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Conexões Afro-Lusófonas

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    Conexões Afro-Lusófonas #13: Angola vai incorporar línguas nativas em seu sistema de ensino formal

    06/07/2026 | 28min
    Nesta edição do programa Conexões Afro-Lusófonas, o bate-papo foi sobre a educação e a cultura em Angola. Para aprofundar o tema, recebemos a professora Vanda Odete Afonso da Silva, chefe da área de desenvolvimento e gestão curricular do Instituto Nacional de Avaliação e Desenvolvimento (INAD) de Angola, e o professor Osvaldo Augusto Chissonde Mame, que realizou estágio pós-doutoral pela Faculdade de Educação (FE) da USP, onde analisou o currículo de matemática do sistema de ensino angolano.
    Vanda Odete Afonso da Silva. Foto: Arquivo
    Vanda descreve como funciona o sistema de ensino em seu país e aponta similaridades com o modelo brasileiro. “Em Angola, a nossa lei educacional estabelece cinco níveis de ensino, que constituem a progressão vertical que o estudante cumpre. Mas existe também o ‘modo horizontal’, no qual há subsistemas de ensino, como o destinado a jovens e adultos. Contudo, sempre existe entre os níveis uma relação de hierarquia”, destaca.
    Em todos os níveis de ensino, o idioma oficial é o português. Como lembra Vanda, a legislação denomina os idiomas ancestrais como “línguas de Angola de origem africana”. “Até pouco tempo, estas línguas não estavam definidas, do ponto de vista institucional, como componentes do ensino”, aponta a professora. “Mas, de acordo com a Lei de Bases, deve haver a massificação das línguas de Angola, sendo necessário utilizar as línguas maternas — como chamamos as línguas ancestrais — no processo de ensino e aprendizagem”, afirma, destacando que este é “um caminho a ser percorrido”.
    Hoje, Angola possui mais de 40 línguas maternas, a grande maioria de origem bantu. Entre as principais e mais faladas estão o umbundo (falado por cerca de 23% a 26% da população), o kimbundo, o kikongo e o tchokwe (ou ucôkwe), entre outras.
    Preservando a cultura local
    Osvaldo Augusto Chissonde Mame. Foto: Arquivo
    Outro aspecto da Lei de Bases do Sistema Educacional de Angola destacado pelos professores é o artigo 105, que determina a  inserção de conteúdos da cultura local no currículo nacional. “O artigo estabelece que 20% do currículo nacional deve ser ligado aos conhecimentos culturais da zona em que se processa o ensino”, destaca o professor Mame.
    A medida visa combater diretamente a herança  colonial, marcada pelo apagamento da identidade angolana. Como descreve Mame,  o processo de colonização criou divisões profundas na sociedade, onde parte da população adotava integralmente o modo de vida europeu. “Eram os chamados ‘assimilados’, pessoas que incorporavam a cultura do colonizador, e ganhavam, inclusive, o direito à identidade europeia”, conta o professor.

    Conexões Afro-Lusófonas
    Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link.
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    Conexões Afro-Lusófonas #12: Guiné Equatorial tem taxa de alfabetização superior a 90%

    09/06/2026 | 29min
    Neste episódio do Conexões Afro-Lusófonas, os professores Paulo Speller e Yaurelis Palácios, da Universidade Afro-Americana da África Central (AAUCA), conversam com o jornalista Antonio Carlos Quinto e com o professor Ricardo Alexino Ferreira sobre a educação e a cultura na Guiné Equatorial. Speller, que é brasileiro, ocupa o cargo de reitor da instituição. Yaurelis, que veio da Venezuela  e está na AAUCA há seis anos, fez estágio pós-doutoral em Educação, Sociedade e Ambiente.
    De acordo com Speller, os baixos índices de analfabetismo no país  devem-se, entre outros fatores, às suas dimensões territoriais. “Somos um país pequeno e contamos com uma rede de educação básica altamente capilarizada, que atinge praticamente toda a população”, explicou o reitor. 
    A AUUCA vem colaborando com a criação da Cátedra Unesco de Educação e Cultura Afro-Hispano-Americana, sediada na própria Universidade, na Cidade da Paz ( província de Djibloho). “A alfabetização é um dos eixos principais da cátedra, assim como os desafios que esta rede escolar enfrenta no país, a exemplo da formação de professores e da produção de materiais didáticos”, descreveu Speller, completando: “Nesse sentido, contamos com a importante colaboração da professora Yaurelis Palácio”. A Cátedra completou um ano em abril deste 2026.
    Sob a coordenação da professora Yaurelis, a Cátedra desenvolve um projeto que acolhe crianças desde a pré-escola. “O acompanhamento segue até o que vocês, no Brasil, denominam ensino médio”, pontuou a professora. A iniciativa faz uma analogia com a ceiba, que é a árvore nacional e em semente, porque é aquilo que germina. “Buscamos  comparar essa semente que germina com as crianças, que no final se desenvolvem”, explicou a docente. Ela destacou ainda que o projeto é estruturado em  quatro grandes blocos pensados para apoiar  o crescimento dos estudantes e o trabalho dos educadores. Ou seja:  a formação das crianças, a capacitação dos docentes, o envolvimento da comunidade, e a identificação das carências do sistema para a futura melhoria da infraestrutura. 
    Línguas vernáculas
    Outra iniciativa em andamento na AAUCA é a criação de uma Academia de Línguas Vernáculas de Guiné Equatorial. “A Guiné Equatorial é o único país africano, entre os 55 do continente, que tem o espanhol como uma de suas línguas oficiais. Além dos idiomas oficiais: espanhol, francês e português, existem cinco ou seis línguas nacionais, vernáculas, que são faladas pela população até hoje”, destacou o reitor.
    Speller lembrou também que a Guiné Equatorial tem uma população de aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. “É um território   com cerca de 28 mil quilômetros quadrados, mais ou menos o tamanho de um estado brasileiro como Sergipe”, comparou. 
    Desde janeiro deste ano, o país tem nova capital. Cidade da Paz substituiu Malabo de acordo com um decreto assinado pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. 
    Guiné-Equatorial. Foto: Wikipedia Commons
    Universidade Afro-Americana da África Central. Foto: Wikipedia Commons

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    Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link.
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    Conexões Afro-Lusófonas #11: O racismo no Brasil sob o olhar de intercambistas africanos

    04/05/2026 | 27min
    Na chegada ao Brasil, os professores Paulo Balaca, João Samoma Fernando e José Bembo Manoel trouxeram consigo conhecimentos prévios sobre a cultura, a educação e o clima brasileiros. Hoje, já integrados ao cotidiano do País, os docentes relatam neste segundo episódio do Conexões Afro-Lusófonas que, embora tenham sido bem recebidos, um dos aspectos que mais os impactou foi se deparar com o racismo estrutural.
    Da esquerda para à direita: Paulo Balaca, José Bembo, João Samoma Fernando e Antonio Carlos Quinto. Foto: Julio Cesar Bazanini
    “As expectativas eram muitas”, destaca João Samoma Fernando. Professor de Álgebra Linear no Instituto Superior de Educação de Huambo, em Angola, ele está no Brasil há dois anos para o doutorado em Engenharia Naval na Poli-USP. “Fui bem recebido, apesar de notar algumas coisas estranhas, entre elas, o racismo e a discriminação que ocorrem por aqui”, declara. Samoma compartilha experiências marcantes, como situações vividas no transporte público: “Ao subir em um ônibus e sentar ao lado de uma pessoa não negra, ela se levantou. Isso aconteceu comigo mais de uma vez, inclusive no metrô”.
    Discriminação racial e social
    Para Paulo Balaca, a questão racial no Brasil vem junto do preconceito social. “As pessoas de menor poder aquisitivo são claramente discriminadas”, avalia o pós-doutorando da Poli Mecânica. Com a experiência de ter cursado mestrado em Coimbra, Portugal, Balaca estabelece um comparativo: “Lá, o racismo é mais evidente e declarado. Aqui, mesmo com as dificuldades, aprendemos a nos ‘desviar’ disso. Como estrangeiros e africanos, racionalizamos essas situações e, com o tempo, aprendemos a lidar com a lógica local”.
    Na opinião de José Bembo Manoel, que cursa o programa de doutorado na Faculdade de Educação da USP, ressalta que, apesar do racismo, encontrou muitas pessoas de bem no Brasil. No entanto, o convívio diário no campus trouxe estratégias de autoproteção. Os professores aprenderam, por exemplo, que o uso de vestimentas com a identificação da universidade funciona como um “escudo” social. “Usar uma camiseta ou um moletom escrito ‘USP’ faz com que as pessoas nos olhem com um pouco mais de respeito. Seguimos esse conselho”, revela Bembo.
    Além dos desafios sociais, os docentes comentaram sobre a adaptação às oscilações meteorológicas da capital paulista. “É sempre bom ter um guarda-chuva às mãos; ainda estamos nos adaptando ao clima da cidade”, finaliza Bembo.

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    Conexões Afro-Lusófonas têm o objetivo de fortalecer os laços culturais entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa. O programa apresenta entrevistas exclusivas explorando as culturas, músicas, diversidades e políticas desses países, promovendo um intercâmbio de conhecimentos. Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês na Rádio USP (93,7 MHz, em São Paulo, e 107,9 MHz, em Ribeirão Preto) Apresentador: Antonio Carlos Quinto Narradora: Tabita Said Participação: Ricardo Alexino Ferreira Edição e captação de áudio: Julio Cesar BazaniniIdentidade Sonora: Bruno Torres Coordenadora de Programas Especiais: Magaly Prado É possível também sintonizar a versão podcast pela internet em jornal.usp.br/podcasts/ Todos os episódios de Conexões Afro-Lusófonas estão disponíveis na página de seu arquivo neste link.
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    Conexões Afro-Lusófonas #10: Intercâmbio entre USP e Angola fortalece a produção de conhecimento

    06/04/2026 | 29min
    Em toda a USP, diversas unidades de ensino possuem em seus quadros de graduação e pós, mestrado e doutorado, estudantes estrangeiros. Neste primeiro programa da segunda temporada de Conexões Afro-Lusófonas, nosso bate-papo foi com três professores angolanos que cursam mestrado e doutorado na Escola Politécnica da USP (Poli) e na Faculdade de Educação.
    Da esquerda para à direita: Paulo Balaca, José Bembo, João Samoma Fernando e Antonio Carlos Quinto. Foto: Julio Cesar Bazanini
    Paulo Balaca é engenheiro mecânico com mestrado concluído em Coimbra, Portugal, e integra o programa de doutorado em engenharia estrutural da Poli. “Em Angola trabalhei na geração de energia atuando, inclusive, na refinaria do Lobito”, contou. A refinaria do Lobito é um projeto estratégico localizado na província de Benguela, concebido para processar 200.000 barris de petróleo por dia. 
    “Meu objetivo é sair do Brasil com a formação toda ela bem elaborada e dar uma grande contribuição ao meu país”. A expectativa é do professor João Samoma Fernando, docente universitário em álgebra linear, no Instituto Superior de Educação de Huambo, em Angola. Na Escola Politécnica, Fernando cursa o doutorado em Engenharia Naval. “Cheguei aqui por um convênio do governo de Angola com a USP”, contou. 
    De forma independente
    José Bembo Manoel chegou ao curso de doutorado na Faculdade de Educação (FE) da USP por iniciativa própria. “Sou docente da Escola Superior Pedagógica do Bengo, em Angola, e trabalho no departamento de letras modernas, dando aulas de literaturas e algumas disciplinas de linguística”, contou. “Fiz minha candidatura a partir de Angola. Concorri, fui aprovado e vim ao Brasil. Vou custeando minha permanência como posso, com verbas que vou conseguindo de alguma prestação de serviço que eu faço de forma remota, a partir de Angola”, revelou o docente. 
    Todos têm em comum o mesmo objetivo: retornar a Angola e levar os conhecimentos aqui adquiridos. José Bembo, por sua vinculação em Angola, no departamento de letras modernas que forma professores, descreve um dos objetivos de seus estudos. “A minha pesquisa visa justamente, de alguma forma, propor ou mitigar algumas fragilidades que existem dentro do curso, dentro do departamento”, descreveu.

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    Educação e cultura guiam a segunda temporada de Conexões Afro-Lusófonas

    27/03/2026 | 0min
    O podcast Conexões Afro-Lusófonas segue em sua iniciativa de estreitar os laços culturais e informativos entre o Brasil e os seis países africanos de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
    Com estreia marcada para o dia 3 de abril, às 17 horas, o programa terá periodicidade mensal, sempre na  primeira sexta-feira de cada mês, a temporada promete uma curadoria de vozes a partir de entrevistas exclusivas com jornalistas, professores e pesquisadores diretamente da África trazendo as realidades locais para o centro do debate.  O objetivo é promover o intercâmbio de conhecimentos em uma imersão na educação e cultura dessas nações e sua importância para o desenvolvimento desses países. 
    Da esquerda para à direita: Paulo Balaca, José Bembo, João Samoma Fernando e Antonio Carlos Quinto. Foto: Julio Cesar Bazanini

    Recebemos nos estúdios da Rádio USP, para um bate-papo, estudantes (foto) que vieram de países africanos de língua portuguesa para estudar na Universidade de São Paulo. A conversa é sobre as  expectativas antes de chegar ao Brasil, as diferentes abordagens educacionais, e de suas experiências na adaptação à cultura e aos costumes brasileiros.
    Ouça a chamada no player acima

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