No episódio de hoje do PalliPapers, Cláudia Inhaia, Arabella Freitas, Rodrigo Santos e Fernando Xavier conversam sobre Nudge em Cuidados Paliativos e exploram como pequenas mudanças na forma de apresentar escolhas, organizar fluxos e estruturar decisões podem influenciar profundamente o cuidado em saúde, inclusive em contextos de alta complexidade, sofrimento e vulnerabilidade.
Este foi também um episódio diferente, gravado em roda de conversa durante o congresso de oncologia da Rede D’Or, realizado em março de 2026, no Rio de Janeiro, o que trouxe à discussão um tom mais espontâneo, vivo e próximo da prática real.
Ao longo da conversa, o episódio aborda heurísticas e vieses cognitivos que atravessam a prática clínica e as decisões de pacientes, familiares e profissionais, como ancoragem, disponibilidade, representatividade, excesso de confiança, vieses de omissão e comissão, além da força dos defaults e de outros elementos que moldam escolhas mesmo quando nem sempre são percebidos de forma consciente.
Também entram em cena as questões bioéticas relacionadas ao uso do nudge em Cuidados Paliativos: em que situações ele pode favorecer deliberação, comunicação mais clara e decisões mais alinhadas a valores, e em que momentos pode se aproximar de manipulação, paternalismo ou enfraquecimento da autonomia.
Mais do que apresentar o nudge como ferramenta, este episódio convida a uma reflexão importante: em saúde, a neutralidade muitas vezes é apenas aparente. Sempre existe um contexto, uma linguagem, uma ordem de opções, um padrão institucional. E talvez uma das mensagens centrais da conversa seja justamente esta: não fazer também é fazer. Afinal, todos estamos expostos a diferentes nudges ao caminhar pelo mundo; a questão ética não é apenas reconhecer que eles existem, mas pensar como utilizá-los de modo responsável, transparente e centrado na pessoa.