Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que não deveríamos falar "meu caboclo", "minha pombagira", "meu preto velho" ou "meu exu"?
Mas será que toda palavra precisa ser lida pela lógica da posse?
A colonialidade nos ensinou a enxergar o mundo através da propriedade, da utilidade e da produtividade. Quando não é posse, vira prestador de serviço.
Mas o terreiro fala outra língua. A língua do pertencimento. A língua do afeto. A língua da ancestralidade.
Quando um filho de santo fala "meu caboclo", talvez não esteja reivindicando propriedade sobre ninguém. Talvez esteja apenas reconhecendo uma caminhada compartilhada. Uma presença que acolheu, ensinou, corrigiu, protegeu e ajudou a sustentar sua vida em momentos difíceis.
Neste episódio do Risca Ponto, conversamos sobre afeto espiritual, pertencimento, oralidade, memória e sobre como algumas críticas aparentemente modernas acabam reproduzindo as mesmas lógicas coloniais que dizem combater.
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