Os quatro astronautas da NASA na missão Artemis 2 chegaram ontem ao ponto mais distante da Terra (406.778 km). Depois, deram a volta na Lua, colocando olhos verdadeiros sobre o misterioso lado oculto, até então só fotografado por sondas não tripuladas. A manobra planejada por anos previa que durante 40 minutos a tripulação ficasse incomunicável, enquanto tinha a Lua entre si e a Terra. A face oculta lunar é mais montanhosa e tem a crosta mais espessa. Seu estudo pode dar pistas sobre a formação do Sistema Solar e permitir mapear recursos minerais.
A NASA pretende fazer um pouso lunar em 2028. A Artemis 2 faz parte de um plano de longo prazo para estabelecer uma base permanente que sirva de plataforma para futuras explorações. O passo seguinte será pousar em Marte. Após sobrevoar a superfície da Lua por quase sete horas, os quatro tripulantes da Orion iniciaram a viagem de volta à Terra. A Artemis 2 é a primeira missão tripulada à Lua desde dezembro de 1972, quando a NASA encerrou o programa Apollo. A nave deve retornar à Terra na sexta-feira, no Oceano Pacífico, na costa da Califórnia.
Em entrevista à Rádio Eldorado, o astrofísico Gabriel Rodrigues Hickel, que é professor da Universidade Federal de Itajubá (MG), disse que o principal objetivo da missão foi testar o módulo de sobrevivência e o impacto na saúde dos astronautas, além de fazer prospecções minerais para exploração no futuro com apoio da iniciativa privada. “Existe uma nova corrida espacial entre Estados Unidos e China e a linha de chegada está em Marte. A Lua é um ‘pit stop’ para ir até Marte”, afirmou. Segundo ele, o custo para uma missão com destino a Marte seria de US$ 1 trilhão, 10 vezes mais do que o valor gasto até agora com o programa Artemis. “A ida até Marte é impagável neste momento para qualquer nação”, ponderou. Na avaliação de Hickel, uma missão desse tipo deveria ser internacional, com os custos divididos entre países e o setor privado.
See omnystudio.com/listener for privacy information.