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- Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, depois de discutir a competitividade do Estado, avançamos agora para a segunda frente estratégica do estudo: educação. Afinal, não existe desenvolvimento sustentável sem pessoas preparadas para participar e liderar as transformações econômicas que estão por vir.
As transformações tecnológicas e econômicas estão mudando rapidamente o perfil das oportunidades de trabalho. Inteligência artificial, digitalização, transição energética e novas tecnologias estão criando demandas por profissionais com conhecimentos e habilidades cada vez mais específicos. Para Pernambuco, preparar sua população para essas mudanças não é apenas uma questão educacional: é uma estratégia para aumentar a produtividade, a competitividade e a capacidade de desenvolvimento do Estado.
O Plano Estratégico PE 2035 propõe fortalecer a educação básica e profissional, ampliando a oferta de escolas de tempo integral e conectando a formação dos estudantes às transformações da economia. A proposta é aproximar a educação das cadeias produtivas consideradas estratégicas para Pernambuco, como tecnologia, energias renováveis, logística, saúde, agroindústria e indústria avançada. Dessa forma, a formação deixa de estar desconectada das oportunidades existentes e futuras no mercado de trabalho.
Essa conexão também passa pela ampliação do ensino profissionalizante e pela aproximação entre universidades, Institutos Federais e setor produtivo. O objetivo é criar uma rede capaz de identificar as necessidades de qualificação de cada região e aproximar estudantes, instituições de ensino e empresas. O estudo também destaca a importância da formação em idiomas e da atualização dos currículos para incorporar conhecimentos como programação, inteligência artificial, ciência de dados, robótica, educação financeira e empreendedorismo.
Mas preparar os estudantes para a economia do futuro exige também investir em quem está na sala de aula. Por isso, a agenda proposta inclui a formação continuada de professores, o fortalecimento da transformação digital da educação e o acompanhamento sistemático dos resultados. O uso de indicadores e de ferramentas digitais pode ajudar a identificar desigualdades, direcionar recursos e avaliar quais políticas estão efetivamente contribuindo para melhorar a aprendizagem.
Outro ponto fundamental é garantir que essa transformação alcance diferentes regiões de Pernambuco. Uma estratégia de desenvolvimento não pode concentrar oportunidades apenas na Região Metropolitana. Ao articular educação, formação profissional e as vocações econômicas de cada território, o Estado pode ampliar as possibilidades de inserção dos jovens no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução das desigualdades regionais.
Pernambuco não precisa apenas formar mais pessoas. Precisa preparar pessoas para as oportunidades que estão surgindo — e criar as condições para que esse conhecimento se transforme em produtividade, trabalho e desenvolvimento. - A divulgação dos dados de julho do IBGE sobre o setor de serviços acendeu um sinal de alerta no painel da economia brasileira. O volume de serviços prestados no país registrou estabilidade, marcando 0,0% de variação no mês de julho. No atual contexto macroeconômico, esse resultado é a confirmação de uma forte e preocupante desaceleração da atividade econômica.
Para compreendermos a gravidade desse freio, precisamos olhar para a estrutura do país. O setor de serviços é o grande motor do PIB, respondendo por mais de 70% da riqueza gerada no Brasil e sendo o nosso maior empregador formal e informal. Quando os serviços estagnam, a economia que se desenvolve nos transportes, na tecnologia, no turismo e no atendimento às famílias perde a sua tração, puxando todo o crescimento para baixo.
As causas dessa paralisia refletem o sufocamento do orçamento das famílias e das empresas. Com a taxa Selic mantida em patamares restritivos para conter as expectativas de inflação, o custo do crédito tornou-se proibitivo. O consumidor, lidando com níveis recordes de endividamento e inadimplência, vê seu poder de compra corroído e corta gastos não essenciais. Serviços como alimentação fora do lar, salões de beleza e viagens são os primeiros a serem sacrificados para priorizar o pagamento de dívidas e o consumo de bens básicos.
O dado de julho mostra que a resiliência observada anteriormente chegou ao seu limite. Não há como o Brasil sustentar um crescimento robusto se a engrenagem que representa sete em cada dez reais produzidos para de girar. A paralisia nos serviços prova que a fragilidade fiscal e institucional do país afeta diretamente o nosso dinamismo. Sem um compromisso rigoroso que permita a queda estrutural dos juros, a nossa economia continuará flertando com a estagnação. - A economia não opera em um vácuo. Ela é, antes de tudo, o reflexo do nível de confiança que a sociedade e os investidores depositam nas instituições de um país. O que assistimos hoje no Brasil é a perigosa consolidação de um ambiente institucionalmente fragilizado, no qual o ruído político e a insegurança jurídica cobram, diariamente, uma fatura altíssima da nossa economia.
O cenário atual é marcado por uma tempestade perfeita: mudanças erráticas nas diretrizes das políticas econômicas, um clima de incerteza eleitoral fortemente antecipado e uma sucessão de investigações policiais envolvendo figuras políticas, somadas aos tensionamentos frequentes no próprio STF. Para parte do público, isso pode parecer apenas o ruidoso noticiário de Brasília. Para a economia, trata-se de um alerta vermelho intermitente.
O capital, seja ele produtivo ou financeiro, foge da imprevisibilidade. Quando as regras do jogo institucional tornam-se fluidas e o arcabouço fiscal perde credibilidade, o empresário engaveta seus projetos de expansão e paralisa contratações. Em paralelo, o mercado financeiro exige um prêmio de risco muito maior para alocar recursos no país, pressionando o dólar para cima e forçando o Banco Central a manter a taxa de juros em patamares restritivos.
A atual desaceleração da economia brasileira não é um mero acaso do destino ou reflexo exclusivo de ciclos globais; ela é fruto direto dessa desordem interna. O consumo das famílias míngua sob o peso do crédito caro, do endividamento e de uma inflação silenciosa. Sem a tração de novos investimentos e com o consumidor retraído, o PIB asfixia, ceifando a geração de empregos.
O Brasil precisa urgentemente pacificar suas instituições e resgatar a previsibilidade das suas políticas de Estado. Sem segurança jurídica inabalável e compromisso fiscal rigoroso, continuaremos a paralisar decisões vitais de investimento e a sabotar o nosso próprio futuro. - Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, começamos agora a apresentar, uma a uma, as 14 frentes estratégicas propostas pelo estudo. E a primeira delas parte de uma questão central: como tornar Pernambuco mais competitivo para atrair investimentos, empresas e talentos? Em uma economia cada vez mais baseada em conhecimento, tecnologia e inovação, a competitividade de um território não depende apenas da existência de recursos naturais, incentivos fiscais ou grandes obras. É preciso criar condições para que empresas encontrem infraestrutura adequada, mão de obra qualificada, segurança institucional, capacidade de inovação e um ambiente favorável para investir e crescer.
Pernambuco já possui ativos importantes para construir essa estratégia. O Estado reúne o Porto Digital, o Complexo Industrial Portuário de Suape, universidades e centros de pesquisa, um complexo médico-hospitalar consolidado e polos industriais e agroindustriais distribuídos pelo território. O desafio está em transformar esses ativos, que hoje estão muitas vezes desconectados, em uma estratégia integrada de desenvolvimento capaz de gerar novos investimentos e oportunidades em diferentes regiões.
É nesse sentido que o estudo Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035 propõe uma Estratégia Estadual de Competitividade Territorial, articulando desenvolvimento econômico, inovação, planejamento territorial e atração de investimentos. Entre as medidas apresentadas estão a criação da Agência Pernambuco Invest, de um Escritório Estadual de Estruturação de Projetos e de um Observatório Pernambucano de Competitividade Territorial, além da formação de uma rede que conecte universidades, centros de pesquisa, empresas, parques tecnológicos e polos econômicos regionais.
Outro ponto importante é a capacidade de Pernambuco de apresentar projetos prontos para receber investimentos. O estudo propõe uma Carteira Estratégica de Projetos Pernambuco 2035, reunindo empreendimentos estruturantes preparados para diferentes fontes de financiamento, além do fortalecimento da transformação digital da gestão pública, do uso de dados para tomada de decisão e de uma agenda de internacionalização capaz de aproximar o Estado de empresas, centros de pesquisa e investidores nacionais e internacionais.
A proposta, portanto, não é apenas atrair mais investimentos. É criar um ambiente em que esses investimentos possam gerar produtividade, inovação, empregos qualificados e desenvolvimento regional, aproveitando as vocações existentes no litoral, no Agreste e nos Sertões. Competitividade territorial, nesse sentido, funciona como uma base para todas as demais rotas apresentadas pelo estudo. Pernambuco precisa se preparar hoje para disputar as oportunidades que vão definir a economia dos próximos anos. - Em dias normais, ventos contrários no exterior e ruídos no cenário doméstico seriam a receita para um forte estresse financeiro. A alta nos preços do petróleo, o fechamento no vermelho em Wall Street, o atrito envolvendo o STF e a manutenção da expectativa de inflação em 5% pelo Boletim Focus formavam um quadro claramente adverso. No entanto, o mercado operou na contramão dessa maré: o Ibovespa subiu forte e alcançou a marca de 187.454 pontos, enquanto o dólar recuou para R$ 5,086.
O que explica esse otimismo em meio a tantos fatores de risco? A resposta reside na reprecificação do cenário político antecipada pelos agentes econômicos. A divulgação de novas pesquisas eleitorais, mostrando um empate técnico ou a liderança de Flávio Bolsonaro frente ao presidente Lula, funcionou como o principal catalisador do pregão.
Para os investidores, a perspectiva de uma mudança de rumo no Executivo é lida como uma janela de oportunidade para a retomada de uma agenda pautada por austeridade e controle rigoroso dos gastos públicos. A atual política de expansão fiscal gera apreensão contínua sobre a sustentabilidade das contas e o avanço da dívida. Quando as pesquisas sinalizam competitividade na oposição, o mercado enxerga, de imediato, menor risco de descontrole futuro.
Esse movimento de descompressão cambial e valorização das ações evidencia que o capital busca previsibilidade. A reação dos ativos no Brasil mostra que, acima de qualquer ruído de curto prazo no exterior, o prêmio de risco está intrinsecamente ligado à disciplina fiscal doméstica. O recado do mercado hoje foi claro: a confiança econômica depende do compromisso inegociável com o reequilíbrio das nossas contas.
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