470 episódios
Filipe Homem Fonseca (parte 2): “É de uma petulância enorme acharmos que vamos ser a última das gerações. Vêm aí tempos piores, mas creio nas futuras gerações”
15/08/2026 | 1h 1minNesta segunda parte da conversa, o escritor e guionista Filipe Homem Fonseca revela o seu ceticismo sobre o caminho do mundo nas próximas décadas, mas dá conta de como resiste à desesperança e da sua grande confiança nas gerações futuras.
Depois revela o seu particular gosto por musicais e banda desenhada do fantástico, lê um poema do poeta e amigo Miguel Martins, partilha algumas das músicas que o acompanham e algumas sugestões culturais
E ainda nomeia alguns dos seus filmes preferidos de sempre, e aqueles que lhe devolvem a esperança na Humanidade. E, no final, alguns dos pequenos quotidianos que o acompanham sempre. Boas escutas!
Músicas referidas:
Bandua – “Barquinho”
Ana Lua Caiano – “Uma vida a menos”
Lavoisier - “Pé de Vento” ( do álbum “Era com h”)
Poema:
Miguel Martins, in São Miguel da Desorientação, ed. Macondo, 2020
Sugestão cultural:
A tour dos Lavoisier: “andam na estrada e são imperdíveis”.
O texto lido por Filipe, da sua autoria:
“50 anos a celebrar o 25, e hoje há quem nos diga “mas
lutem baixinho, não acordem os turistas e os nómadas
digitais, vão mais para ali que é para não se verem as
tendas dos que vivem na rua, olhem que dá mau
aspecto, respeitinho é muito bonito, boas maneiras à
mesa mesmo sem nada para comer, partir a louça é
que não, pensem como vos dizemos para pensar, vivam
como vos deixamos viver; despolarizem, filhos,
despolarizem, a liberdade de expressão tem as costas
largas quando é para impormos limites
à liberdade dos outros, já não se admite fora da
tradição, ai a tradição, ai; o corpo é de quem?, é de
quem, o corpo?, porque é que o corpo é de quem o
tem?, então e a família?, a família só é família se for
tradicional, tomem lá a conversa de que nos querem
obrigar a coisas mesmo quando só querem é
que não vos obriguemos a coisas que só a vós dizem
respeito; tomem lá o discurso de que vivem acima das
vossas possibilidades, agradeçam terem emprego
sequer, engulam esta de que os imigrantes explorados
é que têm a culpa da crise, esqueçam os lucros da
banca e os salários miseráveis, tomem lá banda larga e
muito circo, chupem gourmet, chupem low cost, roam
um papo-seco e façam filhos, que esta Disneylândia precisa
de quem produza riqueza para os acionistas; em cada
rosto igualdade?, não: em cada filho um colaborador
futuro, trabalhador não, co-la-bo-ra-dor, um colaborador
é mais empenhado, o empenho prescinde direitos,
querem que isto avance ou não querem?, um passo
atrás de cada vez, 50, 49, 48, sempre a puxar para trás,
rumo a 74, a antes do 25, então não se estava tão
bem?, antes é que era”; e a resposta é, hoje e sempre,
só pode ser: não, não, não, não passarão, não
passarão, não passarão.”
ERRATA: A propósito da frase que Filipe Homem Fonseca citou, de Sísifo ter de gostar da pedra (a frase correcta é “Há que imaginar Sísifo feliz”) – Filipe atribuiu-a a Vitor Hugo quando é, na verdade, de Albert Camus.
See omnystudio.com/listener for privacy information.Filipe Homem Fonseca (parte 1): “Acredito cada vez mais no vagar, na finitude e numa boa gargalhada”
14/08/2026 | 1h 13minNas artes da escrita, ele é um criador de múltiplas pistas. É dramaturgo, argumentista, romancista, poeta, cronista, realizador e músico e, há décadas, assina programas de televisão, além de séries, filmes, rábulas para rádio e peças de teatro. Fez parte das Produções Fictícias, fundou a banda satírica “Cebola Mol” e, apesar de achar que o mundo ainda vai piorar, continua a acreditar no poder de uma boa gargalhada e na revolução das gerações futuras contra o sistema e a voragem da tecnologia. Ouçam-no nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça. Ouçam-no nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça
See omnystudio.com/listener for privacy information.Viriato Soromenho-Marques (parte 2): “A paz é uma das mais difíceis invenções da Humanidade. E é a grande invenção e projeto que temos de realizar”
08/08/2026 | 1h 26minNesta segunda parte da conversa, o professor universitário, filósofo e ambientalista Viriato Soromenho-Marques reflete sobre as utopias e distopias atuais da sociedade. “As utopias adormecentes são tão poderosas que não reconhecemos no rosto dos nossos filhos as ameaças do futuro.”
Depois refere a paz como a maior invenção da Humanidade, abre o livro sobre as reais ameaças do aquecimento global e deixa um apelo à responsabilidade perante as gerações futuras. “Se não se travar o aquecimento global, nos próximos séculos uma parte considerável do planeta pode estar inabitável.”
E ainda lê um excerto de Nietzsche sobre a “morte de Deus”, fala com orgulho da família e dos dois filhos emigrados, deixa várias sugestões culturais, revela alguns dos seus pequenos prazeres quotidianos e explica por que acredita que "o humor é fundamental para colmatarmos a nossa ignorância e mortalidade”. Boas escutas!
See omnystudio.com/listener for privacy information.Viriato Soromenho-Marques (parte 1): “Está a faltar-nos o espanto pela beleza do mundo. Uma vida boa deve extravasar a tecnologia e os ecrãs”
07/08/2026 | 1h 22minÉ um dos pensadores portugueses mais relevantes a refletir sobre os desafios da guerra e da paz e sobre a urgência climática no mundo. Viriato Soromenho-Marques é professor universitário, filósofo, ensaísta e ambientalista. Nesta conversa alerta para a importância de uma “paz imperfeita” que reduza o risco de uma guerra nuclear e trave a escalada bélica das grandes potências. Preocupado com o futuro frágil do planeta e da humanidade, deixa um aviso: “Em vez de encontrarmos uma solução para a crise, estamos a deixar que seja a crise a encontrar uma solução através do colapso.” Ouçam-no aqui nesta conversa em podcast com Bernardo Mendonça
See omnystudio.com/listener for privacy information.#5 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Madalena Sá Fernandes: “Procuro a resistência da alegria. Vivi uma fase escura. Agora trabalho para manter a alegria, o espanto e a curiosidade”
31/07/2026 | 2h 9minMadalena Sá Fernandes cresceu num ambiente de violência doméstica com um padrasto agressor, tema que atravessa o seu primeiro livro, “Leme”, editado em 2023, num registo de autoficção. Esse romance tornou-se um fenómeno de popularidade: já vai na 8ª edição, foi traduzido no Brasil e chegará também à Dinamarca e à Argentina. Em 2024, a escritora publicou “Deriva”, uma compilação de crónicas, que lhe permitiu revelar um lado mais humorístico sobre o quotidiano. De momento, Madalena está a terminar um mestrado, prepara um livro para crianças, motivada por ser mãe de duas meninas de 6 e 7 anos e este ano publicou um novo romance, “Sótão”, com um lado ensaísta e autobiográfico, sobre a experiência da violência na pele enquanto mulher adulta. “Tenho procurado transformar o que dói em linguagem, e encontrar aí sobrevivência e, idealmente, beleza.” Este episódio foi um dos mais ouvidos da última temporada do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, de Bernardo Mendonça
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ouça A Beleza das Pequenas Coisas, Noites Gregas e muitos outros podcasts de todo o mundo com o aplicativo o radio.net

Obtenha o aplicativo gratuito radio.net
- Guardar rádios e podcasts favoritos
- Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
- Carplay & Android Audo compatìvel
- E ainda mais funções
Obtenha o aplicativo gratuito radio.net
- Guardar rádios e podcasts favoritos
- Transmissão via Wi-Fi ou Bluetooth
- Carplay & Android Audo compatìvel
- E ainda mais funções


A Beleza das Pequenas Coisas
baixe o aplicativo,
ouça.
































