Assucena é uma das vozes mais relevantes da música brasileira contemporânea, reconhecida por sua trajetória com As Bahias e a Cozinha Mineira (posteriormente só As Baías), grupo com o qual foi indicada duas vezes ao Grammy Latino. E, claro, por sua belíssima carreira solo, marcada por uma pesquisa estética e emocional profunda. Não só na música, já que ela é uma artista completa e expandiu seu talento para o teatro - sendo inclusive, indicada ao Prêmio Shell 2023 como melhor atriz.
Sua arte começa na graduação. Nascida em Vitória da Conquista (BA), mudou-se para São Paulo para estudar História e construiu uma sólida formação intelectual na USP, com uma bagagem que é refletida em suas canções. Virou também colunista da Vogue, articulando música, pensamento crítico e performance como dimensões indissociáveis de seu ser.
Neste episódio, conversamos sobre a reescrita radical da própria história. Da infância no interior da Bahia ao deslocamento para São Paulo e a transição de gênero. Assucena reflete sobre identidade como obra aberta, sobre o fim de expectativas herdadas e sobre a coragem de sustentar o desejo. Falamos de arte, espiritualidade, família, afeto e daquilo que só pode nascer quando se aceita que todo fim carrega, em si, a possibilidade de liberdade.