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ResumoCast | Livros para Empreendedores

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Último episódio

540 episódios

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    Retórica: o pai da lógica explica por que você perde discussões | Temporada 8 · Mapa Mental em 9 min

    19/08/2026 | 8min
    Você já perdeu uma discussão mesmo tendo o argumento melhor? A explicação de sempre é que as pessoas não pensam direito, ou que o mundo é injusto. Não é bem isso.
    Há mais de dois mil anos, o homem que inventou a lógica ocidental escreveu o motivo exato de o argumento honesto perder: e a resposta não é "as pessoas são burras". É que existem três meios de persuasão, não um só — o caráter de quem fala, a emoção de quem ouve, e o argumento em si — e quem treina apenas o argumento está lutando desarmado contra quem treina os três.
    Neste episódio: por que Aristóteles condena mover o júri pela emoção logo na primeira página, e no mesmo livro explica exatamente como a emoção funciona; as três qualidades que fazem você confiar em alguém (bom senso, caráter moral e boa vontade); e a virada que sustenta o episódio inteiro — o próprio pai da lógica escrevendo que o caráter, não o argumento, é o mais eficaz dos três meios de persuasão.
    Todas as citações foram conferidas contra o texto original em domínio público (tradução de W. Rhys Roberts, 1924) e aparecem grifadas na tela do vídeo. A tradução para o português é livre e está identificada como tal.
    Livro: Retórica (Ρητορική), de Aristóteles, cerca de 350 a.C. Domínio público.
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    ResumoCast — livros para empreendedores. Um mapa mental por semana, do livro inteiro, não da orelha.
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    O Alienista: quem decide quem é louco decide o que é normal | Temporada 8 · Mapa Mental em 12 min

    18/08/2026 | 12min
    Pensa numa vez em que você teve que provar que estava bem. Não que estava certo. Que estava bem. Numa entrevista, numa conversa, num "tenha calma" dito com aquele tom. Você não escolheu o critério, não viu a régua, e mesmo assim foi medido por ela.
    Todo mundo acha que a discussão sobre o normal é sobre ONDE fica o limite. Em 1882, Machado de Assis escreveu uma novela que mostra que a pergunta é outra: quem segura a caneta que desenha a linha.
    Simão Bacamarte não é vilão. É competente, honesto e quer ajudar — e é exatamente por isso que ele é perigoso. A teoria dele exclui da razão todo caso em que o equilíbrio não seja "perfeito e absoluto". Ninguém passa nessa régua. Quatro quintos da vila acabam internados, e o número está no ofício que ele mesmo manda à câmara.
    Aí ele faz o que um bom cientista faria: desconfia da própria teoria. Inverte o critério e passa a internar os equilibrados — as tolerantes, as leais, as modestas. O método não mudou. Só o conteúdo da régua. Porque o método nunca foi sobre loucura: era ter um critério e o poder de aplicá-lo.
    No fim, Bacamarte conclui que não havia loucos em Itaguaí e que o único desequilibrado era ele. Ato contínuo, recolheu-se à Casa Verde — a mesma casa que construiu, das janelas verdes que foram o orgulho da vila. Morreu ali dezessete meses depois, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada.
    E Machado se recusa a entregar um culpado. Ele registra que alguns conjecturam que nunca houve outro louco além dele, e na frase seguinte diz que isso é boato, sem outra prova senão o boato. Porque culpado é confortável.
    Livro: O Alienista, de Machado de Assis, 1882. Domínio público. Edição consultada: "Papéis Avulsos" (Lombaerts & C., 1882), a coletânea original.
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    Sobre a Amizade: quem sempre concorda com você não é seu amigo | Temporada 8 · Mapa Mental em 9 min

    17/08/2026 | 9min
    Faça um teste rápido: pense em quantas pessoas você conhece com quem não precisa fingir absolutamente nada. Nem o bom humor, nem que está tudo bem, nem que concorda. Se você contou nos dedos de uma mão e sobrou dedo, este episódio é sobre você.
    A explicação de sempre é que amizade nasce da carência: quem está sozinho procura companhia, quem está mal procura apoio. Por volta de 44 a.C., um romano que acabara de enterrar o melhor amigo escreveu exatamente o contrário, e a inversão é mais dura do que parece: é quando um homem está tão fortificado que não precisa de nada que ele mais procura e mantém amizades. Quem precisa não está buscando amizade. Está buscando socorro, e socorro acaba quando a emergência acaba.
    Neste episódio: por que a definição de Cícero (um acordo completo sobre todas as coisas, unido a boa vontade e afeto mútuos) fecha a porta para quase todo mundo; o teste desconfortável que separa amigo de plateia; e a frase que quase todo mundo atribui a Cícero sem saber que ele mesmo dá o crédito ao amigo Terêncio: a complacência nos ganha amigos, a fala franca ganha ódio.
    O veredito dele não é sobre ser antipático. É sobre custo: a fala franca causa problema se gera ressentimento, mas a complacência causa problema maior, porque ao tolerar os defeitos ela deixa o amigo despencar de cabeça na ruína. Quem sempre concorda com você não é seu amigo, e não porque seja falso, mas porque está te soltando.
    No fim, a conta do começo deu pouco por um motivo: você não estava contando amigos. Estava contando pessoas diante de quem dá para discordar sem perder a relação. Duas ou três assim é o número real, e não é pouco.
    Livro: Sobre a Amizade (Laelius de Amicitia), de Marco Túlio Cícero, 44 a.C. Domínio público.
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    Princípios de Psicologia: Hábitos Atômicos existia em 1890, e a versão original é mais dura

    12/08/2026 | 13min
    Você já disse essa frase. Provavelmente esta semana. A dieta, o cigarro, o treino, o livro que você ia ler antes de dormir. Você quebrou, sentiu um desconforto de meio segundo, e resolveu com quatro palavras: essa não vai contar.
    Em 1890, um médico americano descreveu esse exato momento. A explicação dele não menciona força de vontade uma única vez. Ela é sobre matéria.
    Neste episódio: por que "essa não vai contar" é uma afirmação falsa e não uma desculpa; o que é plasticidade e por que ela tem prazo; a assimetria entre enrolar e derrubar um novelo de barbante; as quatro regras práticas do capítulo e de quem elas realmente são; e a passagem sobre o bêbado Rip Van Winkle, que inverte a conversa inteira.
    Aviso de fidelidade: as duas primeiras regras práticas NÃO são de William James. Ele diz com todas as letras que as tirou do capítulo de Alexander Bain. A terceira e a quarta são acréscimos dele. Quem vende as quatro como invenção de James está vendendo errado.
    Todas as citações foram conferidas palavra por palavra contra o texto original em domínio público (Project Gutenberg, eBook 57628) e aparecem grifadas na tela. A tradução para o português é livre e está identificada como tal, porque não existe tradução brasileira em domínio público deste capítulo.
    O LIVRO
    Princípios de Psicologia, Volume 1 (1890), capítulo IV: "Hábito"
    William James (1842-1910)
    Domínio público. Lei 9.610/98, art. 41: prazo vencido em 1981.
    CAPÍTULOS
    00:00 A frase que você fala ao quebrar a dieta
    01:03 O livro: William James, 1890
    01:30 O novelo de barbante
    02:09 Você não TEM hábitos. Você É eles
    02:53 Plasticidade: a dobra que fica
    04:05 As regras práticas (e de quem são)
    05:01 Nunca permita uma exceção
    06:07 O inferno que a gente fabrica
    08:03 AS MOLÉCULAS ESTÃO CONTANDO
    08:49 Não existe ninguém do outro lado da mesa
    10:05 A mesma máquina conta a seu favor
    11:42 A quarta regra: exercício gratuito
    12:30 Aliado, não inimigo
    O mapa mental completo deste livro sai no nosso canal do WhatsApp. O link para entrar está na bio do Instagram: @resumocast
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    Odisseia: a prisão era um paraíso, a carcereira era uma deusa e a pena era viver PARA SEMPRE | Temporada 8 · Mapa Mental em 9 min

    11/08/2026 | 9min
    Existe um tipo de infelicidade que ninguém tem coragem de dizer em voz alta: a de quem está num lugar bom.
    O emprego que os seus amigos queriam. A casa que a sua família sonhou por trinta anos. E mesmo assim você acorda com uma coisa presa no peito que não tem nome.
    Faz quase três mil anos que existe um texto explicando exatamente por quê. E a cena que explica é essa: um homem sentado numa praia, chorando, no lugar que qualquer pessoa do mundo chamaria de paraíso.
    Todo mundo repete que Ulisses levou dez anos pra voltar da guerra. É verdade. Mas sete desses dez anos ele passou parado numa ilha só, e a ilha não era masmorra nenhuma. Era um paraíso, com fontes, videiras e flores. E a dona da ilha era uma deusa que ofereceu a ele o preço mais alto que uma história pode oferecer: "comigo em laço estreito, imortal ficarias". Nunca mais morrer.
    Quando Ulisses responde, ele faz algo que quase nenhum personagem faz. Ele não diz que amava mais a esposa. Ele diz o contrário: "eu sei que em tudo a prudente Penélope transcendes". Ou seja: eu sei que você ganha dela em tudo. E eu quero ir embora do mesmo jeito.
    Ele não escolheu a melhor opção. Escolheu a que era dele.
    Neste episódio de 9 minutos: a oferta de Calipso no Canto V, o pranto na praia, o conceito grego de nostos, por que a frase "o que importa é a viagem, não o destino" contradiz o próprio livro, e a cama de oliveira que era o único documento de identidade que sobrou depois de vinte anos.
    Todas as citações foram conferidas palavra por palavra contra a tradução integral de Manoel Odorico Mendes, em domínio público.
    Fica uma pergunta que o episódio não responde por você: se tirassem hoje tudo que você não escolheu, o que ficaria enraizado?
    📚 Livro deste episódio: Odisseia, de Homero (século VIII a.C.)
    📖 Onde ler: obra em domínio público, dá para ler gratuitamente.
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