986 episódios
- No Pop Corner de hoje, o Brasil encara mais um retrato da própria decadência cultural: o retorno do Xou da Xuxa, agora com nostalgia, Paquitas, jornalistas emocionadas, letras estranhas, infância sexualizada e uma elite midiática que dança feito criança enquanto posa de bússola moral da nação. Da Xuxa à GloboNews, da pornochanchada ao funk, o programa discute como a infantilização virou projeto estético e como o Brasil normalizou a baixaria como memória afetiva.
Depois, a conversa passa para a Odisseia de Christopher Nolan, Dom Pedro II traduzindo Homero, mitologia, decadência, piedade, tragédia, Ulisses, Helena, Circe, povos do mar e a guerra cultural em torno das adaptações modernas. Entre a fenda da Xuxa e as partes íntimas de Helena, o Pop Corner tenta entender por que tudo ficou invertido: o pueril virou sério, o sério virou piada, e a cultura passou a ser julgada menos pelo que ela é do que pelo lado político que parece servir.
Com Lucas Honorato, Filipe Trielli e Mafinha Summers. - No Mesa Pra Dois de hoje, a conversa entra no coração do pensamento revolucionário: a ideia moderna de que não basta interpretar o mundo, é preciso transformá-lo radicalmente. De Marx às revoluções vermelhas, passando pela luta de classes, pela ideologia e pela promessa de libertação dos oprimidos, o programa discute como esse impulso deixou de ser mera proposta de reforma e se tornou uma religião secularizada — com dogmas, culto, moral própria e promessa de paraíso na Terra.
O problema é que todo projeto político que promete redenção total acaba substituindo Deus pelo partido, a transcendência pela imanência e a salvação pela tomada de poder. Da cultura revolucionária às pautas identitárias, da destruição da linguagem ao uso estratégico da democracia, a pergunta permanece: quando a política vira messianismo, quanto tempo falta para o paraíso prometido entregar o inferno real? - Cuba é vendida há décadas como paraíso da educação pública, gratuita e de qualidade. Mas, quando saímos da propaganda e olhamos para os dados disponíveis, a miragem começa a desmanchar: o país não participa do PISA, do TIMSS, do PIRLS nem da pesquisa TALIS. Ou seja, o suposto modelo de excelência educacional evita justamente os principais exames internacionais capazes de comparar seu desempenho com o resto do mundo.
Nos poucos testes regionais da UNESCO em que Cuba apareceu, o resultado recente já não sustenta o mito: em 2019, os estudantes cubanos ficaram em patamar parecido ao dos brasileiros — o que, convenhamos, está longe de ser certificado de excelência. Para completar, nenhuma universidade cubana aparece entre as 1.594 instituições do Leiden Ranking de impacto científico. No fim, a educação cubana parece funcionar melhor como peça de propaganda para socialista com filho estudando fora do que como modelo real de formação, liberdade e ciência.
Com Anamaria Camargo. - O Programa 5º Elemento de hoje parte de uma imagem perfeita do Brasil atual: o sujeito parcelando marmita no iFood enquanto banco, varejo, plataforma, Estado e Faria Lima disputam quem arranca o último pedaço do salário. A conversa passa pela financeirização da economia, juros altos, concentração de mercado, endividamento das famílias, split payment, crédito para consumo e um país que virou máquina de transferir dinheiro de quem trabalha para quem vive da dívida alheia.
Também entram na mesa Flávio Bolsonaro, Bolsa Família, direita liberal sem misericórdia, assistência social, soberania tecnológica, inteligência artificial e o Brasil discutindo miudeza enquanto o mundo reorganiza indústria, ciência e poder. Para fechar, ainda sobra pancada nos palpiteiros de ocasião: gente que opina sobre economia, Pelé, Messi, Odisseia e fascismo com a mesma profundidade de quem leu três posts e já abriu consultoria de civilização.
Com Lucas Honorato, Carlos de Freitas, Filipe Trielli e Luigi Marnoto. - A economia mundial já não é mais ditada apenas por interesses comerciais; os ecossistemas de desenvolvimento de tecnologia estão moldando as instituições políticas e as relações internacionais. A geopolítica da mineração reescreve a ordem global, transformando minerais críticos em armas de segurança nacional. É evidente que a China consolidou sua hegemonia utilizando o controle de terras raras para asfixiar adversários. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reordenam sua base industrial e forjam alianças estratégicas para romper essa dependência.
Enquanto isso, nações desorientadas perdem relevância ao ignorar a fusão entre defesa e capacidade produtiva. Por outro lado, potências asiáticas articulam novos blocos de segurança energética. Além disso, a neutralidade comercial tornou-se obsoleta. A sobrevivência estatal exige o domínio físico das cadeias de suprimentos, enterrando definitivamente a era em que a economia operava desvinculada da força territorial e baseada no rentismo.
Com Arthur Machado.
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