O volume de vendas do comércio varejista registrou crescimento de 0,4% em relação a dezembro de 2025, segundo o IBGE. As vendas do varejo, sem descontar a inflação, aumentaram 0,5% na mesma base de comparação. Na comparação com janeiro de 2025, o varejo teve alta de 2,8% no volume de vendas, enquanto a receita nominal avançou 4,7%. No indicador acumulado em 12 meses, o volume vendido no comércio varejista registra crescimento de 1,6%, enquanto a receita nominal apresenta expansão de 6,0%.
Quando se observa o comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e motos, material de construção e o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas apresentou crescimento de 0,9% frente a dezembro. A comparação com janeiro do ano passado mostrou alta de 1,1%. O resultado positivo do mês foi sustentado principalmente pelo crescimento de veículos e motos, partes e peças (2,8%) e material de construção (3,4%) na comparação mensal.
No recorte por atividades do varejo restrito, quatro das oito atividades pesquisadas registraram crescimento na passagem de dezembro para janeiro. O principal destaque foi o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com avanço de 2,6%, seguido por tecidos, vestuário e calçados (1,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%). Por outro lado, houve retração em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e combustíveis e lubrificantes (-1,3%), enquanto móveis e eletrodomésticos apresentou estabilidade.
Na comparação interanual, seis das oito atividades do varejo apresentaram crescimento. O segmento de móveis e eletrodomésticos destacou-se com alta de 6,1% em relação a janeiro de 2025, mantendo uma sequência de resultados positivos iniciada em julho de 2025. Outro segmento que manteve desempenho positivo foi o de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que avançou 5,6%, registrando o quinto resultado positivo consecutivo. Parte desse desempenho tem sido favorecida pela valorização do real frente ao dólar, que reduz o custo de produtos importados, como celulares, televisores e computadores.
O setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria também manteve trajetória consistente, com alta de 5,1% frente a janeiro do ano anterior, registrando o 35º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Já o segmento de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 2,9% na comparação interanual, registrando o segundo mês consecutivo de expansão e exercendo a maior influência positiva sobre o resultado agregado, com contribuição de 1,6 p.p. para o crescimento total do varejo.
No varejo ampliado, o segmento de veículos e motos, partes e peças apresentou queda de 3,3% em relação a janeiro de 2025, sendo o principal responsável pela pressão negativa sobre o indicador agregado, com impacto de -0,6 p.p.. O setor acumula retração de 3,8% em 12 meses, refletindo a sensibilidade do mercado automotivo às condições de crédito e às taxas de juros. O material de construção também apresentou recuo interanual (-2,3%), retomando a trajetória de queda observada ao longo do segundo semestre de 2025. Em contrapartida, o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo registrou crescimento de 2,0%, marcando o quinto resultado positivo consecutivo.
No recorte regional, o comércio varejista apresentou resultados positivos em 20 das 27 unidades da federação na comparação mensal com ajuste sazonal. Entre os maiores avanços destacam-se Rondônia (5,5%), Pernambuco (5,5%) e Amazonas (4,8%), enquanto a principal queda foi registrada na Bahia (-1,4%). No varejo ampliado, também houve predominância de resultados positivos, com destaque para Tocantins (9,6%), Pernambuco (4,0%) e Mato Grosso (3,6%).
O crescimento do varejo tem sido muito volátil, com meses de queda e recuperação, mas com crescimento do valor da receita praticamente anulado pela inflação, como apontou o resultado de janeiro. Crédito caro, endividamento elevado e atividade econômica em desaceleração são os fatores que se contrapõem à taxa de desemprego em sua mínima histórica e rendimento real mais alto.