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Jogo de tabuleiro desenvolvido em pesquisa traz princípios de educação financeira a crianças e adolescentes
20/08/2026 | 11minNa edição desta quinta-feira (20) do podcast Os Novos Cientistas, a pesquisadora Patricia de Oliveira Garcia descreveu como realizou sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, que resultou no jogo de tabuleiro Krystalion. O produto foi concebido no estudo intitulado A contribuição da contabilidade à educação financeira de crianças e adolescentes: desenvolvimento e avaliação de um jogo de tabuleiro moderno baseado na lógica contábil de origem e aplicação de recursos, que teve a orientação do professor Edgard Bruno Cornacchione Junior, da FEA USP.
Baseado na lógica contábil, o jogo foi testado na pesquisa e poerá ser utilizado como ferramenta de educação financeira a estudantes do ensino básico. “A pesquisa propõe que a contabilidade, por meio de sua lógica de origem e aplicação de recursos, pode oferecer contribuição relevante à formação financeira de crianças e adolescentes”, afirmou a pesquisadora. O estudo de Patrícia desenvolveu-se em três etapas: construção teórica via revisão da literatura; desenvolvimento do jogo de tabuleiro baseado em princípios de design de jogos; e quase-experimento com 85 estudantes de 5º e 6º anos, divididos em grupo tratamento e grupo controle.
De acordo com Patrícia, a análise qualitativa demonstrou engajamento excepcional (98,5% de aprovação), com 94,1% dos participantes relatando aprendizados substantivos em categorias como investimento, economia, gestão de recursos e tomada de decisão financeira, evidenciando percepção positiva da experiência educativa. A pesquisa contribui teoricamente ao articular Contabilidade e Educação Financeira através de arcabouço conceitual centrado no fluxo e gestão de recursos, oferecendo abordagem complementar às perspectivas tradicionais da Economia.
Disponível também na plataforma SpotifyEstudo avalia potencial de microrganismo para a produção de novas tecnologias em biocombustíveis e bioquímicos
06/08/2026 | 13minNa Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, a biotecnologista Awana da Silva Lima, realizou pesquisas com o fungo termofílico Thermothielavioides terrestris. “O objetivo foi verificar o potencial do microrganismo de ser a base de uma ‘cell factory’ para a produção de enzimas capazes de degradar de forma mais eficiente a biomassa lignocelulósica de biorrefinarias”, contou a pesquisadora, que foi a entrevistada desta quinta-feira (6) no podcast Os Novos Cientistas.
Em seu trabalho de doutorado intitulado Desenvolvimento de uma cell factory a partir do fungo termofílico Thermothielavioides terrestris, Awana contou com a orientação do professor Fernando Segato, da EEL. “Meu trabalho envolve a manipulação genética do fungo T. terrestris a fim de se obter um ‘organismo chassi’ para a construção de uma cell factory, ou uma ‘fábrica de células’, numa tradução literal”, descreveu a pesquisadora. O objetivo, de acordo com Awana, é atingir rendimentos mais elevados de blocos construtores que serão utilizados para produção de biocombustíveis e compostos de alto valor agregado a partir deste resíduo.
As pesquisas de Awna mostraram que o fungo termofílico Thermothielavioides terrestris apresenta potencial para se tornar uma cell factory para a produção de um coquetel enzimático, pois possui em seu genoma uma vasta gama de genes que codificam enzimas ativas em carboidratos, conferindo uma alta capacidade degradadora de compostos lignocelulósicos. “Exploramos e desenvolvemos ferramentas para manipular geneticamente o fungo visando a construção de uma cell factory. Inicialmente, foi realizado o cultivo do fungo em diferentes meios alternativos para obter melhores taxas de esporulação, que é o processo biológico que serve como um método de reprodução assexuada em fungos, algas e plantas”, contou Awana. Segundo ela, dentre os meios avaliados, o cultivo em extrato de tomate e trigo para quibe apresentou melhores resultados.
Disponível também na plataforma SpotifyAutoconstruções resultam em "puxadinhos" e refletem anseios de transformações do habitar
23/07/2026 | 10minO arquiteto e urbanista Pedro Henrique Vale Carvalho, autor da pesquisa de doutorado Puxadinho: desvelando camadas autoconstruídas na provisão pública de moradia, foi o entrevistado desta quinta-feira (23) no podcast Os Novos Cientistas. No estudo apresentado na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) da USP, Pedro Henrique investigou as transformações realizadas por moradores em conjuntos habitacionais produzidos pelo poder público no Brasil. Como explicou o arquiteto, as camadas agregadas autoconstruídas materializam um fenômeno recorrente nas cidades: os denominados “puxadinhos” ou “puxadas”. Pedro Henrique contou com a orientação da professora Karina Oliveira Leitão, da FAU.
Como descreveu o pesquisador os conjuntos habitacionais foram difundidos ao longo do século 20 sob o mito da “solução total” para as carências habitacionais. “Eles acabam adquirindo camadas autoconstruídas singulares na América Latina”, destacou. Especificamente no Brasil, a pesquisa constatou a complexidade e a intensidade dessas transformações, que incidem sobre um atendimento habitacional público frequentemente realizado em condições rebaixadas. “Muitas vezes ele vai acontecer para ampliar dimensões. A gente tem sempre apartamentos com 40 metros quadrados e o ‘puxadinho’ vai ampliar essa unidade. Em alguns casos, ele também vai dar um novo uso para essa casa, podendo ser um espaço comercial ou uma garagem”, explicou o arquiteto. “O estudo mostra que esse puxadinho vai ter funções diferentes a depender do lugar que ele é autoconstruído.”
Pedro Henrique iniciou sua tese há cerca de seis anos. “Passei esse período estudando essa associação com os conjuntos habitacionais”, contou o arquiteto. Para sua pesquisa, Pedro Henrique escolheu três conjuntos habitacionais como trabalho de campo: um em Belém do Pará, e outros dois no Rio de Janeiro. O fenômeno explorado na investigação do arquiteto partiu de uma pesquisa panorâmica sistematizada por mais de setecentas imagens mosaicadas, uma curadoria de aproximadamente sessenta conjuntos habitacionais latinos, e um estudo aproximado sobre exemplares brasileiros, produzidos desde a década de 1950 por companhias de habitação, órgão públicos, fundações e institutos.
Disponível também na plataforma SpotifyPesquisa de biomédica angolana desenvolve biomarcadores que podem identificar a malária precocemente
16/07/2026 | 13minNa edição desta quinta-feira (16) de Os Novos Cientistas recebemos a biomédica e pesquisadora angolana Teresa Luzembo, que defendeu recentemente seu estudo de mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. A pesquisa intitulada Perfil de nanopartículas séricas na malária e sua associação com grupos sanguíneos ABO e variabilidade clínica contou com a orientação do professor Fausto Bruno dos Reis Almeida.
“Os resultados nos mostram que o estudo abre caminhos para o desenvolvimento de biomarcadores capazes de identificar precocemente pacientes com maior risco de complicações pela malária. Será uma ferramenta de alto valor para o sistema de saúde angolano”, afirmou a pesquisadora durante a entrevista. Em Angola, com contou a pesquisadora, a doença tem impacto direto na realidade.
Em seu estudo, Teresa investigou se determinadas partículas presentes no sangue, as chamadas nanopartículas séricas, estão relacionadas à gravidade da malária e se essa relação varia de acordo com o grupo sanguíneo A, B ou O, o sexo e a condição gestacional. A equipe analisou amostras de soro sanguíneo de pacientes com malária e de pessoas saudáveis, medindo a quantidade, o tamanho e as características físico-químicas de nanopartículas presentes no sangue, estruturas minúsculas que funcionam como mensageiras biológicas. Os resultados mostraram que o perfil dessas nanopartículas varia entre os grupos analisados e pode ter correlação com o tipo sanguíneo ABO, reforçando evidências de que esse fator oferece certa proteção contra as formas mais severas da doença.
Disponível também na plataforma SpotifyFarinha desengordurada de larvas de espécie de besouro compõe formulação saudável em salsichas
02/07/2026 | 11minResultados de uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostraram que a substituição parcial, em 10%, da carne bovina por farinha desengordurada de besouro da espécie Tenébrio Molitor é viável, permitindo o desenvolvimento de salsichas com qualidade igual à convencional.
Os estudos foram realizados pelo engenheiro de alimentos António Alberto nos laboratórios da FZEA. Na entrevista desta quinta-feira (2), no podcast Os Novos Cientistas, Alberto descreveu que a farinha desengordurada foi obtida a partir das larvas do inseto. E para chegar ao produto ideal, o engenheiro de alimentos elaborou três tratamentos: um denominado controle, sem adição de farinha, e outros dois com a substituição da carne magra bovina em 10% e 20%, respectivamente.
“Avaliamos as salsichas em suas diversas características físico-químicas e aceitação sensorial”, contou o pesquisador. Os resultados demonstraram que a incorporação da farinha também reduziu a umidade e aumentou o teor proteico em um dos tratamentos, mostrando que o processo é tecnologicamente viável. Alberto é angolano e desenvolveu seu estudo de mestrado por meio de uma parceria firmada entre a USP e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola para a formação em pós-graduação de docentes e pesquisadores do país africano.
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