O filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995) foi um profundo admirador de Johann Sebastian Bach. Agnóstico, pessimista e niilista, crítico do cristianismo, ele se surpreendia com o caráter transcendente da música do compositor alemão, que seria mesmo uma forma de “criar Deus” ou de tornar Deus presente. “Quando escutamos Bach, vemos germinar Deus. Sua obra é geradora de divindade”, escreve Cioran no livro Lágrimas e Santos, de 1937. “Depois de um oratório, uma cantata ou uma Paixão, Ele tem que existir. Do contrário, toda a obra de Bach seria uma ilusão dolorosa. E pensar que tantos teólogos e filósofos perderam dias e noites buscando provas da existência de Deus, esquecendo-se da única.”
Já no livro Silogismos da Amargura, de 1952 – publicado no Brasil em 2011 pela Editora Rocco, em tradução de José Thomaz Brum -, o filósofo escreve: “Sem Bach, a teologia careceria de objeto, a Criação seria fictícia, o nada decisivo. Se alguém deve tudo a Bach, sem dúvida, é Deus”.
Nesta edição, Manhã com Bach traz três composições que ilustram bem o que o filósofo romeno escreveu a respeito da música de Bach: a Fuga em Dó Maior (BWV 946), a Trio Sonata em Mi Be Mol Maior (BWV 525) e a cantata Süßer Trost, mein Jesus kömmt, “Doce consolação, meu Jesus vem” (BWV 151).
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Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 14 e 15 de fevereiro de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP.
As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.