71 episódios
- uma angústia pode caber num desenho.
e o desejo se inscrever em um poema.
o luto pode encontrar voz na música
a solidão se revelar numa fotografia…
e um trauma se desdobrar em “pura ficção”.
isso não significa que uma manifestação artística vai simplesmente dar conta das nossas questões emocionais.
mas tudo aquilo que a gente vive psiquicamente pode ser externalizado e representado…
e nesse processo de simbolização, também dá para inspirar e tocar as outras pessoas… e ainda provocar bons questionamentos.
na atualidade, tem um grande paradoxo diante de todos nós:
nunca houve tanto acesso a estímulos criativos e sensoriais, ao mesmo tempo que tem uma saturação de ruídos e conteúdo slop. e isso vai provocando um esvaziamento de sentido no consumo de objetos culturais.
a gente sabe que a arte sempre foi um campo de elaboração do sofrimento humano. só que hoje essa capacidade fica tensionada com tantas formas novas de mal-estar:
a hiperconectividade, a lógica algorítmica, a performance contínua de si e a dificuldade de sustentar experiências com profundidade… só pra nomear alguns sofrimentos.
por isso vale a gente se perguntar:
quais são relações entre arte e saúde mental ao longo da história? e no contemporâneo?
— a arte na terapia e a arte como terapia.
— a relação entre psicanálise e surrealismo…
— o poder da interpretação e da catarse coletiva…
e mais: como diferentes expressões artísticas podem atuar como dispositivos de projeção.. de deslocamento e transformação subjetiva?
mam - curso ARTE & Saúde Mental: experiências do sensível. clique aqui
outro episódio do Vibes em Análise citado:
NOSTALGIA & REGRESSÃO
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pesquisa, roteiro e apresentação: André Alves e Lucas Liedke
produção: Fernanda Ogasawara
captação: Jessica Nunes
edição e montagem: Jessica Correa
arte: Gustavo Jácome - você já escutou aquela expressão “quem ama cuida”. mas o que seria exatamente “cuidado” nos dias de hoje?
um tempo em que a gente dispõe de tantas ferramentas de controle e de vigilância sobre a vida, especialmente a vida dos outros. supostamente… na melhor das intenções.
“por que você demorou tanto pra responder?”
“nossa, nem visualizou”
“qual é a senha do seu celular?”
“me avisa quando chegar”
ou a clássica “me avisa a hora que vc estiver livre”
como se, nessa vida tão corrida, até a liberdade de cada um pudesse ser monitorada ou vigiada. o controle pode vir com cara de preocupação e proteção, mas será que não tem outros sentimentos em jogo?
e aí como ficam esses vínculos de co-dependência entre casais? ou entre amigos? ou o oposto: o medo exagerado disso acontecer.
e na parentalidade? até onde pais e mães devem e conseguem controlar a vida dos seus filhos?
no fim, é sempre um desafio suportar a autonomia do outro. as suas escolhas, a sua rotina, suas vidas on e offline. ainda mais quando tem tanta gente que sente prazer em controlar. e uma boa quantidade de pessoas que sente prazer em se sentir controlado.
a questão é que a gente nunca vai saber de TUDO sobre o desejo do outro. mas ainda assim… podemos confiar? e conseguimos nos sentir amados?
outros episódios do Vibes em Análise citados:
COMPULSÕES DIGITAIS
CONVERSAS QUE NÃO CONSEGUIMOS TER
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arte: Gustavo Jácome - “...mas e o Brasil, hein? será que tem jeito?” - a frase é antiga, quase banal, conhecida até demais. ser brasileiro ou brasileira, ao longo da história, sempre foi ter um apetite insaciável por falar mal dos outros brasileiros. segundo o estudo Brasil no Espelho, da Quaest com a Globo, 51% dos brasileiros diz que valoriza o nosso povo; mas um em cada cinco, não valoriza. dá para entender o conflito; afinal, o Brasil oferece, doses cavalares de desespero e esperança, antipatia e empatia, brilho e dor, orgulho e vergonha. em resumo, open de ambivalências. e daí vem 2026, esse ano que nos serve a Copa do Mundo de Futebol da FIFA e as Eleições, eventos que são, tradicionalmente, possibilidades de euforia e de fratura, de celebração e de decepção. acontecimentos que, mais uma vez, nos fazem sentir muito orgulho e muita vergonha nacional. a gente tem assistido a essa turbulenta trama de orgulho e vergonha todos os dias, na vida e na internet. e é nessa dança entre antagonismos que o novo tem emergido.
de fato, tem algo diferente no ar. primeiro, porque mesmo diante do tumulto permanente, 85% dos brasileiros sentem orgulho do Brasil (um dado da pesquisa Brasil no Espelho do ano passado). segundo porque, nas últimas décadas, nosso país viveu conquistas que nos fizeram inclusive apostar em uma espécie de superação do viralatismo. e diminuir o nosso profundo temor de ser uma “grande pátria desimportante”, como cantava o Cazuza.
é por tudo isso que a gente vem conduzido um estudo chamado ORGULHOS NACIONAIS, uma investigação sobre as novas paixões, ritmos, arquétipos e identificações que têm transformado as percepções, as relações e o consumo dos brasileiros. se uma das frases mais famosas da nossa cultura nos diz “Brasil, mostra a sua cara!”, a nossa pergunta-chave nesse estudo e nesse episódio é: blza, mas qual delas?
para expandir a nossa escuta sobre esse tema, conversamos com o Oliver Stuenkel - pesquisador, escritor e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
e se você quer aprofundar o tema desse episódio junto com o André e o Lucas, inscreva-se no Sessão em Grupo. encontro online (ao vivo no dia 09/06 às 19h, mas que pode ser assistido depois) em que vamos desdobrar as principais questões do episódio, ampliar as hipóteses e trazer novas referências.
cupom UBU: vibes20
outros episódios do Vibes em Análise citados:
Isso é TRAUMA?
COMPULSÕES Digitais
VIRALISMO
Motivos de VERGONHA
Café com DEUS Psicanálise
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arte: Gustavo Jácome - o trauma é inassimilável. será que é por isso que as buscas globais por essa palavra no Google triplicaram entre 2015 e 2025? estamos tentando entender melhor o que é trauma… e também o que não é trauma?
desde sempre, a noção de trauma criou um campo muito vasto na literatura, na arte, na cultura popular, e hoje, obviamente, na internet. o termo entrou com tudo na gramática do mal-estar contemporâneo, um tempo em que o sofrimento muitas vezes não é só narrado, ele é compartilhado, performado e estilizado.
e existe uma vida livre de trauma? possivelmente não. mas será que estamos assim todos tão traumatizados? o conceito se tornou um referencial cultural dominante, uma tentativa de fazer com que a nossa dor seja escutada e levada a sério em um mundo que dá mais valor ao que é certificado por um diagnóstico. só que, quando tudo é rotulado, empacotado e até vendido como trauma, como fazer para distinguir e atravessar as verdadeiras experiências traumáticas?
para expandir a nossa escuta sobre esse tema, convidamos a neuropsicóloga e psicanalista Maria Nogueira Maria.
e se você quer aprofundar o tema desse episódio junto com o André e o Lucas, inscreva-se no Sessão em Grupo - encontro online (ao vivo no dia 19/05 às 19h, mas que pode ser assistido depois) em que vamos desdobrar as principais questões do episódio, ampliar as hipóteses e trazer novas referências.
outros episódios do Vibes em Análise citados:
O Silêncio do ABUSO
Culto ao AUTOCONTROLE
COMPULSÕES Digitais
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arte: Gustavo Jácome - durante muito tempo, discutimos a tecnoadicção como um fenômeno ligado sobretudo a mídias sociais, videogames e pornografia. mas a lógica da compulsão digital vem se deslocando cada vez mais para outros domínios: as finanças gamificadas e cheias de cashbacks, as apostas e mercados de previsão, os chatbots e interfaces de IA sem os quais se tornou impossível viver, os aplicativos de trading e, para muita gente, o irresistível jogo dos cupons e das compras online. são mundos híbridos entre informação e entretenimento em que parece que a gente está sempre à beira de criar algum tipo de dependência.
fissura. abstinência. círculo vicioso. acesso hiperfacilitado. falta de regulação. um sistema de recompensas sequestrado. sacrifícios e perdas em tantas áreas da vida.
será que ainda tem como escolher usar… ao invés de simplesmente se sentir usado?.. e não sentir que a sua autonomia individual está sendo colonizada? alguns usuários se excedem mais que outros, mas a verdade é que o excesso está programado no próprio modo de uso. são arquiteturas que transformam as necessidades humanas legítimas em circuitos de engajamento economicamente exploráveis.
para expandir a nossa escuta sobre esse tema, convidamos o David Nemer, Antropólogo da Tecnologia e Professor e Pesquisador da Universidade da Virgínia.
e se você quer aprofundar o tema desse episódio junto com o André e o Lucas, encontro online (ao vivo no dia 05/05 às 19h, mas que pode ser assistido depois) em que vamos desdobrar as principais questões do episódio, ampliar as hipóteses e trazer novas referências.
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