Carolina Berlim, que integra o Departamento de Comunicaçãoda Província Portuguesa dos Jesuítas, é a convidada deste episódio. Na conversa, a jovem de 28 anos fala da forma como a oração pessoal e informal a fez regressar à essência da fé da qual a rebeldia da adolescência a manteve afastada por uns tempos.
"Por que é que eu tenho que mudar alguma coisa na minha vida por causa de um carpinteiro morto, sobrevalorizado?", disse, nesse período, à família, num momento da vida em que sentia que a religião lhe impunha demasiadas regras à liberdade e às ideias que tinha para a vida.
O tempo, as relações de infância, os novos desafios profissionais e a Espiritualidade Inaciana renovaram-lhe o olhar de espanto para a fé adormecida e, gradualmente, Carolina Berlim redescobriu o sentido da relação com Deus.
“Cada uma das pessoas que fizeram parte da minha infância e que me quiseram reencontrar foi tirando uma peça da armadura que eu construí, com uma palavra amável, banal… Tudo isto levou-me a uma busca intensa, agora no lugar certo, e a voltar a casa de coração e começar a rezar como deve de ser”, descreve.
Hoje, reza através da música, das conversas e do trabalho, num “fazer, ainda que não apeteça, que define o verdadeiro amor".
“Mesmo quando estou a trabalhar em coisas técnicas, sinto que há uma experiência orante, porque é criar algo para pôr ao serviço e isso, para mim, é o mais importante. Eu acho que toda a vocação passa pelo serviço e esta é a minha”, assume a convidada, que trabalha no “reino digital”.