107 episódios
- Na Umbanda, Caboclos e Caboclas são guias fortes e reverenciados. Mas será que a nossa visão sobre essas entidades não foi capturada pelo olhar da branquitude? No Episódio 107 do Risca Ponto, a gente vai falar sobre a "aldeia de plástico" que foi criada em muitos terreiros e nas redes sociais. Transformando a diversidade complexa dos povos indígenas do Brasil num personagem genérico, dócil e padronizado, que só serve para dar passe e conselho. Esqueceram que nossos guias têm humanidade e história. Eles carregam a memória das invasões, massacres, do roubo de terras e das violências coloniais que as populações indígenas e negras enfrentaram e ainda enfrentam. Falar de miscigenação e "encontro de culturas" ignorando o estupro e a violência estrutural é abraçar a narrativa de quem colonizou.
Honrar o povo das matas não é só acender vela verde e gritar Okê Caboclo. É preciso ter responsabilidade. Entender que a terra não é mercadoria. E, principalmente, ler, ouvir e apoiar os povos indígenas vivos que estão hoje lutando contra o Marco Temporal e o garimpo ilegal para defender o mesmo território que você saúda na gira.
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Nos avalie com 5 estrelas no Spotify. - As pessoas tem uma mania péssima de tentar domesticar e catalogar aquilo que não controlamos. Para tentar explicar Exu Mirim a Umbanda embranquecida já fez de tudo: uns dizem que são meninos de rua, outros que são "pigmeus" africanos, indígenas de pequena estatura ou até “gabirus".
Pior ainda é a ideia de transformar o terreiro numa repartição pública, dizendo que Exu Mirim é um estagiário, um espírito imaturo ou um guia sem evolução que um dia vai “crescer” e virar um Exu de verdade. A gente faz isso porque a sociedade nos ensinou a criminalizar a malícia e a inteligência de quem precisou aprender com a rua para sobreviver. Exu Mirim não perde fundamento porque ri alto, provoca, não obedece, ou fala palavrão. Ele não é um aprendiz. Ele é Exu.
Neste episódio de Risca Ponto conversamos sobre isso.
#RiscaPonto #ExuMirim #Umbanda #PovoDeRua #Exu - "O racismo é coisa do passado." Quantas vezes você já ouviu isso?
Aproveitando a postagem de @hugo.apontes sobre o assunto, resolvemos gravar este episódio.
É muito comum escutar em mesas de bar ou grupos de família que a escravidão acabou faz tempo e que debater o racismo é "vitimismo".
Mas no Episódio 105 do Risca Ponto, a gente te convida para um exercício sensorial e matemático que desmonta essa conversa.
Imagine que a escravidão começasse hoje, em 2026. Como ela durou 388 anos no Brasil, você e sua família continuariam sendo escravizados até o ano de 2414. São 14 gerações consecutivas esmagadas pela violência colonial, sem nunca nascerem livres. E a parte mais dura: o comércio de seres humanos foi o verdadeiro motor econômico que enriqueceu o país, construindo as bases do chão que pisamos hoje.
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Nos avalie com 5 estrelas no Spotify - O branco vestido no seu terreiro é fundamento ou farda de apagamento?
Sexta-feira a gente veste branco, encontra outro umbandista na rua, dá um sorriso e solta um "Saravá!". É símbolo de resistência e de pertencimento! Mas você já parou para pensar na história que existe por trás daquela "farda" perfeitinha, engomada e fechada até o pescoço que vemos em muitos terreiros? No Episódio 104 do Risca Ponto, a gente entra nesse processo histórico de higienização estética da Umbanda.
Numa busca por aceitação social em um país racista, terreiros foram domesticando os corpos. O axé popular, colorido, descalço e corporal das matrizes africanas passou a ser descartado, sob a desculpa de "manter a ordem" e construir uma Umbanda mais "séria" e distante do Candomblé.
O branco é fundamento, sim (as tradições bantu!). Mas ele não precisa ser um nivelador que apaga a história e invisibiliza os corpos negros.
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Compartilhe nosso conteúdo - Você já parou para calcular o verdadeiro preço de um terreiro?
Existe uma ideia muito romantizada de que para abrir um terreiro basta ter axé, a autorização dos guias e um cômodo vazio. Mas a realidade é que essa caminhada acontece diante de contratos, dinheiro e planilhas.
No Episódio 103 do Risca Ponto, fizemos um exercício honesto sobre os custos reais de uma casa de axé.
A caridade é gratuita para quem recebe, mas nunca foi gratuita para quem constrói as condições materiais para ela acontecer. E quando a gente esquece disso, começamos a cobrar uma disponibilidade infinita de quem lidera a casa, adoecendo e empobrecendo nossas lideranças.
Terreiro é comunidade, e comunidade de verdade significa responsabilidade compartilhada. O terreiro existe porque nós existimos, e sua permanência precisa ser uma construção coletiva.
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Sobre Risca Ponto
Salve Umbanda, Saravá! Bem-vindos, bem-vindas, bem-vindes ao RISCA PONTO, podcast de Umbanda. Sou Dario Forghieri e este espaço é dedicado a resgatar a afro-brasilidade da Umbanda, sua força política e social. Vamos questionar o embranquecimento histórico e destacar as raízes da Umbanda, reconhecendo a contribuição dos povos negros e a resistência à marginalização cultural e ritualística. Vamos abrir essa gira e refletir juntos!
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