474 episódios
Susana Moreira Marques (parte 2): “A literatura é uma boa maneira de não formarmos opiniões rápidas. A boa literatura não nos fecha num ponto de vista”
29/08/2026 | 1h 24minNesta segunda parte da conversa, a escritora Susana Moreira Marques revela como se relaciona com os princípios que estão na origem dos seus textos, livros e projetos. Depois reflete sobre o estado atual do jornalismo e sobre a importância de uma literatura que nos devolva tempo para pensar e para escutar os outros.
Quanto aos desafios da tecnologia, a autora afirma que se aflige ao ver escritores que escrevem livros como se fossem máquinas — e jornalistas que fazem o mesmo. E deixa um conselho: “Não imitemos as máquinas.”
No final, dá-nos a conhecer algumas das músicas que a acompanham, lê um excerto de Pequenas Coisas como Estas, de Claire Keegan, partilha várias sugestões culturais e revela algumas das pequenas coisas que lhe dão prazer. Boas escutas!
See omnystudio.com/listener for privacy information.Susana Moreira Marques (parte 1): “Escrevo para que as histórias sobrevivam à inevitabilidade do desaparecimento. As pessoas desaparecem, mas algo perdura”
28/08/2026 | 1h 29minSusana Moreira Marques foi jornalista durante muitos anos e, apesar de já não escrever para jornais há algum tempo, tem muito no seu processo de trabalho de escritora que vem desse passado. Autora de livros de não-ficção literária, Susana diz-se interessada em escrever sobre as histórias quotidianas das pessoas banais, e não sobre grandes feitos. Um terreno que sente ainda ter muito para desbravar. Exemplo disso são os títulos: “Agora e na hora da nossa morte”, “Lenços Pretos, Chapéus de Palha e Brincos de Ouro” e o mais recente “Terceiro Andar Sem Elevador”. De momento, está a escrever um argumento de ficção para um telefilme, sobre o fim de vida, que integrará a nova série da RTP, “Contado por Mulheres”.. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça
See omnystudio.com/listener for privacy information.Dalila Carmo (parte 2): “Acredito no poder da emoção e da fragilidade. É preciso ser-se muito forte para expôr vulnerabilidades”
22/08/2026 | 57minNesta segunda parte da conversa, a atriz Dalila Carmo reflete sobre a eventual fatura por ter um olhar crítico sobre a sua arte e o sistema, mas afirma-se numa fase tranquila e em paz. Depois comenta a importância da sua independência e liberdade, e o novo conservadorismo de algumas mulheres que escolhem estar sob o domínio do patriarcado.
A atriz revela ainda recusar-se a ceder às plásticas e à ilusão de quem não aceita envelhecer. Dalila Carmo partilha depois o alívio de já não ter de responder às perguntas sobre maternidade, da importância de preservar o espanto pela vida e do poder da emoção e da vulnerabilidade.
No final, partilha as músicas que a acompanham, lê um excerto de um livro do filósofo norueguês Lars Svendsen, deixa algumas sugestões culturais e revela alguns dos seus pequenos grandes prazeres quotidianos. Boas escutas!
See omnystudio.com/listener for privacy information.Dalila Carmo (parte 1): “A minha intensidade está mais moderada. Já não me levo tão a sério. Estou sem pressa para nada e mais contemplativa”
21/08/2026 | 1h 19minÉ uma atriz com um sólido e prestigiado currículo na ficção televisiva, no cinema e no teatro.Há mais de 30 anos que um dos seus maiores prazeres são as longas viagens a solo para destinos menos turísticos, sem urgência de regressar. A atriz afirma que tem sido uma forma de se politizar, de se reencontrar e de ganhar mais consciência e empatia sobre outros povos e culturas: experiências que poderão em breve ser contadas num livro de viagens. Depois de uma pausa para tratar do seu novo refúgio na serra, Dalila está de regresso às gravações de uma mini novela em Setembro. Ouçam-na nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça.
See omnystudio.com/listener for privacy information.Filipe Homem Fonseca (parte 2): “É de uma petulância enorme acharmos que vamos ser a última das gerações. Vêm aí tempos piores, mas creio nas futuras gerações”
15/08/2026 | 1h 1minNesta segunda parte da conversa, o escritor e guionista Filipe Homem Fonseca revela o seu ceticismo sobre o caminho do mundo nas próximas décadas, mas dá conta de como resiste à desesperança e da sua grande confiança nas gerações futuras.
Depois revela o seu particular gosto por musicais e banda desenhada do fantástico, lê um poema do poeta e amigo Miguel Martins, partilha algumas das músicas que o acompanham e algumas sugestões culturais
E ainda nomeia alguns dos seus filmes preferidos de sempre, e aqueles que lhe devolvem a esperança na Humanidade. E, no final, alguns dos pequenos quotidianos que o acompanham sempre. Boas escutas!
Músicas referidas:
Bandua – “Barquinho”
Ana Lua Caiano – “Uma vida a menos”
Lavoisier - “Pé de Vento” ( do álbum “Era com h”)
Poema:
Miguel Martins, in São Miguel da Desorientação, ed. Macondo, 2020
Sugestão cultural:
A tour dos Lavoisier: “andam na estrada e são imperdíveis”.
O texto lido por Filipe, da sua autoria:
“50 anos a celebrar o 25, e hoje há quem nos diga “mas
lutem baixinho, não acordem os turistas e os nómadas
digitais, vão mais para ali que é para não se verem as
tendas dos que vivem na rua, olhem que dá mau
aspecto, respeitinho é muito bonito, boas maneiras à
mesa mesmo sem nada para comer, partir a louça é
que não, pensem como vos dizemos para pensar, vivam
como vos deixamos viver; despolarizem, filhos,
despolarizem, a liberdade de expressão tem as costas
largas quando é para impormos limites
à liberdade dos outros, já não se admite fora da
tradição, ai a tradição, ai; o corpo é de quem?, é de
quem, o corpo?, porque é que o corpo é de quem o
tem?, então e a família?, a família só é família se for
tradicional, tomem lá a conversa de que nos querem
obrigar a coisas mesmo quando só querem é
que não vos obriguemos a coisas que só a vós dizem
respeito; tomem lá o discurso de que vivem acima das
vossas possibilidades, agradeçam terem emprego
sequer, engulam esta de que os imigrantes explorados
é que têm a culpa da crise, esqueçam os lucros da
banca e os salários miseráveis, tomem lá banda larga e
muito circo, chupem gourmet, chupem low cost, roam
um papo-seco e façam filhos, que esta Disneylândia precisa
de quem produza riqueza para os acionistas; em cada
rosto igualdade?, não: em cada filho um colaborador
futuro, trabalhador não, co-la-bo-ra-dor, um colaborador
é mais empenhado, o empenho prescinde direitos,
querem que isto avance ou não querem?, um passo
atrás de cada vez, 50, 49, 48, sempre a puxar para trás,
rumo a 74, a antes do 25, então não se estava tão
bem?, antes é que era”; e a resposta é, hoje e sempre,
só pode ser: não, não, não, não passarão, não
passarão, não passarão.”
ERRATA: A propósito da frase que Filipe Homem Fonseca citou, de Sísifo ter de gostar da pedra (a frase correcta é “Há que imaginar Sísifo feliz”) – Filipe atribuiu-a a Vitor Hugo quando é, na verdade, de Albert Camus.
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