133 episódios
- Sábado, seis e meia da manhã, um grupo de corrida se aquecendo no parque. Gente que três meses atrás não se conhecia e que hoje percebe quando alguém falta. Neste episódio, eu parto dessa cena para entender por que, depois de duas décadas de tecnologia prometendo nos conectar com todo mundo, as pessoas estão acordando cedo, pagando taxa e lendo livro inteiro para pertencer a algo pequeno, presencial e recorrente.
A gente passa pelo relatório da OMS que trata a solidão como questão de saúde pública, pela leitura da WGSN sobre comunidade como direção de marca para 2027 e pelo paradoxo de um país que perde leitores enquanto os clubes de leitura crescem. Também falo do boom dos grupos de corrida no Brasil, dos jantares com desconhecidos e do papel da curadoria num futuro em que cada vez mais escolhas vão ser delegadas a algoritmos.
Nos cases, entram a Olympikus e sua cocriação com os crews de corrida, a The Hardest Run aqui de Curitiba e outras marcas que entenderam que comunidade não se compra, se hospeda. E, como sempre, tem leitura crítica: a comunidade de fachada, o pertencimento que vira privilégio de quem pode pagar e a comunidade que cansa mais do que acolhe.
Para quem trabalha com marketing, branding e estratégia, o episódio termina com perguntas práticas para levar para a próxima reunião, e com uma que vale para a marca e para a vida: onde alguém notaria a sua ausência se você não aparecesse? - IA DE COMPANHIA: AFETO SOB DEMANDA?
Uma inteligência artificial que nunca está ocupada, nunca perde a paciência e sempre sabe o que responder pode ser considerada companhia?
Neste episódio do Cada Vez+, investigo por que tantas pessoas estão criando vínculos emocionais com inteligências artificiais — e o que esse fenômeno revela sobre solidão, comportamento e consumo.
A conversa passa pelas relações parassociais, pela intimidade unilateral e pelo affection washing: quando marcas simulam cuidado e proximidade para obter mais dados, permanência ou consumo.
A IA escuta, lembra, responde e se adapta. Mas não precisa ser escutada de volta. Para as marcas, isso abre possibilidades de relacionamento, mas também exige limites claros.
A questão não é apenas até onde a tecnologia consegue simular proximidade. É o que as empresas pretendem fazer com a intimidade que essa proximidade produz. - Bem-estar virou uma das palavras mais valorizadas do mercado. Está nos alimentos, nos cosméticos, nos suplementos, nos ambientes de trabalho e até na identidade visual das marcas. Mas quanto dessa promessa se sustenta quando buscamos as evidências?
Neste episódio, vamos falar sobre WELLWASHING: o uso da linguagem, dos símbolos e da estética do bem-estar para transmitir benefícios que podem ser vagos, exagerados ou difíceis de comprovar.
Você vai entender como cores, embalagens, influenciadores, depoimentos e expressões como “natural”, “cientificamente comprovado” e “promove o equilíbrio” ajudam a construir uma aparência de saúde.
Para separar compromisso de decoração, proponho três testes: a promessa precisa ser real, rastreável e repetível.
Um episódio sobre marketing, saúde, responsabilidade e o limite cada vez mais estreito entre comunicar bem-estar e apenas parecer saudável. - Em um mundo no qual textos, imagens, serviços e produtos podem ser criados em poucos segundos, aquilo que revela autoria, conhecimento e participação humana começa a ganhar outro valor.
Neste episódio, conversamos sobre o interesse crescente pelo artesanal, pelo crochê, pela cerâmica, pela escrita à mão e por outras atividades que recuperam a experiência de fazer. Mas a discussão vai além do trabalho manual: chega à forma como as marcas demonstram procedência, responsabilidade, curadoria e intervenção humana em suas entregas.
O que as pessoas realmente acrescentam a um produto ou serviço? Como tornar essa contribuição visível sem transformar o “feito por gente” em mais uma estética fabricada? E o que essa tendência representa para branding, inovação, atendimento e experiência do consumidor?
Um episódio sobre tecnologia, autoria e o valor de acompanhar alguma coisa tomando forma, inclusive quando o resultado não sai perfeitamente igual aos outros. - Durante décadas, a embalagem bonita vendeu mais do que o produto. Hoje, o que prende atenção é a bagunça antes da embalagem: a cera derretendo, a parede que precisou ser refeita, o prato sendo montado três vezes até sair certo.A gente já sabe como termina. Mesmo assim, fica vendo.Neste episódio eu uso quatro conceitos da psicologia cognitiva (Curiosity Gap, Efeito Zeigarnik, IKEA Effect e Narrative Transportation) para explicar por que o processo virou tão interessante quanto o resultado, e o que isso mudou na forma como marcas constroem confiança. De "acredite em mim" para "venha ver": os dados mostram que o consumidor não quer mais a afirmação, quer a prova (e tem números específicos sobre origem e matéria-prima que talvez expliquem, sozinhos, boa parte do fenômeno).Também entro no lado que pouca gente discute: o que acontece quando o bastidor é encenado, e por que essa encenação custa mais caro pra marca do que nunca ter mostrado processo nenhum.Quando foi que a gente começou a gostar tanto do caminho?
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Sobre CADA VEZ+ Tendências de Mercado e Consumo
Toda tendência conta uma história sobre o que está mudando no consumo, no marketing e nas marcas. No podcast Tendências de Mercado e Consumo, eu, Célia Linsingen, trago uma ou mais tendências por episódio e mostro como elas podem — e devem — ser exploradas no mercado. Enquanto você apaga incêndios, eu acendo faróis. Faço a curadoria, corto o ruído e entrego o que importa — com alma, contexto, coragem e aquele tipo de provocação que não impõe, mas faz pensar. Aqui, tendência não é modinha: é ferramenta estratégica pra quem quer criar futuro com intenção.
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