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  • Novos Cientistas - USP

    Compostagens comunitárias na região metropolitana da cidade se mostram eficientes, ambiental e economicamente

    02/04/2026 | 12min
    Na edição desta quinta-feira (2 de abril) do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto recebeu a pesquisadora Marina de Freitas Teles Zaccarelli Noguti. Ela é autora de um estudo de mestrado que analisou a segurança de compostos orgânicos em iniciativas comunitárias de compostagem, na região metropolitana de São Paulo. Para o estudo Compostagem comunitária na grande São Paulo: uma solução para resíduos sólidos urbanos orgânicos, Marina selecionou 15 grupos pela plataforma Sampa + Rural e a rede Composteiras Comunitárias, ambas da Prefeitura de São Paulo. A pesquisa foi apresentada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP sob a orientação da professora Renata Colombo.
    “O lixo que a gente gera em casa, como cascas de frutas, pó de café, tudo que é natural, tudo que é orgânico, passando por esse processo de decomposição, é transformado em adubo”, explicou a pesquisadora que analisou os trabalhos dos grupos envolvidos semanalmente. Segundo ela, no processo de compostagem é necessário que se tenha um equipamento chamado composteira. “Foi ai que investigamos se estava tudo sendo feito de maneira correta”, como contou Marina. De acordo com ela, o sistema se mostra vantajoso em vários aspectos, pois gera um adubo de boa qualidade, tanto sólido quanto líquido. “É possível se obter um produto que tem valor comercial e que pode chegar ao mercado custando algo em torno de R$ 20,00 o quilo. É o chamado composto orgânico”, explicou Marina.
    A pesquisadora contou que, desde 2017, vêm surgindo cada vez mais iniciativas em vários bairros diferentes e a própria rede de articulação desses movimentos, são a base para novas iniciativas. Na sua pesquisa, Marina aplicou um questionário semiestruturado para mapear os procedimentos de compostagem e coletaram-se amostras para análises laboratoriais do composto. De acordo com a pesquisadora, os melhores resultados foram atingidos pelos grupos que atendiam de maneira mais completa as recomendações ambientais, como não inserir resíduos de origem animal e oleosos na composteira, medidas de isolamento e controle de temperatura, entre outras. Os resultados, de acordo com Marina, dão suporte à prática da compostagem comunitária, e recomenda-se pesquisas futuras para que os grupos possam monitorar a segurança e a qualidade do húmus produzido.
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  • Novos Cientistas - USP

    Pigmento índigo pode ser extraído de plantas brasileiras de forma mais sustentável

    19/03/2026 | 12min
    Em tecidos como o jeans, o tom azul característico é obtido com o índigo, um dos pigmentos naturais mais antigos utilizados pela humanidade. “O índigo também já foi usado em pinturas, cosméticos e até em aplicações medicinais em diferentes culturas”, como contou a pesquisadora Thaís Silvestre Sanches Antichera. Ela é autora do estudo de doutorado Índigo brasileiro: extração sustentável do pigmento azul a partir das espécies Couroupita guianensis e Indigofera, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Thaís foi a entrevistada na edição deste 19 de março de Os Novos Cientistas.
    Como contou a pesquisadora, “a maior parte do índigo utilizado no mundo é obtida de forma sintética, a partir de derivados petroquímicos.” Esse processo foi desenvolvido no final do século 20 e permitiu a produção em larga escala e com baixo custo. “No entanto, ele também está associado a impactos ambientais importantes, como o uso de substâncias tóxicas e geração de resíduos químicos”, destacou Thaís, ressaltando que há o interesse, em larga escala, em resgatar rotas naturais e sustentáveis para obtenção desse pigmento, especialmente dentro do contexto da bioeconomia e da moda sustentável.
    Sob a orientação do professor Marcel Bellato Sposito, a pesquisadora buscou desenvolver e avaliar rotas mais sustentáveis para a extração do pigmento índigo a partir de espécies vegetais brasileiras, como a Couroupita guianensis e Indigofera suffruticosa. “Busquei compreender desde a presença dos precursores do pigmento nas plantas até a eficiência dos métodos de extração, a caracterização química do material obtido e o desempenho da cor em aplicações têxteis”, contou. De forma geral, de acordo com Thaís, o trabalho procurou contribuir para a valorização da biodiversidade brasileira como fonte de matérias-primas renováveis e para o desenvolvimento de alternativas tecnológicas mais alinhadas com princípios de sustentabilidade.

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  • Novos Cientistas - USP

    Efluente tratado de laticínio é eficaz na irrigação de pimenta Maria Bonita

    05/03/2026 | 12min
    Na edição desta quinta-feira, 5 de março, do podcast Os Novos Cientistas, recebemos a engenheira agrônoma Juliana de Fátima Vizú, que defendeu um estudo de doutorado em que comprova a eficiência da irrigação em plantas de pimenta da espécie Maria Bonita com efluente tratado de laticínio em sucessão à adubação verde. A pimenta Maria Bonita, do gênero Capsicum chinense tem pouca ardência e surge por meio de pesquisas conduzidas na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Araras, pelo grupo de pesquisa GeHort, liderado pelo pesquisador Fernando Sala. “Eles contam com um vasto banco de sementes de pimentas e após anos de pesquisas caracterizando essas plantas e realizando o cruzamento com a pimenta Biquinho, chegaram à espécie Maria Bonita”, descreveu a pesquisadora.
    Os estudos da engenheira agrônoma resultaram no doutorado intitulado Cultivo protegido da pimenta ‘Maria Bonita’ irrigada com efluente tratado de laticínio, em sucessão à adubação verde, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, sob a orientação do professor Fabricio Rossi. “A pimenta Maria Bonita é uma espécie híbrida, ou seja, resulta do cruzamento de duas linhagens do qual produz uma semente que, quando plantada, vai dar origem a uma planta com características de fruto superiores à da pimenta Biquinho”, explicou Juliana, destacando que a produção é praticamente o dobro, em relação à Biquinho. “Isso reflete em ganho para o produtor e rapidez no início da colheita, com frutos maiores de coloração vermelha intensa, frutos mais uniformes, lisos e com formato de coração.”
    O estudo foi conduzido em duas etapas principais. Inicialmente, diferentes espécies de adubos verdes foram cultivadas em ambiente protegido e manejadas, mantendo-se sua biomassa sobre o solo como cobertura em sistema antecessor ao cultivo da Maria Bonita. Posteriormente, a pimenta foi implantada sobre essa cobertura vegetal, avaliando-se seu desenvolvimento e produção em sucessão à adubação verde, com irrigação por efluente tratado de laticínios. Os resultados indicaram maior produção em número e massa de frutos comerciais em comparação à água convencional. O efluente supriu 100% da demanda de nitrogênio das plantas, reduzindo o uso de fertilizantes químicos. Os adubos verdes também contribuíram para melhorias nas características do solo, como redução da acidez, aumento do pH e incremento da matéria orgânica. Além disso, observaram-se melhorias na qualidade dos frutos e manutenção da qualidade química do solo, indicando potencial para sistemas produtivos mais sustentáveis.
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  • Novos Cientistas - USP

    Plástico é o "protagonista" nas quantidades de lixo em praias brasileiras

    19/02/2026 | 11min
    A entrevista desta quinta-feira (19) em Novos Cientistas mostra como o homem é o principal agente produtor de lixo que é depositado nas praias brasileiras, composto principalmente de macroplásticos e microplásticos. Como definiu a oceanóloga Laura Borges Fagundes, a diferença entre eles é o tamanho. “Microplástico é todo aquele que tem entre 1 milímetro (mm) e 5 mm de tamanho. Menor que isso é nanoplástico e maior que isso já é macroplástico”, descreveu. Laura é autora do estudo de mestrado Diagnóstico do Lixo em Praias Arenosas ao longo da Costa Brasileira, uma análise de larga escala sobre macroresíduos e microplásticos apresentado no Instituto Oceangráfico (IO) da USP, sob a orientação do professor Alexander Turra.
    Em seu estudo, Laura conseguiu amostrar a situação do lixo em mais de 300 praias de toda a costa brasileira. “Podemos considerar que a poluição por plásticos de diferentes tamanhos já é o maior problema que temos nas nossas praias”, enfatizou, destacando que o microplástico, por ser uma partícula tão pequena, tem sua remoção do ambiente marinho muito mais complicada. Como contou a pesquisadora, o mapeamento de mais de 17 estados costeiros, o que significa quase 8 mil kilômetros de costa, foi possível graças a uma parceria do IO USP com a Sea Shepherd Brasil , uma organização de conservação marinha sem fins lucrativos fundada em 1977 pelo Capitão Paul Watson, ativista ambiental canadense. A entidade foi viabilizada no Brasil, por Watson e cofundadores, como uma organização 100% independente que segue os valores e missão originais da Sea Shepherd.
    A pesquisa de Laura integra um projeto de conservação aqui no Brasil que atua diretamente em questões do oceano.
    “Um grande motorhome com pesquisadores, motoristas e cozinheiros saiu lá do Chuí, no Rio Grande do Sul, e percorreu toda a costa fazendo amostragem até o Aiapoque, no Amapá. Então, foi bem extenso, foi mais de 1 ano e meio de pesquisas, com a particiapção de cerca de 50 voluntários, incluindo cientistasque foram sendo trocados ao longo desse processo”, contou a pesquisadora. “Eu no motorhome no finalzinho, peguei a parte do Maranhão, do Pará e do Amapá e peguei esses dados para analisar em meu mestrado”, destacou Laura, lembrando que também fez parte do processo de coletas.

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  • Novos Cientistas - USP

    Casca de café pode ser aditivo para filmes à base de amido de mandioca

    05/02/2026 | 9min
    Na entrevista desta terça-feira (5) no podcast Os Novos Cientistas, a pesquisadora Lara Solange Bastos de Almeida contou como vem testando a possibilidade de as cascas de café serem utilizadas no desenvolvimento de filmes biodegradáveis à base de amido de mandioca. Como explicou a pesquisadora, “um filme biodegradável é uma película plástica derivada do amido de mandioca que, com o tempo, sofre degradação biológica, e por isso é biodegradável”. Segundo Lara, o produto vem sendo estudado como uma alternativa na substituição de plásticos convencionais.
    As cascas de café descartadas na indústria de processamento do grão possuem em sua composição fibras, polissacarídeos e compostos bioativos. Lara destacou que o objetivo do estudo foi explorar o reaproveitamento das cascas de café por meio de sua incorporação em filmes biodegradáveis à base de amido de mandioca, aprimorando as propriedades mecânicas, de barreira ao vapor de água e à radiação UV.
    Os estudos foram realizados no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba, sob a orientação da professora Wanessa Melchert Mattos. Como informou Lara, o Brasil é grande produtor e exportador mundial de café. “Toneladas de resíduos são geradas e as cascas de café representam cerca de 50% desse material”, avaliou a pesquisadora. Além disso, esses suprodutos, como lembrou Lara, são descartados de forma inadequada. “A proposta é incorporar em uma matriz que possa substituir o plástico daqui há alguns anos e melhorar os aspectos desse bioplástico”, disse.
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