A presidente do PT em Minas Gerais e deputada estadual Leninha afirmou, em entrevista ao Café com Política, que o partido lamenta o possível afastamento de PSOL e Rede na disputa pelo governo de Minas, diante da aproximação das siglas com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), mas respeita a movimentação política do grupo. Segundo ela, embora o PT desejasse uma aliança mais ampla no campo da esquerda, a decisão é legítima.
“Claro que pode acontecer. A gente lamenta esses desarranjos da esquerda, porque gostaria de ter esse palanque mais forte, mas respeita essa movimentação, que é legítima”, afirmou.
Leninha também reconheceu que o partido já discute cenários alternativos caso o senador Rodrigo Pacheco (PSD) recue da disputa pelo governo de Minas. Segundo a dirigente, o PT não descarta lançar candidatura própria ao Palácio Tiradentes. “O nosso tema é avançar agora na proposta com o Pacheco, nosso governador. Mas, se ele não vier, a gente tem que recuar para fazer uma reanálise do contexto”, disse. “A gente vai discutir a estratégia para termos o nome para o governo de Minas Gerais, que também pode vir do PT.”
Sobre a composição da chapa majoritária, a presidente do PT mineiro afirmou que o partido não condiciona alianças à indicação do vice-governador e que a prioridade está concentrada na candidatura de Marília Campos (PT) ao Senado. “Nós não vamos fazer nenhum tipo de imposição. A gente não carrega a vaidade de que o PT tem que estar na chapa de governador. Já temos uma conquista importante, que é a nossa pré-candidata ao Senado”, declarou.
Segundo Leninha, o foco da legenda está integralmente voltado para a candidatura de Marília, sem discussão, neste momento, sobre um segundo nome petista para a disputa ao Senado. “Nosso foco é a pré-candidatura da Marília. A campanha dela é muito importante para nós. Hoje é isso”, disse.
Apesar das indefinições, Leninha reiterou que o PT mantém a expectativa de que Pacheco confirme candidatura ao governo de Minas em 2026. De acordo com ela, a direção petista segue apostando no nome do senador, apontado desde o início pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como prioridade para encabeçar o palanque no Estado. “A nossa conversa com ele (Lula) é que, de fato, Pacheco será candidato. Publicamente não teve nada, mas, conosco, do PT, ele sempre tem uma relação muito respeitosa e educada, dizendo que as coisas vão se resolver. Eu espero que se resolva ele sendo o nosso candidato”, afirmou.
No plano interno, Leninha destacou que os novos quadros recém-incorporados ao partido, como as deputadas estaduais Bella Gonçalves e Ana Paula Siqueira, fazem parte de uma estratégia voltada também para as eleições municipais. Segundo ela, o fortalecimento atual mira diretamente 2028. “Essa busca ativa foi no sentido de pensar pré-candidaturas que possam nos ajudar agora, mas já com o olho nas eleições para as cidades”, explicou.
Sobre a unidade interna da legenda, após a disputa no comando estadual, Leninha afirmou que o período de tensões ficou para trás e garantiu coesão no partido em Minas. “Essa unidade já aconteceu pós-eleições. O PT tem isso: às vezes se divide para a disputa interna, mas depois unifica, porque a nossa luta é maior”, analisou.
Ao avaliar os primeiros movimentos do governador Mateus Simões (PSD) no comando do Executivo mineiro, Leninha criticou a gestão e afirmou que não houve entregas concretas até agora. “É o lero-lero de sempre. Não tem entrega nenhuma. A pauta principal é falar do PT e do presidente Lula. Não tem pauta para anunciar para a sociedade”, criticou.
A deputada também minimizou a pré-candidatura presidencial de Romeu Zema (Novo), avaliando que sua projeção nacional é limitada. “Para fora de Minas Gerais não ecoa nada do Zema. Para mim, ele só é conhecido pelas coisas que fez, como comer banana com casca, fazer atividade física e lavar prato”, ironizou.