Na comparação com fevereiro do ano passado, o desempenho foi praticamente estável, com leve alta de 0,2%, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 1,4%, indicando que as vendas seguem desacelerando, como reflexo de juros altos, crédito caro, forte endividamento das famílias e alta inadimplência.
Quando se observa o varejo ampliado, que inclui segmentos mais sensíveis ao crédito e à renda, como veículos e material de construção, o cenário se confirma. Embora tenha havido crescimento de 1,0% na comparação com janeiro, o setor recuou 2,2% frente a fevereiro de 2025 e acumula queda de 0,4% em 12 meses. Isso mostra que os segmentos mais dependentes de crédito ainda enfrentam dificuldades, refletindo um ambiente de juros elevados e maior endividamento das famílias.
Na análise setorial, quatro das oito atividades do varejo registraram crescimento em fevereiro. Destacaram-se positivamente os segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%), combustíveis e lubrificantes (1,7%), e hiper e supermercados (1,1%), além de artigos farmacêuticos (0,3%). Por outro lado, houve retração em equipamentos de informática (-2,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%), vestuário (-0,3%) e móveis e eletrodomésticos (-0,1%). Esse padrão reforça a ideia de que o consumo das famílias segue concentrado em itens essenciais.
Na comparação interanual, essa diferença fica ainda mais clara. Setores como vestuário (-5,0%) e outros artigos de uso pessoal (-5,3%) tiveram quedas relevantes, já supermercados (1,5%) e farmácias (2,1%) sustentaram o crescimento do varejo. No varejo ampliado, o resultado negativo foi puxado principalmente por veículos (-7,8%) e material de construção (-8,5%), setores bastante dependentes de financiamento. O atacado de alimentos também recuou (-1,0%), interrompendo uma sequência de resultados positivos.
Regionalmente, na passagem de janeiro para fevereiro, o varejo avançou em 17 das 27 unidades da federação, com destaque para Paraná (2,9%), Bahia (2,7%) e Minas Gerais (2,5%), enquanto estados como Mato Grosso (-3,6%), Maranhão (-3,2%) e Amazonas (-3,2%) puxaram negativamente. Já na comparação interanual, 16 estados registraram crescimento, com destaque para Pernambuco (10,1%), Acre (8,1%) e Distrito Federal (4,8%), enquanto 11 apresentaram queda, como Amazonas (-7,2%), Pará (-5,3%) e Espírito Santo (-4,7%).
Enquanto o ambiente for de juros altos, usados para combater a inflação causada pela expansão fiscal, com crédito caro, aumento forte do endividamento nos últimos anos, que tem gerado inadimplência, o cenário de fraco desempenho do varejo vai continuar se repetindo.