Somente se usufrui de alguém convivendo, virtualmente, não há convívio.
Trocas de mensagens trocam apenas informações, como as antigas cartas.
Conviver é presença, contato físico, troca de favores, ocupação um com o outro.
Ainda que em toda essa companhia também persista a solidão interior.
A solidão íntima é sem a companhia de ninguém.
Isso também comprova que há quem mesmo no convívio vive solitariamente apenas consigo mesmo em devaneios em seus pensamentos e a presença de outro até incomoda.
É nesse sentido que surgiu no feminismo recente a expressão “relacionamento tóxico”.
Conviver tira a pessoa de si mesma e essa obrigação causa um sentimento tóxico de aborrecimento.
Prefere-se então viver só, consigo apenas, sem a presença de alguém que tiraria da paranoia interior.
Porque é extremamente necessário que alguém provoque essa saída, e é comum até ouvir “ainda bem que você está por aqui”, para tirá-la, a pessoa, de dentro de si mesma, ainda que a aborreça e seja tóxico tem o benefício de removê-la da paranoia íntima.