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- Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à oitava frente estratégica: planejamento e desenvolvimento urbano. O crescimento das cidades, tanto na Região Metropolitana do Recife quanto nos polos do interior, coloca a política urbana no centro da estratégia de desenvolvimento, influenciando diretamente a produtividade, a atração de investimentos e a qualidade de vida.
Nesse contexto, os atuais planos diretores precisam evoluir para planos estratégicos, capazes de integrar mobilidade, habitação, infraestrutura, transição climática e modernização dos licenciamentos. O uso mais eficiente de instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, como a outorga onerosa e as operações urbanas consorciadas, também pode permitir que parte da valorização gerada pelos investimentos públicos seja reinvestida na melhoria das próprias cidades.
Um crescimento urbano mais eficiente passa pelo adensamento inteligente, pela requalificação de áreas centrais e pelo desenvolvimento orientado ao transporte coletivo, reduzindo a expansão periférica desordenada. Nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, uma governança interfederativa mais estruturada é necessária para enfrentar de forma integrada desafios como mobilidade, saneamento, drenagem e segurança.
A tecnologia também pode ampliar a capacidade de planejamento dos municípios. Entre as iniciativas previstas estão um programa estadual de cidades inteligentes e inteligência territorial, utilizando geoprocessamento, cadastro territorial, sensoriamento remoto, inteligência artificial e sistemas de monitoramento urbano. A modernização da gestão deve ser acompanhada pelo fortalecimento da estrutura estadual responsável pelo planejamento e pela produção de indicadores territorializados.
Uma carteira permanente de projetos urbanos pode organizar investimentos em requalificação de áreas centrais, mobilidade sustentável, infraestrutura verde e azul, habitação de interesse social, revitalização de frentes d’água e distritos de inovação. Planejar melhor as cidades significa antecipar problemas, reduzir custos e criar ambientes urbanos mais preparados para receber pessoas, atividades econômicas e investimentos. - Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, avançamos para a sétima frente estratégica do estudo: infraestrutura digital. A transformação digital do Estado é parte importante da melhoria do ambiente de negócios, especialmente em um cenário em que o excesso de burocracia aumenta custos, dificulta a expansão das empresas e cria insegurança para quem investe e empreende.
Uma das propostas centrais é tornar a relação entre Estado, cidadãos e empresas mais simples. A integração segura das bases de dados públicas permitiria reduzir a necessidade de apresentar repetidamente as mesmas informações e documentos. O estudo também propõe revisar o estoque regulatório e fortalecer a Análise de Impacto Regulatório, eliminando normas obsoletas e tornando novas regras mais proporcionais e baseadas em evidências.
A digitalização deve alcançar também os serviços públicos. Entre as propostas estão a criação de um Portal Único de Relacionamento, reunindo autorizações, licenças, certidões e pagamentos, além da ampliação dos serviços digitais. O uso de inteligência artificial no setor público também pode automatizar processos, analisar dados, aumentar a produtividade e melhorar a prestação de serviços.
Essa transformação precisa chegar a todas as regiões. O estudo propõe ampliar a fibra óptica, a cobertura 5G, as redes de alta velocidade e os centros regionais de processamento de dados, conectando escolas, hospitais, distritos industriais e áreas de inovação. A criação de um Observatório de Transformação Digital permitiria acompanhar indicadores de conectividade, maturidade digital, inovação, segurança cibernética e competitividade dos municípios.
Por fim, a proposta é estruturar uma carteira permanente de projetos de infraestrutura digital, contemplando data centers, computação em nuvem, cidades inteligentes, inteligência artificial, cibersegurança, conectividade rural e digitalização dos serviços públicos. Mais do que incorporar tecnologia, modernizar o Estado significa reduzir custos, ampliar a eficiência e criar um ambiente mais previsível para cidadãos, empresas e investimentos. - Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à sexta frente estratégica do estudo: infraestrutura energética. O desenvolvimento econômico está cada vez mais ligado à combinação entre energia, tecnologia e infraestrutura digital — e Pernambuco reúne condições para transformar seu potencial em energias renováveis em uma vantagem competitiva para a economia de baixo carbono.
A expansão das fontes solar e eólica, especialmente no interior nordestino, pode ir além da geração de energia. O estudo propõe utilizar essa disponibilidade como base para atrair empreendimentos de maior valor agregado, como data centers, computação em nuvem, inteligência artificial e computação de alto desempenho, capazes de gerar empregos qualificados e estimular novas cadeias de engenharia, telecomunicações, manutenção e inovação.
Para aproveitar esse potencial, é necessário avançar também na infraestrutura que conecta energia e tecnologia. A ampliação das redes de transmissão e fibra óptica, associada ao ecossistema do Porto Digital, pode fortalecer a capacidade de Pernambuco de receber novos polos tecnológicos e aproximar o Estado dos mercados digitais globais.
A estratégia proposta inclui ainda a modernização do sistema energético, com redes inteligentes, armazenamento de energia, geração distribuída e integração entre fontes renováveis, infraestrutura digital e polos industriais. Também estão previstas iniciativas para estimular data centers sustentáveis, centros de inteligência artificial e computação de alto desempenho, além da formação de profissionais locais e da conexão com universidades e ecossistemas de inovação.
O estudo propõe, por fim, criar um Observatório Pernambucano da Transição Energética e da Economia de Baixo Carbono e uma carteira permanente de projetos estruturantes, incluindo hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis, parques solares e eólicos, eletromobilidade e infraestrutura para data centers. A integração entre energia limpa, tecnologia, inovação e capital humano pode ampliar a competitividade de Pernambuco e criar novas oportunidades de desenvolvimento em diferentes regiões do Estado. - Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, chegamos à quinta frente estratégica do estudo: infraestrutura hídrica. Em um Estado marcado pela escassez e pela distribuição desigual da água, garantir abastecimento regular é essencial para ampliar a produção, atrair investimentos e melhorar a qualidade de vida, especialmente no Agreste e no Sertão. Também é fundamental para fortalecer as atividades econômicas no interior e reduzir desigualdades regionais.
Pernambuco já conta com importantes investimentos, como os eixos da Transposição do Rio São Francisco, adutoras e barragens. O desafio agora é integrar essas iniciativas em uma estratégia permanente de segurança hídrica, combinando infraestrutura, gestão, inovação, preservação ambiental e planejamento territorial.
Entre as propostas estão a integração entre bacias, modernização das redes, redução de perdas, fortalecimento da irrigação e uso sustentável de águas subterrâneas, reuso e dessalinização. O estudo também destaca a recuperação de nascentes, matas ciliares e áreas de recarga como parte da própria estratégia de desenvolvimento.
Outro ponto é tornar a gestão da água mais eficiente e baseada em dados, com um Sistema de Inteligência Hídrica, sensores, telemetria, medição inteligente, monitoramento em tempo real e um Observatório Estadual das Águas.
Garantir água de forma regular e sustentável é criar uma base mais segura para produzir, investir, gerar empregos e desenvolver todas as regiões de Pernambuco. Até 2035, o desafio é transformar a segurança hídrica em uma estratégia permanente de desenvolvimento. - A Super Quarta de ontem mostrou que os bancos centrais do Brasil e dos EUA seguiram direções opostas. Enquanto o Federal Reserve (Fed) optou por elevar a taxa de juros norte-americana, o nosso Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por uma redução da taxa Selic. Essa divergência monetária traz consequências imediatas para a nossa economia e, de forma mais aguda, para a taxa de câmbio.
Nos EUA, o Fed elevou os juros básicos em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o patamar restritivo de 3,75% a 4,0% ao ano. O comunicado oficial foi categórico: a resiliência da economia americana, aliada a um mercado de trabalho ainda fortemente aquecido e a uma inflação persistente no setor de serviços, forçou a autoridade monetária a manter o pé no freio. O recado para o mundo foi claro de que o combate inflacionário na maior economia do planeta ainda não está ganho e que novas elevações estão por vir.
Por aqui, o Banco Central seguiu o roteiro inverso, cortando a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 13,75%. Em seu comunicado, o Copom justificou a medida apontando para o comportamento de forte desaceleração da nossa atividade econômica, prevalecendo em relação à expectativa altista da inflação. Contudo, o texto fez questão de alertar para os crescentes riscos fiscais e de expansão de crédito domésticos, que seguem desancorando as expectativas futuras.
O grande gargalo desse descompasso é o estreitamento do chamado "diferencial de juros" — a margem financeira que o Brasil oferece para compensar o risco e atrair o capital estrangeiro. Com os EUA pagando juros mais altos no porto mais seguro do mundo, e o Brasil reduzindo a sua remuneração interna, o investidor global faz as contas, arruma as malas e retira dólares do nosso mercado.
O impacto imediato dessa fuga de capitais é a inevitável disparada na taxa de câmbio. Um dólar mais forte e um real desvalorizado encarecem produtos importados, insumos industriais e combustíveis, gerando a "inflação importada". Essa pressão cambial pode, paradoxalmente, asfixiar a própria estratégia do nosso Banco Central, obrigando-o a interromper os cortes da Selic muito antes do previsto. Enquanto não arrumarmos a nossa casa fiscal para ancorar a confiança, continuaremos reféns da atratividade dos ventos americanos.
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