Na comparação com outras 27 moedas, o Real apresentou a maior apreciação no ano, com alta acumulada de 10,4%. Atualmente, a cotação está em torno de R$ 4,95, o menor patamar desde março. Assim como ocorreu após o início da guerra na Ucrânia, o Real volta a se valorizar no contexto do atual conflito envolvendo o Irã. E o motivo é justamente o encarecimento do petróleo. A alta do barril e de outras commodities incentiva a exportação desses produtos pelo Brasil, gerando maior entrada de Dólares no país.
Esse encarecimento também contribui para as contas públicas, já que deve aumentar a arrecadação do governo com royalties, um movimento potencializado pela elevação do preço do petróleo. Isso pode, inclusive, favorecer medidas de estímulo por parte do governo, principalmente em ano eleitoral, um problema que vai na contramão da queda do Dólar. O FMI revisou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,9% em 2026, enquanto o conflito no Oriente Médio reduziu a expectativa de expansão da economia global.
A política monetária contracionista no Brasil também contribui fortemente para a valorização do Real. Apesar da perspectiva de corte de juros, que vem sendo revisada, o país ainda possui um dos maiores juros reais do mundo. A taxa Selic teve redução de 15% para 14,75%, sinalizando flexibilização monetária, mas em ritmo menor do que o esperado, especialmente diante da elevação das expectativas de inflação. Atualmente, projeta-se uma inflação de 4,8% ao final do ano, acima da meta de 3% e do teto de 4,5%. Com isso, os juros reais, diferença entre a Selic e a inflação, ficam próximos de 10% ao ano, entre os mais altos do mundo, o que atrai capital estrangeiro.
Os investidores têm direcionado recursos para a economia brasileira, tanto para a bolsa quanto para títulos públicos, que oferecem juros reais elevados. Esse cenário também se soma a uma política do governo americano de desvalorização do dólar, com o objetivo de estimular suas exportações. No entanto, esse quadro pode mudar. Por estarmos em ano eleitoral, um aumento de gastos acima do previsto pode gerar maior preocupação fiscal, elevando o risco e provocando saída de dólares do país, o que pressionaria a moeda para cima. Por enquanto, seguimos com o dólar abaixo de R$ 5,00, com tendência de manutenção nesse patamar.