Desde 1996, o FGC desembolsou R$ 6,2 bilhões líquidos, após considerar recuperações e créditos perdidos, em valores nominais, conforme relatórios divulgados até outubro do ano passado.
Os maiores pagamentos vieram do Banco Bamerindus, com R$ 3,7 bilhões, do Banco Cruzeiro do Sul, com R$ 1,96 bilhão, do Banco BVA, com R$ 1,22 bilhão, além do BRK, com R$ 1,75 bilhão. Para completar a lista dos 5 maiores, o Banco Rural demandou R$ 924 milhões. Esses cinco casos respondem por mais de 70% de todo o valor indenizado desde a criação do fundo.
Para se ter uma ideia da dimensão do caso atual, o Banco Master sozinho vai extrapolar todos os parâmetros históricos, com um pagamento estimado até o momento em R$ 41 bilhões aos investidores. A indenização contempla principalmente títulos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs, além de recursos em conta, que não é o caso do Banco Master, respeitando o limite de até R$ 250 mil por investidor, por CPF, e por instituição.
Ao longo desse período, foram pagos 4.256.539 clientes, sendo cerca de 4,2 milhões por garantia ordinária e 872 por garantia especial. O caso mais emblemático foi o do Bamerindus, com 3,9 milhões de clientes indenizados, o que corresponde sozinho a cerca de 92% de todos os ressarcimentos realizados até hoje. Em anos mais recentes, destacam-se a Portocred CFI, com 12.058 clientes, ainda em fase final de pagamento, o BRK CFI, em 2023, com 40.893 clientes, e a Dacasa CFI, em 2020, com 22.130 clientes.
O intervalo entre a decretação do Regime Especial e o início dos pagamentos variou de zero a três anos e oito meses, mas, na maior parte dos casos, ficou entre 15 e 60 dias. Desde 2011, o FGC passou a realizar os pagamentos diretamente aos credores, o que reduziu esse prazo. Exemplos recentes incluem o Banco Neon, com 14 dias; a Domus Cia Hipotecária, com 15 dias; a Portocred, com 27 dias; e o BRK, com 33 dias. Casos excepcionais de demora ocorreram por disputas judiciais ou entraves extrajudiciais, como no caso do BFI, cujo pagamento aconteceu somente três anos e oito meses depois.
A liquidação do Banco Master ocorre em um cenário diferente dos grandes colapsos dos anos 1990 e 2000, quando o sistema financeiro ainda consolidava seus mecanismos de supervisão e resolução bancária. Hoje, as regras de fiscalização do Banco Central são mais rígidas, assim como os processos de liquidação de bancos que enfrentam problemas de liquidez ou de patrimônio, fatores que normalmente levam à decretação da liquidação. No caso do Banco Master, o cadastro já foi realizado para mais de 800 mil investidores, e a promessa é que, nas próximas 48 horas úteis desde o cadastro, os investidores recebam até R$ 250 mil dos investimentos em renda fixa que foram feitos nesse fundo.