Neste episódio do podcast Planeta Química, mergulhamos em uma análise profunda sobre os microplásticos (MPs), partículas poliméricas sólidas menores que 5 mm que se tornaram onipresentes no meio ambiente. Discutimos a distinção entre os microplásticos primários, fabricados intencionalmente em tamanhos reduzidos (como microesferas em cosméticos), e os secundários, resultantes da fragmentação de detritos maiores por processos de intemperismo químico e físico. Exploramos a arquitetura molecular de polímeros comuns como o polietileno (PE), polipropileno (PP) e cloreto de polivinila (PVC), analisando como sua estabilidade química e hidrofobicidade garantem uma persistência ambiental que pode durar séculos.Um dos destaques centrais é o papel dos microplásticos como vetores de poluentes, funcionando através do chamado "Efeito Cavalo de Troia". Devido à sua alta área superficial e natureza química, essas partículas adsorvem e concentram metais pesados (como chumbo e cádmio) e poluentes orgânicos persistentes (POPs), transportando essas toxinas através da cadeia alimentar até o consumo humano. No cenário brasileiro, a gravidade é acentuada: o país descarta potencialmente 3,44 milhões de toneladas de resíduos plásticos no meio ambiente anualmente, com hotspots de contaminação identificados desde solos agrícolas em Minas Gerais até Áreas de Proteção Integral na costa.Analisamos também os avanços alarmantes na toxicologia humana, com microplásticos já detectados em sangue, pulmões, placenta, leite materno e até no cérebro. Discutimos as evidências emergentes que ligam a exposição crônica a riscos de doenças cardiovasculares, distúrbios neurodegenerativos como a demência e riscos ao desenvolvimento pediátrico. Por fim, abordamos as fronteiras da ciência em busca de soluções, desde o uso de IA para detecção avançada até a biorremediação enzimática com enzimas como a PETase, capazes de hidrolisar ligações poliméricas e oferecer um caminho para uma economia circular real.