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- “Pesquisador”: quem se debruça sobre o material à busca do despropósito:
“Talvez suprima o capítulo anterior; entre outros motivos, há aí, nas últimas linhas, uma frase muito parecida com despropósito, e eu não quero dar pasto à crítica do futuro”.
“Olhai: daqui a setenta anos, um sujeito magro, amarelo, grisalho, que não ama nenhuma outra cousa além dos livros, inclina-se sobre a página anterior, a ver se lhe descobre o despropósito; lê, relê, treslê, desengonça as palavras, saca uma sílaba, depois outra, mais outra, e as restantes, examina-as por dentro e por fora, por todos os lados, contra a luz, espaneja-as, esfrega-as no joelho, lava-as, e nada; não acha o despropósito”.
No capítulo anterior, o pesquisador procura pelo despropósito:
“Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
E caem! -- Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair”
O leitor não acha o despropósito no capítulo anterior. - O testamento do Narcisismo.
Verba inicial para o Instituto de Pesquisa.
Pesquisadores do Narcisismo estudam o tabu humano:
A imagem como tabu.
Duas pessoas pobres, de cor negra, provados em momento de nervosismo, um xingou o outro pelo nome MACACO, e o rapaz de 23 anos, trabalhador, pai de uma criança, foi detida como criminoso racista.
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Raciocinando contra, para ser a favor.
Somente é verdadeiramente a favor de uma ideia, quem for contra ela.
Eu somente avanço pensando contra.
A ideia, para não cair, se apoia numa ideia contrária a ela.
O que me mantém de pé é uma ideia contrária.
Por si mesma, uma ideia nunca se manteria de pé:
Ela precisa ser apoiada por uma ideia contrária.
Se uma pessoa não raciocinar contra, ela nunca seria a favor.
Eu sou contra Freud, por isso, sou a favor de Freud.
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