Na comparação com março de 2025, quando o índice foi de 0,64%, o IPCA-15 também desacelerou. No acumulado em 12 meses, a taxa ficou em 3,90%, abaixo dos 4,10% registrados no período imediatamente anterior. Enquanto isso, no acumulado do ano, o índice soma alta de 1,49%, inferior ao observado no primeiro trimestre de 2025 (1,99%).
Apesar da desaceleração do índice geral, todos os nove grupos de produtos e serviços apresentaram variação positiva. O principal destaque foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88% e respondeu pelo maior impacto individual no índice (0,19 p.p.). Esse movimento foi impulsionado principalmente pela aceleração da alimentação no domicílio, que passou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. A alimentação fora do domicílio apresentou desaceleração, passando de 0,46% para 0,35%.
O grupo Despesas Pessoais também teve contribuição relevante, com alta de 0,82% e impacto de 0,09 p.p., influenciado principalmente pelos aumentos em serviços bancários e no custo do empregado doméstico. Em Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,36%, destacam-se os reajustes em planos de saúde (0,49%) e itens de higiene pessoal (0,38%), reforçando a pressão de serviços nesse segmento.
No grupo Habitação, a alta de 0,24% reflete, em grande medida, os reajustes tarifários de energia elétrica residencial (0,29%), especialmente no Rio de Janeiro, além de aumentos nas tarifas de água e esgoto em capitais como Belo Horizonte e Porto Alegre. Por outro lado, o gás encanado apresentou queda, resultado de reduções tarifárias em cidades como Curitiba e novamente no Rio de Janeiro.
No segmento de Transportes, a alta de 0,21% foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que subiram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no índice. Houve também aumentos em tarifas de ônibus intermunicipais e táxis em diversas capitais. Em contrapartida, o transporte urbano apresentou queda, influenciado por políticas de redução tarifária aos domingos e feriados em cidades como Recife, São Paulo e Salvador. No caso dos combustíveis, o resultado foi praticamente estável (-0,03%), com quedas no gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%), parcialmente compensadas pela alta do óleo diesel (3,77%).
Do ponto de vista regional, teve alta em dez das onze áreas pesquisadas. O maior avanço foi registrado em Recife, com 0,82%, pressionado principalmente pelo aumento expressivo do tomate (46,27%) e pela elevação nos preços da gasolina (1,37%). Por outro lado, Curitiba foi a única localidade a apresentar deflação no mês (-0,06%), influenciada pela queda em itens como emplacamento (-4,83%), frutas (-3,78%) e combustíveis (-0,84%).
O IPCA-15 serve de prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA, registrada somente após a virada do mês. Por enquanto, o conflito do Irã não vem sendo precificado no aumento do preço dos combustíveis, mas isto pode mudar, pois a previsão é que o conflito somente se encerre em meados de maio, fazendo com que a Petrobras não consiga segurar por tanto tempo os preços dos combustíveis. Ou será que irá segurar?