Um estudo do “avesso da psicanálise” no Grupo de Pesquisa do Narcisismo:
*“O avesso da equidade”*
Aquilo que o Freud, ele mesmo, preferiu deixar de considerar, que a psicanálise fosse uma filosofia, foi uma decepção para ele mesmo saber que escutar, acolhendo, doentes psíquicos, seres humanos desequilibrados e em estado limite, por “amor de transferência”, ouvindo-os pacientemente, pudesse ser equiparado ao “amor platônico”.
Quando na segunda parte do artigo de Max Nachmansohn (1915) ele expõe o pensamento de Platão, idealizado demais segundo a “escada de conhecimento”, disposta em quatro níveis, desde o amor sensível no primeiro nível, até o amor às ideias sublimes em um nível divino, no quarto nível, não era nada disso que um doente mental comum, por desajustes existenciais, almejava, em um tratamento psicanalítico.
É decepcionante também chegar alguém de fora para avaliar o que você faz, em sua luta por lidar com situações difíceis da vida, e te dizer na sua cara “isso é filosofia de Schopenhauer”.
Quer dizer, frustração em cima de frustração é o que move nossas vidas.
É similar à filosofia de Karl Marx: chegam de fora, dizendo que naquela aldeia está acontecendo “exploração”, que aquela cultura que ali sobrevive por seus próprios meios, está errada, que a infraestrutura precisa derrubar a superestrutura e tomar o seu lugar.
Onde antes havia alternância estrutural, um índio guerreiro por sua valentia e dedicação à comunidade fosse conquistando passo a passo a simpatia do grupo e fosse depois escolhido para liderá-la, fosse visto como “meritocracia”, que teria que haver “equidade”, que aquela comunidade não sabe viver corretamente.
Então uma revolução súbita se processa e alguém que a liderou assume o comando da tribo mantendo-a em equitativamente cativeiro.
É a loucura do idealismo de equidade.