Programa Outras Frequências
Du Coleone; Marcel Lamarca; Márcio Scheel

Último episódio
20 episódios
- O que é a sociedade, essa coisa que, tal qual o tempo, para Santo Agostinho, nós temos certeza de que sabemos o que é até que alguém nos peça para explicá-la. A sociedade é a soma dos indivíduos ou, ao contrário, ela é um todo maior do que as partes, funcionando, inclusive, à revelia da compreensão que dela se possa ter? A sociedade é o resultado da ação dos indivíduos, do modo como eles atuam sobre ela, no limite, ela é uma construção deles ou ela existe antes dos próprios indivíduos e agencia até mesmo a crença de que são eles que, de alguma modo, a concebem? A sociedade é a explicação que dela fazemos? Ela depende de como a percebemos e, por isso, se nossa percepção muda, a natureza dela também muda? O que ela significa ou ela é uma realidade sensível que independe da linguagem e suas definições? Para responder a essas perguntas e chegar a alguma luz sobre o que possa ser a sociedade, entrevistamos nesse programa o sociólogo Edison Bariani Junior. Além disso, comentamos seu livro mais recente, que ele gentilmente lançou em nosso programa, O navio de Teseu e os (des)caminhos da sociologia. Em busca de uma epistemologia do social. Volume 1. A percepção.
- De Aristóteles aos pensadores modernos, passando por Maquiavel, Locke, Hobbes, Rousseau, Arendt e mais um monte de mente brilhante, você está a fim mesmo de saber o que é a tal “POLÍTICA”? A gente já te adianta que não adianta orar e mamar no detergente para entender definitivamente uma das peças imprescindíveis desse jogo de xadrez chamado vida, “tá ok”? Então vem com a gente vibrar em Outras Frequências, pois o episódio 519 do primeiro podcast do Brasil está caprichado! São 18 anos “querendo ajudar a querer consertar o que não pode ser”, como pensou o magro abusado. Lamarca, Scheel, Coleone e você, querido ouvinte! Dá o play aí!
- Editorial: Foi Bertolt Brecht, o poeta e dramaturgo alemão, que, nos anos 1940, escreveu que a cadela do fascismo está sempre no cio. Em 1977, Roland Barthes, o crítico literário e semiólogo estruturalista francês, em sua aula inaugural no Collége de France, afirmou que a língua é fascista, não porque proíbe, impede ou censura o que se quer dizer, mas justamente porque obriga a dizer e faz isso por meio de um corpo de regras que regula e oprime a própria expressão e que submetem os indíviduos ao poder, ao arbítrio e aos estereótipos da própria linguagem. Os Engenheiros do Hawaii cantaram, em "Toda forma de poder", de 1986, que "o fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante fascinada", repercutindo o título de um famoso ensaio da intelectual e crítica norte-americana Susan Sontag, intitulado "Fascinante fascismo" e publicado no livro Sob o signo de Saturno, de 1980. No ensaio, Mrs. Sontag se dedica a desvelar, com a acuidade e o brilhantismo crítico que lhe foram caratecterísticos, as mentiras e falsificações históricas que o cinema de Leni Riefenstahl, a cineasta e documentarista do Terceiro Reich, de Hitler, ajudaram a propagar sobre o Führer e as violências autoritárias que estavam nos fundamentos de um governo genocida, insano e perverso. Lá pelas tantas, constatando que Riefenstahl continuava a produzir sua arte, agora por meio de seus livros de fotografia, mesmo depois do enorme desprezo que ela alimentou pela verdade ideológica do regime nazista, Sontag concluiu que "o fascismo fascina de um modo que outra iconografia delimitada pela sensibilidade pop (de Mao Tsé-Tung a Marilyn Monroe) não faz. Sem dúvida, alguma parcela do aumento de interesse no fascismo pode ser considerada como um produto da curiosidade. Para aqueles que nasceram depois do início dos anos 40, massacrados por um palavrório vitalício, pró e contra, sobre o comunismo, é o fascismo — o grande motivo,de conversação da geração dos seus pais — que representa o exótico, o desconhecido. Portanto, existe um fascínio generalizado entre os jovens para com o horror, com o irracional. Cursos que tratam da história do fascismo, juntamente com aqueles sobre o oculto (incluindo vampirismo), estão entre os mais freqüentados, hoje em dia, nos campus das universidades." Nós, aqui, respondemos a vocês se o fascismo é mesmo fascinante.
- O primeiro podcast do Brasil chega à 18ª temporada e volta das férias temático: ao longo de 2026, os irresponsáveis Márcio Scheel, Marcel Rodrigo Lamarca e Eduardo Coleone seguirão fazendo programas leves e descontraídos, mas terão como centro de cada episódio um tema muito específico. No primeiro episódio do ano, o tema foi a RESPONSABILIDADE. Legal, moral, administrativa, civil, contratual ou penal, a RESPONSABILIDADE foi esmiuçada pelo Marcel, pelo Scheel e pelo Du ao longo de mais de uma hora, naquele formato com o qual vocês, queridíssimas e queridíssimos ouvintes, já se acostumaram ao longo dos últimos 18 anos. Venham com a gente, pois nós vibramos em Outras Frequências, cientes (ou não, como pensaria Caetano) de nossa RESPONSABILIDADE.
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