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Autoconstruções resultam em "puxadinhos" e refletem anseios de transformações do habitar
23/07/2026 | 10minO arquiteto e urbanista Pedro Henrique Vale Carvalho, autor da pesquisa de doutorado Puxadinho: desvelando camadas autoconstruídas na provisão pública de moradia, foi o entrevistado desta quinta-feira (23) no podcast Os Novos Cientistas. No estudo apresentado na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) da USP, Pedro Henrique investigou as transformações realizadas por moradores em conjuntos habitacionais produzidos pelo poder público no Brasil. Como explicou o arquiteto, as camadas agregadas autoconstruídas materializam um fenômeno recorrente nas cidades: os denominados “puxadinhos” ou “puxadas”. Pedro Henrique contou com a orientação da professora Karina Oliveira Leitão, da FAU.
Como descreveu o pesquisador os conjuntos habitacionais foram difundidos ao longo do século 20 sob o mito da “solução total” para as carências habitacionais. “Eles acabam adquirindo camadas autoconstruídas singulares na América Latina”, destacou. Especificamente no Brasil, a pesquisa constatou a complexidade e a intensidade dessas transformações, que incidem sobre um atendimento habitacional público frequentemente realizado em condições rebaixadas. “Muitas vezes ele vai acontecer para ampliar dimensões. A gente tem sempre apartamentos com 40 metros quadrados e o ‘puxadinho’ vai ampliar essa unidade. Em alguns casos, ele também vai dar um novo uso para essa casa, podendo ser um espaço comercial ou uma garagem”, explicou o arquiteto. “O estudo mostra que esse puxadinho vai ter funções diferentes a depender do lugar que ele é autoconstruído.”
Pedro Henrique iniciou sua tese há cerca de seis anos. “Passei esse período estudando essa associação com os conjuntos habitacionais”, contou o arquiteto. Para sua pesquisa, Pedro Henrique escolheu três conjuntos habitacionais como trabalho de campo: um em Belém do Pará, e outros dois no Rio de Janeiro. O fenômeno explorado na investigação do arquiteto partiu de uma pesquisa panorâmica sistematizada por mais de setecentas imagens mosaicadas, uma curadoria de aproximadamente sessenta conjuntos habitacionais latinos, e um estudo aproximado sobre exemplares brasileiros, produzidos desde a década de 1950 por companhias de habitação, órgão públicos, fundações e institutos.
Disponível também na plataforma SpotifyPesquisa de biomédica angolana desenvolve biomarcadores que podem identificar a malária precocemente
16/07/2026 | 13minNa edição desta quinta-feira (16) de Os Novos Cientistas recebemos a biomédica e pesquisadora angolana Teresa Luzembo, que defendeu recentemente seu estudo de mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. A pesquisa intitulada Perfil de nanopartículas séricas na malária e sua associação com grupos sanguíneos ABO e variabilidade clínica contou com a orientação do professor Fausto Bruno dos Reis Almeida.
“Os resultados nos mostram que o estudo abre caminhos para o desenvolvimento de biomarcadores capazes de identificar precocemente pacientes com maior risco de complicações pela malária. Será uma ferramenta de alto valor para o sistema de saúde angolano”, afirmou a pesquisadora durante a entrevista. Em Angola, com contou a pesquisadora, a doença tem impacto direto na realidade.
Em seu estudo, Teresa investigou se determinadas partículas presentes no sangue, as chamadas nanopartículas séricas, estão relacionadas à gravidade da malária e se essa relação varia de acordo com o grupo sanguíneo A, B ou O, o sexo e a condição gestacional. A equipe analisou amostras de soro sanguíneo de pacientes com malária e de pessoas saudáveis, medindo a quantidade, o tamanho e as características físico-químicas de nanopartículas presentes no sangue, estruturas minúsculas que funcionam como mensageiras biológicas. Os resultados mostraram que o perfil dessas nanopartículas varia entre os grupos analisados e pode ter correlação com o tipo sanguíneo ABO, reforçando evidências de que esse fator oferece certa proteção contra as formas mais severas da doença.
Disponível também na plataforma SpotifyFarinha desengordurada de larvas de espécie de besouro compõe formulação saudável em salsichas
02/07/2026 | 11minResultados de uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostraram que a substituição parcial, em 10%, da carne bovina por farinha desengordurada de besouro da espécie Tenébrio Molitor é viável, permitindo o desenvolvimento de salsichas com qualidade igual à convencional.
Os estudos foram realizados pelo engenheiro de alimentos António Alberto nos laboratórios da FZEA. Na entrevista desta quinta-feira (2), no podcast Os Novos Cientistas, Alberto descreveu que a farinha desengordurada foi obtida a partir das larvas do inseto. E para chegar ao produto ideal, o engenheiro de alimentos elaborou três tratamentos: um denominado controle, sem adição de farinha, e outros dois com a substituição da carne magra bovina em 10% e 20%, respectivamente.
“Avaliamos as salsichas em suas diversas características físico-químicas e aceitação sensorial”, contou o pesquisador. Os resultados demonstraram que a incorporação da farinha também reduziu a umidade e aumentou o teor proteico em um dos tratamentos, mostrando que o processo é tecnologicamente viável. Alberto é angolano e desenvolveu seu estudo de mestrado por meio de uma parceria firmada entre a USP e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola para a formação em pós-graduação de docentes e pesquisadores do país africano.
Disponível também na plataforma Spotify- Em 2019, na gestão do então governador João Dória Júnior, foi lançado o programa Inova Educação. “Foi o instrumento usado pelo governo paulista para introduzir o Novo Ensino Médio na maior rede pública do País. E sem a participação de cientistas ou universidades, trocando disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo”, explicou o pedagogo Felipe Alencar, entrevistado desta quinta-feira (18) do podcast Os Novos Cientistas. O pesquisador é autor do estudo de mestrado Escola pública entre ditames e resistências: Inova Educação na rede estadual paulista. A pesquisa teve a orientação da professora Carmen Silvia Vidigal
“Minha pesquisa denuncia a precarização da juventude trabalhadora e o esvaziamento de matérias como ciências e literatura, para moldar os alunos ao mercado informal”, revelou. O estudo, que durou 27 meses, foi transformado no livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital. Felipe contou que, naquele segundo semestre de 2019, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo promoveu o evento Movimento Inova, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape), com a presença do então governador João Doria e de dezenas de palestrantes do setor privado. “Entre eles, representantes do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Lemann, da Fundação Telefônica Vivo, da Fundação Vanzolini e da Microsoft”, lembra Alencar.
O programa inseriu as disciplinas Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas no currículo. “Algumas dessas eletivas tinham conteúdo patrocinado pela empresa iFood, amplamente denunciada pelas condições impostas a seus entregadores, que já eram, em grande parte, os próprios alunos da rede estadual”, como relatou Alencar. “O secretário de Educação à época, Rossieli Soares da Silva, dizia que o ensino médio não tinha que preparar o estudante para o vestibular. ‘Ele tem que realizar o sonho do aluno, que é entrar no mercado de trabalho’, afirmava”, completou o pesquisador.
Disponível também na plataforma Spotify - Na edição desta quinta-feira (4) de Os Novos Cientistas, o bate-papo foi com a educadora Cristiane Correia Dias, também conhecida como Bgirl Cris. Ela é autora da tese de doutorado Pedagogias Hip-hop e a pluriversalidade das vozes periféricas: caminhos e sonhos sob a perspectiva interseccional para uma educação emancipadora, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sob a orientação da professora Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, da Faculdade de Educação.
Como contou a pesquisadora ao jornalista Antonio Carlos Quinto, entre os principais objetivos da pesquisa, esteve o de elucidar o caráter transdisciplinar do estudo. “Priorizamos a valorização da diversidade étnico-racial”, disse Cristiane. E a ideia também, segundo ela, foi contribuir para a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que instituiu a obrigatoriedade das temáticas História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, respectivamente.
“Recorri a um mosaico teórico-metodológico, partindo de nossa metodologia central que é a pesquisa em ação por meio da docência compartilhada, entrelaçada às pedagogias Hip-hop”, destacou. Para o estudo, Cristiane selecionou uma escola na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. “É justamente um lugar que tem uma potência cultural muito grande”, contou a pesquisadora, lembrando que lá, o rap se faz presente desde as décadas de 1980 e 1990. “Era um local com altos índices de violência. O hip-hop ali já tem um papel educador dentro da comunidade”, contou. A tese de Cristiane acaba de ser lançada em livro. Intitulada Hip-Hop: pedagogia e as vozes periféricas, a obra teve seu lançamento pela Giostri Editora, em cerimônia realizada no último dia 30 de maio, na estação São Bento do Metrô, no centro de São Paulo.
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