No episódio de fevereiro do Estratégia Mensal, João Scandiuzzi, sócio do BTG Pactual e estrategista-chefe de Portfolio Solutions, comenta os principais pontos do Relatório de Estratégia de fevereiro de 2026 e analisa um início de ano marcado por maior incerteza no cenário internacional.
O noticiário global foi dominado por choques geopolíticos e mudanças na narrativa de política econômica, o que elevou a incerteza. Ainda assim, os mercados apresentaram um padrão relativamente claro: valorização de ativos cíclicos e enfraquecimento do dólar, favorecendo economias emergentes exportadoras de commodities. Nos Estados Unidos, a atividade segue forte, sustentada pelo consumo das famílias e pelos investimentos em inteligência artificial, enquanto o Fed adotou postura de cautela, com pausa no ciclo de cortes e perspectiva de eventuais reduções apenas a partir do meio do ano.
No Brasil, o fluxo externo positivo impulsionou a valorização do real e o desempenho dos ativos locais, embora o prêmio de risco siga elevado em função do cenário fiscal. A inflação mostrou sinais de melhora gradual, o que abriu espaço para a sinalização de início do ciclo de cortes da Selic a partir de março, em um processo que deve ocorrer de forma progressiva e cuidadosa.
Na alocação, a renda fixa se beneficiou do fechamento da curva de juros, com bom desempenho dos prefixados e dos títulos indexados à inflação. Em renda variável, a Bolsa brasileira teve forte valorização no mês, impulsionada pelo fluxo estrangeiro e pela busca global por mercados ainda descontados.