
Novo podcast da USP abre espaço para as vozes negras que vivem a ciência
11/12/2025 | 8min
Nesta edição do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto recebeu os estudantes do Instituto de Biociências (IB) da USP Welson Silva e Mwanza Kabengele, alunos do primeiro ano do instituto que falaram sobre o Kilombocast. Trata-se de um podcast quem vem abrindo espaços a estudantes pretos para falarem de suas vivências étnico-raciais na USP e sobre o dia a dia com a ciência. O Kilombocast está no ar desde setembro deste 2025 e já foram veiculados três episódios, todos com estudantes do IB, que cursam desde a graduação até o pós-doutorado. Como descreveram Welson e Mwanza, “a iniciativa vem dar voz às vivências negras que estão na carreira acadêmica.” A produção do podcast está a cargos dos estudantes, Guilherme Carvalho, Isabelle Cristina, Jonatas Jordão, Luan Pereira, Mwanza Kabengele, Octavio Casarini e Welson Silva, todos cursando a disciplina “Introdução ao Ensino da Biologia”. A equipe é supervisionada pelas docentes do IB Alessandra Fernandes Bizerra e Suzana Ursi. Como explicaram Welson e Mwanza, os episódios têm, em média, 30 minutos e podem ser acessados na plaforma Spotify. Até o momento, passaram pelos microfones do podcast Lucas Ferreira do Nascimento, mais conhecido como Taio Science, que cursa o pós-doutorado, a mestranda Maria Luiza Leal de Paula, e Nikolas Welby, aluno da graduação. Todos do Instituto de Biociências. Disponível também na plataforma Spotify

Estudo analisa como o debate sobre identidades negras chega às crianças pretas
27/11/2025 | 11min
Na edição desta quinta-feira (27) dos Novos Cientistas, a entrevistada foi a pedagoga Juliane Olivia dos Anjos que defendeu seu doutorado na Faculdade de Educação (FE) da USP. Na pesquisa intitulada Egbé Erê e a feitura de infâncias negras, a pesquisadora se propôs a identificar os processos que fazem parte da produção de identidades negras em bebês e crianças negras. “Há muito que me interesso pela infância, educação infantil e sempre busquei referências para me aprofundar no pensamento afro-brasileiro de infância”, explicou a pesquisadora. Como ela descreveu ao jornalista Antonio Carlos Quinto, há mais de dez anos Juliane pesquisa o pensamento afro-brasileiro buscando entender as diversas organizações em torno da ideia de infância. De acordo com a pedagoga, o pensamento da ancestralidade afro-brasileira não se dá só dentro da religião. “Ele se expande para festejos públicos, para outros tipos de organização do movimento negro e para a própria relação social na esfera pública”, descreveu. Juliane contou ainda que, logo que iniciou seu doutorado veio a pandemia de COVID-19. Naquele período, junto ao seu orientador, professor Rosenilton Silva de Oliveira, definiram um caminho para o estudo. “Não é porque as pessoas estão em casa que essa questão da identidade se perde”, destacou. Disponível também na plataforma Spotify

Prefeitura brasileiras tiveram seu círculo virtuoso entre final dos anos 1980 e 2000
18/11/2025 | 12min
Entre os anos de 1986 e 2000, muitas prefeituras do País colocaram a população no seio das tomadas de decisão. “Foram experiências inovadoras e criativas de democracia direta nas cidades brasileiras”, disse o pesquisador Pedro Rossi. Ele é autor do estudo de doutorado intitulado O Ciclo virtuoso das prefeituras democráticas e populares no Brasil, defendido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Na entrevista deste episodio de Os Novos Cientistas, Pedro Rossi destacou que o período foi marcado por um ciclo virtuoso de experiências inovadoras, criativas de democracia direta nas cidades brasileiras. De acordo com o pesquisador, naquele período delimitado no estudo (1986 a 2000) houve um período de inversão de prioridades. “Tivemos um novo modo de governar, que até então estava sendo oprimido e reprimido em função da da ditadura militar”, contou Pedro Rossi. “E isso ocorreu em dezenas de cidades, de norte a sul e de lestae a oeste no País. Sob a orientação da professora Erminia Terezinha Menon Maricato,o pesquisador ananlisou diversas administrações, mas se aprofundou em cinco casos: São Paulo, Belo Horizonte, é, São Paulo, Belo Horizonte Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém. Munido de diversos materiais relativos à época das prefeituras, como panfletos, relatórios de gestão, documentos, leis e ações de movimentos populares, o pesquisador gerou um grande arcabouço de material que foi sua fonte primária. “Foram muitas as experiências, e as práticas com resultados muito positivos, desde programas de urbanização de favelas, a provisão habitacional com mutirões cogeridos com a prefeitura, muita assessoria técnica de engenheiros, arquitetos, e assessoria jurídica para a população que precisava ter acesso, não só a moradia, mas a cidade como um todo”, ressaltou. Pedro Rossi informou que há um site com metodologias e resultados do estudo podem ser acessados neste endereço. Disponível também na plataforma Spotify

No extremo leste de São Paulo, transportes de massa e moradias tornam a vida urbana mais complicada
30/10/2025 | 14min
O geógrafo Jhonny Bezerra Torres é autor de um estudo que mostra como acontece a exclusão socioespacial de bairros na zona leste de São Paulo. Na entrevista desta quinta-feira (30), no podcast Os Novos Cientistas, o pesquisador descreveu como realizou seu estudo intitulado Assalto à mão letrada: o papel do planejamento urbano na produção e reprodução da periferia no extremo leste da cidade de São Paulo, que contou com a orientação da professora Ana Fani Alessandri Carlos. Jhonny descreve em seu estudo como foi a criação do Expresso Lesta, conhecido como Linha 11 – Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a construção de moradias sociais na região pela Companhia de Habitação Popular (Cohab). “A integração entre moradia e transporte distante do centro, longe de solucionar a questão habitacional na cidade, aprofundou a segregação socioespacial ao reforçar a lógica de marginalização da população mais pobre em áreas distantes do centro da cidade e, assim, de equipamentos urbanos”, destacou o geógrafo. Com a criação do Expresso Leste, como contou Johnny, houve a desativação da estação Parada XV de Novembro, que se deu em virtude da construção de um trecho da Avenida Radial Leste, em 2000, para criar uma via expressa entre o extremo leste e o centro da cidade de São Paulo, privilegiando a integração de grandes conjuntos habitacionais. O término das operações naquela estação fez com que a população residente nessa região fosse obrigada a se deslocar de ônibus até as estações José Bonifácio ou Itaquera, aumentando tanto o tempo quanto o custo do trajeto. Disponível também na plataforma Spotify

Identidades docentes foram prejudicadas com o ensino remoto durante a pandemia de Covid-19
16/10/2025 | 14min
Uma pesquisa de mestrado apresentada no Instituto de Física (IF) da USP identificou que houve momentos de crise nas práticas docentes durante a pandemia de Covid-19. O autor do estudo, professor Adilson Gonçalves Júnior, foi o entrevistado desta quinta-feira (16) no podcast Os Novos Cientistas. A pesquisa intitulada As crises profissionais docentes : os impactos do ensino remoto nas configurações identitárias teve a orientação da professora Verónica Marcela Guridi. De acordo com o pesquisador, a adoção do ensino remoto durante a pandemia foi um processo que ele considera “abrupto”. “Em nenhum momento estávamos preparados, tanto a sociedade civil quanto a instituição escolar”, citou Gonçalves Júnior. “Foi necessário aprendermos a ensinar sem estar na escola. E isso foi um choque tanto para professores quanto para alunos”, avaliou o docente, acrescentando que, de repente “as casas viraram salas de aula e o computador e o celular os principais meios de contato.” E nessa vivência, como destacou Gonçalves, os professores precisaram se reinventar, aprender a usar novas plataformas, ferramentas, alguns deles até mesmo a gravar aulas, planejar atividades online. “E tudo isso enquanto lidavam com uma certa inconstância”. Com relação aos alunos, o pesquisador lembrou que nem todos tinham acesso à internet. Identificando que esse processo deixou um rastro ruim, Gonçalves citou que seu estudo mostra caminhos a serem trilhados. “No caso dos professores, o primeiro passo é incentivar a formação continuada e o acolhimento emocional. Percebemos que foi um elo muito fragilizado. A pandemia mostrou o quanto o professor é essencial, mas também o quanto ele é vulnerável”, observou o pesquisador. Disponível também na plataforma Spotify



Novos Cientistas - USP