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Ecio Costa - Economia e Negócios

Ecio Costa
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  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Muito Além do Comércio: A Política por Trás da Nova Tarifa dos EUA Contra o Brasil

    03/06/2026
    Recentemente, o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, propôs uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, é justificada oficialmente por um suposto conjunto de práticas comerciais desleais por parte do Brasil. No entanto, uma análise atenta das alegações e do nosso contexto bilateral revela que essa ofensiva tem um caráter muito mais político do que propriamente econômico.

    O relatório do USTR (Representante Comercial dos EUA) elenca reclamações bastante heterogêneas. Curiosamente, um dos alvos principais é o Pix. O sucesso do nosso sistema de pagamentos instantâneos é apontado como uma concorrência estatal desleal aos cartões de crédito privados norte-americanos. A lista de justificativas também critica as altas tarifas do Brasil sobre o etanol importado, o histórico de desmatamento, a lentidão na concessão de patentes e até cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF como uma falha na política anticorrupção nacional.

    Contudo, o ponto que realmente expõe a natureza do tarifaço é a interferência nas decisões do nosso Judiciário. O relatório questiona ordens sigilosas de cortes brasileiras que exigiram a suspensão de perfis e a remoção de conteúdos políticos nas redes sociais (Big Techs). Vale lembrar o histórico recente: em 2025, os EUA já haviam aplicado retaliações tarifárias com o claro intuito de pressionar o Brasil a aliviar o cerco judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, forte aliado do governo republicano. Fica nítido que o comércio exterior está sendo instrumentalizado para exercer pressão ideológica e diplomática.

    Sob a ótica da economia real, no entanto, o alarde tende a ser maior do que o estrago. A imposição da tarifa não deverá causar um cataclismo nas nossas exportações, e há dois motivos fundamentais para isso.

    Primeiro, deve-se observar a extensa lista de exceções que acompanha a medida. As vastas exclusões concedidas a diversos setores e produtos específicos acabam diluindo o peso prático da taxação. Na ponta do lápis, muitos itens que de fato movem a balança das exportações brasileiras para o mercado americano poderão escapar da tarifa ou ter seu impacto consideravelmente mitigado.

    Segundo, a própria relação comercial entre os dois países já é estruturalmente superavitária para os EUA. Há mais de uma década, os americanos vendem muito mais para o Brasil do que compram de nós. Escalar uma guerra tarifária contra um parceiro que lhe garante seguidos superávits e consome massivamente sua indústria não é uma estratégia puramente econômica, pois expõe o próprio exportador americano a retaliações.

    Em suma, a nova tarifa de 25% soa muito mais como um posicionamento político voltado para uma base eleitoral do que uma tentativa real de corrigir assimetrias comerciais. O Brasil precisará atuar com pragmatismo e habilidade diplomática nas consultas públicas até julho de 2026, prazo para efetivação das tarifas, com a tranquilidade de quem sabe que, no fim do dia, o fluxo comercial entre as duas nações é vital — e bastante lucrativo — especialmente para os EUA.
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    O Alerta Vermelho da Dívida Pública: Causas e Caminhos para o Equilíbrio

    02/06/2026
    A trajetória das contas públicas brasileiras atingiu um novo e preocupante marco histórico. Dados do Banco Central revelam que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, somando o montante recorde de R$ 10,4 trilhões. Esse é o maior nível registrado desde meados de 2021, quando a pandemia assolava o país. Para um país emergente como o Brasil, esse patamar é um sinal de alerta vermelho piscando no painel da nossa economia.

    Quando olhamos especificamente para a Dívida Pública Federal (DPF), o encerramento de 2025 já apontava para esse cenário crítico: um salto de 18% no ano, superando a marca de R$ 8,6 trilhões. Mas o que, de fato, está nos empurrando para essa espiral de endividamento?

    A resposta passa por uma combinação letal de desequilíbrio fiscal estrutural e o alto custo do dinheiro, que vem como consequência desse desequilíbrio. Com a taxa Selic mantendo-se em patamares restritivos para conter a inflação, causada pelo excesso de gastos do governo, principalmente, o custo para rolar essa dívida se tornou exorbitante. Apenas no ano passado, o governo incorporou quase R$ 880 bilhões em juros ao estoque da dívida. É o chamado "efeito bola de neve": o Estado toma recursos emprestados para pagar os juros da dívida que já existia.

    A grande causa disso vem desde o início do atual governo, com déficits fiscais recorrentes e o abandono de medidas mais sérias para um maior controle de despesas. O Arcabouço Fiscal nunca funcionou como uma ferramenta para controlar o crescimento desenfreado das despesas, pelo contrário, funcionou como um mecanismo que justifica o seu aumento, via aumento de arrecadação, com mais impostos.

    A gravidade desse cenário reflete diretamente na vida de todos os brasileiros. Uma dívida pública com viés de alta contínua afugenta investimentos estrangeiros, pressiona a taxa de câmbio, encarece o dólar e mantém a inflação sob constante ameaça. Na prática, os investidores enxergam um risco fiscal maior e, por isso, exigem juros ainda mais altos para financiar o governo.

    Quais são, então, as soluções para reverter essa rota?

    A saída exige coragem e compromisso inegociável com o futuro. Primeiro, é imperativa uma consolidação fiscal crível. O governo precisa demonstrar, com ações e previsibilidade, que as despesas crescerão a um ritmo inferior ao das receitas, gerando superávits primários consistentes. Isso não significa aumentar a carga tributária — que já é uma das mais altas do mundo em desenvolvimento —, mas sim racionalizar o gasto público.

    Segundo, precisamos avançar com reformas estruturais que ataquem a rigidez do orçamento e aumentem a eficiência do uso dos recursos públicos. A revisão criteriosa de gastos tributários (isenções e subsídios que muitas vezes não trazem o retorno social esperado) e uma gestão mais eficiente da máquina pública são passos inadiáveis.

    Apenas com as contas em ordem conseguiremos dar segurança para que a taxa Selic caia de forma sustentável, aliviando, por consequência, o custo da dívida. Não existe passe de mágica na economia. O equilíbrio fiscal é o alicerce indispensável para que o Brasil volte a atrair capital produtivo, gere empregos de qualidade e cresça de forma vigorosa, sem o fantasma do descontrole assombrando as próximas gerações.
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    Fim da Escala 6x1 e suas consequências para a economia

    28/05/2026
    O custo e as consequências do fim da escala 6x1 na economia e no nosso país são algo bastante preocupante. A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que põe fim à escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal para 40 horas, estabelecendo um prazo de transição de 14 meses após amplo acordo político. Mas, do ponto de vista social e humano, claro, o anseio por mais tempo livre e qualidade de vida é legítimo, é compreensível. No entanto, é importante, até como economista, trazer alguma luz sobre a realidade dos números que isso traz. Impor essa mudança nas atuais condições macroeconômicas do país é uma medida muito temerária. Ou seja, na economia, você não faz um decreto de prosperidade ou ganho de eficiência através de uma lei. Quando o legislador ignora a realidade produtiva do nosso país, vai trazer uma conta que vai recair sobre o próprio trabalhador que essa medida tenta proteger. Então, tem alguns pontos nesse cenário que a gente precisa analisar.

    Primeiro, a questão da estagnação da nossa produtividade. O Congresso muitas vezes evita encarar esse problema da baixa produtividade, ou da produtividade estagnada, da mão de obra brasileira. E ela está estagnada há décadas. Se você olhar para a indústria, há levantamentos que comprovam isso. O agro foi praticamente o único setor que cresceu muito, justamente porque usa pouca mão de obra. Então, em países desenvolvidos, um trabalhador consegue gerar mais riqueza em menos horas devido ao alto nível educacional, à infraestrutura de ponta, à tecnologia e a um ambiente de negócios favorável. Todos esses pontos nós temos problemas aqui no nosso país. Nós não temos essa retaguarda. Então, reduzir a jornada de trabalho de forma abrupta em um país que não produz mais em menos tempo significa, matematicamente, uma queda abrupta na produção nacional ou uma forte elevação nos preços.

    Segundo, você tem setores como comércio, serviços e pequenos negócios. Esses setores são hoje a espinha dorsal da geração de empregos do Brasil e também os que mais movem a economia, respondendo por 70% do PIB. Eles operam sob uma dinâmica de atendimento contínuo. Você tem shoppings, restaurantes, farmácias e supermercados que funcionam 24 horas ou em horário estendido. Então, se o funcionário trabalhar menos dias na semana, o empresário vai ter apenas duas opções para manter as portas abertas: ou reduz o seu horário de funcionamento, perdendo faturamento, ou vai contratar mais pessoas para cobrir a lacuna, aumentando custos e reduzindo lucros, ou repassando isso para os clientes.

    Para as grandes corporações, isso vai reduzir lucro. Mas, para o pequeno e médio empreendedor, o dono da padaria, do mercadinho de bairro, isso é impactante. Eles já operam com margens espremidas, então o aumento súbito da folha de pagamento pode ser até fatal. Muitos não terão fôlego financeiro para contratar, o que vai inevitavelmente empurrar o mercado para demissões, fechamento de vagas e um salto assustador na informalidade.

    Em seguida, tem o problema da inflação. Se o custo de manter o negócio aberto aumentar, quem vai pagar a conta é o consumidor. O repasse do aumento dos custos trabalhistas para o preço final dos produtos e serviços vai ser imediato. A inflação de serviços, que hoje já é a maior dor de cabeça do Banco Central, vai ganhar um novo e poderoso motor. Então, com essa inflação em alta, o poder de compra do próprio trabalhador, que vai ter mais tempo livre, será corroído. E o Banco Central vai ser forçado a manter a Selic nas alturas, encarecendo o crédito e freando ainda mais o crescimento econômico.

    Também tem a questão de olhar para a experiência internacional e pensar numa necessidade de transição. Os defensores da medida geralmente citam países europeus que reduziram suas jornadas de trabalho, só que omitem como isso foi feito. A experiência internacional mostra que essas transições ocorreram em países riquíssimos, com produtividade elevadíssima, e foram implementadas gradualmente, com prazos de adaptação que levaram anos ou até décadas.

    No Brasil, antes de discutir a redução da escala na canetada, seria importante, até obrigatório, equacionar o custo Brasil. Para que uma reforma como essa fosse minimamente viável, ela precisaria vir acompanhada de uma desoneração profunda da folha de pagamento, reduzindo os pesados encargos trabalhistas e tributários que incidem sobre a contratação. Além disso, deveria exigir um prazo de implantação longo e escalonado, permitindo que a economia se ajustasse sem choques.

    Tentar forçar o fim da escala 6x1 ignorando a estagnação da nossa produtividade, a alta carga tributária e o atual déficit fiscal do governo é tentar colocar o telhado antes de construir as fundações. Sem reformas estruturais que barateiem o custo de contratação e aumentem a eficiência do trabalhador brasileiro, essa lei pode se transformar em uma máquina de gerar inflação, fechar pequenos negócios e empurrar milhões de brasileiros para uma precarização do trabalho e para a informalidade.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    A conta chegou antes mesmo do final da eleição: como a gastança e o crédito artificial ressuscitaram a inflação no Brasil

    27/05/2026
    A prévia da inflação oficial do país (o IPCA-15) de maio trouxe uma notícia que o brasileiro já sentia no bolso, mas que agora se confirmou nos números: a inflação voltou a romper o teto da meta. O índice registrou alta de 0,62% no mês, acelerando com força e empurrando o acumulado de 12 meses para 4,64%. Mas a verdadeira questão que precisamos responder não é o quanto os preços subiram, e sim porque isso está acontecendo.

    A resposta não está em um fator externo ou em falta de sorte, mas nas escolhas políticas e econômicas recentes de Brasília. O verdadeiro motor da inflação: o pé no acelerador fiscal e no crédito. O que estamos presenciando é o resultado de um choque de forças na nossa macroeconomia. De um lado, o Banco Central tenta, desesperadamente, controlar a inflação mantendo a taxa de juros (Selic) em patamares elevados. Essa é a política de pisar no freio.

    Do outro lado, no entanto, temos um governo que pisa fundo no acelerador. A expansão fiscal tornou-se uma regra, com o país registrando déficits seguidos e despejando dinheiro público na economia. Somado a isso, vemos uma injeção massiva e artificial de linhas de crédito patrocinadas pelo Estado.

    Na economia, quando o governo gasta muito mais do que arrecada e inunda o mercado com crédito artificial em um momento de juros altos, ele gera uma demanda muito maior do que a capacidade do país de produzir bens e serviços. O resultado? O Banco Central tenta apagar o incêndio, mas o próprio governo joga gasolina nas chamas. O esforço da política monetária torna-se inútil e o dragão da inflação desperta. E, como sempre, quem paga essa conta é o cidadão comum.

    A realidade que dói no orçamento.
    Essa descoordenação macroeconômica já forçou o mercado financeiro a revisar para cima a inflação esperada para 2026 pela décima semana consecutiva, batendo os 5,04%. No dia a dia, os reflexos são cruéis e atingem o consumo básico:

    Comida na mesa cada vez mais cara. Os alimentos são os grandes vilões do momento, respondendo por quase metade da alta do índice. Produtos que não podem faltar na mesa dispararam: a batata-inglesa subiu impressionantes 26,29%, o tomate avançou 12,97% e o leite ficou 6,07% mais caro.

    O choque na conta de luz. O grupo Habitação também pesou pesado (+1,03%). O retorno da bandeira tarifária amarela puniu os consumidores. Aqui no Recife, a situação foi ainda mais amarga: com o reajuste aprovado no fim de abril, a energia elétrica subiu 5,18% só neste mês.

    A dor de cuidar da saúde. O brasileiro não está gastando mais só no mercado. O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 1,05%, puxado pelos produtos farmacêuticos (+1,25%) e pelos planos de saúde (+0,50%). Ficar doente está custando muito mais caro.

    O alívio temporário (e ilusório) dos transportes. O único setor que ajudou a segurar o índice para não ser ainda pior foi o de Transportes, que registrou queda de 0,33%. Mas, atenção: isso não é fruto de uma melhora estrutural. A queda foi puxada por reduções voláteis nos combustíveis (etanol, diesel e gasolina) e por medidas de gratuidade no transporte público aos domingos em várias capitais do país. Em contrapartida, as passagens aéreas continuam subindo (3,25%).

    Na análise regional, nossa capital pernambucana sentiu o golpe. O Recife registrou inflação de 0,66% no mês — acima da média nacional —, acumulando um preocupante avanço de 5,51% em 12 meses. É um dos piores resultados entre todas as capitais pesquisadas.

    O IPCA-15 escancara uma realidade indigesta para a política econômica. Não se controla a inflação apenas com boas intenções. Enquanto o governo não arrumar a própria casa, assumindo um compromisso real com a responsabilidade fiscal e parando de estimular a economia de forma artificial com crédito insustentável, o custo de vida continuará asfixiando o brasileiro. A conta da irresponsabilidade de hoje é o empobrecimento de amanhã.
  • Ecio Costa - Economia e Negócios

    Mais Investimentos Estrangeiros Diretos e Mais Gastos de Turistas no Exterior

    26/05/2026
    Notícia importante que está passando fora do radar: o Brasil recebeu em abril uma injeção de confiança robusta do mercado global, se tornando cada vez mais um destino para o Investimento Estrangeiro Direto. O Investimento Direto no País (IDP) saltou para impressionantes US$ 8,9 bilhões em abril. Mas o que isso significa na prática?

    Para se ter ideia da força desse movimento, no mesmo mês do ano passado, esse valor foi de US$ 5,4 bilhões. Estamos falando do chamado "dinheiro bom". É capital produtivo que constrói fábricas, gera empregos de longo prazo e não foge na primeira oscilação da bolsa.

    O dado mais animador: desse total, US$ 3,7 bilhões foram lucros que as empresas estrangeiras decidiram reinvestir aqui mesmo no Brasil, em vez de remeter para suas matrizes no exterior. Além disso, a nossa balança comercial bateu recorde, com superávit de US$ 9,7 bilhões.

    Mas se o investimento foi alto e exportamos bem, por que as transações correntes tiveram déficit (US$ 1,8 bilhões)? A resposta passa pelo "Efeito Aeroporto" e pelos juros. Os brasileiros viajaram mais e deixaram US$ 2,3 bilhões lá fora (uma alta de quase 35%).

    Além dos gastos com viagens, o Brasil também remeteu mais lucros, dividendos e juros ao exterior. É um movimento natural: se entra muito capital estrangeiro, o pagamento de juros de empréstimos e da rolagem da dívida e o retorno desse investimento para pagamento de lucros e dividendos para fora também crescem.

    Resumindo, o brasileiro está gastando mais lá fora, mas o mundo está acreditando (e investindo) cada vez mais aqui dentro, mesmo com os riscos fiscais que temos vivenciado. Para garantir nossa estabilidade, seguimos protegidos por um colchão de US$ 366,9 bilhões em reservas internacionais.
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