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Ecio Costa - Economia e Negócios

Ecio Costa
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  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    A Economia Brasileira no Limite Traz o Fantasma da Estagflação de Volta

    06/11/2026
    O dilema expresso pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central escancara o que a economia já sente na pele: o Brasil flerta perigosamente com um cenário de estagflação para 2027. O recente comunicado da autoridade monetária reconheceu a moderação acentuada da atividade econômica, combinada de forma tóxica com riscos inflacionários que pioraram recentemente. Quando o país estagna e os preços disparam, o resultado é o pior dos mundos. Projeções importantes do mercado já alertam para um 2027 sombrio, estimando uma inflação próxima a 6,1% e um crescimento pífio do PIB de apenas 0,5%.
    Os dados econômicos recentes confirmam de forma clara essa forte desaceleração. A produção industrial brasileira recuou 0,8% em setembro, na comparação com o mês anterior, segundo dados do IBGE. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), que antecipa a temperatura da economia, mostra contração: o setor manufatureiro marcou 46,1 pontos em outubro e o setor de serviços caiu para 49,2 pontos em setembro, ambos operando abaixo da marca neutra de 50 pontos. No mercado de trabalho, a situação também preocupa. Os dados do Caged de setembro registraram a criação de 121,3 mil postos formais, uma nítida perda de ritmo que se reflete em uma queda de quase 28% no saldo acumulado do ano. O próprio Copom já reconhece os sinais de desaquecimento do nível de emprego.
    Com a economia travada e juros altos, o impacto no setor produtivo tem sido preocupante. O país registrou um triste recorde corporativo: 6.341 empresas ativas entraram em recuperação judicial no fim do segundo trimestre de 2026. Esse sufoco do setor produtivo caminha de mãos dadas com a total asfixia das famílias brasileiras, que já somam o alarmante e recorde número de 84 milhões de pessoas inadimplentes. Sem crédito, sem consumo e com a indústria perdendo tração, o empresário suspende os investimentos e passa a cortar vagas.
    O Banco Central está preso em uma armadilha difícil, forçado a manter os juros elevados mesmo com a economia desacelerando, devido à deterioração do cenário inflacionário e ao distanciamento das expectativas em relação à meta. A saída urgente dessa crise anunciada exige um posicionamento firme e responsável do governo federal. O país precisa abandonar discursos antagônicos sobre juros e garantir responsabilidade no Orçamento. Somente um ajuste fiscal sério será capaz de reconquistar a confiança do mercado financeiro e, principalmente, do setor produtivo. Sem a credibilidade para atrair de volta o capital privado, o Brasil potencializa as chances de mergulhar de vez numa estagflação.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    A Cautela do Copom: Selic a 13,75% e o Alerta Fiscal

    04/11/2026
    Na reunião deste mês, logo após o resultado das urnas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, no patamar de 13,75% ao ano. A decisão reflete um diagnóstico claro e preocupante expresso no comunicado oficial da autoridade monetária: o cenário doméstico tornou-se substancialmente mais desafiador para a convergência da inflação em direção à meta.
    Os motivos que levaram o Banco Central a segurar o afrouxamento monetário estão intimamente ligados à forte deterioração das expectativas macroeconômicas. O Copom destacou a piora nas projeções de inflação não apenas para o fechamento deste ano, mas também para os próximos. Somado a isso, a forte pressão cambial observada recentemente tem encarecido os custos de importação, adicionando mais combustível à fogueira inflacionária e penalizando o setor produtivo.
    No entanto, o ponto central de atenção do comitê recai sobre o desarranjo da política fiscal. As mudanças recentes e as incertezas em torno da contínua expansão dos gastos públicos criam um ambiente de forte insegurança no mercado. Quando o governo adota uma postura fiscal expansionista, estimulando a demanda sem lastro de produtividade, o Banco Central é tecnicamente obrigado a manter os juros em patamares restritivos para evitar o descontrole dos preços. É o clássico embate da economia: enquanto a política fiscal acelera o carro, a política monetária se vê forçada a pisar com todas as forças no freio.
    Diante desse quadro, o recado para o futuro próximo é de cautela prolongada. Para a próxima — e última — reunião do ano, a perspectiva é de que a taxa de juros se mantenha inalterada nos 13,75%. Uma mudança de rota por parte do Banco Central só será possível caso o governo federal apresente, de forma concreta e crível, uma mudança significativa nas expectativas dos gastos no curto prazo. Sem previsibilidade e responsabilidade orçamentária, a fatura continuará sendo paga por toda a sociedade através do crédito caro.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    O Alerta do Focus: Dólar nas Alturas, Baixo Crescimento, Inflação Mais Alta e Juros Voltando a Subir

    04/11/2026
    O mercado financeiro emitiu nesta semana um de seus mais severos alertas. O Relatório Focus desta semana escancarou a rápida deterioração das expectativas macroeconômicas do país. Esse pessimismo técnico se materializou de imediato com o dólar comercial disparando e fechando em seu maior patamar do ano, pressionando fortemente os custos de produção e o bolso do consumidor.
    Os números do Focus mostram um cenário que exige atenção. A expectativa para o câmbio no fim de 2026 deu um salto considerável, passando de R$ 5,05 na semana anterior para R$ 5,34 na leitura atual. A projeção para a inflação oficial (IPCA) também aumentou bastante, atingindo 5,22% para este ano e 4,76% para 2027, descolando-se de forma perigosa do teto da meta estabelecida. Como reflexo direto desse desarranjo, o crescimento do PIB foi revisado para baixo, caindo para 1,76% neste ano e para amargos 1,20% no ano que vem. O mercado já precifica o remédio para essa sangria: a taxa Selic voltará a subir ainda este ano, com as projeções saltando para 13,50% em 2026 e 12,50% em 2027. Na prática, teremos juros mais altos por muito mais tempo.
    Essas expectativas desanimadoras, no entanto, podem ser revertidas, desde que o governo assuma de forma clara uma postura pautada pela responsabilidade fiscal. O grande obstáculo tem sido o ambiente conturbado por teses heterodoxas. O recente artigo de André Lara Resende, que volta a ventilar a perigosa ideia de cortar os juros na "canetada" sem que haja um real controle da inflação e dos gastos, gerou pânico no mercado e elevou os juros futuros combinado com mais uma queda do Ibovespa.
    A verdade é que a campanha eleitoral do presidente Lula, em nenhum momento, pregou o rigor ou a responsabilidade fiscal. Contudo, diante da fatura altíssima cobrada pela deterioração macroeconômica, essa é uma ausência de promessa de campanha que precisa urgentemente ser quebrada pelo governo. O Brasil precisa de um choque de previsibilidade e equilíbrio nas contas públicas; caso contrário, a conta da inflação e do crédito caro recairá, mais uma vez, sobre as famílias e as empresas.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    O Brasil Rumo ao Maior IVA do Mundo

    03/11/2026
    A recente divulgação feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aumentou consideravelmente a preocupação em relação ao IVA proposto na Reforma Tributária. O TCU estimou que a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — a fatia federal do novo imposto — deve ficar em 11,3%. Esse número assustou o mercado, pois a estimativa para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) — a fatia estadual e municipal — varia entre 19% e 20%. Somadas, as alíquotas podem fazer o nosso Imposto sobre Valor Agregado (IVA) bater inacreditáveis 31,3%.
    Com esse patamar, o Brasil se isolará como o país com o mais alto IVA do mundo. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), países europeus conhecidos por seu forte Estado de bem-estar social possuem taxas bem menores: Finlândia, Dinamarca e Suécia cobram 25%. A Itália cobra 22%, Espanha e Holanda 21%, e a França 20%. Quando olhamos para a nossa região, o abismo competitivo fica ainda mais evidente: o Uruguai tem alíquota de 22%, Colômbia e Chile cobram 19%, e o México opera com apenas 16%.
    A raiz de uma alíquota tão exorbitante está no descontrole crônico das nossas contas públicas. O aumento contínuo do déficit fiscal e o alto nível de endividamento do Estado sobre o PIB pressionam a necessidade arrecadatória. A promessa inicial da reforma era simplificar sem elevar a carga tributária, mas o compromisso de manter integralmente o nível de receita de todos os entes federativos está empurrando a fatura para cima.
    Os impactos na economia serão pesados. Um IVA superior a 31% vai retirar drasticamente a competitividade da indústria brasileira, que já sofre com altos custos de produção. Além disso, o setor de serviços — que é o maior gerador de empregos formais do país — será fortemente encarecido, provocando repasses diretos e pesados para os preços pagos pela população.
    A experiência internacional mostra que a alíquota reflete diretamente a saúde fiscal de um país. A China, por exemplo, conseguiu reduzir a sua taxa de 17% para 13% em 2016 justamente por desfrutar de uma boa situação fiscal. O Brasil precisa entender que a sociedade não suporta mais ser espremida. Sem um corte estrutural e corajoso nos gastos do governo, o novo sistema tributário nascerá asfixiando quem produz, quem emprega e quem consome.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Tratar o Remédio Como se Fosse a Doença não Resolve, Pode Matar o Paciente!

    02/11/2026
    A recente sugestão do economista André Lara Resende de promover um corte abrupto da taxa Selic, reduzindo-a pela metade, reacendeu um debate perigoso no Brasil. Embora a ideia de juros baixos por decreto soe extremamente sedutora para a sociedade, a história econômica prova que forçar a queda da taxa básica sem o controle prévio da inflação e das contas públicas é a receita certa para o desastre.
    Na macroeconomia, a taxa de juros funciona como um termômetro de risco. Quando o Banco Central corta a Selic artificialmente — ignorando o desequilíbrio fiscal do Estado —, o mercado reage. Ocorre uma fuga imediata de capitais, provocando a disparada do dólar. Esse choque cambial encarece desde a energia e os combustíveis até os alimentos, gerando uma espiral inflacionária que pune severamente as famílias mais pobres.
    Não precisamos ir longe para prever o desfecho. No governo Dilma Rousseff, o Brasil adotou exatamente essa cartilha heterodoxa. Sob forte pressão política, o BC forçou a Selic para o piso de 7,25% ao ano. O resultado foi catastrófico: a perda de credibilidade culminou na maior recessão da nossa história recente (2015-2016). Para domar a inflação de dois dígitos que destruiu a economia logo na sequência, os juros precisaram ser elevados rapidamente para dolorosos 14,25%.
    No cenário externo, a Turquia é o laboratório moderno dessa tragédia. O presidente Recep Erdogan obrigou o banco central turco a cortar juros seguidamente, desafiando uma inflação que já estava em alta. A consequência direta foi o colapso da moeda local (a lira turca) e uma inflação oficial que ultrapassou a marca de 85% ao ano, destruindo a renda nacional e mergulhando o país em crise.
    A economia não aceita atalhos mágicos. A queda da Selic é essencial para o desenvolvimento do país, mas deve ser consequência do dever de casa fiscal. Para termos juros baixos de forma sustentável, o governo precisa controlar os seus gastos e equilibrar o Orçamento. Reduzir os juros na "canetada" não estimula o crescimento real; gera apenas descontrole inflacionário, fuga de investimentos e expansão da pobreza.
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