a própria umidade da respiração, pode comprometer seriamente a colagem dessa restauração ao dente. A seleção do material, seja resina ou cerâmica, também é essencial, segundo Francci. “Um excelente polimento na superfície dessas restaurações, para que tenha o mínimo de acúmulo de placa bacteriana, é essencial para uma boa longevidade dessas restaurações.”
Já o paciente, diz o professor, em geral precisa fazer aquilo que é básico, uma boa higiene bucal, uma escovação correta e uso do fio dental para sempre manter o menor acúmulo de placa bacteriana sobre estrutura dental. “Cárie não dá na restauração, ela precisa de estrutura dental natural, mas a interface da restauração com o dente é uma região de vulnerabilidade, então precisa ser mantida sempre limpa.”
Momento Odontologia
Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição: Rádio USP Ribeirão
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.Momento Odontologia #133: Tratamento de fissura labiopalatina envolve equipe multidisciplinar e acolhimento integral do paciente
07/11/2022 | 7minO assunto de hoje no Momento Odontologia é a relação entre a ortodontia e a fissura labiopalatina, má formação congênita, ou seja, que ocorre durante a gravidez, nos três primeiros meses de gestação e afeta a face, mais especificamente uma fenda no lábio superior que pode se prolongar até o nariz e o palato, segundo especialistas. As causas são multifatoriais, quer dizer, uma associação de fatores ambientais no início da gestação, como álcool, cigarro e alguns medicamentos e uma predisposição genética do embrião. O cirurgião-dentista Tiago Turri de Castro Ribeiro, ortodontista do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho da USP em Bauru, fala sobre os tratamentos para a fissura labiopalatina e o papel da ortodontia na recuperação desses pacientes.
Na prática, diz Turri, o tratamento para esses pacientes começa com equipe de pediatria, enfermagem, nutrição que avalia a saúde inicial do bebê e que ensina os pais a alimentá-lo corretamente, para que ele ganhe peso e saúde para poder fazer a cirurgias plásticas primárias. A partir da cirurgia o paciente começa a ser acompanhado pela equipe de fonoaudiologia, para que a sua fala seja desenvolvida corretamente e conforme o paciente vai crescendo vai sendo acompanhado por outras áreas complementares, como a genética e a fisiologia, por exemplo. “Entre essas equipes estão os ortodontistas, para a correção dos dentes e do enxerto ósseo alveolar e, em alguns casos, de cirurgia ortognática também. Esses pacientes que são submetidos a cirurgia ortognática ao final do processo também podem ser submetidos a cirurgias reparativas de lábio e nariz.
Para Turri, a ortodontia tem um papel importantíssimo no processo reabilitador, já que as principais questões relacionadas à fissura labiolatina dizem respeito à posição dos dentes na arcada dentária e ao crescimento craniofacial desses pacientes. O ortodontista, segundo o especialista, também verifica como está o crescimento craniofacial dos pacientes nessa fase para informar aos cirurgiões plásticos para que os protocolos das técnicas e do tempo da realização das cirurgias plásticas primárias sejam validados ou revistos. “Como o ortodontista acompanha o paciente por muito tempo, também pode encaminha-l0 para outras áreas como a fonoaudiologia, por exemplo.”
O especialista diz que no Centrinho da USP em Bauru é adotado o protocolo de iniciar o tratamento ortodôntico na dentição mista, depois da troca dos dentes anteriores, entre 8 e 9 anos de idade. “Nessa fase nós normalmente melhoramos o formato da arcada dentária superior através de aparelhos expansores, isso não só permite a melhora da função da oclusão como melhora o prognóstico para a cirurgia de enxerto ósseo alveolar. O ortodontista é quem prepara esses pacientes para essa cirurgia e também cuida deles depois da cirurgia.”
O resultado esperado, diz Turri, é muito próximo ao resultado alcançado de um tratamento ortodôntico de um paciente sem fissura. “É um tratamento mais longo, com mais particularidades, que às vezes precisa de uma complementação com próteses dentárias ou implantes, mas perfeitamente possível de ficar muito bom estética e funcionalmente falando.”
O especialista enfatiza a importância do acolhimento desses pacientes no processo de reabilitação, que começa muito cedo e se estende, muitas vezes, até a idade adulta. “Além da importância da integração entre as diferentes equipes altamente especializadas é importante a atitude de profundo respeito para com o paciente e seus pais. Não adianta ter um grande conhecimento técnico-científico, se não atuar no seu dia a dia com essa atitude”, finaliza.
Momento Odontologia
Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição: Rádio USP Ribeirão
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.Momento Odontologia #132: Para especialista pasta de dente para criança deve conter flúor
24/10/2022 | 8minNo Momento Odontologia desta semana, o professor Fausto Medeiros Mendes, da Faculdade de Odontologia da USP, campus São Paulo, responde dúvidas da ouvinte Daiane Pinheiro, da cidade de Pontal, cidade de cerca de 50 mil habitantes na região metropolitana de Ribeirão Preto. Segundo Daiane, o dentista que atende seu filho de quatro anos indicou um creme dental sem flúor e ouvinte ficou com dúvidas e quer mais informações sobre o uso deste produto.
Segundo o professor, existem as pastas e cremes dentes infantis que são indicadas para as crianças, mas na ausência ou na impossibilidade de adquirir uma delas, não há problema em se utilizar a mesma que a família toda utiliza, desde que tenha em sua composição entre 1.000 e 1.500 PPM de flúor. “Essa recomendação é feita desde o aparecimento dos primeiros dentes, pelo menos duas vezes ao dia”.
O professor alerta que o único efeito colateral para o uso de pasta com flúor pode ser a fluorose, e que os demais efeitos que são comentados na Internet, ou mesmo por alguns profissionais, são fake news. “Mesmo essa fluorose é leve e não causa nenhum efeito estético, além disso os benefícios da pasta com flúor para a prevenção da cárie é comprovado pelos estudos clínicos.”
Mendes explica que também nas cidades com flúor na água, a recomendação é de uso de pastas de dentes com flúor, pois mesmo aumentando o risco de fluorose, ela não causa nenhum impacto significativo na qualidade de vida da criança. “O que causa impacto negativo é a cárie dentária, que pode levar à dor e problemas funcionais”.
O professor recomenda que o uso de pasta por crianças deve ser feito em pequenas quantidades, logo após as refeições. “Com o estômago preenchido vai diminuir a absorção do flúor, o que minimiza o risco da fluorose, sem afetar o efeito benéfico do flúor da pasta de dente”.
Momento Odontologia
Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
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.Momento Odontologia #131: Escovação dental em criança deve ser realizada sempre sob supervisão de um adulto
29/08/2022 | 3minUma dúvida muito comum entre os pais é se o filho pode utilizar creme ou pasta dental indicada para adultos. Quem tira essa dúvida e ainda fala sobre a quantidade deste produto que deve ser utilizada e qual o tipo de escova dental que as crianças devem utilizar nesta edição do Momento Odontologia é a professora Alexandra Mussolino de Queiroz, do Departamento de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP.
A professora alerta que, em qualquer situação, a escovação dental de uma criança deve ser realizada sempre sob supervisão de um adulto. Segundo a professora, a criança pode usar a pasta de dente de adulto que tenha uma concentração de flúor acima de 1.100 ppm (partes por milhão), o que é encontrado na maioria das pastas de dente de adultos. Quanto à quantidade de pasta na escova, a professora diz que deve ser bem pequena, de 0 a 3 anos deve corresponder a meio grão de arroz cru, de 3 a 6 anos, de um grão de arroz, e, acima de 6 anos, um grão de ervilha seca, para que a criança não deglute muito dentifrício fluoretado. Sobre a escolha da escova de dentes para criança, Alexandra diz que ela deve ter tamanho compatível com a cavidade bucal da criança, cerdas macias e uma cabeça arredondada.
Já em relação ao uso de enxaguante bucal, a professora afirma que não deve ser indicado rotineiramente para criança, somente em situações específicas e com orientação do cirurgião-dentista. Como exemplo, Alexandra cita a indicação para criança com alto risco de cárie, para paciente especial, onde a higiene bucal em casa seja muito difícil de ser executada, nas pós-cirurgias odontológicas, durante o processo de cicatrização, após um traumatismo dentário. “O enxaguante não substitui a escovação dental, com pasta de dente fluoretada e escova de cerdas macias, realizada duas vezes por dia”, conclui.
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