A deputada estadual Ludmila Falcão (Podemos) afirmou, nesta quinta-feira (22/1), em entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no Youtube, que levou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a denúncia de ameaça e intimidação feita contra ela pelo vice-governador Mateus Simões (psd) e disse que o caso está sendo discutido com lideranças da Casa para a definição de eventuais medidas institucionais. Segundo a parlamentar, a postura do vice-governador extrapola o conflito político e atinge o próprio parlamento.
Para Ludmila, a ligação feita por Simões após críticas de seu marido, o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (sem partido), revela uma tentativa de intimidação. “Ele age como se fosse dono do Estado”, afirmou. A deputada relatou que procurou o presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB), além da bancada feminina e da Procuradoria da Mulher, para tratar do episódio. Segundo ela, qualquer providência será construída de forma coletiva.
O embate levou a deputada a anunciar que não pretende permanecer na vice-liderança do governo quando Mateus Simões assuma o comando do Executivo estadual. Para a deputada, sua permanência na função está condicionada à atual gestão. “Quando o governador sair da cadeira, ele entra e eu saio”, disse, ao destacar que não vê legitimidade política no vice-governador para ocupar o cargo com seu apoio.
Apesar da crise, Ludmila fez questão de separar o conflito da relação com o governador Romeu Zema (Novo). Segundo a deputada, o episódio não altera sua avaliação sobre o chefe do Executivo. “Zema sempre nos tratou com respeito”, afirmou, ao reforçar que sua divergência é exclusivamente com a postura adotada por Mateus Simões.
Questionado sobre a disputa eleitoral, a deputada fechou as portas para qualquer apoio a uma eventual candidatura de Simões ao governo de Minas. Para ela, faltam princípios e sensibilidade ao vice-governador. A deputada também colocou em dúvida a permanência de Simões no PSD, partido ao qual ele é filiado. “Na política tudo pode mudar”, afirmou.
A parlamentar também minimizou qualquer impacto eleitoral após o embate. Segundo ela, sua atuação política não será guiada por medo ou cálculo de reeleição. Ela afirmou que seguirá mantendo uma postura firme diante do episódio, independentemente das consequências políticas.
Durante a entrevista, Lud Falcão também comentou a divergência pública com o marido em relação à privatização da Copasa. Enquanto Falcão, na condição de presidente da AMM, criticou o processo e defendeu maior participação dos municípios, a deputada votou a favor da privatização. Para ela, a diferença de posição está relacionada às funções exercidas por cada um. “Não somos obrigados a pensar igual”, afirmou, ao destacar que sua decisão foi tomada a partir da realidade do saneamento e da prestação do serviço à população.
Questionada sobre a possibilidade de Falcão disputar o governo de Minas Gerais, a depurada disse que não há decisão tomada. Segundo ela, o debate ainda é prematuro. “Ainda não é hora de tomar essa decisão”, afirmou, ao destacar que o foco atual é a construção de um projeto para o estado, e não uma candidatura individual.