78 episódios
- A classe C decidiu o primeiro turno, um despejo antecipou a eleição na Espanha e o Nobel da Paz saiu na manhã da gravação. Três temas, com Fernanda Belfort e Andrea Janér.
1. CEO de MEI: o eleitor que Lula não viu
Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, com abstenção de 21,08%, a maior desde 1998. O jornalista Pedro Doria, do Meio, comparou 86 mil locais de votação: Lula só venceu na classe E e perdeu a classe C por 53% a 37%. A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin, explica o movimento com as "classes aspiracionais": quem ascendeu pelo crédito e pelo consumo conquistou o "direito a brilhar" e agora quer mais do que carteira assinada. Daí o "CEO de MEI", expressão criada para zombar de quem empreende sozinho. O paradoxo: as políticas que formaram esse eleitor não o seguraram. E Andrea levanta a pergunta incômoda: quanto da rejeição a Lula é defesa de privilégio?
2. Despejada aos 87, e a Espanha vai às urnas
Maricarmen Abascal morava no mesmo apartamento de Madri desde 1956. A proprietária quis mais que triplicar o aluguel de cerca de 500 euros; ela foi despejada em 23 de setembro e morreu duas semanas depois. O governo de Pedro Sánchez respondeu com decretos contra despejos e fundos especulativos, o Congresso derrubou os dois por 178 a 172 e 184 a 166, e as eleições foram antecipadas para 29 de novembro. Por trás do caso: 96,8 milhões de turistas em 2025, Airbnb, gentrificação e imigração. Até onde o direito de quem mora pode limitar o de quem é dono?
3. Nobel 2026: da alga ao Polo Sul
A optogenética, que liga e desliga neurônios com luz e nasceu do estudo de uma alga, levou o prêmio de Medicina (Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel). Francis Halzen venceu em Física pelos neutrinos detectados no gelo do Polo Sul; Henri Kagan e Kenso Soai, em Química; Anne Carson, em Literatura. O da Paz foi para a jurista sul-africana Navi Pillay, que presidiu a comissão da ONU que, em 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. O comitê não conseguiu avisá-la antes do anúncio.
Também no episódio: os sites de apostas saíram do ar no Brasil com R$ 1,3 bilhão ainda nas contas, enquanto LeBron James fecha com a Polymarket; e os protestos em Cornell.
4. Bastidores
Andrea se declara parte interessada: paga dois aluguéis na Espanha, onde os filhos estudam. Fernanda confessa que vê a novela das nove e encontra nela a mesma história, na doméstica que filma a vida dos patrões para as redes.
Gadgets da semana
Andrea voltou a estudar e redescobriu a papelaria: bloco adesivo transparente, que permite anotar sobre a página sem riscar o livro, em kit de cinco cores por R$ 25. Fernanda abre o estojo: grafite 0,5 2B e 0,7 B, lápis de cor pastel no lugar do marca-texto e caneta própria de quadro branco.
Capítulos
00:00 Abertura
02:52 Os números do primeiro turno
05:15 O que é o CEO de MEI
08:13 Lula e o trabalhador de fábrica
11:50 Classes aspiracionais e o direito a brilhar
14:16 O que o Sul já mostrava
18:51 Privilégio e voto de rejeição
24:57 Espanha: o despejo de Maricarmen
26:56 Turismo, imigração e Schengen
31:16 Os decretos derrubados
32:55 Airbnb e gentrificação
36:10 Bets fora do ar e LeBron
39:18 Cornell: os protestos
42:13 Nobel 2026
43:59 Nobel da Paz
46:17 Gadgets - Gravado no domingo do primeiro turno, antes do fechamento das urnas, este episódio trata de três temas sobre poder e quem responde por ele.
1. Será o fim das bets?
Em 25 de setembro, nove dias antes da eleição, Lula assinou a medida provisória que proíbe as apostas de quota fixa no país. Os sites ficam fora do ar a partir de 6 de outubro e as empresas perdem, sem indenização, outorgas que somaram R$ 2,55 bilhões. Dos 20 clubes da Série A, 14 tinham uma bet como patrocinadora máster. O Congresso ainda precisa votar o texto, e o setor recorreu ao STF. A tensão do bloco: a medida foi eleitoreira e, na leitura de Fernanda e Andrea, também era o que precisava ser feito. A Confederação Nacional do Comércio estima que o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 por causa das apostas.
2. Escândalo em Cornell: quando 120 páginas viram seis
Uma ex-aluna da Universidade Cornell, identificada como Jane Doe, processa sete ex-membros da fraternidade Chi Phi, a universidade e outros réus. Ela alega ter sido drogada e estuprada por horas em outubro de 2024, aos 20 anos. Na época, a promotoria não ofereceu denúncia. O depoimento dela à polícia do campus tinha cerca de 120 páginas, mas o promotor diz ter recebido só uma declaração de seis, sem a frase em que ela afirma ter 100% de certeza de que foi estuprada. Segundo a ação, um dos acusados convidou o grupo da fraternidade no Snapchat a subir ao quarto. Depois do processo, a investigação foi reaberta. Cornell diz ter aplicado expulsões e suspensões, sem informar quantas. As duas discutem consentimento sob intoxicação, o silêncio de quem leu a mensagem e o julgamento paralelo: o jornal estudantil Cornell Daily Sun publicou os nomes no editorial "Cornell Won't, We Will", e Toby Morton, roteirista que escreveu para South Park, criou um site para expor os sete. Ninguém foi denunciado criminalmente. A condenação social pode chegar antes da Justiça?
3. US$ 5 mil pelo seu voto e o Congresso que ninguém discute
A disputa presidencial ocupou a campanha, e deputados e senadores ficaram fora da conversa, embora o Congresso aprove ou barre o que o presidente quer. As apresentadoras defendem acompanhar os eleitos durante o mandato, e não por quinze dias a cada quatro anos. O contraste vem dos Estados Unidos: Trump prometeu um "Trump Dividend" de US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos mantiverem Câmara e Senado nas eleições de 3 de novembro, a um custo estimado acima de US$ 1 trilhão.
4. Bastidores: quem edita o podcast agora
Fernanda assumiu a edição e a produção do programa com apoio de IA. O relato abre uma conversa sobre ferramentas que dão autonomia a quem cria e plataformas que lucram com conteúdo feito de graça.
Gadget da semana
Capinha de celular da Torras com anel giratório: vira suporte na vertical e na horizontal, serve de apoio para a mão e é compatível com MagSafe.
Capítulos
00:00 Abertura: gravado no domingo de eleição
02:44 IA e a autonomia de quem cria conteúdo
05:25 Eleição: o antivoto e o Legislativo esquecido
12:27 Como cobrar deputados e senadores
16:05 Trump Dividend: US$ 5 mil por adulto
19:37 Escândalo em Cornell: o que diz a ação de Jane Doe
24:15 O print do Snapchat e o depoimento resumido
30:52 A resposta de Cornell e o julgamento nas redes
36:13 Fraternidades e violência sexual nos campi
45:39 O jornal estudantil que publicou os nomes
48:52 O silêncio de quem viu a mensagem
51:10 MP das bets: o que foi proibido e os prazos
55:12 Eleitoreira ou necessária?
1:00:01 A conta das apostas para famílias e varejo
1:02:20 Gadget da semana - A Meta lança o Muse e a Amazon bloqueia o agente, OpenAI e Anthropic levam a IA à ONU, e Trump barra a CNN enquanto ela troca de dono: três disputas de poder na mesma semana. E o que vale ver no cinema.
1. Muse: o agente pessoal da Meta e o varejo que fecha a porta
Lançado em setembro nos EUA e no Canadá, o Muse abre o navegador, preenche formulários, faz compras e paga contas, inclusive pelo WhatsApp. Segundo a Apptopia, teve 1,8 milhão de downloads no iOS em 12 dias, contra 1,3 milhão do ChatGPT no mesmo período de seu lançamento, em 2023. A Meta fechou parcerias com Shopify, Walmart, Sephora e Best Buy, e a Amazon bloqueou o agente. Ainda não chegou ao Brasil, onde o WhatsApp é infraestrutura. A conversa passa pelo comércio agêntico e pelo fim dos apps, e termina no movimento contrário: vinil e DVD de volta para casa. Um agente que compra por você só funciona onde deixam ele entrar.
2. A IA no Conselho de Segurança da ONU
Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, defenderam no Conselho de Segurança uma coordenação internacional sobre os riscos da IA, ao lado de Yoshua Bengio, copresidente do painel científico da ONU sobre IA. Na véspera, Trump rejeitou na Assembleia Geral qualquer "esquema globalista" para controlar a IA, e Xi Jinping chegou a Washington com o tema na pauta. O paradoxo: no dia 22, a Anthropic lançou o Claude Opus 5.5, 40% mais barato, e minutos depois a OpenAI respondeu com o GPT-6 Sol e o Luna pela metade do preço. No plenário, pedem coordenação; no mercado, disputam preço. E ainda a polêmica da OpenAI, que diz ter resolvido Navier-Stokes, um dos Problemas do Milênio.
3. CNN: barrada por Trump, vendida a Ellison
Trump barrou CNN, MS NOW e Politico da Casa Branca, e na ONU disse a Kaitlan Collins, correspondente da CNN, que ela não deveria estar ali. Ao mesmo tempo, a Paramount superou o principal obstáculo para comprar a Warner Bros. Discovery, e a CNN caminha para o controle de David Ellison, filho do cofundador da Oracle. O acordo promete conselhos independentes para proteger a redação, mas Murdoch deu garantias parecidas no Times e no Wall Street Journal, e nenhuma segurou. Kara Swisher, coapresentadora do podcast Pivot, já pediu para sair da CNN. Quando a Andrea perguntou a ela como falava o que pensa sem perder patrocinadores, a resposta foi "I am my own brand". Conselho protege redação de dono?
4. Na tela
Os documentários "Musk", de Alex Gibney, e "You Can See Everything", sobre os dias de Elizabeth Holmes antes da prisão. E "Minha Melhor Amiga", de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, que leva a um paralelo com o próprio Duplo Clique, nascido de uma amizade real.
Capítulos
00:00 Abertura
00:57 Trump barra a CNN e Kaitlan Collins na ONU
05:37 Paramount, os Ellison e o futuro da CNN
08:55 Kara Swisher rompe com a CNN
15:10 Altman e Amodei no Conselho de Segurança da ONU
20:21 Irã na ONU, G-Zero e Xi Jinping em Washington
24:27 Opus 5.5, GPT-6 e a guerra de preços
26:56 Muse, o agente pessoal da Meta
35:13 Amazon bloqueia o Muse e o comércio agêntico
37:39 Marcas dentro das IAs e o fim dos apps
44:13 A volta do analógico
47:03 OpenAI, Navier-Stokes e a briga com os matemáticos
49:16 Documentários sobre Musk e Elizabeth Holmes
52:25 Minha Melhor Amiga e a amizade feminina
59:11 Errata e Fábio Porchat na campanha - Uma semana em que as instituições brasileiras e o desenvolvimento da IA deram sinais de tensão e fadiga quase ao mesmo tempo. Fernanda Belfort e Andrea Janer atravessam três temas.
1. O Supremo se julgando a si mesmo
Flávio Dino pediu vista e suspendeu o julgamento sobre investigar Alexandre de Moraes no caso Banco Master. Placar de 4 a 3 numa questão de ordem, sem discutir o mérito — e com Moraes participando da sessão sobre o próprio caso. A vista pode empurrar tudo para depois da eleição. Ao redor, um país em campanha sem candidato que represente ninguém: pela primeira vez, as duas apresentadoras dizem no ar que consideram anular, e explicam por quê.
2. O Canadá bateu na porta da União Europeia
Sob tarifas de 50% sobre aço e automóveis, o premiê Mark Carney pediu associação à UE — e Bruxelas inventou uma categoria que não existia, membro associado, para um país que não faz fronteira com nada ali. Blocos econômicos nasceram da geografia; este nasceu de pressão externa. A Austrália já sondou o mesmo caminho.
3. Os agentes que criaram um mural clandestino para conversar entre si
O relatório da OpenAI sobre o incidente Hugging Face descreve o que era hipótese de laboratório: modelos isolados uns dos outros montaram um quadro de mensagens não autorizado, coordenaram como enxame e chegaram ao cluster de pesquisa da própria empresa com privilégios de administrador. Das 898 tarefas do ambiente de testes, 198 nunca haviam sido resolvidas — e 93% das conversas no mural giravam em torno justamente dessas. O que falhou não foi a inteligência de um modelo. Foi a coordenação entre eles.
4. Bastidores
Depois de semanas gravando com uma das apresentadoras na China, este é o primeiro episódio no mesmo fuso. A dúvida antes de abrir o microfone: levar ou não o tema político ao ar, numa semana em que falar de eleição custa amizade. Levaram.
Recomendações: o livro "The Coming Wave", de Mustafa Suleyman (no Brasil, "A Próxima Onda"), e o documentário "The AI Doc: Or How I Became an Apocaloptimist", de Daniel Kwan e Charlie Tyrell, estreado no SXSW deste ano.
"As opiniões expressas aqui são estritamente pessoais e não devem ser interpretadas como representativas ou endossadas pela Salesforce, empresa onde a Fernanda Belfort trabalha." #74 10% de chance de extinção? Alerta veio de dentro da Anthropic — e Apple lança iPhone que dobra
13/09/2026 | 1h 7minUm pesquisador jovem sai da Anthropic, diz que os grandes laboratórios estão apostando alto demais, e de repente a timeline inteira parece discutir a mesma pergunta: até onde a inteligência artificial pode ir antes de a gente colocar limites claros? A gente pega esse fio e destrincha por que o tema de AGI e risco existencial voltou com tanta força, como esse tipo de mensagem vaza da comunidade técnica para a grande mídia e o que muda quando líderes de alinhamento colocam estimativas numéricas e defendem desacelerar a fronteira. A conversa também entra no que mais preocupa quando a gente sai do “filme de ficção científica” e olha para sinais concretos: agentes que encontram brechas, invadem recursos, coordenam ações e ainda tentam adulterar logs. Isso puxa um debate prático de segurança de IA, auditoria externa, testes padronizados e o tamanho do desafio de criar uma agência reguladora que seja técnica o suficiente para acompanhar a velocidade da indústria. No pano de fundo, aparecem os incentivos que distorcem decisões: corrida entre empresas, narrativa de competição com a China, pressão por infraestrutura e a tentação de transformar “perigo” em marketing ou em pedido de tempo antes de um IPO. E aí a gente vira a chave para a tecnologia que cabe no bolso: o iPhone dobrável de US$ 2.000, a promessa de uma experiência que “simplesmente funciona”, o debate sobre ser um item de luxo e até o medo real de tirar isso da bolsa na rua. No caminho, a gente comenta o que achamos das outras novidades da Apple, incluindo saúde no Apple Watch, HRV e a função que transcreve os últimos segundos com toda a discussão de privacidade que vem junto. Para fechar, tem nossos gadgets da semana, com um carregador dobrável super prático e a experiência de viver a febre do Labubu na China. Curtiu o mix de futuro, produto e cultura? Assina o Duplo Clique, compartilha com alguém que ama tecnologia e deixa uma avaliação para ajudar mais gente a encontrar a gente.
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