241 episódios
- Duas em cada dez pessoas carregam essa comunicação no coração sem nunca saber, e boa parte só descobre quando um AVC aparece do nada.
O forame oval patente é o verdadeiro culpado? Ou só um espectador inocente no ecocardiograma?
Para destrinchar um dos temas mais comuns (e mais mal compreendidos) da prática cardiológica, o Mateus Prata e William Batah somam forças.
O motivo desse papo ser essencial agora: a angiotomografia tem aumentado muito o diagnóstico incidental de FOP, e cada vez mais colegas ficam na dúvida sobre o que fazer com esse achado.
Neste episódio você vai aprender:
📌 O que realmente é o forame oval patente e por que 25% dos adultos (2 bilhões de pessoas no mundo) mantêm essa "válvula" aberta
📌 Os dois achados ecocardiográficos que mais aumentam o risco de AVC pelo FOP: mais de 20 microbolhas e aneurisma do septo interatrial
📌 Como usar o RoPE Score e a classificação PASCAL para saber se aquele FOP é mesmo o responsável pelo AVC
📌 O fluxograma completo de investigação (eco transtorácico, transesofágico, doppler transcraniano e angiotomografia) e quando pedir cada exame
📌 Os números reais dos grandes estudos (CLOSURE, RESPECT, CLOSE, REDUCE, DEFENSE-PFO): o que a redução relativa de 60% no risco de AVC significa na prática
📌 Como é feito o fechamento percutâneo com a prótese tipo duplo-disco (Amplatzer), passo a passo
📌 As complicações que todo cardiologista precisa discutir antes de indicar o procedimento, da fibrilação atrial à embolização do dispositivo
📌 Platipneia-ortodeoxia, mergulho e viagens de avião: os cenários menos óbvios em que o FOP faz toda a diferença
Minutagem:
00:00 Abertura e convite para o MEV Global
01:07 O que é o forame oval patente e evidências da associação com AVC
07:09 Achados de alto risco no eco e mecanismos de embolização
08:07 Doenças associadas: migrânia, platipneia-ortodeoxia, mergulho e astronautas
14:58 Investigação do AVC: cardioembólico, criptogênico e ESUS
20:44 Fluxograma diagnóstico do FOP
24:26 RoPE Score e classificação PASCAL
28:44 Os estudos que mudaram a prática e quem deve fechar o FOP
32:44 O procedimento e suas complicações
38:00 Recapitulação, direções futuras e encerramento
O ponto mais provocador do episódio: mesmo com redução relativa de até 60% no risco de AVC recorrente, o benefício absoluto do fechamento é pequeno. O NNT varia de 32 a 200 dependendo do estudo.
Ou seja, a decisão de fechar (ou não) um FOP passa muito mais pela seleção certa do paciente, via RoPE Score e critérios PASCAL, do que por indicação em massa.
E pra quem encontra um FOP "de passagem" num exame de rotina, sem AVC nem sintoma nenhum: hoje, ainda não existe evidência para fechar.
Para quem é esse episódio: cardiologistas, neurologistas, clínicos e residentes que atendem pacientes jovens com AVC criptogênico, ou que já ficaram na dúvida na frente de um FOP achado "sem querer" no eco.
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👉 https://escola.mevbrasil.com.br/doze Microplástico: o novo fator de risco cardiovascular? - Ft. Fernanda Batista, PhD (DozeCast 237)
20/08/2026 | 59minMicroplástico já foi encontrado na placenta, no sêmen, no cérebro e até dentro da placa de ateroma da carótida.
A dúvida que fica: isso é causa de doença cardiovascular ou só um espectador que estava passando por ali?
Para destrinchar esse tema, o DozeCast recebeu Fernanda Batista, farmacêutica pela USP Ribeirão Preto, com mestrado, doutorado e pós-doutorado pela USP São Carlos e coordenadora do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese.
Fernanda lidera pesquisas próprias sobre microplásticos em pacientes cardiopatas e traz uma leitura rigorosa, sem sensacionalismo, sobre um assunto que virou febre nas redes sociais.
O dado que mais chama atenção no episódio: num estudo com pacientes de cateterismo, microplástico no sangue apareceu em 84% dos casos de infarto com supra de ST.
Mas quando tabagismo e poluição do ar entraram na conta, esse número foi pra 100%. Ou seja, antes de acusar o pote de plástico da cozinha, talvez o fator de risco de sempre ainda seja o verdadeiro responsável pela história.
Episódio para cardiologistas, residentes e estudantes que já foram questionados por um paciente sobre microplástico e não sabiam bem o que responder.
⏱️ Minutagem:
00:00 Abertura do episódio
01:45 Apresentação da convidada Fernanda Batista
02:38 O estudo que colocou o microplástico no radar da cardiologia
03:37 Devo me preocupar com plástico no dia a dia?
07:03 O que é microplástico e nanoplástico, na prática
10:01 Por que aquecer comida em plástico acelera a exposição 11:50 As três vias de absorção: pele, inalação e ingestão
13:40 Bioacumulação na cadeia alimentar
16:01 Cosméticos, garrafa de água e poluição do ar como fontes
19:19 Como o plástico é formado, na prática
20:38 Em quais tecidos do corpo já se encontrou plástico
22:26 Dentro do estudo da carótida: placa, macrófago e hazard ratio 5
23:28 O estudo de julho com pacientes de cateterismo
27:34 Por que ainda não existe padronização pra medir microplástico
29:08 Os fatores confundidores que todo estudo precisa descartar
31:01 Tabagismo e poluição do ar: o verdadeiro fator por trás dos números
35:11 Os dois estudos do Instituto Dante Pazzanese
41:22 O mito dos 5 gramas de plástico por semana
44:41 O que o cardiologista deve (e não deve) fazer no consultório
46:52 "Detox de microplástico": por que essa promessa não existe
51:50 Os números globais da produção de plástico
56:40 Recado final: confie na ciência
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13/08/2026 | 1h 18minSeu paciente treina pesado, tem exames "impecáveis" e quase nunca fala sobre uso de atalhos químicos.
Até o dia em que chega ao pronto-socorro. Quanto você
realmente sabe sobre o paciente que usa anabolizantes?
Neste episódio, William Batah e Fernanda Justo recebem a Dra. Luciana Oliveira, endocrinologista pela UFPR, mestre pela UNIFESP e preceptora do ambulatório de endocrinologia do exercício, para destrinchar um tema que a cardiologia não pode mais ignorar.
Luciana também lidera uma plataforma de notificação de complicações do uso indevido de hormônios e implantes no Brasil, o que dá ao episódio uma visão rara de quem lida com as consequências reais desse uso na prática.
📌 O que você vai aprender:
A epidemiologia real do uso de anabolizantes no Brasil, da academia às escolas, e por que os números são sempre subestimados
A diferença entre hormônio androgênico e anabolizante, e por que isso muda a forma como você pergunta sobre o assunto
Como funcionam os ciclos de bulking e cutting, os principais ésteres de testosterona e suas meias-vidas
O que é a TPC (terapia pós-ciclo) e por que ela importa para quem trata esses pacientes depois
Como interpretar dosagem de testosterona corretamente. variação circadiana, SHBG, e os erros mais comuns de coleta
O que os estudos TRAVERSE (NEJM 2023), a coorte dinamarquesa (Circulation 2025) e o Lancet 2026 realmente mostram sobre risco cardiovascular
As comorbidades psiquiátricas associadas, de transtorno de humor a maior risco de comportamento criminoso
Como conduzir a anamnese e o manejo desse paciente sem julgamento, incluindo desmame e uso de inibidores de aromatase e hCG
O ponto mais provocador do episódio: o TRAVERSE, muitas vezes citado como "prova" de que a testosterona é segura, estudou uma população doente, com metade já com doença cardiovascular estabelecida, usando doses fisiológicas sob monitorização rigorosa, o oposto do que acontece nos ciclos suprafisiológicos do mundo real. Já a coorte dinamarquesa mostrou até 3x mais risco de infarto e 9x mais risco de cardiomiopatia em usuários, e o Lancet 2026 reforça: um terço de toda testosterona prescrita é off-label, com mais risco de eventos cardiovasculares maiores e mortalidade geral.
Esse episódio é para todo cardiologista, residente e estudante que já se deparou, ou vai se deparar, com um paciente que nunca contou que usa hormônios, até o exame ou o evento revelar.
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👉 https://escola.mevbrasil.com.br/doze- Qual o melhor betabloqueador? A resposta clássica é "depende", mas dessa vez ela realmente faz sentido.
Neste episódio, Thaysa Louzada e William Batah destrincham por que existem tantos betabloqueadores diferentes e como escolher o certo para cada paciente.
Um dos fármacos mais prescritos na cardiologia também é um dos que mais geram dúvida na hora H: trocar carvedilol por metoprolol no plantão, decidir entre tartarato e succinato na emergência, ou simplesmente lembrar "quanto eu começo mesmo?".
Neste episódio 235 do DozeCast, a dupla constrói um raciocínio clínico para você olhar para o paciente e saber exatamente qual betabloqueador faz sentido para ele.
📌 O que você vai aprender:
A diferença real entre bloqueio β1, β2 e α1, e por que isso muda a escolha do fármaco
Por que carvedilol costuma controlar melhor a pressão em pacientes hipertensos
As três gerações de betabloqueadores e o papel do perfil metabólico do nebivolol
Lipofilicidade vs hidrofilicidade: o que isso significa na prática renal e hepática
Qual betabloqueador escolher em ICFER, FA, angina estável, QT longo, hipertireoidismo e tremor essencial
Tartarato x succinato de metoprolol: qual usar na emergência e por quê
Se existe (ou não) uma tabela oficial de equivalência de dose entre betabloqueadores
O ponto mais provocador do episódio: não existe tabela oficial validada de equivalência entre betabloqueadores, apenas aproximações de potência.
E mais: trocar pela "dose equivalente" pode ser o maior erro na prática, porque na maioria das vezes a troca acontece justamente por causa de um efeito colateral (hipotensão, bradicardia, broncoespasmo), o que exige começar abaixo da equivalência e titular.
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👉 https://escola.mevbrasil.com.br/doze - Uma FEVE de 39% é IC com fração reduzida.
Uma de 41%, não. Você já parou para pensar em que evidência fisiopatológica esse corte se apoia? A resposta incomoda: nenhuma. Ele é arbitrário e a 2ª Definição Universal de Insuficiência Cardíaca finalmente assume isso.
Neste episódio, Dr. William Batah e Dr. Plínio Wolf destrincham o documento que reorganiza o modo como diagnosticamos, classificamos e acompanhamos IC. Não é um episódio sobre tratamento. É sobre o alicerce conceitual em cima do qual todo o tratamento é construído e que acabou de mudar.
📌 O que você vai aprender:
Por que clínica isolada nunca foi suficiente para diagnosticar IC, e o que a nova definição exige além dos sinais e sintomas
O que significa tratar pré-IC: SOLVD mostrou 29% de redução de morte em assintomáticos com FEVE<35%, e o STOP-HF reduziu disfunção ventricular em 45% rastreando BNP
Por que IC é filme, e não foto, e o que muda quando você passa a enxergar estágios A a D como uma linha contínua
IC com FEVE melhorada: 26 a 46% de prevalência, mas metade recai em 3,5 anos. Quem melhora de verdade, e como prever
Os preditores de remodelamento reverso que valem mais que a FEVE: ausência de realce tardio (11x), etiologia não isquêmica (4,7x), ganho de strain
Por que a nova classificação etiológica em 17 causas não é preciosismo acadêmico, mas mudança de conduta
Worsening heart failure: o conceito que não é IC descompensada nem IC avançada, e carrega 40% de morte ou hospitalização em um ano
Por que a etiologia da IC no Brasil não é a mesma da Europa, e o custo de generalizar diretrizes
O destaque do episódio: mesmo com o Quarteto Fantástico reduzindo 64% da morbimortalidade na ICFEr, o risco residual permanece em 16 eventos cardiovasculares por 100 pacientes-ano.
A nova definição existe justamente para nomear o que esse número esconde, e para orientar o que fazer com os pacientes que continuam piorando apesar do tratamento máximo.
Para cardiologistas, residentes e estudantes que querem entender IC pela lógica, não pela decoreba de cortes numéricos.
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