O que faríamos se não tivéssemos medo? Partindo dessa questão, pensamos o quanto a neurose, no sentido freudiano, organiza a vida pela via da inibição, produzindo escolhas por meio do recuo, renúncias e uma criatividade cada vez mais limitada. Para tensionar essa lógica, nos aproximamos de Melanie Klein e de sua leitura da cisão como operação necessária ao ser; ou seja, um recurso organizador que diminui a rigidez do Eu e permite mobilidade psíquica. Avançamos com Wilfred Bion, que amplia essa perspectiva ao pensar as partes psicótica e não-psicótica da mente, mostrando como o contato com o desconhecido é condição para o pensamento vivo. Com D. W. Winnicott, refletimos sobre os estados de relaxamento, a fusão com o ambiente e o gesto espontâneo como núcleo da criação e da experiência de estar vivo.
Usamos também o livro “O espírito da esperança: contra a sociedade do medo”, de Byung Chul-Han (2024), para dar corpo às nossas ideias.