Tem discussões na Umbanda que revelam muito mais sobre as nossas próprias limitações do que sobre os guias em si. Nos últimos tempos, tem crescido um discurso que tenta explicar a nossa religião exclusivamente através de critérios racionais, intelectuais e cronológicos.
A bola da vez é questionar a legitimidade dos Erês, sob a desculpa de que uma criança "não teria vivido o suficiente para “ancestralizar ou "não teria bagagem” para orientar um adulto. O nosso novo episódio do RISCA PONTO nasceu de um texto extremamente potente da Mãe Camila Paiva so Terreiro Alumeia de Taboão da Serra, que me fez parar para refletir e decidir fazer este episódio de hoje: será que essas certezas sobre "idade e sabedoria" vieram das matrizes africanas e indígenas que formam a Umbanda, ou são apenas o pensamento colonial se infiltrando nos nossos terreiros?
Quando você olha de verdade para uma gira de Erê, entende que a lógica é outra. A cura vem pela brincadeira, pela alegria, pelo afeto e pela simplicidade. Às vezes, a gente precisa desaprender as certezas que o mundo adulto nos forçou a carregar para acessar conhecimentos reais. Defender a presença dos Erês na Umbanda é defender uma forma diferente e decolonial de compreender o tempo, a vida e a nossa memória coletiva.
Siga o Risca Ponto nas redes sociais.
Nos avalie com 5 estrelas no Spotify