O artigo "Crepúsculo da vida", de autoria de Carlos São Paulo, constrói uma belíssima e profunda reflexão sobre o processo de envelhecimento, inspirando-se na obra Com a maturidade fica-se mais jovem, do Prêmio Nobel de Literatura Hermann Hesse. Em vez de focar na deterioração do corpo, o texto explora a dimensão simbólica e transcendente da maturidade, utilizando como lente interpretativa a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.
O texto evidencia a dualidade com a qual a psique humana lida com o avanço do tempo: há uma parte nossa que se apega à medicina e às limitações biológicas, enquanto outra busca o transcendente e projeta sua essência nas estrelas. Hesse, que passou por processos psicoterapêuticos com J. B. Lang (aplicador do método junguiano) e com o próprio Jung, escolheu o caminho contemplativo, transformando o ato de envelhecer em poesia. Para o autor suíço-alemão, a morte não seria um fim absoluto, mas sim um retorno ao Inconsciente Coletivo, perdendo a forma individual para depois retornar a novas formas.