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Ecio Costa - Economia e Negócios

Ecio Costa
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  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Balança Comercial ajuda as Contas Externas do Brasil em fevereiro

    27/03/2026
    O Brasil registrou déficit de US$ 5,6 bilhões nas transações correntes, um resultado bem mais favorável do que o observado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo havia sido de US$ 10,2 bilhões. Essa melhora, na comparação interanual, foi puxada principalmente pelo desempenho da balança comercial de bens, cujo saldo apresentou elevação de US$ 4,6 bilhões no período. Ainda assim, nem todos os componentes contribuíram da mesma forma: a conta de serviços praticamente não mudou, enquanto a renda primária teve piora.

    No acumulado em doze meses até fevereiro, o déficit em transações correntes recuou para US$ 63,4 bilhões, equivalente a 2,71% do PIB. Esse resultado representa melhora tanto em relação ao mês imediatamente anterior, quando o déficit era de US$ 68,1 bilhões (2,94% do PIB), quanto na comparação com fevereiro de 2025, quando atingiu US$ 79,0 bilhões (3,67% do PIB).

    A balança comercial de bens foi o principal destaque positivo do período. Em fevereiro, o país passou de um déficit de US$ 1,1 bilhão, no ano anterior, para um superávit de US$ 3,5 bilhões. Esse desempenho foi impulsionado pelo crescimento de 14,8% nas exportações, que somaram US$ 26,4 bilhões, ao mesmo tempo em que as importações recuaram 5,1%, totalizando US$ 22,9 bilhões.

    Já a conta de serviços permaneceu com déficit de US$ 3,9 bilhões, mas houve mudanças relevantes em sua composição. Algumas despesas aumentaram, como os gastos com aluguel de equipamentos e, de forma mais intensa, com propriedade intelectual. Por outro lado, houve redução em áreas como transporte e serviços de telecomunicações. Um ponto que chama atenção é o avanço das despesas com viagens internacionais, que cresceram bastante, reflexo de brasileiros gastando mais no exterior, ao mesmo tempo em que as receitas vindas de turistas estrangeiros diminuíram.

    Do lado do financiamento externo, os investimentos diretos no país somaram US$ 6,8 bilhões em fevereiro, bem abaixo dos US$ 10,0 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Mesmo assim, continuam em um patamar relevante, especialmente por envolverem, em grande parte, participação no capital e reinvestimento de lucros. No acumulado de doze meses, o IDP totaliza US$ 75,9 bilhões, o equivalente a 3,24% do PIB.

    Na renda primária, o déficit chegou a US$ 5,6 bilhões, maior do que no ano anterior. Apesar da queda nas despesas com juros, houve aumento nas remessas de lucros e dividendos para o exterior, o que acabou pressionando o resultado dessa conta. Enquanto isso, as reservas internacionais chegaram a US$ 371,1 bilhões, com aumento de US$ 6,7 bilhões em relação ao mês anterior.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    IPCA-15 tem alta de 0,44% em março, desacelerando em relação ao mês anterior, quando avançou 0,84%

    26/03/2026
    Na comparação com março de 2025, quando o índice foi de 0,64%, o IPCA-15 também desacelerou. No acumulado em 12 meses, a taxa ficou em 3,90%, abaixo dos 4,10% registrados no período imediatamente anterior. Enquanto isso, no acumulado do ano, o índice soma alta de 1,49%, inferior ao observado no primeiro trimestre de 2025 (1,99%).

    Apesar da desaceleração do índice geral, todos os nove grupos de produtos e serviços apresentaram variação positiva. O principal destaque foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88% e respondeu pelo maior impacto individual no índice (0,19 p.p.). Esse movimento foi impulsionado principalmente pela aceleração da alimentação no domicílio, que passou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. A alimentação fora do domicílio apresentou desaceleração, passando de 0,46% para 0,35%.

    O grupo Despesas Pessoais também teve contribuição relevante, com alta de 0,82% e impacto de 0,09 p.p., influenciado principalmente pelos aumentos em serviços bancários e no custo do empregado doméstico. Em Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,36%, destacam-se os reajustes em planos de saúde (0,49%) e itens de higiene pessoal (0,38%), reforçando a pressão de serviços nesse segmento.

    No grupo Habitação, a alta de 0,24% reflete, em grande medida, os reajustes tarifários de energia elétrica residencial (0,29%), especialmente no Rio de Janeiro, além de aumentos nas tarifas de água e esgoto em capitais como Belo Horizonte e Porto Alegre. Por outro lado, o gás encanado apresentou queda, resultado de reduções tarifárias em cidades como Curitiba e novamente no Rio de Janeiro.

    No segmento de Transportes, a alta de 0,21% foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que subiram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no índice. Houve também aumentos em tarifas de ônibus intermunicipais e táxis em diversas capitais. Em contrapartida, o transporte urbano apresentou queda, influenciado por políticas de redução tarifária aos domingos e feriados em cidades como Recife, São Paulo e Salvador. No caso dos combustíveis, o resultado foi praticamente estável (-0,03%), com quedas no gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%), parcialmente compensadas pela alta do óleo diesel (3,77%).

    Do ponto de vista regional, teve alta em dez das onze áreas pesquisadas. O maior avanço foi registrado em Recife, com 0,82%, pressionado principalmente pelo aumento expressivo do tomate (46,27%) e pela elevação nos preços da gasolina (1,37%). Por outro lado, Curitiba foi a única localidade a apresentar deflação no mês (-0,06%), influenciada pela queda em itens como emplacamento (-4,83%), frutas (-3,78%) e combustíveis (-0,84%).

    O IPCA-15 serve de prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA, registrada somente após a virada do mês. Por enquanto, o conflito do Irã não vem sendo precificado no aumento do preço dos combustíveis, mas isto pode mudar, pois a previsão é que o conflito somente se encerre em meados de maio, fazendo com que a Petrobras não consiga segurar por tanto tempo os preços dos combustíveis. Ou será que irá segurar?
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    Minha Casa, Minha Vida turbinado: estímulo necessário ou risco de distorção de preços?

    24/03/2026
    O governo acaba de apresentar novas regras para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com reajustes expressivos nas faixas de renda e no teto de preços dos imóveis. O programa, que já representa mais da metade das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil, tem sido o motor da construção civil, com juros subsidiados em meio a uma Selic tão alta.

    A atualização das faixas é fundamental para que a inflação não expulse as famílias de baixa renda do programa. Elevar a Faixa 1 de R$ 2.850 para R$ 3.200, um aumento de 12,3%, garante a paridade com o novo salário-mínimo, mas pode ser inflacionário. A elevação dos limites traz para o programa uma classe média que hoje sofre para financiar imóveis com as taxas de juros tradicionais do mercado. Para o setor produtivo, isso significa previsibilidade, mais lançamentos e manutenção de empregos.

    Mas a matemática precisa fechar. O limite de valor dos imóveis subiu (chegando a R$ 600 mil na Faixa 4). Se o orçamento do programa — ancorado pesadamente no FGTS — não acompanhar esse encarecimento na mesma proporção, o resultado será óbvio: o governo financiará imóveis mais caros, reduzindo a quantidade de moradias entregues.

    Além disso, as construtoras já registram margens de lucro acima da média histórica. Há um risco real de que esse ajuste acabe sendo repassado para o preço final das unidades, gerando mais inflação para o setor e a economia, beneficiando mais as margens das empresas do que o bolso do trabalhador.

    As contratações no Minha Casa, Minha Vida somaram 2,1 milhões de unidades neste governo até o fim do ano passado, sendo 578,4 mil em 2023, 707,6 mil em 2024 e 813,9 mil em 2025. Para bater a meta de 3 milhões de unidades, será necessário ampliar as contratações para 900 mil neste ano.

    Em um ano eleitoral, acelerar o passo para cumprir a meta de 3 milhões de moradias já era esperado, mas o custo disso para a sustentabilidade do FGTS e para a inflação do setor imobiliário, que respingará na inflação da economia, deve ser monitorado com rigor.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Semana Econômica - 23/03/2026

    23/03/2026
    Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado.

    Não deixe de escutar e mantenha-se informado.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    A queda da Selic e o fantasma do preço do petróleo: acerto ou precipitação?

    20/03/2026
    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optou recentemente por dar continuidade ao ciclo de cortes da taxa Selic, uma medida amplamente aguardada pelo setor produtivo e pelo mercado financeiro doméstico. A redução dos juros básicos tem um objetivo claro: aliviar o custo do crédito, destravar investimentos e dar um fôlego à atividade econômica brasileira.

    No entanto, enquanto comemoramos o alívio interno, o cenário internacional acende um alerta vermelho que não pode ser ignorado: a preocupante escalada nos preços do barril de petróleo. A pergunta que ecoa é inevitável: teria sido este o momento certo para afrouxar a política monetária? Para responder a essa questão, precisamos analisar as forças antagônicas que operam sobre a nossa economia neste momento.

    Do ponto de vista doméstico, o Banco Central tem se apoiado na convergência gradual da inflação (IPCA) para o centro da meta e em um mercado de trabalho que, embora resiliente, ainda precisa de mais dinamismo para sustentar o crescimento de longo prazo. Manter os juros em patamares excessivamente restritivos por muito tempo cobra um preço elevado: encarece o crédito e sufoca pequenas e médias empresas, aumenta o custo da dívida pública e pressiona o já fragilizado arcabouço fiscal, além de desestimular o consumo, retraindo o setor de serviços e o comércio varejista. Nesse sentido, o movimento de queda da Selic se justifica pela necessidade de oxigenar a economia nacional. O problema, contudo, é que não vivemos em uma redoma.

    No cenário externo, a cotação do petróleo tipo Brent, referência global, tem apresentado uma escalada consistente. Seja por tensões geopolíticas persistentes ou por restrições de oferta promovidas pela OPEP+, o fato é que o petróleo mais caro funciona como um verdadeiro “imposto global”. Para o Brasil, os impactos são diretos e relevantes: o aumento do petróleo encarece a gasolina e, principalmente, o diesel, e como a matriz logística brasileira é majoritariamente rodoviária, o custo do frete sobe e se espalha por toda a economia, pressionando desde os alimentos até os bens industriais.

    Soma-se a isso a incerteza em torno da política de preços da Petrobras, que gera ruídos políticos e imprevisibilidade sobre o repasse das cotações internacionais, além do risco de desancoragem das expectativas de inflação caso o mercado passe a acreditar que esse choque pode contaminar outros preços da economia.

    Diante desse contexto, a decisão de reduzir a Selic em meio a um choque de commodities envolve um risco calculado, mas considerável. A política monetária atua com defasagem, de modo que os efeitos dos cortes realizados essa semana tendem a se materializar com mais intensidade apenas entre 12 e 18 meses à frente.

    Se a alta do petróleo for temporária, o Banco Central terá acertado ao se antecipar e sustentar o crescimento sem comprometer o controle inflacionário. Por outro lado, caso o barril permaneça em níveis elevados por um período prolongado, a autoridade monetária poderá ser forçada a interromper o ciclo de cortes mais cedo do que o esperado, ou até mesmo retomar a elevação dos juros no futuro para conter uma inflação importada.

    Em economia, o timing é determinante. A redução da Selic neste momento reflete uma aposta de que a inflação, especialmente a de serviços, está sob controle e de que o choque do petróleo será absorvido sem gerar efeitos duradouros. Ainda assim, a margem de erro é muito pequena. Para que essa estratégia seja bem-sucedida, não bastará sorte no cenário internacional, será essencial que o governo federal mantenha uma condução fiscal austera e transparente. Sem esse compromisso, choques externos tendem a pressionar o câmbio, desvalorizar o real e amplificar os impactos negativos de um petróleo mais caro. O cenário exige cautela: o mar está agitado, e a vigilância sobre a inflação precisa ser constante.

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Generated: 3/29/2026 - 4:04:05 AM