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  • Manhã com Bach - USP

    Manhã com Bach #316: Cantata de Bach para rainha surgiu de encomenda feita por estudante

    01/06/2026 | 58min
    Quando a Princesa-Eleitora da Saxônia e Rainha da Polônia Christiane Eberhardine morreu, em 4 de setembro de 1727, um estudante da Universidade de Leipzig chamado Hans Carl von Kirchbach teve a ideia de promover, às suas próprias custas, uma cerimônia póstuma em homenagem à rainha, que seria realizada na Igreja de São Paulo, ligada à Universidade de Leipzig. Tendo obtido da direção da universidade permissão para realizar a cerimônia, Kirchbach encomendou uma cantata para ser exibida durante o evento. Para compor a música, ele contratou Bach, que trabalhava em Leipzig havia então quatro anos. Quanto à letra da cantata, ele pediu para o conceituado escritor, crítico literário e professor da Universidade de Leipzig Johann Christoph Gottsched.
    O resultado desse empenho de Hans Kirchbach é a cantata Lass, Fürstin, lass noch einen Strahl, “Deixa, princesa, deixa ainda um raio” (BWV 198), que foi apresentada no dia 17 de outubro de 1727, na Igreja de São Paulo da Universidade de Leipzig. Composta de duas partes e dez movimentos, a cantata é exibida nesta edição de Manhã com Bach.
    Christiane Eberhardine era venerada na Saxônia – região de predomínio do protestantismo e onde o próprio reformador Martim Lutero havia introduzido a Reforma Protestante dois séculos antes – porque ela se recusara a se converter ao catolicismo quando o seu marido, o rei Augusto II, o Forte, foi eleito rei da Polônia, em 1697. Para assumir o trono polonês, Augusto precisou renunciar ao protestantismo e adotar o catolicismo, no que não foi seguido pela esposa.
    Como mulher do rei, Christiane Eberhardine recebeu o título de Rainha da Polônia, mas se recusou a comparecer à cerimônia de posse do marido, onde seria coroada, e jamais pôs os pés na Polônia, apesar de toda a insistência de Augusto. Com isso, ela se tornou um símbolo da resistência protestante contra o catolicismo e uma espécie de protetora dos protestantes, que temiam que Augusto II implantasse uma contra-Reforma na Saxônia.
    Originalmente, a letra composta por Gottsched era um poema com nove estrofes. Bach faz uma série de modificações nessa estrutura, separando versos e com eles criando recitativos, árias e coros. Não há registro da reação de Gottsched a essas alterações, mas é bem possível que o famoso escritor e professor não tenha ficado muito satisfeito em ver seu texto alterado.
    Ouça o podcast no link acima.
    Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 30 e 31 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP.
    As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.
  • Manhã com Bach - USP

    Manhã com Bach #315: Estão preservadas nove cantatas de Bach para o Pentecoste

    25/05/2026 | 54min
    Estão preservadas nove cantatas de Johann Sebastian Bach para o Pentecoste, uma das três datas mais importantes do cristianismo, ao lado do Natal e da Páscoa. Uma dessas cantatas é intitulada Erschallet, ihr Lieder, erklinget, ihr Saiten!, “Ressoai, vós, canções, tocai, vós, cordas!” (BWV 172) – apresentada nesta edição de Manhã com Bach -, que foi ouvida pela primeira vez na corte de Weimar no domingo de Pentecoste de 1714. O podcast exibe ainda a Sonata para Violino e Cravo Número 5 em Fá Menor (BWV 1018).
    O Pentecoste – palavra de origem grega que significa “quinquagésimo” – lembra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e discípulos de Jesus Cristo 50 dias após a Páscoa, conforme narrado no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos, o quinto livro do Novo Testamento. Para os cristãos, essa manifestação do Espírito Santo marca o surgimento da igreja cristã e o início da sua missão evangelizadora na Terra.
    O Pentecoste tem origem na festa judaica do Shavuot ou festa das Semanas. Essa festa, celebrada sempre no quinquagésimo dia após a Páscoa, marca o início da colheita de trigo, como foi estabelecido no livro do Êxodo. Mais tarde, no século 2 da era atual, a data passou a ser associada também à entrega das Tábuas da Lei por Deus a Moisés no Monte Sinai.
    Se no judaísmo o Shavuot já era celebrado mais de mil anos antes de Cristo, no cristianismo o Pentecoste passou a ser festejado também muito cedo. O teólogo cristão egípcio Orígenes, um dos grandes pensadores do cristianismo primitivo, que viveu na primeira metade do século 3, já cita essa festa e faz comentários sobre ela em várias de suas homilias.
    Ouça o podcast no link acima.
    Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 23 e 24 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP.
    As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.
  • Manhã com Bach - USP

    Manhã com Bach #314: “Variações Canônicas” estão baseadas em hino de Natal de Lutero

    18/05/2026 | 56min
    As Variações Canônicas (BWV 769) são uma composição para órgão formada por cinco cânones, que são curtas peças contrapontísticas – ou seja, músicas em que duas ou mais vozes se entrelaçam. Compostas em 1747, em Leipzig, no leste do território alemão, elas estão baseadas num hino de Natal do reformador alemão Martim Lutero, intitulado Vom Himmel hoch da komme ich her (“Do alto céu eu venho aqui”) e publicado em 1539. A obra de Bach compõem-se de cinco variações desse hino de Lutero, todas em forma de cânone. “Apesar da formidável exibição de lógica e consumado saber, essa obra é basicamente uma peça de música lírica impregnada do espírito do Natal”, resume o musicólogo austríaco Karl Geiringer no livro Johann Sebastian Bach – O Apogeu de Uma Era.
    Esta edição de Manhã com Bach exibe as Variações Canônicas, além da cantata Geist und Seele wird verwirret, “Espírito e alma ficam espantados” (BWV 35).
    A origem das Variações Canônicas está ligada à entrada de Bach na Correspondierende Societät der musicalischen Wissenschaften, a Sociedade Correspondente de Ciências Musicais. Em 1746, ele aceitou convite para se tornar membro dessa sociedade. Para isso, teve que fornecer à sociedade um retrato de si mesmo – que ele encomendou ao pintor alemão Elias Gottlob Haussmann – e duas composições. Uma é o Cânone Triplo a Seis Vozes (BWV 1076) e a outra, as Variações Canônicas. O retrato de Bach produzido por Haussmann e o Cânone Triplo a Seis Vozes foram tema da edição passada de Manhã com Bach (ouça aqui).
    A Sociedade Correspondente de Ciências Musicais foi fundada pelo crítico musical Lorenz Christoph Mizler em 1738. Ela funcionava através de correspondências trocadas entre seus membros, que nunca se reuniram para uma assembleia geral ou outro evento. A sociedade também tinha um órgão oficial, a revista Musikalische Bibliothek, “Biblioteca musical”, que já era publicada por Mizler antes da fundação da sociedade e que circulou com periodicidade irregular entre 1736 e 1754. Até hoje, essa revista é uma importante fonte de informações sobre a música do período barroco na Europa. A sociedade chegou a ter 26 membros, entre eles os compositores Georg Philipp Telemann e Georg Friedrich Händel. Bach foi o 14º integrante do grupo.
    Ouça o podcast no link acima.
    Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 16 e 17 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP.
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  • Manhã com Bach - USP

    Manhã com Bach #313: Ouça a música que aparece no mais famoso retrato de Bach

    11/05/2026 | 53min
    No mais famoso retrato de Johann Sebastian Bach – produzido pelo pintor alemão Elias Gottlob Haussmann (1695-1774) -, o compositor segura na mão direita uma partitura. Nela está escrito o Cânone Triplo a Seis Vozes (BWV 1076), que é exibido nesta edição de Manhã com Bach. O programa apresenta ainda outros sete cânones de Bach, além da cantata Man singet mit Freuden vom Sieg, “Cante-se com alegria pela vitória” (BWV 149).
    No quadro de Elias Haussmann, Bach segura a partitura do Cânone Triplo a Seis Vozes (BWV 1076) – Foto: : Domínio público via Wikimedia Commons
    O retrato foi pintado por Haussmann em 1746 por encomenda de Bach. O compositor havia aceitado um convite para se filiar à Correspondierende Societät der musikalischen Wissenschaften (Sociedade Correspondente de Ciências Musicais), de Leipzig, dirigida pelo crítico de música alemão Lorenz Christoph Mizler. Para entrar nessa sociedade, havia a exigência de que cada novo membro fornecesse a ela um retrato de si mesmo.
    Em 1748, Haussmann produziu uma cópia do mesmo retrato. A obra original, de 1746, se encontra no Museu de História da Cidade de Leipzig, na Alemanha, desde 1913. Ela está danificada por restaurações malsucedidas e repinturas realizadas na segunda metade do século 19.
    Já a cópia feita em 1748, que está em ótimo estado, tem uma história curiosa. Após a morte de Bach, em 1750, o quadro foi herdado por um dos filhos do compositor, Carl Phillipp Emanuel Bach, que o repassou para o compositor alemão e ex-aluno de Bach Johann Christian Kittel. No início do século 19, o quadro foi adquirido por uma família de origem judaica, os Jenke, da cidade de Breslau, a atual Wrocklaw, na Polônia. Nos anos 30 do século 20, a família Jenke, fugindo do nazismo na Alemanha, se transferiu para a Inglaterra. Ali, para evitar que o quadro fosse destruído por bombardeios na Segunda Guerra Mundial, um descendente dos compradores da obra, Walter Jenke, entregou o quadro à família Gardiner, que possuía uma propriedade rural em Dorset, na costa do Canal da Mancha, onde a obra ficou guardada. Curiosamente, um dos membros da família Gardiner era um menino que se tornaria um dos maiores especialistas em Bach, o maestro inglês John Eliot Gardiner. Em 1952, um milionário de Princeton, nos Estados Unidos, chamado William Scheide, comprou o quadro num leilão. Quando Scheide morreu, em 2014, aos 100 anos de idade, a obra foi transferida dos Estados Unidos para o Museu Bach de Leipzig, onde se encontra hoje, conforme o milionário determinou no seu testamento.
    O tipo de música que aparece no retrato de Bach – o cânone – é uma composição contrapontística, ou seja, uma obra musical em que duas ou mais vozes se sobrepõem. Nele, uma voz principal é seguida pelas outras vozes, em intervalos de tempo diferentes, causando um intrincado entrelaçamento de vozes. Por isso, esse tipo de composição é visto também como um exercício de harmonização vocal. O cânone serve ainda como uma espécie de jogo ou exercício intelectual, em que o compositor oferece enigmas para o intérprete resolver. São os chamados cânones-enigmas, como os cânones de Bach apresentados nesta edição de Manhã com Bach.
    Ouça o podcast no link acima.
    Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 9 e 10 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP.
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  • Manhã com Bach - USP

    Manhã com Bach #312: "18 Grandes Prelúdios Corais" foram publicados só no século 19

    04/05/2026 | 55min
    Uma das maiores realizações na área da música para órgão, os Dezoito Grandes Prelúdios Corais, de Johann Sebastian Bach, foram compostos na corte de Weimar, entre 1708 e 1717. Depois, nos anos 1740, quando trabalhava em Leipzig, Bach retomou esses prelúdios corais, fez novos arranjos para eles e os preparou para publicação, o que só aconteceu em meados do século 19, cerca de 100 anos depois da morte do compositor.
    Nesta edição, Manhã com Bach conclui a audição dessas peças, iniciada no programa retrasado. Os prelúdios apresentados são Allein Gott in der Höh sei Ehr, “Somente a Deus nas alturas seja a honra” (BWV 663), Allein Gott in der Höh sei Ehr, “Somente a Deus nas alturas seja a honra” (BWV 664), Jesus Christus, unser Heiland, “Jesus Cristo, nosso Salvador” (BWV 665), Jesus Christus, unser Heiland, “Jesus Cristo, nosso Salvador” (BWV 666), Komm, Gott Schöpfer, heiliger Geist, “Vem, Deus, Criador, Santo Espírito” (BWV 667), e Vor deinen Thron tret ich hiermit, “Diante do teu trono eu me encontro” (BWV 668). O programa exibe ainda a cantata Du wahrer Gott und Davids Sohn, “Tu, verdadeiro Deus e filho de Davi” (BWV 23).
    Ouça o podcast no link acima.
    Este podcast reproduz o programa Manhã com Bach, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido nos dias 2 e 3 de maio de 2026. Dedicado à divulgação da música do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), Manhã com Bach vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos sábados, às 9 horas, com reapresentação no domingo, também às 9 horas, inclusive via internet, através do site da emissora. Às segundas-feiras ele é publicado em formato de podcast no site do Jornal da USP.
    As edições anteriores do podcast Manhã com Bach estão disponíveis neste link.
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Sobre Manhã com Bach - USP
Dedicado à divulgação da obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), o programa Manhã com Bach apresenta na íntegra, precedidas por breves comentários, músicas nos vários gêneros, estilos e instrumentos a que Bach se dedicou, como cantatas e concertos para órgão, cravo, violino e flauta, entre outros.
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