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Estoicismo 2.0

João Zarco
Estoicismo 2.0
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  • Estoicismo 2.0

    071 Protege a tua atenção

    21/07/2026 | 6min
    Protege a tua atenção
    Vivemos na era da economia da atenção. Uma economia onde o bem mais valioso já não é o dinheiro, nem o petróleo, nem sequer a informação. É a nossa atenção.
    A nossa atenção é limitada. Cada minuto que dedicamos a uma coisa é um minuto que deixamos de dedicar a outra. Para Herbert Simon, "a riqueza da informação cria pobreza de atenção." Nunca tivemos tanto conteúdo disponível, mas nunca foi tão difícil manter a concentração.
    Todos os dias travamos milhares de pequenas batalhas na nossa mente. Vídeos, mensagens, notificações, e-mails, publicações, notícias e anúncios competem pelo mesmo recurso: o nosso foco.
    Quando milhares de estímulos disputam a atenção, só tem foco quem tem disciplina interior.
    Atualmente, na era digital, se uma aplicação é gratuita é porque o produto somos nós.
    Todas as redes sociais vivem do tempo que lhes oferecemos. Captam a nossa atenção, mantêm-nos ligados o maior tempo possível e vendem esse tempo aos anunciantes. Quanto mais tempo permanecemos no ecrã, maior é o lucro que geram.
    Nada disto acontece por acaso.
    O scroll infinito impede-nos de sentir que chegámos ao fim. As notificações interrompem o nosso dia precisamente quando estávamos concentrados. Os algoritmos aprendem aquilo de que gostamos, o que nos revolta e o que nos prende, oferecendo sempre mais um vídeo, mais uma publicação, mais uma razão para não largarmos o telemóvel.
    O resultado é silencioso, mas profundo.
  • Estoicismo 2.0

    070 Como anular pensamentos negativos

    21/07/2026 | 6min
    Como anular maus pensamentos
    Anular maus pensamentos não é um exercício de serenidade: é um combate, um ato de rebeldia. É recusar ser escravo de hábitos mentais que nos diminuem.
    A mente humana foi concebida para procurar padrões, antecipar perigos e resolver problemas. Durante as cerca de dezasseis horas em que permanecemos acordados, milhares de pensamentos atravessam a nossa consciência. Alguns são úteis. Outros são apenas ruído. Muitos nem sequer correspondem à realidade.
    Podemos conseguir silenciar a mente durante alguns instantes, mas rapidamente somos invadidos por novas ideias que emergem do inconsciente. Calar a mente é como travar um comboio em alta velocidade ou deter o vento com as mãos.
    A meditação consegue criar momentos de silêncio mental, num espaço calmo, de olhos fechados, sem distrações, mas no ritmo acelerado da vida, rodeados de estímulos, é quase impossível impedir que os pensamentos apareçam.
    A boa notícia é que não precisamos de os eliminar. Necessitamos apenas de deixar de lhes obedecer.
    Um pensamento negativo combate‑se com outro pensamento mais forte, mais verdadeiro, mais afirmativo. A força não está em expulsar a sombra, mas em acender uma luz maior.
  • Estoicismo 2.0

    069 A arte de viver o presente

    21/07/2026 | 6min
    A arte de viver o presente
    Vivemos rodeados de estímulos, de ruídos, de pressas. E, no entanto, podemos aprender a viver o presente como quem aprende a andar de novo.
    Cada instante é uma porta aberta, mas quase sempre passamos por ela a correr, sem reparar no que existe do outro lado. A arte de viver o presente é a arte de recuperar a atenção perdida.
    A vida é agora. Não é nem ontem nem amanhã. Sentimos a força do presente quando paramos, mesmo que por segundos, para observar o que está diante de nós. 
    Estarmos parados numa fila de espera irrita-nos. Contamos os minutos, desejamos que o tempo passe depressa. Mas podemos transformar esse momento num exercício de presença. Respiramos fundo, sentimos o corpo, observamos o ambiente sem julgamento. 
    Segundo Séneca, apressamo-nos demasiado e a vida escapa-nos.
    Quando deixamos de lutar contra o tempo, o tempo deixa de lutar contra nós.
    Quantas vezes procuramos o telemóvel sem necessidade? Mas podemos escolher não ser arrastados por esse impulso. Podemos dizer a nós próprios: "A minha atenção é demasiado valiosa para ser oferecida de graça.
  • Estoicismo 2.0

    068 Ser indiferente às coisas indiferentes

    21/07/2026 | 6min
    Ser indiferente às coisas indiferentes.
    Grande parte do que nos acontece na vida são coisas indiferentes, que recebem demasiada atenção e prejudicam o nosso bem-estar. São leves gotas que caem e, de repente, transformam-se num dilúvio. No entanto, muitas dessas gotas são insignificantes, não merecem atenção nem energia. São partes da vida, aspetos menos positivos que sempre nos irão acontecer.
    Se estas insignificâncias nos incomodam e são recorrentes, há todo o interesse em lhes sermos indiferentes, para desfrutar dos dias com mais tranquilidade.
    Queremos paz, mas alimentamos tempestades. Culpamos o mundo pelas amarguras, mas não é ele o causador do desconforto. Somos nós que lhe damos força, somos nós que alimentamos o mau estar com uma imaginação infantil, que não compreende nem domina os contratempos da vida.
    Se uma criança parte a janela da nossa sala, esse acontecimento é inerte, não tem a capacidade de nos incomodar. Somos nós que nos concentramos no preço do vidro, no tempo que demora a trocar, no frio que irá entrar e produzimos julgamentos sobre a janela partida. Somos nós partimos a mente ao desencadear emoções amargas, no entanto, também somos nós que temos a capacidade de diminuir a importância deste acontecimento.
    Marco Aurélio ensina-nos a evitar o massacre mental gerado por coisas insignificantes, ao afirmar que para viver da melhor maneira, basta que sejamos indiferentes às coisas que são, por natureza, indiferentes.
  • Estoicismo 2.0

    067 por que é difícil viver o presente

    03/07/2026 | 7min
    Por que é difícil viver o presente?
    Quando nos colocamos numa sala vazia, em silêncio absoluto, a reação não é de paz, mas de pânico mental.
    A mente não suporta o vazio. Ela teme o silêncio. Prefere inventar ruídos, acender pensamentos, criar labirintos para não encarar o espaço aberto dentro de si.
    Isto acontece devido à biologia humana. O cérebro é uma máquina de sobrevivência, não é um mestre zen. Entende que, para existir, tem de viajar no tempo. Vai ao passado, para rever erros e garantir que não os repete, e salta para o futuro, para antecipar perigos.
    A mente evoluiu para ser como um guarda noturno paranoico, em vigilância constante. Um guarda que patrulha os corredores e procura assaltantes em todas as divisões, mesmo quando o edifício está seguro.
    É difícil viver o presente porque, durante milhões de anos, na savana primitiva, o perigo era letal. Relaxar totalmente, nesse ambiente selvagem, significava ser o almoço de um predador. Por esta razão, a mente primitiva lê a ausência de estímulos como uma ameaça e, para defesa, fabrica pensamentos a uma velocidade alucinante.
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