Neste episódio, parto do mito de Pangu 盘古 para pensar uma sensação muito atual: a de viver dentro de um mundo que já está em andamento. Entre o caos inicial do hundun 混沌 e a separação entre céu e terra, a figura de Pangu sustenta e organiza a criação enquanto cresce com ela. Em contraste, trago a ideia de “tempo vivido” de Eugène Minkowski para refletir sobre a experiência contemporânea de tempo como peso, especialmente quando a vida deixa de fluir e passa a exigir sustentação. O episódio atravessa essa tensão entre criação e continuidade, entre expansão e trincheira, para pensar o que significa existir quando não se está no começo de nada, mas ainda assim se carrega, no próprio corpo, tudo aquilo que continua.