104 episódios
- O branco vestido no seu terreiro é fundamento ou farda de apagamento?
Sexta-feira a gente veste branco, encontra outro umbandista na rua, dá um sorriso e solta um "Saravá!". É símbolo de resistência e de pertencimento! Mas você já parou para pensar na história que existe por trás daquela "farda" perfeitinha, engomada e fechada até o pescoço que vemos em muitos terreiros? No Episódio 104 do Risca Ponto, a gente entra nesse processo histórico de higienização estética da Umbanda.
Numa busca por aceitação social em um país racista, terreiros foram domesticando os corpos. O axé popular, colorido, descalço e corporal das matrizes africanas passou a ser descartado, sob a desculpa de "manter a ordem" e construir uma Umbanda mais "séria" e distante do Candomblé.
O branco é fundamento, sim (as tradições bantu!). Mas ele não precisa ser um nivelador que apaga a história e invisibiliza os corpos negros.
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Compartilhe nosso conteúdo - Você já parou para calcular o verdadeiro preço de um terreiro?
Existe uma ideia muito romantizada de que para abrir um terreiro basta ter axé, a autorização dos guias e um cômodo vazio. Mas a realidade é que essa caminhada acontece diante de contratos, dinheiro e planilhas.
No Episódio 103 do Risca Ponto, fizemos um exercício honesto sobre os custos reais de uma casa de axé.
A caridade é gratuita para quem recebe, mas nunca foi gratuita para quem constrói as condições materiais para ela acontecer. E quando a gente esquece disso, começamos a cobrar uma disponibilidade infinita de quem lidera a casa, adoecendo e empobrecendo nossas lideranças.
Terreiro é comunidade, e comunidade de verdade significa responsabilidade compartilhada. O terreiro existe porque nós existimos, e sua permanência precisa ser uma construção coletiva.
Ouça e compartilhe! - A branquitude tenta até hoje te convencer de que a Umbanda nasceu num passe de mágica em 1908, com um menino branco de classe média. Mentira.
A história oficial tentou apagar o sangue, o suor e a luta do povo preto que já fazia macumba muito antes da elite decidir higienizar a nossa Umbanda. No EP 102, a gente joga a lenda da carochinha no lixo para coroar o maior nome da nossa história: Tata Tancredo da Silva Pinto.
Foi esse homem preto que peitou a polícia, o Estado Novo e o kardecismo racista para defender o a Umbanda como cultura negra. Ele estruturou o Omolokô e usou a política e os livros como armas de afirmação histórica.
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#RiscaPonto #TataTancredo #Umbanda #Ancestralidade #Macumba - Viver nunca foi caminhar direção ao fim. Viver é participar de um movimento permanente de transformação.
Em nossa sociedade ocidental, fomos ensinados a esconder a morte e a atravessar o luto com a pressa de quem precisa voltar a ser produtivo. Mas e se olharmos para a morte não como o fim da linha mas sim como uma travessia? No novo episódio do Risca Ponto, vamos conversar sobre a passagem como um verdadeiro sacramento da Umbanda. Inspirados pelas filosofias africanas, como a cosmologia bakongo, refletimos sobre como o terreiro acolhe o luto e transforma a dor em memória e fundamento.
#RiscaPonto #Umbanda #Ancestralidade #Axé #Kalunga - Celebramos 100 episódios do Risca Ponto abordando um tema que não pede licença para entrar nos nossos terreiros, conversas, no nosso convívio familiar: a machosfera.
Bem longe de ser só um fenômeno de internet, esse é um projeto político que lucra com a insegurança masculina, oferecendo respostas mentirosas e apontando o feminismo e as mulheres como grandes inimigos. No episódio de hoje, vamos entender como essa rede internacional de ressentimento se baseia em visões distorcidas pela colonialidade e pelo patriarcado. Vamos debater por que a verdadeira força de um homem dentro da Umbanda jamais estará baseada na dominação de territórios ou na anulação das mulheres, mas sim na responsabilidade compartilhada e no cuidado comunitário.
🎧 Dê o play no Episódio 100: "A machosfera e o terreiro". Disponível no Spotify e nas principais plataformas de áudio. O link está na bio e nos stories!
Referências:
Livros
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. The Invention of Women: Making an African Sense of Western Gender Discourses. University of Minnesota Press, 1997.
hooks, bell. O Feminismo é para Todo Mundo. Rosa dos Tempos.
hooks, bell. A Vontade de Mudar: Homens, Masculinidade e Amor. Elefante.
DAVIS, Angela. Mulheres, Raça e Classe. Boitempo.
COLLINS, Patricia Hill. Black Feminist Thought. Routledge.
GONZALEZ, Lélia. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano. Zahar.
CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de Racialidade. Zahar.
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. Pólen.
BILGE, Sirma; COLLINS, Patricia Hill. Intersectionality. Polity Press.
RIBEIRO, Djamila. Quem Tem Medo do Feminismo Negro?. Companhia das Letras.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a Mestiçagem no Brasil. Autêntica.
WERNECK, Jurema (org.). Saúde das Mulheres Negras: Nossos Passos Vêm de Longe.
CONNELL, Raewyn. Masculinities. University of California Press.
KIMMEL, Michael. Angry White Men. Nation Books.
Podcasts
Café da Manhã (Folha de S.Paulo) — Por dentro da machosfera brasileira.
Brasil Partido (BBC Brasil) — A machosfera.
Pauta Pública (Agência Pública) — Adolescência: a machosfera para além dos incels.
Ciência Suja — Machosfera: Marcadores da Masculinidade.
Fontes dos dados apresentados
Fórum Brasileiro de Segurança Pública — 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025).
Fórum Brasileiro de Segurança Pública / Datafolha — Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil (5ª edição, 2025).
Fundação Getulio Vargas — A Machosfera é Política (2025).
Ribeiro, Manoel Horta et al. — The Evolution of the Manosphere Across the Web (2020).
NetLab/UFRJ; Observatório da Indústria da Desinformação e Violência de Gênero; Ministério das Mulheres — relatório sobre monetização da misoginia (2025).
Underreporting of Intimate Partner Violence in Brazil (2025).
#RiscaPonto #Umbanda #Machosfera #Espiritualidade
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Sobre Risca Ponto
Salve Umbanda, Saravá! Bem-vindos, bem-vindas, bem-vindes ao RISCA PONTO, podcast de Umbanda. Sou Dario Forghieri e este espaço é dedicado a resgatar a afro-brasilidade da Umbanda, sua força política e social. Vamos questionar o embranquecimento histórico e destacar as raízes da Umbanda, reconhecendo a contribuição dos povos negros e a resistência à marginalização cultural e ritualística. Vamos abrir essa gira e refletir juntos!
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