O déficit fiscal de março veio bem mais negativo do que no ano passado explicando a piora as contas públicas. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 80,7 bilhões no mês, revertendo o superávit de R$ 3,6 bilhões observado em março de 2025. Esse desempenho foi puxado principalmente pelo Governo Central, com resultado negativo de R$ 74,8 bilhões, enquanto governos regionais também contribuíram com déficit de R$ 5,4 bilhões e as estatais fecharam no vermelho em R$ 0,5 bilhão. Com isso, no acumulado em 12 meses, o déficit primário chegou a R$ 137,1 bilhões, o equivalente a 1,06% do PIB, uma piora enorme na comparação com fevereiro.
Soma-se ao descontrole fiscal do primário, o custo da dívida. Os juros nominais somaram R$ 118,9 bilhões apenas em março, um salto expressivo em relação aos R$ 75,2 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Parte dessa alta se explica por fatores pontuais, como o maior número de dias úteis, mas há também elementos estruturais, como o aumento do estoque da dívida. Além disso, houve uma piora no resultado das operações de swap cambial, que passaram de um ganho de R$ 9,9 bilhões em março de 2025 para uma perda de R$ 6,5 bilhões neste ano. No acumulado em 12 meses, os juros já somam R$ 1,08 trilhão, ou 8,35% do PIB, com o Governo Lula se encaminhando para ser o que mais pagou juros na história.
Esse peso dos juros não é pontual, ele tem se consolidado como o principal problema estrutural das contas públicas no atual governo. As projeções indicam que a despesa com juros da dívida deve atingir níveis recordes ao longo do atual governo, com média em torno de 7,6% do PIB, a maior já observada em um mandato presidencial. Para efeito de comparação, o pico anterior havia sido no primeiro governo Lula, com média de 7,25% do PIB, enquanto o governo Bolsonaro registrou o menor patamar da série, com 4,97%.
Quando se soma o déficit primário com a conta de juros, o resultado é um déficit nominal de R$ 199,5 bilhões em março. No acumulado em 12 meses, o rombo já atinge R$ 1.217,5 bilhões, o equivalente a 9,41% do PIB, com avanço de 0,94 p.p. em relação ao mês anterior.
O resultado deste cenário de descontrole fiscal no primário e pagamento de juros altos para a sua manutenção resulta no crescimento expressivo da trajetória da dívida. A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 80,1% do PIB (R$ 10,4 trilhões), em forte trajetória de alta e um crescimento de 8,4 pontos percentuais no atual governo, mais de 10% em relação aos 71,7% de dezembro de 2022.