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Ecio Costa - Economia e Negócios

Ecio Costa
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Último episódio

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  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    A Aposta do Mercado na Ordem Fiscal Com A Virada das Urnas

    06/10/2026
    A reação dos ativos financeiros no primeiro pregão após a apuração do primeiro turno enviou um recado claro ao país. Em um dia de forte movimentação, o Ibovespa disparou, batendo recorde histórico e fechando acima dos 200.000 pontos, enquanto o dólar despencou, recuando para abaixo do patamar simbólico de R$ 5,00. Essa reação expressiva não é fruto do acaso, mas da reprecificação imediata das expectativas quanto à condução macroeconômica do Brasil.
    Por trás desse otimismo está a leitura técnica e pragmática dos agentes econômicos sobre o desenho político delineado pelas urnas para o Legislativo e, principalmente, o Executivo. O mercado traduziu o cenário como uma sinalização de que o próximo ciclo político exigirá, inevitavelmente, uma agenda mais moderada, com um olhar mais atento à trajetória do gasto público. Há uma forte expectativa de que os novos arranjos de poder funcionem como um anteparo a políticas atuais de expansionismo fiscal excessivo.
    A perspectiva de um novo olhar sobre a condução das políticas públicas renova a confiança dos investidores locais e estrangeiros. O capital enxerga a oportunidade de transição para um ambiente focado na estabilidade institucional e no compromisso rigoroso com o equilíbrio fiscal. Uma trajetória previsível e crível para a dívida pública reduz imediatamente o prêmio de risco cobrado pelo mercado, o que alivia a pressão cambial e abre espaço para a queda sustentável na nossa curva de juros, mesmo antes do novo governo começar, caso o resultado se confirme no segundo turno.
    O rali e a máxima histórica reforçam a lição central da economia: o país precisa de previsibilidade. O próximo ano exigirá ajustes profundos e corajosos no Orçamento, e a resposta rápida dos ativos espelha a aposta de que a responsabilidade fiscal voltará ao centro das decisões de Estado. O capital foge da incerteza e busca segurança; a mensagem que vem da B3 é de que a retomada real do nosso crescimento passa pela organização das contas do país.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    A Mudança nas Expectativas que Poupou R$ 66 Bilhões

    06/10/2026
    Na economia, a previsibilidade é a moeda mais valiosa. Quando o mercado enxerga compromisso real com a responsabilidade fiscal, o efeito na confiança é imediato. A reação aos resultados do primeiro turno das eleições ilustrou essa dinâmica com precisão: em um único dia de negócios, a curva de juros futuros no Brasil despencou um ponto percentual completo.
    Essa queda de 1 ponto percentual equivale a uma economia direta de R$ 66 bilhões para os cofres do país. É uma cifra de dinheiro dos impostos que o Estado deixa de queimar apenas para financiar o próprio desequilíbrio, abrindo margem para o alívio orçamentário no futuro. O valor corresponde a quase 3 vezes o reajuste do Bolsa Família de 15,04% em 2027 (R$ 22,7 bilhões) e é maior que o impacto do aumento de R$ 120 do salário mínimo (R$ 54,60) para o ano que vem.
    O aspecto mais revelador desse forte movimento é que ele ocorreu puramente no campo da expectativa. Antes mesmo da confirmação definitiva de um futuro governo de Flávio Bolsonaro, a simples sinalização vinda das urnas — indicando a composição de forças políticas dispostas a travar o expansionismo sem freios e o gasto irresponsável — bastou para despencar o prêmio de risco cobrado pelos investidores.
    O episódio histórico deixa uma lição clara: a responsabilidade fiscal não é um capricho teórico de economistas, mas uma ferramenta prática de eficiência. Quando o país sinaliza rigor com as contas e repele o populismo eleitoreiro, o custo do capital cai. Esse alívio reduz drasticamente o custo de carregamento da dívida, barateia o crédito para quem quer produzir e pavimenta o crescimento real da economia. A previsibilidade institucional custa zero, mas economiza dezenas de bilhões em retorno imediato para a sociedade.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Preocupado eu estou é com 2027!

    05/10/2026
    O resultado das urnas que empurrou a eleição presidencial para o segundo turno prolonga a disputa política, mas a economia já antecipa uma amarga certeza: independentemente de quem suba a rampa do Palácio do Planalto, 2027 será um ano de duríssimo ajuste fiscal. A fatura do descontrole das contas públicas, impulsionado por um expansionismo irrefreável, já chegou. Contudo, a grande e imediata preocupação técnica agora é o que acontecerá nas próximas semanas de campanha.
    A prorrogação da disputa acende um alerta vermelho para o risco iminente de novas políticas de apelo eleitoreiro. Historicamente, disputas acirradas em segundo turno costumam tentar os governantes a abrir ainda mais as torneiras do gasto público na busca desesperada por votos. Se novas benesses artificiais e pacotes sem fonte de custeio forem lançados de forma inconsequente até o fim de outubro, o abismo fiscal que já nos aguarda se tornará ainda mais profundo e difícil de reverter.
    Os dados recentes do Banco Central provam que não há margem para irresponsabilidade. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu seu maior ritmo de crescimento desde a pandemia. Apenas entre janeiro e agosto, o endividamento do Estado saltou impressionantes R$ 1,1 trilhão. Diferentemente do choque da Covid-19, a atual escalada é fruto exclusivo de desequilíbrios internos, falta de planejamento e aumento desenfreado de gastos correntes.
    Esse salto trilionário cobra um preço diário de quem produz. Com o governo se endividando de forma acelerada, a percepção de risco dispara. O Tesouro Nacional paga juros maiores, forçando a manutenção da taxa Selic em níveis restritivos. Na prática, o Estado gera o nocivo efeito de crowding out: suga os escassos recursos da economia, tornando o crédito proibitivo para o empresário que quer expandir e para a família endividada.
    O cenário para o próximo mandato será, inegavelmente, de contenção. O novo governo herdará um Orçamento engessado e uma dívida que flerta com a insustentabilidade. Para evitar fuga de capitais, disparada do dólar e descontrole inflacionário, o remédio amargo será inevitável. O corte rigoroso de despesas, a revisão de subsídios e o passo atrás em inúmeros programas lançados neste ano deixarão de ser opção para se tornarem imposição de sobrevivência.
    Esse freio brusco de arrumação será doloroso, mas é o único caminho para devolver previsibilidade ao país e permitir a queda dos juros. O Brasil precisa abandonar a cultura do atalho que sacrifica o nosso futuro. A estabilidade econômica e a geração de empregos só ocorrerão quando o país demonstrar, com ações concretas, que é capaz de gastar menos do que arrecada.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Um Estado preparado para transformar projetos em resultados

    02/10/2026
    Infraestrutura, serviços públicos e novos investimentos exigem mais do que recursos: exigem capacidade de planejamento e execução. Na décima quarta e última frente das Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, a modernização do Estado aparece como condição para ampliar investimentos, melhorar a gestão e transformar oportunidades em projetos concretos.

    Um dos desafios está na capacidade de estruturar bons projetos. Muitas prefeituras e o próprio Governo do Estado enfrentam limitações para elaborar estudos técnicos, modelagens econômico-financeiras, definir riscos e conduzir concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Fortalecer essa capacidade institucional pode ampliar o acesso a recursos e acelerar investimentos em áreas como transporte, saneamento, energia, infraestrutura digital, saúde e mobilidade.

    Entre as propostas está a criação de uma Rede de Escritórios de Projetos e um Fundo de Estruturação, especialmente para apoiar municípios com menor capacidade técnica. A estratégia também prevê maior integração com bancos de desenvolvimento e ampliação das PPPs e concessões, criando um ambiente com mais segurança jurídica, transparência e previsibilidade para o poder público, investidores e sociedade.

    A modernização também precisa chegar à gestão cotidiana. O programa de transformação digital proposto integra inteligência artificial, automação, interoperabilidade de dados, serviços públicos digitais e gestão orientada por desempenho. O acompanhamento permanente de indicadores de produtividade, qualidade do gasto, capacidade de investimento e execução de projetos ajudaria a aproximar a administração pública de uma cultura de resultados.

    Para consolidar essa estratégia, o estudo propõe um Escritório Estadual de Estruturação de Projetos Estratégicos e Captação de Investimentos, responsável por desenvolver estudos, estruturar parcerias, buscar recursos e coordenar a Carteira Estratégica de Projetos Pernambuco 2035. A modernização do Estado, nesse sentido, não significa apenas mudar processos: significa aumentar sua capacidade de planejar, investir e entregar resultados para a população.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    O que muda para Pernambuco com a Reforma Tributária

    01/10/2026
    A Reforma Tributária representa uma mudança importante para o ambiente de negócios brasileiro, especialmente pela busca de maior simplificação. Mas seus efeitos sobre o desenvolvimento regional precisam ser acompanhados de perto. Na décima terceira frente das Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, o foco está em garantir que a nova estrutura tributária também considere as diferenças de competitividade entre a Região Metropolitana, o Agreste, a Zona da Mata e os Sertões.

    Pernambuco e o Nordeste ainda enfrentam desvantagens históricas em infraestrutura, logística e capacidade de atração de investimentos. Por isso, a transição para um novo sistema tributário precisa preservar mecanismos capazes de estimular empreendimentos produtivos, tecnológicos e logísticos nas regiões que possuem maior necessidade de investimentos e potencial de transformação econômica.

    Um dos pontos centrais é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR). A proposta defende critérios que considerem não apenas a população, mas também renda per capita, infraestrutura, capacidade fiscal, produtividade e vulnerabilidade socioeconômica. A lógica é direcionar recursos para territórios que enfrentam maiores desafios estruturais, fortalecendo investimentos em áreas como saneamento e infraestrutura.

    A estratégia também passa por estabilidade regulatória e planejamento de longo prazo. Entre as iniciativas estão contratos territoriais de desenvolvimento entre União, Estado e municípios, metas de convergência regional no planejamento orçamentário e mecanismos para acompanhar publicamente os impactos dos investimentos sobre renda, produtividade e infraestrutura. Um ambiente mais previsível pode reduzir incertezas e favorecer decisões de investimento de longo prazo.

    Para Pernambuco, acompanhar a Reforma Tributária será fundamental. A proposta inclui um Programa Estadual de Inteligência Tributária e Competitividade, um observatório para monitorar seus efeitos e uma agenda permanente de competitividade e atração de investimentos. A questão não é apenas adaptar o Estado às novas regras, mas criar condições para que a transição contribua para mais investimentos, maior competitividade e redução das desigualdades regionais.
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