O episódio 39 do EVA CAST, o podcast do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, aborda um tema central na jornada das pacientes, que é a retomada da vida após o câncer do colo do útero, com foco nas dimensões do corpo, da mente e do movimento. Em um contexto em que a doença segue entre as mais incidentes no Brasil (com cerca de 19 mil novos casos anuais), segundo o INCA, o episódio reforça que, embora altamente prevenível e tratável, o tratamento pode deixar marcas importantes que exigem cuidado contínuo eabordagem multidisciplinar.
A conversa reúne Andressa Teixeira, especialista em ginecologia oncológica; Fernanda Pacheco Marini, fisioterapeuta especializada em Oncologia e saúde da mulher e Pedro Almeida, educador físico com atuação dedicada à reabilitação de pacientes oncológicos. Ao longo do episódio, os convidados discutem desde os critérios que orientam a escolha do tratamento (como cirurgia, radioterapia ou abordagens combinadas) até os impactos dessas intervenções na funcionalidade da pelve, na saúde urinária, intestinal, hormonal e sexual das pacientes.
Entre os principais pontos abordados estão as possíveis sequelas da histerectomia radical e da radioterapia, incluindo alterações na bexiga, no reto e na vagina, além do risco de linfedema e da insuficiência ovariana. O episódio também detalha como decisões terapêuticas são tomadas de forma individualizada, considerando estadiamento da doença, características tumorais e desejos da paciente, como a preservação da fertilidade.
A partir dessa base clínica, o episódio avança para o campo da reabilitação, destacando o papel essencial da fisioterapia oncológica na recuperação funcional. São discutidas alterações frequentes após o tratamento, como fadiga, perda de massa muscular, disfunções urinárias e sexuais, dor pélvica e limitações de mobilidade, além de estratégias terapêuticas que incluem reeducação do assoalho pélvico, uso de dilatadores vaginais, terapias manuais e recursos eletrofísicos.
O episódio também aborda a atividade física como ferramenta terapêutica e explora como o movimento, mesmo em pequenas doses e adaptado à realidade de cada paciente, pode reduzir a fadiga oncológica, melhorar a capacidade funcional, proteger o sistema cardiovascular e contribuir para a saúde mental e emocional. A discussão também inclui a importância da individualização da prescrição, da progressão gradual e da integração daatividade física à rotina diária, tornando-a viável mesmo durante o tratamento.
Além dos aspectos físicos, o episódio traz uma abordagem sobre a reconexão com o próprio corpo, a retomada da vida sexual e o impacto emocional do pós-tratamento. Os convidados enfatizam a importância do acolhimento, da comunicação com a equipe de saúde e do autoconhecimento como pilares para a reconstrução da autoestima e da qualidade de vida.
O episódio também reforça a importância do seguimento a longo prazo, incluindo acompanhamento ginecológico regular, manejo das sequelas e, quando indicado, uso de terapia de reposição hormonal, geralmente segura nesses casos por se tratar de um câncer não hormônio-dependente.
Como mensagem final, o episódio destaca que o câncer nãoprecisa ser sinônimo de limitação permanente. Com informação, acompanhamento adequado e estratégias integradas de cuidado, é possível não apenas tratar a doença, mas devolver às pacientes sua funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. E, sobretudo, reforça o papel da prevenção (com vacinação contra o HPV e rastreamento adequado) como caminho para reduzir a incidência da doença no futuro.
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Ficha técnica
Realização: Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA)
Produção: SENSU Comunicação e Banca de Conteúdo.
Roteiro e apresentação: Moura Leite Netto.
Captação e edição de som: J. Benê.
Tema de abertura e encerramento: Gui Grazziotin.
Direção: Luciana Oncken.