99 episódios
- Enquanto concluo meu doutorado em Literatura Clássica Chinesa na Universidade de Wuhan, recebo um parecer crítico sobre minha dissertação que me leva a uma reflexão inesperada sobre histórias, avaliações e o poder que outras pessoas têm de narrar quem somos. Partindo de uma crítica acadêmica real, o episódio atravessa as ideias de Chimamanda Ngozi Adichie sobre “o perigo de uma só história”, passa pelas reflexões historiográficas de Benedetto Croce e retorna ao mito chinês de Pangu 盘古, o gigante primordial cujo corpo se transforma no próprio mundo. Entre pareceristas, memória, narrativa e identidade, o episódio pensa sobre a violência e o fascínio das histórias que contam sobre nós, e sobre a necessidade de continuar vivendo novas histórias para não sermos aprisionados por uma só.
- Neste episódio, parto do mito de Pangu 盘古 para pensar uma sensação muito atual: a de viver dentro de um mundo que já está em andamento. Entre o caos inicial do hundun 混沌 e a separação entre céu e terra, a figura de Pangu sustenta e organiza a criação enquanto cresce com ela. Em contraste, trago a ideia de “tempo vivido” de Eugène Minkowski para refletir sobre a experiência contemporânea de tempo como peso, especialmente quando a vida deixa de fluir e passa a exigir sustentação. O episódio atravessa essa tensão entre criação e continuidade, entre expansão e trincheira, para pensar o que significa existir quando não se está no começo de nada, mas ainda assim se carrega, no próprio corpo, tudo aquilo que continua.
- Neste episódio, parto da pergunta incômoda sobre ter piorado ou não com o tempo para investigar algo mais profundo: a obsessão moderna em se medir. A partir de Zhuangzi e do sonho da borboleta, em diálogo com Winnicott, este ensaio atravessa amadurecimento, identidade, luto por versões de si e a armadilha de viver em relação a escalas rígidas de bom e mau, sucesso e fracasso. A régua que promete orientação acaba endurecendo o eu, aprisionando-o numa comparação constante. Talvez amadurecer não seja avançar numa linha, mas aceitar a transição, abandonar a fixação e recuperar a liberdade de existir sem precisar provar quem se é.
- Como o BiYiNiao me ensinou que o Breve Catecismo de Westminster estava errado.
No episódio 84, eu volto à origem do nome do podcast e à pergunta que moldou a minha infância: “qual é o fim principal do homem?”. Entre catecismo, urgência e a sensação de viver como meio para um propósito, eu chego ao BiYiNiao como imagem de falta, vínculo e harmonia. Um episódio sobre conflito interno, participação na vida e o tipo de sentido que nasce quando a gente aprende a voar com o mundo, e não contra ele.
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Cultura chinesa clássica e seus desdobramentos literários.
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