As transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro, resultado melhor do que o observado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo havia sido de US$ 9,8 bilhões. A melhora na comparação interanual foi puxada pelo desempenho mais favorável da balança comercial e pela redução do déficit na conta de serviços, ainda que parte desse avanço tenha sido compensada pelo aumento do déficit em renda primária.
No acumulado em doze meses, o déficit atingiu US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB, mostrando recuo tanto em relação ao mês anterior (US$ 69,0 bilhões) quanto frente a janeiro de 2025 (US$ 72,4 bilhões). A melhora do resultado corrente passa pelo comércio de bens. A balança comercial apresentou superávit de US$ 3,5 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes (US$ 1,4 bilhão). As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, com leve recuo de 1,2% na comparação interanual, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões, registrando queda mais intensa, de 10,0%.
Na conta de serviços, o déficit foi de US$ 4,0 bilhões em janeiro, redução de 12,8% frente ao mesmo mês de 2025. Houve aumento nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, que cresceram 21,7%, alcançando US$ 1,1 bilhão, e com serviços de propriedade intelectual, que avançaram 4,9%, totalizando US$ 805 milhões. Em contrapartida, houve queda nas despesas líquidas com telecomunicações, computação e informações (recuo de 11,9%) e com transportes (redução de 68,7%). Já as despesas líquidas com viagens internacionais somaram US$ 1,5 bilhão, 48,4% superiores às de janeiro de 2025.
Por outro lado, a conta de renda primária voltou a pressionar o resultado externo. O déficit alcançou US$ 8,3 bilhões, aumento de 18,7% em relação aos US$ 7,0 bilhões observados um ano antes. As despesas líquidas com juros somaram US$ 3,7 bilhões, crescimento de 18,3%, enquanto as despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$ 4,7 bilhões, alta de 16,8%.
No financiamento do déficit externo, os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram US$ 8,2 bilhões, acima dos US$ 6,7 bilhões registrados em janeiro de 2025. Desse total, US$ 6,9 bilhões corresponderam à participação no capital e US$ 1,3 bilhão às operações intercompanhia. No acumulado em doze meses, o IDP alcançou US$ 79,1 bilhões (3,42% do PIB), superando tanto o valor de dezembro de 2025 quanto o de janeiro de 2025, reforçando a continuidade da entrada de capital produtivo.
As reservas internacionais somaram US$ 364,4 bilhões em janeiro, aumento de US$ 6,1 bilhões em relação ao mês anterior. O aumento decorreu principalmente da variação por paridades (US$ 5,1 bilhões) e das receitas de juros (US$ 789 milhões), parcialmente compensadas por variações negativas de preço. Não houve intervenções do Banco Central no mercado de câmbio no período, e o saldo de linhas com recompra permaneceu estável em US$ 14,8 bilhões.