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- Em dias normais, ventos contrários no exterior e ruídos no cenário doméstico seriam a receita para um forte estresse financeiro. A alta nos preços do petróleo, o fechamento no vermelho em Wall Street, o atrito envolvendo o STF e a manutenção da expectativa de inflação em 5% pelo Boletim Focus formavam um quadro claramente adverso. No entanto, o mercado operou na contramão dessa maré: o Ibovespa subiu forte e alcançou a marca de 187.454 pontos, enquanto o dólar recuou para R$ 5,086.
O que explica esse otimismo em meio a tantos fatores de risco? A resposta reside na reprecificação do cenário político antecipada pelos agentes econômicos. A divulgação de novas pesquisas eleitorais, mostrando um empate técnico ou a liderança de Flávio Bolsonaro frente ao presidente Lula, funcionou como o principal catalisador do pregão.
Para os investidores, a perspectiva de uma mudança de rumo no Executivo é lida como uma janela de oportunidade para a retomada de uma agenda pautada por austeridade e controle rigoroso dos gastos públicos. A atual política de expansão fiscal gera apreensão contínua sobre a sustentabilidade das contas e o avanço da dívida. Quando as pesquisas sinalizam competitividade na oposição, o mercado enxerga, de imediato, menor risco de descontrole futuro.
Esse movimento de descompressão cambial e valorização das ações evidencia que o capital busca previsibilidade. A reação dos ativos no Brasil mostra que, acima de qualquer ruído de curto prazo no exterior, o prêmio de risco está intrinsecamente ligado à disciplina fiscal doméstica. O recado do mercado hoje foi claro: a confiança econômica depende do compromisso inegociável com o reequilíbrio das nossas contas. - Na nossa série sobre as Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035, começamos agora a apresentar, uma a uma, as 14 frentes estratégicas propostas pelo estudo. E a primeira delas parte de uma questão central: como tornar Pernambuco mais competitivo para atrair investimentos, empresas e talentos? Em uma economia cada vez mais baseada em conhecimento, tecnologia e inovação, a competitividade de um território não depende apenas da existência de recursos naturais, incentivos fiscais ou grandes obras. É preciso criar condições para que empresas encontrem infraestrutura adequada, mão de obra qualificada, segurança institucional, capacidade de inovação e um ambiente favorável para investir e crescer.
Pernambuco já possui ativos importantes para construir essa estratégia. O Estado reúne o Porto Digital, o Complexo Industrial Portuário de Suape, universidades e centros de pesquisa, um complexo médico-hospitalar consolidado e polos industriais e agroindustriais distribuídos pelo território. O desafio está em transformar esses ativos, que hoje estão muitas vezes desconectados, em uma estratégia integrada de desenvolvimento capaz de gerar novos investimentos e oportunidades em diferentes regiões.
É nesse sentido que o estudo Rotas para o Desenvolvimento de Pernambuco até 2035 propõe uma Estratégia Estadual de Competitividade Territorial, articulando desenvolvimento econômico, inovação, planejamento territorial e atração de investimentos. Entre as medidas apresentadas estão a criação da Agência Pernambuco Invest, de um Escritório Estadual de Estruturação de Projetos e de um Observatório Pernambucano de Competitividade Territorial, além da formação de uma rede que conecte universidades, centros de pesquisa, empresas, parques tecnológicos e polos econômicos regionais.
Outro ponto importante é a capacidade de Pernambuco de apresentar projetos prontos para receber investimentos. O estudo propõe uma Carteira Estratégica de Projetos Pernambuco 2035, reunindo empreendimentos estruturantes preparados para diferentes fontes de financiamento, além do fortalecimento da transformação digital da gestão pública, do uso de dados para tomada de decisão e de uma agenda de internacionalização capaz de aproximar o Estado de empresas, centros de pesquisa e investidores nacionais e internacionais.
A proposta, portanto, não é apenas atrair mais investimentos. É criar um ambiente em que esses investimentos possam gerar produtividade, inovação, empregos qualificados e desenvolvimento regional, aproveitando as vocações existentes no litoral, no Agreste e nos Sertões. Competitividade territorial, nesse sentido, funciona como uma base para todas as demais rotas apresentadas pelo estudo. Pernambuco precisa se preparar hoje para disputar as oportunidades que vão definir a economia dos próximos anos. O Futuro em Construção: Pernambuco com Visão de Longo Prazo e a Consolidação de um Projeto de Estado
07/09/2026O desenvolvimento sustentável de um estado não se faz com improvisos ou políticas de curto prazo focadas exclusivamente no próximo ciclo eleitoral. Ele exige uma visão de longo prazo, embasada em dados, planejamento e eficiência. Foi com essa premissa que, através da CEDES Consultoria e Planejamento, coordenei a construção do Plano Estratégico Pernambuco 2035. Este documento consolida estudos técnicos, levantamentos de dados e entrevistas para propor um modelo integrado capaz de transformar as vantagens competitivas de Pernambuco — como nossa matriz de energia limpa, nosso forte polo tecnológico e o bônus demográfico — em um novo ciclo de prosperidade, alcançando do Litoral ao Sertão.
Para que Pernambuco eleve sua produtividade e combata as severas assimetrias regionais, o documento traça 14 rotas estratégicas de desenvolvimento, organizadas em um encadeamento lógico de políticas públicas:
• Visão de Futuro: Competitividade Territorial, Inovação e Atração de Investimentos (Rota 1).
• Pessoas: Educação (Rota 2) e Demografia (Rota 3).
• Infraestrutura: Infraestrutura Logística (Rota 4); Infraestrutura Hídrica (Rota 5); Infraestrutura Energética (Rota 6); e Infraestrutura Digital (Rota 7).
• Território: Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Rota 8).
• Desenvolvimento Social: Saúde (Rota 9); Segurança Pública (Rota 10); Cultura, Diversidade e Desenvolvimento Humano (Rota 11); e, Inclusão Produtiva e Programas Sociais (Rota 12).
• Ambiente de Negócios e Capacidade do Estado: Reforma Tributária e Ambiente de Negócios (Rota 13) e Modernização do Estado (Rota 14).
A lógica dessa estrutura é muito clara: cada um desses eixos prepara as condições essenciais para a etapa seguinte. Na prática da economia real, não é possível atrair grandes empresas e novos empreendimentos globais (Rota 1) sem formar capital humano qualificado e adaptado às novas tecnologias (Rota 2), ou sem garantir segurança hídrica e logística eficiente para o escoamento da produção (Rotas 4 e 5).
O Brasil e Pernambuco vivem a janela crítica de encerramento do bônus demográfico. Se não integrarmos imediatamente a nossa infraestrutura digital, as demandas da transição energética e o nosso ecossistema de inovação, perderemos a chance histórica de reter nossa juventude em empregos formais de alto valor agregado. Mais do que isso, o crescimento real de Pernambuco depende da interiorização das oportunidades, destravando o enorme potencial econômico ainda subaproveitado no Agreste e no Sertão.
Para que isso se torne realidade, Pernambuco necessita urgentemente assumir o papel de um "Estado catalisador": um ente moderno, capaz de planejar estrategicamente, regular com eficiência, estruturar Parcerias Público-Privadas (PPPs) robustas e mobilizar investimentos sem inchar a máquina pública. O século XXI será liderado pelas regiões que souberem transformar conhecimento em riqueza e cidades em plataformas de produtividade.
O Plano PE 2035 é um mapa técnico claro para essa travessia. Substituir a atual fragmentação de ações isoladas por um verdadeiro projeto de Estado integrado é o único caminho para construirmos um Pernambuco mais competitivo, inovador e justo para as próximas gerações.- O Congresso Nacional acaba de dar vitória ao Presidente Lula em mais um grave capítulo da nossa instabilidade regulatória. A aprovação do fim da taxação sobre compras internacionais de até US$ 50, a taxa das blusinhas, expõe uma política econômica pautada essencialmente pelo calendário eleitoral e não pela racionalidade produtiva ou fiscal.
Há pouco tempo, o próprio governo lutou para instituir a alíquota de 20% sobre essas importações, justificando a urgência de nivelar o jogo entre as gigantes plataformas asiáticas e o varejo nacional, além de reforçar o caixa da União. Agora, às vésperas da eleição, a bússola simplesmente inverteu. A revogação da tarifa agrada o eleitorado no curtíssimo prazo, mas aprofunda os estragos causados pelo velho Custo Brasil.
Para o setor produtivo, manobras abruptas como essa são devastadoras. A indústria e o comércio nacionais competem sufocados por uma carga tributária asfixiante, juros restritivos e pesados encargos trabalhistas. Quando as regras mudam ao sabor dos ventos políticos, a insegurança jurídica afugenta investimentos de longo prazo. Como um empresário pode planejar contratações, inovações ou expansão de estoques se a tributação dos seus concorrentes diretos no exterior é zerada repentinamente por decreto ou votação relâmpago?
A população também sai perdendo, mesmo que não perceba de imediato. A ilusão de uma importação marginalmente mais barata não compensa o risco do fechamento de postos de trabalho formais no varejo doméstico. Além disso, a renúncia de bilhões em receitas fiscais precisará ser compensada de alguma forma em um país deficitário. Invariavelmente, essa conta volta para o próprio cidadão na forma de aumento de outros impostos. O Brasil precisa ter planejamento de Estado e previsibilidade, e não de espasmos eleitoreiros que sacrificam a nossa já fragilizada geração de empregos. - O mercado financeiro atua como uma máquina de antecipar cenários. No pregão de ontem, presenciamos um reflexo claro dessa dinâmica: o acirramento das pesquisas eleitorais, indicando o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro na disputa contra o presidente Lula, gerou reações imediatas nos ativos brasileiros, movimentando a trajetória do Ibovespa, com a maior alta diária em 5 meses, e aliviando a pressão sobre a cotação do dólar, que voltou ao patamar de R$ 5,10.
Para o investidor, a eleição não se resume a discursos ideológicos, mas a propostas efetivas, previsibilidade e, sobretudo, à trajetória da política econômica e a dívida pública. A resposta de otimismo da bolsa e a descompressão cambial explicam-se pela leitura pragmática dos agentes econômicos. Há uma percepção precificada no mercado de que as diretrizes apresentadas no programa de governo de Flávio Bolsonaro sinalizam um compromisso mais rígido com a austeridade e o controle de gastos. Em contrapartida, o mercado enxerga na atual gestão uma política de forte expansão fiscal, que tem culminado na elevação da dívida bruta e na exigência de juros reais elevados para conter a inflação e financiar esse aumento no endividamento.
Quando as pesquisas mostram uma disputa mais estreita e competitiva, o mercado precifica a possibilidade de uma mudança na condução macroeconômica. Uma sinalização de maior rigor com as contas públicas reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores para alocar recursos no país. Na prática, um risco fiscal menor atrai o capital estrangeiro, valoriza o real e impulsiona as ações na B3, abrindo espaço para um futuro barateamento do custo de capital.
À medida que o pleito se aproxima, a volatilidade continuará ditando o ritmo dos pregões. O mercado vota todos os dias através da alocação de recursos, e o recado dado ontem foi claro: o capital busca segurança. Independentemente de quem suba a rampa do Palácio do Planalto em 2027, a economia não dará trégua ao descontrole das contas.
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