Neste episódio, mergulhamos nas "ficções da memória" presentes em Tempo morto e outros tempos, os diários de juventude de Gilberto Freyre escritos entre 1915 e 1930. Com o auxílio da introdução crítica de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, exploramos como o intelectual pernambucano editou o próprio passado décadas depois, transformando relatos íntimos em um "egodocumento" meticulosamente construído para sustentar sua estatura sociológica. Da repressão puritana no Recife ao choque com o racismo sistêmico no Texas e a efervescência boêmia de Nova York, acompanhamos a jornada de um jovem prodígio que precisou se perder no estrangeiro para, enfim, decifrar as complexidades do Brasil através da cultura material e dos instintos.