
IBC-Br surpreende em novembro e aponta crescimento da atividade econômica
16/1/2026
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,7% em novembro na comparação com outubro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado veio acima da mediana das estimativas do mercado, que apontava crescimento de 0,4%. O resultado também chama atenção, pois o setor de serviços mostrou queda de 0,1% em novembro, segundo o IBGE, mas apresentou alta de 0,6% segundo o IBC-Br. Com esse desempenho, a atividade econômica manteve um ritmo positivo ao longo do trimestre encerrado em novembro, acumulando crescimento de 1,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com novembro do ano passado, o indicador mostrou expansão de 1,2%. Já no acumulado em 12 meses até novembro, o IBC-Br avançou 2,4%. O mesmo percentual foi registrado no resultado acumulado do ano. Além do resultado agregado, na abertura setorial do índice, em novembro, a agropecuária apresentou retração de 0,3% frente a outubro. Em contrapartida, a indústria avançou 0,8%, enquanto o setor de serviços registrou crescimento de 0,6%. O componente de impostos teve alta mais expressiva, de 1,13%, e o IBC-Br excluindo a agropecuária também mostrou expansão de 0,7%. Embora seja frequentemente utilizado como um termômetro da economia, o IBC-Br não substitui o Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo IBGE. Isso porque os dois indicadores têm metodologias parecidas, mas periodicidades diferentes. Enquanto o IBC-Br é divulgado mensalmente e permite um acompanhamento mais próximo da evolução da atividade ao longo do ano, o PIB, de frequência trimestral, oferece uma visão mais ampla e detalhada do desempenho da economia como um todo. O próprio BC ressalta que, devido às diferenças metodológicas em relação às contas nacionais do IBGE, é esperado que as divergências entre o IBC-Br e o PIB sejam mais significativas nas aberturas setoriais do que nos indicadores agregados. A diferença no setor de serviços chama atenção, pois o setor representa mais de 70% do PIB brasileiro. O PIB do último trimestre somente será divulgado após a apresentação dos dados referentes aos desempenhos da indústria, varejo e serviços, pelo IBGE, ao longo do próximo mês. De todo jeito, em contraste com o IBC-Br de novembro, a indicação de tendência dessas variáveis, pelo IBGE, é de uma desaceleração da economia.

Vendas do varejo surpreendem em novembro
15/1/2026
As vendas do comércio varejista cresceram 1,0% em novembro na comparação com outubro. Frente a novembro de 2024, o volume subiu 1,3%, enquanto o acumulado de 2025 e o dos últimos 12 meses passou a registrar alta de 1,5%. Em termos de receita, o desempenho foi melhor. O faturamento do varejo cresceu 4,2% na comparação interanual, mostrando uma expansão de 6,5% no ano e de 6,6% em 12 meses. O varejo ampliado, que inclui segmentos mais sensíveis ao crédito e ao investimento, como veículos, material de construção e o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, também registrou crescimento. O volume de vendas avançou 0,7% em novembro frente a outubro. Apesar disso, o desempenho interanual ainda foi negativo (-0,3%), assim como o acumulado do ano (-0,3%) e dos últimos 12 meses (-0,2%). Na passagem de outubro para novembro, sete das oito atividades do comércio varejista apresentaram taxas positivas. O principal destaque ficou com Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 4,1%, seguido por Móveis e eletrodomésticos (2,3%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%). Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (1,5%), Hiper e supermercados (1,0%) e Combustíveis e lubrificantes (0,6%) também tiveram desempenho positivo. A única queda no período foi observada em Tecidos, vestuário e calçados (-0,8%). No varejo ampliado, Material de construção avançou 0,8%, enquanto Veículos e motos, partes e peças recuou 0,2%. Na comparação com novembro de 2024, cinco das oito atividades do varejo registraram crescimento. O maior destaque foi novamente o segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 9,9%, terceiro resultado positivo consecutivo após a queda registrada em agosto. As vendas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 7,2%, marcando a 33ª alta consecutiva do setor. Esse grupamento exerceu a maior influência positiva sobre o resultado global do varejo, respondendo por 0,6 p.p. dos 1,3% de crescimento interanual. Móveis e eletrodomésticos teve desempenho relevante, com crescimento de 5,2% na comparação anual. Outros artigos de uso pessoal e doméstico avançou 4,7%, completando oito meses consecutivos de resultados positivos. O segmento de Livros, jornais, revistas e papelaria também apresentou recuperação, com alta de 5,9%, apesar de ainda registrar perdas no acumulado do ano (-0,8%) e em 12 meses (-1,2%). Por outro lado, alguns segmentos seguem enfrentando dificuldades. Hiper e supermercados teve variação próxima de zero pelo segundo mês consecutivo e não registra crescimento desde julho. Combustíveis e lubrificantes recuou 1,3% na comparação anual; e, Tecidos, vestuário e calçados apresentou queda de 4,0%, acumulando o terceiro resultado negativo consecutivo e desacelerando seus ganhos tanto no acumulado do ano quanto em 12 meses. No varejo ampliado, o desempenho negativo foi puxado principalmente por Veículos e motos, partes e peças, que registrou queda de 5,8% frente a novembro de 2024, sexto resultado negativo seguido e principal influência negativa sobre o indicador interanual. Material de construção também apresentou retração de 3,0%, acumulando perdas no segundo semestre e passando para o campo negativo no acumulado do ano. Já Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 0,9% na comparação interanual, mas ainda mantém resultados negativos no acumulado do ano e em 12 meses. Regionalmente, o comércio varejista apresentou desempenho positivo na maior parte do país. Na comparação com outubro, 23 das 27 Unidades da Federação registraram crescimento, com destaque para Rondônia (9,2%), Roraima (4,5%) e Espírito Santo (4,3%). No varejo ampliado, 22 estados apresentaram alta no período, com ênfase para Rondônia (8,3%), Mato Grosso do Sul (7,7%) e Roraima (3,4%). O mês de novembro vem se consolidando como um mês relevante para vendas de final do ano, com Black Friday como principal atrativo. O crescimento do ritmo das vendas em relação a outubro mostra isso, mas talvez não se repita no mês de dezembro, segundo algumas indicações de outros levantamentos, como o Índice de Vendas da Cielo apontou.

Em segundo ano consecutivo de queda no saldo, balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões
14/1/2026
O resultado teve queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo havia sido de US$ 74,2 bilhões. Em dezembro, o país registrou superávit de US$ 9,6 bilhões, avanço de 107,8% na comparação com dezembro de 2024, quando o saldo positivo havia sido de US$ 4,6 bilhões. Trata-se do maior superávit para o mês desde o início da série histórica, em 1997, mas não suficiente para reverter a queda no acumulado do ano. O resultado anual foi sustentado por níveis recordes tanto de exportações quanto de importações. As exportações somaram US$ 348,7 bilhões em 2025, com alta de 3,5% na comparação anual, atingindo o maior valor da série histórica. Já as importações cresceram em ritmo ainda mais intenso, avançando 6,7% e totalizando US$ 280,4 bilhões, também em nível recorde, provocando a queda no saldo da balança comercial. Com isso, a corrente de comércio alcançou US$ 629,1 bilhões, com crescimento de 4,9% frente a 2024. Entre os produtos exportados no ano, o óleo bruto de petróleo manteve a liderança, com vendas de US$ 44,7 bilhões, apesar de uma leve queda de 0,7% em relação a 2024. A soja também seguiu como um dos principais itens da pauta exportadora, alcançando US$ 43,5 bilhões, com crescimento de 1,4%. Do ponto de vista setorial, a indústria de transformação continuou sendo o principal motor das exportações, respondendo por US$ 188,7 bilhões (3,8%), enquanto a agropecuária (7,1%) se destacou pelo ritmo mais forte de crescimento, totalizando US$ 77,6 bilhões. Já a indústria extrativa somou US$ 80,4 bilhões, apresentando recuo de 0,7% frente ao ano anterior. No recorte por parceiros comerciais, a China manteve-se como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 100,02 bilhões em 2025, crescimento de 6,0%. A União Europeia apareceu em seguida, com US$ 49,81 bilhões e alta de 3,2%. Já as vendas para os EUA recuaram 6,6%, totalizando US$ 37,72 bilhões, enquanto as exportações para a Argentina apresentaram forte expansão, de 31,4%, alcançando US$ 18,11 bilhões. Do lado das importações, os óleos combustíveis lideraram entre os principais itens adquiridos pelo Brasil, com US$ 15,52 bilhões em 2025, crescimento de 2,3%. Adubos e fertilizantes também tiveram destaque, somando US$ 15,47 bilhões, com avanço expressivo de 14,1% em relação a 2024. Por setor de atividade econômica, a indústria de transformação concentrou a maior parte das importações, totalizando US$ 259,8 bilhões, alta de 8,6%. A indústria extrativa registrou queda significativa, de 21,2%, com US$ 12,83 bilhões, enquanto as importações da agropecuária atingiram US$ 6,02 bilhões, crescimento de 6,4%. Em termos de origem das importações, a China liderou as vendas ao Brasil em 2025, com US$ 70,93 bilhões, aumento de 11,5%. A União Europeia aparece logo atrás, com US$ 50,29 bilhões e crescimento de 6,4%. Os EUA venderam US$ 45,25 bilhões ao mercado brasileiro, alta de 11,3%, enquanto a Argentina registrou queda de 4,7%, totalizando US$ 12,94 bilhões. O desempenho das exportações brasileiras para os EUA foi impactado diretamente pelo aumento das tarifas imposto pelo governo Trump. Em 2025, a participação dos EUA no total exportado pelo Brasil caiu para 10,8%, o menor patamar desde 2020. Apenas em dezembro, as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano somaram US$ 3,4 bilhões, com queda de 7,2% na comparação anual. Enquanto isso, a concentração na China como destino aumentou, trazendo ainda mais preocupações. As tarifas definidas por Trump encareceram significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano e contribuíram para a retração observada ao longo do ano. Em novembro, no entanto, o governo dos EUA anunciou a redução das tarifas de importação sobre alguns produtos específicos, como carne bovina, café, tomate e banana, o que amenizou parcialmente os efeitos do tarifaço, mas não foi suficiente para reverter a queda no fluxo comercial entre os dois países.

Setor de serviços registra queda em novembro, após 9 meses consecutivos de crescimento
13/1/2026
O volume de serviços apresentou recuo de 0,1% em relação a outubro. O setor opera 20,0% acima do nível observado em fevereiro de 2020, antes da pandemia, e apenas 0,1% abaixo do recorde alcançado em outubro, sendo o setor que tem segurado o crescimento da economia brasileira. Na comparação com novembro de 2024, o volume de serviços avançou 2,5%. Com isso, o crescimento acumulado entre janeiro e novembro de 2025 chegou a 2,7%, mesmo ritmo observado no acumulado dos últimos doze meses. A variação negativa observada na passagem de outubro para novembro foi influenciada por duas das cinco grandes atividades investigadas. O maior impacto negativo veio do setor de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que caiu 1,4% no mês. Também houve retração em Informação e comunicação, com queda de 0,7%. Em contrapartida, Serviços profissionais, administrativos e complementares cresceu 1,3%, enquanto Outros serviços avançou 0,5%. Serviços prestados às famílias ficaram estáveis, com variação nula no mês. Na comparação com novembro de 2024, quatro das cinco atividades e quase metade dos 166 tipos de serviços investigados contribuíram positivamente para o resultado. Os principais impactos positivos vieram de Informação e comunicação, avanço de 3,4%, e de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, alta de 2,5%. Também contribuíram para o resultado positivo: Serviços profissionais, administrativos e complementares, 3,2%; e, Outros serviços, alta de 1,9%. A única influência negativa na comparação interanual veio de Serviços prestados às famílias, que recuou 1,0%, pressionado principalmente pela menor receita de restaurantes, hotéis e eventos culturais. No acumulado de janeiro a novembro, o crescimento de 2,7% do setor foi acompanhado por quatro das cinco atividades e por 53,6% dos tipos de serviços pesquisados. O principal destaque positivo ficou novamente com Informação e comunicação, que avançou 5,4%. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio cresceu 2,5%. Já Serviços profissionais, administrativos e complementares avançou 2,4%, enquanto Serviços prestados às famílias registrou alta de 0,9%. Em contrapartida, Outros serviços apresentou queda de 0,9% no acumulado do ano, influenciado por atividades ligadas ao setor financeiro e à manutenção de veículos e equipamentos. Regionalmente, na passagem de outubro para novembro, 17 das 27 unidades da federação registraram retração no volume de serviços. Os impactos negativos mais relevantes vieram do Distrito Federal (-3,4%), Amazonas (-3,0%), Bahia (-1,5%) e Rio de Janeiro (-1,4%). Por outro lado, São Paulo (0,3%) e Minas Gerais (1,1%) exerceram as principais contribuições positivas no mês, seguidos por Pará (2,6%) e Pernambuco (1,3%). O mês de novembro reitera uma tendência de desaceleração da economia observada ao longo de 2025. Com a queda do setor de serviços no mês de novembro, que representa mais de 70% do PIB nacional, o quarto trimestre aponta para uma possível retração do PIB, caso este resultado se repita no mês de dezembro.

Semana Econômica - 12/01/2026
12/1/2026
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Ecio Costa - Economia e Negócios