101 episódios
- No Sonho da Câmara Vermelha, uma pedra deixada de lado pela deusa Nüwa decide abandonar sua imobilidade e experimentar a vida humana.
O que começa como um mito sobre uma pedra se transforma em uma reflexão sobre participação, transformação e recomeço.
Neste episódio, seguimos Nüwa, a pedra e o mito do eterno retorno para perguntar: o que acontece quando deixamos de apenas contemplar a vida e decidimos fazer parte dela?
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https://www.minhaloja.natura.com/consultoria/noemicoelho10 - Este episódio não é feito por um especialista na área e nem tem a pretensão de cobrir o assunto de forma teórica ou acadêmica. Proponho somente uma viagem literária, poética e experimental, não ao cerne da questão, mas a uma possibilidade de refletir sobre ela. É a minha experiência, e nada mais. Trago Dostoiévski e Yang Xiong para me ajudarem nessa jornada.
- Enquanto concluo meu doutorado em Literatura Clássica Chinesa na Universidade de Wuhan, recebo um parecer crítico sobre minha dissertação que me leva a uma reflexão inesperada sobre histórias, avaliações e o poder que outras pessoas têm de narrar quem somos. Partindo de uma crítica acadêmica real, o episódio atravessa as ideias de Chimamanda Ngozi Adichie sobre “o perigo de uma só história”, passa pelas reflexões historiográficas de Benedetto Croce e retorna ao mito chinês de Pangu 盘古, o gigante primordial cujo corpo se transforma no próprio mundo. Entre pareceristas, memória, narrativa e identidade, o episódio pensa sobre a violência e o fascínio das histórias que contam sobre nós, e sobre a necessidade de continuar vivendo novas histórias para não sermos aprisionados por uma só.
- Neste episódio, parto do mito de Pangu 盘古 para pensar uma sensação muito atual: a de viver dentro de um mundo que já está em andamento. Entre o caos inicial do hundun 混沌 e a separação entre céu e terra, a figura de Pangu sustenta e organiza a criação enquanto cresce com ela. Em contraste, trago a ideia de “tempo vivido” de Eugène Minkowski para refletir sobre a experiência contemporânea de tempo como peso, especialmente quando a vida deixa de fluir e passa a exigir sustentação. O episódio atravessa essa tensão entre criação e continuidade, entre expansão e trincheira, para pensar o que significa existir quando não se está no começo de nada, mas ainda assim se carrega, no próprio corpo, tudo aquilo que continua.
- Neste episódio, parto da pergunta incômoda sobre ter piorado ou não com o tempo para investigar algo mais profundo: a obsessão moderna em se medir. A partir de Zhuangzi e do sonho da borboleta, em diálogo com Winnicott, este ensaio atravessa amadurecimento, identidade, luto por versões de si e a armadilha de viver em relação a escalas rígidas de bom e mau, sucesso e fracasso. A régua que promete orientação acaba endurecendo o eu, aprisionando-o numa comparação constante. Talvez amadurecer não seja avançar numa linha, mas aceitar a transição, abandonar a fixação e recuperar a liberdade de existir sem precisar provar quem se é.
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