O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), criticou o projeto do Rodoanel e defendeu que os investimentos em mobilidade urbana priorizem a recuperação do Anel Rodoviário já existente. Em entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube nesta quarta-feira (8/4), o chefe do Executivo questionou a criação de novas estruturas antes da solução dos problemas atuais. “Nós já temos o Anel Rodoviário. Por que você vai fazer o Rodoanel se você não tem o Anel rodoviário da forma como você gostaria de ter? Por que fazer outro se o atual não está pronto?”, afirmou.
Questionado sobre o aumento de radares no Anel, Damião defendeu medidas mais rígidas de fiscalização para reduzir acidentes e cobrou mudança de comportamento dos motoristas, especialmente de veículos pesados. Segundo ele, ações educativas não têm sido suficientes. “Mas isso tem que ser na marra, infelizmente. Tem que ser na marra, porque se for só na educação, só na placa lá em cima, falando ‘utilize a faixa da direita’, não utiliza, não. Caminhão anda na faixa da esquerda, carro pequeno anda na faixa da direita, e aí você tem acidente o tempo inteiro”, disse.
Durante a entrevista, Damião classificou ainda o subsídio pago pelo município ao transporte coletivo como um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento. “Ele é o vilão. Mas o que você quer que eu faça? Se eu não subsidiar, a passagem vai lá para cima e quem paga é o trabalhador”, afirmou. O prefeito voltou a defender uma solução nacional para o financiamento do sistema. “Eu apresentei para o presidente uma proposta de nós criarmos no Brasil o SUS do transporte público, porque não é possível que só o município fique responsável por isso”, disse.
Ao comentar a previsão de déficit no orçamento da prefeitura, Damião negou cortes na área da saúde e afirmou que a estratégia da gestão passa por reorganização administrativa. “Não tem corte. O que nós estamos fazendo é o remanejamento, é ajustar a máquina para gastar melhor”, pontuou. O prefeito citou ainda a necessidade de revisão de funções dentro da administração municipal. “Às vezes tem três pessoas fazendo a mesma coisa. Para que três pessoas fazendo a mesma coisa? Então é isso que a gente está corrigindo”, afirmou.
Sobre o pedido de empréstimo de R$ 420 milhões voltado à área ambiental, Damião disse que os recursos serão aplicados em ações estruturais, como drenagem e combate a lixões, ainda que não tragam retorno político imediato. “É obra que não aparece, é obra que não dá voto, mas é necessária. Se você não fizer drenagem, se você não cuidar da cidade, o problema volta lá na frente”, declarou.
Ao comentar a atuação da prefeitura no entorno da Arena MRV, o prefeito afirmou que o poder público não deve atuar como sócio de empreendimentos privados. “Para mim, empreendedor não é sócio da prefeitura. A prefeitura não pode ser sócia de quem quer empreender na cidade. A prefeitura tem que dar condição para que a cidade funcione”, declarou.
Relação política
Na articulação política, o prefeito negou qualquer desgaste com o PSD após a morte do ex-prefeito Fuad Noman e afirmou que a relação com o partido segue institucional. “Nunca teve, nunca teve problema. Da minha parte, depois da morte do Fuad, eu conversei com todos os partidos, inclusive com o PSD”, disse. Segundo ele, a legenda permanece na base aliada. “Os três vereadores do PSD são da base, continuam na base. Não tem problema nenhum com o PSD”, afirmou.
Sobre o cenário eleitoral em Minas Gerais, Damião disse que a federação entre União Brasil e PP não tem compromisso prévio de apoio ao vice-governador Mateus Simões (PSD) em uma eventual disputa pelo governo do Estado. “Não tem nada definido. Vai depender das propostas, do que for melhor para Belo Horizonte, para Minas Gerais. A gente vai conversar lá na frente”, afirmou. Ele também ponderou que o cenário ainda é incerto. “Não tem por que definir agora, até porque tem candidato que não sabe nem se vai ser candidato”, disse.
Questionado sobre a ausência na posse de Simões, o prefeito negou motivação política. “Não tem nada a ver com política, não tem lado A nem lado B nisso. Foi questão de agenda”, afirmou.
Apesar da indefinição para o governo estadual, Damião declarou apoio ao ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) para o Senado. “Esse compromisso é meu”, disse.