Como Assim

Inês Rocha/ #ComoAssim / PÚBLICO
Como Assim
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  • Como Assim

    A música está a ser invadida por IA. E se for uma boa notícia? — Como Assim

    11/06/2026 | 32min
    Sete milhões de músicas por dia: é esta a estimativa da Billboard para o volume gerado por uma única ferramenta de inteligência artificial, a Suno, já no final do ano passado. Um ritmo de produção que equivale, a cada duas semanas, à totalidade do catálogo do Spotify.
    Ao mesmo tempo, na plataforma de streaming francesa Deezer, quase metade das músicas novas que entram todos os dias já é feita por IA. E, em alguns casos, até 85% das reproduções dessas faixas são feitas por bots.
    Nunca se produziu tanta música e nunca foi tão difícil perceber de onde vem.
    Num estudo recente, a Deezer convidou nove mil pessoas a distinguir músicas feitas por humanos de músicas geradas por inteligência artificial. O resultado: 97% não conseguiram distinguir.
    A diferença deixou de ser audível. A IA consegue, cada vez mais, fazer música que soe “bem”. O suficiente para passar despercebida, para encaixar numa playlist, para funcionar como fundo. E, às vezes, o suficiente para conseguir contratos milionários: a artista de IA Xania Monet, por exemplo, assinou recentemente um contrato de três milhões de dólares com a editora norte-americana Halwood Media.
    Toda a lógica do streaming parece favorecer este tipo de música: funcional, indistinta, fácil de produzir, fácil de consumir. Música que não exige atenção e que, por isso, também não precisa de autor.
    Se uma máquina consegue fazer isso de forma mais eficaz do que um humano, o que acontece a seguir?
    No último episódio desta temporada do “Como Assim?”, tentamos perceber exactamente isso: o que muda quando desaparece a fronteira entre o humano e a máquina. O que é que ainda procuramos quando ouvimos música? E que valor lhe damos?
    No meio desta inundação, a inteligência artificial pode, afinal, estar a fazer-nos um favor?
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  • Como Assim

    Tricô, croché, bordado: os "hobbies" de avós podem salvar-nos dos ecrãs? — Como Assim

    27/05/2026 | 29min
    Num espaço de cowork em Lisboa, há um conjunto de mesas ocupadas por linhas, agulhas e pedaços de tecido com desenhos a preto e branco. À volta, um grupo de pessoas na casa dos 30 e 40 anos tenta aprender a bordar.
    Cada uma tem um kit já preparado: pano, agulha, linhas. E, ao lado, uma “avó” explica por onde começar, corrige pontos, sugere ideias, elogia progressos.
    O ritmo é lento. Há chá, há bolachas. E há conversa que rapidamente vai para lá do bordado.
    O cenário podia pertencer a outra época. Mas não.
    Este workshop é organizado pela The Manual Break, uma associação criada precisamente com essa ideia: abrir espaço, na rotina, para fazer coisas com as mãos — e, ao mesmo tempo, criar contexto para isso acontecer em grupo.
    A premissa é simples: parar um pouco, desligar de um dia-a-dia fragmentado, e dedicar tempo a uma actividade manual.
    Este não é um caso isolado. Nos últimos anos, em Portugal, têm-se multiplicado iniciativas deste género: workshops, encontros informais, cursos, eventos pontuais e até retiros dedicados a práticas como cerâmica, costura, bordado ou carpintaria. Em muitos casos, com listas de espera.
    Ao mesmo tempo, há sinais de que estas práticas estão a ganhar nova visibilidade.
    Plataformas como a Etsy têm registado um aumento na procura por produtos têxteis feitos à mão, com o croché e o tricô a surgir como tendências em crescimento, em particular entre públicos mais novos.
    Mas este fenómeno vai além da estética.
    Durante grande parte do século XX, estas eram actividades de necessidade: fazia-se roupa, reparavam-se peças, produziam-se objectos para uso quotidiano.
    Hoje, surgem em contextos muito diferentes — como forma de lazer, de descanso, de expressão criativa.
    Mas Como Assim?
    O que leva cada vez mais pessoas a procurar este tipo de actividades?
    Porque é que surgem agora e por que razão atraem tantas pessoas que cresceram longe destes saberes?
    E o que é que isto nos diz sobre a forma como estamos a ocupar — ou a tentar recuperar — o nosso tempo livre?
    Neste episódio, partimos de um destes workshops para tentar perceber o que está por trás deste regresso às coisas feitas com as mãos.
    E, no caminho, aprendemos a bordar. E a tricotar.
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  • Como Assim

    “Looksmaxxing”: moda perigosa ou mais um fenómeno de histeria colectiva? — Como Assim

    13/05/2026 | 30min
    Ascender. Mogging. Mewing.
    Durante anos, estas palavras circularam em comunidades fechadas da internet. Hoje, aparecem em vídeos virais no TikTok e no Instagram — ao lado de conselhos de ginásio e rotinas de “auto-desenvolvimento”.
    Chamam-lhe looksmaxxing: a ideia de que qualquer homem pode melhorar a sua vida, o seu estatuto e as suas relações, se conseguir melhorar a aparência.
    À primeira vista, parece apenas mais uma versão do velho discurso do “investe em ti próprio”. Mas rapidamente escala para algo diferente. Há vídeos a ensinar a injectar substâncias sem supervisão médica, a consumir estimulantes para perder peso ou até a martelar ossos da cara para mudar o formato do maxilar.
    Para o cirurgião plástico Rúben Malcata Nogueira, este tipo de práticas não resiste a qualquer validação clínica. No consultório, diz, já se vêem as consequências de outras modas vindas das redes sociais. “Quando avançamos com uma cirurgia, estamos a fazer uma alteração definitiva. Não é algo que se possa testar como uma moda”, explica.
    O rosto mais visível deste fenómeno é Clavicular, um jovem norte-americano que transformou estes métodos numa espécie de manual. Mostra resultados, vende programas e apresenta-se como prova de que o método funciona.
    Clavicular não tem uma base de seguidores muito diferente de muitos outros criadores. Ainda assim, parece estar em todo o lado — nas redes sociais, na imprensa internacional, no feed de quem nunca o procurou.
    Há centenas de milhares de vídeos associados ao seu nome a circular online e, juntos, acumulam milhares de milhões de visualizações.
    A sensação de omnipresença não é acidental. E ajuda a explicar como uma subcultura que nasceu em fóruns marginais se tornou, em poucos meses, parte do conteúdo que chega a milhões de jovens.
    Para Tiago Rolino, que tem investigado diferentes masculinidades no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o “looksmaxxing” não cria uma nova masculinidade. Amplifica uma antiga: competitiva, hierárquica, centrada na comparação entre homens.
    Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos no fenómeno do “looksmaxxing” e procuramos perceber que impacto pode estar a ter nos nossos jovens.
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  • Como Assim

    Guerreiras do K-Pop: como a música e animação espalham o “soft power” da Coreia do Sul — Como Assim

    29/04/2026 | 31min
    Em 2025, a história de Rumi, Mira e Zoey — um trio fictício que utiliza a energia dos seus fãs para alimentar uma barreira mágica contra demónios — deixou de ser apenas um sucesso de streaming para se tornar um fenómeno cultural sem precedentes. Em apenas dois meses, tornou-se o filme mais visto da história da Netflix e foi recentemente consagrado com dois Óscares.
    O impacto deste sucesso já se sente em Portugal, onde concertos de tributo esgotaram salas de espectáculo de norte a sul. Em Águeda, na estreia do concerto “A Batalha do K-Pop”, centenas de crianças e adolescentes de tranças roxas e fatos dourados cantaram as letras de cor, demonstrando que as personagens de animação são tratadas como verdadeiros ídolos de carne e osso.
    Não são apenas sessões para crianças: são eventos familiares, com merchandising oficial, coreografias replicadas ao detalhe e momentos de histeria colectiva quando soa “Golden”, a canção que este ano arrecadou o Óscar de Melhor Canção Original e que quebrou recordes ao ficar 43 semanas no topo norte-americano da Billboard.
    O sucesso surpreendeu até quem o fez. A Sony Pictures Animation investiu cerca de 100 milhões de dólares no projecto, mas acabou por vender os direitos à Netflix numa altura em que os cinemas estavam vazios, em plena pandemia. Resultado: passou a galinha dos ovos de ouro à concorrente e arrecadou apenas 20 milhões de dólares com o projecto.
    Mas “como assim”?
    Como é que um filme de animação baseado na cultura coreana se tornou um sucesso tão grande no mercado ocidental? Neste episódio, dissecamos o caso das guerreiras do K-Pop e tentamos perceber como o filme conseguiu romper o nicho e chegar ao mainstream no Ocidente. Mas também como encaixa numa estratégia mais ampla de soft power da Coreia do Sul, que há décadas usa o K‑Pop, os dramas televisivos, o cinema e até a gastronomia para exportar a sua identidade cultural e transformar entretenimento em influência global.
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    “Quando tentava parar, davam-me bónus.” Por dentro dos “clubes VIP” do jogo online — Como Assim

    15/04/2026 | 37min
    Abel começou a apostar em resultados de jogos de futebol de forma absolutamente banal: aproveitou um bónus de boas-vindas de uma casa de apostas e apostou numa brincadeira entre amigos. A coisa correu bem. A certa altura, houve uma “fezada”. Uma sorte de principiante que deu um prémio avultado.
    Normalmente, é assim que tudo começa. O ganho fica gravado no cérebro: nunca mais é esquecido.
    A partir daí, para alguns, as apostas deixam de ser só lazer. Depois dos ganhos, vêm as perdas. O jogador passa a apostar para recuperar, para resolver os problemas que o próprio jogo criou.
    As histórias dos jogadores patológicas são normalmente muito parecidas. Mas há um factor menos conhecido neste percurso: o papel das casas de apostas na perda do controlo.
    Em Portugal, o jogo online é um mercado regulado. A lei obriga os operadores a promover o jogo responsável e a sinalizar comportamentos de risco. Mas os relatos mostram outro padrão: quando os gastos disparam, nem sempre surgem travões. Às vezes, surgem incentivos.
    Estatutos VIP, gestores de conta, convites para camarotes, cabazes, dispositivos electrónicos. E sobretudo bónus.
    Como em qualquer sector comercial, é normal que existam estratégias de fidelização. Nos casinos físicos, o tratamento personalizado é uma prática comum. Isso não é um problema quando estamos a falar de clientes com comportamentos de jogo saudáveis.
    Mas, segundo os jogadores que ouvimos, por vezes estes incentivos aparecem nos momentos mais frágeis: depois de perdas grandes, durante pausas por exaustão, ou quando já não há mais dinheiro para jogar.
    O que acontece, então, quando este tipo de estratégias é aplicado a pessoas que já estão a jogar compulsivamente?
    Neste episódio do podcast Como Assim, falamos com a psiquiatra Inês Homem de Melo, o jurista Luís Pisco, da Deco, com o advogado Filipe Mayer sobre os limites da lei, sobre o que é obrigatório e o que fica em zonas cinzentas. Ouvimos também a APAJO, a associação que reúne alguns dos operadores licenciados em Portugal.
    Mas há um mercado onde nada disto se aplica: o mercado ilegal do jogo online. Plataformas sem licença, sem deveres de protecção ao jogador, onde a auto-exclusão é dificultada e o contacto é constante. Segundo os jogadores que ouvimos, é muitas vezes depois de sair do mercado legal que os jogadores passam a ser abordados por estes sites.
    É aqui que entram os influencers. Ex‑participantes de reality shows, criadores de conteúdos e figuras com grande alcance nas redes sociais continuam a promover estes casinos ilegais, muitas vezes de forma dissimulada, através de códigos, links ou stories pagos.
    No último episódio, concluímos que as apostas online estão por todo o lado; agora, olhamos para todo este circuito: do mercado regulado aos contextos em que a recaída é activamente incentivada.
    Nota: duas das vozes que ouvimos neste episódio foram recriadas com recurso a inteligência artificial, para proteger a identidade das pessoas entrevistadas.
    Se este tema te é difícil, ou se reconheces sinais de jogo problemático em ti ou em alguém próximo, a ajuda existe.
    A APAJO disponibiliza uma linha de apoio com psicólogos especializados, todos os dias entre as 16h e as 20h.
    Os Jogadores Anónimos têm reuniões regulares, presenciais e online. Pedir ajuda pode ser o primeiro passo para sair do ciclo.
    Se estiveres a atravessar uma crise emocional grave ou pensamentos suicidas, podes ligar gratuitamente para o SNS 24 (808 24 24 24), opção de apoio psicológico, ou procurar ajuda imediata ligando para o 112.
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Sobre Como Assim
#ComoAssim é um podcast do PÚBLICO sobre fenómenos da cultura pop e das redes sociais. A jornalista Inês Rocha desconstrói as nossas obsessões colectivas, para perceber o que está por trás daquilo de que “toda a gente fala”. Um podcast sobre tendências digitais, comportamento online, viralidade, cultura da internet e o impacto das plataformas na forma como vivemos, pensamos e sentimos. Publicado quinzenalmente às quartas-feiras.
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