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Freud Que Eu Te Escuto

Alexandre Spinelli Ferreira
Freud Que Eu Te Escuto
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  • Freud Que Eu Te Escuto

    Textos Breves (1937 - 1938)

    24/10/2025 | 12min
    Neste episódio, apresento a leitura dos Textos Breves (1937–1938) — os últimos escritos de Freud, marcados por lucidez, ironia e uma serenidade trágica diante do fim da vida e da ascensão da barbárie na Europa.

    Esses textos reúnem reflexões pessoais, anotações teóricas e observações políticas, revelando o Freud mais humano e mais direto, já consciente da proximidade da morte e do colapso da civilização que tanto analisara.

    Entre os textos lidos estão:
    Lou Andreas-Salomé (1861–1937) – necrológio comovente dedicado à amiga, escritora e psicanalista, onde Freud celebra sua autenticidade e força interior.

    Conclusões, Ideias, Problemas – fragmentos de pensamentos de 1937, breves anotações que tocam temas como a inveja do pênis, a origem da culpa, o misticismo e a estrutura do aparelho psíquico.

    Um Comentário sobre o Antissemitismo – texto de notável coragem, em que Freud ironiza o moralismo cristão e denuncia a hipocrisia das condenações superficiais ao ódio contra os judeus.

    O Antissemitismo na Inglaterra – sua última carta publicada, escrita já exilado em Londres, para o editor da Time and Tide, onde reflete sobre a perda da pátria e o silêncio digno diante da violência e da injustiça.

    Freud segue agudo, indignado e espiritualmente livre. Mesmo em meio ao exílio e à doença, permanece fiel ao pensamento crítico e à coragem intelectual que moldaram todo o século XX.

    📖 Textos publicados nas Obras Completas de Sigmund Freud, Volume 19 – Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza.

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  • Freud Que Eu Te Escuto

    Prefácios e Textos Breves (1930-1936)

    23/10/2025 | 28min
    Neste episódio, apresento a leitura dos Prefácios e Textos Breves (1930–1936) — um conjunto de escritos que, embora curtos, revelam um Freud maduro, atento ao mundo e às pessoas, oscilando entre o rigor científico e a ternura pessoal.

    São textos de circunstância, cartas, apresentações e reflexões que mostram o psicanalista em seu convívio com discípulos, amigos e instituições. Entre eles estão:
    Apresentação de The Medical Review of Reviews – observações sobre a recepção da psicanálise nos Estados Unidos, com seu tom crítico e irônico.

    Prólogo a Dez Anos do Instituto Psicanalítico de Berlim – homenagem à criação do instituto e à dedicação de Max Eitingon.

    O Parecer no Processo Halsmann – comentário sobre o uso indevido do complexo de Édipo como argumento jurídico.

    Apresentação de Elementos di Psicoanalisi, de Edoardo Weiss – reconhecimento do rigor e clareza do discípulo italiano.

    Excerto de uma Carta a Georg Fuchs – reflexão amarga sobre a “brutalidade da civilização” e a impossibilidade de reformá-la sem recursos morais e econômicos.

    Carta ao Prefeito da Cidade de Príbor – um agradecimento emocionado pela placa em sua casa natal, onde ele relembra a “criança feliz de Freiberg”.

    Apresentação de Teoria Geral das Neuroses sobre Base Psicanalítica, de Hermann Nunberg – elogio à profundidade e à consistência teórica da obra.

    Prólogo ao Dicionário de Psicanálise, de Richard Sterba – incentivo ao esforço acadêmico e ao trabalho de precisão conceitual.

    Sándor Ferenczi (1873–1933) – homenagem ao amigo e parceiro de ideias, reconhecendo sua genialidade e o afastamento final.

    Prólogo a Edgar Poe: Estudo Psicanalítico, de Marie Bonaparte – valorização do olhar psicanalítico sobre a arte e o gênio criativo.

    A Thomas Mann em seu 60o Aniversário – breve mensagem de admiração e respeito ético, recusando o elogio exagerado.

    A Sutileza de um Ato Falho – análise de um pequeno erro de escrita que revela, com humor, a complexidade dos processos psíquicos cotidianos.

    Um compêndio delicado e multifacetado — entre a despedida e o legado — em que Freud escreve menos como o fundador da psicanálise e mais como um homem diante do tempo, da cultura e da memória.

    📖 Textos publicados nas Obras Completas de Sigmund Freud, Volume 18 – Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza.

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  • Freud Que Eu Te Escuto

    Sobre a Sexualidade Feminina (1931)

    21/10/2025 | 40min
    Neste episódio, leio Sobre a Sexualidade Feminina (1931), um dos textos mais complexos e fascinantes de Freud — e também um dos mais discutidos até hoje. Nele, Freud aprofunda as diferenças entre o desenvolvimento sexual masculino e feminino, questionando a universalidade do complexo de Édipo e revelando o papel decisivo da fase pré-edípica, marcada pela ligação intensa da menina à mãe.

    Freud afirma: “Foi necessário admitir a possibilidade de que certo número de mulheres se detém na ligação original com a mãe e jamais se volta realmente para o homem.” Essa constatação o leva a rever uma de suas próprias teses centrais: a de que o complexo de Édipo seria o núcleo de todas as neuroses.

    A partir dessa virada teórica, ele descreve com precisão a transição da menina da mãe para o pai, o papel do complexo de castração, as três possíveis direções do desenvolvimento feminino — renúncia, persistência da masculinidade, ou realização da feminilidade — e a ambivalência entre amor e hostilidade que permeia as relações entre mãe e filha.

    Freud reconhece que a feminilidade emerge não como simples espelho da masculinidade, mas como um percurso próprio, cheio de rupturas e regressões. “A fase de exclusiva ligação à mãe assume na mulher uma importância bem maior do que no homem”, escreve, propondo uma leitura que se tornaria fundadora para toda a psicanálise posterior sobre o feminino.

    Um texto denso, histórico e corajoso — onde Freud se aproxima da sombra e da complexidade do que chama de “mistério da feminilidade”.

    📖 Texto publicado nas Obras Completas de Sigmund Freud, Volume 18 – Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza.

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  • Freud Que Eu Te Escuto

    Um Distúrbio de Memória na Acrópole (Carta a Romain Rolland, 1936)

    17/10/2025 | 20min
    Neste episódio, apresento a leitura de Um Distúrbio de Memória na Acrópole (1936), a célebre carta de Freud ao escritor Romain Rolland, escrita quando Freud já estava idoso e fragilizado, mas ainda capaz de transformar uma lembrança pessoal em uma profunda reflexão psicanalítica.

    Ele narra uma viagem a Atenas, feita com o irmão, e o estranho sentimento que o tomou ao subir à Acrópole: “Então tudo isso existiu realmente, tal como aprendemos na escola.” — um pensamento banal à primeira vista, mas que se revela, sob análise, uma chave para o inconsciente.

    Freud investiga o episódio como se fosse um de seus pacientes, transformando o próprio espanto em objeto de estudo. Descobre ali um conflito interno entre prazer e culpa — a sensação de “ter ido longe demais”, de ter superado o pai e transgredido um interdito antigo. “Há algo errado nisso, algo proibido desde sempre. É como se o essencial do êxito fosse chegar mais longe que o pai.”

    O texto é um dos últimos em que Freud fala de si com tanta lucidez e humanidade. Nele, encontramos o teórico e o homem, o cientista e o filho — reunidos na lembrança de um instante em que o real e o simbólico se confundem sob o sol da Acrópole.

    📖 Texto publicado nas Obras Completas de Sigmund Freud, Volume 18 – Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza.

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    Meu Contato com Josef Popper-Lynkeus (1932)

    15/10/2025 | 14min
    Neste episódio, apresento a leitura de Meu Contato com Josef Popper-Lynkeus (1932), texto em que Freud revisita as origens da psicanálise e reflete sobre seu encontro intelectual — ainda que nunca pessoal — com o pensador austríaco Josef Popper-Lynkeus.

    Freud rememora o momento de nascimento de A Interpretação dos Sonhos e descreve, com rara franqueza, a busca por compreender os distúrbios psíquicos que a medicina de sua época não sabia tratar. “Era preciso buscar novos caminhos. E como era possível ajudar os doentes se nada se compreendia dos seus males?” — escreve ele, explicando como a investigação dos sonhos se tornou uma via para a alma.

    Ao descobrir, anos mais tarde, a obra Fantasias de um Realista, de Popper-Lynkeus, Freud encontra nela uma surpreendente afinidade: o autor descreve um homem cujos sonhos nunca eram absurdos — alguém “não dividido”, em harmonia interior. Freud reconhece ali uma formulação intuitiva da própria teoria da deformação onírica: “A deformação era um compromisso, resultado do conflito entre pensamento e sentimento.”

    Em Popper, Freud vê um ideal humano — íntegro, ético, livre de falsidade — e, ao mesmo tempo, um espelho do que a psicanálise busca compreender: o equilíbrio entre instinto e cultura, entre desejo e repressão. Com ternura e melancolia, confessa: “Adiei uma visita até que foi tarde demais, e pude apenas cumprimentar seu busto no parque de nossa prefeitura.”

    Um texto tocante, entre a lembrança e a admiração, em que Freud fala tanto de Popper quanto de si mesmo.

    📖 Texto publicado nas Obras Completas de Sigmund Freud, Volume 18 – Companhia das Letras, tradução de Paulo César de Souza.

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Sobre Freud Que Eu Te Escuto

Descubra a obra e a vida de Freud de forma acessível! No nosso podcast, você encontrará leituras cuidadosas de artigos, cartas e outros textos de Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise. Cada episódio é uma oportunidade para aprofundar seu conhecimento sobre psicanálise e explorar os pensamentos e teorias que revolucionaram a compreensão da mente humana. Utilizamos as traduções de Paulo César de Souza, da Cia das Letras. Se está gostando do podcast e quer nos ajudar a continuar, que tal se tornar um assinante? Clique aqui: https://creators.spotify.com/pod/profile/freudqueeuteescuto/subscribe
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