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Ecio Costa - Economia e Negócios

Ecio Costa
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  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Não se engane, existe sim déficit nas contas públicas. Entenda o déficit público e a armadilha dos juros

    06/08/2026
    Se você gastar mais do que ganha todos os meses, precisará pegar dinheiro emprestado no banco. O banco, percebendo que você não consegue equilibrar suas próprias contas, vai cobrar uma taxa de juros altíssima pelo risco de levar um calote. Na economia de um país, a lógica é exatamente a mesma. E é justamente isso que explica o atual cenário macroeconômico brasileiro.
    Para entender de forma didática: o Brasil está no vermelho. Segundo os dados mensais do Banco Central, o país vem gerando déficits consecutivos nas suas contas públicas há três anos e meio. Isso significa que, mês após mês, a arrecadação com impostos é inferior ao montante que o governo gasta para manter a máquina pública e seus programas funcionando. A essa diferença damos o nome de déficit primário.
    A grande questão é que esse buraco não desaparece por mágica. Para fechar a conta do mês, o governo precisa emitir dívida, ou seja, pegar dinheiro emprestado com os investidores. E é aqui que entramos na segunda parte do problema: o déficit nominal, que nada mais é do que o déficit primário somado aos juros que o país paga por essa dívida gigantesca.
    Muitas vezes, o debate público inverte a lógica, sugerindo que a culpa do rombo nas contas são os juros altos. A realidade, porém, é exatamente a oposta. A montanha de juros que o Brasil paga hoje só atinge patamares tão estratosféricos por conta do descontrole das contas públicas ao longo desses últimos anos. A irresponsabilidade fiscal assusta os investidores. Sem a garantia de que o governo terá dinheiro para honrar seus compromissos no futuro, os juros disparam.
    Para evitar a fuga de capitais, frear a inflação que nasce inevitavelmente desse descontrole fiscal e convencer o mercado a continuar financiando o Tesouro Nacional, o Banco Central é forçado a agir com rigor. A única ferramenta disponível para isso é manter a taxa básica de juros, a Selic, em patamares fortemente elevados. Os juros altos são, portanto, o sintoma e o remédio amargo, e não a causa da doença. A doença crônica é a gastança desenfreada sem lastro.
    Enquanto o governo não fizer o dever de casa — cortando despesas, otimizando o orçamento e apresentando superávit —, continuaremos presos nessa armadilha. Importante, inclusive frisar, que a solução não passa por novos impostos ou o aumento dos já existentes. O déficit gera desconfiança, a desconfiança gera juros altos, e os juros altos encarecem a dívida, estrangulando o crédito e penalizando as famílias e os pequenos negócios que precisam produzir. A conta da indisciplina fiscal sempre chega.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Copom Reduz a Taxa Selic para 14%. Decisão Acertada?

    06/08/2026
    O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) optou por reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14% ao ano, sinalizando que o cenário externo ainda permanece incerto por conta da indefinição do conflito no Oriente Médio e da incerteza da política monetária em países avançados, principalmente nos EUA. No ambiente interno, ressaltou que os indicadores econômicos apresentaram uma moderação gradual da atividade econômica, com sinais mistos entre setores, embora com mercado de trabalho ainda aquecido.

    A inflação apresentou desaceleração recente, mas ainda acima do teto da meta, com expectativas para 2026 e 2027 permanecendo acima da meta, segundo o Boletim Focus, em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Tal situação ainda demanda uma política monetária contracionista, observando os desenvolvimentos da política fiscal e seus impactos na política monetária.

    Quanto aos fatores de risco inflacionários, destacou:
    (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia;
    (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;
    (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e
    (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.

    Em relação aos fatores de risco de baixa:
    (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
    (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e
    (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

    A decisão veio alinhada com as expectativas do mercado, que ainda projeta uma nova queda da Selic para 13,75%, mantendo-se assim até o final do ano. O comentário final do Copom numa decisão unânime pela redução dos juros ainda foi de que: O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.

    Você acha que o Copom agiu corretamente, mesmo com todas essas explicações?
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    O Sufoco dos Pequenos Negócios: A Explosão das Recuperações Judiciais e o Custo do Desajuste Fiscal

    04/08/2026
    Enquanto a macroeconomia busca se equilibrar, a base do setor produtivo enfrenta uma tempestade devastadora. A mais recente comprovação desse cenário vem do levantamento do Monitor RGF BizDoc, que revelou uma escalada alarmante no número de recuperações judiciais. Mesmo com a provável nova redução de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta semana do COPOM, o impacto será pequeno e o problema é estrutural.
    Os números expõem a gravidade. Entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, a proporção de micro e pequenas empresas buscando a proteção da recuperação judicial mais que dobrou. O avanço entre as médias empresas foi de 31%. Em termos absolutos, o Brasil fechou o semestre com o expressivo estoque de 6.341 empresas em processo de reestruturação judicial, uma alta acumulada de 21,2% em 12 meses, segundo dados da Receita Federal apresentados pelo monitor.
    Mas o que explica essa explosão de inadimplência? A resposta reside na soma desastrosa de uma política fiscal expansionista com uma política monetária restritiva, usada para combater o efeito da política fiscal, a inflação. Quando o governo aumenta gastos, ele gera um impulso na demanda que se converte em inflação. Para conter os preços, o Banco Central mantém a Selic em patamares elevados.
    É neste ponto que o estrangulamento ocorre. Juros altos encarecem drasticamente o crédito. As grandes corporações possuem musculatura para acessar o mercado de capitais e optar por reestruturações extrajudiciais — um caminho mais rápido, mais barato e menos estigmatizado. Já as micro e pequenas empresas dependem quase exclusivamente do crédito bancário, que se tornou proibitivo e caro. Sem acesso a crédito subsidiado e sem fôlego de caixa, elas não conseguem atravessar um longo ciclo de juros nesse patamar.
    Esse ambiente corrói a margem de lucro. O consumo pode apresentar solavancos impulsivos, mas é sustentado por crédito caro que asfixia famílias e o varejista. A consequência é a insolvência. O varejo e o agronegócio — que já lidera as estatísticas de recuperação com 1.263 empresas — estão na linha de frente dessa vulnerabilidade. Enquanto o país não alinhar o controle das contas públicas à necessidade de juros civilizados, os pequenos negócios, a espinha dorsal da geração de empregos, continuarão pagando a conta mais alta.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Mercado Ajusta Projeção da Inflação, Mas Índice Continua Acima do Teto da Meta

    03/08/2026
    Nesta semana de decisão do Copom, o mercado financeiro revisou para baixo a projeção da inflação de 2026, que passou para 5,03%, embora ainda permaneça acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. No episódio, analiso os principais destaques do Boletim Focus, as expectativas para a taxa Selic, o cenário para a economia brasileira e os fatores que podem influenciar os próximos passos da política monetária.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    O Exemplo do Vizinho Pode Ajudar a Evitar a Escalada da Dívida, o Preço da Irresponsabilidade Fiscal

    03/08/2026
    "É difícil imaginar uma maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas." A célebre frase do reconhecido economista Thomas Sowell, serve como uma luva para descrever o atual cenário institucional e fiscal brasileiro. Historicamente, a maioria dos representantes dos Três Poderes da República tem tomado decisões que geram despesas contínuas e bilionárias, sem qualquer preocupação com a responsabilidade fiscal ou com as consequências de longo prazo. Eles criam os gastos, aprovam as benesses, mas é a sociedade quem invariavelmente paga a fatura.
    O reflexo dessa irresponsabilidade crônica está estampado nas Estatísticas Fiscais mensais divulgadas pelo Banco Central, com a mais recente de junho indicando um déficit fiscal de R$ 55,3 bilhões num único mês e de R$ 157,2 bilhões no acumulado de 12 meses, equivalente a 1,19% do PIB. O que observamos é um aumento descontrolado do déficit primário — quando as despesas da máquina pública superam as receitas com impostos — acompanhado de um perigoso agravamento do déficit nominal, que incorpora a bilionária e pesada conta dos juros da nossa dívida. Sem conseguir fechar as contas e gastando muito além do que arrecada, o Estado recorre a mais e mais empréstimos, inflando aceleradamente a relação Dívida/PIB, que se distancia rapidamente dos padrões de segurança aceitáveis para economias emergentes. A dívida/PIB, em junho, atingiu 81,9% do PIB, equivalente a R$ 10,8 trilhões, um crescimento de quase 10 pontos percentuais em apenas 3 anos e meio.
    O avanço desenfreado do endividamento público gera uma espiral destrutiva para a economia real. Quando a relação Dívida/PIB cresce sem freios ou perspectivas críveis de estabilização, o mercado financeiro exige prêmios de risco cada vez maiores para continuar financiando o Tesouro Nacional. Esse cenário retroalimenta o problema: a percepção de risco eleva os juros, o que encarece o custo da própria dívida e estrangula ainda mais o orçamento. Com taxas de juros mantidas em patamares restritivos para conter o ímpeto fiscal, o crédito para o setor produtivo seca, os investimentos privados são paralisados, a inflação ameaça sair do controle e o crescimento econômico sustentável torna-se inatingível.
    Para romper esse ciclo vicioso, o Brasil precisa urgentemente de mecanismos reais de responsabilização de seus gestores, já que medidas como o Arcabouço Fiscal não são seguidas, e o exemplo prático pode vir do nosso país vizinho. Está em discussão na Argentina um inovador e rigoroso projeto de lei que prevê punições diretas para os representantes do Executivo, do Legislativo e para ocupantes de cargos de alto escalão, caso o país registre déficit fiscal provocado por suas canetadas. A proposta central da lei sugere o não recebimento de seus salários durante o período em que houver descontrole das contas públicas por eles geradas.
    Trata-se de uma medida extrema, porém altamente pedagógica, que obriga o tomador de decisão a sentir, no próprio bolso, o peso da irresponsabilidade fiscal. Implementar regras em que os políticos finalmente paguem o preço por estarem errados — como alertou Sowell — é o passo definitivo para que as contas do país sejam levadas a sério. Apenas com a garantia inegociável de um orçamento equilibrado, com punições reais para o desvio de conduta fiscal e um endividamento controlado, conseguiremos promover a queda estrutural dos juros e pavimentar o caminho para um desenvolvimento econômico sustentável.
    Você concorda que os políticos deveriam ser punidos caso promovam o déficit fiscal, como na Argentina?
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