O IPCA de janeiro teve variação de 0,33%, repetindo o resultado observado em dezembro de 2025, mas acima das expectativas. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,44%, acima dos 4,26% registrados no período imediatamente anterior. O resultado pode frustrar as expectativas de início de redução de juros em março?
O principal destaque do mês foi o grupo Transportes, que registrou alta de 0,60% e respondeu pelo maior impacto individual no IPCA de janeiro, com contribuição de 0,12 p.p. Esse movimento foi fortemente influenciado pela elevação dos combustíveis, que subiram 2,14% no mês. A gasolina avançou 2,06% e foi o item com maior impacto isolado sobre o índice geral, enquanto o etanol (3,44%), o óleo diesel (0,52%) e o gás veicular (0,20%) também contribuíram para a alta.
Além dos combustíveis, os reajustes nas tarifas de transporte público urbano tiveram peso relevante. O ônibus urbano subiu 5,14%, refletindo aumentos expressivos em capitais como Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro, combinados com políticas de gratuidade aos domingos e feriados. Também houve alta no metrô (1,87%), no trem (1,56%), na integração de transporte público (6,88%) e no serviço de táxi (1,47%). Apesar dessas pressões, o grupo Transportes teve algum alívio com quedas expressivas em itens como transporte por aplicativo (-17,23%) e passagem aérea (-8,90%).
Outro grupo que chamou atenção foi Comunicação, que apresentou a maior variação percentual entre todos os grupos, com alta de 0,82%. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento nos preços dos aparelhos telefônicos (2,61%) e por reajustes em planos de serviços, que afetaram itens como TV por assinatura (1,34%) e combos de telefonia, internet e TV (0,76%). Já em Saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,70%, a segunda maior variação do mês, com destaque para os artigos de higiene pessoal, que subiram 1,20%, e para os planos de saúde, com alta de 0,49%.
Enquanto isso, Alimentação e bebidas apresentou desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. Alimentação no domicílio subiu 0,10%, influenciada pelas quedas expressivas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%), que ajudaram a conter a inflação. Por outro lado, itens como tomate (20,52%) e carnes (0,84%) exerceram pressão de alta. Alimentação fora do domicílio também perdeu fôlego, com variação de 0,55%, abaixo dos 0,60% registrados no mês anterior.
Habitação registrou queda de 0,11%, o principal fator foi a redução de 2,73% na energia elétrica residencial, maior impacto negativo do mês sobre o IPCA, resultado da mudança da bandeira tarifária amarela, vigente em dezembro, para a bandeira verde em janeiro, sem cobrança adicional. Ainda assim, houve pressões pontuais, como o aumento da taxa de água e esgoto (2,56%) e do gás encanado (0,95%), influenciados por reajustes tarifários em diversas capitais. O grupo Vestuário também apresentou variação negativa, com recuo de 0,25%, contribuindo para conter a inflação no mês.
Do ponto de vista regional, a maior variação foi registrada em Rio Branco, com alta de 0,81%, impulsionada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial e dos artigos de higiene pessoal. No outro extremo, Belém apresentou a menor variação, de 0,16%, influenciada pela queda nos preços da energia elétrica e das passagens aéreas. No acumulado em 12 meses, algumas capitais já operam com inflação acima da média nacional, como São Paulo (4,92%), Vitória (5,06%) e Porto Alegre (5,06%), enquanto outras permanecem abaixo, como Campo Grande (3,60%) e São Luís (3,56%).
O resultado traz mais dúvidas sobre a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central em relação ao início do processo de redução da taxa de juros, muito esperada para o mês de março, quando ocorre a próxima reunião. A inflação permanece sendo afetada por itens que empurram o acumulado de 12 meses para cima, dificultando a convergência para o centro da meta no próximo ano.